Uma moça às segundas

17/August/2009 - 00h01 - 29 Comentarios

louise_brooks

Uma moça às segundas

10/August/2009 - 10h24 - 32 Comentarios

marina_santahelena

Uma moça às segundas

03/August/2009 - 00h01 - 11 Comentarios

romy_tarangul

A revolução sexual do Irã

20/July/2009 - 04h58 - 203 Comentarios

Está nas bancas a última edição da Trip e, nela, dois textos meus. Um conta a história de Karen Junqueira, a atriz moça desta segunda que o Duran fotografou e que fará Bruna Surfistinha no cinema. O outro texto é de onde vem esse trecho:

Entre 2000 e 2007, Pardis Mahdavi havia viajado todo verão para o Irã, terra de seus pais. Quando pisou pela primeira vez em Teerã e conheceu as primas de sua idade, tinha 21 anos. Falava fluentemente a língua persa, embora com um ligeiro sotaque que todos logo identificavam como americano. A vida em Teerã não era nada como imaginara. Esperava encontrar na terra dos aiatolás um mundo repressor – encontrou entre as primas e suas amigas mais liberdade do que ela, criada na comunidade do exílio nos arredores de Los Angeles, tivera. Descobriu o que ela, nos anos seguintes, passou a chamar de Revolução Sexual Iraniana. Mas nada do que vira até ali a preparara para aquela festa em sua última visita.

Eram 40 ou mais jovens. No meio da grande sauna, uma piscina esvaziada. Calor, vapor. Ecstasy rolava e a batida do tecno ensurdecia. Pardis encostou-se numa parede. Buscou sua amiga, mas ela estava abraçada a três homens que a beijavam e despiam. Todos nus. Sexo – sexo de todas as formas praticado ali na sua frente. Ainda vestida, a jovem antropóloga sentia calor, suava, sua roupa encharcada. Achou melhor ir-se embora, deixou a sauna e de longe viu a casa grande. Entrou pela porta da cozinha, bebeu um copo de água gelada. Um empregado a encontrou. Tinha a cara amarrada. “O que você quer?”, ele perguntou. “Um táxi”, ela disse. Ele pediu pelo telefone.

Escrevi a primeira versão desta reportagem antes de as eleições presidenciais terminarem no impasse. Por baixo dos panos, uma profunda mudança social está acontecendo no Irã. Mudanças de comportamento raramente deixam o status quo inalterado. Foi assim com os anos 1960 no ocidente. Faltamente será assim na antiga Pérsia.

Uma moça às segundas

20/July/2009 - 00h01 - 9 Comentarios

karen_junqueira

Uma moça às segundas

13/July/2009 - 00h01 - 20 Comentarios

charlize_theron

Uma moça às segundas

06/July/2009 - 00h01 - 22 Comentarios

brooke_burke

Uma moça às segundas

29/June/2009 - 09h21 - 11 Comentarios

jane_birkin

Uma moça às segundas

22/June/2009 - 00h01 - 23 Comentarios

roberta_murgo_02

Uma moça às segundas

15/June/2009 - 00h01 - 20 Comentarios

romina_goshtasbi

Uma moça às segundas

08/June/2009 - 02h31 - 12 Comentarios

Sienna Miller

Uma moça às segundas

01/June/2009 - 00h01 - 10 Comentarios

Mandy Swan

Minha moça esta segunda

25/May/2009 - 05h20 - 70 Comentarios

marina

Hoje, Marina faz 30 anos. Estamos casados há pouco mais de três e nos preparamos para a quarta mudança. A primeira foi mais ou menos ao mesmo tempo para um mesmo apartamento em nossa cidade, o Rio. Daí seguimos para São Paulo. Então para a Califórnia. Quinta-feira, ela torna ao Rio de Janeiro. Eu a sigo duas semanas depois. Finalmente, juntos, e em casa. Sem planos para nos mudarmos novamente por um bom tempo.

Vão ser duas semanas difíceis, sabe? É ela quem sabe as coisas. Não só onde estão, onde deixei, o que fiz. Marina dá ritmo à casa: sua hora de acordar, de sair, de retornar. Marina dita meus humores, entre seus silêncios profundos, longos e aí os sorrisos. Todas minhas inabilidades práticas, Marina as corrige.

Nestes três anos de mudança contínua, convivemos com a ausência permanente. A ausência de Laura, minha filha, que aparece só às vezes mas que está ali a marcar sua falta todos os dias, todas as horas. A ausência do Rio, a cidade na qual nos entendemos e da qual jamais conseguimos nos afastar realmente.

Um pouco por despedida mas também para inaugurar um momento novo, convidamos os amigos para um churrasco. Conseguimos picanha e linguiças. Há uma garrafa de cachaça.

Marina não sabe que tenho medo de perdê-la todos os dias.

Uma moça às segundas

18/May/2009 - 04h38 - 15 Comentarios

Brit Ameera

Vida cotidiana na política

16/May/2009 - 14h05 - 23 Comentarios

Às vezes, políticos não conseguem disfarçar em que estão pensando.

via Attu sees all

Uma moça às segundas

11/May/2009 - 05h28 - 9 Comentarios

giorgia_surina

Uma moça às segundas

04/May/2009 - 00h01 - 7 Comentarios

milla_jovovich

Uma moça às segundas

27/April/2009 - 02h17 - 11 Comentarios

angela_lindvall

Uma moça às segundas

20/April/2009 - 01h33 - 6 Comentarios

lieke_lexmond

Marilyn Chambers, atriz pornô

14/April/2009 - 02h39 - 27 Comentarios

A atriz pornô Marylin Chambers morreu no domingo, em sua casa próxima a Los Angeles. Ainda não se sabe a causa. No segundo semestre, Marilyn estrearia no teatro, em Nova York, ao lado do também veterano Ron Jeremy. Ambos se apresentariam numa comédia que reencenaria o clássico Deep Throat. Ela tinha 56 anos.

Deep Throat, o filme Garganta Profunda original, não foi com Marilyn. Se Garganta Profunda lançou o cinema pornô no mainstream, foi Atrás da Porta Verde, de 1972 – este sim com Marilyn –, que produziu o primeiro pornô cult, com direito a exibição no Festival de Cannes do ano e ovação da platéia de pé no final.

(No passado, escrevi uma reportagem sobre Deep Throat.)

Pois foi que, no início, eram duas atrizes: Marilyn Chambers e Linda Lovelace, de Deep Throat. A revolução sexual já havia ocorrido e, de alguma forma, a cultura popular passou a aceitar sexo explícito na tela. Elas foram, e ainda são, o Ying e o Yang da pornografia inicial, os dois lados complementares.

Linda, até sua morte, em 2002, levou uma vida conturbada. Entregou-se ao cinema pornográfico que a fez famosa, acusou um dos ex-maridos de estupro, drogou-se, virou religiosa, renegou a pornografia mas aí ensaiou um retorno, foi feminista militante e jamais conseguiu uma relação em que não estivesse de alguma forma subjugada. A vida de Linda é o exemplo perfeito a sacar do bolso por qualquer um que deseje argumentar que a pornografia diminui, objetifica, a mulher. Sua vida foi miserável.

E, no entanto, Marilyn foi o contrário. Se Linda, mesmo quando jovem, emanava uma certa tristeza, Marilyn estava sempre radiante em suas entrevistas. Jamais renegou a pornografia, jamais a condenou. Se teve relações complicadas ou dificuldades com drogas pesadas, jamais sugeriu que um tinha a ver com o outro. “Pessoas das profissões as mais respeitáveis tiveram os mesmos problemas”, ela respondeu certa vez a um repórter que insistia.

Alguns críticos, em seus arroubos, já sugeriram que Atrás da Porta Verde, além de pornô, é também bom cinema. A história segue uma jovem e bela moça que, raptada em um hotel, é levada para um clube secreto e, durante uma noite, é exposta a uma platéia enquanto vê-se forçada a relações que no início não deseja e, por fim, abraça. Causou rebuliço, na época, o fato de que o primeiro ator a se apresentar à atriz era negro. (Casamentos inter-raciais ainda eram ilegais em certos estados dos EUA, assim como o casamento gay ainda é ilegal, hoje.)

É preciso boa vontade para considerar o clássico bom cinema. Está lá uma certa vontade de ser filme europeu do tempo, mas também a musiqueta dos pornôs de antanho e um trabalho de interpretação triste que faz dó. Não há problema: a arte, e o ser cult, era a desculpa que o público precisava para fazer fila no cinema num tempo antes do videocassete, quanto mais da Internet.

O que Atrás da Porta Verde tinha, também, era Marilyn Chambers. Ela era muito bonita. Mesmo. De uma beleza tenra, leve – tão bela que, poucos meses antes de filmar, posara para a caixa de uma das principais marcas de sabão em pó da Procter and Gamble com um bebê ao colo. A caixa do Ivory Snow deu nas prateleiras dos supermercados quando o filme chegava ao cinema. Foi um pesadelo publicitário para a multinacional. Atrizes pornográficas nunca foram muito conhecidas pela beleza até os anos 90 – ela era uma exceção.

Sua vida não foi de forma alguma fácil. Sexo explícito ainda é um extremo da cultura. Hoje é incrivelmente mais tolerado do que antes e já esboça aparição no cinema não pornô. Marilyn fez parte da primeira geração a romper o tabu.

A pornografia não representa sexo como aquele que os amantes fazem em casa. É um sexo caricato e, na maioria das vezes, sem qualquer intimidade emocional. Ainda assim, pornografia, alarga as fronteiras. Antes de haver pornografia assim explícita à disposição no mercado, qualquer conversa sobre sexualidade era difícil. Quando o sexo explícito, ainda que no extremo, ganhou legitimidade, qualquer área mais mansa do que o explícito tornou-se assunto permitido no cotidiano. Mais informação é possível justamente porque o extremo foi para tão longe. E mais informação desde cedo, no que tange sexualidade, evita gravidez adolescente e infelicidade em relações futuras.

Marilyn Chambers morreu cedo. Não foi um ícone para qualquer um. Mas, a seu modo, viveu uma vida corajosa e fez parte de um movimento que mudou profundamente nossa cultura.