No primeiro comunicado da al-Qaeda sobre Obama, o número dois de bin-Laden, Ayman al-Zawahiri, chama o presidente eleito dos EUA de ‘negro de casa’. É uma citação de Malcom X, o líder negro radical dos EUA nos anos 60, que separava os seus entre ‘negros de casa’, dóceis perante o senhor branco, e ‘negros da plantação’, aqueles que se rebelavam contra a escravidão.
Ao menos, esta é a tradução que a própria al-Qaeda forneceu para o termo árabe utilizado por al-Zawahiri. Segundo a revista Foreign Policy, a tradução correta seria ‘house slave’, ‘escravo da Casa Grande’; mucamo.
O jornal britânico The Guardian informa que Hillary Clinton aceitará o cargo de secretária de Estado oferecido por Barack Obama. É o ministério mais importante de um governo norte-americano, aquele responsável pela parte diplomática da política externa. (Afinal, o secretário de Defesa toca a parte militar.)
É a primeira vez que um órgão de imprensa importante publica a informação com cara de certa, e não apenas de rumor.
Fabião Lima é um sujeito daquele tipo sempre de bom humor. Sente a seu lado e ele de presto terá uma história para contar. Esta, por exemplo:
Na Toyota presa no barro, só três senhores e duas senhoras. Chovia muito. Como uma pessoa tinha que guiar, escolheram a dona da fazenda, que por sinal, sabe manusear o carro muito bem. Meio sem graça, pediram que os três senhores empurrassem o carro pra sair daquela lama. Não teve jeito. O gringo, lívido, arregaçou as mangas e foi empurrar o carro. Suava muito. Depois de algumas tentativas, lama até na sombrancelha, o carro saíu. Chegaram em casa e o gringo desabafou: Foi uma das melhores viagens de sua vida. Hoje, esse gringo é bem conhecido.
‘Como o senhor tem passado’, pergunta Jay Leno. ‘Tenho dormido como um bebê’, responde McCain. ‘Durmo duas horas, acordo e choro, durmo outras duas horas, acordo e choro…’
Ao longo da última semana, recebi nos comentários e por email cobranças sobre a falta de menção da vitória da Proposição 8, na Califórnia. Em pelo menos dois dos emails havia uma nítida aflição: se nem na Califórnia o casamento gay passa, será que haverá alguma chance em algum lugar no mundo? É um assunto que mexe principalmente com quem está pessoalmente envolvido. E dói.
Este post segue num formato um pouquinho diferente.
Como o Sim venceu na Proposição 8, a constituição do Estado será emendada para ganhar um artigo no qual o casamento civil é caracterizado como a ‘união entre um homem e uma mulher’. Uniões civis entre pessoas do mesmo sexo continuam legais.
Na Califórnia, enquanto o resultado não é oficializado, alguns condados estão celebrando tantos casamentos quanto possível.
Lutas por direitos civis não são simples e seguem sempre assim, com idas e vindas. Não consigo imaginar um mundo em 2030 no qual o casamento entre homossexuais não seja legal em todo o ocidente. Será. Vai acontecer. Acontecerá até no Brasil. Acontecerá antes se o movimento LGBT tupinambá pressionar. Depois de todo o mundo, se ninguém tocar na questão. Acontecerá – mas demora.
Por que ‘casamento’?
Palavras são importantes. A palavra casamento tem um peso na sociedade. Perdoem se pareço piegas, mas é que não há outras palavras para exprimir a idéia: casamento quer dizer um vínculo de amor e dedicação. Casamento é uma mudança, uma fase de vida que se inicia – uma fase que, idealmente, só será interrompida pela morte de um no casal. Este é o tamanho da dedicação. É uma das decisões mais importantes de nossas vidas. É uma união maior que todos reconhecemos, uma maneira de comunicar a todos que agora você divide a totalidade de sua vida, de seus projetos, ambições, com um par. Casamento é um processo pelo qual quase todos nós, humanos, passamos. Casamento não é uma obrigação, mas faz parte de nossa humanidade. Não se tira esse direito de parte da humanidade.
Dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem casar quer dizer que duas pessoas do mesmo sexo não podem desenvolver um vínculo de amor e dedicação. No fim, a idéia disfarça o preconceito de que só pode ser tara. Só pode ser sexo.
Simplesmente não é certo.
Mas nem na Califórnia?
A Califórnia não é o estado mais liberal dos Estados Unidos? Não é – como me perguntou um leitor por email – onde fica San Francisco, a capital gay do planeta? (Não sei se San Francisco é a capital gay do planeta; é uma cidade como todas as outras grandes cidades que conheço e, como todas, também tem sua vizinhança gay. Mas, até por motivos históricos e turísticos, Sanfran cultiva esta imagem e, rebeldes dentro dos EUA, os cidadãos daqui gostam da idéia de se sentirem mais tolerantes a diferenças do que todo o resto. Na verdade, não são tão diferentes assim dos novaiorquinos. E, se me ouvirem falando algo assim, apanho.)
A Califórnia tende a ser liberal, sim. Mas é preciso tomar cuidado com estereótipos. A imprensa sensacionalista de direita, nos EUA, gosta de pintar Califórnia e Nova York como Sodoma e Gomorra perante uma América cristã e conservadora no miolo. Nem um, nem outro, são verdade. Não foi apenas o prefeito playboy e democrata de San Francisco que fez campanha pelo Não. O governador republicano da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, também fez. Em todo o país, um em cada três republicanos se declaram favoráveis ao casamento gay e parte do Partido Republicano da Califórnia fez campanha pelo Não.
A Califórnia não é um estado homogêneo. Como mostra o mapa de quem votou contra e quem votou a favor, é um estado dividido entre litoral e interior.
No litoral, se concentram as grandes cidades – San Diego, Los Angeles, San Francisco – e boa parte da indústria de ponta que enriquece o estado: o cinema, a tecnologia e o desenvolvimento de alternativas ao petróleo. Aqui onde vivo, no Vale do Silício, península de San Francisco, em cada gramado havia uma placa de Obama e outra de NO à Proposição 8. As pessoas realmente se engajaram. O casamento gay lhes era uma causa tão cara quanto tirar o Partido Republicano da Casa Branca. Evidentemente, os eleitores do outro lado também estavam igualmente envolvidos.
O interior, próximo a estados como Arizona, Novo México e Texas, é formado por cidades pequenas e muitas estradas, o típico interiorzão norte-americano.
Durante boa parte da campanha, as pesquisas indicaram que o Não venceria com facilidade. Foi apenas em outubro que o resultado começou a mudar. Um comercial de televisão que foi ao ar no último mês pareceu ter sido bem eficaz: afirmava que, se o casamento gay fosse incentivado, crianças aprenderiam sobre homossexualidade no jardim de infância. Coincidência ou não, as pesquisas viraram quando ele foi ao ar. E foi muito ao ar. Bastava ligar a tevê que o filmete já estava passando. Houve gente, impossível saber quantos, que confusa com a pergunta votou Sim achando que defendia o casamento gay. Algumas pesquisas dizem que o Não venceu entre brancos mas perdeu entre hispânicos e, principalmente, entre negros. Mas há também especialistas que sugerem que as pesquisas tinham falhas metodológicas.
Não é, aqui na Califórnia, uma questão religiosa. Todos os bispos episcopais fizeram campanha pelo Não. O rabinato saiu oficialmente a favor do casamento gay. Uma boa parte da Igreja Adventista, idem. Houve oposição religiosa, principalmente dos mórmons, que trouxeram dinheiro de fora do estado para a campanha, mas a disputa foi equilibrada até em termos financeiros. O Sim teve a sua disposição 35,8 milhões de dólares e o Não, 37,6 milhões. Jamais uma campanha eleitoral por uma causa, e não por um candidato, custou tão caro nos EUA.
E as Uniões Civis?
Nos EUA, há algumas diferenças do ponto de vista fiscal entre união civil e casamento; há alguns direitos como o de visitas em hospital que também são afetados. União civil resolve a questão de herança, mas não caracteriza família. Este é um detalhe; os contratos de união civil poderiam ser modificados por uma lei para ficarem idênticos ao de casamento.
A questão que está realmente em jogo é a palavra casamento.
Na verdade, se a palavra fosse irrelevante como sugerem alguns, não haveria tanta gente lutando contra seu uso civil para uniões do mesmo sexo. E é justamente porque é importante que o Estado não deve decidir quem pode ou quem não pode casar. A decisão cabe a dois adultos responsáveis e a ninguém mais. Para expressar a mesma idéia em termos liberais, a decisão cabe a dois indivíduos e o Estado nada tem com isso.
E agora?
O Condado de Santa Clara, onde vivo, e as cidades de San Francisco e de Los Angeles estão movendo ações de inconstitucionalidade. Alegam que, como o objetivo da Proposição 8 é a supressão de um direito, ela não deve ser uma emenda (ou inclusão) à Constituição e sim uma revisão da carta. Assim, para que a mudança ocorra, seria necessário não um plebiscito mas a aprovação de 2/3 do plenário da Câmara e Senado estaduais. Se a Justiça considerar que estão certos, a Proposição 8 cai por terra e o casamento volta a ser legal.
Independentemente disso, o caminho do casamento gay passa pela Suprema Corte dos EUA que definirá, para todo o país, se é constitucional ou não. Barack Obama venceu. Os novos dois ministros da Corte serão liberais. Proibir o casamento gay terminará por ser considerado inconstitucional em dez ou quinze anos.
Me permitam ser mais pessoal.
Nas constantes discussões a respeito de questões sociais, sempre busco compreender o outro lado. Sou a favor da legalidade do aborto, mas compreendo o dilema do início da vida. Sou contra a pena de morte – mas compreendo o dilema perante crimes hediondos. Entendo menos – mas entendo – quem questiona o estudo de células tronco embrionárias. São questões, no fim, que nos levam a conclusões dolorosas. É escolher entre duas possibilidades ruins que nos obrigam a compreender o que é ser humano e optamos por sacrifícios de um lado e do outro.
Alguns têm certezas. Certezas são reconfortantes, sempre. Feliz de quem tem certezas pelo mundo, a vida fica bem mais simples.
A questão da franca repulsa ao casamento gay não é uma que compreendo. Tenho dificuldades de ter empatia pelo outro lado. É um assunto que caminha ali com as leis segregacionistas que tantos países tiveram. Nada de racional o justifica. Todos os argumentos me parecem apenas uma desculpa para o preconceito. Não sei o que o futuro dirá a respeito de aborto e tantas outras questões. O casamento gay será legal em boa parte do mundo e este tempo em que vivemos nesta luta por sua legalização será lembrado como o período em que ainda havia Apartheid na África do Sul ou Jim Crow no sul dos EUA.
Passará.
Só que 2030, ou 2040, é muito longe. Há uma ou duas gerações de gays que não poderão se casar em vida porque este direito lhes foi negado. O fato de que está próximo não lhes traz conforto.
Mas, principalmente para quem está aflito, lembrem a história de Alan Turing. Matemático, de longe uma das mentes mais brilhantes do século 20, um dos maiores heróis da Segunda Guerra – decifrou o código dos nazistas permitindo aos aliados interceptarem e compreenderem suas mensagens –, inventor do computador, foi condenado em 1953 pela prática de sodomia. Por ser gay. Em Londres. Foi condenado a fazer um tratamento hormonal para ’se curar’. Turing, que era um homem bonito, e vaidoso, começou a ver o peito inchar por causa dos hormônios. Como se virassem seios. Cometeu suicídio.
Em Londres, nos anos 50, era assim que tratavam um herói de guerra por ser gay. Barbárie. Olhem para Londres hoje. Vejam como esse passado parece remoto.
Em 2002, ser gay era crime no estado do Texas. Aí a Suprema Corte dos EUA considerou a lei inconstitucional. Às vezes, o passo da história é lento. Sei que, hoje, algumas pessoas ainda não estão plenamente integradas à sociedade. Não têm direitos plenos. Como já aconteceu com negros. Com mulheres. Com índios. Mas mesmo mulheres e negros e índios ainda têm coisas por conquistar. Vai acontecer.
E qualquer um, evidentemente, tem o direito de me questionar: paciência é fácil quando se é homem, branco e heterossexual. É. Não sinto na pele o que é não ter direitos plenos. Só porque vai acontecer não quer dizer que ninguém tenha que ter paciência.
Pois bem: lutem. E me avisem se precisarem de ajuda.
Atualização – Keith Olbermann fez um bom comentário à respeito.
Um dos resultados da eleição de Barack Obama é que a direita brasileira periga ficar órfã e terminar sem argumentos.
Entre os leitores do Weblog, recebi mais ou menos em igual proporção pedidos de mais e de menos cobertura das eleições dos EUA. Optei por mais. A política norte-americana ainda é profundamente influente em todo o mundo. Influente e de muitas maneiras diferentes. No Brasil, uma das influências mais evidentes é no discurso conservador. Tanto aqui no Weblog quanto na imprensa em geral, os argumentos da direita são diretamente importados dos Estados Unidos. Se algo está na pauta das preocupações do Partido Republicano e de seus pensadores, estará sendo repetido sem lá muita originalidade nos artigos e comentários da direita brasileira.
Acontece que o discurso republicano tem um motivo de ser: foi cuidadosamente construído, ao longo das últimas décadas, para atrair eleitores e fontes de financiamento eleitoral. Se o governo Bush optou por ignorar, e por vezes fazer graça, do Aquecimento Global, é porque a indústria petroleira é uma importante fonte de recursos de seu partido. Se o discurso do cristianismo foi reforçado e até Darwin, coitado, terminou sendo questionado, é porque os eleitores evangélicos estavam entre os mais ativos grupos demográficos ano após ano e atraí-los era uma forma de garantir vitórias políticas. O discurso de um partido político não nasce do vácuo: vem do desejo de vencer eleições. Não é à toa que políticos de direita, no Brasil, ignoram o que escrevem os colunistas e blogueiros da direita brasileira. Políticos preocupam-se com vitórias eleitorais, não em repetir o que dizem os mestres vindos do norte. E boa parte daquele discurso, lá, não ecoa no eleitorado, aqui.
Ao contrário do que dizem alguns dos mais entusiasmados, a vitória de Barack Obama não tem o tamanho da vitória de Ronald Reagan, em 1980. Reagan venceu em quase todos os estados do país. Foram 489 votos no Colégio Eleitoral contra 49 de Jimmy Carter. Obama deve receber 365 votos contra 162 de John McCain. Bill Clinton teve votação maior do que a de Obama em 1992 e 96. Ainda assim, aqui mesmo no Weblog, não faz nem um ano que muitos dos conservadores faziam graça da idéia de que os norte-americanos pudessem eleger um homem negro cujo nome do meio era Hussein. Não só elegeram como deram a ele uma vitória clara, confortável e, sim, consagradora.
Mas o ponto é: o que garantiu a vitória de Obama? Ele teve maioria entre negros, entre hispânicos, entre mulheres, entre judeus – mas os democratas sempre tiveram vitórias nestes grupos.
Quem mudou de lado em 2008 foi o público com diploma superior.
George Bush, o pai, recebeu 41% dos votos dos eleitores com educação de nível superior. Bob Dole, em 1996, 46%. Nestes dois pleitos, Bill Clinton teve 39% e 44% respectivamente. Gerald Ford pode ter perdido a eleição para o democrata Jimmy Carter, em 1976, mas venceu entre os eleitores com nível superior: 55%. Ronald Reagan, em 80, recebeu 51% destes votos. (Apenas 35% foram para Carter.) Na eleição passada, George W. Bush teve 52% dos votos de quem passou por uma universidade.
Barack Obama teve 53% dos votos dos norte-americanos com nível superior.
É sempre bom ter cuidado com estatísticas. Não é que todo o eleitor bem educado tenha mudado de partido. Os democratas há muitos anos vencem entre os eleitores com pós-graduação. Não custa lembrar que para ganhar títulos como o de médico, engenheiro ou advogado, nos EUA, é preciso uma pós. A faculdade, o college, não basta. Mas fato é que aqueles com diploma universitário e não mais são antigos e fiéis eleitores republicanos, e votavam no partido de Reagan em número tão grande que pendiam a estatística contra os democratas.
A pergunta, portanto, é: por que eleitores com diploma universitário e não mais, este ano, abandonaram o Partido Republicano que elegem pleito após pleito faz pelo menos quatro décadas?
Um dos motivos é a mudança demográfica. Os EUA são um país mais diverso do que jamais foram. Por conta das políticas de cotas universitárias, há mais negros, hispânicos, nativos, asiáticos com diploma nas mãos. Estes grupos votam democrata e se o candidato é de uma minoria, tão mais fácil.
Mudança demográfica não explica tudo. Já havia negros, hispânicos etc. com diploma quatro anos atrás. E Obama também venceu entre os apenas brancos com diploma superior. Por quê?
Muitos dos intelectuais e analistas conservadores já tem sua explicação: o antiintelectualismo marcante do governo George W. Bush. O traço já estava ali, mas Bush o exacerbou. Virar as costas para a ciência pode atrair dinheiro petroleiro, no caso do Aquecimento Global, ou atrai eleitores da direita religiosa – no caso do bombardeio à Evolução, na proibição de financiamento do estudo de células tronco embrionárias, são tantos os exemplos. Mas afasta outros tipos de eleitores.
Um dos fenômenos da imprensa, nos EUA, é que enquanto os jornais despencam em circulação e as revistas semanais como Time e Newsweek lutam para sobreviver, títulos de nicho crescem. É o caso da britânica The Economist, da New Yorker, da Atlantic Monthly. São revistas sofisticadas. Crescem porque há mais gente com diploma superior, mais gente com pós-graduação. O noticiário do dia-a-dia este público encontra na Internet, não precisa ler o New York Times em papel. Mas para uma compreensão profunda da notícia, ainda não há na rede coisa como a Economist ou a New Yorker.
Este público vota, também. Nem todo mundo é de esquerda, de forma alguma. E muitos são religiosos. Mas conservadores com nível superior tendem a ser libertários. Para eles, religião é assunto pessoal e não deve se misturar com assuntos de Estado. Se um presidente interfere em uma questão como o direito de homossexuais casarem, o libertário considera que o Estado está interferindo no que cabe ao indivíduo decidir. Se boa parte dos cientistas que estudam o assunto consideram que é preciso combater o Aquecimento Global enviando menos carbono para a atmosfera, alguém que foi à universidade considera que cientistas devem saber do que estão falando.
David Frum, da revista conservadora National Review e um dos pais do neoconservadorismo resume a questão assim: ‘Americanos com nível universitário hoje acreditam que os democratas não porão seu dinheiro a perigo mas consideram que seus valores pessoais correm risco num governo republicano.’ O colunista conservador do New York Times, David Brooks, vem há meses reclamando de Sarah Palin e de sua óbvia desqualificação para exercer um cargo de responsabilidade. Palin é uma versão piorada de George W. Bush.
A vitória de Barack Obama dá início a uma briga interna no Partido Republicano. É uma briga pragmática. Discutem o que é preciso para voltar a vencer. Os intelectuais do partido dizem que é preciso uma transformação interna. O que dizem é: a classe média branca deseducada que forma sua base já não tem a representatividade necessária para garantir uma vitória eleitoral. Seus inimigos no partido dizem que o problema não é esse. O problema é que McCain não apelou de forma convicta à base. Estes gostariam de ver Sarah Palin encabeçando uma chapa em 2012. Os intelectuais do partido têm horror à idéia. Consideram que é hora de o Partido deixar Darwin em paz e encarar questões como células tronco embrionárias e Aquecimento Global com a seriedade que merecem.
Se os cérebros do Partido Republicano vencerem a briga, comentaristas e articulistas da direita brasileira terão de copiar doutro canto suas idéias.
3h17. Obama: Hello Chicago! Há alguém ainda duvida que a América é um lugar no qual tudo é possível? Que os sonhos de nossos fundadores ainda estão vivos? A resposta está nas filas em escolas, em igrejas, hoje, com pessoas que acreditaram que poderiam udar. Americanos brancos e negros, republicanos e democratas, gays e straights, estes são os Estados UNIDOS da América. Esta noite, por causa do que fizemos nesta eleição, a mudança veio à América. Recebi hoje uma ligação muito gentil do senador John McCain. Somos um país melhor pelos serviços prestados por este herói. Ele lutou pelo que considerava o melhor pelo seu país. Quero agradecer pelo meu companheiros nesta jornada, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. E eu não estaria aqui sem minha melhor amiga nos últimos 16 anos, o amor de minha vida, a próxima primeira- dama, Michelle Obama. Sacha e Malia eu amo vocês mais do que imaginam, e vocês merecem o cachorrinho que ganharão. Sinto falta de minha avó tanto, essa noite. Agradeço a minhas irmãs e irmãos. À melhor equipe de campanha jamais feita nos EUA liderada por David Axelrod. (PD: É verdade.) Principalmente, nunca esquecerei a quem esta vitória cabe: a vocês. Esta campanha pertence àqueles que doaram 5 dólares, 10 dólares. Aos jovens que não acreditaram nas ‘verdades’ que sempre lhes disseram. Àqueles que acreditaram que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu desta Terra. (Cita Lincoln.) Há grandes americanos, hoje, morrendo nos desertos do Iraque ou no Afeganistão. Nossa subida será difícil. Não vai ser resolvida em um ano, dois ou em um mandato. Mas, americanos, eu lhes prometo: teremos um futuro melhor. O governo não pode resolver todo problema. Mas eu serei honesto com vocês em cada momento. Constuiremos este futuro tijolo por tijolo. A mudança não virá sem vocês, sem um espírito de sacrifício vindo de todos, no qual cada um de nós decidirá que trabalhará mais para que o melhor venha. O Partido Democrata venceu uma grande vitória esta noite, mas é uma vitória da humildade. Como disse Lincoln, não somos inimigos, somos amigos. Para os americanos cujo apoio não tive, posso não ter tido seu voto, mas quero conquistar sua confiança. Sou seu presidente. Estou ouvindo vocês. Um novo amanhecer da liderança americana vem hoje. Vocês que buscam paz e segurança no mundo, nós estamos do seu lado. O grande mérito desta nação não é a força, são nossas idéias: democracia, oportunidade, liberdade. Esta é a América verdadeira. (Ele cita a história de uma eleitora de 106 anos que nasceu filha de pais ex-escravos e votou nele. Cita as mudanças em sua história, na história de sua vida.) Ela sabe o quanto este país pode mudar. Nós podemos. Yes we can. Se nossas crianças verão o próximo século, que mudanças elas verão? Que progresso verão? É isto que temos que construir. Yes we can. (PD: Não é um grande discurso. Mas não é seu discurso importante. O discurso pelo qual será lembrado é o da posse, dia 20 de janeiro. O Weblog estará lá.)
2h57. Em Chicago, anunciam a presença no palco do próximo presidente dos Estados Unidos.
2h35. George W. Bush ligou para Barack Obama e o congratulou.
2h28. McCain: O povo americano falou, e falou com clareza. Liguei para o senador Obama e o congratulei. (Vaias, McCain interrompe e censura.) Ele inspirou as esperanças de milhões na América e isso é algo que admiro nele. Reconheço o significado que esta eleição tem para os negros na América. Sempre acreditei que a América oferece chances para todos. E o senador Obama concorda com isso. Lamento que sua avó não tenha tido a oportunidade de ver o grande homem que ela criou. Nosso país enfrenta muitas dificuldades e, quando liguei para o senador Obama, me pus a sua disposição para ajudá-lo no que for preciso para sua liderança. Não importa nossas diferenças, somos todos americanos. É natural que alguns de nós estejamos desapontados, hoje à noite. Lutamos tanto quanto pudemos. Embora não tenha sido possível uma vitória, a falta é minha, não de vocês. Sou muito grato a seu apoio. Gostaria de um resultado diferente. Uma campanha é difícil para a família do candidato. Só posso prometer tempos mais tranqüilos a eles a partir de agora. E só posso agradecer à governadora Sarah Palin. Ela prestará muitos serviços ao Alaska no futuro. Não vou gastar um segundo pensando no que poderia ter sido. Se cometi erros, se foram. Esta foi a maior honra de minha vida. (Mais vaias, ele corrige severo: Please.) Sou grato ao povo do Arizona. Esta noite, mais do que em qualquer outra noite, o que tenho é amor por este país e por todos seus cidadãos. Tenho, agora, o desejo de o melhor das sortes pelo homem que foi meu adversário e agora é meu presidente. Nós, americanos, não nos escondemos do futuro, nós fazemos o futuro. (PD: Belo – e corajoso – discurso, um discurso do McCain de verdade que apareceu pouco durante a campanha.)
2h15. McCain ligou para Obama congratulando-o pela eleição.
2h09. Alguns comentaristas estão chorando na bancada da CNN. A festa em Chicago está uma beleza. Este é o final de uma revolução iniciada por John Kennedy e Lyndon Johnson, quando ousaram enfrentar o establishment do sul e terminar com a segregação racial. É o resultado da luta do reverendo Martin Luther King – e este é o sonho dele. Obama não apenas se elegeu, mas se elegeu inclusive em estados onde a KKK foi muito forte, como a Virgínia.
2h. Barack Hussein Obama, um homem negro, filho de imigrante, é o novo presidente dos Estados Unidos da América.
1h58. Virgínia, um estado conservador até a medula, vai de Obama.
1h55. Enquanto isso, no ComedyCentral, um ator negro que fala como rapper está polindo a bancada do programa Colbert Report. Se prepara para substituí-lo pelos próximos 4 anos. E Colbert está desesperado. =)
1h50. São 19h50 aqui na Califórnia e, às 20h, as urnas fecham. A expectativa geral é de que as redes dêem a eleição para Barack Obama em 11 minutos.
1h21. Texas vai para McCain.
1h16. Colbert: ‘Esta eleição não terminou enquanto a Suprema Corte não se manifestar’. (Ela definiu a vitória de Bush, em 2000.)
1h12. A melhor cobertura na tevê norte-americana, neste momento, é do Comedy Central. Na bancada, John Stewart e Steven Colbert. Colbert (que faz o personagem de um comentarista reacionário) fala de tudo menos de eleições. John Stewart se vira e diz: Steven, você tem que enfrentar a realidade. ‘Mas hoje mais duas velhinhas fizeram 100 anos! Isso é notícia!’ Daí Stewart olha duro. ‘Notícias do mundo animal, olha que bichinhos fantásticos trouxemos…’
0h50. Louisiana para McCain (pô, Idelber!), Novo México para Obama.
0h45. Para estragar a surpresa: Califórnia, 55 votos. Washington, 7. Oregon, 11. 73 votos no Colégio. Obama vencerá estes estados. Some 200 que todas as redes dão: 273. Ninguém está falando mas todo mundo já sabe: Barack Obama é o novo presidente dos Estados Unidos.
0h42. A ABC dá 200 a 90. A MSNBC: 200 a 85. A CNN, que dá o placar do título, é a mais conservadora na hora de estabelecersuas projeções de vitórias.
0h32. Obama vence em Ohio!
0h28. Aliás… já é meu aniversário no Brasil. E do Luiz.
0h13. McCain leva a Geórgia. Havia esperança de que, por conta da população negra, Obama pudesse levar.
23h31. New Hampshire cai na conta de Obama: +4
23h10. MSNBC e ABC cantam Pensilvânia para Obama. Mais 15 eleitores no Colégio.
23h02. Urnas fecharam em vários estados. Destes, as projeções consideradas seguras tanto por CNN quanto MSNBC: Massachussetts, Illinois, Connecticut, Nova Jersey, Maine, Delaware, Maryland e Washington, a capital, vão para a conta de Obama. No Maine, os membros do colégio eleitoral são divididos proporcionalmente – 3 ficam com Obama, um com McCain. Oklahoma e Tennesse ficam com McCain.
22h57. A CNN cantou a Carolina do Sul para McCain.
22h25. Nate Silver, o estatístico que acertou mais do que as pesquisas durante as primárias, faz sua previsão final: Obama 349 x 189 McCain. Enquanto isso, em Chicago, uma multidão começa a se reunir no Grant Park, onde Obama pretende falar de madrugada.
22h05. John McCain leva Kentucky; Barack Obama, Vermont. McCain, 8 votos no Colégio Eleitoral, Obama com 3.
Indiana, Virgínia, Carolina do Sul, Geórgia também encerraram suas eleições. Mas as pesquisas não dão pista de quem venceu.
Dia da Eleição 05. Segundo o Drudge Report, que nem sempre é confiável, mas sempre tem informação antes de todos, as pesquisas de boca-de-urna apontam que Obama vencerá por mais de 15 pontos na Pensilvânia; Flórida, Ohio e Indiana estão empatados e McCain vencerá em seu estado natal, Arizona.
Os democratas devem terminar a eleição com 58 senadores, diz Drudge. A expectativa é que fizessem 60, o que os garantiria maioria ao ponto de não precisarem sequer negociar para aprovar qualquer coisa.
Dia da Eleição 04. Para quem chegou agora, sempre fica a pergunta: como funciona o sistema eleitoral norte-americano? As eleições não são diretas, nos EUA. Não adianta somar todos os votos, ver quem tem mais. Em 2000, Al Gore teve mais votos que George W. Bush. Não é assim que se conta: quem elege o presidente da república é o Colégio Eleitoral.
O Colégio é formado por 538 eleitores. O presidente é aquele escolhido por metade mais um destes – 270 votos, portanto.
As eleições de hoje são, essencialmente, eleições estaduais. Cada estado está decidindo para quem vão seus eleitores. O número varia. A Califórnia tem 55 eleitores – é o maior estado. Sete estados têm apenas 3 eleitores cada.
Na maioria dos casos, quem vence um estado leva todos seus eleitores. Isso ocorre mesmo que a diferença seja de apenas uma meia dúzia de votos. Assim, em 2000, Bush venceu Gore na Flórida por 154 votos. (São os resultados oficiais.) Ambos tiveram 49% dos votos no estado – é preciso ir para a segunda casa decimal para perceber a diferença. (Ralph Nader, candidato do Partido Verde, teve 2% dos votos.) Não importa: Bush teve direito aos 25 votos que pertencem à Flórida no Colégio Eleitoral.
Os EUA são divididos entre estados azuis e vermelhos e swing. Os azuis são estados que sempre votam nos democratas; os vermelhos, sempre republicanos. Os swing states, estados que balançam, estão em um lado numa eleição, em outro noutra. Alguns suspeitam e as pesquisas sugerem que, este ano, além dos swing states típicos, alguns dos estados sempre vermelhos podem se bandear para o lado democrata.
A estratégia de ambas as campanhas, portanto, é vencer nos swing states.
Tenho algumas preocupações, este ano. Se Barack Obama perder, não ficará tudo apenas nos jornalistas comentando. As pesquisas terão errado de forma tão monumental, no conjunto, que muitos eleitores simplesmente não aceitarão o resultado. Ta-Nashisi Coates escreveu, na Time, que os negros não irão às ruas se Obama perder. Eles estão acostumados a se dar mal. Mas, agora que as pesquisas prevêem uma vitória tão clara, muitos eleitores, brancos e negros, ficarão não apenas chocados, mas também furiosos e incrédulos. Muitos acreditarão que uma vitória histórica lhes foi roubada. O rompimento no tecido social vai fazer com que Bush v. Gore pareça uma briguinha de marido e mulher.
Por outro lado, apesar das pesquisas, muitos conservadores acreditam que as pesquisas estão sendo falsificados. Conversei com um senhor idoso, um católico conservador que fazia ligações voluntárias para John McCain em Akron, Ohio. Porque o aborto é ‘intrinsecamente mal’, ele argumentava, e porque Obama é a favor do aborto, por certo há algo de errado com a cabeça dele. E é verdade que dizem que ele é brilhante, mas, continuava o senhor, Hitler também era brilhante, certo? (Não me dei ao trabalho de dizer que, não, Hitler não era brilhante.) O que me chamou mais atenção foi a maneira como ele usava a palavra ‘ACORN’, com tanta freqüência quanto as pessoas usam ‘huh’ e ‘um’. Parecia que ACORN substituía qualquer falha argumentativa. Economia ruim? Ora, a ACORN está por trás da bolha imobiliária. Para este senhor, se Obama vencer, se um homem tão representativo do Mal chegar à presidência, é porque a ACORN roubou a eleição.
Então, não importa qual resultado você deseje, torça por uma vitória rápida e clara, não importa de quem. Nós, na imprensa, adoramos uma boa disputa e, se fosse um livro, ou um outro país, eu ia sentar com um balde de pipocas e curtir. Mas os EUA realmente precisam de uma nova direção e isso ficará muito difícil se uma grande parcela do eleitorado acreditar que foi fraudado.
Dia da Eleição 02. Atualizando a lista de alguns dias atrás: hoje, às 22h em Brasília, as urnas fecham em quatro estados. Georgia, Indiana, Carolina do Sul, Virgínia e Kentucky. Todos os olhos se voltarão para a Virgínia.
Aparentemente, há filas nas seções eleitorais em todo o país. Ainda é cedo aqui na Califórnia – estou a seis horas de distância de Brasília –, as urnas ainda não abriram e não circulei pela cidade.
A Virgínia tende eleição após eleição ao Partido Republicano. Se, com base nas pesquisas de boca-de-urna, as redes de tevê começarem a cantar o estado para Barack Obama nos primeiros minutos, este é um indício de que a eleição é dele e será folgada.
No entanto, se houve algum tipo de dúvida, então os indecisos da Virgínia penderam para McCain e a corrida será mais difícil do que se esperar.
Dia da Eleição. As primeiras urnas já fecharam. Dixville Notch, no estado de New Hampshire, é historicamente a primeira cidade a votar. Dá meia-noite e todos os 75 habitantes, 21 eleitores, se reúnem para que sejam os primeiros a terem seus votos oficialmente contados.
Dixville Notch elegeu Ronald Reagan duas vezes. Elegeu George Bush, o pai, em 1988. E votou nele quando perdeu para Bill Clinton, em 92. Votou contra Clinton novamente em 1996, preferindo Bob Dole. Tanto em 2000 quanto em 2004, os 75 votaram em George W. Bush. Desde 1968 a cidadezinha vota em republicanos.
∞ Hoje Barack Obama acaba de vencer as eleições de Dixville Notch.
A Véspera 05. A expectativa é de que mais de 60% dos eleitores norte-americanos votem nestas eleições. Se acontecer, é um resultado surpreendente. Indica vontade de tirar George W. Bush da presidência tão rápido quanto possível. Pode bater o recorde de 1968. Pode ser a maior presença de eleitores dos últimos cem anos.
Se for um percentual realmente muito alto, problemas práticos podem acontecer. Filas intermináveis que atrasem o início da contagem. Falta de cédulas.
Não à toa, nos últimos dias John McCain tem falado mal de Bush para todo mundo que quer ouvir.
McCain está falando agora na Pensilvânia e as tevês estão transmitindo. Está fluente, inspirado, relaxado, bem-humorado, se divertindo como não parecia faz um bom tempo. A impressão é confirmada pelos repórteres que o acompanham. Que ninguém negue o fato: ele luta, e luta até o final, não importam os revezes.
Obama, por sua vez, tem se dedicado nos últimos tempos a fazer as pazes com os Clinton. Hillary esteve presente em quase 40 eventos pró-Obama, entre arrecadação de fundos e discursos ao público geral. Bill Clinton, desde setembro, foi a 20 eventos. Não é pouco – estão dedicados ao ponto de que ninguém poderá acusá-los de não ter investido o máximo no caso de uma derrota. Mas Clinton, o ex-presidente, não está de todo feliz. Obama não o procura para pedir conselhos sobre como conduzir sua campanha ou sobre como governar.
Obama não precisa: mesmo que perca, amanhã, conduziu uma campanha presidencial impecável.
∞ Hoje, a campanha está a pleno vapor. Ambos não param. Até o último segundo.
A Véspera 04. Quem acompanha a eleição nos EUA fica a impressão de que questões como aborto ou casamento gay mobilizam grande parte da população. Um estudo do professor Morris Fiorina, aqui de Stanford, mostra o contrário.
Apenas 10% dos democratas e 22% dos republicanos acreditam que o aborto deveria ser terminantemente proibido. E 23% dos democratas e 37% dos republicanos acreditam que em casos extremos – estupro, incesto, risco para a mãe – ele deve ser legal. (A matemática não é difícil: 41% dos republicanos acreditam que casos não extremos também podem justificar um aborto.)
A pergunta curiosa é outra: quando você vai votar, a questão do aborto é muito importante na sua tomada de decisão? Para 43% dos democratas, sim. Para 15% dos republicanos, também. (Para 85% dos eleitores republicanos, o aborto não é uma questão que lhes atormente as noites insones.)
A mesma pergunta aplicada aos direitos de homossexuais: 34% dos democratas acham a opinião do político a respeito de direitos gays fundamental; 33% dos republicanos concordam. (Democratas, evidentemente, buscam políticos que apóiam assuntos como o casamento gay; republicanos querem o oposto.) Mas isso quer dizer, também, que para 65% dos eleitores, o assunto não é tão relevante assim.
A economia, a segurança, saúde, educação, vêm bem à frente.
Amanhã, a Califórnia decide de uma vez por todas se o casamento gay será permitido no estado. Um NÃO na proposição 8 legaliza de vez. Um SIM o proibe terminantemente. A campanha pró-gays lembra a da Apple:
∞ Lembra de forma autorizada, diga-se. Apple e Google fizeram doações em dinheiro para a legalização. Em ambas as empresas, casais homossexuais tem os mesmos benefícios que os heterossexuais.
A Véspera 03. Em conjunto com a AP e o Yahoo!, a Universidade de Stanford vem monitorando um mesmo grupo de eleitores faz um ano para observar como mudam sua opinião a respeito de política e por que mudam.
Em sua maioria, eles percebem Barack Obama como um homem inexperiente. O que mudou nos últimos meses é o peso que a ‘inexperiência’ tem em suas decisões. Eles não consideram mais um fator decisivo na hora de escolher em quem votar.
Um dos motivos da mudança foi a decisão de John McCain de colocar Sarah Palin como vice. Ela também é ‘inexperiente’. Ao abandonar seu argumento apontando a inexperiência do adversário, McCain pode ter cometido um erro tático. Mas o segundo motivo é a crise econômica.
Uma das perguntas que a pesquisa tem feito é: qual dos dois candidatos compreende melhor os problemas do americano comum?
Em junho, Obama recebeu 45%; em setembro, 49%.; no início de outubro, 50% e, há uma semana, 53%. McCain, por sua vez, foi de 32% a 41% a 36% e, finalmente, 33%.
Ao longo dos últimos meses, a campanha de McCain procurou (e conseguiu) colar em Obama a idéia de que ele é inexperiente. Também tentou colar a idéia de que é elitista. Nisto, não houve jeito. E esta questão, a de que ‘McCain não entende minhas dificuldades’, é seu calcanhar de Aquiles na eleição.
É daí que vêm os votos de brancos que, em geral, votam no Partido Republicano.
∞ Americanos investem na bolsa de valores por dois motivos. A primeira poupança tem por objetivo pagar a faculdade dos filhos. A segunda, financiar sua aposentadoria. Homens, brancos, com algo entre 45 e 65 anos, precisam deste dinheiro agora e ele desapareceu.
A Véspera 02. Quando Lyndon Johnson assinou, em 1964, leis proibindo a segregação racial nos Estados Unidos, seu Partido Democrata perdeu de vez o voto dos brancos. Desde então, não houve um único candidato republicano que não tenha vencido o voto entre norte-americanos caucasianos. Em média, apenas 39% dos eleitores brancos votam nos democratas.
Esta eleição não será diferente.
Mas o que as pesquisas nacionais têm mostrado é que Obama tem 44% dos votos dos brancos. Entre as minorias, é favorito: dois em cada três latinos votam nele e nove em cada dez negros. Mas isso não surpreende entre candidatos de seu partido. Tampouco elege alguém.
∞ Se ele vencer, é bem possível que tenha sido por conta daqueles votos brancos extras.