Como o governo Obama vê o Irã (Parte 1 de 2)

EUA · Irã · 1/07/2009 - 16h49 - 72 Comentários

Myth, Illusions and Peace – Mitos, Ilusões e Paz – é o livro recém-lançado, nos EUA, de Dennis Ross, o diplomata encarregado no governo Obama de negociar com o Irã. O volume trata de todo o Oriente Médio mas, neste momento de crise, não custa focar nos capítulos a respeito do Irã.

É disto que este post trata: um resumo de como Ross vê o país e a diplomacia recente com ele. Amanhã, no segundo e último post da série, sua fórmula para negociar com os iranianos. Não custa lembrar: é a visão e a opinião do homem cujo escritório fica ao lado do de Obama na Casa Branca. Irã é assunto que pertence a ele.

Dentro do Oriente Médio, o Irã é visto como um país particularmente agressivo. Seu governo declara ter por objetivo exportar sua Revolução Islâmica e se pautar pela ’solidariedade muçulmana’. Ativamente, interfere internamente em três países. O Iraque, onde financia e treina milícias xiitas, o Líbano, onde financia e treina o Hizbolá, e os territórios palestinos, onde financia o Hamas. Nos três casos, o Irã sustenta exércitos paralelos àquele controlado pelo Estado.

O Irã segue a vertente xiita do Islã. Os países árabes, em sua maioria sunitas, não compram a história de ’solidariedade muçulmana’. Um diplomata árabe consultado por Ross descreveu o Irã como uma máfia: oferece proteção, quem não paga de alguma forma, sofre. E o governo do Irã é solidário apenas quando convém. Em casos como a Chechênia invadida pelos russos e literalmente posta abaixo, Teerã ficou calada. Acontece que os russos, assim como os chineses, são aliados. Por motivos semelhantes, já se manfiestou num conflito armado contra o Azerbaijão, onde a maioria da população é xiita.

Boa parte da Europa ocidental consome petróleo e gás iranianos. Eles até impõem algumas sanções, mas há limites para o que conseguem fazer. O governo dos EUA não faz negócios com quaisquer empresas que façam negócios com Teerã, o que é razoavelmente eficaz. Mas China e Rússia têm acordos comerciais com o Irã e, mais importante, fazem transferência de tecnologia petroleira. Nenhum jogo de pressão dará certo se os dois não forem incluídos.

Existem dois objetivos principais em uma negociação com o país. O primeiro é o de evitar que ele consiga armamento nuclear. O Irã não opera como o bloco comunista operava. A garantia de mútua destruição forçou que a Guerra Fria jamais esquentasse. Sempre que havia uma crise, Washington e Moscou tinham uma linha direta que permitia comunicação entre os altos níveis de governo. EUA e União Soviética se compreendiam. Não é o caso aqui.

Num governo movido por uma religião messiânica e disposta ao martírio, como é o caso do islamismo xiita, em que o presidente Mahmoud Ahmadinejad não cansa de declarar que o Imame Desaparecido está para retornar à Terra, as motivações podem ser diferentes. Israel é um país pequeno. Vários de seus mísseis não destruiriam o Irã por completo; poucos mísseis transformam Israel em terra arrasada.

Um ataque real não é o único medo. O Irã não é o único país do Oriente Médio com ambições de controle regional. A Arábia Saudita também é. Se o Irã subir o degrau nuclear, os sauditas poderão se ver obrigados a fazer o mesmo. No seu caso, eles sequer precisam desenvolver a tecnologia, o que demoraria alguns anos. Um acordo com o governo paquistanês para a transferência de alguns mísseis apontados para Teerã é viável. A Arábia Saudita, não custa lembrar, é o berço da al-Qaeda e radicais é o que não faltam no país. Além disso, se os sauditas tiverem seus nukes, os egípcios se verão motivados a seguir o mesmo caminho. Eles não poderiam deixar a Arábia Saudita ser o único país árabe com esse tipo de armamento.

Então há dois objetivos numa conversa com o Irã: evitar uma corrida armamentista em uma das regiões mais instáveis do mundo e fazer com que o país pare de financiar e treinar grupos que colaboram para a instabilidade interna da região.

O governo de George W. Bush, na leitura de Ross, cometeu uma série de erros políticos dentro e fora dos EUA com os quais é possível aprender. O primeiro foi não ter aproveitado o momento após a invasão do Iraque.

Quando o governo de Saddam Hussein caiu em duas semanas, Teerã levou um susto. Afinal, a guerra entre Irã e Iraque levou vários anos e o país não foi capaz de derrotar Saddam. A demonstração de poderio militar norte-americana não foi apenas convincente. Foi aterradora. De presto, via a Embaixada Suíça, o aiatolá Khamenei fez passar a Washington um apelo por diálogo e uma proposta de pauta escrita por seu embaixador na França. Queriam ir à mesa. A pauta incluía todas as garantias que os EUA pudessem querer, incluindo inspeções amplas, de que o país não buscaria armas de destruição em massa. A reação da Casa Branca foi a de repreender o embaixador por ter se excedido em suas prerrogativas. Khamenei ficou sem resposta.

Durante os anos seguintes, três questões fizeram o Irã mudar de opinião a respeito dos EUA. A primeira foi a total falta de controle no Iraque. Ficou evidente que Washington não sabia o que estava fazendo, o que afastou o risco real de uma invasão ao Irã. A segunda foi o excesso de ameaças. O governo Bush fez vários ultimatos contra o Irã, advertindo para as consequências de descumprir esta ou aquela resolução. Teerã fez o que quis e as consequências foram ralas. Por último, houve o relatório da inteligência norte-americana publicado em 3 de dezembro de 2007.

Segundo a versão pública do relatório, o Irã havia interrompido seu programa de armamentos nucleares em 2003. O documento de fato tinha muito mais nuances e dúvidas, mas foi apresentado à imprensa ressaltando a interrupção. Resultado: dia de festa em Teerã, a Europa afrouxou, os vizinhos relaxaram, Rússia e China que já não ligavam muito ganharam uma desculpa.

As agências de inteligência fizeram de propósito – e, aí, o que pegou foi a política interna. A Casa Branca deturpou o que lhe informaram CIA e outras para entrar no Iraque. Perante o desastre, a culpa sobrou para os espiões. Não queriam ser responsabilizados por outro desastre. Jogando na defensiva, bloquearam a diplomacia do governo ressaltando a parte amena do relatório. Desde então, o governo iraniano aumentou o tom de voz e os EUA ficaram sem espaço para ameaçar.

Este é o cenário herdado pelo governo de Barack Obama.

Conversar com o Irã não é elementar. É um país com política interna complexa e instável. No livro, Ross sugere uma estratégia ampla para iniciar a conversa. Por certo, um tanto mudou da reeleição de Ahmadinejad para cá. Mas não o principal. Este é um post que fica para amanhã.

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Onde está Maziar Bahari?

Irã · Mídia · 1/07/2009 - 00h30 - 62 Comentários

Ontem, a agência de notícias iraniana Fars informou que o repórter Maziar Bahari, da Newsweek, deu uma entrevista coletiva na qual admitiu que sua cobertura das eleições presidenciais do país era tendenciosa em favor de Mir Hossein Mousavi. Bahari informou que faz parte da máquina capitalista que tem por objetivo questionar a legitimidade da eleição. Segundo a Fars, ele disse ainda que além de sua Newsweek, CNN e New York Times também fazem parte do complô internacional.

Não há, ainda, como confirmar se essa coletiva ocorreu de fato ou não.

Bahari, conhecido do Ryff, trabalha em Teerã com um amigo meu, o também repórter da Newsweek Babak Dehghanpisheh. Quando foi preso em sua casa, Babak de presto escreveu a todos que conhecia pedindo publicidade máxima para o assunto. Ambos são repórteres ideais para trabalhar no país por sua origem persa. Conhecem a cultura e a língua, embora tenham sido criados no exterior. A contrapartida é que o governo do Irã os considera cidadãos – e os trata como trata seus cidadãos.

A ‘confissão’ em entrevista coletiva de Bahari assusta. Era um jornalista tentando relatar o que se passa no país – agora diz fazer parte de um complô que não existe. Ou está assustado o suficiente para dizer qualquer coisa para se libertar. Ou o pior já aconteceu.

A Newsweek pediu publicidade máxima justamente para evitar o que parece ter ocorrido. Quando uma ditadura cruza esta linha, a de torturar jornalistas estrangeiros, em geral consegue o que quer: bloqueia o fluxo de informação para fora. Na era do Twitter, talvez seja um gesto inútil de desespero.

Mas se havia dúvidas de quem estava no comando, é a linha dura.

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Sobre Honduras, sobre golpes

Honduras · Ideologias · Venezuela · 30/06/2009 - 17h56 - 146 Comentários

Entendo os argumentos de quem diz que não houve golpe de Estado em Honduras. Não sou jurista, não conheço a carta constitucional hondurenha inteira, não me arrisco a interpretar um trecho da Constituição. E não tenho qualquer simpatia pelo chavismo.

Mas quebra da normalidade democrática na minha cartilha é golpe.

Faço um desafio: me citem um único caso na história democrática de uma deposição como esta. Precisa ter os seguintes detalhes:

1. O chefe do Executivo tem que ter sido deposto legalmente pelas Forças Armadas.
2. Tem que ter sido imediatamente exilado do país.
3. Após sua deposição tem que ter sido imposta censura total da imprensa.

Em que democracia algo assim aconteceu? Duvido que encontrem uma. Nenhum dos três procedimentos é democrático.

No caso de impedimento pelo Congresso, é o presidente do Congresso que informa o presidente do término de seu mandato. No caso de cassação judicial, há que ser alguém da Justiça. Lugar de exército é na caserna.

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Forças Armadas e Democracia na América Latina

América Latina · Honduras · 30/06/2009 - 14h26 - 81 Comentários

Honduras não é o Irã – mas enquanto os golpistas latino-americanos tentam impor um toque de recolher, também lá a população vai às ruas e, também lá, os vídeos seguem o caminho do YouTube.

Terça-feira que vem, o presidente deposto Manuel Zelaya falará à ONU. CNN e demais canais internacionais de notícias estão fora do ar, enquanto os canais nacionais transmitem apenas aquilo que lhes determina o governo.

É evidente que havia um conflito institucional dentro de Honduras, com Legislativo e Judiciário de um lado, Executivo do outro. O precedente sério criado neste caso é a intervenção das Forças Armadas. A observação é feita Kevin Casas-Zamorra, cientista político do Brookins Institution, um dos principais centros de estudos políticos dos EUA.

Um referendo ilegal teve como resposta uma intervenção militar ilegal, com a suposta intenção de proteger a constituição. Como costuma ser o caso, a intervenção foi celebrada pela oposição a Zelaya. Durante a última semana, o Congresso vinha falando sobre o papel das Forças Armadas de ‘garantir a Constituição’, uma ideia sempre perturbadora na América Latina. Quando ouvimos algo assim, podemos esperar o pior. E o pior veio. No mínimo, estamos assistindo em Honduras ao retorno do triste papel dos militares como árbitros dos conflitos políticos entre civis, um passo para trás na consolidação da democracia.

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Agora é oficial: Mahmoud Ahmadinejad presidente

Irã · 30/06/2009 - 10h35 - 30 Comentários

Ontem, enquanto o Weblog estava fechado para mudanças, o Conselho dos Guardiães anunciou seu veredito final, no Irã. Por certo não surpreende o fato de que descobriram que a eleição foi limpa de fraudes – talvez a mais limpa da história da República Islâmica – e que Mahmoud Ahmadinejad deve ser reconduzido à presidência. E qual a cara de um governo Ahmadinejad?

Hoje, dos 21 ministros, oito são membros reformados da Guarda Revolucionária e cinco foram comandantes da milícia Basij. É a mesma basij que descia o sarrafo ontem mesmo nos manifestantes que ainda têm coragem de ir às ruas para reclamar do golpe.

Não é só nas ruas que tem quebra-pau. Segundo o Huffington Post, alguns deputados chegaram a partir para a briga no parlamento. Mir Hossein Mousavi, em sua página no Facebook, continua clamando contra a ilegitimidade da eleição. Tem gente importante do regime do seu lado.

Mas esta batalha parece perdida.

Há provavelmente milhares de presos nas cadeias iranianas. E sabe-se lá quantos mortos. O Guardian, com ajuda da turma online do Irã e em parceria com as (seriíssimas) ongs Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras tenta compilar a lista de todo mundo.

O uso da palavra ‘batalha’, aqui, não é acidental. Há uma guerra em concurso pelo poder político no Irã. Ao longo dos próximos meses, haverá outras batalhas.

Na geopolítica do Oriente Médio, o Irã é um país cada vez mais importante. O medo do xadrez é o seguinte: se o país levar em frente seu projeto nuclear e se este projeto culminar com armamento, a dinâmica da região muda por completo. Ali, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita disputam os espaços de influência. É possível que, para retornar o equilíbrio de forças, os sauditas busquem também seu projeto nuclear. Para estes, há uma saída fácil e rápida: negociar com o Paquistão para botar mísseis em sua casa. Se a Arábia Saudita seguir o caminho nuclear, outro equilíbrio é rompido e o Egito não poderá permitir que os Sauds sejam o único poder nuclear árabe sunita.

Uma corrida armamentista num dos cantos mais instáveis do mundo dá medo em qualquer um.

Que tipo de governo fará Mahmoud Ahmadinejad em seu segundo mandato? A forte reação a ele nas ruas de Teerã o fará um presidente acuado? Ou, pelo contrário, com mais gana de ir ao confronto?

E, não menos importante, qual será a reação dos EUA? Barack Obama foi eleito prometendo conversar com o Irã. Os eventos recentes mudaram de alguma forma sua perspectiva? Como Obama vê realmente o país?

O futuro de Ahmadinejad é impossível de prever. Mas pelo menos a última pergunta dá para arriscar: enquanto as ruas de Teerã pegavam fogo, Denis Ross transferia seu gabinete do Departamento de Estado para a Casa Branca, onde ficará mais próximo do presidente. Ele, o diplomata encarregado de Irã no governo Obama, lançou há dois meses um livro sobre o assunto. E o livro está aqui do lado. Amanhã, quando já tiver lido as últimas páginas, conto.

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Bem-vindos ao novo Weblog

Administrativas · 29/06/2009 - 18h17 - 102 Comentários

Pronto – estamos de volta. A cara é diferente, mas o lugar é o mesmo

Não há dúvidas de que ainda tem coisa por ajustar por aí – mas já vai testado o suficiente para lançar à rede.

O espaço, agora, está melhor organizado.

Moças, estantes e construções sempre aí à esquerda.

Com o passar do tempo, cada país e cada tema frequente ganharão suas próprias páginas dedicadas. Brasil, EUA e Irã dão a largada.

Esta nova cara do Weblog está sendo desenhada desde novembro do ano passado. A designer Heloisa Dassie é responsável pelo rosto. Tom Sramek fez o código. A turma da Chuva me ajudou nos apuros técnicos. A organização, no entanto, é toda de minha inteira responsabilidade.

Amanhã, tornamos à programação normal.

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Honduras e seu Golpe

Honduras · 29/06/2009 - 09h43 - 260 Comentários

Foi golpe ou não foi golpe em Honduras? Uma pista é o fato de que do premiê canadense à presidente argentina, todos os chefes de governo das Américas continuam a reconhecer o presidente deposto, Manuel Zelaya, como líder legítimo do país. A OEA, Organização dos Estados Americanos, declarou que não reconhecerá o novo governo, o que põe os golpistas em Honduras numa situação delicada. Eles não têm como isolar o país.

Ainda assim, não custa lembrar, Zelaya partiu para o confronto institucional. Queria o direito à reeleição, e mesmo contra o voto do Congresso e uma decisão da Suprema Corte, forçou para promover um plebiscito. No domingo, o Congresso votou às pressas sua deposição, levada a cabo pelas Forças Armadas que invadiu o Palácio Presidencial, prendeu o presidente de pijamas e o pôs num avião com destino a Costa Rica.

Embora com disfarce de votação no Congresso, o caminho da legalidade num impeachment demora e com certeza não passa pela invasão da sede de um dos poderes por homens uniformizados com a imediata expulsão do governante.

É Golpe de Estado. Nenhuma tentativa de Golpe de Estado deu certo, nas Américas, desde o fim da Guerra Fria.

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We Shall Overcome

EUA · História · Irã · Música · 28/06/2009 - 00h01 - 188 Comentários

We shall overcome foi popularizada durante os anos 1950, no movimento dos negros por seus direitos civis, nos EUA. Ela simbolizava a resistência à violência do Estado com paz. É uma letra simples, de olho no futuro: We shall overcome, some day; Oh, deep in my heart, I do believe; We shall overcome, some day.

Nós vamos conseguir, um dia; do fundo do coração, eu acredito que conseguiremos, um dia.

Joan Baez popularizou a música mundialmente, na década de 60. Semana passada, regravou-a.

Em persa.

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Weblog 3.0

Administrativas · 27/06/2009 - 12h34 - 36 Comentários

Estou com acesso intermitente à Internet, o que dificulta a atualização do Weblog.

Espero que já tenha sido tudo resolvido.

Talvez, ao entrar em algum momento neste Weblog, entre amanhã e o início da semana que vem, vocês sejam barrados. Prometo que vai ser um período o mais breve possível.

O Weblog ganhará sua versão 3.0, com novo desenho.

A primeira versão foi dentro do NoMínimo (veja como era em dezembro de 2002), a segunda é esta que vocês conhecem. Encomendei a três à designer Heloisa Dassie. Moças, estantes e construções ganham destaque especial, e a navegação por temas ficará mais clara.

Quanto ao anúncio da Petrobras, é o Google que o puxa. É possível que alguém na empresa tenha pedido para que o link aparecesse especificamente aqui. Ganho uns centavos por clique, quase nada. Sim, eu poderia filtrá-lo e impedir que entrasse. Mas não me incomoda.

Não foram ao debate em Porto Alegre; parece que conseguir autorização para falar pela empresa é complicado. Faz parte.

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Embaixador iraniano
sugere que a CIA matou Neda

Irã · 26/06/2009 - 06h17 - 212 Comentários

O embaixador iraniano no México, Mohammed Ghadiri, declarou ontem à CNN que desconfia que a CIA está por trás da morte da jovem Neda Agha-Soltan. Nenhum iraniano, afinal, faria algo do tipo.

A cada passo, nessa história, a decência do governo iraniano perde um pouco mais.

O Huffington Post tem imagens (não é agradável de ver) do primeiro iraniano abatido a tiros na frente das câmeras. A Al Jazeera tem imagens de um basiji atirando contra a população.

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Ali Khamenei

Irã · 25/06/2009 - 13h36 - 16 Comentários

khamenei_guardian

Steve Bell, do Guardian

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Conversa com a trupe do Blog da Petrobras
Hoje, às 16h, em Porto Alegre

Blogs · Mídia · Twitter · 25/06/2009 - 11h30 - 26 Comentários

Minha conversa com a turma do Blog da Petrobras será às 16h (hora de Brasília). A transmissão ao vivo será feita pela TV Software Livre.

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Regras para uso da Internet em 2010

Blogs · Brasil · Política Digital · Twitter · 25/06/2009 - 09h11 - 18 Comentários

O Fernando Rodrigues conta, em seu blog, como os deputados estão imaginando a legislação para regulamentar o uso eleitoral da Internet. Ainda não é lei aprovada. Certamente é melhor do que existiu na eleição passada, mas permanece conservadora. O Fernando indica os piores pontos bem, sua análise é clara, mas não custa destacar o pior dentre os piores:

Sátiras, animações, entrevistas, humor – tudo realmente ficará proibido ou restrito. A ideia dos deputados, dizem, é transportar para a web as regras que vigoram em parte dos meios de comunicação. Por exemplo, o site que entrevistar um candidato e deixar os outros de fora certamente estará correndo o risco de ser processado. Sobretudo se o entrevistado ousar fazer algum tipo de crítica aos adversários. Um trecho da proposta de lei fala, explicitamente, que é proibido “dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação”. Ou seja, qualquer coisa pode ser interpretada dessa forma.

Obrigar blogueiros que entrevistem um candidato a só poder publicar se entrevistarem os outros é desleal e pressupõe que operam em igualdade de infra com os grandes veículos. Eles não vão necessariamente conseguir outras entrevistas. É uma tentativa de coibir a Internet.

Agora: proibir ou restringir sátira de políticos na web? Essa quero ver implementarem. Se isto não é censura, o que é?

Outros pontos resumidos:

Aparentemente, os eleitores poderão fazer doações em dinheiro via Internet para políticos.

Para os sites, debates ficarão difíceis de fazer – será preciso a aceitação de 2/3 dos candidatos, mesmo que a disputa real seja entre apenas dois deles.

O que chamam de ‘propaganda eleitoral’ só pode depois de 5 de julho. O que acontece com sites hospedados no exterior? Os deputados não sabem dizer. A porta para censura como houve deste Weblog continua aberta, quando uma declaração de voto pode ser interpretada pelo TRE como propaganda.

Propaganda mesmo, banners pagos, provavelmente serão completamente proibidos. Por quê? Porque os senhores deputados não têm certeza sobre como definir propaganda na web. Por via das dúvidas, proíbe-se.

Enquanto os deputados tentam regular o que não é tão regulável assim – o fluxo de informação na Internet – vários deles e de seus pares políticos já operam livremente no Twitter. O Link do Estadão tem a lista.

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Um dia com Peter Sunde, da Pirate Bay

Europa · Ideologias · Política Digital · 25/06/2009 - 06h32 - 142 Comentários

Peter Sunde não pertence ao Partido Pirata. “Eles são de direita, eu não sou”, explica. “Não votei neles, mas acho bom que existam.” Passei o dia de ontem com Peter, aqui em Porto Alegre. Grande sujeito, um bom humor de enfrentar com sorrisos a maratona de fotos, entrevistas, apertos de mão, mesmo após mais de um dia viajando da Suécia para o Brasil. E, no Fórum Internacional de Software Livre, ele é pop star. A garotada o reconhece, quer tocá-lo, trocar dois dedos de prosa.

Pudera: com Fredrik Nei e Gottfrid Svartholm, Peter fundou em 2003 o Piratbyrån (Birô da Pirataria) para fazer piada da organização criada pela indústria fonográfica para combater a cópia de material com copyright online, o Antipiratbyrån. Em 2004, a organização deu origem à Pirate Bay, o maior site de bit-torrent do mundo. Eles oferecem links que levam a arquivos de músicas, software ou filmes. Desde que a Pirate Bay foi condenada pela Justiça sueca – o julgamento provavelmente será cancelado – o Partido Pirata aumentou. Terá dois deputados no Parlamento Europeu, a partir do segundo semestre.

O argumento legal da PirateBay é que eles são como o Google. Só dão links, não se responsabilizam por quem guarda o que não deve em seu computador. Mas Peter sabe que isso é só formalidade: “meu problema é que Hollywood é daninha à cultura.”

Peter é filiado ao Partido Verde. Na Suécia, é um dos responsáveis pelo grupo que estipula a plataforma tecnológica do partido. Tudo leva a crer que a coalizão de centro-esquerda que inclui os verdes chegue ao governo, nas próximas eleições.

Seu argumento é o seguinte: Hollywood e as quatro grandes gravadoras representam muito dinheiro, mas não são os maiores produtores de cultura do mundo. “Eles produzem quanto? 0,0001% de toda cultura?” Em última análise, leis de direitos autorais beneficiam estes grandes conglomerados, não a maioria dos artistas. Se ficasse nisso, tudo bem. Mas, por conta do poder econômico – e este é sempre o raciocínio de Peter –, estes conglomerados entopem o mercado, aumentam a barreira de entrada para quem é novo. O copyright, em sua visão, ao invés de contribuir para o sustento de artistas, produz um ambiente em que a maior parte da produção cultural tem pouco espaço para circular.

Eles não mantém estatísticas de o que é mais baixado no Pirate Bay. Alguns estudos sugerem que é cinemão e grandes hits. Para Peter e seus sócios, não importa. Se vai prejudicar os grandes, tanto melhor.

Ele não é radical. Não vê problema em quem queira cobrar pelo serviço de oferecer algum tipo de informação. Se alguém conseguir, ótimo. A informação, a música, o filme – estes devem ser livres. Esta é sua opinião. É bom ouvi-la e compreender, mesmo que seja para discordar depois. Na Europa, representa uma linha de pensamento crescente, que captura gente tanto à esquerda quanto à direita.

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Ruas vazias em Teerã, bastidores tumultuados

Irã · 24/06/2009 - 15h31 - 92 Comentários

O Asharq Al-Awsat, maior jornal em língua árabe, que circula na Europa e no Oriente Médio, tem uma notícia interessante. Confirma algo já dito: que Mahmoud Ahmadinejad vem tentando conseguir a bênção dos grão-aiatolás em Qom e esta vem sendo negada.

O resultado imediato é que o Conselho dos Guardiães, responsável por rever o pleito, pediu mais cinco dias para tomar sua decisão.

Há um movimento nos bastidores da política. E há um símbolo forte, aqui. Se for verdade, põe o aiatolá Khamenei numa situação desconfortável. Ser o fiel da balança, afinal, era o seu papel constitucional. Não o do alto-clero de Qom. Mas, com o país rachado, ele começa a ser visto como alguém de um partido contra outro. O cardialato decidiu por se apresentar neutro.

Segundo o jornal árabe, os grão-aiatolás estão convencidos de que as manifestações na rua indicam a alta popularidade do grupo reformista. E que o fato de que o protesto contra as eleições vem na forma de gritos de “Deus é Grande” na noite mostra algo que não deveria ser ignorado pelo governo.

Mousavi negou ter participado da organização dos protestos hoje, em frente à Majlis, o parlamento. Pode ser sinal de que a conversa começa a avançar. É confirmado pelo fato de que mais políticos estão vindo à frente. Mohammad-Baqer Qalibaf, o prefeito de Teerã, defendeu a legalidade dos protestos. Ali Larijani, presidente do Parlamento, tenta permissão para que o candidato ‘derrotado’ Mir Hossein Mousavi possa falar aos deputados abertamente.

Algo está acontecendo. Há menos gente na rua, mas a política continua se movendo como se ainda fossem milhões.

A tentativa de protesto hoje contou com algo entre 500 e 1.000 manifestantes. A grande presença de batalhões de choque, segundo depoimentos, foi suficiente para dispersar o grupo com a violência habitual.

Enquanto isso, a televisão iraniana vem apresentando supostos manifestantes presos nas últimas semanas que confessam ter sido influenciados pela imprensa estrangeira – BBC e Voice of America, principalmente. Eles confessam atos de vandalismo contra a pátria. O ministro do Interior Sadeq Mahsouli informou ao parlamento que o governo já tem indicações de que os protestos nas ruas foram atiçados pelo Reino Unido, Estados Unidos e o ‘regime sionista’.

Esta é a história que os iranianos ouvem em sua imprensa.

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Uruguai poderá rever sua anistia

Uruguai · 24/06/2009 - 01h15 - 91 Comentários

No dia 25 de outubro, os uruguaios - além de ir às urnas eleger o novo presidente da República - definirão em plebiscito o eventual final da Lei de Caducidade Punitiva do Estado, denominação da lei que impedia o julgamento dos militares que cometeram graves violações aos Direitos Humanos durante a Ditadura que governou o país entre 1973 e 1985.

O anúncio sobre o plebiscito foi realizado por um dos ministros da Corte Eleitoral do Uruguai, o juiz Edgardo Martínez Zimarioff.

Diversas pesquisas indicam que 60% dos uruguaios estão a favor do fim da lei de impedimento, medida que permitirá o julgamento dos militares envolvidos nos crimes da Ditadura.


Ariel Palácios conta mais. Vai sobrar só o Brasil.

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Traduções iranianas

Irã · Política Digital · 23/06/2009 - 12h30 - 22 Comentários

A Translation and Interpretation Initiative for Iranian Protesters (TIIIP) – Iniciativa pela Tradução e Interpretação para os Manifestantes Iranianos – tem o objetivo de traduzir do persa para o inglês a maior quantidade possível de documentos, cartas e textos diversos sendo produzidos pelos manifestantes no país.

O grupo tem um blog e um wiki.

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O blog da presidência

Blogs · Brasil · Política Digital · Twitter · 23/06/2009 - 11h28 - 111 Comentários

Isso mesmo: Lula terá um blog. E um Twitter.

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Na FISL, em Porto Alegre

Administrativas · Blogs · Política Digital · 23/06/2009 - 08h31 - 11 Comentários

Para quem estiver em Porto Alegre nos próximos dias, participarei de uma mesa redonda com a turma do blog da Petrobras no 10a Fórum Internacional de Software Livre.

Tenho certeza de que será um bom debate, entre outras, porque a turma de software livre é sempre capaz de promover um ambiente de discussão bacana.

Dia 25, quinta-feira, às 16h.

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Em busca de uma solução iraniana

Irã · 23/06/2009 - 08h18 - 219 Comentários

A notícia publicada aqui, ontem, de que Akbar Rafsanjani teria em mãos um documento pedindo a anulação das eleições e assinado por 40 membros da Assembléia dos Especialistas não saiu em nenhum outro veículo iraniano. A fonte original é o site PeikNet, que pertence a gente que, nos tempos do xá, era do Tudeh, o Partido Comunista do Irã. O PeikNet arranja documentos inéditos com alguma frequência e, neste caso, eles apresentaram o documento inteiro. Mas também é verdade que o PeikNet publica tudo o que tem em mãos, sem se dar ao trabalho de checar.

A essas alturas, acho que a notícia é falsa. Desculpem.

Roger Cohen, do New York Times, esteve com Mehdi Rafsanjani, filho do aiatolá Rafsanjani. O filho informa que seu pai está trabalhando nos bastidores para conseguir a anulação das eleições perante o Conselho dos Guardiães. Cohen reconhece que o Conselho é leal a Khamenei, mas o fato de que já reconheceu que há discrepâncias nos resultados de 50 cidades que afetam 3 milhões de votos num universo total de 40 milhões é um grande passo.

Ali Larijani, presidente da Majlis, o Parlamento, criticou o Conselho dos Guardiães na IRIB, a tevê do governo. “A maioria do povo está certa de que o resultado das eleições é diferente do que foi anunciado oficialmente.” Larijani é leal ao aiatolá Khamenei – e isto faz diferença. Ex-presidente da IRIB, ele também criticou a tevê estatal por não noticiar aquilo que o povo vê na rua: que a maioria dos protestos foram pacíficos.

Que fique claro: não foram críticas veementes. As fissuras aparentes no regime são discretas.

Um dos rumores que não cedem é o de que o comandante da Guarda Revolucionária em Teerã, Ali Fazli, se recusou a cumprir ordens de partir contra os manifestantes e, dependendo da fonte, foi afastado do cargo ou preso.

O governo está preocupado, evidentemente. Mas a opressão de sábado certamente conteve o ímpeto dos manifestantes. Há relatos – alguns confiáveis – de levantes por parte de minorias étnicas. Há preocupação, muita preocupação, com a história da menina Neda. Dentro do país, chamam-na de ‘Joana D’Arc do Irã’. Na tradição muçulmana, um morto deve ser lembrado em cerimônias religiosas no terceiro, nono e trigésimo dia. Segunda-feira, o governo proibiu a família de Neda de celebrá-la publicamente.

É uma proibição quase ofensiva. Para quem tiver interesse, não custa indicar a entrevista da BBC com o noivo de Neda.

Mas o que realmente está acontecendo no Irã? Segue aqui a tirada de Gary Sick, um dos analistas que mais citei nesta última semana e meia, com algumas décadas estudando o país:

Não esperem um vencedor e um perdedor claros num período curto de tempo. A Revolução Iraniana teve início em janeiro de 1978 e o xá só deixou o país em janeiro de 1979. E esta é considerada uma das mais rápidas derrubadas de um regime com estrutura estável da história. Ao longo daquele ano, houve longas pausas e períodos de calma que, muitos imaginaram, indicava que a revolta popular havia morrido. Isto não é 100 metros rasos. É uma maratona. Resistência é no mínimo tão importante quanto velocidade.

Provavelmente não haverá vencedor ou perdedor claros. Os políticos iranianos são espertos. Preferem xadrez a futebol e uma ‘vitória’ pode ser, na verdade, uma solução negociada na qual todos saiam aparentemente bem. A atual liderança provavelmente cometeu um erro ao partir para a demonstração de força, mas se ela concluir que não há como vencer, vai partir para uma saída negociada. Que acordo seria esse, neste momento, é impossível dizer. Mas provavelmente significará concessões disfarçadas por uma aparência pública de que o regime está unido.

Sick estava dentro da Casa Branca quando acompanhou a Revolução que o aiatolá Khomeini liderou.

O Weblog, evidentemente, continuará a acompanhar atento e diariamente o Irã. Mas, ao menos por enquanto, vou diminuir o ritmo dos vários updates por dia.

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