Glauber e Sarney

9/08/2009 - 19h26 - 72 Comentários

Documentário sobre a posse do governador do Maranhão, 1966.

O curta-metragem é de Glauber Rocha. Foi assim que tudo começou.

Uma construção posto que é domingo

9/08/2009 - 09h32 - 13 Comentários

congresso_nacional

Império e República no Brasil de Sarney

7/08/2009 - 11h16 - 82 Comentários

Presidente do Conselho de Ética, o senador Paulo Duque (PDT) usou o que chamam ‘direito imperial’ na sessão que arquivou quatro acusações contra o senador José Sarney, uma contra Renan Calheiros. Sérgio Abranches comenta em seu blog:

A possibilidade de que um presidente pratique ‘atos imperiais’ é, portanto, uma ameaça ao princípio constitucional do equilíbrio democrático dos poderes republicanos. Isso, obviamente, se aplica ao Presidente da República. De fato, a idéia de que um parlamentar, no exercício de uma presidência eventual tenha ‘direitos imperiais’ representa a corrupção do ‘jus imperium’, que é uma prerrogativa exclusiva do chefe de estado, que exige enorme parcimônia no uso. Em um Conselho de Ética é uma aberração formal e substantiva.

Erros dessa natureza parecem triviais, mas não são. Representam o desprezo e o desconhecimento na prática da política brasileira dos princípios elementares da democracia representativa em uma República. O próprio termo ‘republicano’ tem sido achincalhado diuturnamente no Brasil. Isso mostra como nossa democracia ainda é tosca e primitiva. Diga-se, até por respeito à realidade, que algumas das democracias mais avançadas do mundo não são republicanas.

A própria atitude corporal do presidente do Conselho de Ética, a desordem do plenário, o atropelo das formalidades mostram, pela forma, o desprezo pelos ritos democráticos. Uma encenação que se revela intimamente, como em uma metalinguagem inconsciente, mostrando o que queria esconder, escancarando sua verdadeira natureza: um ato contra a instituição legislativa e as instituições democráticas. Ato banal, mas expressivo. O dia de ontem no Senado foi em si irrelevante, até pelo grau de banalização, realizando o esperado. Mas foi primordial como metáfora dos descaminhos de nossa democracia, que se apresentam na forma – displicente, desmazelada – e no conteúdo – de afirmação da impunidade e do privilégio. Na democracia, a forma é tão importante, quanto o conteúdo das ações. Aquele foi apenas mais um momento de acobertamento do abuso de poder, do uso indevido de recursos públicos, do clientelismo nepotista e autocrático, do desprezo pelo eleitor, da ausência quase absoluta de accountability revelada pela própria ausência de termo equivalente no vocabulário português. Os parlamentares brasileiros e os presidentes não se sentem obrigados a prestar contas de seus atos a seus eleitores.

Alvaro Uribe, Hugo Chávez e os EUA na Amazônia

7/08/2009 - 09h14 - 140 Comentários

O presidente colombiano Alvaro Uribe saiu em tour pela América do Sul para colher apoio a seu plano para permitir ao exército norte-americano o uso de sete bases em seu país. O presidente Lula diz que se elas se limitarem ao combate ao narcotráfico em território colombiano, trata-se de questão interna da Colômbia. O Brasil quer explicações, mas a princípio não criou problemas. Uruguai, Paraguai, Chile e Peru seguiram na mesma toada. Argentina, Bolívia, Equador e – que surpresa – a Venezuela receberam a notícia com sobressaltos.

A Colômbia diz ter provas documentais de que a Venezuela continua a armar as Farc. Chávez ameaça cessar as relações comerciais entre os dois países e, dada a balança comercial, o impacto sobre a Colômbia não é irrelevante. Quer comprar também mais tanques russos. Sugeriu que as relações mais estreitas de Colômbia e EUA podem marcar o ‘início de uma guerra’ na América do Sul. (Alguém leva Hugo Chávez a sério?)

O blog da boa revista Foreign Policy sugere que Chávez se aproveita de uma boa desculpa política para armar seu exército. Que ele tem ambições de aumentar a influência externa da Venezuela, não há dúvidas. É só o que faz. Como os tanques não cruzarão a mata densa em direção à Colômbia, há sempre uma outra possibilidade, sugere um comentarista do blog: os tanques são para uso interno, mesmo. Vai que a popularidade cai e é controlar manifestações nas ruas.

Excêntrica política venezuelana à parte, o plano de Uribe é realmente complicado. Ele não apenas cede a soberania de seu país ao estilo saudita, como cria desconforto em toda região. Não custa evitar histeria com o futuro da Amazônia. Tampouco custa lembrar que ela é de fato difícil de gerenciar. Quem garante que o exército dos EUA não irá tratar com desleixo as fronteiras?

Liveblogging do Senado

5/08/2009 - 15h33 - 84 Comentários

O Estadão está fazendo a cobertura online da sessão. José Sarney deve falar a qualquer momento.

No tempo da censura

3/08/2009 - 13h44 - 77 Comentários

Houve um tempo em que a censura à imprensa, no Brasil, era política de Estado. A TV Estadão fez este documentário que segue a respeito – é um bocado interessante.

De volta; é hora

3/08/2009 - 00h01 - 116 Comentários

Bom dia. A caminho dos 1.700 comentários, é? Caramba. Este é um recorde.

Foram, estas últimas, três semanas agitadas que culminaram, na última sexta-feira, com a liminar conseguida por Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney, que ordenou ao Estado que retirasse do ar as gravações sobre as quais não posso – na condição de editor-chefe do portal do jornal – falar.

Mesmo se todos os veículos de imprensa do Brasil fossem ordenados pela Justiça a se calar, uma característica fundamental da Internet permanece: a informação continua lá.

O Estado de S. Paulo tem trabalhado duro, nestes últimos meses, para levantar os bastidores de como opera o Senado federal. Jornalismo serve para isso: iluminar o que é de interesse público, porem não ocorre às claras.

Nestes próximos meses, vou ter que reaprender a blogar.

A tradição da imprensa é a de que o editor-chefe é discreto. A voz de um jornal se divide entre seus colunistas e editorialistas. Mas a Internet muda um pouco o jogo. Ser blogueiro não é apenas questão de método; a coisa se incrusta na alma. Não sei se é possível conciliar as duas posições, então vamos aprender juntos como fazer. Este contato entre imprensa e seus leitores, transformados nos tempos da Internet eles próprios em produtores de informação, é fundamental. Gosto de participar dele. Como sempre, podem esperar de mim total franqueza.

Por aqui, o tema principal continua sendo política internacional, mas há uma eleição presidencial no ano que vem. Uma eleição que ocorrerá principalmente na web. São tempos interessantes.

Agora que é agosto, o Weblog está para fazer sete anos. Hora de voltar ao trabalho.

Honduras e o que ela muda no jogo de poder das Américas

7/07/2009 - 14h01 - 92 Comentários

O fotógrafo James Rodriguez, em seu blog, apresenta cenas dos protestos contra o Golpe em Honduras.

O complemento vem por conta de Alon Feuerwerker:

A situação pode mudar rapidamente, dada a precariedade do equilíbrio. A estratégia agora dos partidários de Zelaya é aprofundar o isolamento internacional do país, inclusive com mecanismos de bloqueio econômico. Contra Cuba o recurso não tem funcionado. Só que Honduras não é Cuba. Vamos aguardar.

Merece registro que os aliados continentais de Havana, inclusive o Brasil, peçam aos Estados Unidos pelo isolamento de Honduras. É a legitimação do papel hegemônico de Washington, contra o qual a esquerda latino-americana se batia, quando interessava. O demonizado George W. Bush deve estar sorrindo no Texas, enquanto Barack Obama, a pedido inclusive de Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, faz uma faxina na biografia do antecessor.

Outro subproduto da inédita unidade continental em torno de Zelaya é a criação de um ambiente mais confortável para o Senado brasileiro votar a adesão da Venezuela ao Mercosul.

O inacreditável fim de José Sarney?

3/07/2009 - 11h24 - 198 Comentários

Não faz muito tempo, pesquei do Marcelo Tas – nosso Sarney Watcher extra-oficial – o seguinte post:

Ele está no poder há exatos 54 anos. Deu ao Brasil a maior taxa de inflação do mundo. Voraz como uma cobra caninana, repartiu com a escória política verde-amarela o maior lote de canais de rádio e TV da história. Matreiramente, montou um império de comunicação no Maranhão, onde atingiu status de semi-deus imortal (lá, até sua tumba já foi construída com dinheiro público!). Com a morte de Tancredo, chegou à Presidência da República. Depois, diante de queda moral vertiginosa, teve a cara-de-pau de criar domicílio falso no Amapá para poder continuar aboletado no carguinho de senador em Brasília.

Dentre os gaviões da política brasileira, ninguém voou tão alto, ninguém foi mais esperto, ninguém sobreviveu por tanto tempo. Esteve no comando de dois dos três poderes. Até seu par Antônio Carlos Magalhães foi obrigado a reununciar ao Senado. Sarney, não: sempre escapou incólume.

Agora parece que ele vai.

Se e quando ele deixar a presidência do Senado, o último coronel, dono de um (dois?) estado(s), representante legítimo da velha estrutura oligárquica brasileira, terá tido sua queda e provavelmente não mais se levantará. O quanto o Brasil mudou desde a democratização? Terá mudado o suficiente para que um oligarca regional consiga tanto poder na esfera nacional? Minha impressão é de que não mais.

Regras para uso da Internet em 2010

25/06/2009 - 09h11 - 18 Comentários

O Fernando Rodrigues conta, em seu blog, como os deputados estão imaginando a legislação para regulamentar o uso eleitoral da Internet. Ainda não é lei aprovada. Certamente é melhor do que existiu na eleição passada, mas permanece conservadora. O Fernando indica os piores pontos bem, sua análise é clara, mas não custa destacar o pior dentre os piores:

Sátiras, animações, entrevistas, humor – tudo realmente ficará proibido ou restrito. A ideia dos deputados, dizem, é transportar para a web as regras que vigoram em parte dos meios de comunicação. Por exemplo, o site que entrevistar um candidato e deixar os outros de fora certamente estará correndo o risco de ser processado. Sobretudo se o entrevistado ousar fazer algum tipo de crítica aos adversários. Um trecho da proposta de lei fala, explicitamente, que é proibido “dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação”. Ou seja, qualquer coisa pode ser interpretada dessa forma.

Obrigar blogueiros que entrevistem um candidato a só poder publicar se entrevistarem os outros é desleal e pressupõe que operam em igualdade de infra com os grandes veículos. Eles não vão necessariamente conseguir outras entrevistas. É uma tentativa de coibir a Internet.

Agora: proibir ou restringir sátira de políticos na web? Essa quero ver implementarem. Se isto não é censura, o que é?

Outros pontos resumidos:

Aparentemente, os eleitores poderão fazer doações em dinheiro via Internet para políticos.

Para os sites, debates ficarão difíceis de fazer – será preciso a aceitação de 2/3 dos candidatos, mesmo que a disputa real seja entre apenas dois deles.

O que chamam de ‘propaganda eleitoral’ só pode depois de 5 de julho. O que acontece com sites hospedados no exterior? Os deputados não sabem dizer. A porta para censura como houve deste Weblog continua aberta, quando uma declaração de voto pode ser interpretada pelo TRE como propaganda.

Propaganda mesmo, banners pagos, provavelmente serão completamente proibidos. Por quê? Porque os senhores deputados não têm certeza sobre como definir propaganda na web. Por via das dúvidas, proíbe-se.

Enquanto os deputados tentam regular o que não é tão regulável assim – o fluxo de informação na Internet – vários deles e de seus pares políticos já operam livremente no Twitter. O Link do Estadão tem a lista.

O blog da presidência

23/06/2009 - 11h28 - 116 Comentários

Isso mesmo: Lula terá um blog. E um Twitter.

O blog da Dilma

18/06/2009 - 20h42 - 24 Comentários

Se José Serra tem Twitter, não por isso, Dilma Rousseff 2010 tem blog.

Atualização – Como vocês já disseram nos comentários, o blog é de simpatizantes, não da campanha oficial.

dica do Pax

Era tempo

18/06/2009 - 05h33 - 132 Comentários

O STF definiu, agora, todo jornalista é jornalista.

Jornalismo, perdoem os companheiros de profissão que discordam, é uma forma de exercício da liberdade de expressão. É um direito de todo cidadão, não pode ser restrito. E, em tempos de novas mídias que põem nas mãos de qualquer um os meios de publicar e distribuir informação e opinião, a lei era impossível de funcionar.

Ainda a Petrobras, direto do Panamá

10/06/2009 - 13h46 - 149 Comentários

Daqui do bravo Aeropuerto Internacional de Tucumán, não longe da Ciudad de Panamá, não resisti e saquei o computador para fuçar o que se fala por aí.

Tem horas que nada resolve melhor uma discussão do que o bom humor e o blog PetroPerguntas é genial: petroperguntas.blogspot.com.

Todos os jornalistas que cobrem a Petrobras, portanto, que estejam convocados a listar todas as perguntas que a empresa se recusa a responder. Por que seguir apenas metade do caminho da transparência, não é?

via Dicas de um fuçador

Sobre o presidente Lula

9/06/2009 - 00h01 - 131 Comentários

Um amigo me fez um comentário ontem, por email, que me deixou pensando quase o dia todo – e não foi um dia tranqüilo.

Ainda bem que o Lula é um conciliador, não um messiânico.

Acho que foi uma das coisas mais sábias que ouvi sobre o presidente.

A Petrobras e a imprensa golpista

8/06/2009 - 06h22 - 314 Comentários

Na semana passada, acompanhei atento a conversa entre dois amigos – Sergio Leo e Idelber Avelar – sobre a “imprensa golpista”. Neste domingo, recebi não um, não dois – mas oito emails me perguntando se existe a instituição do “sigilo de pergunta” de jornalistas. Trata-se, evidentemente, do já polêmico blog da Petrobras. Os dois assuntos estão relacionados.

Antes de tudo: não, não existe sigilo de pergunta. A Petrobras, ou qualquer empresa, tem o direito de tornar públicas todas as perguntas que recebe de repórteres. Não é nem ilegal, nem antiético.

É só má assessoria de imprensa.

A Petrobras decidiu comprar uma guerra contra os jornais, quebrando seus furos. Tem o direito, evidentemente. Do ponto de vista político, escolheu o alvo errado. Não é a imprensa que está em guerra contra a Petrobras. Quem pôs a Petrobras no centro do picadeiro foi a oposição ao governo federal, com o objetivo de fazer chantagem política. A diretoria da Petrobras talvez esteja convencida de que a grande imprensa e a oposição política são a mesma coisa. Mas não são – são bichos com interesses absolutamente diferentes.

Se o único objetivo da Petrobras fosse realmente transparência, era muito simples resolver: publica perguntas e respostas logo após os jornais levarem ao ar suas informações exclusivas.

O pior que uma empresa de assessoria de imprensa pode fazer para seus clientes é perder a relação de confiança com repórteres e editores. Essa confiança, afinal, é o que a sustenta. Lição básica que quem é do ramo conhece. Se pode fazer algum sentido a curto prazo – os suspeitos de sempre vão elogiar, afinal – a médio e longo prazo, tem gente arruinando a própria reputação.

Mas esta é uma questão acessória.

A questão real, a discussão principal da qual esta polêmica é só um capítulo, é a relação entre imprensa, empresas, governo e público. Estou longe das redações, então não sei como essa discussão está sendo encarada nas diretorias. Se eu tivesse que chutar, apostaria que ninguém está percebendo: a credibilidade da imprensa brasileira está lentamente sendo minada.

Isso aconteceu aqui nos EUA alguns anos atrás e marcou o início da crise da indústria. Aqui foi igual, mas trocaram os sinais: a imprensa era acusada de estar a serviço da esquerda – the liberal media – e os cães de ataque do governo Bush, no rádio e na Internet, fizeram de tudo para derrubá-la. Some-se o bombardeio a uma série de erros cometidos nas redações, de Dan Rather na CBS ao New York Times, e pronto.

Aqui no Brasil é igual. Quem tem o poder político acusa a imprensa de estar a serviço da oposição e erros da própria imprensa colaboram para a ilusão. A diferença é que no Brasil a grande imprensa não se manifesta. Continua a tocando sua vida como se não houvesse um bode no meio da sala.

Ela ignora o problema porque acredita que as acusações são isoladas – uma meia dúzia de blogueiros que perderam seus empregos nas grandes redações e a outra meia dúzia que os segue. A questão é que a acusação de que a imprensa é partidária ressoa perante o público. Muitos dos leitores, inclusive aqueles mais atentos, acreditam que o trabalho jornalístico está a serviço de interesses que não são, necessariamente, os do público.

A crise que a imprensa vive hoje nos EUA começou assim.

Depois, quando a estrutura de financiamento da indústria começou a ruir, a grande imprensa precisou argumentar sobre sua importância para a democracia. A questão é que os leitores não acreditam. A imprensa dos EUA vive sua maior crise de credibilidade na história justamente na época em que mais precisa de credibilidade.

A imprensa brasileira deveria começar a atacar essa questão agora. As empresas que prestam assessoria de imprensa para a Petrobras podem estar cavando a própria cova no futuro mas, desatenta, a grande imprensa não percebe que a ação de hoje faz parte de um contexto que ameaça sua existência.

Para garantir sua sobrevivência no futuro, os grandes veículos de imprensa no Brasil precisam começar imediatamente um processo de conversa com os leitores. Devem apostar radicalmente na transparência de seus processos internos. Não podem apostar que os leitores confiarão apenas pelos seus olhos: têm que ganhar a confiança.

Não estou, aqui, dizendo que todos os veículos fazem jornalismo de primeira ou que erros não tenham sido cometidos. E é claro que devemos discutir cada um dos erros. Aliás: é justamente pela discussão e admissão aberta e franca, pela imprensa, de seus próprios erros, que passa a solução. A instituição imprensa é fundamental para a democracia e alguém tem que fazer jornalismo que não seja partidário. Se quem faz não é percebido assim, há um problema de comunicação que precisa ser imediatamente corrigido.

Atualização – À moda da imprensa norte-americana, e para fazer jus à transparência que cobro, devo dizer que – como muitos brasileiros – tenho ações da Petrobras, portanto pode-se argumentar que tenho interesse financeiro direto no sucesso financeiro da empresa. Acaso alguém dentre os leitores não o saiba, sou colunista do jornal O Estado de S. Paulo. Fui colunista da Folha de S. Paulo, já escrevi para alguns títulos da Abril e fui funcionário tanto da Rede Globo quanto da GloboPar. Quando falo sobre a grande imprensa, portanto, falo de dentro, com todas as vantagens (informação sobre como funciona) e desvantagens (me paga o salário) que possam haver.

Câmara lança rede social

2/06/2009 - 14h53 - 29 Comentários

Os testes abertos da comunidade virtual e-Democracia, levantado pela Câmara dos Deputados, começam na quarta-feira (3), a partir das dez horas da manhã, para discutir o fenômeno da mudança climática no país.

Nos domínios da rede social, cidadãos comuns, deputados interessados e especialistas debaterão sobre a mudança do clima, ou, mais precisamente, nas palavras do gerente do projeto Cristiano Ferri, gerarão informação estratégica para a Política Nacional de Mudança do Clima.

Mais detalhes na Info. O site eDemocracia estará no endereço edemocracia.gov.br.

Dilma e Serra empatados

1/06/2009 - 17h02 - 113 Comentários

No Estadão:

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, subiu na pesquisa espontânea do CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira, 1º, e, pela primeira vez, chegou a empate técnico com o governador de São Paulo, José Serra. No primeiro turno, Serra tem 5,7% e Dilma 5,4% no primeiro turno. Na pesquisa anterior, realizada em março, Serra tinha 8,8% e Dilma, 3,6%. A ministra cresceu em todas as listas e cenários do levantamento, que ouviu 2 mil eleitores entre os dias 25 e 29 de maio.

A ministra perderia num segundo turno. Mas por uma margem mais estreita do que na pesquisa anterior. O nome dela está crescendo – e as eleições presidenciais brasileiras, começando.

AirFrance 447 desaparecido

1/06/2009 - 12h49 - 128 Comentários

Entendi que vários de vocês estão aflitos com o desaparecimento do AF 447 – eu mesmo já peguei este vôo, é uma das linhas mais populares rumo a Paris. Direcionem para cá as discussões novidades.

1 –Leitores da França e do Brasil estão discutindo aqui, neste momento, a percepção da tragédia de um lado e do outro do Atlântico.

2 – Para observar ao longo do dia. Vejam como se portam as autoridades francesas e as brasileiras na tragédia que envolve cidadãos de ambos os países.

3 – Há funcionários da Vale, Siderúrgica Atlântico, Prefeitura do Rio e Michelin entre as vítimas. Números no momento: 228 mortos, oito deles crianças, 12 tripulantes. 58 passageiros brasileiros e 61 franceses.

4 – Destroços foram encontrados 650 quilômetros a nordeste de Fernando de Noronha.

Ahmadinejad, não. Mas Karimov pode?

26/05/2009 - 14h27 - 60 Comentários

Um amigo, que por motivos profissionais é obrigado a acompanhar de perto a diplomacia brasileira, anda intrigado com o que sugere ser uma incoerência pátria.

Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá seu par uzbeque Islam Karimov, que vem em visita oficial ao Brasil. O Planalto vem ampliando as relações comerciais e institucionais com o Uzbequistão.

Sim: saíram uma meia dúzia de linhas sobre a visita na imprensa.

Quando o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad organizou sua visita ao Brasil, houve uma enxurrada de protestos questionando os direitos humanos em seu país. Eram protestos coerentes.

Islam Karimov, segundo o ex-embaixador britânico Craig Murray, fervia em água até a morte seus inimigos políticos. Literalmente. O governo uzbeque talvez seja o mais fechado do mundo. Conseguir um visto de entrada no país, para um jornalista, é praticamente impossível. Outro amigo, Burt Herman, que até há um ano era o diretor da sucursal nas Coréias da AP, foi um dos raros repórteres a entrar no Uzbequistão. Em 2005, Karimov ordenou que o exército abrisse fogo contra manifestantes, incluindo mulheres e crianças. Lá estava a passeata, então todos os corpos no chão. Herman tentou levantar quantos morreram. Ele acredita que foram mais de mil, mas não tem como provar.

Nenhum dos direitos fundamentais de uma democracia existem no Uzbequistão. Tortura e prisões sem mandado judicial são a norma. Segundo a Human Rights Watch, a prática habitual na lida com prisioneiros inclui choques elétricos, abuso sexual e asfixia. Não há liberdades de culto, de imprensa, de livre associação ou de assembléia. Estados Unidos, União Européia e ONU já pediram que investigações a respeito da conduta do governo uzbeque fossem conduzidas. Karimov sempre negou qualquer tipo de acesso.

No entanto: nem um pio. Ahmadinejad não pode, o que pode é Karimov.