Aconteceu, um dia, de as fontes (do tipo letras, mesmo) se reunirem em conferência:
Tudo publicado sobre 'Pop'
As fontes como elas são
23/July/2008 · 8 Comentários
Tags: Pop
Open thread da semana que começa
21/July/2008 · 287 Comentários
…alguém quer viajar aí? Há hotéis de todo tipo no mundo.
Tags: Open thread · Pop
Open thread de sábado
19/July/2008 · 160 Comentários
Ele demora. Mas sempre chega, às vezes com um simpático convite de casamento feito para distribuição online:
Tags: Internet · Open thread · Pop
Philips, o depilador e um gay andrógino
17/July/2008 · 25 Comentários
‘Como homem, não lido bem com a dor’, diz Karis. A propaganda é de um depilador Philips. É a primeira vez em que um anúncio de tevê apresenta não apenas um gay, mas um gay com identidade ‘trans’, andrógino, como personagem principal da narrativa. Conta de seu cotidiano, uma pessoa como qualquer outra.
Depilação a cera quente seria demais.
O site Boinkology fez uma entrevista com Karis.
dica do André Fucs
Tags: Pop · Sexualidade · TV
A piscina mais funda do mundo
6/July/2008 · 30 Comentários
Trinta e três metros até a base, com direito a cavernas e túneis. Fica na Bélgica e tem água filtrada, sem cloro.
Tags: Pop
Jessica Rabbit de carne e osso
25/June/2008 · 12 Comentários
Ela – e também o filme que mostra o processo no Photoshop. Mas, também, Homer Simpson. E, horror dos horrores, Super Mario.
O Jogo Real de Ur
21/June/2008 · 16 Comentários
Na década de 20 do século passado, o arqueólogo inglês Leonard Woolley escavou cinco tabuleiros de um jogo das tumbas reais de Ur, a antiga cidade da Suméria localizada no atual Iraque. O mais luxuoso deles misturava pedras coloridas várias cuidadosamente encaixadas e data de 2.600 a.C.
Com o tempo, novos tabuleiros ou indícios de sua existência foram descobertos no Irã, Síria, Egito, Líbano, Sri Lanka, Chipre e Creta.
Ele ficou conhecido como o Jogo Real de Ur. E ninguém sabia como jogá-lo até que Irving Finkel o descobriu.
Desde menino, Finkel era fascinado com o mundo dos jogos de tabuleiros e o da Mesopotâmia. Na universidade, estudou a escrita cuneiforme e, em 1979, foi contratado pelo Museu Britânico como especialista para decifrar a coleção 130.000 de tabletes de argila. Num deles, descobriu instruções.
Cuidadosamente, ao longo dos anos, ele recuperou a forma de jogar o Jogo Real de Ur, fez o Museu botar a venda uma reprodução com instruções, descobriu sua história.
O Jogo Real de Ur foi o mais popular da antigüidade até que, uns 2.000 anos atrás, ele morreu de vez, substituído por outro jogo bem mais sofisticado no seu equilíbrio entre sorte e técnica. O Gamão.
Ou quase morreu: há alguns anos, folheando uma obscura revista técnica israelense de arqueologia e história, Finkel passou por fotos da comunidade judaica de Cochin, na Índia. Eram imagens do início do século 20 e, ali no meio, havia um tabuleiro de jogo. Era do Jogo Real.
Não há mais judeus em Cochin, todos vivem em Israel. O velho professor rastreou, num kibutz, uma senhora que ainda tinha memória de como jogar. Pegou um avião para encontrá-la. Havia algumas modificações nas regras, mas era ele próprio. Passaram uma tarde gasta em partidas. Ainda vivo até, ao menos, o início dos 1900s.
(No site do Museu Britânico, há uma versão online para ser jogada. É preciso instalar o plugin Shockwave.)
Tags: Harry Potter · História · Iraque · Pop
Desastres em Photoshop
20/May/2008 · 18 Comentários
No tempo em que vivemos, as moças nas páginas das revistas vão sendo retocadas ao nível da irrealidade. Suas curvas não têm mais dobras, suas micro-cinturas fazem parecer que ao menos a primeira linha de costelas não existe e as peles sugerem que nasceram ontem, não há rugas, espinhas, verrugas – às vezes, nem umbigos.
O abuso do Photoshop é conhecido e não apenas nas fotos das moças belas, famosas e nuas. Mas há aqueles momentos em que o Photoshop não é apenas abusado. Com a ferramenta que permite retoques mil, a realidade é abusada. Estes casos, nas capas de revistas ou na publicidade, são o tema do delicioso blog Photoshop Disasters.
Tags: Pop · Tecnologia
40 horas no elevador. (Ou quase.)
5/May/2008 · 19 Comentários
Há algumas semanas, pintou por aqui a excelente reportagem da revista The New Yorker a respeito de Nicholas White, que ficou preso por 40 horas num elevador em Manhattan.
O vídeo de White circulou a Internet. Agora é a vez da paródia.
Albert Hofmann e o LSD, 1906-2008
30/April/2008 · 296 Comentários
O químico suíço Albert Hofmann, que sintetizou a molécula de LSD, morreu ao longo da madrugada após um ataque cardíaco. Tinha 102 anos. Muitos o viam como um doidão – mas era só um cientista. Seu passeio de bicicleta mítico, após ingerir uma superdose de LSD, aconteceu no dia 19 de abril de 1943. É celebrado hoje como o ‘dia da bicicleta’, todos os anos. Apesar de uma ligeira simpatia, jamais se adaptou muito ao movimento psicodélico. Não era sua praia.
Em 2006, quando Hofmann completou 100 anos, publiquei um perfil seu em NoMínimo. É um texto do qual gosto bastante, escrito com sincera admiração pelo professor. No dia de sua morte, republico aqui no Weblog.
Tags: Ciências · NoMínimo · Pop
O problema das artes gráficas
25/April/2008 · 29 Comentários
O Departamento de Comércio britânico acaba de apresentar sua nova logomarca para o público.
E já está a caminho de aposentá-la.
40 horas no elevador
16/April/2008 · 48 Comentários
Numa sexta-feira à noite, em outubro de 1999, Nicholas White deixou sua mesa na redação da Newsweek e desceu até o térreo para fumar um cigarro na rua. Quando terminou, voltou ao prédio, entrou no elevador de número 30 e apertou o botão que indicava o andar 43.
O carro acelerou. Era um elevador expresso, que só pára em andares a partir do 39, e o edifício estava deserto. Após uns instantes, White sentiu um tranco. As luzes se apagaram e então acenderam novamente. Aí o elevador parou.
O painel de controles fez um bipe e White prestou atenção. Esperava que alguém daria instruções. Não veio nada. Ele apertou o botão do interfone, não houve resposta. Apertou novamente e deu de caminhar pelo elevador. Após um tempo, apertou o botão de emergência e disparou um alarme armado na parte superior do elevador. Ele percebia que o alcance era limitado. Apertou mais algumas vezes. Decidiu tirar o botão de forma que o alarme disparou continuamente. Algum tempo passou. Ele não sabia quanto pois não tinha consigo relógio ou celular.
White se ocupou pensando em manter a calma. Achou melhor não fazer nada de drástico. Não importava o defeito, ponderou que era melhor não balançar o elevador. Considerou prudente, rindo consigo mesmo, agir como um empregado padrão preso naquele carro. Tinha esperanças de parecer tranqüilo quando alguém chegasse. Não queria levar uma bronca por ter-se posto em perigo ou por ter danificado propriedades da empresa. Tampouco queria ser flagrado fumando caso as portas abrissem repentinamente. Tinha duas pastilhas de antiácido, que não mascou com medo de que o desidratassem.
O alarme tocava e tocava e White sentiu medo de que talvez – eletricidade? Fricção? Calor? – ele provocasse um incêndio. Houve um princípio de incêndio uns tempos antes e a equipe da BusinessWeek teve de descer pelas escadas 43 andares. Ele começou a ouvir oscilações inexplicáveis no ruído do alarme: alucinações auditivas. Aí, começou a considerar a possibilidade de que viria a morrer.
A fantástica reportagem sobre elevadores na New Yorker conta a história de White preso por quase 42 horas num elevador. Sua experiência foi registrada em filme, devidamente acelerado para quem quiser assisti-lo.
Tags: Pop
Como era o rosto de Leonardo da Vinci?
2/April/2008 · 25 Comentários
Leonardo da Vinci produziu mais de 700 retratos que chegaram a nós. Destes, 120 eram de homens adultos.
Mas como saber suais são auto-retratos? O holandês Siegfried Woldhek é um ilustrador e militante do World Wildlife Fund. Ele se pôs a descobrir.
Primeiro, descartou os retratos de perfil. (Auto-retrato é sempre de frente ou de três quartos.) Aí, tirou fora aqueles retratos vagos ou estilizados. (Auto-retratos costumam ter muitos detalhes, já que o próprio artista está pacientemente posando.) Como seus contemporâneos diziam que Leonardo era um sujeito bonitão, descartam-se também os sujeitos feios. (Nosso padrão de beleza, afinal, é ainda um bocado renascentista.)
Os três retratos que sobram são obviamente da mesma pessoa. Um é o auto-retrato contestado de Leonardo aos 63 anos; outro é o Homem Vitruviano. Um terceiro é um óleo chamado ‘O Músico’ que mostra Leonardo aos 33 anos.
O dia que corre
1/April/2008 · 37 Comentários
Google e Virgin anunciam planos para uma colônia humana em Marte. Se chamará Virgle.
Qualquer um pode se inscrever para a viagem.
(O anúncio, em vídeo.)
Tags: Pop · Tecnologia
Adventures na Internet
pré-Web, um documentário
28/March/2008 · 30 Comentários
No Bloco I do Centro de Tecnologia da UFRJ, logo depois de passar a Coppe, havia uma sala cheia de computadores ligados à Internet lá por 1992, 93. É onde os estudantes de engenharia eletrônica passavam suas tardes, perdidos entre MUDs e MOOs, jogos de aventura em texto, interagindo com tantos num mundo sem Web.
Os text adventures viraram documentário.
Tags: Artes · Pop · Tecnologia
Britney Spears, uma revista séria
e os brasileiros que a perseguem
18/March/2008 · 150 Comentários

Britney Spears está na capa da Atlantic Monthly. A maioria dos leitores, passando assim pela banca de jornal impunes, talvez nem o percebam. Os leitores da Atlantic, no entanto, que lembram sempre dos 150 anos da revista que publicou gente do quilate de Mark Twain para cima, sempre as melhores mentes, ficaram chocados.
Quando a Atlantic põe Britney Spears na capa parecendo assim querer vender revista mais fácil, é porque o mundo se perdeu de vez.
Mas é uma baita reportagem a que está lá dentro. Não sobre Britney, diga-se, mas sobre a turba cujo trabalho é segui-la 24 horas por dia. Sobre a cultura de paparazzi e como ela surgiu em Los Angeles. E também sobre como ela é dominada por brasileiros.
Sim.
Britney raspando a cabeça, Britney atacando um fotógrafo, Britney deixando o carro sem calcinha – todos os momentos do lento processo de loucura de Britney Spears foram registrados por brasileiros que têm por chefe um francês: François Navarre, o fotógrafo que chegou em Los Angeles em 1992 para cobrir o levante dos subúrbios negros após o espancamento de Rodney King para o prestigioso Le Monde.
Navarre tentou viver como fotógrafo na cidade. Por mais que fotografasse gangues, não vendia uma foto. Hoje é dono da X17, a agência de notícias que emplaca nove em cada dez fotos nas capas dos tablóides. Hoje, a X17 contrata algo entre 60 e 70 fotógrafos que ganham algo como 800 e 3.000 dólares por semana.
É fim da tarde e os paparazzi da Mulholland Drive esperam à entrada da garagem subterrânea do Hotel Four Seasons enquanto esperam por Britney. É uma cena já vista em todos os hotéis de Beverly Hills. ‘Ela ficava no Bel-Air, depois no Peninsula, agora vem muto ao Four Seasons’, conta Félix Filho, o líder do time da X17 que fica na cola de Britney. Eles são conhecidos no ramo como ‘os brasileiros’, o grupo de oito fotógrafos que, juntos, já passaram mais de 40.000 horas seguindo cada passo de Britney enquanto registravam algo como 6 milhões de dólares em imagens exclusivas. Quando Britney cumprir sua aparente sina e morrer numa batida de carro ou numa overdose de remédio, estes oito estarão lá e não perderão uma foto.
É um trabalho, eles dirão. Compram suas máquinas digitais em várias parcelas na mais barata das lojas americanas, têm uma vaga noção de como fotografar, estão prontos para o serviço.
Lindsay Lohan nua
como Marilyn Monroe22/February/2008 · 132 Comentários
Há algo de perturbador no trio Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan. São as moças mais freqüentes nas fotos de papparazzi norte-americanos. Estão com freqüência nas capas dos tablóides.
De Paris, com freqüência parece, não dá para esperar nada. É uma porta fútil, coitada. Sequer é atraente.
Britney já foi bonitinha e sofre horrores, é cada vez mais evidente, com a contínua exposição. Está decaindo a olhos vistos num processo de enlouquecimento e descontrole. Assisti-la é um teatro de horrores. Quanto pior fica, mais atrai certos setores da imprensa; quanto mais os atrai, mais piora. A AP já encomendou seu funéreo, o obituário, porque desconfia que pode morrer de repente. Ela tem 26 anos.
Por fim há Lindsay Lohan, tão pirada quanto ambas, musa de filmetes adolescentes, e agora nua com lenços translúcidos na New York Magazine em fotos do mestre Bert Stern. Stern recriou o ensaio que fez com Marilyn Monroe em 1962; foi o último ensaio de Marilyn, ela cometeria suicídio três dias após.
As fotografias de Lohan são estupendas.
No ensaio de 62 – e o próprio texto da revista o comenta – Marilyn estava exposta. Não apenas nua como também embriagada de Möet Chandon. É como se ela entregasse os pontos. Se as lentes querem a violação, ela desiste. Permite. E sorri. É impossível pensar no ensaio ousado como aquele sem lembrar do que aconteceu três dias depois.
Enquanto Britney Spears definha a olhos vistos, Lindsay Lohan posa para Bert Stern exatamente como Marilyn fez. Os papparazzi cansaram de buscar sua calcinha num sair de carro, o mamilo que saltava do vestido apertado, o momento de feiúra numa manhã apressada. Então, agora, ela mostra tudo. Repete um dos gestos finais de Marilyn em vida.
Lindsay Lohan, assim, surpreende. Porque ela está fazendo um comentário a respeito da cultura popular. Está mostrando a posição, o ponto, em que a cultura de celebridades quer vê-la. No último ensaio de Marilyn Monroe. Mas Lindsay não virou três garrafas de Möet Chandon. Deixou-se fotografar sóbria. Está sendo irônica. Inteligente. O ensaio é uma piada. ‘É assim, a um passo do suicídio que querem me ver?’, ela parece perguntar. ‘É preciso que me exponha ao máximo?’, indaga? Aí se mostra. Sóbria, ousada. Acaba de virar a mesa.
Essa moça está para virar um baita ícone pop.
Está deixando a seara das estrelas adolescentes e celebridades de tablóides para subir alguns degraus. E, neste passo, derrubou o site da New York Magazine dado o número de visitas por conta do sucesso das fotos; gerou de imediato 500 novas assinaturas para a revista. Celebridade nua, na Internet, tem às pencas. Incluindo a própria Lindsay. Que ninguém se engane: para derrubar site de revista importante, hoje em dia, é preciso muito mais do que nudez. É preciso uma boa dose de surpresa, de ousadia. E de inteligência.
E, ao que parece pelos comentários, todos discordam de mim. Mais provável que eu esteja errado e vivendo um delírio agradável… =))
Tags: Pop
Os Beatles alternativos
14/February/2008 · 43 Comentários
Em fevereiro de 1964, os Beatles se apresentaram no Ed Sullivan Show, o programa de maior audiência da televisão norte-americana.
Foi o suficiente para o grande estouro.
A indústria fonográfica, que não era sofisticada em suas técnicas de marketing como hoje, mas já tinha lá seus impulsos, se pôs de presto a lançar no mercado toda sorte de imitações: Os Liverpools, Os Manchesters, os Wyncote Squirrels e a verão feminina, as Beatle Buddies.
O blog da rádio norte-americana WFMU está apresentando uma lista de gravações desta turma, os seguidores perdidos dos Beatles. Já estão no ar as partes um, dois e três. A caminho da próxima.
Uma entrevista aos sábados
9/February/2008 · 33 Comentários
Eu já tinha criado o Quarteto Fantástico e, se não me engano, o Hulk, e as revistas estavam vendendo bem. Meu editor me procurou e comentou ‘que tal imaginar outro super-herói?’ Eu disse ‘ok’. Fiquei sentado à mesa tentando pensar num e vi essa mosca andando pela parede e aí pensei, ‘nossa, não seria legal se um herói pudesse andar pelas paredes como um inseto?’ O maior problema quando você cria um super-herói é que superpoder você vai dar para ele. É que todos já foram imaginados. Então imaginei que alguém que grudasse nas paredes como inseto seria legal. Daí precisei de um nome. Que tal Homem Inseto? Não parecia dramático. Homem Mosquito? Nah. Fui fazendo uma lista. Quando cheguei em Homem Aranha, aquilo soava dramático. Homem Aranha!
Primeiro dei ele para o Jack Kirby desenhar, mas o Jack sempre fazia esses tipos heróicos, como o Capitão América. Eu disse ‘Sabe, Jack, eu queria que esse cara, Peter Parker, mais parecido com um adolescente típico. Não faz ele como um super-herói musculoso.’ Mas acho que o Jack já estava tão acostumado a desenhar aquele tipo de gente que, depois de ele esboçar uma página ou dias eu olhei e disse ‘olha, por aí não vai’ e falei ‘deixa pra lá, Jack, vou passar para outro’. Ele não ligou. Ele tinha muito trabalho e não sabíamos que esse personagem ia ficar tão importante. Então dei pro Steve Dikto, que tendia a fazer uns desenhos um pouco mais realistas. Ele fez um esboço e não interferi muito com o uniforme. O uniforme do Homem Aranha é obra do Steve.
Se eles não tiverem defeitos, ficam desinteressantes, unidimensionais. Se o personagem nunca faz nada de errado, se é perfeito, não desperta interesse. Sempre tentei imaginar personagens realistas e apenas dar a ele um atributo incrível. Fora isso, devem despertar empatia. Você vê o Super-Homem. Nenhum leitor se preocupava com o Super-Homem porque saia que não poderia machucá-lo. É por isso que o Homem Aranha sempre vendeu mais que o Super-Homem. E é por isso que os caras acabaram inventando a kriptonita. Eles perceberam que ficava difícil criar suspense sem uma vulnerabilidade. Aquiles, sem seu calcanhar, não ia ser lembrado por ninguém.
Stan Lee, 2006
A incrível história dos gêmeos siameses
6/February/2008 · 32 Comentários
A Biblioteca Nacional de Medicina, dos EUA, abriu uma grande exposição sobre o fenômeno dos gêmeos xifópagos – aqueles, univitelinos, que nascem de alguma forma ligados fisicamente.
Os relatos mais antigos vêm do finzinho da Idade Média e início da Renascença. Foi no renascimento que surgiram os primeiros best-sellers e os livros que causavam fascínio eram aqueles que relatavam grandes mistérios a partir de viagens a terras desconhecidas, talvez, ou mesmo de terrenos conhecidos.
(Marco Pólo foi um best-seller; em seu livro a respeito da viagem à China, descreve num momento o unicórnio que ele garantia existir. Era um rinoceronte.)
Gêmeos xifópagos atraem desde então. Sugeriu-se que eram filhos de mães que tinham tido pensamentos impuros. Ou que haviam tomado um susto. Eram sinal de má sorte para a comunidade em que surgiam – como, por exemplo, Verona, na Itália, onde em por volta de 1475 viveram duas moças unidas do ombro à bunda que dividiam entre si os rins. Ambroise Paré as descreve em seu livro Sobre monstros e prodígios. No caso destas moças, elas transformaram-se em renda para os pais, que as exibiram Itália afora. (Vai que a tragédia do amor suicida dos mui jovens Romeu e Julieta nasceu, ali em Verona, da má sorte destas.)
Os medos e receios supersticiosos de um tempo foram superados pelo showbiz circense do séculos 19, princípio do 20. São desta época Chang-Eng Bunker, os dois rapazes nascidos no Sião (hoje Tailândia) em 1811 que em 1829 foram levados à Inglaterra e depois EUA para serem apresentados ao público.
São os famosos ‘Gêmeos Siameses’ – e, por siamês, referiam-se ao Sião.
Chang-Eng largaram a vida de circo, assentaram numa cidadezinha da Carolina do Norte onde compraram uma loja. Lá, casaram-se com as irmãs (não siamesas) Sallie e Adelaide Yates. Dividiam uma mesma casa e uma cama muito grande. Chang e Adelaide tiveram 10 filhos; Eng e Sallie, 11. (Como as irmãs brigavam muito, acabaram decidindo por duas casas separadas; os gêmeos passavam três dias numa, três na outra.)
A primeira separação cirúrgica de xifópagos se deu em 1690 – mas, no caso, tratavam-se de irmãs ligadas apenas por pele e cartilagem. Apenas da década de 1950 para cá é que tais cirurgias são feitas com freqüência e terminam com a sobrevivência de ambos.





