Vida cotidiana na política
Às vezes, políticos não conseguem disfarçar em que estão pensando.
Às vezes, políticos não conseguem disfarçar em que estão pensando.
A atriz pornô Marylin Chambers morreu no domingo, em sua casa próxima a Los Angeles. Ainda não se sabe a causa. No segundo semestre, Marilyn estrearia no teatro, em Nova York, ao lado do também veterano Ron Jeremy. Ambos se apresentariam numa comédia que reencenaria o clássico Deep Throat. Ela tinha 56 anos.
Deep Throat, o filme Garganta Profunda original, não foi com Marilyn. Se Garganta Profunda lançou o cinema pornô no mainstream, foi Atrás da Porta Verde, de 1972 – este sim com Marilyn –, que produziu o primeiro pornô cult, com direito a exibição no Festival de Cannes do ano e ovação da platéia de pé no final.
(No passado, escrevi uma reportagem sobre Deep Throat.)
Pois foi que, no início, eram duas atrizes: Marilyn Chambers e Linda Lovelace, de Deep Throat. A revolução sexual já havia ocorrido e, de alguma forma, a cultura popular passou a aceitar sexo explícito na tela. Elas foram, e ainda são, o Ying e o Yang da pornografia inicial, os dois lados complementares.
Linda, até sua morte, em 2002, levou uma vida conturbada. Entregou-se ao cinema pornográfico que a fez famosa, acusou um dos ex-maridos de estupro, drogou-se, virou religiosa, renegou a pornografia mas aí ensaiou um retorno, foi feminista militante e jamais conseguiu uma relação em que não estivesse de alguma forma subjugada. A vida de Linda é o exemplo perfeito a sacar do bolso por qualquer um que deseje argumentar que a pornografia diminui, objetifica, a mulher. Sua vida foi miserável.
E, no entanto, Marilyn foi o contrário. Se Linda, mesmo quando jovem, emanava uma certa tristeza, Marilyn estava sempre radiante em suas entrevistas. Jamais renegou a pornografia, jamais a condenou. Se teve relações complicadas ou dificuldades com drogas pesadas, jamais sugeriu que um tinha a ver com o outro. “Pessoas das profissões as mais respeitáveis tiveram os mesmos problemas”, ela respondeu certa vez a um repórter que insistia.
Alguns críticos, em seus arroubos, já sugeriram que Atrás da Porta Verde, além de pornô, é também bom cinema. A história segue uma jovem e bela moça que, raptada em um hotel, é levada para um clube secreto e, durante uma noite, é exposta a uma platéia enquanto vê-se forçada a relações que no início não deseja e, por fim, abraça. Causou rebuliço, na época, o fato de que o primeiro ator a se apresentar à atriz era negro. (Casamentos inter-raciais ainda eram ilegais em certos estados dos EUA, assim como o casamento gay ainda é ilegal, hoje.)
É preciso boa vontade para considerar o clássico bom cinema. Está lá uma certa vontade de ser filme europeu do tempo, mas também a musiqueta dos pornôs de antanho e um trabalho de interpretação triste que faz dó. Não há problema: a arte, e o ser cult, era a desculpa que o público precisava para fazer fila no cinema num tempo antes do videocassete, quanto mais da Internet.
O que Atrás da Porta Verde tinha, também, era Marilyn Chambers. Ela era muito bonita. Mesmo. De uma beleza tenra, leve – tão bela que, poucos meses antes de filmar, posara para a caixa de uma das principais marcas de sabão em pó da Procter and Gamble com um bebê ao colo. A caixa do Ivory Snow deu nas prateleiras dos supermercados quando o filme chegava ao cinema. Foi um pesadelo publicitário para a multinacional. Atrizes pornográficas nunca foram muito conhecidas pela beleza até os anos 90 – ela era uma exceção.
Sua vida não foi de forma alguma fácil. Sexo explícito ainda é um extremo da cultura. Hoje é incrivelmente mais tolerado do que antes e já esboça aparição no cinema não pornô. Marilyn fez parte da primeira geração a romper o tabu.
A pornografia não representa sexo como aquele que os amantes fazem em casa. É um sexo caricato e, na maioria das vezes, sem qualquer intimidade emocional. Ainda assim, pornografia, alarga as fronteiras. Antes de haver pornografia assim explícita à disposição no mercado, qualquer conversa sobre sexualidade era difícil. Quando o sexo explícito, ainda que no extremo, ganhou legitimidade, qualquer área mais mansa do que o explícito tornou-se assunto permitido no cotidiano. Mais informação é possível justamente porque o extremo foi para tão longe. E mais informação desde cedo, no que tange sexualidade, evita gravidez adolescente e infelicidade em relações futuras.
Marilyn Chambers morreu cedo. Não foi um ícone para qualquer um. Mas, a seu modo, viveu uma vida corajosa e fez parte de um movimento que mudou profundamente nossa cultura.
Não estava nos planos deste Weblog se deter em mais um escândalo sexual da política norte-americana mas é preciso dizer: a moça de 4.300 dólares de sua Excelência o ex-governador de Nova York é uma graça. E, apenas na web, por 98 centavos de dólar é possível levar para casa uma música cantada por ela. (Um clique no play para ouvir trecho é de graça.)
Red cat, de Peter Spiegelman, e Adeus, Hemingway, de Leonardo Padura Fuentes, estão entre minhas descobertas mais recentes na literatura policial. (Embora sejam livros completamente diferentes um do outro.)
Padura Fuentes é cubano, vive em Cuba, fui apresentado a ele por um amigo que divide comigo esta fixação por policiais. Seu detetive é um policial aposentado, Mario Conde, que tenta virar escritor. Por conta do amor pela literatura, seus ex-companheiros da delegacia pedem que ele tente descobrir o que houve na casa de Ernest Hemingway uns 40, 50 anos antes. É que um cadáver com esta idade e uma carteira do FBI foi desenterrado do jardim mais ou menos na época em que o velho escritor esteve em sua finca pela última vez.
A Cuba de hoje e a de antes da Revolução convivem ao longo de uma história intrincada, cheia de flashbacks. O cara escreve muito bem – é um romance policial com densidade, personagens profundos, com um pé naquela melancolia do noir e outro na boa literatura.
Red Cat é completamente diferente, seu cenário é a Nova York contemporânea, e John March, o personagem principal, é um bom e velho detetive particular. Seu irmão, um executivo de banco riquíssimo, está sendo chantageado por uma de suas muitas amantes.
Peter Spiegelman não vai na alma atormentada de seus personagens com a profundidade de Padura Fuentes, mas o pobre March apanha, e apanha muito, e apanha toda hora, como cabe a um detetive particular teimoso. A grande atração é uma trama bem costurada que envolve a filmagem das transas dos amantes, o estranhíssimo e sempre bizarramente antenado mercado de arte contemporânea novaiorquino, o pesadelo de quanto este tipo de imagem pode vazar para a Internet. Romances policiais não costumam mexer com tecnologia e as mudanças provocadas por ela na sociedade. Spiegelman a usa e é o que torna seu livro divertidíssimo.
Um cenário bem bolado costuma ser das coisas que me atraem em romances policiais – daí que a filmagem clandestina do sexo, tão comum nos tempos vigentes, ou a Havana de hoje, me atraíram para ambos os romances. E daí que fui com sede atrás de Yiddish policemen’s union, de Michael Chabon.
Sua premissa é excelente. Israel não aconteceu. Para lidar com o problema do pós-Holocausto, os EUA cedem um naco do Alaska para onde os judeus podem migrar. Em 2005, no entanto, 60 anos após a cessão, as terras estão para voltar à posse do governo norte-americano. A língua que se fala nas ruas é o iídiche, não o hebraico. Está todo mundo meio desesperado para conseguir um visto para algum lugar do planeta – é preciso se mudar. E, em meio a esta confusão, acontece o assassinato de um homem desconhecido que, naturalmente, tem tudo a ver com tudo.
Encarei o livro de frente, ao longo último mês, algumas vezes. Cheguei ali à página 50 muito lentamente. Empaco no ritmo. Há de ser bom, talvez torne a ele em uns meses. Por enquanto, fica adiado.
Dois quadrinhos andaram pelas minhas mãos, ambos editados pela Conrad. O primeiro é Fun home, obra autobiográfica de Alison Bechdel. A autora é lésbica, seu pai era homossexual enrustido – coisa que só foi descobrir muito mais tarde. Ao recontar a história familiar que viu com olhares de menina e tentar reinterpretá-la, Bedchel procura talvez a origem de sua identidade. É uma ‘tragicomédia familiar’, diz o subtítulo muito adequado. Nunca tinha parado para pensar neste momento ali entre a adolescência e a idade adulta no qual homossexuais começam a lidar com o que são, o que isto significa, o quanto que a sexualidade nos encaixa na sociedade de uma forma diferente, limitando alguns espaços, abrindo outros. É um momento de extrema angústia onde muitos – caso do pai de Bechdel – se perdem completamente para a vida. É um álbum surpreendentemente denso, extremamente delicado.
O outro é o Clic 3, de Milo Manara. A trama não varia muito em relação aos primeiros da série: Claudia Christiani está lá com o implante no cérebro que a expõe. Alguém, com um controle remoto, pode num ‘click’ fazer com que ela enlouqueça de desejo sexual que precisa ser imediatamente saciado. Manara é isso: estas grandes fantasias que não carecem muito de enredo, estas mulheres belíssimas de alma italiana e corpo eslavo – pernas longas, bundas grandes, seios fartos. Christiani é uma moça rica é profundamente conservadora, então há sempre um certo desespero quando ela é levada aos píncaros da libido. (E há por certo aí alguma metáfora sobre como as pessoas que se mostram mais conservadoras costumam ser as mais passíveis a escândalos em geral os mais contorcionistas.) Mas Manara não é a história, Manara é um mundo próprio, este conjunto de mulheres fantásticas sem quaisquer pudores e homens absolutamente maravilhados com os cenários que elas ensaiam nos mostrar.
Andei também com Os melhores jornais do mundo, de Matías Molina. Ele, que é espanhol de nascença, brasileiro com sotaque e um dos pais do jornalismo de economia tupinambá, é provavelmente o melhor nome para encarar esta tarefa: contar quais os melhores jornais do mundo, suas histórias e explicar o que faz, afinal, um bom jornal? Todos listados, suas histórias deliciosamente contadas, Molina chega à seguinte conclusão. O jornal excelente parte do princípio de que seu leitor é inteligente. Além de cobrir a cidade, o país, o cotidiano, ele tem também um pé fortemente fincado no mundo, com correspondentes em vários países, viagens constantes. Para fazer um bom jornal, é preciso olhar para fora e compreender como seu país é visto de fora para dentro, como ele se encaixa na geopolítica. Por fim, cultura. Há uma cobertura sofisticada das artes.
Por fim, estou me divertindo muito, apesar de uma leitura lenta, com Em busca de Jesus, de John Dominic Crossan e Jonathan Reed. O título em português sugere leitura para conversão – não é. É uma batida das descobertas arqueológicas recentes que apresentam o mundo e o contexto no qual viveu Jesus. É história, não religião. Ciência. Mas este fica para uma próxima batelada de livros.
E agora, no dia primeiro, que será inaugurada em Hanói a primeira exposição de fotografias de moças nuas da história do Vietnã. O governo vietnamita implantado após a guerra em todo país, é rígido e afeito à censura – daí que, confirmada a abertura da galeria, um pequeno passo de liberdade será dado.
O material do fotógrafo Thai Phien não tem nada de explícito, bem o contrário. O governo autorizou, já, a publicação de seu livro – chama-se Primavera. É bilíngüe, vietnamita e inglês.
Apesar de rigorosamente conservador, o país está sendo forçado a encarar a sexualidade pela tecnologia. Há acesso à Internet e telefones celulares. Em outubro, a jovem Hoang Thuy Linh, jovem atriz principal da série mais popular da tevê local, viu-se caindo na armadilha mais comum desta mesma tecnologia de comunicação. Um vídeo (NSFW) gravado pelo telefone de seu namorado navegou de celular em celular pelo país até terminar na Internet. A imagem virginal foi-se junto com o papel.
A Revolução Sexual vem atrasada ao país e por contrabando. Mas, ao menos, parece que chegou.
Colocar pornografia em site do governo é simples.
Cada um dos pôsteres centrais, da Marilyn Monroe de dezembro de 1953 a Stephanie Glasson, em julho de 2004.

A Playboy de novembro, edição francesa, está nas bancas. No Flickr e no blog peruano Cinencuentro, cá vão dois links para as fotos.
E, sim, dava para esperar um tanto a mais. É, digamos assim, bem moderninha a nova Playboy francesa.
Enquanto o estranhíssimo e nada claro caso do padre Júlio Lancelotti se desenrola por aqui, pesca isto de uma reportagem edição online da Newsweek:
O caso levanta questões a respeito da extensão da homossexualidade no Vaticano. Aqueles que não acreditam na desculpa do monsenhor Stenico crêem que ele faz parte de uma comunidade secreta gay composta por altos funcionários do Vaticano. Sem revelar sua identidade, funcionários da Santa Sé reconhecem que tal comunidade existe mas, segundo um, ‘não é uma rede formal que lhes permite protegerem-se uns aos outros’. Outros já há muito consideram Roma o paraíso para padres gays, que são enviados para o Vaticano por não terem como sobreviver numa paróquia. ‘Roma é famosa por isto’, diz um padre de paróquia na Itália que pede para se manter anônimo. ‘Eles precisam ser enviados para algum lugar e então recebem algum cargo inócuo em Roma.’ Isto ficou evidente no ano passado, quando um monsenhor importante na Cúriase envolveu numa perseguição em alta velocidade após a polícia pedir que ele parasse o automóvel num distrito romano conhecido pela presença de garotos de programa.
A desculpa do monsenhor Stenico está contada aí abaixo.
O monsenhor Tommaso Stenico é um dos alto funcionários que respondem, na Congregação do Clero da Santa Sé, ao cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes.
Ou era.
A televisão italiana enviou-lhe um repórter com câmera disfarçada. Haviam travado contato – monsenhor e repórter – num site gay. ‘Você gosta de mim’, pergunta-lhe o padre. O rapaz manifesta dúvidas – se não seria, afinal, um pecado. ‘Não creio que seja pecado’, ele responde. Quanto a suas preferências sado-masoquistas, diz Stenico, são apenas ‘escolhas pessoais que tem por base a psicologia’.
E quem dirá que não?
O monsenhor, de 60 anos, tem toda razão. O único detalhe é que o papa Bento 16 pôs sua congregação a cargo de limar homossexuais da Santa Igreja. É um trabalho difícil.
O vídeo foi ao ar e o monsenhor, reconhecido. Questionado, explicou suas boas intenções. ‘Apenas fingi que era gay para tentar compreender como padres são seduzidos. Há pessoas que estão na espreita tentando conquistá-los. Acredito que se trata de um plano diabólico de grupos satanistas.’
Tommaso Stenico, comentarista contumaz das coisas do clero na tevê italiana, foi afastado. Não consta que tenha cometido qualquer crime. Mas terminará sendo usado como bode expiatório de uma Igreja que tenta obsessivamente negar a natureza humana.
Falando aos alunos da Universidade Columbia, em Nova York, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarou que, em seu país, não há gays. ‘Não imagino quem possa ter-lhes dito isto’, foi dizendo o bom presidente, ‘não temos deste fenômeno’.
Que há gays, no Irã, evidentemente os há. Em julho de 2005, dois adolescentes foram enforcados por terem transado – um tinha menos de 18 anos. ‘Todo jovem o faz’, um deles declarou. ‘Não sabíamos que havia pena de morte.’ No interior do país, as mulheres usam burqas. O único acesso que um adolescente tem ao sexo oposto são mãe e irmãs. Num cenário assim, não é de todo improvável que a exploração homossexual seja de fato comum na juventude. Na Arábia Saudita é considerado normal para um homem mais velho pegar um rapaz imberbe como amante.
Brian Whitaker, ex-editor de Oriente Médio do Guardian britânico e autor de Unspeakable love: gay and lesbian life in the Middle East – Amor não declarado, a vida de gays e lésbicas no Oriente Médio – escreve sobre o assunto, hoje. Ele lembra que a poesia persa já há muitos séculos se dedica também a temas homossexuais e que, como em todo país da região, pelo menos uma cidade tem fama de gay – o equivalente local a Campinas ou Pelotas. No caso do Irã, é Qazvin, onde há 600 anos viveu o poeta Ubayd Zakani, espécie de Bocage persa, conhecido pelas descrições satíricas e homoeróticas da sociedade.
A forca não é a única pena possível. A chibata é uma alternativa quando não há provas de que houve relação sexual. Há pelo menos uma entidade que luta pelos direitos gays no país – trata-se da Iranian Queer Organization, IRQO. Mas, evidentemente, quem vive no Irã tem medo de se organizar:
Os gays iranianos se dividem em dois grupos. Uns acreditam que organização e resistência ativa da comunidade GLBT provocaria uma forte reação governamental, que poderia atiçar uma contra-reação internacional contra o país. Ninguém quer mais uma desculpa para que venha uma reação militar internacional contra o regime iraniano por conta de violações de direitos humanos. Outros querem lutar por seus direitos civis plenos. [...]
Nos últimos meses, ativistas de direitos femininos foram presas violentamente. A IRQO encoraja a comunidade gay e quem a apóia a iniciar petições que levem a apoio popular.
Os gays iranianos que temem se organizar porque isto provocaria uma reação do governo que poderia levar ao ataque do país é provavelmente infundada. A administração de Ahmadinejad e a de George W. Bush têm lá seus pontos comuns. Por exemplo, o de serem co-signatários de um pedido que nega à ONU o direito de financiar organizações que lutem pelos direitos de gays e lésbicas onde são oprimidos.
Exilado momentaneamente na Turquia, Amir, um jovem gay de 22 anos que busca asilo político fora do Oriente Médio, conta sua história de prisão após uma festa:
Os policiais nos vendaram os olhos, jogaram-nos numa van e nos levaram para o Ministério do Interior. Éramos todos conhecidos por nossos nomes. Fui o terceiro a ser interrogado. Os policiais tinham vídeos feitos da festa, em um dos quais eu lia um poema. Eles mandaram que eu o recitasse novamente. Que poema, perguntei. Aí me bateram no rosto, na cabeça. Tentei negar que era gay, então eles me tiraram os sapatos e começaram a bater com cabos de metal nas solas dos pés, provocando uma dor lancinante. Eu ainda estava vendado. Como encontraram consolos na casa da festa, me bateram com eles, enfiaram-nos na minha boca. Quando contei que meu pai era um mártir da Guerra Irã-Iraque, eles bateram ainda mais duro. Tiraram de mim o cartão que me garantia benefícios para filhos de mártires e disseram que informariam à universidade onde estudo de minhas atividades.
O computador do rapaz foi confiscado e as imagens de homens nus que ele tinha foram apresentadas a sua mãe. Durante o julgamento, ameaçaram-no de leva-lo a um médico. É o maior terror para um rapaz gay. Se o médico der um atestado garantindo que alguém já foi penetrado, vem a condenação à morte. Liberado após tortura e multa, Amir conseguiu fugir.
Os alunos de Colúmbia riram quando Ahmadinejad explicou ‘que este fenômeno’ não existia no Irã. Evidentemente, a declaração é tão absurda que faz dele um líder caricaturalmente fanático. Mas, para os homossexuais iranianos, não há graça nenhuma.
De minhas três namoradas, é Holly de quem gosto mais. Há cinco ou seis anos, ela era apenas uma de sete. Hoje a vejo como o relacionamento que manterei até o fim da vida. Você imaginaria que a diferença etária influenciaria. Não acontece. Ela adora filmes antigos e gosta da música que eu ouço há décadas. Veja: todas as namoradas que tive desde o fim do meu último casamento, e foram umas 25 delas, eram louras. Acho que isto vem diretamente das fantasias que alimentei com os filmes dos anos 1930, aqueles filmes com Jean Harlow e Busby Berkeley. Eu me reencontrei com os sonhos e as fantasias de minha infância.
Quando eu era jovem, me identificava muito com F. Scott Fitzgerald. Nasci em 1926 e cresci durante a Depressão. Quando olhava para a Era do Jazz, para os anos 20, pensava na festa que perdi. Mas aí veio a Revolução Sexual, que chegou a um fim repentino nos anos 1980, com a direita cristã no poder e o governo Roland Reagan. Vivemos num tempo incrivelmente sofisticado, mas lidamos com selvagens supersticiosos.
Este governo atual não é diferente. Não se esqueça, os EUA foram fundados por puritanos que vieram da Inglaterra para escapar da perseguição religiosa e, ao chegar, iniciaram eles próprios a perseguir aqueles com quem não concordavam. Esta atitude esquizofrênica é tipicamente norte-americana. É quem somos. Sou descendente direto de William Bradford, que chegou no Mayflower, o primeiro navio de puritanos. Meus pais eram puritanos. Criei a Playboy e levei toda minha vida para responder a esta repressão.
Pelo menos 800 signatários de Hong Kong pedem às autoridades que censurem a Bíblia por seu conteúdo indecente, de incesto a estupros.
Vanessa Hudgens é estrela do High School Musical – e, se um dos prezados não sabe do que se trata, é porque não têm filhas entre 5 e 15 anos. Vanessa é uma graça de menina e quem passeia pelos cantos mais obscuros desta web – leia-se: as páginas de fofocas – sabe que Vanessa está circulando nua pela rede.
A atriz do maior sucesso infantil da Disney nua, pois é.
High School Musical é um telefilme de enorme sucesso da Disney, estúdio que obsessivamente mantém castas suas estrelas. Nada a ver com o fundador, Walt Disney – ele pode ser acusado de muitas coisas mas, certamente, não de puritano. (Basta citar as ninfas de Fantasia que, seminuas, só perderam os bicos dos seios porque a censura obrigou o velho Walt, que os apagou contrariado.)
O problema é que a Disney é norte-americana e aquele é um país que gosta de manter a aparência de horrorizar-se com sexo e nudez. A curtíssima aparição do bico dos seios de Janet Jackson no meio-tempo de um jogo de futebol americano, há uns anos, causou tremores na imprensa.
Mas algo mudou. Vanessa, estrela de crianças, está nua na web, pediu desculpas, a Disney aceitou e não há, na imprensa, qualquer rebuliço. Agora que há fotos nas quais ela flerta com beijos numa amiga, aparentemente também nada mudou.
Farhad Manjoo, repórter de tecnologia da Salon, sugere uma explicação:
O professor Paul Levinson, que dá aula de comunicação na Universidade Fordham, disse à Reuters que ‘a web, nos últimos 10 anos, fez com que a nudez ficasse mais accessível’. Assim, a cultura está começando a perceber que não há pecado tirar as roupas quando há uma câmera por perto. ‘Estamos crescendo enquanto sociedade e isto é saudável’, ele diz.
Ele não diz qual o mecanismo tecnológico que fez da nudez natural, mas o processo parece fácil de adivinhar. Hoje, todos têm uma câmera digital. E todos têm um corpo nu e acesso, com alguma sorte, a outros corpos nus.
É quase certo que esta situação produzirá fotos de gente nua. Aposto um iPhone que em algum momento de sua vida uma câmera, seu corpo nu e uma implacável sensação de joie de vivre se juntarão para produzir, sem nenhum planejamento, uma foto sua sem roupas.
Todos teremos uma destas. Aliás, talvez você já a tenha. E ela irá parar na web. Pode até já ter parado. E, com o tempo, não importa se as fotos forem de uma estrela dos adolescentes ou de um candidato à Suprema Corte, veremos tais imagens como sendo na mais do que as provas de uma vida bem vivida.
Manjoo é um irremediável otimista.
Joie de vivre – pois é. Uma expressão estupenda que os franceses nos legaram e cujo sentido compreendemos num piscar de olhos. Coisa boa esta alegria de viver. (Ainda que a mocinha Hudgens não seja nenhuma Sienna Miller.)
Os cidadãos da ilha de Sua Majestade a rainha Elizabeth 2a têm uma média de 12,7 parceiras em relações heterossexuais ao longo de suas vidas.
Já as cidadãs da ilha de Sua Majestade a rainha Elizabeth 2a têm uma média de 6,5 parceiros em relações heterossexuais ao longo de suas vidas.
Ou assim o dizem.
Um adolescente com QI igual a 100 tem até cinco vezes mais chances de transar do que um adolescente com QI de 120 0 130.
Cada ponto a mais no QI aumenta em 2,7% as chances de os rapazes serem virgens, ainda.
Nos EUA, aos 19 anos, 80% dos rapazes e 75% das moças já perderam sua virgindade. Nas melhores universidades, no entanto, os índices são mais baixos.
Em Princeton, apenas 56% dos universitários já foram para a cama. Em Harvard, 59% e, no MIT, templo nerd máximo, 51%.
No MIT, apenas 65% dos alunos de pós-graduação fizeram sexo alguma vez em suas vidas.
É dura, muito dura a vida dos rapazes e moças inteligentes deste mundo.
De Las Vegas para o cotidiano feminino:
Nippies funcionam da seguinte forma: a moça cola nos seios e eles domam os mamilos.
Aquela camisa leve e o choque do frio repentino acabam de perder um quê de sua poesia.
A moça BBB7 Íris Stefanelli está na capa da revista que virá às bancas. Convenhamos, não desperta lá muitas ansiedades… mas há de vender bem.
O divertido virá em setembro, quando a mãe do filho do senador Renan Calheiros, enfim se confirmou, estará na revista.
Resta saber se a troca é boa para o Brasil. Renan livre e com mandato e Monica Veloso, nua.