Pedro Doria | Weblog

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Tudo publicado sobre 'Religião'

Festas

29/September/2008 · 23 Comentários

O Ramadã acaba amanhã e o Rosh Hashaná é hoje.

Que o ano lhes seja doce.

Tags: Islã · Judaísmo

O Reino Unido contra o Terrorismo,
os Comuns, os Lordes e John le Carré

24/September/2008 · 68 Comentários

No dia 13 de outubro, a Câmara dos Lordes britânica analisará a lei aprovada pela Câmara dos Comuns que permite ao governo prender sem provas ou acusação formal suspeitos de terrorismo por 42 dias. Os Lordes não são como senadores – sua Câmara tem poderes muito limitados. Por outro lado, também já não são os velhos nobres que herdavam o cargo de seus ainda mais velhos pais. São indicados. E, neste caso, têm o direito de vetar a lei.

Ela é polêmica. Nos EUA, várias leis e regulamentos que vieram com o Onze de Setembro também são acusadas de ferir as liberdades básicas da população. Mas, no Reino Unido, enquanto a Câmara dos Comuns considera esta lei em particular essencial, a oposição entre os jornais e a população cresce. Alguns, não muitos, começam a levantar o tom da voz. O escritor de romances de espionagem John le Carré é um caso:

Tenho raiva. Raiva de que não haja raiva a meu redor por causa do que estão fazendo com nossa sociedade com o pretexto de protegê-la. Fomos levados à guerra por motivos falsos e nos tiraram nossas liberdades civis numa atmosfera de pânico. Mas nossos advogados não vão às ruas como eles fizeram no Paquistão.

Nossos deputados se permitiram enganar pelos seus próprios marqueteiros. Eles acreditam em sua própria propaganda. Nosso secretário de política externa vem às pressas de uma missão ao Oriente Médio só para votar nesta lei que dá 42 dias de detenção. Aí as pessoas me chamam de velho raivoso. Danem-se. Não é preciso ser velho para ter raiva disso. Estamos sacrificando nossa soberania por uma dita ‘relação especial’ que, de especial, não tem nada além do nome que nós damos.

A relação especial à que ele se refere é a de seu país com os EUA.

Tags: Europa · Islã · Livros · Terror

Igreja Anglicana pede perdão a Darwin

16/September/2008 · 198 Comentários

Uma notícia importante que deve ser celebrada e não pode escapar cá ao Weblog: o reverendo Malcom Brown, diretor de relações públicas da Igreja Anglicana, pediu oficialmente perdão a Charles Darwin, descobridor da Evolução das Espécies por meio do processo de Seleção Natural.

Darwin estava certo, diz Brown, e a Igreja Anglicana errada ao repudiá-lo no século 19.

Tags: Ciências · Cristianismo · Religião

Acaso alguém tenha esquecido

11/September/2008 · 173 Comentários

Hoje é Onze de Setembro.

Tags: EUA · Iraque · Islã · Oriente Médio · Terror · Ásia Central

O triste fim de Pervez Musharraf

18/August/2008 · 29 Comentários

O presidente paquistanês Pervez Musharraf renunciou ao poder. O processo de impeachment já estava adiantado no parlamento e a única maneira de impedir sua continuidade era com a renúncia. São nove anos de ditadura, desde que derrubou Nawaz Sharif – seu atual algoz –, em 1999.

Instável no poder, sustentado por uma aliança entre as Forças Armadas leais a ele (era general) e a traíra IIS, grupo de inteligência do país, Musharraf foi salvo pelo Onze de Setembro. Parcialmente apoiada pela CIA, a IIS havia estruturado e dado todo o apoio ao grupo Talibã, que tomou o poder no vizinho nordeste, Afeganistão. Perante os ataques a Nova York e Washington, Musharraf não hesitou em bandear-se para o lado norte-americano, ganhando a confiança pessoal de George W. Bush e apoio dos EUA.

Muito da presidência Bush se deu na base desta ‘confiança pessoal’. Outros a gozarem dela fora Vladimir Putin, da Rússia, e Tony Blair, do Reino Unido. Blair mostrou-se merecedor até o fim. Putin e Musharraf são a mostra de que Bush talvez não fosse tão hábil assim em suas avaliações. Musharraf fez um jogo duplo durante todo o período, enquanto, mesmo após a queda do Talibã, seu serviço secreto dava apoio à seita-guerrilheira no Afeganistão e até mesmo dentro de casa.

Esta aliança mostrou-se um erro estratégico terrível para Washington. Muito da decisão de atacar o Iraque baseava-se na premissa de que o Paquistão daria apoio no combate ao Talibã enquanto os EUA estivessem distraídos. O que ocorreu na prática é que o Talibã e a al-Qaeda conseguiram sustentação para renascerem. Nem incompetência explica as falhas de Musharraf. Ele passou a perna nos EUA.

Os dois partidos noutros tempos rivais, de Nawaz Sharif e da ex-primeiro-ministro assassinada Benazir Bhutto se aliaram para retomar o poder nas primeiras eleições livres e, agora, no impeachment de Musharraf. É o tipo do ditador que vai tarde. Agora, o novo governo terá a missão de combater o Talibã. Não será fácil. O grupo inspira o tipo de religiosidade extrema e ordem que gera laços de fidelidade na região de fronteira. Para livrar-se deles, será preciso se imiscuir na complexa política tribal patane. Não é impossível. A IIS, afinal, já fez isso antes.

Tags: EUA · Islã · Terror · Ásia Central

Derrubado o governo da Mauritânia

6/August/2008 · 24 Comentários

Devemos um bocado à Mauritânia, país que hoje deixou a lista dos regimes democráticos para se juntar à das ditaduras. Encravado entre a África árabe e a sub-saariana, é de lá que saiu a dinastia Almorávida, que dominou um bom naco da Espanha e de Portugal. A eles devemos nosso alface, nossos alcaides, a beleza de Alhambra e a tecnologia naval de astrolábios e cartas astronômicas que permitiram o descobrimento do Brasil.

Colônia francesa durante um bom naco do século 20, ganhou a independência em 1960. Foi governada por um militar golpista após o outro. O último golpe aconteceu em agosto de 2005, há exatos três anos. O presidente que assumiu impôs um governo de transição garantindo democracia. Cumpriu a promessa. Em março de 2007, o povo elegeu seu presidente, Sidi Ould Cheikh Abdallahi.

O décimo primeiro golpe militar da história do país começou na manhã de hoje, quando os soldados invadiram o palácio presidencial e prenderam Abdallahi. O presidente havia demitido os quatro principais generais no início da semana. O chefe da Guarda Presidencial, general Mohamed Ould Abdelaziz, assumiu o poder.

Mesmo o Partido Islâmico, de oposição ao governo, criticou o golpe. Mas a situação está em suspenso. A República Islâmica da Mauritânia é um dos raros países muçulmanos que reconhecem o Estado de Israel.

Tags: Islã · África

O flerte francês com o anti-semitismo

4/August/2008 · 80 Comentários

Há uma balbúrdia rolando na imprensa francesa, provocada pelo pequeno artigo de Bob Siné, publicado há duas semanas no Charlie Hebdo, pequeno jornal satírico de esquerda. Siné, um humorista que bem pode ser descrito por seu ardente anti-sionismo pró-palestino, ridicularizava Jean Sarkozy – filho do presidente – que ‘pretende se converter ao judaísmo’ para se casar com Jessica Sebaoun-Darty. A moça é herdeira de uma boa fortuna e judia, os dois estão noivos. ‘Vai longe na vida, este rapaz’, dizia Siné insinuando um golpe do baú, para concluir ‘mas francamente, entre uma muçulmana de chador e uma judia que raspa a cabeça, eu não teria dúvidas.’

Ficaria com a muçulmana.

O artigo era anti-semita, brincando com um estereótipo após o outro, e o editor do Charlie Hebdo cobrou de Siné um pedido formal de desculpas. Como o cartunista-articulista se recusou, demitiu-o. A polêmica está armada. Colaborador da alemã Der Spiegel, o francês Roger Cohen – ele próprio, judeu – comenta:

Que três coisas fiquem claras. Siné tem realmente umas opiniões vis a respeito de judeus. O conflito entre Israel e Palestina, da forma que é refletido numa França com crescente comunidade muçulmana e virulento anti-semitismo na esquerda, produziu novas formas de anti-semitismo. E já há quem reclame na direita católica sobre a ascensão de Sarkozy e a origem judaica de vários de seus assessores.

Mas estes não são motivos suficientes para transformar Siné em mártir por causa de uma piada ruim. Nisto, cito sempre o juiz Oliver Webdell Holmes Jr, que escreveu em 1919: ‘devemos sempre cuidar para que ninguém impeça a expressão daquelas opiniões que realmente odiamos.’

Sei que a liberdade garantida pela Primeira Emenda à Constituição dos EUA não existe na França. Aqui, negar o Holocausto é crime. Mas permaneço um absolutista da livre expressão. É com isso em mente que defendi a publicação dos cartuns de Maomé. Censurar a expressão é sempre mais perigoso do que qualquer resultado que possa advir da expressão das piores idéias.

Em tempo: o casamento sairá, mas o jovem Sarkozy não se converterá. Religião não é algo que preocupe o casal.

Tags: Europa · Islã · Judaísmo

O que são e para que servem as Madrassas?
Uma contribuição para o Weblog

28/July/2008 · 59 Comentários

Gwyn, leitora freqüente nos comentários, enviou o texto que segue. Quem o assina é um amigo dela, foi escrito para o Weblog. Os pais de Mohammed são paquistaneses da região da Caxemira que imigraram para o Reino Unido nos anos 60. É uma contribuição para a conversa. A área de comentários, como sempre, é livre para opiniões de todo tipo. Mas peço educação e cortesia. Principalmente, peço que se abstenham de qualquer manifestação preconceituosa. Estereótipos fáceis não serão bem-vindos; discordância é. O autor quer ler o que temos a dizer e os comentários lhe serão retransmitidos. O texto começa aqui e o resto está após o link do salto – PD

Meu nome é Mohammed e vivi no Reino Unido toda minha vida. Espero, aqui, dividir com vocês minha opinião a respeito das madrassas na esperança de que considerem interessante. Meu objetivo não é fazer com que todos mudem sua percepção do Islã mas, sim, permitir que conheçam outro ponto de vista. Gosto de compartilhar com pessoas que têm a habilidade de examinar criticamente os pontos de vista que lhes são apresentados. Ao mostrar outra perspectiva, tenho o objetivo de chamar atenção para alguns eventos marcantes da história que em geral são ignorados nas discussões a respeito das madrassas.

Comecemos pela descrição básica da palavra ‘madrassa’. A maneira como escrevemos varia, mas pronuncio assim: madh’rassa. A mesma palavra tem sentidos diferentes para pessoas diferentes dependendo do contexto em que é aplicada. Em alguns canais de tevê, as reportagens sobre a Guerra ao Terror de George W. Bush sugerem um sentido preconceituoso distante do real.

De acordo com a descrição na Enciclopédia Britânica, uma madrassa é…

…uma instituição de ensino. Ao longo do século 20, as madrassas funcionaram como seminários teológicos e escolas de direito com o currículo baseado no Corão. Além de teologia islâmica e direito, também são ensinadas gramática árabe e literatura, matemática, lógica e, em alguns casos, ciências naturais.

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Tags: Islã · Ásia Central

A conversa entre Obama e Deus

25/July/2008 · 65 Comentários

Senhor –

Proteja minha família e a mim. Perdoe meus pecados e me proteja da vaidade e do desespero. Me dê sapiência para fazer o que é certo e justo. Faça de mim um instrumento de Sua vontade.

Essa é inédita: o jornal israelense Maariv publicou o bilhete que Barack Obama deixou no Muro das Lamentações. Os rabinos estão furiosos com a violação de uma oração que deveria ser particular.

Tags: EUA · Israel e Palestina · Religião

Diplomacia para um mundo entre Deus e leigos

25/July/2008 · 139 Comentários

É possível que o padre Ryan J. Maher tenha um bom argumento. Jesuíta, foi o primeiro professor de religião cristão de uma universidade em Doha, no Catar. Discutia com seus alunos questões como a existência de Deus quando percebeu o quanto os jovens muçulmanos eram diferentes de seus alunos norte-americanos, na excelente universidade de Georgetown.

Era uma diferença simples: seus alunos muçulmanos acreditavam profundamente em Deus. Em Georgetown, a principal universidade da capital e que forma muitos dos futuros diplomatas dos EUA, mesmo os mais interessados em religião tratam a idéia de Deus como uma curiosidade. Mesmo aqueles que não se dizem ateus não levam uma vida religiosa. Ele escreve:

Alguns anos atrás, tive uma conversa agradável com um amigo, diplomata com experiência em negociações internacionais complexas. Estávamos em 2004 e a conversa passou pela campanha eleitoral. Meu amigo argumentava que a relutância do senador John Kerry de falar sobre sua fé era uma coisa boa, pois mostrava que fé e política não deviam se misturar.

Do nada, me ocorreu uma pergunta. ‘Além de mim, você tem algum amigo ou colega de trabalho, não importa de que religião, que freqüenta um templo pelo menos uma vez por semana?’ Ele pensou por um bom tempo. ‘Não que eu saiba’, respondeu.

Penso sobre esta conversa desde então. Ela me ajudou a compreender o que prejudica a educação superior norte-americana na lida com profissionais que trabalharão com questões internacionais. Sabemos sobre religiões. Mas não entendemos o poder transformador da fé.

O problema, diz o padre, é que esta incompreensão de como as pessoas encaram a fé produz diplomatas piores. Leigos encaram a questão religiosa como menor. Num mundo ideal, eu tenho minha religião, você tem a sua, mas nós podemos nos entender de qualquer jeito. Assim como quem torce pelo Flamengo se entende com corintianos. Mas a questão, diz Maher, é muito mais complexa do que isso. Não é como torcida, é como amor. E amor traz uma gama de emoções muito mais profundas e imprevisíveis para a discussão.

É uma das questões mais delicadas das relações internacionais. E não está resolvida.

Tags: Mundo · Religião

Racismo europeu entre o Holocausto e o Islã

22/June/2008 · 59 Comentários

Noah Feldman, do Council of Foreign Relations e da Escola de Direito de Harvard, não é o primeiro a sugerir que a Europa Ocidental é, por natureza, racista. Mas é o mais recente.

Há uma explicação controversa para explicar a cultura anti-muçulmana na Europa: mesmo após 60 anos de introspecção a respeito do anti-semitismo que levou ao Holocausto, os europeus não se convenceram de que imigrantes com diferenças culturais e religiosas devem ser tratados como membros plenos de sua sociedade. O anti-semitismo europeu entre as duas grandes guerras incluía acusações de crime, de conservadorismo religioso, inferioridade genética e, principalmente, falava da impossibilidade de assimilação. Não é coincidência que boa parte dos judeus da Europa Ocidental eram imigrantes ou filhos de imigrantes de países mais ao leste.

Os EUA tiveram sua própria forma de racismo legalizado nas leis Jim Crow, que Hitler copiou para seus próprios propósitos. Após a Segunda Guerra, no entanto, nós norte-americanos começamos a encarar nosso passado. Tendências racistas ainda estão entre nós, mas carregamos a culpa deste racismo e a consciência de que devemos vencê-lo.

Na Europa, o terrível sucesso de Hitler no assassinato de tantos judeus fez com que a sociedade pós-guerra européia jamais tivesse que enfrentar as diferenças. Os judeus que sobraram já estavam longe. Hoje, a natalidade dos muçulmanos europeus é bem maior do que a de seus vizinhos. É como se a inabilidade européia de lidar com diferenças estivesse sendo testada pela primeira vez desde então. Em teoria, a Europa lembra o Holocausto. Mas a profundidade desta memória pode ser posta em questão quando tantos europeus parecem ter se esquecido de que seu continente já serviu de residência para outros estrangeitos muito antes da chegada da atual minoria muçulmana.

Recentemente, uma deputada britânica sugeriu que uma campanha devia desestimular o casamento entre primos paquistaneses. O motivo é que são mais propensos a certas anomalias genéticas. Eles – os paquistaneses – e judeus asquenazitas. Mas ninguém teria coragem de sugerir a uma comunidade judaica com quem casar. Ainda mais com argumentos genéticos.

Muitos dos costumes muçulmanos são criticados por serem atrasados perante a cultura européia liberal de hoje. São mesmo. Como são os costumes católicos, que rejeitam a igualdade entre homens e mulheres no púlpito e ainda consideram homossexualismo doença.

É claro que há o terrorismo, reconhece Feldman. Mas o terrorismo é também de todo conveniente para explicar um padrão de intolerância com o diferente.

Tags: Europa · História · Islã · Judaísmo

Ayaan Hirsi Ali, sua fé e sua circuncisão

17/June/2008 · 171 Comentários

On Faith – Sobre a fé – é uma área especial do site do Washington Post que trata da religião no mundo corrente. A entrevistada atual é Ayaan Hirsi Ali, a feminista de origem somali que está entre as mais proeminentes críticas do Islã. A entrevista é em vídeo. Mas, transcritos, cá vão dois trechos:

Sobre o ateísmo

Houve um dia em que fitei o espelho e me perguntei: ‘você acredita em Deus, agora?’ Maio de 2002. Foi um processo gradual até aquele momento, mas o Onze de Setembro foi o catalisador. Antes disso, todas as idéias dissidentes que eu tinha, eu as guardava com tranca no fundo de minha mente. Nos dez anos anteriores, me considerei muçulmana, mas já não praticava a religião de nenhuma forma.

Com os ataques, me senti desafiada. Não era apenas um desafio de bin Laden ‘venha e se junte a nós’. Ele também dividia o mundo entre crentes e não crentes. Foi assim que fui criada: ou você crê ou você não crê. E tudo em mim, o Satã dentro de mim havia crescido tanto, que percebi: não quero nada com isso.

Há o que Deus quer e o que você quer. Se você faz o que quer e não o que Deus quer que você faça, dizem que é porque Satã está sussurrando em seu ouvido.

Eu quero falar com minha mãe. Ela que não quer falar comigo. Ela teme que queimará no inferno se o fizer. A religião impôs a ela uma escolha cruel: ou ela me abandona, porque me transformei numa apóstata, ou ela queimará no inferno. É algo com o qual todos os muçulmanos temos que lidar, este medo do inferno. Mesmo de pensar, de ter dúvidas, você já está blasfemando.

Sobre a experiência da circuncisão

O sujeito chegou para nos circuncidar a todas. Ele usou uma tesoura, tinha anti-séptico, mas não tinha anestesia. Como um dos objetivos é garantir que você se manterá virgem, o costurar dos lábios é mais importante do que o cortar do clitóris.

Há muitas histórias que contam para explicar o corte. Minha avó acreditava que o clitóris ia crescer e crescer, ficaria pendurado entre suas pernas. Até maior que um pênis. Outra superstição é que, quando o bebê nasce, se o clitóris da mãe não tiver sido cortado pode enforcá-lo. Também há quem diga que o clitóris torna o homem impotente.

A razão mais comum é que, quando a menina entra na adolescência, ela fica excitada sexualmente com facilidade. Como prevenção, cortam o clitóris antes da puberdade.

Não existe um sistema específico para o corte. Depende de quem o faz. Há meninas que morrem porque alguém tenta cortar todo seu clitóris e elas têm uma hemorragia. Mortes também acontecem por causa do instrumento utilizado: tesouras, navalhas, até cacos de vidro.

Tags: Islã · África

Alfred Hitchcock e seu documentário
sobre o Holocausto na Europa

15/June/2008 · 50 Comentários

Norte-americanos, britânicos e soviéticos entraram nos campos de concentração no princípio de 1945. Os soldados e oficiais não estavam preparados para lidar com o que encontraram. Aquelas pessoas ali haviam chegado a um ponto tal de degradação que não conseguiam sequer comer. Umas porque não tinham força. Outras porque o choque de proteína era tamanho que, incrivelmente, matava. Não sentiam cheiro. Mal falavam. Beijavam mãos agradecidos.

Muito rapidamente, em Londres e em Washington, gente em várias posições de poder perceberam que teriam um problema perante a história: alguém, no futuro, tentaria negar que aquilo acontecera. A extensão da crueldade era tamanha – no número de vítimas e no ponto ao qual os nazistas levaram os sobreviventes – que nada parecia, de fato, muito crível.

Decidiram produzir um filme.

Não pensavam no século 21. Pensavam nos anos imediatamente à frente. Pensavam, principalmente, na população alemã. Como convencê-los de que seu país havia chegado àquele ponto? Em Londres, coletaram as cenas filmadas pelas tropas ocidentais nos campos e as puseram nas mãos de Sidney Bernstein, diretor do departamento de propaganda do exército britânico. Sua missão seria produzir um documentário para apresentar ao público alemão os feitos de seu país durante a Guerra.

Quando Bernstein começou a produzir o filme, em maio de 1945, os Aliados ainda não tinham total noção do plano de Solução Final para o problema judaico de Adolf Hitler. Conheciam a crueldade, sabiam do genocídio, mas não tinham ainda levantado todos os documentos que provavam a intenção de eliminar uma etnia. O governo britânico também tinha medo de que, insistindo no fato de que as vítimas eram judeus, afastariam o público alemão.

O filme não citaria judeus, portanto. Falaria de pessoas. De gente.

Revisando as imagens que chegavam do continente, o cineasta da propaganda britânica percebeu que o trabalho talvez exigisse mãos mais hábeis que as suas. Lembrou de um amigo dali mesmo de Londres, que durante a Guerra achou por bem se radicar nos EUA.

Alfred Hitchcock.

Os dois jamais terminaram o filme batizado Memória dos Campos, também lembrado como o ‘documentário de Hitchcock sobre o Holocausto’. Hitchcock serviu como consultor no processo e orientou a edição. Se preocupou em inserir a maior quantidade possível de planos gerais. Temia que, só mostrando as pessoas de perto, alguém achasse que havia sido montagem. Os planos gerais davam mostras das inacreditáveis montanhas de corpos esqueléticos, nus. Pois é que não há nudez escondida neste filme – nudez de gente viva e de gente morta, seios, sexos à mostra, em corpos cujos rostos por vezes lembram caveiras cobertas por um fino tecido. é um documentário cru, violento, muitas vezes difícil de ver.

Os EUA logo abandonaram aquela que deveria ser uma co-produção entre eles e Inglaterra. Alguém, ao ver as primeiras imagens montadas por Hitchcock e Bernstein também decidiu arquivar o projeto. Era duro demais. O mundo não estava preparado para ser exposto a estas imagens de terror. O ‘documentário de Hitchcock sobre o Holocausto’ terminou esquecido.

Em 1985, a rede pública de tevê norte-americana PBS comprou do governo britânico a única cópia conhecida dos originais. As imagens, já editadas, não tinham som. Mas havia um roteiro que a equipe de Bernstein escrevera e texto para narração que acompanhava as imagens. Convidaram o ator Trevor Howard para colocar voz no filme. E o exibiram. Agora está na Internet.

dica do André Fucs

Tags: Europa · História · Judaísmo · Rússia

A França, o Islã e a noiva virgem
que terminou por ser devolvida

5/June/2008 · 201 Comentários

O caso aconteceu há um mês, mas só foi divulgado na semana passada, depois que o jornal Libération citou um artigo de uma revista jurídica. Num tribunal da região de Lille (norte do país), um francês convertido ao islã pediu a anulação do casamento porque a noiva tinha mentido sobre a sua condição de virgem - fato reportado no meio da noite de núpcias aos pais da noiva, que tiveram que acolher o “produto defeituoso”. Apoiado numa lei que garante a anulação em casos de “erro das qualidades essenciais” do cônjuge, o marido enganado conseguiu ter o pedido acatado pelo juiz.

Na França, conservadores e socialistas só concordam numa coisa: a defesa do Estado laico. O caso da burca das alunas de escolas públicas já tinha terminado com o banimento de qualquer adereço que exprimisse a identidade religiosa dos alunos. Agora é o “caso da virgindade” que provoca a ira dos políticos franceses.

Mais dessa história no excelente blog Canaca.

Tags: Europa · Islã

O Paquistão visto por um jornalista brasileiro

24/May/2008 · 29 Comentários

As escolas religiosas, que ensinam o Alcorão para crianças a partir de sete anos de idade, cumprem também um papel social no Paquistão. Como os colégios públicos não são suficientes para atender toda a população – são 160 milhões de habitantes, e a taxa de natalidade ainda é alta –, as madrassas, como as escolas religiosas são conhecidas, são responsáveis por tirar do analfabetismo boa parte da população.

Atualmente, cerca de 35% da população é considerada analfabeta ou semianalfabeta – só sabe escrever o próprio nome e ler frases curtas, de acordo com a Universidade de Peshawar. O investimento em educação também é baixo, conforme fontes ouvidas pelo G1: pouco mais de 2% do orçamento do governo paquistanês tem a educação fundamental, média e universitária como destino.

As escolas religiosas estão em todos os municípios, inclusive no interior do país. Nas madrassas, as crianças passam pelo menos uma hora por dia aprendendo o alcorão. Como a grande maioria das escolas fundamentais do país, elas têm aulas separadas para meninas e meninos.

Fernando Scheller, um dos editores do portal noticioso G1, está no Paquistão – e bloga sua visita.

dica de Marina Gomara

Tags: Islã · Ásia Central

Ainda sobre os drusos

14/May/2008 · 69 Comentários

Um bom amigo que, muçulmano xiita, não só entende do assunto como já escreveu um livro sobre o tema, enviou a seguinte mensagem a respeito dos drusos e outros grupos minoritários do Islã:

Os drusos são considerados pelos estudiosos do Islamismo como ‘Extremist’ Shi’a ou ‘ghulat’ Shi’a. Ghulat é sinônimo de radicais, extremistas. São um desvio, portanto. Ao lado dos drusos, há os alawitas da Síria, Líbano e Turquia. Também é uma seita ultra-secreta. Seus membros não podem sequer falar da religião entre si, mas apenas com o seu tutor. Um pai não pode falar dos segredos da seita para um filho. Deve entrega-lo aos cuidados de um tutor aos oito anos para que o seu catecismo seja ensinado (vai até os 17). Tudo, tudo é secreto. Oficialmente, eles se declaram xiitas.

O negócio engraçado é que Hafez Assad, ditador da Síria, quase não se empossa presidente porque a Constituição síria, desde a independência, determinava que a presidência é cargo exclusivo para muçulmanos. E criou-se a polêmica: os alawitas eram muçulmanos? Os sunitas, majoritários, diziam que não. Assim também os xiitas. Os alawitas, ao longo dos séculos, foram perseguidos por todos: sunitas, xiitas, todo mundo. Daí tudo ser secreto. Com os drusos é a mesma coisa. A melhor fonte para o assunto é o livro de Matti Moosa, Extremist Shiites: the Ghulat sects. Ali você vai encontrar tudo, ou quase, sobre drusos e alawitas. Quase tudo, porque tudo nas seitas é secreto.

É um bom complemento à discussão e dica de onde obter mais dados.

Tags: Islã

Quem são os drusos e em que acreditam?

13/May/2008 · 39 Comentários

Tanto o Theo (que é muçulmano) quanto o André Fucs (que morou e entende da região) reclamaram de eu caracterizar os drusos como muçulmanos. Pois bem, não vai aqui qualquer teimosia: esta é uma polêmica antiga mas, que me perdoem os companheiros, não é uma discussão encerrada.

O CIA Factbook – que é o melhor almanaque aberto e confiável que há na Internet – também lista os drusos entre os muçulmanos no Líbano.

A Enciclopédia e Dicionário Kougan Houaiss, que eu costumava manter a meu lado na redação quando não havia Enciclopédia Britannica online, Wikipedia ou Google, classifica os drusos como ‘ismaelitas’, que é uma vertente do xiismo.

A Britannica, por sua vez, lava as mãos e não se posiciona: ‘é uma série de crenças religiosas nascidas dos ensinamentos ismaelitas às quais foram acrescidas elementos judeus, cristãos, gnósticos, neoplatônicos e iranianos que se combinam numa doutrina de monoteísmo estrito.’

Muitos especialistas muçulmanos, no entanto, consideram esta seita exclusiva tão estranha que não a classificam no Islã. Pergunte a um druso e ele dirá que é monoteísta e não passará disto.

Aparentemente, o Líbano passará a ser um assunto corriqueiro cá no Weblog e este grupo, 5% de sua população, terá papel importante nas decisões políticas – seja no papel de vítima, seja no de aliado de quem está no poder. O que são os drusos?

Os drusos são messiânicos. As religiões monoteístas surgidas no norte da África e Oriente Médio são todas como quebras-cabeças que costuram uma série de mitos comuns com maior ou menor intensidade. O messianismo, a idéia de que um líder desaparecido voltará para nos salvar a todos, é persa, vem do profeta Zoroastro. De lá, inoculou de leve os judeus quando do período de seu contato, e foi fazer parte, com força, da sopa cultural em que nasceu o cristianismo. O Islã, quando chega à Pérsia, também pega este messianismo forte local e assim nasce a vertente xiita.

No início do século 11, Hamza bin-Ali, um estudioso persa xiita travou contato, no Egito, com o platonismo grego e com os gnósticos – outra destas vertentes monoteístas que não chegaram a vingar de todo. A partir deste contato, Hamza bin-Ali passou a compreender Deus de uma forma diferente e, autorizado pelo califa al-Hakim, começou a reunir um grupo na mesquita local para pregar e rezar. Enquanto o califa esteve vivo, bin-Ali pregou o que quis, embora considerado herético pela maioria.

Tariq al-Hakim foi o sexto califa fatimida, descendente direto do casamento de Fátima, a filha favorita de Maomé, com Ali, considerado pelos xiitas seu primeiro imame. No Egito, al-Hakim foi intolerante com os muçulmanos sunitas, mas, mediante o imposto pago, deixou em paz as comunidades cristãs e judaicas. Embora tivesse umas idéias diferentes, bin-Ali era xiita, então não foi censurado. O califa foi assassinado em 1021 e sucedido por seu filho. E aí os drusos começam a se formar: para eles, o califa não morreu de fato mas apenas foi escondido. No dia do julgamento final, al-Hakim – o Mahdi – retornará para nos salvar a todos.

Após a morte de seu califa, teve início a perseguição dos drusos que deu forma final a sua religião. São monoteístas e só eles conhecem a verdade a respeito de Deus. Sua seita é secreta: um druso não fala dos ensinamentos para quem não é do grupo. Não aceitam conversões. Quem nasceu druso, não deixa de sê-lo; quem não nasceu, jamais virá a ser. Quando há perseguição política, é aceito que um druso renegue sua religião.

Se os drusos são uma vertente do Islã? Depende de como se vê sua história. A comunidade cristã original, chefiada por Thiago, irmão de Jesus, se considerava judia. Mas os anos se passaram e aquela seita se tornou uma religião independente. Quando decidimos que uma religião se separa de todo de sua mãe? No caso do cristianismo, foi o fato de que a religião começou a conquistar gente de fora, gentios. Ficou maior do que o judaísmo. Os drusos, no entanto, eram originalmente xiitas todos. Os mórmons são cristãos? Eles dizem que sim. Muitos cristãos dizem que eles modificaram de tal forma sua religião que, não, os mórmons são um caso distinto. Talvez sejam. É uma boa comparação com os drusos?

Cinco por cento da população libanesa é formada por drusos. Eles se dizem monoteístas e o seu é um grupo importante no balanço de poder do Líbano.

(Há outra polêmica: druso é com s ou com z? Ambas as grafias são aceitas, a com S é a corroborada por Antonio Houaiss.)

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A história de Rand

11/May/2008 · 194 Comentários

‘A morte era o mínimo que ela merecia’, diz Abdel-Qader. ‘Não me arrependo. Tive o apoio de meus amigos, que também são pais e, portanto, sabem o que é aceitável ou não para qualquer muçulmano que honre sua religião’, ele disse.

Sentado em frente à sua porta, cercado por gérberas e margaridas brancas que ele plantou no jardim da família, Abdel-Qader se justifica.

‘Não tenho mais uma filha e prefiro dizer que nunca tive uma. Essa menina me humilhou na frente da família e dos amigos. Ao conversar com um soldado estrangeiro, ela perdeu o que há de mais precioso para uma mulher. Talvez as pessoas do ocidente se choquem, mas nossas meninas não são como as filhas de lá que podem dormir com o homem que quiserem e às vezes engravidar sem ter casado. Nossas meninas devem respeitar sua religião, sua família e seus corpos.’

‘Agora, só tenho dois filhos. Aquela filha foi um erro em minha vida. Sei que Deus me abençoa pelo que fiz’, ele disse, sua voz soa honrada. ‘Meus filhos estão do meu lado e eles foram homens o suficiente para me ajudar a terminar a vida de alguém que nos trouxe vergonha.’

A filha de Abdel-Qader se chamava Rand. Tinha 17 anos. Foi espancada e morta por seu pai em Basra, no Iraque, por ter conversado com um soldado britânico. Para uma amiga, ela disse que estava apaixonada pelo rapaz. Era seu primeiro amor. Não trocou mais que palavras. Horrorizada, a mãe da Rand, pediu o divórcio. Foi espancada, teve o braço quebrado. Está escondida. Os irmãos mais velhos da moça ajudaram o pai. São muçulmanos xiitas.

Abdel-Qader ficou detido por duas horas na delegacia. Aí foi liberado. Os policiais o congratularam.

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Apresentando Alaa al-Aswany, o escritor
mais vendido do mundo árabe

28/April/2008 · 59 Comentários

Alaa al-Aswany é o escritor mais vendido do mundo árabe. Seu best-seller, publicado em 2002, se chama O prédio jacobiano e se passa no Egito atual. É um romance realista em sem floreios que fala de tortura, opressão sexual, a criação de radicais islâmicos, sonhos perdidos em meio à burocracia e corrupção governamentais. Em seu país, não é considerado particularmente boa literatura. Apenas um best-seller. O escritor, um dentista do Cairo, se defende: ele se inspira nos livros de Ernest Hemingway. O estilo é simples, mesmo, sem as experimentações à moda da literatura contemporânea árabe, direto ao ponto. Seu único objetivo é contar uma história. Mas há muito acontecendo ali, entre os personagens.

É o Egito de hoje. Em suas páginas, o ditador Hosni Mubarak jamais aparece. Ele é apenas o ‘Grande Homem’, cuja voz ecoa vinda de um palácio suntuoso. Trata-se de uma metáfora, de um símbolo, que nasce não das preferências do escritor mas de uma concessão à censura loca. O edifício jacobiano está para estrear em filme com alguns dos atores árabes mais conhecidos que há. É sucesso literário na França e foi um dos títulos mais disputados para lançar na atual temporada norte-americana. Esperam vendas fartas.

Seu atual romance, Chicago, vende também horrores no Egito. É a visão do autor da época em que estudou em Chicago – uma visão positiva, encantada. Ele é um dos mais lidos colunistas da oposição laica egípcia, um homem engajado na democratização do país.

Ele foi perfilado pela edição de domingo da New York Times Magazine.

Os jovens estudantes muçulmanos faziam anotações em seus cadernos. Al-Aswany estava apenas começando. O Islã no Egito e em outras metrópoles cosmopolitanas como Bagdá e Damasco, ele continuou, foi marcado ao longo dos séculos por tolerância e pluralismo. Não podia ser mais diferente do que o Islã do deserto, como aquele desenvolvido na Arábia Saudita. Os nômades do deserto não tinham tempo para arte – então não fizeram arte. A tragédia do Egito é que ele teve que lidar com versões intolerantes do Islã vindas de lugares como a Arábia Saudita. Todas as batalhas já vencidas no Egito pelas revoluções de 1919 e 1952 – principalmente aquela pelos direitos das mulheres – agora têm de ser lutadas novamente.

Ele então olhou para os dois rapazes barbados: ‘A Irmandade Muçulmana diz que o Islã é a solução. Então, quando você se opõe a eles, respondem que você está se opondo ao Islã. Isso é muito perigoso. Muito.’ Ele repete, sua voz mais alta: ‘na política é preciso encontrar soluções políticas, então como a solução pode ser religiosa?’

Para Alaa al-Aswani, democracia precisa de tempo. No mundo árabe, os EUA são vistos como os mantenedores das ditaduras locais. Não são conhecidos pelo que têm de melhor – a própria democracia, a liberdade de expressão, a pluralidade de grupos que têm espaço na sociedade. E o problema, ele diz, é que os EUA não acreditam de fato em levar democracia ao mundo árabe. O resultado imediato é a eleição de grupos como o Hamas, na Palestina, ou a Irmandade Muçulmana, no Egito. Democracia, ele diz, carece de tempo. Só se for permitido ao Hamas ou à Irmandade Muçulmana governarem que o povo perceberá que trocou um tipo de ditadura por outro.

Ele diz mais: a oposição islâmica é justamente aquilo que ditadores como Hosni Mubarak mais querem. Abrem um pouco o regime, permitem que eleições apenas parcialmente livres mostrem alguma força dos grupos islâmicos, e pronto, de presto governos como os de EUA e Reino Unido darão apoio, farão ouvidos moucos, a seus desmandos ditatoriais. Esta é a arma corrente das ditaduras da região, portanto. Manter vivo o medo de que, sem os ditadores, quem assumirá é o Islã radical.

Para o escritor, talvez num primeiro momento, sim. Mas, em países como o Egito, eles não se criam.

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A vitória de Berlusconi, a Lega Nord e
o racismo à italiana

16/April/2008 · 138 Comentários

A Coligação de Centro-Direita liderada por Silvio Berlusconi levou 47% dos votos italianos, no fim de semana. O velho premiê está de volta, pois, para seu terceiro mandato. Espera-se o mesmo governo corrupto, no qual tráfico de influência é a regra. Mais do mesmo? Não, desta vez há uma diferença. É a Lega Nord.

O partido separatista do norte da Itália recebeu 8,3% destes votos que valeram a Berlusconi sua vitória. Isto quer dizer que a Lega Nord fará parte do gabinete e que terá um bom naco do poder. Não garante a independência da região ali próxima à Suíça, mas que se espere um governo racista.

A vida ficará difícil, principalmente, para ciganos e migrantes que vêm da África e Oriente Médio. Novas leis, ofensivas policiais, o peso do Estado se voltará contra aqueles que ‘decaracterizam’ a Itália.

O país está rachado. Assim como perdeu por muito pouco na última eleição, agora Berlusconi venceu por muito pouco. Mas, para muitos dos eleitores que votaram em partidos de sua coligação, era exatamente isso que se esperava. Os culpados são os imigrantes.

Tags: Europa · Islã