Minha moça esta segunda

Hoje, Marina faz 30 anos. Estamos casados há pouco mais de três e nos preparamos para a quarta mudança. A primeira foi mais ou menos ao mesmo tempo para um mesmo apartamento em nossa cidade, o Rio. Daí seguimos para São Paulo. Então para a Califórnia. Quinta-feira, ela torna ao Rio de Janeiro. Eu a sigo duas semanas depois. Finalmente, juntos, e em casa. Sem planos para nos mudarmos novamente por um bom tempo.
Vão ser duas semanas difíceis, sabe? É ela quem sabe as coisas. Não só onde estão, onde deixei, o que fiz. Marina dá ritmo à casa: sua hora de acordar, de sair, de retornar. Marina dita meus humores, entre seus silêncios profundos, longos e aí os sorrisos. Todas minhas inabilidades práticas, Marina as corrige.
Nestes três anos de mudança contínua, convivemos com a ausência permanente. A ausência de Laura, minha filha, que aparece só às vezes mas que está ali a marcar sua falta todos os dias, todas as horas. A ausência do Rio, a cidade na qual nos entendemos e da qual jamais conseguimos nos afastar realmente.
Um pouco por despedida mas também para inaugurar um momento novo, convidamos os amigos para um churrasco. Conseguimos picanha e linguiças. Há uma garrafa de cachaça.
Marina não sabe que tenho medo de perdê-la todos os dias.

















