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Ainda vou ler todos os comentários de vocês – mas a impressão fundamental é que o debate foi chato. E, daí, não é difícil entender porque os independentes deram uma vitória para Obama. As pesquisas estão todas apontando seu crescimento um dia após o outro. Se teve bons momentos? Teve, certamente, principalmente aquele em que mencionou sua mãe morrendo de câncer. Mas McCain, apesar de às vezes acusar algum mau humor, também não estava mal.
O problema para McCain, a essa altura do campeonato, é que o empate ou uma vitória por pontos não basta. Ele precisa se sair muito melhor. Num debate morno, chato, que parece estimular as pessoas a desligarem a tevê, é Obama quem vence.
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23h34 Assim termina o debate presidencial. Obrigado pela companhia de vocês. Mais tarde volto!
23h32 McCain: O que não sei é o que acontecerá, aqui e no exterior. Estaremos conversando sobre países no futuro que nem sabemos onde fica no mapa. Acredito neste país, em sua grandeza, e tive a honra de serví-lo por muitos anos. Precisamos de uma mão segura no comando. E colocarei, como sempre, o país em primeiro lugar.
23h30 Pergunta: o que você não sabe? Obama: Minha mulher, Michelle, tem uma lista muito maior do que a que posso oferecer. Os maiores desafios, para um presidente, são os desafios que ele não espera enfrentar. Mas o que sei é que este é um país que dá oportunidades. E segue com sua história.
23h28 Obama: Farei tudo o que for necessário para evitar um ataque iraniano e ninguém terá poder de veto sobre nossas possibilidades. Devemos ter a opção militar a mão. Mas, antes, precisamos aplicar diplomacia para evitar este cenário.
23h27 McCain: Não podemos esperar par ouvir a opinião do Conselho de Segurança da ONU se o Irã atacar Israel. Obama, sem pré-condições, quer se sentar com o país. (PD: imbatível, critica Obama, o gráfico cai.)
23h25 Pergunta: a União Soviética, Reagan dizia, é o Império do Mal. E a Rússia? Obama: A Rússia se porta mal. McCain: Talvez. (E ri.)
23h23 Obama: A Rússia é uma das grandes questões do próximo governo. Precisamos dar ajuda financeira aos países que pertenceram à URSS. (PD: o gráfico cai.)
23h21 McCain: Não haverá uma nova guerra fria, mas precisaremos mostrar aos russos que seu comportamento não é aceitável. Precisamos trazer Ucrânia e Geórgia para a OTAN.
23h19 Obama: o governo do Afeganistão terá que ser mais eficiente. Mas não queremos uma ditadura, lá. McCain: devemos aplicar a estratégia empregada no Iraque no Afeganistão. (PD: McCain cita muito o general Petraeus, que comandou a mudança estratégica no Iraque.)
23h18 McCain: se vamos bater boca, quero tempo. Não é verdade. Era uma brincadeira a história do Irã. Temos desentendimentos fundamentais sobre como usar as forças militares.
23h16 Obama pede para responder. McCain intercede: se ele puder, também quero. Obama diz: não estou sugerindo invadir o Paquistão. Ora, McCain é quem falou de bomb, bomb, bomb Iran, é quem falou que devemos arrasar a Coréia do Norte. Isso não é falar baixo.
23h15 McCain: Meu herói é Teddy Roosevelt, que dizia ‘fale baixo mas carregue um big stick’. Obama anuncia que atacará o Paquistão. Não deve se anunciar isto. Nossa boa relação com o Paquistão é essencial.
23h10 Obama: Temos uma situação ruim no Paquistão porque nos distraímos e fomos para o Iraque. A al-Qaeda teve a chance de crescer na região, e parte da instabilidade no país vem por conta disso. Mas não podemos sustentar ditadores no Paquistão que, quando viramos as costas, fazem acordos de paz com o Talibã. (PD: Musharraff não tinha escolha, neste caso.)
23h08 McCain: É preciso que o presidente tenha a frieza de saber quando interceder militarmente. É preciso que o presidente entenda como funciona o poder militar.
23h05 Obama: quando há genocídio no mundo, devemos interceder. É uma obrigação moral. Deveríamos ter evitado Ruanda. Devemos impedir Darfur. Para isso devemos liderar.
23h03 Obama: O senador McCain diz que não entendo certas coisas. Ele tem razão. Não entendo porque invadimos um país que nada tinha a ver com o Onze de Setembro. Não entendo porque abandonamos o país onde está a al-Qaeda. Estamos gastando 10 bilhões de dólares mês no Iraque quando o Iraque tem 79 bilhões de dólares no cofre. Mas é verdade que somos uma força para o bem no mundo.
22h59 McCain: Os EUA são uma força para o bem no mundo. A questão é saber quando podemos fazer o melhor no exterior com nosso maior bem, que são nossas Forças Militares. Desde que enviei os marines para o Líbano tenho experiência em tomar essas decisões. (PD: Quando ele começa a criticar Obama, a aceitação do público cai.)
22h57 Obama: Seguro de saúde deveria ser um direito de todo cidadão. Minha mãe passou seu último mês discutindo com as seguradoras porque diziam que seu câncer era pré-existente.
22h55 McCain: Seguro de saúde é um dos problemas. Vamos colocar online os dados de todo mundo, isso economizará dinheiro. (PD: ???) O projeto de Obama vai multar muitas pessoas.
22h53 Obama: Seguro de saúde está quebrando muitas famílias. Temos um compromisso moral de resolver este problema. Aí explica como será seu projeto.
22h52 McCain: havia uma proposta de lei no Senado de Bush cheia de coisas boas para a indústria petroleira. Sabe quem votou a favor? Não eu, ele.
22h50 Brokaw reclama que os candidatos não estão respeitando o tempo.
22h47 Obama: não é apenas um problema, o aquecimento global é também uma oportunidade. Se criarmos uma economia verde, criaremos empregos neste novo mercado, assim como aconteceu com o investimento que fizemos em computadores. Concordo com McCain que Washington não fez nada a respeito do ambiente nos últimos 30 anos. Mas ele estava lá nos últimos 26 anos. Ele fala de perfurar mais poços. Não temos reservas o suficiente se consumimos, como fazemos hoje, 25% do petróleo do mundo.
22h45 McCain: sei que o aquecimento global é um problema sério. Eu e Joe Lieberman viajamos pelo mundo entendendo o que acontece. Precisamos de energia nuclear.
22h42 McCain: dá para resolver o problema da securidade social, não é difícil. Enfrento meu próprio partido quando é necessário. Formaremos uma comissão com os mais inteligentes para analisar o problema. Obama tem a retórica mas não tem o currículo para mostrar que cumprirá o que promete.
22h40 Obama: Pequenos negócios recebem um corte de impostos com meu projeto. McCain diz que dá um corte para os que fazem mais de 250.000 por ano. São muito poucas as pequenas empresas que fazem isso. Se revertermos este tipo de política, aí podemos ter dinheiro para investir em saúde.
22h38 Obama pede para responder, o moderador Tom Brokaw não permite.
22h35 Pergunta: como cortar os maus hábitos consumistas dos consumidores? Obama: É difícil pedir a uma professora que faça sacrifícios quando presidentes de grandes empresas ganham excelentes salários e incentivos fiscais. McCain: Obama vai aumentar os impostos (PD: vai abaixo de zero a opinião dos eleitores que assistem no gráfico da CNN.)
22h32 Obama: precisaremos descobrir como economizar energia em nossas casas. Precisamos de mais voluntários em serviços sociais em todo o país.
22h29 Pergunta: quais os sacrifícios que os americanos precisarão fazer? McCain: precisaremos sacrificar programas que não estão funcionando. Ele volta a bater na questão das emendas. (PD: por que ele insiste nesse assunto? Não tem funcionado.) Volta à pergunta anterior: é claro que podemos fazer saúde e energia ao mesmo tempo.
22h27 Obama: Energia vem em primeiro lugar. Está caro e países inimigos se beneficiam. Saúde vem em segundo e, em terceiro, educação. É preciso ter prioridades. Não basta limpar de emendas fúteis o orçamento. É preciso deixar de dar cortes de impostos para as grandes empresas.
22h25 Pergunta: qual a prioridade de gastos. McCain: podemos trabalhar o projeto de saúde, de securidade social e energia ao mesmo tempo. Ele não diz o que é prioritário num ambiente de menos dinheiro.
22h23 McCain: Tenho um histórico de bipartidarismo. A falta de confiança no governo tem a ver com esta falta de trabalho em conjunto. Obama é um dos senadores que mais põe gastos no orçamento. McCain volta a bater na questão das emendas no orçamento.
22h21 Obama: Vocês têm razão de estarem cínicos. Em Washington está tudo bem. Enquanto isso, vocês estão com problemas. Nenhum dos partidos é inocente. Mas Bush tinha um superávit quando chegou e olhe o tamanho do déficit que deixa. Hoje pegamos dinheiro dos chineses para dar aos sauditas. Farei mais cortes do que gastarei.
22h19 Obama: Temos regulamentação do século 20 para um mercado financeiro do século 21. Precisaremos organizar isso com outros países. McCain: a economia pode piorar dependendo do que fizermos. Precisamos garantir a casa das pessoas. Precisamos dar uma chance para que o trabalhador americano possa mostrar seu melhor.
22h17 Obama diz direto para o eleitor que fez a pergunta: Me permita explicar o que há no pacote para você. Se seu empregador tiver crédito, ele continua de pé e os empregos se mantém. ‘Agora me permita corrigir a história do senador McCain, o que não é surpreendente.’ Diz: ele promoveu as desregulamentações. Os assessores de McCain eram lobistas dessas empresas. Mas sei que vocês não querem ver políticos apontando os dedos uns para os outros.
22h15 McCain: Fannie Mae e Freddie Mac incentivaram os empréstimos que despertaram essa crise. Sugere que Obama era um dos que recebeu doações das duas empresas e apoiou estes empréstimos.
22h11 McCain diz quem pensa para o ministério da Fazenda e sugere o nome de Meg Whitman, presidente da eBay. (Comentário: a eBay acaba de demitir 10% de seus empregados e está perdendo negócios para a Amazon.) Obama sugere que o nome de Warren Buffet seria um a considerar, o megainvestidor, mas sem garantir que será ele.
22h08 McCain: Minha solução é independência energética. Precisamos parar de enviar dinheiro para fora por causa de petróleo. Precisamos renegociar as hipotecas para permitir que principalmente os aposentados não corram o risco de perder suas casas.
22h05 Obama começa: Muitos de vocês estão preocupados com seus empregos, com suas finanças. Este é o resultado das políticas de Bush apoiadas por McCain para tirar a regulamentação do mercado. É preciso cortar os impostos da classe média para que o pacote funcione também para eles. E, a longo prazo, é preciso dar seguro de saúde para todos.
22h01 Tom Brokaw apresenta o formato Town Hall. Bill Clinton era um mestre neste tipo com seu estilo ’sinto sua dor sinceramente’. E os candidatos entraram.
22h Boa noite senhoras e senhores. Cá na Califórnia, 18h. Os analistas acham que haverá sangue neste debate. Vamos ver.
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Tenho acompanhado aqui no Weblog, e noutros tantos cantos da blogosfera, uma série de discussões que invariavelmente acabam na definição de o que é ser de esquerda e o que é ser de direita. Não importa se o assunto é Israel e Palestina, se é China ou Hugo Chávez, Gabeira no Rio ou Obama versus McCain, tentativas de definir políticos e partidos no espectro ideológico despertam – incrivelmente – cada vez mais polêmica. Não acho, como alguns sugerem, que esquerda e direita tenham deixado de existir. Mas quando começamos a ler que ‘o PSDB é um partido de extrema-direita’ ou que ‘o PT é de centro-direita’ – está aí nos comentários da última semana em algum canto – é porque o samba do crioulo doido assumiu o comando.
Há uma falsa polarização entre PSDB e PT e este, hoje, é um dos mais sérios problemas do Brasil. Esta polarização é incentivada pela imprensa e é cultivada na blogosfera, que exerce atualmente o papel de aquecer as discussões políticas.
PT e PSDB têm a mesma política social, que parte do princípio da distribuição de complementos salariais por parte do Estado. Ambos têm essa política desde que Franco Montoro era governador de São Paulo e Toninho prefeito de Campinas. No governo federal, ambos seguem uma política econômica parecidíssima. Embora não tenham coragem de enfrentar tal fato, os fundadores de ambos os partidos são favoráveis ao estudo de células tronco embrionárias e ao casamento entre homossexuais. (Há uma exceção importante, nas questões de ordem social, porque ambos os partidos têm ligações históricas com a Igreja Católica que refuta ambas as políticas.) As diferenças entre PT e PSDB são de matizes, não de políticas. Nos EUA, a maioria de seus políticos se encontrariam com facilidade no projeto do Partido Democrata. Na Espanha, no projeto do PSOE. Caracterizar qualquer um dos dois como um partido de direita é não compreender o que é direita.
A polarização artificial incentivada pelas revistas que cobrem política e cultivada na blogosfera é auxiliada por figuras do tipo Arthur Virgílio e sua constante histeria de um lado, e a falta de tato com a corrupção endêmica do primeiro mandato Lula, no outro. Ainda assim, não é possível analisar a passagem de José Serra no Ministério da Saúde, onde interveio nos preços de empresas privadas sem qualquer pudor, e sugerir que ele é de direita. Serra é irascível, tem mau humor, manipula – alguns sugerem que é mesquinho. Talvez. De direita, não é.
Mas seguimos nessa discussão louca que lembra Manuel Bandeira e seus sapos parnasianos: você é de direita, não sou, é, não é. E quem ganha?
Não são PT e PSDB. Estes são os que perdem.
Enquanto brigam entre si, quem ganha são entidades como o PMDB. Como o DEM. Ou o PP. Este incrível PSL. A aberração que adotou a sigla PTB. É evidente: enquanto os dois mais bem estruturados partidos brasileiros, que têm programas tão parecidos, cujos fundadores estiveram juntos na resistência à Ditadura, não se aliam, precisam se aliar com outros. Que outros? Aqueles que serviram à ditadura. A polarização artificial entre PSDB e PT mantém viva a base fisiológica em partidos os piores possíveis.
Enquanto aqueles partidos são mantidos artificialmente vivos por uma aliança evidente que nunca se concretiza, reais partidos de direita não nascem no Brasil para uma oposição decente. Uma oposição com programas, com propostas alternativas à direita e uma idéia distinta de Brasil. Tal oposição melhoraria a coligação de centro-esquerda PT-PSDB, que seria obrigada a um debate sério a respeito de suas propostas e o constante refinamento. E o Brasil teria dois grupos fortes se enfrentando, os eleitores teriam duas propostas realmente distintas e o fisiologismo teria menos espaço.
Mas qual que nada. Previsão para este post e outros tantos blogosfera adentro: você é de direita, não sou, é, não.
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Hoje às 22h, o debate dos candidatos à presidência dos EUA – aqui.
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(Os leitores doutras cidades do país que perdoem os excessos cariocas deste Weblog.)
No Brasil, São Paulo é minha segunda cidade. E ela tem um bocado a celebrar com a disputa entre Marta Suplicy e Gilberto Kassab. Ambos foram prefeitos que podem dizer ter feito concretamente algo por São Paulo.
Marta tem um grande mérito: conquistou o voto da periferia sem ter feito fisiologismo. Muitos, na classe média alta, não têm idéia de como iniciativas como o bilhete único fazem diferença no bolso de quem mora longe e precisa vir ao emprego na cidade.
Ao mesmo tempo, o Cidade Limpa melhorou surpreendentemente uma cidade em geral áspera. Melhorou mesmo: a qualidade de vida, o humor, melhora quando não há tanta feiúra exposta. Alguns argumentam que a lei é de José Serra. Talvez. Não foi de fácil implementação e este mérito é de Kassab.
De maneiras muito distintas, ambos melhoraram a vida em São Paulo. E, disputas internas no PSDB à parte, o Brasil melhora quando políticos de pouca estatura como Geraldo Alckmin deixam o cenário nacional.
O voto paulistano, em outros tempos contaminado pelo populismo de figuras as mais tristes, optou tanto à direita quanto à esquerda conscientemente.
Que faz de uma democracia saudável? Para os eleitores, suas preocupações ideológicas se sobressaem. Há que ser um prefeito de direita. Ou um de esquerda. Ou que acredite nisto. Naquilo. É mais do que natural. Para a democracia, não é isso o importante. O importante é coerência. É a consolidação de grupos políticos que representem determinados setores da sociedade. Um país que tem partidos fortes ligados intimamente a sua base eleitoral se expõe menos aos arroubos fisiológicos dos aventureiros.
Neste sentido, a derrota nas urnas do PSDB em todo o país é ruim. A vitória do PMDB, idem. O PMDB atual é a encarnação do fisiologismo, do partido sem rosto definido que em cada praça é dominado por um político diferente que manda ou desmanda. Sequer tenta representar um ideal, não tem projeto que não a costura de projetos pessoais. Muitos partidos políticos, no Brasil, são assim. O PMDB é apenas o caso mais explícito.
O eleitor sincero de direita, liberal do ponto de vista econômico e conservador quanto às normas sociais, tem profunda dificuldade de se ver representado por um partido político. Nem PT, nem PSDB, o representam de fato. O político sincero de direita se vê obrigado a entrar em legendas frágeis e, portanto, termina contaminado pelas práticas fisiológicas de seu partido.
Não foi uma má eleição. Em Fortaleza, em Salvador, no Rio e em São Paulo, em vários pontos houve um claro movimento de eleitores driblando armadilhas. É um eleitor mais maduro. Mas a fragilidade dos partidos políticos brasileiros continua sendo o maior obstáculo de nossa democracia. E dificilmente é uma fragilidade que será corrigida pelo Congresso. Afinal, ela beneficia a matilha.
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Nos comentários do post abaixo, André Pessoa faz uma pergunta importante que se repete em vários pontos do Rio: Gabeira é de esquerda? Por que um eleitor de Jandira, Molon ou Chico deveria votar nele?
Não vou entrar na questão de se ele é de esquerda ou de direita. Eu o considero de esquerda – mas este não é o ponto mais importante e, se começamos a discutir quais as definições de um braço ou de outro do espectro ideológico no mundo atual, nos perdemos.
Pretendo, no entanto, argumentar por que um eleitor progressista não deveria querer Eduardo Paes no governo da cidade.
1. Eduardo Paes foi um mais virulentos críticos do Governo Lula na Câmara dos Deputados. Foi líder do PSDB na Câmara. Gabeira também foi crítico? Foi. Mas suas críticas não nasceram do puro jogo partidário e sempre foram leais. Este argumento não é meu. É de Jaques Wagner, governador petista da Bahia, que sugere que seu partido deveria apoiar Gabeira no segundo turno.
2. Se o PT nacional apoiar Paes oficialmente, não será porque se preocupa com o futuro do Rio. Certamente não virá de coerência ideológica. Virá de um jogo de alianças nacionais puramente político no qual o Rio é sempre sacrificado. Não custa jamais lembrar a eleição para governo do Estado de 1998, em que o PT do Rio queria a candidatura de Wladimir Palmeira e o PT nacional impôs o apoio a Anthony Garotinho.
3. Eduardo Paes tem como principais doadores de sua campanha Eike Batista e a construtora OAS. A mesma OAS virtualmente criada por Antonio Carlos Magalhães. Não representam grupos que costumam investir em políticos pelos seus belos olhos.
3. Apoiaram Eduardo Paes no Primeiro Turno: o PTB de Sandra Cavalcanti, o PP de Paulo Maluf e Francisco Dornelles, o PSL de Celso Pitta.
4. Eduardo Paes não tem qualquer história política e qualquer firmeza de ideais. Muda de partido independente de sua ideologia. De protótipo dos mauricinhos criados por Cesar Maia virou o garoto prodígio do PSDB e se bandeou para o PMDB de Garotinho.
É por isso que Eduardo Paes não é o melhor nome para a prefeitura do Rio de Janeiro.
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Neste momento, são 22h de domingo no Rio de Janeiro e Fernando Gabeira está no segundo turno das eleições municipais. Passou em muito Marcelo Crivella e chegou incrivelmente perto de Eduardo Paes.
As chances de vitória são concretas – e cá este Weblog tem um bocado de orgulho de ter feito parte do lançamento desta campanha.
A campanha continua de pé e não serve apenas aos cariocas: blogueiros e webmasters de todo o Brasil podem encontrar banners para suas páginas em slglab.com.br/gabeira/
O mestre designer Egeu Laus sugere esta imagem para apresentar à cidade a Onda Verde:

Houve uma corrida em direção a Gabeira nas últimas duas semanas indicando, claramente, o quanto o Ibope estava – por assim dizer – desnorteado qual cego em tiroteio, sem a mais vaga idéia de o que pensava ou desejava o eleitor carioca.
O resultado – 32% para Paes, 26% para Gabeira – mostra as chances de crescimento ainda nas próximas semanas. Há esse fenômeno curioso em eleições. Quando um candidato começa a crescer num ritmo forte, dá cheiro de vitória. Contagia.
As pesquisas dos próximos dias serão importantíssimas. O apoio dos outros candidatos que desejam mudança, idem.
Jandira Feghali teve respeitáveis 10% dos votos, Alessandro Molon 5%, Chico Alencar aproximadamente 2%. São 17% dos eleitores que votaram por um Rio diferente, por uma mudança real. Essa mudança é possível. Fernando Gabeira é, fundamentalmente, um homem íntegro que já há muitos anos estuda cidades, suas crises e tantas soluções quanto já foram imaginadas. É uma pena que não possa recomendar a cada leitor uma hora de conversa com o deputado: ele fala com paixão sobre o Rio e sobre os processos que podem levar a soluções.
Daqui da Califórnia, estou felicíssimo. Dia de abrir um vinho à noite. Faz muito – mas muitíssimo tempo mesmo – que a cidade não tem um candidato deste porte com chances de chegar ao governo.
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O presidente mexicano Felipe Calderón quer descriminalizar o porte de drogas. Sua proposta de lei funciona assim: quem for pego com uma quantidade pequena e se comprometer a fazer um tratamento para combater o vício não terá pena a cumprir. Por quantidade, entenda-se 50 miligramas de heroína, 2 gramas de maconha, 500 miligramas de cocaína e 40 miligramas de metanfetamina.
Seu problema é de ordem prática. O tráfico de drogas, no México, é sério e não à toa. Serve de porta de entrada para os EUA. Os recursos policiais não são muitos. Ir atrás de consumidor é um dreno no esforço. Enche as cadeias, produz criminosos e não muda em nada a situação do país.
Há alguns anos, o Congresso mexicano aprovou uma lei muito parecida. A diferença é que não exigia um tratamento médico. O lobby norte-americano para que fosse revertida foi intenso e o então presidente Vicente Fox derrubou a lei.
Uma nota: aqui na Califórnia, o uso de maconha medicinal é legal. A polícia não se dá ao trabalho de checar quem tem receita médica. Ninguém fuma nas ruas mas há regiões consideradas livres. No Golden Gate Park, em San Francisco, as pessoas se reúnem para fumar baseados sem que exista qualquer repressão. Embora existam traços da cultura hippie que nasceu aqui, não é um clima Amsterdã. A poucos metros de distância há crianças brincando e os pais não parecem estar preocupados.
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As primeiras pesquisas saíram: deu Joe Biden, dizem os indecisos. Na pesquisa da CBS, a diferença é grande: 46% para Biden, 33% empate e 21%, Palin. A CNN, 51 a 36%,
O grupo Media Curves tem uma análise mais detalhada, pergunta a pergunta. No geral, 69% para Biden e 31% para Palin.
Segundo os indecisos dessa pesquisa, a melhor resposta de Palin foi aquela sobre o pacote do governo, quando lembrou as dificuldades reais da classe média. Suas piores respostas foram a definição sobre suas responsabilidades como vice-presidente e o discurso sobre impostos. (Palin bateu na tecla de que é boa política cortar impostos para empresas.)
Pela segunda vez fica claro o que o público quer ouvir: a classe média quer candidatos que a representem e governem por ela. No momento, o Partido Republicano não está conseguindo alcançar este público ou convencê-lo de que suas políticas serão melhores a curto, médio ou longo prazo. É, neste sentido, uma eleição muito parecida com a de 1992, que elegeu Bill Clinton.
As expectativas do eleitorado estão se cristalizando. O jogo não está perdido para os republicanos. Mas há problemas – e os problemas quem criou foi McCain.
Primeiro ele disse que os fundamentos eram sólidos. O mundo caiu naquela tarde. Depois sugeriu cancelar o debate e fingiu suspender sua campanha. Aí, cantou ter sido responsável por um acordo na Câmara que evidentemente não houve. A soma dos momentos pegou mal.
Junto com gafes menores – coisas como não saber quantas casas tem – passa inevitavelmente uma impressão de que ele não tem a mais vaga idéia de como anda a vida da classe média. Que está alienado.
Em outras eleições, é um problema. Nessa, está brincando com o assunto considerado mais importante.
O que McCain precisa fazer é parar e organizar o discurso. Encontrar outras linhas de argumentação. Explicar como os seus projetos e sua maneira de ver soluções vão resolver os problemas imediatos do eleitorado: a hipoteca, o seguro de saúde, a universidade dos filhos. E precisa fazer isto rápido, porque as impressões estão se cristalizando.
Metaforicamente, Joe Biden ganhou o debate quando engasgou falando de sua experiência na mesa da cozinha tentando fechar as contas, com dois filhos, sua mulher e filha mortas. Palin perdeu-o quando foi incapaz de fazer um comentário gentil imediatamente após.
Metáforas à parte: Biden falava de classe média o tempo todo. Palin falou um quê. Devia ter sido o tempo todo.
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23h44 Valeu Idelber! Numa das próximas temos que ver se não dá para entrarmos juntos em vídeo live.
23h38 Gente – muito obrigado. Num chute, o engasgo de Joe Biden às 23h22 foi o melhor momento do debate. Mas a principal notícia é que a Palin deste debate não tem nada a ver com aquela das entrevistas. Ela estava bem. Se repetia um bocado, mas não importa. Estava segura. Os indecisos no gráfico da CNN parecem ter preferido Biden. Ainda é cedo, no entanto. Vamos ver o que as pesquisas hoje mais tarde dizem.
23h32 Iffin agradece, os candidatos se cumprimentam. Sarah Palin não venceu. Mas não saiu humilhada de forma alguma.
23h30 Palin: Agradece a oportunidade. ‘Gostaria de mais oportunidades como essa de falar com o público sem o filtro da grande mídia.’ Biden: Foi um prazer conhecê-la, governadora. Há necessidade de mudanças reais. Medimos progresso nos EUA não pelo salário de executivos mas pela capacidade do cidadão comum de pagar sua hipoteca.
23h29 Biden: John McCain, se estivesse aqui, diria que sempre me empenhei em convidar com o partido. Palin: Sou também assim. Diz que sua família é muito diversa, sabemos que se tivermos o melhor como objetivo comum, tudo dará certo.
23h28 Palin: Houve momentos em que queria diminuir mais os impostos, no Alaska, mas não tive apoio. Mas nunca precisei ceder demais.
23h26 Biden: Quando cheguei ao Senado, treinado como advogado, achava que qualquer juiz bem formado seria um bom juiz. Aí aprendi que a ideologia do juiz, nos EUA, faz diferença. Os americanos tem o direito de saber o que pensam seus juízes.
23h24 Biden: John McCain não é independente. Nas questões que realmente interessam às pessoas ele vota com Bush.
23h23 Palin comete um ato falho: John McCain is the man we have to leave. Ao invés de to lead. Devemos deixar John McCain ao invés de deixá-lo liderar.
23h22 Biden: Você foi muito gentil ao dizer que meu calcanhar de Aquiles é minha falta de disciplina. Lembra de quando sua mulher e filha morreu e ficou sozinho para cuidar de dois filhos. Gagueja. Continua: não é porque sou homem que não sei como é criar filhos sozinho.
23h20 Perguntada qual é seu calcanhar de Aquiles, Palin escorrega e não responde, citando a metáfora de Reagan para os EUA: a brilhante cidade no alto de uma montanha.
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Tags: EUA
John McCain acaba de retirar sua equipe de Michigan. Não há mais propaganda na tevê, distribuição de mala direta. O dinheiro está curto. E a avaliação de sua campanha é de que este, que é um dos principais swing states, está definitivamente perdido para Obama.
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Hoje, às 22h em Brasília, o Weblog estará ao vivo acompanhando o debate dos vices nos EUA.
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As últimas pesquisas do DataFolha para algumas das principais capitais do Brasil, margem de erro de 3 pontos percentuais:
São Paulo: Marta Suplicy (PT - 35%), Gilberto Kassab (DEM - 27%), Geraldo Alckmin (PSDB - 19%)
Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PMDB - 29%), Marcelo Crivella (PRB - 19%), Fernando Gabeira (PV - 17%), Jandira Feghalli (PCdoB - 12%)
Belo Horizonte: Márcio Lacerda (PSB - 45%), Leonardo Quintão (PMDB - 23%), Jô Moraes (PCdoB - 11%)
Porto Alegre: José Fogaça (PMDB - 35%), Maria do Rosário (PT - 20%), Manuela D’Ávila (PCdoB - 18%)
Salvador: João Henrique (PMDB - 25%), ACM Neto (DEM - 24%), Walter Pinheiro (PT - 22%)
Recife: João da Costa (PT – 46%), Mendonça Filho (DEM – 22%), Raul Henry (PMDB – 11%)
Fortaleza: Luiziane Lins (PT – 47%), Moroni Torgan (DEM – 22%), Patrícia Saboya (PDT – 16%)
Atualização - A pedidos, o DataFolha em Curitiba: Beto Richa (PSDB - 68%), Gleisi Hoffmann (PT - 20%). Lá, não deve haver segundo turno.
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Duas observações sobre o post anterior, a respeito da Rússia.
Primeiro: o leitor Mr. Z fez uma interessantíssima análise a respeito da Rússia nos comentários. Vale a pena ler.
Segundo: alguns de vocês rapidamente compararam com Chamberlain e 1938. O apaziguamento. Lembrar daquele momento é sempre complicado e esta é uma das metáforas mais abusadas que há em situações como essa. Mas, neste caso, há realmente mais proximidades do que em geral.
Em 1938, Adolf Hitler queria incorporar à Alemanha um pedaço da Tchecoslováquia no qual viviam alemães. Embora não fale claramente de incorporação, Putin diz estar defendendo cidadãos russos.
Em 1938, a França tinha um tratado com a Tchecoslováquia que a obrigava a partir em sua defesa caso houvesse ataque. O Império Britânico partiu em ajuda à França. E não houve pudores para sacrificar o território tchecoslovaco para impedir um conflito maior. Não há um tratado, hoje, que obrigue qualquer um a defender a Geórgia (ou a Ucrânia). Mas há a mesma falta de pudor de ignorar um ataque a dois países fracos para evitar um conflito muito maior.
Ainda assim, há diferenças importantes. Em 1938, havia o consenso de que o Tratado de Versalhes e a humilhação alemã subseqüente, após a Primeira Guerra, havia sido um erro. Após sua derrota em 1918, a Alemanha havia concretamente perdido território – incluindo aquele que Hitler requeria. Havia uma vontade de reparação. As fronteiras atuais da ex-União Soviética foram definidas após a dissolução da URSS por consenso.
Em 1938, a Alemanha era uma clara e solitária agressora. Hoje, os EUA determinam que podem invadir quem querem, quando quiserem, independentemente de qualquer órgão internacional. A Rússia não está sozinha.
Mais importante: Hitler queria conquistar toda a Europa para seu Reich. Hitler queria eliminar etnias inteiras da face do planeta. Isso talvez não estivesse claro em 1938 – mas Hitler era Hitler. Vladimir Putin não é Hitler.
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As tropas de monitoramento da União Européia que chegaram hoje à Geórgia tiveram permissão russa para entrar em parte do território da Ossétia do Sul. O cessar-fogo parece estar sendo obedecido e, até o dia 10, os russos deverão deixar o território. Um grupo mínimo de soldados fica para ‘manter a segurança’.
Há muito falatório a respeito da Geórgia estes dias, tanto na imprensa norte-americana quanto na européia. As populações da Ossétia do Sul e da Abecásia, as duas províncias separatistas, não pertencem à mesma etnia dos georgianos. Mas também não são russos. Ao longo da última década, no entanto, vieram recebendo passaportes russos por conta de uma política planejada de Moscou. São cidadãos russos, portanto. E Vladimir Putin se reserva o direito de defender cidadãos russos não importa onde eles estejam.
Aí começa a dificuldade: ninguém está realmente preocupado com a Geórgia. Mas assim como ossétios e abecásios, os moradores da Criméia vem recebendo passaportes russos faz pouco mais de uma década. E a Criméia faz parte da Ucrânia, país que, de pequeno, não tem nada. Mais: tem fronteiras com Polônia, Hungria, Romênia e Eslováquia. Está no meio da Europa. Se o argumento de Putin é aceito para a situação da Geórgia, à frente terá que ser aceito para a Ucrânia.
A situação vai ficando mais complexa: as conversas de livre comércio entre União Européia e Ucrânia estão acontecendo. O país tem um objetivo. Quer se juntar à UE. Também quer fazer parte da OTAN. Mesmos objetivos da Geórgia. Os vizinhos imediatos – Polônia, Hungria, Romênia e Eslováquia – já fazem parte da UE e da OTAN. E a população ucraniana, como a da Geórgia – excetuados os separatistas – querem ambos. Mas a OTAN tem na base um tratado, uma garantia de que se um de seus membros for atacado, os outros partem em sua defesa.
E a Rússia, neste momento, está deixando tão claro quanto possível que tem planos de atacar a Ucrânia. Fez o movimento contra a Geórgia, o mundo ficou quieto.
Em negociações do tipo, o blefe faz parte. Mas quem blefa e não cumpre perde a credibilidade. Quando George W. Bush declarou que a Coréia do Norte não poderia desenvolver armas nucleares senão teria que se ver com sei lá o quê, blefou. Os norte-coreanos conseguiram suas armas. Nada ocorreu. Bush também se reserva, como Putin, o direito de atacar o país que considerar necessário para a segurança dos EUA. E já o fez. A diferença, talvez, é que Putin vem se mostrando fiel à palavra. Cumpre o que ameaça. E os EUA não têm muito como censurá-lo.
Putin também se sente ameaçado. Ucrânia e Geórgia viveram revoluções eleitorais – as revoluções Laranja e a Rosa – que o governo russo não gosta nem de imaginar ocorrendo em sua casa. A OTAN, criada contra a União Soviética, ainda é vista em Moscou como um grupo anti-Rússia. E o crescimento dela nos arredores acirra a paranóia. Não bastasse, os EUA insistem em instalar mísseis na Polônia voltados para a Rússia. Não é contra a Rússia, eles dizem. Não é o que poloneses ou tchecos pensam. E, olhando friamente, o Kremlin não tem qualquer obrigação de acreditar na palavra norte-americana. Os paranóicos, afinal, têm seus inimigos.
Também por uma análise fria, é possível concluir que é irresponsável trazer Geórgia ou Ucrânia para a OTAN. Se Putin invadir a Criméia, será preciso intervir militarmente. Uma guerra entre OTAN e Rússia é uma idéia que se aproxima um bocado de qualquer definição de pesadelo. Em diplomacia, é bom não se colocar numa posição em que não existam mais escolhas.
Mas, ainda assim, há sempre a questão moral: agora, entrega-se um pedaço da Geórgia aos russos. E tudo bem. Depois, um pedaço da Ucrânia. Onde pára a fome de Putin? Com muita velocidade, este conflito que parece vindo dos tempos da Guerra Fria pode se transformar na crise internacional mais importante que existe no planeta.
Ao menos há uma boa notícia: os chineses não gostam nada dessa idéia de incentivar grupos a conseguir a independência ou autonomia de seus territórios. Nessa, os russos estão sozinhos.
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Edição 18 | quarta-feira 1 – Toda atenção para Sarah Palin. Em um determinado momento, Katie Couric, da CBS, lhe perguntou se os fatídicos 700 bilhões não seriam mais bem gastos com programas de apoio à classe média do que com bancos. Assim respondeu Sarah Palin (numa tentativa de tradução):
É o que eu digo, como todo americano com quem converso, nos sentimos mal numa situação em que quem paga os impostos financia o pacote. Mas, no fim, o que o pacote faz é ajudar aqueles preocupados com a reforma do sistema de saúde, que é importante para resgatar a economia, ajudando a—a criação de empregos, também, botando a economia de volta nos trilhos. Reforma do sistema de saúde e redução de impostos e controle dos gastos deve acompanhar redução de impostos e um alívio de impostos para os americanos. E comércio exterior, precisamos ver o comércio exterior como uma oportunidade, não como competição, algo que assuste. Mas um em cada cinco empregos criados vem do comércio, hoje, o que faz dele uma oportunidade. Tudo sob o guarda-chuva da criação de empregos. O pacote é parte disso.
♦ Couric também perguntou a ela sobre decisões importantes da Suprema Corte. Roe v. Wade, ela logo respondeu. (É o caso que todo norte-americano conhece, que jogou na inconstitucionalidade várias leis anti-aborto.) Aí, silêncio. Não sabia de mais nenhuma obra. Nomear juízes para a Corte é encarada como uma das principais tarefas do presidente da República. De Palin, apenas o silêncio.
♦ Do sisudo editor de política internacional da Newsweek, antes responsável pela revista de elite Foreign Affairs, Fareed Zacharia: ‘Nesta época tão delicada em que vivemos, a escolha de John McCain para vice foi fundamentalmente irresponsável. McCain costuma dizer que põe seu país em primeiro lugar. Neste caso, simplesmente não foi verdade.’
♦ Não se fala de outro assunto na imprensa. A campanha de John McCain diz, agora, que mudará de estratégia. ‘Deixaremos Sarah ser Sarah.’ Não adianta que ela memorize alguns pontos importantes. Quando a verborragia vem, todos os pontos sobre economia, por exemplo, estão lá. Mas caóticos, mal estruturados, deixam claro que ela não entende absolutamente nada do que está falando. Buscam um programa de rádio, veículo dominado pela direita, onde ela possa falar de sua biografia pessoal.
♦ Quinta-feira, 22h no Brasil, haverá o debate dos vices. O que mais se diz pela rede como conselho a Joe Biden: deixe que Sarah Palin fale. Deixe ela falar à vontade. Cá este Weblog estará ao vivo no debate. O Idelber Avelar também. No último, a conversa foi boa.
♦ O Grupo Nielsen, que avaliou a reação de eleitores independentes segundo a segundo no último debate, apresentou seu relatório. (Eles são os responsáveis por aquele gráfico que a CNN mostrou ao pé da tela.) O momento que gerou as reações mais positivas foi um comentário de Obama sobre a importância de independência do petróleo estrangeiro e da reforma do sistema de saúde em seu programa de governo. O momento de mais reações negativas foi no finzinho do debate. Era John McCain listando suas qualificações para a presidência.
∞ Este debate dos vices periga ser o mais importante de toda a campanha. Se Sarah Palin for muito mal, se isto for perceptível, a eleição pode ser decidida ali.
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Colunista do Washington Post, David Ignatius foi à estante buscar alguns volumes de lord John Maynard Keynes. Trata-se do economista que ergueu os EUA após a crise de 1929. Esta coluna – O que Keynes pode nos ensinar – foi publicada na semana passada, portanto antes de o Congresso dos EUA derrubar o pacote do governo. Este pacote ainda pode ser reapresentado – mas a negociação é dura e difícil.
O problema com o mercado financeiro, argumentava Keynes, é que os investidores são tomados periodicamente por aquilo que ele chamava de ‘preferência pela liquidez’, o que os impunha temor de botar seu dinheiro em nada que não fosse o mais seguro investimento. ‘É da natureza dos mercados de investimento organizados que, quando a desilusão cai sobre um mercado excessivamente otimista e excessivamente comprometido, ela cai repentinamente e muitas vezes com força catastrófica’, ele escreveu. ‘Quando a dúvida começa, ela se espalha rapidamente.’ […]
A idéia revolucionária de Keynes era que o mercado financeiro não se corrigia por natureza, como argumentava a economia clássica. Deixada a si própria, Wall Street pode se manter na armadilha da liquidez que congela os mercados e qualquer investimento produtivo desaparece. Aí, cabe ao governo tomar ações que restaurem a conviança e estimulem o investimento. ‘A conclusão é de que o trabalho de organizar o volume de investimentos não pode ser deixado nas mãos da iniciativa privada em segurança’, escreveu.
O que nos traz ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, e a atual crise financeira. Desde que ele interveio para resgatar o Bear Searns, em março, Paulson tem procurado botar dinheiro nos mercados bloqueados pela preferência extrema por liquidez dos investidores. Mas cada resgate apenas engatilha o desastre seguinte – e do Bear Stearns, Paulson vai para Fannie e Freddie, de lá para AIG, e agora a promessa do governo de mais 700 bilhões de dólares.
Que conselho Keynes poderia oferecer a Paulson e ao presidente do Fed, Ben Bernanke? Seu primeiro instinto seria reiterar que o mercado, deixado a si mesmo, não resolverá a crise atual. É preciso ajuda do governo – neste caso, ajuda numa escala que deixaria até Keynes impressionado. Isto inclui garantir hipotecas, impedir certas negociações no mercado e outras medidas. Mas se estas medidas vierem de pouco em pouco, sem amplo apoio político, elas podem apenas ampliar a ansiedade pública. E este é o medo: que o pânico em Wall Street se transforme em pânico nacional.
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No domingo, não poderei votar. Quem está no exterior só vota para presidente. Se estivesse na minha cidade, o Rio de Janeiro, como muitos de vocês sabem, eu votaria em Fernando Gabeira.
Quando este Weblog, em finais do ano passado, convocou o deputado a candidatar-se, o cenário era desesperador. Havia a impressão de que o senador Marcelo Crivella tinha tudo para terminar prefeito.
Agora, há fortes chances de que nem ao segundo turno chegará.
Há pessoas sérias e honestas na disputa além de Gabeira. Mas é ele quem está subindo forte.
Marcelo Crivella pertence à Igreja Universal do Reino de Deus. Não passa, por este Weblog, qualquer tipo de preconceito religioso. Mas a IURD tem um projeto de poder nítido e alguns casos sérios de corrupção no passado. Ela já é dona da segunda maior emissora de tevê aberta do país, prepara-se para entrar no mercado dos grandes jornais diários, ter fortes ligações com o governo federal, deputados e um senador. Seu próximo passo é alcançar o Executivo e o projeto começa por uma prefeitura importante. A do Rio, por exemplo.
No meu país ideal, uma estrutura como a IURD não tem poder político. Mas essa é uma questão de opinião.
Eduardo Paes é o candidato com mais chances de chegar à prefeitura. Ele é cria de Cesar Maia, por sua vez cria de Leonel Brizola. Faz parte da macro-estrutura política que governa o Rio de Janeiro há quantas gerações? Saturnino-Marcello-Cesar-Conde-Cesar-Cesar. Não só Paes é cria da estrutura política que criou este Rio de Janeiro de hoje, como entrou para o PMDB. O PMDB não é um partido. Não representa qualquer ideologia ou grupo social. O PMDB é uma estrutura que busca poder pela prática do poder. É o partido de Anthony Garotinho. Não é uma máquina que perdoe. Quem chega ao poder com o PMDB, governa com o PMDB.
Não é que Paes seja mau sujeito: o problema é tudo o que representa.
A campanha aconteceu, os candidatos se apresentaram, agora o resultado está nas mãos dos eleitores de Jandira Feghali, Chico Alencar e Alessandro Molon. Estes eleitores têm uma decisão a tomar até o domingo. Dependerá deles termos um segundo turno entre Paes e Gabeira ou Paes e Crivella. Não acho que voto útil seja uma opção a se considerar em qualquer pleito. Mas, neste, o Rio terá um prefeito ao final do processo. Precisamos de mudança real.
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Edição 17 | segunda-feira 29 – Não estão claras as conseqüências para John McCain, mas por 228 a 205 votos, a Câmara dos Deputados derrubou o pacotaço de George W. Bush para resgatar o setor financeiro norte-americano. Em números: 140 democratas e 65 republicanos votaram a favor, 95 democratas e 133 republicanos, contra. O Partido Republicano de Bush o traiu.
♦ McCain passou a manhã de hoje criticando Obama: o candidato democrata não teria se envolvido com as negociações. Ele, McCain, teria sido um dos arquitetos do acordo. Um líder de verdade.Ontem, no programa semanal Meet the Press, seu estrategista de campanha Steve Schmidt explicou ao país como McCain costurara o acordo. O acordo, ao que parece, inexistente.
♦ O problema continua lá. Agora há pouco, Henry Paulson, ministro da Fazenda, foi à tevê, numa coletiva, para dizer que um pacote de ajuda é necessário imediatamente. Os deputados republicanos, no entanto, têm seus próprios eleitores com os quais se preocupar. Alguns sentem que apoiar uma intervenção governamental na economia pegaria mal. Outros acham que devem se afastar do presidente para terem chances de reeleição. Uns terceiros reclamam que sem fiscalização do governo, é jogar dinheiro fora.
♦ Sarah Palin, enquanto isso, deixou a campanha para se isolar no sítio de McCain, no Arizona. Vai se concentrar no preparo para o debate de quinta-feira. Segundo Howard Kurtz, colunista de mídia do Washington Post, a CBS ainda tem um trecho da entrevista entre Palin e Katie Couric ‘que prometem causar mais embaraço’. Deve estar na tevê antes do debate.
∞ A semana começa mal para os republicanos.
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