Os 10 países mais perigosos do mundo

10/August/2009 - 10h14 - 323 Comentarios

A Foreign Policy é uma revista divertida. Trata com seriedade de política internacional mas sem a sisudez acadêmica de suas pares. É quase uma Wired do ramo. Em seu site traz a lista dos 10 países mais perigos do mundo. O ranking é bem feito e, em número 10, entra lá a Venezuela sob Hugo Chávez. Os editores não acham que Chávez irá provocar uma guerra. Mas sua capacidade de se aliar aos piores líderes mundiais e criar transtornos na política interna dos vizinhos, trazendo instabilidade para a região, é sem par.

9. Empatados, Arábia Saudita e Iraque. A instabilidade iraquiana é criação norte-americana. Mas, se o país se espatifar, o Oriente Médio todo será comprometido. Os sauditas, por outro lado, não têm uma linha de sucessão clara e um bom naco da família apóia o terrorismo islâmico wahabita, facção de Osama bin Laden.

8. A União Européia entra em oitavo por omissão. É incapaz de assumir sua responsabilidade militar quando intervenções são necessárias no mundo. Sem um poder central, com o euro cambaleante, com novos membros apenas mais ou menos estáveis, isso não parece que vai mudar.

7. A Nigéria é importante pelo petróleo e o Congo porque não há país (país?) mais instável do que ele no planeta. Na lista, simbolizam a África subsaariana, um continente que cresce em importância energética na economia mundial, mas onde brutalidade, miséria e golpes de Estado convivem intimamente.

6. Israel e Palestina só aparecem em sexto na lista porque o mundo está acostumado um pouco demais com a confusão que tanto um lado quanto o outro é capaz de provocar ao menos uma vez por ano. Mas trata-se certamente de um dos focos mais problemáticos num canto conturbado do Oriente Médio.

5. É o Irã, com seu misterioso programa nuclear e crescente volatilidade no sistema político. É um dos países que, se quisesse, mais poderia contribuir para a estabilização política do Oriente Médio. A curto prazo, estabilização é algo que não conseguem prometer nem internamente.

4. Lugar da Rússia. A Rússia é menos perigosa que o Paquistão por um único motivo: bem ou mal, há em Moscou o desejo de participar do sistema mundial e isso controla sua política externa agressiva e os delírios de poder de seus líderes.

3. Paquistão. O governo só controla alguns pedaços do país, incrustado entre Índia e Afeganistão, é o canto do mundo onde alguns dos piores terroristas encontram abrigo. O governo mal consegue controlar a nação. E trata-se de um poder nuclear. O que pode ser mais assustador do que isso? Bem, há piores.

2. China, por exemplo. A China não oferece ameaça militar iminente. Quanto mais poderoso o país, mais perigoso. Basta que se mexa – seja economica, seja política seja militarmente, e as consequências para o mundo todo são profundas e imediatas. Não bastasse, quando se mexe a China não parece lá muito preocupada com o incentivo de uma ditadura aqui, uma mortandade ali.

1. Mas, se é para manter a coerência dos argumentos, sugere a trupe da Foreign Policy, só um país pode encabeçar a lista dos mais perigosos do mundo. Trata-se dos Estados Unidos. Uma gripe na economia provoca pneumonia noutros cantos. Uma intervenção militar desastrada – vide Iraque – piora (muito) uma região.

Netanyahu e a Palestina

15/June/2009 - 01h23 - 51 Comentarios

Ontem, o premiê israelense Benjamin Netanyahu se curvou ao presidente norte-americano Barack Obama e, pela primeira vez em sua carreira, falou que aceita a solução de dois estados.

Quer dizer… desde que a Palestina seja um Estado desmilitarizado. (Não existem Estados desmilitarizados.)

Netanyahu de presto garantiu que Israel cessará de erguer novos assentamentos nos territórios ocupados e conterá o crescimento das comunidades que já existem na Cisjordânia. Mas logo, logo, lembrou que é preciso acomodar o crescimento natural dos tais assentamentos.

O premiê disse até que conversa sem pré-condições. Naturalmente. Desde que suas condições sejam aceitas.

Por email, o jornalista brasileiro Gabriel Toueg, que vive em Israel, comenta:

No final das contas, o Bibi falou muito e não disse coisa nenhuma. Deu voltas em torno de questões delicadas, pareceu ousado ao dizer que aceita um Estado palestino, mas in the end of the day, impôs tantas condições que tinha que virar piada – e virou mesmo. O Erekat, em resposta, disse que o Bibi vai ter que esperar mil anos para encontrar um palestino que concorde com as ideias dele. Triste, porque em mil anos, do jeito que as coisas caminham, não vai sobrar quem conte história. A reação palestina era óbvia - quem é que quer um Estado amarrado como ele propõe, ou impõe? O que surpreendeu foi a reação do Obama. Depois do discurso no Cairo, ele devia ser mais rígido. Elogiar o Bibi só porque ele conseguiu pronunciar “dois estados para dois povos”, ou algo parecido, é demais. Ele perdeu 90% do discurso na tradução, parece.

Não há muito o que complementar.

Quando socialistas viram antissemitas

19/May/2009 - 15h16 - 283 Comentarios

Foi estranho – um bocado estranho – o ataque antissemita em Buenos Aires, no domingo. Judeus foram agredidos quando deixavam a festa dos 61 anos de Israel na embaixada por rapazes com bastões, pedras. Um deles estava armado.

Os agressores eram militantes socialistas com histórico de ataques. Vestiam Che Guevara nas camisas. Tinham bandeiras de agrupações nanicas como a Frente de Acción Revolucionaria e a Convergencia Socialista.

O antissemitismo jamais foi marca ideológica da esquerda. Marx era judeu. Leon Trotsky – e, como ele, vários dos líderes bolcheviques. Os nazistas jamais se referiam ao ‘judeo-bolchevismo’ para designar o tipo de governo soviético. O Projeto Sionista é socialista – e foi o projeto socialista, transferindo judeus da Europa para a Palestina, comprando-lhes terras e erguendo os kibutzim, fazendas comunitárias, que iniciou a implantação do Estado de Israel. Este movimento é que deu origem ao Partido Trabalhista de David Ben-Gurion. De gente de esquerda se formou o Exército de Israel. Ainda hoje, o mito do israelense que trabalha a terra para erguer o país, Eretz Israel, a Terra de Israel, é um dos mais fortes no imaginário nacional.

Incompetência, paranóia sem limites, perda de noção do razoável e falta de diplomacia transformaram Israel, principalmente nos últimos anos, em um Estado agressor.

Na última década e meia, talvez duas, houve uma inversão. A direita bate no peito para defender Israel. A esquerda faz o contrário. Em parte, é fruto das ações mais recentes do governo de Israel. Também é herança dos tempos da Guerra Fria, quando o maniqueísmo de ambos os flancos ideológicos se alinha pró e contra o lado dos EUA mais por simplismo do que por compreensão. Podem ter suas razões – mas entre criticar as ações de um governo e o racismo ainda há uma diferença.

Há está linha tênue com a qual a extrema esquerda flerta com cada vez mais ousadia. Alguns países, culturalmente, estão mais expostos ao antissemitismo do que outros. O Brasil, menos. A Argentina, mais. O problema, no entanto, não é localizado geograficamente. É uma tendência internacional.

Um militante socialista que ataca um judeu por sua etnia não contradiz apenas seus valores. Ele desconhece sua história. Perdeu noção daquilo pelo que deveria estar lutando. Repete os atos de quem sempre o perseguiu. Não atenta apenas contra sua ideologia: ele a esvazia. A aniquila. E cede o argumento à direita. Próximo passo é algum louco de lá vir com a história de que o nazismo era na verdade socialista.

Israel Nuclear, Obama e a solução
que passa por 57 países

13/May/2009 - 11h50 - 101 Comentarios

Cerca de uma semana atrás, uma burocrata norte-americana chamada Rose Gottemoeller se apresentou ao plenário das Nações Unidas. Ela está no alto escalão do governo Obama. Lidera as negociações de desarmamento nuclear com os russos e é a responsável, no governo, pelo NPT, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. À ONU, comunicou que seu projeto é trazer para o NPT todas as nações que não estão nele, incluindo aquelas que já são poderes nucleares. Teria sido um discurso corriqueiro dentre os inúmeros que ocorrem diariamente na ONU, não fosse um único detalhe.

Gottemoeller citou Israel em sua lista.

Os EUA, pela primeira vez, reconheceram que Israel é oficialmente um poder nuclear e isso, diplomaticamente, é um longo caminho andado. Sempre houve um acordo tácito de que a questão não seria citada por uma compreensão norte-americana de que Israel precisava de suas nukes. Após ser constantemente alvo de ataques por parte dos países vizinhos, os mísseis teriam cessado as agressões. Talvez. Mas os anos 1970 foram há muito tempo, Golda Meir e Richard Nixon já estão mortos há anos, o mundo é outro e, desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.

Barack Obama tem, como todos os presidentes norte-americanos que o antecederam, um plano de paz para a região. Mas há algumas diferenças. A primeira é o timing. George W. Bush só começou a se dedicar à paz entre Israel e Palestina nos seus dois últimos anos de mandato. Bill Clinton, também. Obama já tem gente chave trabalhando desde cedo. A segunda diferença é o escopo. Tanto Bush, quanto Clinton, quanto seus antecessores até Jimmy Carter, que promoveu a paz entre Israel e Egito, se focaram na relação de Israel e seus vizinhos. Obama propõe um plano de paz para 57 países.

O objetivo é conquistar o reconhecimento de Israel por parte dos 57 países do Oriente Médio. Permitir que cidadãos israelenses possam ter visto de entrada nos países da região, que aviões da El Al possam trafegar por seus aeroportos, acordos comerciais fluam sem precisar de intermediários.

O raciocínio é que, se houver relações diplomáticas estáveis, os governos serão obrigados a mudar seu discurso e, a partir daí, os radicais se sufocarão. Para a maioria dos governos, estabelecer relações diplomáticas com Israel é um passo impopular. Ninguém quer se isolar. Fazerem todos, em conjunto, é provavelmente a única maneira de conseguir fazer.

Opositores à política é o que não faltam. Os EUA já começaram a se afastar de Israel. E, no governo israelense, mau humor por conta é o que não falta. Este será o grande empecilho. Richard Nixon talvez não faça falta, mas gente da estatura de Golda Meir e Yitzhak Rabin faz. O problema da tática de Obama é esse. Não adianta nada combinar com o mundo árabe se o governo de Israel não cooperar.

Uma dica – Enquanto o papa Bento 16 caminha pela Terra Santa, não é sem polêmicas. O Maurício Santoro tem um bom post explicando sua relação com os israelenses.

O plano judaico para assassinar Evo Morales
(Ou as coisas estranhas que ocorrem na Bolívia)

24/April/2009 - 13h44 - 52 Comentarios

(Roteiro para um thriller.)

No início da semana, a polícia boliviana cercou a casa do movimento Chabad-Lubavitch em Rurrenabaque, uma cidade turística próxima da floresta, e prendeu um jovem casal de israelenses.

Chabad-Lubavitch é um movimento judaico hassídico com sede em Nova York que espalha casas que servem de sinagoga, centro comunitário e hospedarias em todo o mundo. São ortodoxos e têm uma visão um quê mística da religião. A casa da cidadezinha de Rurrenabaque abriu faz dois meses. Segundo o rabino responsável, Aharon Freiman, de 22 anos, eles vinham tendo problemas com o dono de um restaurante vizinho, que trazia a polícia constantemente a sua porta.

O problema, desta vez, parece ser outro e a imprensa de Israel está em alvoroço.

O casal que foi detido já foi posto em liberdade e deve deixar o país. O governo da Bolívia deu ordens para que o centro fosse fechado indefinidamente. Nenhum motivo foi dado para as ordens.

Dois boatos circulam por Rurrenabaque. O primeiro é que a polícia desconfia que a casa seja um ponto de tráfico de drogas. Jovens mochileiros israelenses, que circulam anualmente por todo o mundo, não raro fumam maconha – a droga nacional –, e o próprio rabino Freiman o reconhece. Mas a acusação de tráfico é pesada.

O segundo boato é o de que havia suspeitas de envolvimento com um plano de assassinato do presidente Evo Morales. Em meados do mês, a polícia boliviana anunciou que havia interrompido um plano do tipo, matou três suspeitos, prendeu dois. No domingo, Morales acusou os EUA de estarem por trás da trama.

Por enquanto, tudo que circula são boatos. Para complicar, na sede do Chabad-Lubavitch, ninguém sabia de uma casa do grupo por ali. Sem qualquer tipo de acusação formal, o centro permanecerá fechado. Mas o governo de Israel não teve qualquer informação a respeito de deportações. O ministério das Relações Exteriores vem buscando informações sem sucesso. E, na imprensa, a desconfiança que sobressai é de que tudo não passa de um arremedo de anti-semitismo.

No fundo, é só o que é: uma história estranha e para lá de mal contada. (Mas já serve de esqueleto para o romance que alguém devia escrever; vende mais que Código Da Vinci.)

dica do André Fucs

Israel continua igual mas os EUA
de Obama mudaram profundamente

21/April/2009 - 02h45 - 104 Comentarios

O jogo diplomático no qual o novo premiê israelense Benjamin Netanyahu se enfurnou é antigo e conhecido.

Netanyahu, não importa o quanto lhe peçam diplomatas e jornalistas, se recusa a falar se apóia a solução de dois países independentes, Israel e Palestina. Diz que não tem interlocutor no lado palestino com quem conversar. E diz que conversa não é possível sem que os palestinos reconheçam, antes, que Israel é por definição um Estado judaico.

Embora oficialmente a Autoridade Palestina já tenha reconhecido o direito de Israel existir, não deu o passo seguinte de reconhecer-lhe a essência judaica. No momento que o fizer, estará abrindo mão do direito de retorno para milhões de palestinos. Fatalmente, isto ocorrerá. Mas ocorrerá na mesa de negociação, após Israel ter cedido um tanto.

Enquanto Netanyahu faz jogo duro, seu ministro das Relações Exteriores, o ultra-direitista Avigdor Lieberman dá entrevistas dizendo que é preciso preparar-se para a guerra.

A dança do premiê israelense tem motivo de ser e público alvo: a Casa Branca.

Netanyahu sabe que não há outra solução que não a de dois Estados, sabe que sempre há com quem conversar na Cisjordânia (e, se ele quiser, em Gaza) e que os palestinos só reconhecerão a Israel judaica quando o Estado da Palestina estiver para sair. Só que, enquanto Netanyahu joga duro, ele ganha tempo. Uma a uma, cederá em suas pré-condições. Vai demorar tanto quanto possível e sempre fará com que pareça uma concessão israelense. Neste jogo de faz-de-conta, o objetivo é postergar qualquer conversa séria ao máximo possível.

Só que, enquanto Netanyahu joga o jogo de sempre, em Washington estão mudando o script.

Desde janeiro, o governo israelense vem tentando marcar um encontro de chefes de Estado entre Netanyahu e Barack Obama. E, desde janeiro, vem ouvindo que neste momento não é possível. Obama esteve com líderes de incontáveis países enquanto Israel espera. O posto de amigo preferencial dos EUA se foi. Para somar insulto a injúria, Obama receberá o rei jordaniano Abdullah antes de enfim, no mês que vem, ele se sentar com o premiê de Israel.

Que os EUA mudaram as regras do jogo, pelo menos um membro do gabinete de Netanyahu já percebeu: é o ministro da Defesa Ehud Barak, ele próprio um ex-premiê. Segundo o que vazou de uma reunião do gabinete que ocorreu domingo, Barak insistiu com o primeiro-ministro que ele apresente a Obama um plano de paz detalhado com todas as reais condições de Israel. Que não faça jogo de cena, vá direto ao ponto. O que seu país espera e onde cede, com quem conversa, com quem não.

O novo governo norte-americano está impaciente. Quer resolver problemas no Oriente Médio e Ásia Central. O Iraque segue instável, há real desejo de diálogo para evitar um Irã nuclear, trazer estabilidade para a Síria no desejo de tranquilizar o Líbano é importante. A região é complicada. Um governo israelense que faça corpo mole para negociar a solução de seu próprio conflito é o suficiente para deixar os novos EUA de mau humor. E, segundo as pesquisas que têm em mãos, Obama sabe que a população judaica norte-americana está de seu lado, não no de Netanyahu.

Quando se encontrarem em maio, uma de duas coisas terá ocorrido: Netanyahu terá entendido o recado passado pelo chá de cadeira ou não. Esta conversa será definidora das relações entre EUA e Israel daqui para a frente.

Não é xadrez, é pôquer: desde 1967, Israel vem contando com a boa vontade norte-americana. Quem está blefando? Netanyahu cederá a Obama e se apresentará para negociações imediatas? E, se não ceder, Obama pela primeira vez virará as costas norte-americanas para Israel?

Três últimas notas sobre Israel e Palestina

11/February/2009 - 04h10 - 149 Comentarios

Balanço eleitoral

O Kadima venceu mas não levou. A vitória nas eleições israelenses foi dos partidos de direita que, no conjunto, fizeram entre 63 e 64 cadeiras das 120 no parlamento. O temor de que o partido racista Yisrael Beiteinu fizesse 20 cadeiras não se concretizou – fez provavelmente 14, não longe dos Trabalhistas, com 13.

O presidente Shimon Peres terá de convidar ou Benjamin Netaniahu ou Tzipi Livni (respectivamente, Likud e Kadima) para liderar a formação de um governo. A princípio, não há motivo para que Netaniahu aceite Livni como premiê. Se ele mantiver o controle do bloco de direita, ela não tem como formar um gabinete com a maioria mais um dos parlamentares.

Que pensam os palestinos?

Alguns de vocês questionaram minha afirmação de que o conflito em Gaza teria fortalecido o Hamas. Minha fonte era Gideon Rachmand, editor de internacional do prestigioso jornal britânico The Financial Times. Mas é possível que quem me questionou estivesse certo.

Um de vocês me chamou a atenção para a última pesquisa do Centro Palestino de Opinião Pública (4 de fevereiro), que indica um cenário mais equilibrado. Quase 55% dos palestinos consideram que Israel é responsável pela guerra. Parece surpreendente que quase metade culpe seus próprios pelo conflito. 51,3% dos palestinos consideram que o Hamas está levando sua nação na direção errada e 46% têm esta opinião a respeito do Fatah.

Pesquisas são coisas delicadas. Não conheço o Centro. Alguém o conhece? Sempre há a possibilidade de ser financiado pelo Fatah e ser um instrumento de propaganda. Assim como pode ser uma instituição de todo isenta e séria.

Se for, pinta um cenário bem mais complexo. 42% dos palestinos consideram que Barack Obama pode trazer paz para a região.

Incidente diplomático no Reino Unido

Na segunda-feira, o chefe do departamento do Sul Asiático da Chancelaria britânica foi preso por ‘intolerância religiosa’. Rowan Laxton teria dito ‘fucking Israelis, fucking Jews’ (tradução não literal: israelenses de merda, judeus de merda) enquanto assistia o noticiário na academia de ginástica da London School of Economics. Os outros presentes pediram que se moderasse, ele continuou exaltado.

Solto sob fiança. Laxton não é o responsável pelo Oriente Médio, mas estão sob seu comando os embaixadores de países como Afeganistão, Paquistão e Índia, onde o conflito entre Israel e Palestina tem repercussões. Embora seja honesto dizer que o Foreign Office britânico tem um histórico pró-árabe, o atual chanceler é judeu.

É um incidente embaraçoso embora não tão grave – provavelmente será afastado de seu cargo. O curioso é a aposta que circula na blogosfera britânica. Os jornais Daily Telegraph e The Times deram a notícia. The Independent, The Guardian e a BBC, considerados de centro esquerda, ainda permanecem mudos sobre o incidente.

É um diplomata em cargo importante. Não há dúvidas de que é notícia. Mas fica parecendo que os (bons) jornais estão misturando linha editorial e noticiário, pecado grave na imprensa.

Kadima na frente

10/February/2009 - 23h22 - 15 Comentarios

Com mais de 80% dos votos contados, o Kadima da ministra Tzipi Livni lidera com vantagem de duas cadeiras o Likud. As pesquisas dão sua vitória por uma margem de uma cadeira – é pouco, não garante que ela seja capaz de montar um gabinete com metade mais um dos deputados, mas é um balde de água fria em Benjamin Netaniahu.

Se as pesquisas estiverem corretas, ela precisará compor com mais 31 deputados de outros partidos para formar maioria. A estranha aliança Kadima/Likud/Trabalhistas talvez esteja para se formar.

Israel vai às urnas e um cenário de
pesadelo se arma para quem busca a paz

10/February/2009 - 05h08 - 77 Comentarios

Pouco mais de cinco milhões de israelenses estão votando neste momento e aproximadamente um milhão estão indecisos. O regime é parlamentarista: os votos são para deputados e o partido que eleger mais deles será convidado pelo presidente Shimon Peres a formar o governo.

O Likud, de direita, liderado por Benjamin Netaniahu, está à frente nas pesquisas, com aproximadamente 25% dos votos. O Kadima, de centro, do atual premiê Ehud Olmert e liderado por Tzipi Livni, está logo atrás, com 22%. O tradicional Partido Trabalhista tem parcos 14%.

Para formar um governo, o vencedor terá que fazer acordos com partidos o suficiente para garantir metade mais um dos votos no parlamento, o Knesset, que elegerá sua 18a legislatura. E aí está o maior problema.

Um dos mistérios do resultado de hoje é se o Kadima conseguirá ultrapassar o Likud, por certo. Mas o mistério maior é com o terceiro colocado desta disputa: o partido de extrema-direita Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Lieberman. Racista, anti-árabe, periga chegar bem próximo dos 20% dos votos e será uma grande força no Knesset.

Lieberman está sendo investigado pela polícia por um escândalo de corrupção envolvendo a aprovação de um cassino em Jericó. Ele era ministro do então governo Ariel Sharon quando teria recebido o dinheiro. (Sharon, em coma há anos, foi condenado por ter recebido suborno de 3 milhões de dólares no mesmo caso.)

Mesmo que o Kadima consiga ultrapassar o Likud, parece inevitável que Israel tenha um governo que tenda à direita. O melhor cenário é uma aliança entre Likud, Kadima e Trabalhistas.

No outro lado da fronteira, nos territórios do futuro Estado palestino, a população assiste a tudo indiferente. Também lá os mais radicais estão bem politicamente. Após o bombardeio seguido de invasão a Gaza, o Hamas está em alta. Até na Cisjordânia a população o tem em boa conta. Há dois meses, o cenário eleitoral era completamente distinto. Para quem espera por paz, o pesadelo é exatamente este: um governo chefiado pelo Likud e sustentado pelo Yisrael Beiteinu de um lado, com o Hamas pelo outro.

Enquanto isso, Ehud Olmert, em seus últimos dias de governante, parece ter enfim acertado um esquema com o Hamas para trocar prisioneiros pelo soldado seqüestrado Gilad Shalit. Já cedeu, informa a imprensa, que até prisioneiros considerados terroristas perigosos estão na mesa de negociação.

Se era para chegar a esta conclusão, poderia ter sido bem mais cedo. Teria contribuído para poupar um milhar de vidas.

ONU: Israel não bombardeou escola

03/February/2009 - 18h23 - 252 Comentarios

Numa guerra, a primeira vítima é a verdade – a frase é ensinada a todo jornalista na escola. Israel não atingiu uma escola da ONU, e agora a notícia é oficial.

A notícia não inocentra Israel de outros atos bárbaros, como o uso de fósforo branco em áreas povoadas. A maioria das informações que vêm de Gaza é passada por palestinos. Não custa lembrar que esta foi uma escolha de Israel, quando proibiu a entrada de jornalistas na região.

Mas este crime Israel não cometeu. E, agora está claro, neste caso o Hamas procurou distorcer a verdade para manipular a percepção que o mundo tem de Israel. Não que surpreenda, é exatamente o que ambos os lados sempre fazem numa guerra.

A primeira vítima, pois é.

A história da fundação de Israel

30/January/2009 - 00h01 - 318 Comentarios

O leitor Gustavo me recomendou este filme que segue abaixo. Tem uma hora, foi produzido pela BBC e reconta a história da fundação de Israel. As legendas para o português vêm por cortesia da comunidade de piratas CPturbo.

Para quem só conhece a história por alto, é uma excelente introdução. Programa para o fim de semana.

Faço apenas um reparo à legenda: aquilo que eles traduzem por ‘gangue inflexível’ é a Stern Gang. O erro é natural. Com pronúncia britânica, ao invés de alemã/iídiche, fica parecendo que se trata da palavra inglesa ’stern’, duro, inflexível. Trata-se da Lehi, um grupo terrorista judaico de extrema-direita que operou na Palestina britânica entre os anos 1930 e 40. Seu líder era Avraham Stern e, por isso, os ingleses apelidaram de ‘a gangue de Stern’.

A Lehi é responsável por um dos piores massacres impetrados contra os palestinos, aquele de Deir Yassin. Escrevi uma reportagem para o Estadão sobre essa história, há quase um ano.

A BBC faz um bom trabalho de distinguir o que é polêmico e o que não é na história. E esta é uma história que ninguém pode contar sem coragem. De um lado e do outro, cada um quer forçar sua versão, sua própria narrativa.

Então talvez caiba uma introdução ao filme.

Um dos temas recentes mais polêmicos é a questão daquilo que o historiador marxista israelense Ilan Pappé chamou de ‘limpeza étnica’ da Palestina. O termo limpeza étnica é extremamente carregado e remete, de imediato, a genocídio. Houve limpeza étnica na Palestina no sentido de que, no lugar onde antes morava uma enorme quantidade de árabes, sobraram muito poucos. O lugar foi limpo da etnia árabe. O que não houve foram assassinatos em massa.

Durante décadas, a história oficial de Israel contou que os árabes deixaram suas casas porque os líderes dos países árabes vizinhos deram ordens para isso. Os principais historiadores de Israel, hoje, não aceitam esta versão. Os árabes deixaram suas aldeias porque tinham medo de serem massacrados.

A história do que ocorreu em Deir Yassin, a matança sanguinária e cruel de pouco mais de 100 palestinos desarmados – velhos, mulheres, crianças – se espalhou muito rápido pela região. Em parte, era o grupo terrorista judeu Irgun fazendo sua propaganda. Em parte, eram os líderes árabes que, assim, achavam que conseguiriam mobilizar mais gente para a luta. O resultado prático é que os rumores aumentados aterrorizaram a população.

É injusto sugerir que apenas os terroristas da Irgun e da Stern Gang foram responsáveis pela limpeza étnica da Palestina. Havia consenso, na liderança da Agência Judaica, de que Israel não seria viável como país se tivesse uma população árabe muito grande. O presidente da Agência Judaica, David Ben-Gurion, aproveitou-se do fato de que os países árabes invadiram Israel, em 1948, para expulsar quantos árabes fosse possível da terra. Ben-Gurion o fez, segundo o historiador Benny Morris, sem jamais deixar uma ordem por escrito, sem sequer dar uma ordem direta. Deixava subentendido.

Mas há, nessa história, um outro lado.

Estamos em 1948. O Holocausto, com seus 6 milhões de mortos, acabou faz exatos três anos. Tudo o que a história européia está dizendo para todo judeu do mundo é: você vai morrer. Foi a Inquisição, foram os pogroms, o Holocausto nazista. A perseguição está crescendo em incrementos. No último capítulo, quase exterminou todos os judeus da Europa. A única informação que o povo judeu tem é que, da próxima, não sobrará ninguém. A maioria dos países do mundo, neste instante, se recusam a receber refugiados judeus da Europa. E ninguém quer voltar para a Polônia, para a Tchecoslováquia, para a Alemanha, para a Holanda. Ninguém quer ver mais aqueles lugares, aqueles vizinhos que os entregaram. Querem botar o pesadelo para trás tendo perdido quase toda família.

O que estes refugiados querem? Um país. Ninguém os defendeu durante a Segunda Guerra. A não ser que tenham um país seu e um exército seu, ninguém os defenderá. E toda história passada confirma esta interpretação. Que país querem? O seu país. Aquele do qual foram expulsos séculos de perseguições atrás. É a ONU que lhes concede este país.

E o que dizem os árabes à volta? Que vão afogar todos os judeus no Mediterrâneo.

Em 1948, se você é judeu, se alguém diz que pretende afogar a você e aos seus no Mediterrâneo, você não tem dúvidas de que a ameaça é real. Talvez estivessem certos. É bem possível que a guerra de independência de Israel terminaria com uma limpeza étnica ou com outra. Alguém seria expulso daquelas terras. Talvez, se a vitória fosse árabe, houvesse muito mais sangue. Mas não foi o que aconteceu.

Muitos aqui, em nossas constantes discussões, deixam claro que acreditam que a história é um processo que se dá pelos conflitos entre grupos sociais. Eu acredito que grandes líderes fazem grande diferença. O que aconteceu em 1948 é que Israel tinha David Ben-Gurion e os palestinos não tinham ninguém em seu nível. Ben-Gurion entendeu política e militarmente cada momento daquela disputa. Tomou decisões difíceis, se adiantou quando era necessário, usou grupos terroristas por um tempo e os desmantelou logo que possível, soube manter seu povo unido, inspirou. Criou Israel. Fez Israel crescer e se tornar um país formidável. Sem petróleo, é talvez a nação mais avançada do Oriente Médio.

Os líderes árabes estavam divididos, mais preocupados com apunhalarem-se pelas costas e faturarem o território que, tinham certeza, ganhariam. Eram incompetentes. Muitos eram covardes: tinham medo da população e viviam por tentar seduzir o povo com bravatas. Quase nenhum deles durou muito no governo. Os palestinos jamais tiveram um grande líder. Yasser Arafat teve a chance de sê-lo, mas não chegou a tanto.

É evidente que a história não se resume a Israel tinha Ben-Gurion e os palestinos, não. Mas Israel tinha Ben-Gurion e o povo trazia consigo uma gana tremenda por sobreviver não importa o quê. Para os palestinos, foi a catástrofe. Foram expulsos de suas casas. Muito tempo se passou. Compreender 1948 é importante. A paz, no entanto, só será construída quando todos forem capaz de deixar 1948 para trás.

Atualização – Uma versão anterior deste post afirmava que o mufti de Jerusalém, Haj Muhammed Amin al-Husseini, fora morto em batalha. A informação estava errada. Al-Hussseini morreu no Líbano, em 1974.

Pervez Musharraf conta sua visão de mundo

17/January/2009 - 16h26 - 19 Comentarios

O general de reserva e ex-ditador paquistanês Pervez Musharraf deu uma conferência aqui em Stanford, ontem. Ele falou por aproximadamente uma hora sobre como vê o problema do terrorismo e ofereceu sua receita ‘holística’ para tratá-lo. Aí, abriu para o público. Os estudantes e professores de Stanford perguntaram-lhe a respeito da segurança das armas nucleares paquistanesas, cobraram-lhe a respeito da ditadura – às vezes, exaltados. Alguns estudantes indianos ensaiaram um protesto. Musharraf não piscou um segundo. Foi irônico, charmoso, em alguns momentos fez cara de sincero. Sempre tinha uma resposta com aparência de ponderada. É um político nato.

Gravei a conferência em áudio – está online para quem quiser ouvir. Mas aqui vai um resumo do mundo visto pelos olhos de Pervez Musharraf.

Extremismo e terrorismo

É preciso distinguir entre extremistas e terroristas. São parecidos mas distintos. Nem todo extremista é terrorista. A maioria não é. Os extremistas têm que ser transformados. Os terroristas devem ser presos. Mas não há consenso internacional a respeito de quem é terrorista: o terrorista de um é aquele que luta pela liberdade de outro. Até hoje, temos enfocado o problema com táticas de combate no curto prazo. A solução, no entanto, só virá a longo prazo, com outro tipo de esforço.

Terroristas enquanto folhas

Os terroristas são como as folhas de uma árvore. As organizações terroristas são como os galhos. Não adianta podar folhas ou cortar galhos porque nascem outros. É preciso atacar a raiz da árvore. As raízes, na Ásia Central e no Oriente Médio, são três. A primeira é analfabetismo. A maioria dos extremistas e terroristas são pessoas iletradas que compram qualquer discurso que aponte um culpado externo para seus problemas. A segunda causa é a pobreza, e pobreza e analfabetismo caminham juntos na região. Pobreza e analfabetismo confirmam a impressão de que há uma profunda injustiça, que tudo lhes é negado.

Mas os perpetradores do Onze de Setembro e das bombas de Londres não eram nem analfabetos, nem pobres. E aí entra a terceira causa: política. Há questões políticas que não foram resolvidas e que devem ser endereçadas. Principalmente Caxemira e Palestina. O que está acontecendo em Gaza, agora, apenas reforça a sensação de impotência e injustiça na rua islâmica, alimentando ainda mais o extremismo que, por sua vez, é explorado por organizações terroristas.

Alguns sugerem que há uma diferença fundamental no sistema de valores do Islã e do Ocidente. Não é verdade. O IRA, na Irlanda, não era diferente. Uma solução apenas militar para o problema do terrorismo fracassará.

A história da al-Qaeda

Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão. Nesse momento, os EUA quiseram que nós, no Paquistão, organizássemos a resistência. Vocês americanos quiseram que nós lutássemos a jihad. Então, entre 1979 e 1989, treinamos e armamos os mujahedins, estrangeiros que vinham de todo o mundo islâmico, para lutarem no Afeganistão.

O Afeganistão tinha sua estabilidade. Havia um pacto entre todas as etnias, todos os clãs, para dar apoio ao rei. Os dez anos da invasão soviética desmontaram toda a estrutura que existia há tanto tempo. A elite do Afeganistão abandonou o país a sua própria sorte, mudaram-se para o exterior. Aí, em 1989, caiu o muro de Berlim, os soviéticos deixaram o Afeganistão desmontado e terminou a Guerra Fria. O fim da Guerra Fria deixou dividendos. Eles foram todos para a Europa. Países receberam investimentos, puderam se reestruturar.

O que Afeganistão e Paquistão, que lutaram contra a União Soviética por dez anos, ganharam? Nada. Fomos esquecidos por todos. ‘Agora é com vocês’, eles nos disseram.

E onde estavam os mujahedins que vieram lutar contra os soviéticos? Continuaram no mesmo lugar. Mudaram apenas seu foco: de contra os comunistas, viraram-se contra os EUA. Formaram a al-Qaeda. Após a tomada de poder do Talibã, no Afeganistão, 4 milhões de refugiados se bandearam para o Paquistão. O problema continuava sendo apenas nosso. A estrutura social que sustentava o Afeganistão havia sido arruinada pelos soviéticos e de quem era o problema? Do Paquistão. Então, em 1999, os mesmos radicais começaram a se estruturar na Caxemira, na Índia. E o Paquistão continua tendo que lidar com a situação toda.

Só quando aconteceu o Onze de Setembro é que o mundo decidiu prestar atenção no que estava ocorrendo. Ainda assim, os Estados Unidos já investiram 1 trilhão de dólares no Iraque. Quanto investiram no Paquistão desde então? 10 bilhões. O problema continua lá e tem o mesmo tamanho.

A. Q. Khan

A. Q. Khan, o pai da bomba paquistanesa, que vendeu seus segredos para a Coréia do Norte e Irã, está em prisão domiciliar. Não creio que tenha sido extremismo que o moveu. Ele não teria tido contato com os norte-coreanos, caso tivesse sido isso. Foi ganância. Não permitimos que fale com investigadores de outras nações porque, para nós, a questão é sensível. Há segredos envolvidos e ele é um homem muito popular nas ruas do Paquistão. Os EUA também têm sob sua custódia homens que venderam segredos nucleares para nações estrangeiras. Alguma vez os EUA cogitaram permitir que investigadores de outros países os interrogassem? Claro que não. Funciona da mesma maneira.

Relações com a Índia

Se houver provas de que paquistaneses estiveram envolvidos nos ataques a Mumbai, é evidente que devem ser punidos. Mas não culpe o governo por isso. A comunidade internacional não está contribuindo, como deveria, para abrandar as tensões na região da Caxemira. Algumas nações fazem uma campanha contra a ISI, serviço secreto paquistanês. A ISI funciona sob ordens do governo e de ninguém mais. Sua função é garantir a integridade do Paquistão. Suas técnicas são as mesmas técnicas de qualquer serviço secreto. O serviço secreto da Índia faz o mesmo mas ninguém lhes cobra mudança. A Índia é um grande país. É um país poderoso. Todos os países na região sabem disso – ninguém tem dúvidas. E a Índia pressiona. O que a Índia tem que compreender é que não pode sair por aí pressionando os menores. O Paquistão também é um grande país.

O que Israel deveria ter feito?

14/January/2009 - 14h17 - 382 Comentarios

Há uma pergunta justa posta por vários de vocês ao longo dos últimos posts: então o que Israel deveria ter feito? Jogar fósforo – uma substância de legalidade dúbia quando usada em ambientes urbanos e que provoca queimaduras horripilantes sobre a cidade de Gaza, certamente não.

Mas, enquanto Israel ataca Gaza, é importante ressaltar o contexto deste bombardeio. Gaza tem duas fronteiras – a segunda, é com o Egito. Se jornalistas não conseguem entrar em Gaza, não é apenas porque Israel não o permite. O Egito também não o faz. No Irã e no Líbano do Hizbolá também há um silêncio sepulcral. Alguns foguetes partiram, sim, do Líbano contra Israel. Poucos e provavelmente vindos da FPLP, Frente Popular pela Libertação da Palestina, um grupo nanico que vez por outra dá sinais de vida.

Irã e Hizbolá estão se lixando para os palestinos. Egito, idem. Isto é algo que os palestinos um dia terão que perceber: estão sozinhos. Precisarão decidir seu próprio destino.

Irã, e por conseqüência Hizbolá, estão em silêncio por dois motivos. Um é que o petróleo está baixo e a crise econômica no país está apertando. Precisa de recursos internacionais. Portanto, negar o Holocausto e sugerir a destruição total de Israel não são mais possibilidades. Tem que se comportar. O segundo motivo é Barack Obama. O Irã não o diz, mas sofre com o bloqueio econômico imposto pelos EUA. Se há uma chance, ainda que vaga, de finalmente sentar-se à mesa, eles querem esta chance. Não é o presidente Mahmoud Ahmadinejad que a quer. É quem manda: o aiatolá Ali Khamenei.

Quanto a Israel, o país tem uma penca de problemas nas mãos. Começa pela falta de liderança. Um líder é muito mais do que aquela pessoa eleita para ocupar a chefia de governo. Um líder inspira, um grande líder é capaz de arrancar sacrifícios de seu povo; um líder é uma pessoa em quem o povo confia mesmo quando ele faz algo que vai na contra-mão dos desejos populares. E líderes têm coragem. Não é difícil imaginar pessoas assim: Winston Churchill. Franklin Roosevelt. John Kennedy. Ronald Reagan. Israel teve três destes: David ben-Gurion, Golda Meir, Yitzhak Rabin. Ariel Sharon talvez estivesse a caminho de ser um quarto. Mas não foi.

Israel têm líderes covardes e ineptos, à esquerda e à direita. Eles simplesmente não têm coragem de tomar decisões difíceis, morrem de medo da opinião pública, consequentemente não inspiram segurança. O resultado é que, inseguro, o povo reage como povos reagem: se tudo está perdido, às armas. Os políticos sabem que isto não resolve. Mas sentem-se eles próprios acuados eleitoralmente e lançam-se às armas. Após mil palestinos mortos, o problema de Israel continua lá e tem o mesmo tamanho. Terão ganho alguns meses sem foguetes? Talvez. Provavelmente não. Certamente terão ampliado o ódio e distanciado qualquer possibilidade de paz.

Alguns dizem: ‘mas a paz não é possível de qualquer jeito.’ É evidente que a paz é possível. Porque, se a paz não é possível, Israel não vale a pena. Se cada pai israelense pensar que a vida toda de seus filhos e netos será o eterno defender-se dos ataques externos, um eterno construir muros, um eterno ocupar da terra dos outros e temê-los para sempre, para que Israel? Para que viver assim? Ou se acredita que a paz é possível, ou é melhor se mudar.

A paz é difícil. E ela só virá com uma negociação complicada na qual ambas as partes terão que ceder. Onde Israel errou? Errou no momento da eleição do Hamas.

Israel não escolhe com quem conversa do lado palestino. Aceita o que tem ou não há conversa. Os palestinos são o que são e é com eles que a paz deve ser negociada. Mas a maioria, lá, quer paz assim como a maioria dos israelenses. E eles também não têm grandes líderes. Nem Yasser Arafat o foi. Se tivesse sido, já haveria Palestina. Assim como os atuais líderes israelenses, morria de medo de dizer para o povo algo impopular.

O Hamas não existiria se Israel não tivesse enchido o grupo de dinheiro nos anos 1980. Agora o Hamas existe. O Hamas não é apenas um grupo terrorista. É também um grupo terrorista. Mas é uma filantropia e é um partido político. Margaret Thatcher negociou com os políticos do IRA. Não é agradável, mas faz parte do processo que leva ao fim da violência. Como lembra o jornalista palestino Daoud Kuttab, o Hamas são muitos. Políticos querem poder. Extremistas querem morte. Os políticos do Hamas não podem dizer que não desejam mais a destruição de Israel. Poderão dizer um dia, quando já houve Palestina; agora, não podem.

O importante é que, a portas fechadas, podem dar garantias de cessar-fogo a diplomatas israelenses. A Guerra da Coréia ainda não terminou. Mas o cessar-fogo dura já tanto tempo que ninguém lembra disto. O que querem em troca são condições de exercer seu poder. Poder, diga-se, outorgado pela população palestina através do voto. E um poder, é importante sempre lembrar, que eles estavam quase perdendo legitimamente. Tanto em Gaza quanto na Cisjordânia o Hamas estava a caminho de uma estrondosa derrota eleitoral ainda no primeiro semestre deste ano. Israel não permitiu que o processo político democrático punisse o Hamas. Mais alguns meses de foguetes que não matam ninguém e a situação palestina seria outra.

Quando o Hamas foi eleito, Israel e EUA se recusaram a reconhecê-lo. Isto deu forças para que o Fatah criasse problemas, trouxe instabilidade ao governo, golpe em Gaza. Ações têm conseqüências. O braço político do Hamas tinha que ter alguma força e alguma prova de que política traz resultados. Em caso contrário, os extremistas sempre vencerão a queda de braço interna.

Em Gaza, a vitória do Hamas

12/January/2009 - 17h31 - 308 Comentarios

Neste momento, Ismail Haniyeh, líder do Hamas, anunciou que Gaza e o Hamas não quebrarão. “Nossa vitória sobre os sionistas está próxima.”

Com quase mil mortos, as tropas de Israel começam a avançar sobre a Cidade de Gaza, o principal centro urbano da região. Haniyeh parece estar certo. Israel promove e seguirá promovendo uma carnificina em Gaza e no fim não extinguirá o Hamas. O ódio nas ruas árabes aumentará.

Daí, o Fatah tampouco poderá assumir Gaza sem parecer aos olhos palestinos com uma marionete israelense.

E, assim, uma vitória militar se configura como uma derrota estratégica. Há nuances no ar da diplomacia.

Quinta-feira passada, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou Israel.

Não é um fato raro. Aliás – de raro, o fato não tem nada. Tanto Kofi Annan quanto seu sucessor no comando da ONU, Ban Ki-Moon, já reclamaram que o conselho parece dedicado a repreender Israel e nada mais. Nenhum outro país foi mais repreendido – mesmo quando se inclui Ruanda e Sudão na lista, e estes praticaram genocídio. Como qualquer mínimo gesto israelense produz de imediato uma condenação por parte do Conselho, como quase nenhum gesto palestino provoca a mesma resposta, ele perde a credibilidade.

O que é raro é que Israel recebeu ordens do Conselho de Segurança da ONU para cessar o ataque. Ignorou-as, o que faz com freqüência. Mas os EUA têm direito de veto no CS e se abstiveram. Isto é marcante. E há um dado importante: foram os EUA de George W. Bush que se abstiveram de votar. O país que sempre vota a favor de Israel na ONU virou-lhe o rosto.

É um sinal.

Ignorar o Conselho de Segurança da ONU é problemático. Sim, os EUA o fizeram para invadir o Iraque. Mas os EUA são a maior potência militar e econômica do planeta. Ainda assim, a desobediência resultou num mundo muito mais hostil ao país. Não é à toa que tanto Barack Obama quanto John McCain tinham entre suas principais promessas aquela de restaurar a credibilidade do país.

De qualquer forma, Israel não são os EUA. Em última análise, Israel encontra-se numa situação muito mais delicada. Afinal, no fim, Israel é um argumento. O direito de existência de Israel se sustenta na idéia de que as nações do mundo decidiram que deveria haver um país para os judeus e outro para os palestinos na Terra Santa. Foi através da ONU que esta decisão se tomou.

Se Israel decide que pode acatar as decisões do Conselho de Segurança que bem quiser, seus inimigos também podem.

Morrerão mais palestinos. O Hamas não deporá suas armas. O Hamas nem precisa de tantas armas assim para continuar lançando foguetes caseiros. No final, Haniyeh terá razão. A estupidez do governo israelense é aterradora.

Uma história do Hamas

08/January/2009 - 06h49 - 348 Comentarios

A indignação de parte a parte é importante. E compreensível. Mas há vários sinais ocorrendo em Gaza que boa parte da cobertura jornalística não está pegando.

Por que, por exemplo, o Hizbolá não está atacando Israel do Líbano?

Por que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que por muito menos já ameaçou Israel das piores formas, anda tão ameno em seus discursos das últimas semanas? (Diz que o Hamas está ficando mais forte e não passa disso.)

Precisamos compreender o Hamas: de onde vem, e o que é hoje.

Israel informa que está atacando o Hamas, em Gaza, neste momento. As vítimas, no entanto, são palestinos. Morrem às centenas. Alguns – muitos – não têm qualquer ligação com o Hamas. Mas como declaradamente o ataque é ao Hamas, aqueles que tomam as dores das vítimas defendem o Hamas; e aqueles cujo coração bate por Israel sugerem que quase todos os mortos são do grupo.

O Hamas, no entanto, não representa todos os palestinos. A se contar as pesquisas eleitorais de dezembro, em 2009 46% dos eleitores em Gaza planejavam votar no Fatah e apenas 32% no Hamas. Levando-se em conta também os eleitores na Cisjordânia, a outra parte da futura Palestina, a derrota eleitoral do Hamas seria de acachapantes 42 a 28%.

O que é, então, o Hamas?

É o grupo que, durante muito tempo, recebeu dinheiro da Arábia Saudita. É o grupo que durante anos foi parcialmente financiado por Saddam Hussein. São aqueles que se sustentam, hoje, com o dinheiro do Irã.

Mas, antes de tudo isso, é o grupo financiado de nascença por Israel. E esta que segue é sua história.

O Hamas

Em árabe, a palavra quer dizer zelo e serve de acrônimo para a sigla Movimento de Resistência Islâmica. Seu berço ideológico é um grupo árabe dos anos 40, fundado no Egito, chamado Irmandade Muçulmana. Durante sua existência, a Irmandade misturou o discurso nacionalista com o religioso, em oposição ao nacionalismo laico que daria origem aos partidos Baath na Síria, Iraque e outros países dali. A Irmandade atentou contra a vida do presidente egípcio Gamal Abdul I-Nasser e assassinou o sucessor, Anwar Sadat.

O Hamas nasceu em 1988, nos territórios ocupados por Israel, como braço armado da Irmandade pouco antes da primeira Intifada. Até aquela Intifada, havia sido financiado por Israel. Estimulado por Israel. A crença era de que, incentivando um movimento religioso, seria construída uma forte oposição à Organização pela Libertação da Palestina (OLP) de Yasser Arafat. A crença dos líderes políticos em Israel é que, se estivessem ocupados com religião, os palestinos não lutariam. Era outro mundo e outro tempo. Antes do acordo de Oslo, antes de Yitzhak Rabin e Arafat apertarem suas mãos nos jardins da Casa Branca. Muito antes de o Fatah, nascido da OLP, ser o aliado com quem a paz parece mais plausível.

Em 2003, antes de chegar ao governo, o orçamento anual do Hamas girava entre 40 a 70 milhões de dólares, angariados por caridades no ocidente entre árabes no exílio e governos vários no Golfo Pérsico, principalmente a Arábia Saudita. Investiam quase tudo em creches, escolas, hospitais e mesquitas caras à enorme parcela pobre da população. Sua segunda atividade eram os serviços de inteligência, uma espécie de polícia secreta que ainda hoje persegue palestinos acusados de cooperar com o governo israelense e blasfemar contra o Coorão. Bate, tortura, às vezes mata.

O braço terrorista, embora mais famoso, sempre recebeu pouco dinheiro. É barato.

A base que elegeu o Hamas para o governo palestino, em 2006, veio por intermédio de fisiologismo político – aquele que oferece à população os serviços que o Estado não garante – e a boa e velha exploração do ódio ao inimigo externo. O muito citado e pouco lido documento que serve de doutrina ao grupo, assinado em 18 de agosto de 1988, não prega apenas que haverá ‘um dia do Julgamento Final no qual muçulmanos matarão todos os judeus, que se esconderão atrás de pedras e árvores, e as pedras e árvores acusarão ó, muçulmano, cá atrás está um judeu’. Baseado numa ideologia confusa, racista e com uma boa queda por teorias conspiratórias, o mesmo documento enxerga no Sionismo o responsável por vários dos males do mundo. Dentre tais males, os ideólogos do Hamas citam a Revolução Francesa, a Revolução Russa de 1917, o Rotary Club e a Maçonaria.

Segundo o Council of Foreign Relations, de Nova York, o Hamas está por trás de pelo menos 350 atentados terroristas distintos desde 1993 que custaram a vida de mais de 500 pessoas, dentre eles árabes. Em 1996, quando o Partido Trabalhista no poder israelense ainda tentava consolidar um acordo de paz como o Fatah, uma série de atentados do Hamas o fizeram parecer fraco. O resultado foi a eleição do candidato da direita do Likud, Benjamin Netanyahu. Foi também após outra série de atentados do Hamas, entre 2001 e 2003, que Israel decidiu construir o muro que separa o país dos territórios ocupados na Cisjordânia. Esta mesma segunda série de atentados tiveram por outra conseqüência a adoção israelense da política de assassinatos seletivos. A vítima mais famosa, em 2004, foi o líder supremo do Hamas, o sheik Ahmed Yassin, um homem paralítico e cego, inspirador de inúmeras mortes.

Seu assassinato apenas fortaleceu o Hamas.

Israel costuma ser eficiente no campo de batalha, mas de todo inepta no planejamento político das batalhas que decide lutar. No longo prazo, à direita e à esquerda, são não apenas incompetentes em planejamento estratégico como seu governo reage com freqüência sem pensar nas conseqüências de seus atos. Esta, no entanto, é uma história do Hamas. E não é possível contar a história do Hamas sem seu próprio rastro de sangue.

Em 2005, o Hamas decidiu disputar as eleições da Autoridade Palestina e, em janeiro de 2006, as venceu. Não foi apenas o sucesso de seu fisiologismo concentrado nas regiões extremamente pobres de Gaza. Até lá, a Autoridade Palestina vinha sendo governada pelo Fatah que demonstrava indecisão, incompetência gerencial e uma profunda tendência à corrupção. Causou surpresa a eleição do Hamas – mas não devia. À direita, alguns comentaristas sugeriram que ali estava uma prova de que muçulmanos não eram capazes de lidar com democracia. Escolheriam sempre os radicais. Talvez a lição fosse outra: perante um mau governo, o povo que pode escolher o substitui pela oposição.

No governo, Ismail Haniyeh, líder do Hamas, descobriu que política era uma arte mais difícil do que esperava. Costurar uma coligação com o Fatah para montar seu gabinete foi extremamente difícil. Por um ano, governou de forma hesitante, com um partido bloqueando o outro politicamente enquanto Israel seguia com a política agressiva de muros e cercas. Em dezembro de 2006, policiais ligados ao Fatah, na Cisjordânia, abriram fogo contra uma passeata do Hamas. A luta armada entre palestinos se estendeu até fevereiro, quando um cessar-fogo foi acordado por intermédio saudita. Não durou: em maio, pelo menos 50 palestinos morreram em Gaza nos choques entre militantes de um grupo e do outro. Enquanto lutava contra seus rivais internos, o Hamas disparava foguetes contra Israel. Os israelenses retrucaram. Sob fogo, o Hamas cercou em 10 de junho o prédio administrativo do Fatah em Gaza, a guerra civil estourou, Israel fechou as fronteiras. No final, Gaza estava tomada pelo Hamas e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, destituiu Haniyeh do cargo de premiê.

Segundo a constituição provisória da AP, o presidente tem de fato este poder quando um gabinete não parece conseguir governar – e as circunstâncias, uma tentativa de golpe, pareciam sugerir tal necessidade. O presidente também pode, como fez Abbas na seqüência, indicar um novo primeiro ministro. Mas ele não pode impor este nome ao Conselho Legislativo da Palestina. O Parlamento deve aprová-lo. Enquanto um novo nome não passa, o premiê anterior segue interino. Abbas ignorou a Constituição porque não conseguiria a aprovação no parlamento rachado. É nesta situação, dividida, que a Palestina se encontra hoje.

Desde 2001, às vezes com mais freqüência, às vezes com menos, o Hamas vem lançando foguetes Qassam contra Israel. Morreram 15 pessoas até hoje por conta deles. São poucas vítimas porque Israel aponta radares para detectá-los e sirenes altas alertam aqueles na região onde vão cair. É cotidiano tenso que, se não mata pelo fogo, tira pelo estresse uma boa década de vida. Os Qassam são foguetes domésticos fabricados com tubos de aço e explosivos em geral à base de fertilizantes.

Segundo a Human Rights Watch, talvez a organização mais isenta na avaliação de conflitos internacionais, o histórico do Hamas é de esconder armamento em localidades civis. A HRW também acusa o grupo de disparar contra o exército de Israel do meio de agrupamentos civis, atraindo fogo para vítimas indefesas. O que a ong não confirma é a acusação israelense de que o Hamas usa crianças como escudo. Acontece que Gaza é densamente povoada e crianças estão por toda parte. Sob artilharia pesada, sua morte é inevitável. Israel, de inocente, não tem nada. Tem histórico de ter matado homens feridos sob sua guarda e de disparar contra agrupamentos mistos de civis e militantes sem piscar. O ataque à escola da ONU, que deixou pelo menos 40 mortos, é só o mais gritante deste momento.

Neste período, o Hamas vem sendo financiado cada vez mais pelo governo xiita do Irã. A ligação provoca dúvidas em seus vizinhos árabes: sauditas e egípcios não têm qualquer amor pelo grupo atualmente. Arábia Saudita e Irã disputam há anos, com suas vertentes distintas do Islã, influência nas ruas do Oriente Médio. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad investe particularmente no ódio generalizado a Israel. Em 2006, sustentou financeiramente o Hizbolá, no Líbano. A guerra custou, ao Irã, um bilhão de dólares, postos nas mãos do sheik Hassan Nasrallah, líder do Hizbolá, que indenizou quem perdeu casa ou familiares. Após a ofensiva israelense, o Hizbolá estava mais forte e saiu mais querido pelos libaneses.

E aí encontra-se o maior problema do Hamas no conflito atual: no Irã, o desemprego atualmente é de 35% entre aqueles com menos de 30 anos. A crise econômica está forte no país, que aguarda ansioso alguma ajuda de FMI e Banco Mundial. Com a queda do preço do petróleo, os fundos são parcos. Ahmadinejad pode vencer eleitoralmente por conta da invasão de Gaza, mas não tem dinheiro e para continuar governando precisará de empréstimos internacionais. O que faz do Líbano em 2006 diferente de Gaza em 2009 é o preço do barril de petróleo.

Mas isto não quer dizer que a causa esteja perdida para o Hamas. Se, após a ofensiva, ele continuar de pé, já terá vencido. David terá resistido a Golias. E, mesmo que não fosse representativo dos anseios palestinos apenas um mês atrás, o governo de Israel terá, ao custo de muito sangue, fortalecido politicamente dois de seus piores inimigos.

De como Israel pode reconduzir Mahmoud
Ahmadinejad ao poder no Irá

05/January/2009 - 13h29 - 325 Comentarios

Como de hábito, vale a pena ler nos comentários abaixo aquele assinado pelo Bitt. Ele entende tecnicamente de estratégia militar e explica duas questões: a primeira, por que não dá para comparar a defesa do Hamas com aquela imposta pelo Hizbolá, em 2006; e a segunda, por que a tática escolhida por Israel tende a matar mais civis. Sim: poderia ter sido diferente.

Os números divulgados pela ONU estão assim: 530 mortos, aproximadamente um quarto eram civis.

Gaza foi dividida em dois pelo exército israelense. O plano, oficialmente, é não entrar nos grandes aglomerados urbanos. Israel parece decidida a apear o Hamas do poder para retorná-lo ao Fatah.

Os resultados eleitorais já são visíveis: em Israel, o Partido Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, está subindo nas pesquisas. Os partidos religiosos estão descendo. E a aparência é de que a dobradinha Kadima-Trabalhistas retornará ao poder. É o grupo político que estará melhor disposto a trabalhar com Barack Obama. Com o Fatah controlando toda a Palestina, os augúrios políticos também são bons.

O que falta é combinar com o adversário: o ódio nas ruas de Gaza estará num nível de intensidade tal – o que é mais do que razoável – que a fundação da Palestina pode ficar difícil de negociar.

E, evidentemente, resultados políticos se combinam com guerra de formas as mais distintas. No Irã, que também celebra eleições presidenciais em 2009, a economia está aos frangalhos. Tudo indicaria que Mahmoud Ahmadinejad não conseguiria se reeleger. Mas Israel acaba de colaborar para mostrar que há um inimigo externo lá fora.

Ao bombardear Gaza, o governo israelense pode ter garantido sua permanência no poder. Mas também ruma para garantir a de seu maior algoz.

E Israel entrou com as tropas em Gaza

04/January/2009 - 16h15 - 120 Comentarios

Durante uma semana, os líderes do Hamas prometeram aos palestinos de Gaza que, se Israel ousasse invadir por terra, o chão seria coberto por sangue ’sionista’. Começou ontem a invasão – e é hora de cumprir a promessa. Esta é a aposta de Israel. Pretendem enfraquecer o Hamas eliminando seu arsenal e matando seus homens. O Hamas vai reagir. Sua luta é por sobrevivência.

Israel não conseguirá manter as operações por muito mais tempo. Uma delegação europeia composta por diplomatas de Alemanha, França e Reino Unido chega no domingo que vem para visitar Gaza. A data é o prazo informal dado a Israel pela Europa. Segunda-feira, aterrissa em Tel Aviv o próprio presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A França sob Sarkozy é outra: está presente na diplomacia internacional e é respeitada. Sarkozy joga com isso, aposta nisso. Se vai pessoalmente a Israel é porque pretende sair de lá com um resultado para apresentar. A França não é mais, como já foi, ostensivamente anti-Israel, e tem lá seus próprios problemas com o radicalismo muçulmano. Agora mesmo, no início do ano, foi preso na Bélgica um grupo terrorista que planejava o assassinato de Bernard-Henri Lévy, um dos principais intelectuais franceses – e judeu. Mas a França também não são os EUA. Há ampla simpatia pela causa palestina, não é à toa que Yasser Arafat foi para Paris quando precisou de cuidados médicos, não é à toa que sua viúva mora no país. Sarkozy será isento. E só sai ganhando se sair de lá com a negociação de um cessar-fogo.

É tudo uma desgraça – gente demais morreu. Em meu último post, levantei algumas perguntas que, gentilmente, o Cosme Rondó tomou para si a missão de tentar respondê-las. Não eram perguntas simples, tampouco fáceis. Por coincidência, nesta semana, a Economist também encara a principal delas num editorial profundamente elegante de tão equilibrado:

É fácil chamar atenção para o fato de que menos de uma dúzia de israelenses foram mortos por foguetes palestinos desde que o país deixou Gaza. Mas poucos governos, perante uma eleição, deixariam cidades de seu país sofrerem constantes ataques, não importa quão ineficientes. Como observou Barack Obama em sua visita em julho, ’se alguém estivesse lançando foguetes contra a casa onde minhas filhas dormem à noites, eu faria de tudo para que isto parasse. Espero que os israelenses façam exatamente isto.’ Nos últimos meses, o Hamas contrabandeou foguetes ainda mais letais para Gaza e alguns estão caindo em cidades israelenses antes fora de sua área de alcance. Na fronteira com o Líbano, Israel já enfrenta um ator não-Estado, o Hizbolá, cujo objetivo formal é a destruição de Israel e que tem um arsenal poderoso cedido pelo Irã a sua disposição. Os israelenses não têm a intenção de permitir que algo parecido se forme em Gaza.

Ainda assim, Israel não deveria se surpreender com a indignação que surge em todo o mundo. Não é apenas porque as pessoas jamais simpatizam com o lado que tem caças F-16 a seu dispor. Em geral, uma guerra precisa passar por três testes para ser justificada. Primeiro, um país deve ter exaurido todos os outros meios de se defender. Segundo, o ataque deve ser proporcional a seu objetivo. E, terceiro, o país precisa ter chances reais de conquistar seu objetivo com a guerra. Em todos os três itens, Israel teria dificuldades de argumentar.

É verdade que Israel tolera os foguetes vindos de Gaza há um bom tempo. Mas poderia ter impedido seu lançamento de outra maneira. Afinal, não é verdade que a única demanda que Israel impõe a Gaza é silêncio na fronteira. Israel vem tentando enfraquecer o Hamas impondo um bloqueio econômico na faixa enquanto injeta dinheiro na Cisjordânia, local em que o Fatah governa. Mesmo durante o período de cessar-fogo, Israel impediu que tudo, menos alguma ajuda humanitária, chegasse à região. É verdade que Israel foi provocada à ação militar. Mas o Hamas pode dizer o mesmo. Se não houvesse bloqueio econômico, o Hamas teria renovado o cessar-fogo. Uma leitura dos motivos do Hamas pode ser perfeitamente a de que não aceitaram o novo cessar-fogo para forçar Israel a ceder no bloqueio, aliviando suas fronteiras.

Na questão da proporcionalidade, os números falam por si mesmos – ou quase. Nos primeiros três dias, uns 350 palestinos foram mortos e apenas quatro israelenses. Nem o bom senso, nem as leis da guerra, exigem que Israel se desvie da regra básica: matar a maior quantidade possível de inimigos enquanto evita sofrer o menor número possível de mortes. Foi estupidez do Hamas ter escolhido lutar esta batalha. Mas, dentre os mortos palestinos, há muitos civis e muitos policiais, que não são o mesmo que combatentes. É verdade que os exércitos do ocidente mataram muito mais civis no Afeganistão e no Iraque. Mas os interesses de Israel são diferentes. O país deveria minimizar o número de mortos porque os palestinos que bombardeia hoje serão seus vizinhos para sempre.

E há última questão leva ao problema das chances de que a guerra seja eficiente. O objetivo declarado de Israel, inicialmente, era derrubar o Hamas. Mas o que pretende no momento é fazer com que o Hamas cesse o lançamento de foguetes além de suas fronteiras. O que Israel aprendeu no Líbano, em 2006, é que esta não é uma meta trivial. Assim como ocorreu com o Hizbolá, a ‘resistência’ do Hamas a Israel é justamente o que o fez popular e o levou ao poder. Provavelmente o grupo continuará atacando, não importa quão dura seja a resposta, e seguirá desafiando Israel a entrar com suas tropas para uma luta sangrenta nas ruas congestionadas de Gaza e nos campos de refugiados.

Israel já entrou.

Perante a tragédia em Gaza,
Três perguntas

01/January/2009 - 07h54 - 467 Comentarios

Sou eu quem deve a vocês um pedido de desculpas, trazer assunto assim desagradável no primeiro dia do ano. É mundo que nos impõe.

Minha mãe costumava dizer, não sem ironia, que Israel é coisa de coração. Às vezes parece que traz o irracional em nós. Por outro lado, Israel é coisa de coração não apenas para quem quer seu bem. Também é para quem a considera o foco de todo o desequilíbrio no Oriente Médio.

De minha parte, não tenho como argumentar contra 400 mortos em Gaza pelos bombardeios das Forças de Defesa de Israel. É gente demais. E há crianças, ainda por cima.

Não tem como justificar.

Em novembro, pelo menos 381 pessoas morreram na Nigéria, em um confronto entre cristãos e muçulmanos. A maioria das vítimas eram islâmicos.

Em Darfur, no Sudão, morreram 250 muçulmanos na primeira semana de dezembro. Foram vítimas de outros muçulmanos. No Sudão, este número é mais ou menos rotineiro.

Na província de Sa’ada, no Iêmen, a guerra civil também custou a vida de algumas centenas de pessoas em 2008. O número, no entanto, é incerto. Lá, não há imprensa, ong, ONU, apenas os relatórios mais ou menos regulares da Human Rights Watch. É possível dizer que os desabrigados são 100.000. Mas as mortes ficam assim no vago ‘centenas’. Talvez chegue ao milhar. Ninguém sabe.

Um relatório do Instituto de Direitos Humanos do Cairo, publicado em dezembro, dá conta da situação nos doze países árabes. Israel, no caso dos palestinos, e os EUA, no caso do Iraque, são co-responsáveis pela piora da situação dos direitos humanos no universo investigado. Mas não estão sozinhos, muito pelo contrário.

As mortes de muçulmanos e árabes noutros cantos do mundo não despertam posts carregados de fotos sangrentas na blogosfera. Não provocam a indignação de jornalistas. Às vezes, mal merecem uma nota ao pé de página.

Não cito estes exemplos para dizer que é comum, que não quer dizer nada. Centenas de mortos são uma tragédia sempre. Mas há uma piada comum de redação: o editor chega para o responsável pela primeira página dizendo que um acidente matou 500. Onde?, pergunta o chefe. Se for na China, 500 não é nada. Se for em Luxemburgo, é uma tragédia nacional. Um não rende nota; outro é chamada de primeira, acima da dobra.

Palestino morto por Israel vende jornal. Israelense morto por palestino, também. E, justiça seja feita, um homem bomba que mate três israelenses vale primeira página. Para os palestinos chegarem lá, é preciso contar na casa das dezenas. Veja-se por outro lado: somalis, mesmo às centenas, às vezes não entram. Quem liga para a África?

Nós, jornalistas, costumamos dizer que nossos critérios de seleção de notícias importantes, e portanto de mortos relevantes, não são nossos. São do público. Talvez seja verdade. Talvez, não.

Muitos dos indignados habituais com Israel não sabiam que no Sudão sai uma Gaza em mortos por mês. (Ou a cada dois meses.) Este Weblog também é culpado pela falta de cobertura. Mas não há indignados com a China, que apóia o regime (este sim) genocida do Sudão.

Guerras não prestam. Guerras matam, ferem, sangram, deixam aleijados. Entre as vítimas de guerras, há crianças. Observe uma guerra com uma lente de aumento e fica difícil para qualquer ser humano justificá-las. Parece ser preciso um cinismo monstro para assistir às fotos dos resultados da guerra e ainda assim dizer: ‘foi necessário’.

Mas ainda assim: que bom que a União Soviética e os EUA enfrentaram Hitler. Os soviéticos sabem o quanto custou. Ainda bem que o fizeram.

Nós, que acreditamos que Israel é sobretudo necessária para a sobrevivência de um povo, achamos que o país não acerta sempre. Mas acreditamos também que o país está em guerra. E as guerras, às vezes, são necessárias à sobrevivência.

Minha opinião? Me alinho com David Grossman, o grande escritor israelense. Era preciso enfrentar o Hamas, era preciso bombardear Gaza – agora basta. O governo de Israel precisa aprender a parar. Conheci Grossman numa noite, há alguns meses. É um dos sujeitos mais sensíveis, mais sensatos, mais empáticos com os palestinos, mais dedicados à esperança de paz que pode haver. Mesmo. Ele perdeu um filho no exército israelense.

Mas gostaria, com franqueza, de entender a opinião de quem rejeita Israel. Tenho algumas perguntas, estou curioso para as respostas.

1. Israel tem o direito de existir onde existe?

Os israelenses que conheço aceitam na hora que lhes for oferecido um acordo de paz que preserve as fronteiras de 1967 e divida Jerusalém em dois. O governo de Israel, se os países árabes oferecerem algo assim em troca de paz, assina na hora. Pessoalmente, acredito que até um governo do Likud assina um acordo definitivo de paz assim. Basta suspender as agressões de parte a parte. (Não estou sugerindo, com isso, que tal oferta é simples de fazer ou que Israel seja inocente; Israel é paranóica.)

2. Um acordo assim é justo?

Cai foguete, cai foguete, cai foguete. Os foguetes que partem de Gaza mantém em suspenso a vida de pouco mais de um milhão de pessoas. De uma hora para a outra, as crianças têm que deixar a escola, todos têm que se abrigar, as ruas se esvaziam. Como tecnologia não falta, o alerta quase sempre vem em tempo e as vítimas são raras. O estresse, no entanto, está lá. Presente. Constante. Todo dia, toda hora, a qualquer momento. Isto não é vida. É muito pior do que morar de frente ao Pavãozinho, no Rio.

3. Mas o que é uma reação proporcional justa? O que quero dizer é: Israel pode se defender? E, ao se defender, o que pode fazer?

Respostas a estas três perguntas, acredito, vão nos ajudar a nos compreender uns aos outros.

Israel responde ao público

29/December/2008 - 22h55 - 64 Comentarios

Todos podem fazer perguntas direto ao governo de Israel via Twitter. Basta direcionar as perguntas à conta IsraelConsulate.

A Coletiva online será realizada ao longo do dia 30.

dica da Guta Nascimento

Se é para listar vilões, Israel não está sozinha
Egito, Arábia Saudita e o Hamas estão juntos

29/December/2008 - 04h47 - 415 Comentarios

Não existe um único conflito armado no mundo no qual há mais diplomatas envolvidos e recursos internacionais voltados do que aquele entre Israel e seus vizinhos palestinos. Tais recursos provavelmente seriam melhor empregados alhures. Afinal, há muitos cantos do mundo onde há conflitos mais sérios e para os quais quase nenhum recurso é dedicado.

Isto posto: é difícil justificar a morte de 280 pessoas. Há muitos civis na conta.

Mas, para compreender esta história, é preciso escapar ao maniqueísmo da Israel cruel contra palestinos indefesos. Este ataque a Gaza é um jogo de cartas marcadas onde no comando de um lado, do outro, e nos arredores, não há um só inocente.

No sábado à noite, o ministro das relações exteriores egípcio, assim como todos seus pares árabes, mostrou sua indignação contra Israel. Mas, quando perguntado especificamente, Ahmed Aboul Gheit disse: Israel havia deixado claro que se o lançamento de foguetes continuasse, haveria retaliação. O aviso foi feito mais de uma vez. ‘O responsável pelo ataque é o Hamas.’

Quando começou a despejar foguetes contra Israel, o Hamas esperava um contra-ataque. O Hamas precisa de Israel no ataque, porque raiva de Israel alimenta suas vitórias eleitorais. O Hamas precisa do Likud no poder em Israel porque isto garante o confronto. Negociações de paz, hoje, favorecem ao Fatah.

O Fatah, no comando da Cisjordânia, imediatamente condenou o ‘ataque covarde’ de Israel a Gaza. Mas também de presto fez informar à imprensa israelense que estava pronto para assumir o governo de Gaza tão logo o Hamas caísse. Não há nada que o Fatah deseje mais do que a derrubada do Hamas.

Israel é, freqüentemente, condenada internacionalmente pelo bloqueio que impõe a Gaza. A vida fica muito difícil na faixa, por conta. Mas Gaza faz fronteira com o Egito que também lhe impõe um bloqueio. O Egito, país árabe, raramente é lembrado quando as críticas aparecem. O Hamas, no entanto, é filhote da Irmandade Muçulmana egípcia e a ditadura do país não quer a irmandade nem longe. O Egito, parece claro, foi informado anteriormente por Israel que o ataque viria e as condenações são só isso: um aceno para as ruas árabes. Israel sai como vilã mas cumpre o papel que o Egito deseja.

O Egito não está sozinho. Também a Arábia Saudita faz críticas a meia boca mas bem preferia ver o Hamas pelas costas. Ambos os países, como inúmeras outras nações árabes, vêem o grupo político e terrorista como uma extensão do governo iraniano. E o Irã é uma ameaça para os árabes.

E: Israel ofereceu negociação. O governo Kadima-Trabalhista queria a renovação do cessar-fogo. A continuidade do lançamento de foguetes os faz parecer fracos; a ofensiva militar não é seu forte, o Likud sempre parece melhor nisso. Israel ofereceu afrouxar o bloqueio, pediu ao Egito que interviesse, sugeriu soltar mais prisioneiros. Foi uma opção do Hamas não atender aos pedidos.

Reação desproporcional? Trezentos mortos é a conta da política. Com eleição pela frente, um governo fraco quer parecer ao menos tão forte quanto quem promete sangue.

É uma encurralada política da qual não há saída. O Hamas não é vítima – vítimas são os palestinos civis mortos. Vítimas, diga-se, não apenas de Israel, mas também de uma opção política de seus líderes. No cálculo do Hamas, sua sobrevivência política depende de seu povo continuar sangrando. O ataque de Israel, no entanto, desperta a raiva na rua árabe. E mais inimigos lhe cria. Países como Egito e Arábia Saudita não vêem opção que não condenar, chamar de desproporcional – mas as palavras nada têm a ver com suas opiniões reais.

Há diplomatas demais, dinheiro demais, organizações demais, dedicadas ao conflito entre Israel e Palestina. O nó continua lá. O nó continua com o mesmo tamanho. Melhor seria dedicar o esforço a outros conflitos às vezes bem mais sangrentos, uns tantos na África, onde talvez haja alguma chance de encerrar o problema.

Uma correção: No post de sábado, afirmei que desde o cessar-fogo, quase 60 foguetes haviam sido lançados contra Israel. A informação estava errada. Desde o fim do cessar-fogo, dia 21 de dezembro, é que quase 60 foguetes foram lançados.