Tudo publicado sobre 'Japão'
Já são quatro os candidatos à vaga de primeiro-ministro, no Japão. E um quinto acaba de sair. Melhor: uma quinta. Yuriko Koike, 56 anos. Foi ministra do Meio Ambiente no governo de Junichiro Koizumi e, no ano passado, foi alçada a ministra da Defesa (a primeira mulher a ocupar o cargo).
Não, jamais uma mulher foi premiê.
Koike foi jornalista de tevê antes de entrar na política. Cobriu principalmente negócios, mas foi correspondente de Guerra no Golfo Pérsico, no final do governo Bush pai. O foco de campanha é economia e meio-ambiente.
No ranking realizado pelo Fórum Econômico Mundial em 2007, que avalia a participação das mulheres na sociedade em 128 países, o Japão ficou em 91. (O Brasil, diga-se, está em 74 no ranking; os EUA em 31; Suécia, Noruega e Finlândia ocupam as três primeiras posições. Na América Latina, o primeiro país a entrar é Cuba, 22, depois Colômbia, em 24, e Argentina, em 33.)
Os rumores no Japão é de que Koizumi vai apoiá-la. Mas isso não quer dizer que Koike tenha boas chances de chegar lá. É um país machista, afinal, pouco habituado a ver mulheres em posições de poder.
Tags: Japão
Hoje é 6 de agosto. As fotos do link não são fáceis.
As bombas de Hiroshima e Nagasaki já foram assunto por aqui. O consenso, entre os historiadores, é de que o ato pretendia intimidar a URSS. Os Aliados provavelmente sabiam que o Japão se renderia.
Tags: História · Japão
Forças de Paz das Nações Unidas são necessárias para o mundo. Quando não é legítima a presença do exército de nenhuma nação, ou quando um dos lados do conflito questionaria a intervenção de outro país, lá vêm os capacetes azuis. E, como alguém precisa comandá-los, para isso é necessário que a ONU tenha um Conselho de Segurança. O atual, no entanto, tem seu poder e autoridade constantemente questionados. Parece inútil. Representa a divisão geopolítica de um mundo pós-Segunda Guerra.
E o planeta não poderia estar mais diferente.
Como é preciso ajudar países no chão econômico que já não têm mais crédito, continuaremos a precisar de um FMI. Mas a crise econômica ameaça correr o mundo, com um tipo inédito de inflação global mostrando as garras e o FMI, preso por regras de outros tempos, fica parado a assistir. E o G8, bom e velho G7 + Rússia, que em teoria juntaria as nações mais ricas do mundo. Hoje, discute o preço do petróleo sem a presença da Arábia Saudita; debate a flutuação do dólar sem a China à mesa. O G8 é uma fantasia.
As instituições internacionais são necessárias mas estão obsoletas. Após a Segunda Guerra, com tudo destruído, instituições puderam ser construídas do zero. Agora não dá mais. É preciso pensar em reforma. Da Economist:
Veja o caso do G8. Alguns sonham em reduzir o número concentrando apenas os superpoderes econômicos: EUA, União Européia, China e Japão. A idéia é atraente mas Silvio Berlusconi e Vladimir Putin não vão abrir mão de ter cadeiras à mesa. É melhor aumentar o colegiado para incluir as doze maiores. O G12 teria Índia, Brasil, China e Espanha além de, por um triz, incluir também o Canadá.
A configuração do Conselho de Segurança está bem mais ultrapassada. Ninguém, hoje, concederia à França ou ao Reino Unido poder permanente de veto, mas nenhum deles vai abrir mão da prerrogativa. Enquanto isso, os candidatos óbvios à entrada são atrapalhados por ciúmes regionais: a Índia pelo Paquistão; o Brasil pela Argentina; a Alemanha pela Itália; o Japão pela China. O plano com chances de vitória daria a cada um destes quatro cadeiras permanentes sem direito a veto e duas mais cadeiras para um país muçulmano e outro, africano.
Esta será uma conversa longa. Enquanto nada acontece, o mundo sente falta de instituições representativas que tenham algum poder.
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No início dos anos 20 do século passado, Iwase Yoshiyuki era um jovem advogado recém-formado que tornava à pequena cidadezinha de Onjuku, no Japão. Sua vida estava traçada: sua missão era assumir a destilaria de saquê da família. Mas, aí, alguém deu de presente para Iwase uma câmera fotográfica.
Ele foi para o mar.
Era frio, o mar. Tão frio que só é tolerável entre junho e setembro. As correntes eram fortes. Tão fortes que o mergulho só era possível durante uns 20 dias por ano. Naquele Japão ainda quase medieval no qual o contato do interior com o ocidente era quase nulo, viviam as amas. Eram moças, em geral jovens, que no período de mergulho enfrentavam o gelo da água e as fortes correntes para colher moluscos e algas.
As amas mergulhavam quase nuas em três turnos durante os dias de pouco risco, tinham uma considerável capa de gordura para agüentar o frio e muita força, um trabalho árduo e, por isso, valorizado. Mergulhavam por períodos curtos entre 60 e 80 vezes todos os dias. Ganhavam nestes 20 dias por ano muito mais do que a maioria das pessoas em Onjuku durante todo o ano.
As amas, durante muitos séculos, é que colhiam as algas que revestiriam os tekkas da culinária japonesa de sushis e sashimis. Mas conforme a modernidade foi chegando, as amas se foram. Já na década de 60, não existiam mais seus mergulhos quase nuas, como não existiam mais os samurais ou mesmo o Japão do fim da Era Meiji que representavam.
As belíssimas fotografias de Iwase Yoshiyuki são a única documentação feita delas. Iwase morreu em 2001, aos 97 anos.
via Metafilter
Tags: Japão
Num acidente lastimável, o deputado britânico Winston Churchill foi atropelado numa visita a Nova York, no ano de 1931. Morreu.
Em 1939, o Reich alemão invade a Polônia e lança uma grande ofensiva contra toda a Europa. O continente está dominado já em 1940, quando o premiê britânico Neville Chamberlain assina a rendição.
A ofensiva oriental nazista toma dois cursos. Domina o petróleo no Oriente Médio e avança contra a União Soviética. Stalingrado cai em setembro de 1941. Enquanto isso, na Ásia, o Japão estende seu comando no continente.
Em 1953, o Reich lança um ataque contra Nova York.
Turning Point, Fall of Liberty é um video game inglês. Acaba de ser lançado e conta uma história paralela do mundo. O El País tem um site especial com vídeos do jogo.
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Os maiores compradors da dívida norte-americana não estão mais tão disponíveis a serem credores do que costumavam. De acordo com informações do Departamento do Tesouro, os cinco maiores credores dos EUA (Japão, China, Reino Unido, grandes petroleiras e Brasil) eram donos de um total de 1,224 trilhões de dólares em agosto de 2006 e 1,459 trilhões em agosto de 2007. Este é um aumento de 235 bilhões. Neste período de um ano, as únicas grandes compras vieram do Reino Unido (189,4 bilhões) e do Brasil (63,6 bilhões). A China aumentou seu investimento em apenas 13 bilhões e o Japão vendeu papéis no valor de 37,9 bilhões. Em outras palavras, os bancos centrais asiáticos – que costumavam ser compradores contumazes de dívida norte-americana – simplesmente não estão mais interessados.
Pescado de um artigo maior a respeito da composição da dívida externa norte-americana. Pois é: o mundo gira, a lusitana roda…
dica do Vitor Conceição
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Ouça, gafanhoto, esta história que ora conto: houve pois, que há muitos e muitos anos, um ninja japonês pôs-se perante o Templo Shaolin, na China, onde nasceu o kung-fu.
Venceu os monges todos, um por um, o tal ninja.
Ao menos, é o que disse um sujeito num fórum público da Internet chinesa.
Para quê: um advogado do Templo Shaolin, informa a Reuters, está atrás do sujeito, deseja processá-lo pela grave ofensa.
Pois imaginem: sugerir que um ninja possa derrotá-los.
Os monges do Templo Shaolin põem graves dúvidas a respeito da credibilidade da informação que circula na rede.
via Boing boing
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O motivo inicial para ter entrado no Projeto Manhattan foi que os alemães eram perigosos e esta convicção me lançou num ritmo de ação concentrada para desenvolver este sistema primeiro em Princeton, depois em Los Alamos, pra fazer com que a Bomba funcionasse. Tentamos redesenhar o negócio várias vezes para piorar a bomba. Mas o que eu fiz, imoralmente, foi esquecer o motivo que tinha me colocado nisso. Então, quando a Alemanha foi derrotada, jamais passou pela minha cabeça que isto queria dizer que eu deveria reconsiderar este trabalho. Simplesmente não pensei nisso, ok?
A única reação de que lembro – talvez eu estivesse cego pela minha própria reação – era um estado de excitação porque havia festas e bebíamos muito e isso fazia um contraste brutalmente interessante entre o que rolava em Los Alamos e aquilo que acontecia em Hiroshima. Eu estava ali no meio daquela coisa feliz e bebendo e batendo meus tambores, andando de jipe e batendo mais os tambores e correndo por toda parte em Los Alamos e ao mesmo tempo as pessoas estavam morrendo em Hiroshima.
Tive uma reação muito forte depois da guerra, talvez só pela bomba ou talvez por causa de outros motivos psicológicos, minha mulher tinha acabado de morrer, mas lembro de estar em Nova York com minha mãe, num restaurante, e isto era imediatamente depois de Hiroshima, e eu pensava sobre Nova York e eu sabia o tamanho da bomba, o tamanho da área que ela atingia, e pensei que aqui estamos, na rua 59, e se ela fosse jogada na 34 chegaria até ali e todos em volta morreriam e embora não houvesse nenhuma bomba, era fácil construí-la. Estávamos todos condenados. Eu sentia esse desconforto e pensei, mas acreditava muito nisso, que tudo era tolo: eu olhava para as pessoas construindo uma ponte e dizia ‘eles não entendem’. Não via mais sentido em construir qualquer coisa porque tudo seria destruído e ninguém entendia isso e eu olhava para toda construção que via sendo feita e pensava: para quê?
Richard Feynman.
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Há 62 anos hoje, o B-29 norte-americano Bockscar sobrevoou a cidade de Kokura, no Japão, carregando a bomba atômica ‘Fat Man’. Uma nuvem espessa impedia contato visual com o lugar. O major Charles Sweeney, que comandava a missão, decidiu partir para Nagasaki, seu alvo secundário. Às 11h01, o artefato carregando 6,4kg de plutônio-239 foi solto no ar e caiu por 43 segundos até que, 469 metros acima da superfície, explodiu. A temperatura foi elevada a 4.000 graus e o desclocamento de ar provocou ventos de 1.000 km/h. Tudo o que havia num raio de 1,6km desapareceu.
Aí, 70.000 pessoas morreram. A elas, somaram-se outras 10.000, nos meses seguintes.
Mick Hume é o tipo do marxista que a direita gosta. (Ele é daqueles que acha aquecimento global uma forçada de barra.) Colunista do Times de Londres, ex-editor-chefe da revista online Sp!ked, Hume é inteligente, bom argumentador e polemista dos bons. Agora, tem uma provocação nova na praça: as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram atos racistas.
O Japão era um problema para as elites ocidentais desde que a vitória sobre a Rússia, em 1905, o lançou no cenário mundial. Emergiu como um dos grandes poderes capitalistas mas jamais realmente fez parte do clube. Sua população não era branca. A noção de superioridade racial e das ‘responsabilidades do homem branco’ estavam na base ideológica e na auto-imagem do imperialismo ocidental. Uma nação asiática não poderia ter o direito de sentar-se livremente à mesa do poder.
A Conferência de Versailles, realizada em 1919 após a Primeira Guerra, dá evidência deste duplo padrão racial. Enquanto norte-americanos e britânicos se comprometiam com os novos movimentos de afirmação nacional europeus, negaram ao Japão a inclusão de uma cláusula de ‘igualdade racial’ no tratado que deu forma à Liga de Nações (precursora da ONU). Um testemunho diz que a emenda japonesa rejeitada era ‘um evidente desafio à teoria da superioridade da raça branca na qual se baseavam as pretensões imperiais britânicas’.
Para Hume, o governo dos EUA tinha plena consciência de que o Japão se renderia. Relatórios da inteligência norte-americana já davam notícia de que a liderança militar japonesa se movimentava para a rendição três meses antes das bombas. Outros documentos indicam que, mesmo antes de a derrota nazista estar clara, os EUA jamais tiveram a intenção de jogar a bomba que construíam na Europa. Não, nem mesmo na Alemanha que causava o Holocausto.
Acontece, ele segue seu raciocínio, que a bomba não seria jogada contra a Europa mas tinha que ser jogada de qualquer forma. Motivo: ela consolidava o domínio mundial econômico e militar dos EUA para o tempo que estava para vir no pós-Guerra.
Exagero de Hume? A discussão é boa. Os documentos que apresenta indicando que não havia a intenção de jogar a bomba contra a Europa são intrigantes. Costumamos pensar que só a Alemanha Nazista era racista. Mas, embora talvez jamais viessem a criar uma máquina de genocídio como a do Holocausto, todos os poderes imperiais europeus criam, ainda na primeira metade do século 20, na superioridade de sua civilização perante todas as outras do mundo. É um tempo que nos soa distante, hoje, mas ainda há gente por aí que viveu tal momento. Tintim na África foi tema deste Weblog não faz muito tempo.
(O Bitt escreveu dois bons posts sobre o assunto no Neuromaníaco.)
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Em 1992, 20% da mão-de-obra japonesa era composta por trabalhadores temporários. Em geral, eram donas de casa que pegavam um serviço aqui, outro ali, em geral por meio período. Foram flexibilizando as regras para ampliar empregos. Hoje, 33% dos japoneses estão nesta. E não são donas de casa cujos maridos têm emprego fixo. São jovens.
É o cúmulo do laissez-faire, aquele ponto em que pode-se empregar de qualquer forma sem quaisquer exigências.
O resultado é que a juventude japonesa é pobre. Muito pobre. Não pode casar, criar família e, embora tenham razoável educação, vão envelhecendo sem ter adquirido experiência suficiente para conseguir um emprego de melhor qualidade. O que ganham é para subsistir. O resultado é que a economia japonesa está crescendo, a concentração de renda aumentando, a classe média empobrecendo e o consumo está parado.
Programas governamentais que tirem os 1,9 milhões de japoneses com menos de 35 que jamais tiveram emprego estável são considerados a prioridade do governo do premiê Shinzo Abe.
O Japão oferece um estudo de caso interessante para quem gosta de fórmulas para solucionar os problemas de países outros.
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