A Véspera 06. A avó de Barack Obama, Madelyn Dunham, morreu estar tarde, no Havaí, vítima de um câncer.
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Morre avó de Obama
3/November/2008 · 49 Comentários
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Até o último segundo
3/November/2008 · 51 Comentários
A Véspera 05. A expectativa é de que mais de 60% dos eleitores norte-americanos votem nestas eleições. Se acontecer, é um resultado surpreendente. Indica vontade de tirar George W. Bush da presidência tão rápido quanto possível. Pode bater o recorde de 1968. Pode ser a maior presença de eleitores dos últimos cem anos.
Se for um percentual realmente muito alto, problemas práticos podem acontecer. Filas intermináveis que atrasem o início da contagem. Falta de cédulas.
Não à toa, nos últimos dias John McCain tem falado mal de Bush para todo mundo que quer ouvir.
McCain está falando agora na Pensilvânia e as tevês estão transmitindo. Está fluente, inspirado, relaxado, bem-humorado, se divertindo como não parecia faz um bom tempo. A impressão é confirmada pelos repórteres que o acompanham. Que ninguém negue o fato: ele luta, e luta até o final, não importam os revezes.
Obama, por sua vez, tem se dedicado nos últimos tempos a fazer as pazes com os Clinton. Hillary esteve presente em quase 40 eventos pró-Obama, entre arrecadação de fundos e discursos ao público geral. Bill Clinton, desde setembro, foi a 20 eventos. Não é pouco – estão dedicados ao ponto de que ninguém poderá acusá-los de não ter investido o máximo no caso de uma derrota. Mas Clinton, o ex-presidente, não está de todo feliz. Obama não o procura para pedir conselhos sobre como conduzir sua campanha ou sobre como governar.
Obama não precisa: mesmo que perca, amanhã, conduziu uma campanha presidencial impecável.
∞ Hoje, a campanha está a pleno vapor. Ambos não param. Até o último segundo.
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Aborto, casamento gay e Washington
3/November/2008 · 43 Comentários
A Véspera 04. Quem acompanha a eleição nos EUA fica a impressão de que questões como aborto ou casamento gay mobilizam grande parte da população. Um estudo do professor Morris Fiorina, aqui de Stanford, mostra o contrário.
Apenas 10% dos democratas e 22% dos republicanos acreditam que o aborto deveria ser terminantemente proibido. E 23% dos democratas e 37% dos republicanos acreditam que em casos extremos – estupro, incesto, risco para a mãe – ele deve ser legal. (A matemática não é difícil: 41% dos republicanos acreditam que casos não extremos também podem justificar um aborto.)
A pergunta curiosa é outra: quando você vai votar, a questão do aborto é muito importante na sua tomada de decisão? Para 43% dos democratas, sim. Para 15% dos republicanos, também. (Para 85% dos eleitores republicanos, o aborto não é uma questão que lhes atormente as noites insones.)
A mesma pergunta aplicada aos direitos de homossexuais: 34% dos democratas acham a opinião do político a respeito de direitos gays fundamental; 33% dos republicanos concordam. (Democratas, evidentemente, buscam políticos que apóiam assuntos como o casamento gay; republicanos querem o oposto.) Mas isso quer dizer, também, que para 65% dos eleitores, o assunto não é tão relevante assim.
A economia, a segurança, saúde, educação, vêm bem à frente.
Amanhã, a Califórnia decide de uma vez por todas se o casamento gay será permitido no estado. Um NÃO na proposição 8 legaliza de vez. Um SIM o proibe terminantemente. A campanha pró-gays lembra a da Apple:
∞ Lembra de forma autorizada, diga-se. Apple e Google fizeram doações em dinheiro para a legalização. Em ambas as empresas, casais homossexuais tem os mesmos benefícios que os heterossexuais.
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‘McCain não me entende’
3/November/2008 · 3 Comentários
A Véspera 03. Em conjunto com a AP e o Yahoo!, a Universidade de Stanford vem monitorando um mesmo grupo de eleitores faz um ano para observar como mudam sua opinião a respeito de política e por que mudam.
Em sua maioria, eles percebem Barack Obama como um homem inexperiente. O que mudou nos últimos meses é o peso que a ‘inexperiência’ tem em suas decisões. Eles não consideram mais um fator decisivo na hora de escolher em quem votar.
Um dos motivos da mudança foi a decisão de John McCain de colocar Sarah Palin como vice. Ela também é ‘inexperiente’. Ao abandonar seu argumento apontando a inexperiência do adversário, McCain pode ter cometido um erro tático. Mas o segundo motivo é a crise econômica.
Uma das perguntas que a pesquisa tem feito é: qual dos dois candidatos compreende melhor os problemas do americano comum?
Em junho, Obama recebeu 45%; em setembro, 49%.; no início de outubro, 50% e, há uma semana, 53%. McCain, por sua vez, foi de 32% a 41% a 36% e, finalmente, 33%.
Ao longo dos últimos meses, a campanha de McCain procurou (e conseguiu) colar em Obama a idéia de que ele é inexperiente. Também tentou colar a idéia de que é elitista. Nisto, não houve jeito. E esta questão, a de que ‘McCain não entende minhas dificuldades’, é seu calcanhar de Aquiles na eleição.
É daí que vêm os votos de brancos que, em geral, votam no Partido Republicano.
∞ Americanos investem na bolsa de valores por dois motivos. A primeira poupança tem por objetivo pagar a faculdade dos filhos. A segunda, financiar sua aposentadoria. Homens, brancos, com algo entre 45 e 65 anos, precisam deste dinheiro agora e ele desapareceu.
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O voto branco e Barack Obama
3/November/2008 · 11 Comentários
A Véspera 02. Quando Lyndon Johnson assinou, em 1964, leis proibindo a segregação racial nos Estados Unidos, seu Partido Democrata perdeu de vez o voto dos brancos. Desde então, não houve um único candidato republicano que não tenha vencido o voto entre norte-americanos caucasianos. Em média, apenas 39% dos eleitores brancos votam nos democratas.
Esta eleição não será diferente.
Mas o que as pesquisas nacionais têm mostrado é que Obama tem 44% dos votos dos brancos. Entre as minorias, é favorito: dois em cada três latinos votam nele e nove em cada dez negros. Mas isso não surpreende entre candidatos de seu partido. Tampouco elege alguém.
∞ Se ele vencer, é bem possível que tenha sido por conta daqueles votos brancos extras.
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O Weblog começa hoje sua cobertura
especial das eleições norte-americanas
3/November/2008 · 5 Comentários
A Véspera 01. (O post errado entrou aqui previamente – mea máxima culpa.) Começa hoje, aqui e no Biscoito Fino a cobertura da eleição norte-americana. Só acaba quando houver um novo presidente.
Este ano, as chances de um empate como o que houve na Flórida, em 2000, são mínimas. Em números: 3,74% de possibilidade.
As chances de Barack Obama perder no voto popular também são mínimas. John McCain, a se contar as últimas pesquisas, só tem 5,41% de chances de vencer a eleição direta.
Al Gore venceu o voto popular em 2000. O resultado que vale é o do Colégio Eleitoral.
As contas são de Nate Silver, o estatístico à frente do blog FiveThirtyEight.com.
Silver traçou alguns cenários nos quais John McCain pode terminar sendo o próximo presidente dos EUA. Obama é franco favorito.
∞ Mas, amanhã, qualquer coisa pode acontecer.
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Open thread da semana que começa
3/November/2008 · 110 Comentários
Esta semana acabam as eleições norte-americanas.
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Eleições EUA: E um dia Sarkozy ligou para Sarah
2/November/2008 · 10 Comentários
Edição 24 | domingo 2 – Que ninguém negue a John McCain o mérito de que ao menos tenta mostrar bom humor numa situação difícil. Ontem, lá estava ele no Saturday Night Live, principal programa de comédia da tevê norte-americana. ‘Sou realmente diferente’, comentou com um meio sorriso, ‘um republicano sem dinheiro.’
♦ O problema é que, por mais divertido que tenha sido – e McCain não é exatamente um bom comediante – o humor essencial do fim de semana é o trote que Sarah Palin recebeu. Do outro lado da linha estava o comediante canadense Marc-Antoine Audette. Mas ele dizia ser Nicolás Sarkozy, presidente francês. ‘Nós temos muito em comum’, ele diz. ‘Gostamos de caçar, adoramos tirar vidas.’ Sarah ri. ‘Só precisamos nos lembrar de não levar o vice-presidente Cheney’, complementa. Sarkozy, com forte sotaque, logo explica que sua mulher Carla Bruni – ‘que é quente na cama’ – fez uma música para Sarah. A vice de McCain adora. Mesmo quando o falso Sarkozy sugere ter adorado o documentário sobre a vida da governadora – o pornô Nailin’ Paylin – ela ri um quê sem graça, sem certeza de ter compreendido tudo pelo sotaque.
♦ Faltam dois dias para a eleição de terça-feira e todos os olhos estão voltados para o mapa. Pressionado a anunciar na tevê no mesmo ritmo de seu adversário, McCain tirou recursos de seus comitês espalhados pelo país para comprar minutos. Isto pode se tornar um problema. Aqui, votar não é obrigatório. No dia da eleição, a dificuldade é convencer eleitores a sair de casa para depositar a cédula na urna. McCain precisará de muitos voluntários, principalmente nos estados-chave. Esta promoção do voto é aquilo com o que ambas as campanhas se preocupam no momento.
♦ Estados-chave? Que rolem os tambores: a chave para a eleição presidencial de 2008 são Virgínia, Pensilvânia, Ohio, Flórida, Colorado e Nevada. Na terça, as primeiras urnas fecham em Indiana e Kentucky, às 21h de Brasília. No primeiro, dá empate; Kentucky é McCain fácil. Na seqüência, às 22h, vêm Virgínia, Carolina do Sul, Geórgia e Flórida. No pior cenário, as urnas de Nevada fecham 1h do dia 5. Eu e o Luiz estaremos comemorando nossos aniversários, a essa altura, e bem possivelmente já saberemos quem é o novo presidente norte-americano. O Weblog estará ao vivo. (E cá vai um mapa com os horários.)
∞ Na Flórida, a vida não está fácil para os deputados republicanos Mario e Lincoln Diaz-Balart. Suas eleições seguem apertadas. Os dois, sobrinhos de Fidel Castro, são os baluartes políticos dos cubanos anti-castristas. O fato de que a comunidade cubana já não vota mais fácil neles é indício de que a preocupação com a Ilha está diminuindo na Flórida. Se ser anti-Fidel já não é mais fundamental para ganhar os votos do estado ao sul, presidentes dos EUA começam a ligar menos para a questão.
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Uma lição do Xico Vargas…
1/November/2008 · 79 Comentários
…sobre as eleições brasileiras como elas são na prática:
Entre uma taça e outra de vinho, poucas é verdade, uma amiga me relatou sua alegre experiência como mesária numa seção eleitoral de Laranjeiras, bairro rico em história, na Zona Sul da cidade. “Fraudei uns 70 votos pro Gabeira”, contou com toda a inocência do mundo.
Simples, ela disse, para minha surpresa maior ainda: o presidente da mesa era um velhote que não parecia estar com muita vontade de ficar ali. Quando chegou perto de meio-dia, mandei ele almoçar e disse que não precisava ter pressa. Era tudo o que ele queria. Pedi que a terceira mesária ficasse na porta para recepcionar quem chegasse. Ficou apenas mais uma moça na mesa. Aí, foi só combinar. […]
“Se houve isso para o Gabeira nessa seção, deve ter havido em outras”, ponderou um dos presentes. “E deve ter havido o mesmo para o Eduardo Paes em outras tantas”, completou. Claro, concordamos todos. “Fizeram a urna perfeita e esqueceram de aperfeiçoar o ser humano”, concluiu um outro amigo para a gargalhada geral.
dica do Fabio Negro
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Eleições EUA: Obama em meia hora
30/October/2008 · 146 Comentários
Edição 23 | quinta-feira 29 – Foi ao ar, ontem à noite, o comercial de meia hora da campanha de Barack Obama à presidência dos EUA. Todas as redes pararam para transmitir – e um bom dinheiro foi pago por conta. Foi uma meia hora especial: imediatamente antes da final do beisebol, a World Series. (Os Phillies, da Filadélfia, são campeões.)
♦ Obama em meia hora:
♦ A campanha de John McCain reclamou muito. ‘Quando for presidente, jamais atrasarei a World Series’, chegou a dizer. (Obama não a atrasou.) McCain tem mais é que reclamar e torcer para que prestem atenção. Ele não tem escolha. Era tudo o que ele próprio queria.
♦ É um baita filme. Utilizando a linguagem dos documentários jornalísticos típicos da tevê norte-americana, passa pelos problemas do cidadão comum – no momento, não são poucos – e oferece uma mensagem de esperança. Fazer um baita filme publicitário, quando se tem dinheiro, não é difícil. Não há nenhum mérito em tê-lo feito. Tampouco supreende. Dinheiro, numa campanha eleitoral, faz muita diferença. Obama tem dinheiro. McCain, não.
♦ Há alguns motivos para Obama ter dinheiro e McCain, não. Um é que a mensagem do Partido Democrata, nesta eleição, inspira. Não é culpa de McCain que os republicanos não consigam o mesmo. É culpa de Bush. Desde o início da campanha, em 2007, McCain desperdiçou dinheiro à toa com aluguel de jatos, ônibus caros, superconsultores. Chegou ao ponto de não conseguir pagar as contas por volta de novembro do ano passado. Alguns analistas sugerem que a incapacidade de John McCain de gerenciar os recursos de sua campanha sugerem incapacidade de gestão.
♦ McCain também não sabe usar a Internet para arrecadar fundos e organizar o trabalho de voluntários. Aí, talvez seja exagero dizer que é sua culpa. Hillary Clinton também não sabia e isto mostrou-se decisivo em algumas primárias chaves. Aproveitando-se do time que havia desenvolvido certas ferramentas para Howard Dean, em 2004, Obama conseguiu produzir uma máquina de arrecadação e organização de voluntários e profissionais invejável, jamais vista numa campanha política.
♦ Nas últimas duas semanas, a campanha de John McCain tem vivido brigas internas. Defensores de Sarah Palin acusam uns de estarem a boicotando; outros acusam Palin de estrelismo. Alguém vazou internamente seus gastos com guarda-roupas. O mesmo ocorreu na campanha de Hillary Clinton quando ela disputava cada centímetro com Obama nas primárias. Brigas internas vazavam, pessoas eram demitidas. Ofereça à imprensa carniça que ela aceita com gosto e publica tudo.
♦ Barack Obama não falou rigorosamente nada de novo em seu infomercial de meia hora. Repetiu o que vinha dizendo completando apenas com fotografia bonita, música agradável e um cenário que lembra o Salão Oval da Casa Branca – tudo truque publicitário. Mas esta é a história de John McCain e Barack Obama nos últimos dois anos. Obama é consistente, constante. McCain é errático. Muda os assessores. Muda as prioridades. Muda o discurso. De um inconformado pragmático foi buscar apelo na direita religiosa; de ‘os fundamentos da economia estão fortes’ foi para ‘Obama não sabe do que está falando em economia’. Fala antes de ter certeza que seus assessores investigaram de todo. Joe, o encanador, não era encanador, devia impostos, não era indeciso, e mentiu a respeito de sua renda.
♦ Se há uma lição em toda a campanha é que, enquanto gerente, Barack Obama é extremamente disciplinado, mantém sua equipe em sintonia e gerencia muito bem os recursos que têm. McCain é o contrário. O resultado é este, hoje. Confiando no apelo de sua mensagem para possíveis doadores e na capacidade de gerenciamento de recursos de sua campanha, Obama abriu mão de dinheiro federal para a campanha. Fez tudo com caixa próprio. E, no fim, teve dinheiro para produzir a maior propaganda eleitoral da história.
∞ A eleição é terça-feira.
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Se as eleições dos EUA…
29/October/2008 · 18 Comentários
…fossem um concurso de dança.
dica do Ken Fujioka
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Israel, Palestina, Irã e a surpresa de novembro
28/October/2008 · 38 Comentários
Alguns neoconservadores aqui nos EUA e um bocado de gente na imprensa e na política de Israel vem falando muito de uma ‘surpresa de novembro’. É um ataque israelense, com a benção de Washington, aos possíveis laboratórios iranianos no quais estão desenvolvendo armas nucleares.
Mas fora as opiniões de analistas, nada no mundo real indica que a possibilidade existe. Pouco antes de deixar o cargo de premiê, Ehud Olmert deu uma entrevista ao Yedioth Ahronoth, maior diário do país, falando o que nenhum primeiro ministro jamais havia dito. Primeiro, que Israel tem que deixar a Cisjordânia. Idealmente, deixar a Cisjordânia toda. E, segundo, que bombardear o Irã não é uma alternativa realista. Com os EUA à beira de uma recessão (ou já em meio a ela, depende de quem vê), Israel não teria apoio logístico ou militar.
O problema é de ordem prática: o Irã já sabe enriquecer urânio e isso não vai mudar. Qual a opção? Se os EUA, que são de longe a maior potência militar do planeta, mal agüentam com o Iraque e o Afeganistão, quem arriscará botar abaixo mais um país na região? Após o ataque, o Irã entrará em crise. (E não custa lembrar um fato curioso mas poucas vezes mencionado: a população de mais islâmico no Oriente Médio mais pró-EUA é a do Irã.)
Há variáveis na história, evidentemente. Ainda não se sabe quem será o próximo presidente norte-americano, se Barack Obama ou John McCain. Um já deixou claro que vai negociar; o outro, que considera carinhosamente a opção militar. Também não se sabe quem estará no governo israelense em 2009. Se for Tzipi Livi, o resultado e o Kadima se mantiver no poder, a negociação estará aberta. Se, no entanto, Benjamin Netaniahu voltar ao poder com seu Likud, os tambores belicistas estarão à toda.
(Mahmoud Abbas também está para deixar o governo, na Cisjordânia.)
Muitos dos principais assessores de Barack Obama nas relações internacionais são professores aqui de Stanford que, em janeiro, devem se mudar para Washington enquanto Condolleezza Rice prepara seu retorno. Quando perguntados – e tomando a cautela de não identificar quem o diz pelo nome –, a avaliação que fazem do conflito entre Israel e Palestina é o seguinte: em nenhum outro conflito do mundo há tanto empenho diplomático. Alguns dos melhores diplomatas do mundo já se debruçaram sobre a questão. É hora de se perguntar se não é hora de parar.
O raciocínio não é dos mais complicados: israelenses e palestinos são um problema. E não param de causar problemas. E, às vezes parece, se recusam a encontrar uma solução. Mas o deles não é o único conflito sério no mundo, tampouco é o único que deixa mortes. Talvez os melhores recursos diplomáticos estejam sendo jogados fora quando poderiam estar sendo melhor aplicados em outros cantos.
Um homem como Ehud Olmert não diz que é hora de fazer a paz com a Síria, deixar a Cisjordânia, indenizar os palestinos e cogitar outra solução para o Irã à toa. Ele percebe que, se Obama vencer, o foco de preocupação norte-americana pode mudar.
Isso não quer dizer que vá mudar. Não é o lobby judaico nos EUA que é forte, embora tenha influência. Boa parte dos eleitores judeus, aqui, são democratas e, embora se preocupem com Israel, querem a paz com a Palestina como prioridade. Mas os velhinhos judeus da Flórida são mais conservadores, equilibram-se entre um partido e outro, e aquele é um estado decisivo para a eleição presidencial. Os velhinhos judeus da Flórida, assim como os cubanos da Flórida ou os militares aposentados da Flórida e tantos outros grupos demográficos daquele estado deixam as campanhas de McCain e Obama em pânico. E, a cada quatro anos, eles são necessários novamente. Obama precisaria vencer por uma larga margem para poder dispensar este apoio em sua (talvez) campanha de reeleição, daqui a quatro anos.
Por uma larga margem, ele provavelmente não vencerá.
No caso do Irã, há uma boa notícia: além de a Síria estar (aparentemente) cada vez mais envolvida num processo de paz, o preço do petróleo está baixando. Isto quer dizer que o poder de Vladimir Putin vai lentamente desaparecendo. Se o barril cair mais uns vinte dólares, o governo russo estará mais preocupado em manter-se no poder do que em incentivar o pior lado iraniano.
Cá está um fim de ano com muitas variáveis. Qualquer chute vale.
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A vitória de Fernando Gabeira
27/October/2008 · 203 Comentários
Desde que foi anunciada a vitória de Eduardo Paes, venho recebendo emails meio deprimidos. Há comentários, nos posts do Weblog, que indicam o tamanho da fossa. Mas, daqui de longe, não estou triste, não. Chateado, claro. Triste, de forma alguma. Ontem, ocorreu um fenômeno muito importante no Rio de Janeiro.
Em janeiro deste ano, quando o Weblog lançou a campanha para que Fernando Gabeira se apresentasse como candidato, as perspectivas eram negras. Lideravam as pesquisas de intenções de voto Marcelo Crivella e Wagner Montes. Perante ambos, a vitória de Eduardo Paes não é terrível.
E o fato de que Gabeira chegou tão perto, a 50.000 votos, numa eleição 50.8% vs 49.2, tem muito mais significado do que pode parecer à primeira vista.
Há muitas explicações para sua derrota. O feriadão inventado pelo governador? É claro que ajudou o tamanho das abstenções e, num país um tantinho mais sério, poderia ser matéria de um processo judicial tremendo. Mas a Justiça Eleitoral teria que ter se manifestado e não cumpriu sua obrigação. O comentário de que Lucinha, a vereadora, é ’suburbana’ e ‘analfabeta política’ que o deputado fez ao telefone e que foi entreouvido por dois repórteres? O candidato vacilou e perdeu alguns votos preciosos ali. Indícios de fraude eleitoral? Não há uma eleição no Rio de Janeiro que não tenha alguém, em algum grotão, que chegue com uma mala de dinheiro para que se providencie um número xis de votos. Fraudes sempre existiram e, no tempo da urna eletrônica, são em geral impossíveis de serem traçadas. É um defeito do sistema que o TSE se recusa a reconhecer. A campanha suja, sujíssima, de Eduardo Paes? Tenho certeza de que virou alguns votos preciosos.
Se algumas destas razões não estivesse presentes, Gabeira talvez tivesse sido eleito. Mas a verdade fundamental desta eleição carioca de 2008 não teria mudado: a cidade rachou em duas. É uma cidade polarizada. Um lado não se reconhece na outra.
A cidade partida, enfim, se realizou politicamente.
Meu argumento é que isto é bom. Os principais problemas do Rio têm origem no fisiologismo. Fisiologismo sempre houve. Mas foi estruturado nos tempos em que Antônio de Pádua Chagas Freitas foi governador, entre 1979 e inícios de 83. Leonel Brizola sofisticou o processo. O fisiologismo corrói a estrutura política de um lugar. Para o político fisiológico, o que interessa é a ineficiência do Estado.
Quando o Estado não cumpre seu papel, o político fisiológico transforma a obrigação legal num favor pessoal. E lá se vai uma rua asfaltada, um atendimento médico gratuito, uma cesta básica. O fisiologismo é brutal no Rio. Entre numa favela carioca, e lá está o ‘Centro Social Vereador Fulano de Tal’. Os médicos, assistentes sociais ou prestadores de favores quaisquer que trabalham nestes locais são pagos com dinheiro público, da verba de mais de 20 assessores que cada parlamentar tem o direito de ter. Como cinco tocam bem qualquer gabinete, o resto é lucro.
A troca de favores, entre parlamentares, entre Executivo e Legislativo, é essencial para a prática da política. ‘Voto em seu projeto em troca de apoio ao meu.’ Mas a mecânica que vai corroendo o Estado por dentro faz com que, na prática política, não sobre nada além da troca de favores. O papel fundamental de fazer com que o Estado sirva à sociedade se perde. A política vira um jogo brutal e começa a atrair os piores elementos. Repentinamente, é quem pratica o crime, os chefes de milícias, traficantes, quem viram políticos. A milícia não sobrevive numa favela integrada à cidade.
Quando Gabeira disse que Lucinha era uma analfabeta política, era isto que queria dizer. Ela, como muitos outros vereadores, como quase todos os deputados estaduais, não entendem política de outra forma. Este é o mundo no qual foram criados.
Ontem aconteceu algo de diferente, no Rio de Janeiro. Há oito anos, também houve uma eleição árdua, disputada voto-a-voto. Mas, naquele pleito entre Cesar Maia e Luis Paulo Conde, as armas que decidiram a disputa foram fisiológicas. É o panfleto sujo, a promessa de favores para aliados políticos, uma briga feia, sem ideologia, sem projeto. O resultado do loteamento eleitoral daquela eleição foi o governo que enfrentamos desde 2000. Não será diferente com Eduardo Paes.
Fernando Gabeira provou que um tipo de campanha diferente é capaz de produzir uma quantidade aterradora de votos no Rio. As Zonas Sul, Norte e Oeste votam também numa idéia sem a oferta de uma contrapartida que não o funcionamento correto do Estado. Gabeira representaria, no governo, uma renovação, uma tentativa de alfabetizar politicamente a estrutura administrativa da cidade. Não deu. Mas, no caminho, ele mostrou que, embora mais brutal e violento, o fisiologismo está começando a perder espaço político. Está se auto-destruindo.
Se Eduardo Paes for esperto, ele mesmo promove esta mudança no Rio. Ele se elege um político velho, herdeiro de uma maneira de fazer política velha, mas não precisa terminar assim: é um sujeito inteligente.
Para os cariocas, o que fica é a idéia. É possível ser diferente, imaginar um governo que funcione de forma diferente e talvez até acreditar numa cidade diferente. Esta eleição mostrou, fundamentalmente, que metade da população já o percebeu.
Atualização – A partir das primeiras reações de vocês, me permitam um comentário: Não acho que o voto da Zona Sul + Zona Norte seja ‘consciente’ e que o da Zona Oeste seja fisiológico. O Mário Marona, que é um jornalista experiente pacas e conhece muito o Rio, tende a endossar esta visão de que a divisão entre ricos e pobres, no Rio, seja geográfica. Não acho que seja. E que os eleitores de Paes e Gabeira se dividiram por esta linha.
É até engraçado: Paes foi aluno do Santo Agostinho e da PUC-Rio. Só anda de camisa bem passada – não existe padrão mais mauricinho de Zona Sul do que este. Irônico, pois é.
Geografia faz parte da história, mas gostaria de ver antes como foi a distribuição dos votos pelas regiões da cidade. Tenho certeza de que Gabeira venceu nas Zonas Sul e Norte e que perdeu na Oeste. Mas minha intuição é de que ele teve entre 35 e 40% dos votos onde perdeu e vice-versa. A pobreza do Rio também está nas Zonas Sul e Norte, assim como há muito dinheiro na Zona Oeste.
O fisiologismo afeta mais o mais pobres? É evidente que sim. São quem têm mais necessidades. Mas é um erro considerar que é apenas alguma forma de elitismo a rejeição ao fisiologismo. Os mais pobres são, também, os mais afetados pelo fisiologismo, pois são eles que mais precisariam de um Estado eficiente. Fisiologismo não é ‘a política real’. Fisiologismo é crime.
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Eduardo Paes é o novo prefeito do Rio
26/October/2008 · 231 Comentários
Foi por pouco. Muito pouco.
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Um candidato assim pode se eleger?
26/October/2008 · 104 Comentários
Do Noblat:
Em uma eleição renhida, candidato bate e apanha. Gabeira só apanhou - e apanhou bastante. Prometera não atacar o adversário - e cumpriu a promessa.
Dá para ganhar eleição em uma grande cidade sem gastar muito? Gabeira apostou que sim. Aceitou doações - desde que pudesse revelar na internet o nome dos doadores e quanto cada um deu.
A mais chulé das campanhas conta com a ajuda de um marqueteiro. Gabeiro foi o marqueteiro de sua campanha. Ninguém escreveu o que ele devia dizer no rádio e na televisão - nem ele mesmo. Improvisava.
Enfrentou o candidato do presidente da República, do governador do Estado e da Igreja Universal amparado por um PSDB que no Rio é raquítico, e por um DEM que não ousa dizer o nome.
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Bom dia, Rio de Janeiro
26/October/2008 · 36 Comentários
O Climatempo me informa que, neste domingo, o dia do carioca tem sol e pouca nuvem, máxima de 36. Em dia assim, Marina ia querer dar um pulo em Ipanema e pegar praia. A continuar neste ritmo, numas semanas ia circular morena que só pelas ruas.
À lição do Vinícius, terminaria o verão grávida.
Eu, que sou eu e tenho meus hábitos, estaria naquele clima constante de quando é quase verão: a vontade de aproveitar o primeiro fim de semana de sol e calor para tomar um chope gelado ainda de dia. Como o Lacerda nunca está no Hipódromo aos sábados, este domingo serviria a isto. Me mandaria para o begê umas quatro da tarde, chamaria pelo celular a turma de sempre, aproveitaríamos o azul do céu. Às seis, o melhor garçom do Rio chega (o Paiva que não me ouça).
Só Lacerda pra fazer a gente continuar a beber aquele chope.
(Caso seja eleito, Fernando Gabeira deveria prometer baixar decreto em primeiro de janeiro obrigando todo botequim do Rio de Janeiro a servir chope como os de São Paulo. Espesso, gelado e três dedos de espuma. Os que não quiserem têm a escolha de seguir o método do subúrbio: cerveja de garrafa. Mas há de ser gelada.)
Como é dia de eleição, o domingo fica melhor. Por algum motivo que me escapa, fico sempre de bom humor quando é dia de eleição. A manhã seria assim: dar um pulo em Copa para votar ali na agência Itaú, esquina de Bolívar, em frente ao Roxy. (Anos de Jardim Botânico não me fizeram mudar o endereço do primeiro título de eleitor por nada.) Tudo dando certo, o fim de semana seria meu e eu estaria com Laura, minha filha. Como ocorre desde que nasceu e era de colo, entraríamos na cabine juntos. Certas coisas a gente ensina desde cedo. Desta vez, que ela já conhece os números e entende teclados, Laura mesma digitaria o 43. Aí, deixaríamos o banco para cruzar dois quarteirões pela Nossa Senhora. O almoço seria na casa da vovó. Talvez a família toda estivesse lá. Tios, primos, pai, irmão. Domingo a comida é sempre boa. Eu sentiria um pouco falta da minha mãe. Mas logo passaria. Laura iria mexer com Joana, sua prima mais nova.
Quando desse uma ou duas, a filha ia pedir pra dormir. Num quarto escuro, eu faria carinho em suas costas um pouco, lili, e cantaria a música da carioca. Laura nem desconfia que sou desafinado.
No Hipódromo, à noite, da mesa iríamos reclamar se alguém tirasse a tevê do noticiário. A cada nova notícia, com musiquinha de plantão, um silêncio tomaria conta do bar. (A cada nova notícia, hoje à noite, um silêncio tomará conta do bar.) E, depois de tudo, quando a madrugada já estivesse começando a chegar, estaríamos todos felizes e exultantes ou meio decepcionados.
(Caramba, quantos fins de eleições não passei com a mesma turma, no mesmo bar? Há alguns anos, saindo de alguma redação exausto, estavam sempre ainda lá para ouvir as fofocas que eu por ventura ainda tivesse. Depois, quando passei a me dedicar à internacional, já não tinha tantas histórias e pegava a festa da eleição desde mais cedo, sem ser obrigado a passar o dia com os candidatos. Diversão sem aporrinhação.)
Hoje – posto que ainda é sábado na Califórnia – eu e Marina descemos ao sul da península para Little Portugal, que fica em San José. Ali, numa vendinha, descobrimos uma moça que sabia pegar carne de americano e dela cortar uma picanha. Quatro peças, triangulares como cabe, uma bela capa de gordura por cima. Pagamos 19 dólares numa garrafa de cachaça. (A esse preço, não dava para ser duas.) Uns limões foram providenciados, também tinham farinha de mandioca para a farofa. Na loja de churrasco que existe aqui em Palo Alto, um galpão enorme, não há um espeto que se veja. Nada. A picanha vai pra grelha. Mas há carvão de verdade. Aqui de casa, assistimos pela internet o debate de sexta-feira entre o Gabeira e o Duda. Domingo, fim da tarde, reuniremos os amigos de tudo quanto é canto do planeta para um churrasco à moda carioca, acompanhando pela rede a contagem dos votos.
Não é como no Hipódromo. Marcus e Vitinho, Mariane e Carla, Pia mais Tainá e quantos mais aparecerem, talvez o João Paulo, talvez convençamos o Alfredo, quem sabe o Ryff, a turma, turmas várias de amigos dos amigos vão chegando, juntando cadeiras, mesas se somam. Alguns virão direto da praia, outros estarão frescos, cabelos molhados, bermudas, chinelos, laços de biquíni acusando na nuca, por baixo da camisa. É dia de eleição. E faz sol. Nossa, como deve estar bonito o Rio de Janeiro.
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Open thread de sábado
25/October/2008 · 141 Comentários
Bom fim de semana a todos.
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PT, PSDB, DEM, PMDB – quem, afinal, venceu?
24/October/2008 · 56 Comentários
O post do Ryff, ontem, rendeu uma discussão e tanto. Como é típico das discussões neste e noutros blogs, cada um escolhe os dados que lhe apetecem para justificar a vitória eleitoral de um ou de outro. Ontem à noite, baixei do TSE as planilhas com os resultados eleitorais desta eleição e da de 2006. Joguei-as no Excell para brincar um pouco.
Em 2006, o presidente Luis Inácio Lula da Silva elegeu-se com uma coligação formada por PT, PCdoB e PRB. No primeiro turno daquela eleição, Lula teve 45,3% dos votos em cidades com mais de 200.000 eleitores e 50,6% deles em cidades menores. Geraldo Alckmin, da coligação entre PSDB e o atual DEM, recebeu 40,3% dos votos em cidades grandes e 42,5% nas menores.
Neste primeiro turno de 2008, a mesma coligação que elegeu Lula fez 29,1% dos votos em cidades grandes e 20,3% em cidades pequenas. A dupla PSDB/DEM fez, respectivamente, 27,9% e 21,8%.
A base governista é bem mais ampla do que aquela coligação de 2006, naturalmente. Em cidades com mais de 200.000 eleitores, o governo recebeu 57,6% dos votos e, nas menores, 60,6%. Dois grupos distintos fazem diferença nesta conta. O primeiro é o PMDB. O partido fez 16,1% dos votos nas cidades de grande porte e 20% nas pequenas. Em segundo vêm três partidos miúdos, PDT, PSB e PTB que juntos não chegam a fazer um PMDB, mas estão quase lá.
PSDB/DEM e PT/PRB/PCdoB, se é que podemos tratá-los como dois partidos, se apresentam como forças políticas urbanas nesta eleição. Os dois grupos têm mais ou menos o mesmo tamanho eleitoral nos mesmos lugares. O PMDB, ao que parece, é uma força política mais rural do que urbana.
No total, PSDB/DEM receberam 24% dos votos válidos em todo o Brasil. PT/PRB/PCdoB, 20%; e PMDB, 18,6%. Estas três forças reúnem quase 63% dos votos brasileiros. O resto está fragmentado entre partidos nanicos, dos quais os com maior representatividade são PDT, PSB e PTB, que somam 17%.
Em essência: a coligação que elegeu Lula e a coligação que elegeu Fernando Henrique têm, em 2008, o mesmo tamanho eleitoral.
Faz sentido incluir o PMDB nas contas do governo para definir uma vitória eleitoral de Lula? Se amanhã o presidente for tucano, lá estará o PMDB no governo. O PMDB estará com o governo não importa quem seja governo. E tem peso político para fazer exigências. O PTB encontra-se na mesma situação. PSB e PDT, talvez não.
Agora, a divisão por regiões do país em percentual de votos recebidos das três grandes forças políticas:
| PT/PRB/PCdoB | PSDB/DEM | PMDB | |
| Sul | 19,2% | 18,9% | 25,3% |
| Sudeste | 22,4% | 29,4% | 15,5% |
| Nordeste | 16,8% | 22,5% | 17,1% |
| Centro Oeste | 10,5% | 26% | 40,4% |
| Norte | 20,8% | 15,3% | 21,3% |
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O PT sai mais forte das eleições?
23/October/2008 · 98 Comentários
No Ryff:
>Das 10 maiores cidades do país, só uma elegeu um petista apoiado pelo governo federal e, mesmo assim, herdeiro político de um coronel da Arena? Em quase todas, o capital político do PT é mais ou menos o mesmo, aqueles 30 a 40% desde sempre, um patamar histórico do partido, mesmo quando estava na oposição e, portanto, sem qualquer ligação com 6 anos de mandato presidencial do Lula?





