Tudo publicado sobre 'Europa'
Duas décadas após Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov combinarem o início de uma política de desarmamento nuclear, um grupo dos mais influentes homens especializados em segurança nacional, nos EUA, pede ao país que lidere uma campanha global para pôr fim às armas nucleares. São George Shultz, Henry Kissinger, William Perry e Sam Nunn.
Nenhum deles (dois ex-secretários de Estado, um ex-secretário de Defesa e um ex-presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado) tende a sonhos utópicos – ou mesmo a sonhos de qualquer outro tipo. O que desejam é chocar para despertar uma idéia. […]
Eles desejam a implementação de políticas há muito ignoradas pelos militaristas: isto inclui a proibição total de testes nucleares, tirar mísseis norte-americanos e russos da condição de alerta, e a costura de acordos ‘para redução substancial’ dos arsenais de ambos os países.
‘Não vamos conseguir nada enquanto formos países que têm armas nucleares exigindo coisas de países que não as têm’, diz Kissinger.
É difícil negar que estas propostas sejam uma rejeição da política do atual presidente Bush para armas nucleares. Os assessores do presidente passaram oito anos ridicularizando acordos de controle de armamento, caracterizando-os como ‘idéias velhas’. Durante o governo, Bush sempre negou que exista uma relação entre o que os EUA fazem com suas armas nucleares e sua evidente inabilidade de impedir comportamento armamentista de outros.
Do New York Times.
via Nieman Watchdog
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Barack Obama só chegou ao Iraque hoje, mas a edição mais recente da revista alemã Der Spiegel já lhe trazia uma boa notícia no fim de semana. São as palavras do premiê iraquiano Nouri al-Maliki: ‘Os EUA devem deixar o Iraque tão logo seja possível’, ele disse. ‘O candidato Barack Obama fala de deixar em 16 meses. Esta, imaginamos, seria uma boa perspectiva, com a possibilidade de pequenas mudanças.’
John McCain tem batido sistematicamente em Obama neste quesito. Ele argumenta que o candidato democrata entende pouco do que está acontecendo no Iraque e é imaturo para avaliar. Esta viagem de Obama à Ásia Central e Oriente Médio é um bocado defensiva, para poder dizer que esteve lá recentemente e que conversou com os comandantes.
Mas, quando o governo do Iraque diz que ele está certo, tudo muda de figura.
Al-Maliki, evidentemente, está de olho também na política interna de seu país. Ele, que assinou a ordem de execução de Saddam Hussein, é xiita. Os xiitas querem o controle do Iraque e, como são maioria, têm chances de conseguir. Xiita mas não excessivamente religioso. Anda de terno e gravata e não com vestes tradicionais. Ouve o clero, mas aproveita o que quer de seus conselhos e dispensa o resto. É de família tradicional. Seu avô foi ministro do rei Faisal I, irmão do avô do atual rei da Jordânia, quando o Iraque era uma monarquia. Prestar um favor ao futuro presidente dos EUA por certo renderá pontos. É uma aposta, claro, mas o tipo de aposta que ressoa bem em casa. O que ele está dizendo qualquer um que esteve no Iraque repete: querem os norte-americanos fora.
O fato é que McCain foi jogado para a defensiva. Até agora, vinha fazendo seu discurso na posição de veterano de guerra, filho e neto de almirantes, especialista em política externa perante o jovem e desqualificado oponente na eleição. É um papel difícil de sustentar quando o governo que os EUA deveriam estar ajudando concorda com a avaliação de Obama.
Neste momento, al-Maliki está sob pressão, já disse que foi mal interpretado. Qual que nada, o estrago foi feito. Um bocado de pressão também deve estar sobre o presidente Jalal Talabani. É o mínimo com o qual McCain pode esperar: ao menos a impressão de que o governo iraquiano está dividido. Mas Talabani está em silêncio e cada dia em que este silêncio se mantém, mais alto ele fala.
Do Oriente Médio, Obama seguirá para a Europa. Na Alemanha, fará um discurso para mais de um milhão de pessoas aos pés da Coluna da Vitória erguida pela Prússia nos tempos de Otto von Bismarck. Ele queria falar à frente do Portão de Brandenburgo, mesmo local em que John Kennedy disse ‘Ich bin ein Berliner’ e, anos depois, Ronald Reagan pediu a Mikhail Gorbachov que derrubasse ‘aquele muro’. É o local onde presidentes dos EUA foram grandes.
Foi com toda razão que o governo alemão gentilmente negou-lhe o espaço. Seria uma intromissão violenta na política interna norte-americana permitir a Obama que fosse filmado qual Kennedy ou Reagan perante um milhão de alemães. Mas é bem possível que as imagens tenham esta aparência de sucesso majestoso de qualquer jeito. Obama é popular na Europa.
(Não custa dizer: é exatamente o tipo de intromissão que al-Maliki cometeu. Mas ele deve ser perdoado. Seu país, afinal, está invadido. Ele tem interesse direto no resultado do pleito norte-americano.)
Tudo, é claro, pode ser posto a perder com uma gafe. É o maior fantasma ao redor de Obama. Se tudo der certo esta semana, ele volta com a imagem de um líder respeitado e admirado no exterior. É o tipo da coisa que os norte-americanos sentem falta. Depois de George W. Bush, tudo o que querem é um novo Kennedy, um novo Reagan. É esta a imagem que Obama quer vender.
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Não raro, recentemente, mais especialistas vêm defendendo o uso de energia nuclear. É mais limpa que os combustíveis fósseis e as usinas são mais seguras. No El País, o ex-ministro do meio ambiente alemão Jürgen Trittin vai contra.
Desde finais dos anos 70, ele diz, só foi construída uma usina nuclear na Europa, ao passo que cinco foram fechadas. Elas são responsáveis por 3% da energia do continente. Não é só por uma questão de segurança: o quilowatt nuclear é caro, mesmo com o preço do petróleo nos píncaros. Seria, portanto, preciso subsidiá-la.
O caminho, ele argumenta, não é este. Os que os europeus precisam fazer é enfrentar o fato de que importam 75% de sua energia. Precisam, portanto, economizá-la. Sai mais barato, coisa aconselhável em tempos de crise, e é melhor para o ambiente. É sua receita, aliás, para o mundo todo. Na Alemanha, a regulamentação para as construção de casas é rigorosa. Devem ter, por exemplo, isolamento térmico, que economiza na refrigeração ou no aquecimento do ambiente. É uma obra que se paga na conta de luz. O carro, evidentemente, deve ficar em casa de vez em quando.
Trittin defende que, se é para gastar dinheiro, os governos devem esquecer o nuclear e investir em projetos de economia energética, incluindo-se subsídios e incentivos fiscais para obras. É boa política econômica e ecológica.
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Forças de Paz das Nações Unidas são necessárias para o mundo. Quando não é legítima a presença do exército de nenhuma nação, ou quando um dos lados do conflito questionaria a intervenção de outro país, lá vêm os capacetes azuis. E, como alguém precisa comandá-los, para isso é necessário que a ONU tenha um Conselho de Segurança. O atual, no entanto, tem seu poder e autoridade constantemente questionados. Parece inútil. Representa a divisão geopolítica de um mundo pós-Segunda Guerra.
E o planeta não poderia estar mais diferente.
Como é preciso ajudar países no chão econômico que já não têm mais crédito, continuaremos a precisar de um FMI. Mas a crise econômica ameaça correr o mundo, com um tipo inédito de inflação global mostrando as garras e o FMI, preso por regras de outros tempos, fica parado a assistir. E o G8, bom e velho G7 + Rússia, que em teoria juntaria as nações mais ricas do mundo. Hoje, discute o preço do petróleo sem a presença da Arábia Saudita; debate a flutuação do dólar sem a China à mesa. O G8 é uma fantasia.
As instituições internacionais são necessárias mas estão obsoletas. Após a Segunda Guerra, com tudo destruído, instituições puderam ser construídas do zero. Agora não dá mais. É preciso pensar em reforma. Da Economist:
Veja o caso do G8. Alguns sonham em reduzir o número concentrando apenas os superpoderes econômicos: EUA, União Européia, China e Japão. A idéia é atraente mas Silvio Berlusconi e Vladimir Putin não vão abrir mão de ter cadeiras à mesa. É melhor aumentar o colegiado para incluir as doze maiores. O G12 teria Índia, Brasil, China e Espanha além de, por um triz, incluir também o Canadá.
A configuração do Conselho de Segurança está bem mais ultrapassada. Ninguém, hoje, concederia à França ou ao Reino Unido poder permanente de veto, mas nenhum deles vai abrir mão da prerrogativa. Enquanto isso, os candidatos óbvios à entrada são atrapalhados por ciúmes regionais: a Índia pelo Paquistão; o Brasil pela Argentina; a Alemanha pela Itália; o Japão pela China. O plano com chances de vitória daria a cada um destes quatro cadeiras permanentes sem direito a veto e duas mais cadeiras para um país muçulmano e outro, africano.
Esta será uma conversa longa. Enquanto nada acontece, o mundo sente falta de instituições representativas que tenham algum poder.
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Há definitivamente tensão no ar por conta da possibilidade de um ataque ao Irã. Esta semana, em vários pontos do mundo, distintos esforços diplomáticos saíram à tona veladamente na imprensa.
Na edição de semana passada da revista The New Yorker, o decano dos repórteres investigativos Seymour Hersh publicou um longo texto a respeito dos conflitos internos entre Casa Branca e Congresso, nos EUA.
Segundo Hersh, a liderança democrata e republicana, no Congresso, autorizou o financiamento de operações secretas dentro do Irã por parte da CIA e das Forças Armadas. Em geral isso quer dizer dar dinheiro e treinar forças de oposição. Há receio, no entanto, de que estas atividades estejam indo além.
Um dos que manifestam preocupação é o secretário de Defesa Robert Gates. Falando numa reunião privada a senadores, Gates disse que se houver ataque ‘vamos criar gerações de jihadistas e nossos netos vão lutar contra esses inimigos aqui nos EUA’. Perguntaram-lhe se ele falava em nome do presidente Bush ou do vice, Dick Cheney. ‘Digamos que falo apenas em meu nome.’ Sim, o ministro de Bush é contra os aparentes esforços da Casa Branca de atacar o Irã. Hersh diz ainda que a resistência entre os generais também é muito grande. Mas que a pressão por um ataque continua.
Ali Ettefagh, um financista iraniano que mora entre Irã e Europa, analisa assim a situação: ‘Estes são vazamentos propositais vindos direto do escritório do vice-presidente para Seymour Hersh. É um jogo psicológico, uma onda cíclica de noticiário intenso contra o Irã que demonstra a falta de boa vontade do governo norte-americano. Essas notícias de operações secretas chegam para desestabilizar o Irã no momento em que o grupo 5+ 1 (EUA, França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia) fazem uma oferta de acordo para resolver a questão nuclear. O Irã não deve se permitir confundir pelo jogo.’
Segundo Ettefagh, sempre que algum tipo de acordo está sendo seriamente discutido, vaza na imprensa dos EUA alguma notícia que afasta o Irã das mesas de negociação. O Irã fica parecendo o vilão. Talvez. Aí, passam-se uns dias, o presidente Bush vem deixar claro que nada disso está acontecendo e que a solução que seu país busca é diplomática. Exatamente como aconteceu esta semana. A questão, porém, é mais complexa.
Mesmo quando nós jornalistas não percebamos o jogo – e, muitas vezes, não percebemos mesmo que estamos sendo usados – diplomatas percebem. Sabem exatamente o que acontece, tanto no Irã quanto fora. O desconforto com o governo iraniano é grande. O presidente Mahmoud Ahmadinejad fala demais e não tem qualquer vontade de diplomacia. É um incendiário. E é por isso que uma carta publicada ontem no jornal francês Liberatión é particularmente importante.
No ano passado, o presidente francês Nicolas Sarkozy procurou ser recebido pelo aiatolá supremo Ali Khamenei. Para negociar em que condições tal encontro poderia ocorrer, o velho aiatolá ordenou que seu braço direito, Ali Akbar Velayati, fosse à França. Velayati então procurou o presidente Mahmoud Ahmadinejad para informá-lo da missão numa visita de cortesia. Ahmadinejad deixou-o esperando por horas madrugada adentro até recebê-lo e foi rude. Então, o presidente do Irã escreveu uma carta a Sarkozy chamando seu par francês de ‘jovem e inexperiente’ e fazendo ameaças veladas. O fato de que Sarkozy é cinco meses mais velho do que Ahmadinejad é irrelevante. A conversa foi abortada antes de ser negociada.
A carta publicada no Liberatión é de Velayati. Parece que veio do nada. Responde, naquele tom floreado da prosa persa, a uma pergunta jamais feita. ‘Apesar de seu vasto poder, o líder supremo só intervém em casos muito importantes, deixando a maior parte das questões para os responsáveis pelo Estado. Ao receber dignitários e líderes de outros países, ao se comunicar com eles, o líder dá mostras de sua presença crucial na diplomacia iraniana.’
Quer dizer que, no ano passado, Ahmadinejad cruzou uma linha de poder interno que não deveria ter cruzado. Foi um recado para o governo francês: desculpem a grosseria do rapaz, aqui em casa quem manda ainda é o velho.
Não é dizer, de forma alguma, que Sarkozy e Khamenei estejam prontos para se encontrar na semana que vem. O encontro talvez jamais aconteça. Mas Khamenei acaba de desautorizar o presidente Ahmadinejad perante a França. É a maneira iraniana de usar a imprensa em sua diplomacia. Seu objetivo é botar panos quentes.
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Após 15 anos sem fazer nada, as Forças Armadas russas voltaram a suas patrulhas planetárias. Missões aéreas de reconhecimento já chegaram perto de invadir o espaço aéreo norte-americano e o britânico, já invadiram de fato o japonês, têm sido avistadas pela marinha dos EUA com regularidade.
Enriquecida com dinheiro do petróleo, Moscou anuncia planos de refazer seu arsenal. Desenvolve armas e as produz. Pretende atingir a marca de 50 aviões bombardeiros em 2015, tem um tanque novo que lançará em 2009, e uma nova geração de mísseis balísticos já ativos. A velha Moscou anuncia sua volta e por conta disso Robert Gates, o secretário da Defesa dos EUA (equivalente a ministro), anda falando para seus oficiais que é bom manter o arsenal nuclear nos trinques.
Os russos não se incomodam: gostam de ser levados a sério. Mas, pergunta-se a Der Spiegel alemã, este é o início de uma nova corrida armamentista? De uma Guerra Fria, portanto? Principalmente, o que quer Moscou? Pode ser angariar apoio patriótico. Pode ser um recado para vizinhos como Ucrânia e Geórgia para que não se distanciem muito da esfera de influência. Pode ser que os russos de fato achem necessário estar prontos para qualquer ofensiva ocidental.
Stanislav Belkovsky, do Instituto Moscovita de Estratégia Nacional, é especialista no assunto e não anda impressionado. Segundo ele, as Forças Armadas mantiveram a capacidade herdada do período soviético até a virada do século. Desde então, o arsenal está em declínio. Dá números: durante o governo Putin, 405 mísseis e 2.498 cargas nucleares foram aposentadas. Apenas 27 mísseis foram produzidos no mesmo período. Esses novos mísseis balísticos, os Topol-M, são grandes e fáceis de eliminar ainda em solo. O veredito de Belkovsky é simples. Em oito ou dez anos, a Rússia terá o potencial militar de uma nação européia de porte médio, incapaz de enfrentar Japão ou Turquia.
Os EUA investem 25 vezes mais nas Forças Armadas e contam com um contingente de 1,5 milhão de homens. Os russos têm 600.000.
Ainda assim, Moscou confunde, age como se fosse um superpoder. No ano passado, o país deixou o Tratado Europeu de Forças Armadas Convencionais. Parece uma afronta, mas é faz de conta. A Rússia não tem condições de manter sequer o contingente que o tratado lhe permitia. E o governo sente-se cercado. Por um lado, a influência norte-americana na Ucrânia e na Geórgia incomoda Moscou profundamente. A idéia dos EUA de colocar mísseis nas vizinhas Polônia e República Tcheca provoca compreensíveis acesso de fúria.
O medo maior, no entanto, não é com o Ocidente. Há um vizinho à espreita: a China. A demonstração de poder, as patrulhas, a exibição de armas, o abandono de tratados de paz, no fim, são um recado simples. Não há uma nova Guerra Fria. Mas o jogo de poderes no mundo está mudando a galopadas de tão rápido.
dica do André Monsores
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A Arábia Saudita promete que aumentará o fluxo de petróleo em direção ao mundo. Maior oferta, cai o preço. Quem sabe assim o barril a 200 dólares nunca chegue.
Muitos analistas estão céticos. Uns dizem que os sauditas já fizeram essa promessa antes e não a cumpriram; outros sugerem que eles sequer têm como. Seu maior campo está próximo do pico e não agüentará o tranco de aumento.
É sempre tudo muito nebuloso quando o assunto envolve Arábia Saudita e petróleo. Há pouca informação e muita interpretação.
Thomas Friedman, do New York Times, vai na contracorrente. Ele acha que os sauditas vão mesmo aumentar a oferta. Acha mais: que eles não têm escolha. George W. Bush está tentando diminuir o preço da gasolina nos EUA a todo custo e combustível é um dos grandes temas das eleições presidenciais.
Para os sauditas, não é apenas o impacto no eleitor norte-americano e o tipo de presidente que podem eleger o que importa. É também o mercado para energias alternativas. Com combustíveis fósseis em alta, mais fábricas de painéis de energia solar ou moinhos de vento surgirão. Maior oferta, menor preço. Nos EUA, por exemplo, onde a energia elétrica vem de combustíveis fósseis, alimentar a casa ou a empresa com uma fonte própria sai em conta conforme aumenta o preço do petróleo.
Vai ainda além: petróleo caro faz com que o desenvolvimento de fontes alternativas seja melhor financiado e, portanto, fica mais eficiente.
Há um ponto ótimo para que a máquina comece a girar. Os sauditas querem mais dinheiro, evidentemente, mas temem uma crise financeira mundial como a dos anos 1970. É preciso alimentar o vício mas sem matar o hospedeiro. E temem que alternativas ao seu combustível comecem a surgir com maior rapidez. Assim vai o raciocínio de Friedman.
E, evidentemente, sempre há um ou outro que vive no mundo maravilhoso de Gordon Brown, o premiê britânico. Ele tem essa idéia: os sauditas ganharam 3 trilhões de dólares. Por que não investem eles próprios em fontes alternativas de energia?
Ora, pois. Quem sabe pedindo por favor não ajuda.
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O último post causou incômodo em alguns.
Então é bom elucidar: nada, nele, é minha opinião. Tudo é reprodução do artigo do professor Feldman. Um trecho entre aspas, outro resumido. A comparação com o arcaísmo católico, por exemplo, é dele. Este argumento, o de que os muçulmanos são os novos judeus da Europa, tampouco é novo.
Pessoalmente, não conheço o velho continente o bastante para afirmar que sim ou que não. Mas, também numa visão pessoal, e sem a ênfase do professor, me incomoda a semelhança entre muito do que se diz hoje sobre islâmicos e do que se disse no passado, sobre judeus. Não é apenas a respeito de muçulmanos. Há um par de anos, ouvi frases sobre ciganos, na França e na Espanha, que, no Brasil ou nos EUA, ninguém diria hoje. Poderia pensar. Mas teria vergonha de dizer. Uma das coisas que mais impressionou na Europa, sempre, foi esta falta de pudores no exercício do preconceito.
Uma das questões não postas em nossa contínua discussão a respeito de Israel e Palestina é que sua situação atual, de disputa de terras, nasceu porque ambos são vítimas da Europa. Os judeus foram expulsos de lá. Não exatamente, alguns dirão. Expulsos, sim. Após séculos de perseguição incrementada para pogroms, aumentada para o Holocausto, se você é um judeu na Europa, em 1948, tudo o que quer é ir embora. Na próxima, a história deixa claro, será você. Ou seus filhos. No mesmo passo, a divisão artificial do Oriente Médio em Estados nacionais, incluindo-se aí a partição entre Israel e Palestina, é fruto do imperialismo europeu. A ascensão do Wahabismo, esta seita fanática e obscurantista do Islã por trás do Talibã e da al-Qaeda, é fruto de uma decisão política européia de aumentar o poder do clã al-Saud, atuais donos de Meca e Medina.
De certa forma, Hitler conseguiu seu intento de limpar a Europa de judeus. Foram-se praticamente todos, para as Américas e para Israel. E o convívio com os muçulmanos é, sim, e num ritmo crescente, o primeiro desafio de grande porte europeu para lidar com uma comunidade diferente.
Poderia ser diferente? Os EUA estão vivendo algo parecido. Não é igual – parecido. No sudoeste norte-americano, de uns quinze, dez anos para cá, o espanhol é língua corrente. Não era assim. Há rádios em espanhol, jornais, revistas, tevês – um império crescente. Norte-americanos criados num mundo branco, anglo-saxão, protestante, já falam – nesta região sudoeste – espanhol como segunda língua. E a grita contra os ‘imigrantes ilegais’ é alta. Claro. Às vezes, escorrega nitidamente para o preconceito. Mas nenhum político fala que os ‘mexicanos têm dificuldades de assimilação’. Seria uma frase racista demais. Eles se assimilam? Nada. Substituem a comida, a língua, mudam a maneira de rezar a fé. (O parco contato que os EUA tinham com o catolicismo era irlandês, italiano e polonês, nada a ver com o mexicano, sincrético que só.) Mexicanos, hispânicos em geral, trazem sua própria cultura. E, quando um político fala que o inglês devia lhes ser imposto, é logo ridicularizado. Eles têm vergonha de parecerem racistas.
Culturas não são assimiladas. São misturadas. É ver a nossa: portuguesa, africana, tupi. Tão misturada que a gente não sabe quando termina uma e começa a outra. Quando um novo povo chega, a cultura local também muda. A julgar pelo tom dos discursos correntes na Europa, ‘eles são bem-vindos desde que virem franceses’. Ou alemães, ingleses, italianos, espanhóis. Não vão virar. Alguém poderia argumentar, ‘mas os mexicanos sempre estiveram do outro lado do Rio Grande.’ Já faziam parte daquele mundo. Bem, é verdade. O Egito também sempre esteve do outro lado do Mediterrâneo. O Marrocos, idem. Sempre cruzou-se o mar de um lado para o outro. E nenhum europeu jamais teve pudores de entrar, conquistar, dominar, levar o que considerava de valor. É fácil ser imperialista durante quatro séculos e, vinte ou trinta anos passados do fim do imperialismo, dizer que não tem compromissos com o passado.
Há uma geração européia que parece querer romper os vínculos com a própria história. Houve o nazismo, agora somos diferentes; houve a religião, agora somos diferentes; houve o imperialismo, agora somos diferentes. Só que história é uma linha contínua: o nazismo deixou conseqüências que vivemos até hoje. As religiões deixam conseqüências visíveis – e enquanto gays não puderem casar livremente, ainda estaremos vivendo uma imposição da Igreja. O imperialismo também deixou vítimas. Nações inteiras. A Europa enriqueceu. O custo de sua própria riqueza foi pago com o futuro de outras nações.
Os bárbaros estão às portas da cidade, reclamavam os romanos. Eles querem usufruir de uma riqueza que seus antepassados construíram.
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Noah Feldman, do Council of Foreign Relations e da Escola de Direito de Harvard, não é o primeiro a sugerir que a Europa Ocidental é, por natureza, racista. Mas é o mais recente.
Há uma explicação controversa para explicar a cultura anti-muçulmana na Europa: mesmo após 60 anos de introspecção a respeito do anti-semitismo que levou ao Holocausto, os europeus não se convenceram de que imigrantes com diferenças culturais e religiosas devem ser tratados como membros plenos de sua sociedade. O anti-semitismo europeu entre as duas grandes guerras incluía acusações de crime, de conservadorismo religioso, inferioridade genética e, principalmente, falava da impossibilidade de assimilação. Não é coincidência que boa parte dos judeus da Europa Ocidental eram imigrantes ou filhos de imigrantes de países mais ao leste.
Os EUA tiveram sua própria forma de racismo legalizado nas leis Jim Crow, que Hitler copiou para seus próprios propósitos. Após a Segunda Guerra, no entanto, nós norte-americanos começamos a encarar nosso passado. Tendências racistas ainda estão entre nós, mas carregamos a culpa deste racismo e a consciência de que devemos vencê-lo.
Na Europa, o terrível sucesso de Hitler no assassinato de tantos judeus fez com que a sociedade pós-guerra européia jamais tivesse que enfrentar as diferenças. Os judeus que sobraram já estavam longe. Hoje, a natalidade dos muçulmanos europeus é bem maior do que a de seus vizinhos. É como se a inabilidade européia de lidar com diferenças estivesse sendo testada pela primeira vez desde então. Em teoria, a Europa lembra o Holocausto. Mas a profundidade desta memória pode ser posta em questão quando tantos europeus parecem ter se esquecido de que seu continente já serviu de residência para outros estrangeitos muito antes da chegada da atual minoria muçulmana.
Recentemente, uma deputada britânica sugeriu que uma campanha devia desestimular o casamento entre primos paquistaneses. O motivo é que são mais propensos a certas anomalias genéticas. Eles – os paquistaneses – e judeus asquenazitas. Mas ninguém teria coragem de sugerir a uma comunidade judaica com quem casar. Ainda mais com argumentos genéticos.
Muitos dos costumes muçulmanos são criticados por serem atrasados perante a cultura européia liberal de hoje. São mesmo. Como são os costumes católicos, que rejeitam a igualdade entre homens e mulheres no púlpito e ainda consideram homossexualismo doença.
É claro que há o terrorismo, reconhece Feldman. Mas o terrorismo é também de todo conveniente para explicar um padrão de intolerância com o diferente.
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O texto, publicado na revista brasileira Turismo & Negócios, trata da capital portuguesa, Lisboa.
A capital de Portugal, Lisboa, é a porta de entrada para a Europa. A cidade está em ascensão turística. O idioma oficial é o português mas fala-se fluentemente o espanhol. É uma civilização marcada por diferentes costumes, de origem européia e africana. Sua arquitetura é essencialmente gótica. Banhada pelo Oceano Pacífico e tendo como principal o rio Tejo, Lisboa tem entre seus vultos históricos nomes importantes da história do Brasil, haja vista que já fomos colônia portuguesa. D. Pedro I e II, D.João VI e Dona Maria Leopoldina, entre outras, figuram em nomes de ruas, museus e demais patrimônios públicos. Lisboa é uma cidade plana, de velhos mas bem conservados casarios, clima tropical úmido, temperatura variável, fria no inverno e quente no verão, mas nada comparável ao calor brasileiro. Graças ao Estreito de Gibraltar, Portugal liga-se também ao Oceano Atlântico. O curioso é que 2/3 da capital portuguesa desapareceram após a II Guerra Mundial, mas o primeiro ministro de então, Marquês de Pombal, providenciou a recuperação das ruínas, com orientação de excelentes arquitetos, preservando a originalidade das construções.
É, como dizer, um Samba do Crioulo Doido. Uma peça bizarra de humor involuntário. Um atroz exemplo de ignorância. Como descrever? Um jogo dos sete erros. (Serão só sete? Quem encontra mais?)
Meus pobres amigos portugueses ficarão de cabelo em pé.
via Blog do Marona
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A Newsweek da semana traz uma excelente reportagem chamada A mitologia de Munique. É, fundamentalmente, uma constatação e, a partir dela, uma análise.
O texto constata que dos anos 1970 para cá a política externa norte-americana caiu na armadilha de dois clichês.
O primeiro já um bocado discutido aqui no Weblog é o de Munique e do Apaziguamento. Segundo ele, quem busca a paz com ditadores periga cometer o erro de quem negociou a paz com Hitler.
O segundo é o do Atoleiro no Vietnã – é o clichê resposta. Envia soldados, põe dinheiro, e a guerra é impossível de ser vencida. Quanto mais anda, mais afunda.
Não deixa de ser curioso o fato de que os EUA se meteram no atoleiro do Vietnã para não apaziguarem como acontecera em Munique. Mas não importa – os clichês estão dados e, perante eles, o editor de política da Newsweek, Evan Thomas, se põe a pensar.
Como político, John McCain passou a acreditar no tudo ou nada: os EUA só deveriam entrar numa guerra se estivessem plenamente comprometidos com todo o necessário para a vitória. Assim, em 1983, ele foi contra a intervenção no Líbano porque acreditou (corretamente) que os EUA não estariam plenamente comprometidos com o esforço de paz necessário ao fim do conflito. Em finais dos anos 1990, quando Washington se envolveu na Península Balcânica, McCain queria enviar tropas norte-americanas porque acreditava (erradamente) que os sérvios não recuariam perante um ataque aéreo. No Iraque, ele se opôs ao governo Bush quando este não enviou soldados o suficiente. E se tornou o principal aliado do governo quando mais soldados foram enviados. McCain alerta para as graves conseqüências de uma derrota para a região e para a alma das Forças Armadas norte-americanas.
O conceito do tudo ou nada faz algum sentido e traz um quê de pureza e nobreza. Mas não reflete a realidade desorganizada de guerras locais contra grupos insurgentes. O chefe de Estado, principalmente de uma superpotência, inevitavelmente tem de encontrar um acordo mesmo que isso, em alguns casos, seja dizer uma coisa e fazer outra. Os melhores estadistas sabem disso e, intuitivamente, a maioria das pessoas também o sabe. Basta que abandonem os clichês.
Thomas logo saca do bolso um exemplo: Ronald Reagan. Só se referia à União Soviética como o Império do Mal. E, no entanto, a partir do final de seu primeiro mandato, negociou com os líderes soviéticos o tempo todo. Reagan tinha poder, principalmente após investir muito em armas que não usaria. E este poder que não usou foi o que lhe permitiu negociar.
John Kennedy era outra que compreendia que não é preciso escolher entre apaziguamento e uso da força. Quando os soviéticos instalaram mísseis em Cuba apontando para os EUA, Kennedy falou duro em público, fazendo toda sorte de ameaças. Nos bastidores, Robert Kennedy negociava a retirada de mísseis velhos dos EUA na Turquia em troca de os russos tirarem os seus de Cuba. E foi esta negociação que resolveu a pior crise da Guerra Fria.
A questão, fundamentalmente, é como se colocar numa posição de força no momento de sentar à mesa de negociação. Thomas, infelizmente, não chega tão longe quanto a fazer uma avaliação do cenário que John McCain e Barack Obama encontrarão quando chegarem à Casa Branca. E negociar com a União Soviética – que embora muito mais poderosa tinha um único governo central – é mais simples do que negociar com meio Oriente Médio.
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Norte-americanos, britânicos e soviéticos entraram nos campos de concentração no princípio de 1945. Os soldados e oficiais não estavam preparados para lidar com o que encontraram. Aquelas pessoas ali haviam chegado a um ponto tal de degradação que não conseguiam sequer comer. Umas porque não tinham força. Outras porque o choque de proteína era tamanho que, incrivelmente, matava. Não sentiam cheiro. Mal falavam. Beijavam mãos agradecidos.
Muito rapidamente, em Londres e em Washington, gente em várias posições de poder perceberam que teriam um problema perante a história: alguém, no futuro, tentaria negar que aquilo acontecera. A extensão da crueldade era tamanha – no número de vítimas e no ponto ao qual os nazistas levaram os sobreviventes – que nada parecia, de fato, muito crível.
Decidiram produzir um filme.
Não pensavam no século 21. Pensavam nos anos imediatamente à frente. Pensavam, principalmente, na população alemã. Como convencê-los de que seu país havia chegado àquele ponto? Em Londres, coletaram as cenas filmadas pelas tropas ocidentais nos campos e as puseram nas mãos de Sidney Bernstein, diretor do departamento de propaganda do exército britânico. Sua missão seria produzir um documentário para apresentar ao público alemão os feitos de seu país durante a Guerra.
Quando Bernstein começou a produzir o filme, em maio de 1945, os Aliados ainda não tinham total noção do plano de Solução Final para o problema judaico de Adolf Hitler. Conheciam a crueldade, sabiam do genocídio, mas não tinham ainda levantado todos os documentos que provavam a intenção de eliminar uma etnia. O governo britânico também tinha medo de que, insistindo no fato de que as vítimas eram judeus, afastariam o público alemão.
O filme não citaria judeus, portanto. Falaria de pessoas. De gente.
Revisando as imagens que chegavam do continente, o cineasta da propaganda britânica percebeu que o trabalho talvez exigisse mãos mais hábeis que as suas. Lembrou de um amigo dali mesmo de Londres, que durante a Guerra achou por bem se radicar nos EUA.
Alfred Hitchcock.
Os dois jamais terminaram o filme batizado Memória dos Campos, também lembrado como o ‘documentário de Hitchcock sobre o Holocausto’. Hitchcock serviu como consultor no processo e orientou a edição. Se preocupou em inserir a maior quantidade possível de planos gerais. Temia que, só mostrando as pessoas de perto, alguém achasse que havia sido montagem. Os planos gerais davam mostras das inacreditáveis montanhas de corpos esqueléticos, nus. Pois é que não há nudez escondida neste filme – nudez de gente viva e de gente morta, seios, sexos à mostra, em corpos cujos rostos por vezes lembram caveiras cobertas por um fino tecido. é um documentário cru, violento, muitas vezes difícil de ver.
Os EUA logo abandonaram aquela que deveria ser uma co-produção entre eles e Inglaterra. Alguém, ao ver as primeiras imagens montadas por Hitchcock e Bernstein também decidiu arquivar o projeto. Era duro demais. O mundo não estava preparado para ser exposto a estas imagens de terror. O ‘documentário de Hitchcock sobre o Holocausto’ terminou esquecido.
Em 1985, a rede pública de tevê norte-americana PBS comprou do governo britânico a única cópia conhecida dos originais. As imagens, já editadas, não tinham som. Mas havia um roteiro que a equipe de Bernstein escrevera e texto para narração que acompanhava as imagens. Convidaram o ator Trevor Howard para colocar voz no filme. E o exibiram. Agora está na Internet.
dica do André Fucs
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Com direito a gol no último minuto. Bonito.
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O caso aconteceu há um mês, mas só foi divulgado na semana passada, depois que o jornal Libération citou um artigo de uma revista jurídica. Num tribunal da região de Lille (norte do país), um francês convertido ao islã pediu a anulação do casamento porque a noiva tinha mentido sobre a sua condição de virgem - fato reportado no meio da noite de núpcias aos pais da noiva, que tiveram que acolher o “produto defeituoso”. Apoiado numa lei que garante a anulação em casos de “erro das qualidades essenciais” do cônjuge, o marido enganado conseguiu ter o pedido acatado pelo juiz.
Na França, conservadores e socialistas só concordam numa coisa: a defesa do Estado laico. O caso da burca das alunas de escolas públicas já tinha terminado com o banimento de qualquer adereço que exprimisse a identidade religiosa dos alunos. Agora é o “caso da virgindade” que provoca a ira dos políticos franceses.
Mais dessa história no excelente blog Canaca.
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Certos escândalos são irresistíveis – típica decadência vitoriana, no caso do presidente da FIA, Max Mosley, filmado com algumas prostitutas numa simulação de campo de concentração. Fetiche por nazistas é bizarro.
Mais bizarro – e sabe-se lá como este Weblog perdeu a notícia quando ela saiu no início da semana – é que um agente secreto do MI5, o serviço secreto britânico, foi demitido por conta do escândalo.
Uma das prostitutas era sua mulher.
Mosley diz que foi tudo armação do MI5. Claro. Agora, qualquer desculpa vale.
O pior é o MI5 que, teoricamente, tem um superesquema que revela quaisquer fragilidades de seus funcionários. Como, por exemplo, o fato de que a mulher de um de seus agentes trabalha como prostituta de luxo. Um pequeno detalhe que a organização de 007 não percebeu dentro de sua própria casa.
(Por que espiões não podem ser casados com prostitutas? Porque outros espiões têm fácil acesso a elas. Porque ficam susceptíveis a chantagem. Vários motivos. Por outro lado, prostitutas são excelentes espiãs. De repente estavam mesmo investigando o pobre fetichista da Fórmula 1.)
Atualização – Como foi bem corrigido nos comentários, James Bond não pertence ao MI5, exclusivo para o trato das questões de inteligência interna. 007 e seus pares são do MI6, espionagem externa.
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Uma derrota estrondosa para o governo do premiê Gordon Brown, sugere a imprensa de todo o mundo. Enfim o Partido Trabalhista deixará seu lugar ao Sol e os conservadores terão uma chance de eleger um primeiro-ministro britânico, arriscam uns tantos.
Ora, não é por menos. Desta vez, o Labour de Tony Blair e Brown chegou em terceiro perante não apenas o sofrido Tory conservador de Margaret Thatcher como também os Lib-Dems, liberais demoractas.
Mas não custa, nessas horas, tornar a uma edição específica do New York Times de 2004.
O Partido Trabalhista do premiê Tony Blair sofreu uma grande derrota em toda Grã-Bretanha na quinta-feira, conforme os eleitores se mostravam insatisfeitos com a Guerra do Iraque e com a liderança do primeiro-ministro.
Com a contagem de já três quartos dos distritos até a sexta-feira, os Trabalhistas estavam chegando em terceiro, após os Conservadores e os Liberais Democratas. É a primeira vez em que o partido do governo nacional se deu tão mal em eleições regionais.
Ken Livingstone é provavelmente a única boa notícia que os trabalhistas receberam, já que foi reeleito prefeito de Londres para um segundo mandato com uma margem confortável perante o opositor conservador, Steve Norris.
Evidentemente, 2004 é diferente de 2008. Após dois mandatos, os londrinos decidiram mudar de prefeito. Livingstone era um populista que, muitas vezes, parecia mais disposto a aparecer junto ao presidente venezuelano Hugo Chávez do que dedicado à labuta diária de gerir uma das grandes metrópoles do mundo. Era um prefeito curioso de hábitos por vezes esdrúxulos. Os londrinos gostaram dele por dois mandatos e, como é típico da democracia, decidiram mudar.
Sim, em 2004, quando terminaram as contas, os trabalhistas terminaram à frente dos Lib-Dems. Desta vez, chegaram em terceiro. Mas, do ponto de vista estatístico, a diferença é mínima. Há quatro anos, como agora, os conservadores tiveram uma grande vitória e os trabalhistas e os liberais democratas terminaram estatisticamente empatados.
Não é raro que, na democracia britânica, a população decida dar uma surra no partido do governo durante as eleições regionais. Em 2005, Tony Blair e seus trabalhistas ganharam novamente maioria na Câmara dos Comuns e mantiveram o comando do Reino Unido. Desta vez, é o sucessor trabalhista de Tony Blair, o escocês Gordon Brown, quem levou a surra.
Mas é muito cedo para dizer que o partido de Margaret Thatcher tenha chances de voltar ao governo britânico. Por enquanto, e já por muitos anos, a resposta da população à herança Thatcher tem sido ‘não, muito obrigado’. Nada, apesar da derrota trabalhista desta semana, sugere que isto tenha mudado.
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Em uma semana, Vladimir Putin deixará a presidência russa para assumir o comando de seu partido Rússia Unida.
Do ponto de vista econômico, deixa um país melhor do que aquele que herdou de Boris Yeltsin. Nada tem a ver com sua competência. Yeltsin lidou com um mundo no qual o preço médio do barril de petróleo era 16 dólares. Durante o governo Putin, esteve cotado a 40 dólares em média. Não há porque acreditar que, daqui para a frente, venha a estar abaixo dos 100 dólares.
Mas em que a pujança econômica melhorou a vida russa?
No dia-a-dia do cidadão comum, a aparência é de que melhorou muito. Tanto que Dmitry Medvedev, herdeiro de Putin, venceu com facilidade o pleito. Faça umas pesquisas na rua e ninguém se enganará: venceu porque a esperança popular é de que Putin esteja no comando de fato.
Neste período, Putin privatizou um bom naco das empresas estatais. Só os negócios de mídia da estatal energética Gazprom, vendidos em 2005 por 166 milhões de dólares, hoje são estimados em 7,5 bilhões. (Sim, a estatal energética tinha órgãos de imprensa; e, não, os números não estão errados – a ‘valorização’ representa um aumento de 45 vezes o valor. Não foi vendida. Foi dada de presente.) A privatização na era Putin, e este é apenas um exemplo, representou uma manobra para transferir para as mãos de uns poucos aliados do presidente alguns dos principais negócios do Estado.
A esperança de vida do homem russo, hoje, é de 59 anos. Concorre com a África. Álcool (2,5 milhões de alcoólatras estimados), cigarros e acidentes de trânsito estão entre os responsáveis por estas mortes prematuras. (O número de acidentes de trânsito aumentou 60% de 2000 para cá.) Crimes violentos, e os números são do governo, aumentaram em 170% no mesmo período. O sistema de saúde pública entrou em colapso – algum atendimento, só com suborno. A Organização Mundial de Saúde estima que, numa lista de 190 países, a Rússia está na 130a colocação, pior do que Bolívia e Guiana. O sistema de previdência social também não ajuda. Há um pensionista para cada 1,7 contribuinte. A aposentadoria média é de 160 dólares por mês.
O país é mantido sob controle com mão de ferro e censura à imprensa. Nas contas da ong interna Fundação de Defesa da Glasnost, 75 jornalistas foram atacados de alguma forma e 8 foram assassinados no ano de 2007.
Nenhum dos casos de assassinato de jornalista desde que Putin assumiu o governo foi resolvido.
O governo age com mais tranqüilidade do que era seu padrão no início. O motivo é simples: os sinais que recebe de EUA e da União Européia é de que, na verdade, tanto faz. A Rússia é apenas criticada vez por outra mas ninguém ousa enfrentá-la. Não é tanto o medo de seus armamentos que conta. No caso, trata-se do país que alimenta de gás a Europa. Fora a Alemanha, que faz frente, os outros países – incluindo França e Reino Unido – se encolhem.
Enquanto isso, a Rússia Unida tem uma maioria de 70% na Duma, o parlamento do país. E a oposição está cheia de brigas e desavenças internas.
Este post é baseado no artige de Amy Knight, publicado na última edição da New York Review of Books, baseando-se em entrevistase no relatório Putin, os resultados, publicado na Rússia numa edição pequenina por alguns políticos de oposição. Na avaliação de Knight, Putin só perde poder caso o povo se sinta perdendo qualidade de vida. Até agora, o Estado tem se mostrado incapaz de transformar as benesses angariadas pelo barril de petróleo em alta em serviços.
Em janeiro, a inflação passou de 12% ao ano. O custo de vida está aumentando. O crédito popular também está aumentando – e há muita gente tomando dinheiro emprestado à banca. Para agüentar o tranco, o sistema bancário russo vem pedindo emprestado no exterior. Sinais de uma crise de liquidez? De uma bolha?
Por enquanto, as contas entre importação e exportação produzem um superávit comercial. Mas a diferença vem diminuindo ano a ano, apesar do constante aumento do petróleo. O governo Putin é, além de profundamente corrupto, também de uma extrema incompetência.
Talvez, no fim, a mistura de incompetência e ganância seja justamente a mistura que o derrubará seu grupo do poder.
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O Departamento de Comércio britânico acaba de apresentar sua nova logomarca para o público.
E já está a caminho de aposentá-la.
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Para Gideon Rachman, editor de Internacional do Financial Times, a globalização está ameaçada. Hoje, ele sugere, as elites políticas em todo o mundo estão convencidas de que a abertura global de mercados é o caminho a seguir. Os principais protestos ficaram para trás, nos anos 90 e princípios do século.
Mas há novas ameaças. Não importa em que lado da discussão estamos – se no de quem é contra ou no de quem é a favor da globalização –, sua leitura é interessante:
A ameaça mais óbvia é uma crise na relação política e econômica mais importante do mundo – aquela entre EUA e China. O governo Bush, apesar de sua reputação belicosa, teve sempre o cuidado de evitar confrontos com a China; da mesma forma, os chineses não demonstram qualquer interesse em choque com os EUA – ao menos, não por enquanto. A globalização criou uma teia de interesses mútuos. O maior risco para as relações sino-americanas é o de um erro de cálculo: um choque – sobre comércio ou Tibete ou Taiwan – que ganha tamanho e provoca estrago real. Combine uma recessão norte-americana, uma eleição presidencial e as Olimpíadas de Beijing e lá está uma fórmula para problemas futuros.
No longo prazo, terrorismo e mudanças climáticas também ameaçam o sistema. A globalização depende da facilidade de acesso a qualquer lugar. De formas diferentes, o aquecimento global e o terrorismo global dificultam nossa habilidade de pular num avião a qualquer momento para ir para um outro canto do mundo.
O maior de todos os riscos, no entanto, é o de que políticos comecem a perder a discussão em prol da globalização. Uma pesquisa de opinião recente mostrou que 58% dos norte-americanos acham que a globalização é ruim para os EUA e que apenas 28% acham que ela foi boa. Há dez anos, a globalização ganhava por uma fina margem. Os políticos já está reagindo à mudança. Os democratas argumentam com ceticismo a respeito do livre comércio entre nações. Os republicanos atacam a imigração.
Na Europa, Nicolas Sarkozy, o presidente francês, vem cobrando mais protecionismo para a comunidade européia. Ele quer restabelecer uma ‘preferência comunitária’ – ou seja, tarifas maiores para bens que venham de fora da União Européia. Sarkozy, por enquanto, não tem muitos aliados. Mas a eleição de Berlusconi, na Itália, pode mudar isso.
Quem está de fora considera os indianos e os chineses os maiores beneficiários da globalização. Mas o último governo indiano perdeu a eleição porque os moradores pobres do campo se sentiam excluídos do crescimento. Como há outra eleição se aproximando, nenhum político indiano tem pressa de assinar novos acordos de comércio. É mais difícil avaliar o clima político em países de um só partido, como a China. Mas é evidente a tensão do governo com o desemprego rural, protestos de ambientalistas e a crescente diferença entre o litoral rico e o interior pobre. O capitalismo global parece ser difícil de ser vendido até na China.
A impressão de que os mais pobres perderam com a globalização aumenta conforme aumentam os preços de alimento. A fome – a mais tradicional ameaça a quem está no poder – está de volta a muitos países que abraçaram a globalização.
Líderes políticos em todo o mundo estão se esforçando para agüentar a pressão e manter o consenso que tornou possível a globalização. Mas este é um esforço cada vez maior. A globalização foi possível porque houve mudança na mentalidade de políticos. Aquilo que a política faz, no entanto, a política também pode desfazer.
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A Coligação de Centro-Direita liderada por Silvio Berlusconi levou 47% dos votos italianos, no fim de semana. O velho premiê está de volta, pois, para seu terceiro mandato. Espera-se o mesmo governo corrupto, no qual tráfico de influência é a regra. Mais do mesmo? Não, desta vez há uma diferença. É a Lega Nord.
O partido separatista do norte da Itália recebeu 8,3% destes votos que valeram a Berlusconi sua vitória. Isto quer dizer que a Lega Nord fará parte do gabinete e que terá um bom naco do poder. Não garante a independência da região ali próxima à Suíça, mas que se espere um governo racista.
A vida ficará difícil, principalmente, para ciganos e migrantes que vêm da África e Oriente Médio. Novas leis, ofensivas policiais, o peso do Estado se voltará contra aqueles que ‘decaracterizam’ a Itália.
O país está rachado. Assim como perdeu por muito pouco na última eleição, agora Berlusconi venceu por muito pouco. Mas, para muitos dos eleitores que votaram em partidos de sua coligação, era exatamente isso que se esperava. Os culpados são os imigrantes.
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