Pedro Doria | Weblog

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Tudo publicado sobre 'Biologia'

Os mamíferos se vão

9/October/2008 · 100 Comentários

Metade das espécies de mamíferos do mundo estão sofrendo uma redução populacional. E um quarto delas sofre o risco de extinção. O balanço vem de um estudo que envolveu 1.700 especialistas em 130 países.

Os maiores problemas estão na Ásia, onde o aumento da área cultivada representa perda de habitats naturais e nos oceanos, por conta do uso cada vez mais intenso por parte de nós, homens. No sul e sudeste asiático, 79% das espécies primatas estão ameaçadas. Em todo o mundo, 40% das espécies de mamíferos estão perdendo seus habitats. Aí, não é apenas caso da Ásia: a situação é extrema nas Américas do Sul e Central, em Madagascar e na África Subsaariana.

Não, o problema não é só do mundo pobre: existem apenas 143 linces ibéricos (que vivem entre Espanha e Portugal) vivos. Neste caso, é uma história típica de desequilíbrio ecológico. Há um excesso de lebres, que atacam plantações. Os fazendeiro matam as lebres, que são o principal alimento das linces. Quando a população do predador vai a números gritantemente pequenos, lebres que não tem qualquer dificuldade de se reproduzir aumentam ainda mais em número.

Outro ameaçado é o diabo-da-tasmânia. (Sim, o mesmo que inspirou o personagem de desenhos animados Taz.) Trata-se do maior marsupial carnívoro do mundo, um bichinho feio que dói, do tamanho de um cachorro pequeno. Na última década, sua população diminuiu em 60% graças a um estranho câncer que ataca sua boca. Ele morre de fome.

via Polymeme

Tags: Biologia · Ciências

O corpo humano visível

24/June/2008 · 7 Comentários

A Hybrid é uma empresa especializada em animações médicas. São contratados por universidades para o preparo de material educativo, por laboratórios para demonstrar o funcionamento de remédios, por grandes feiras do ramo.

Seu coração que fica transparente – todas suas válvulas expostas – é um desbunde, assim como o outro coração, aquele no qual o sangue corre. Há uma bactéria infectada por um vírus, o remédio que ataca um tumor ou mesmo uma sessão de quimioterapia.

via The UberReview

Tags: Biologia

Por trás daquele beijo

8/February/2008 · 89 Comentários

Aproximadamente 10% da humanidade dispensa a osculação. Consideram o ato indecente, quando não nojento.

(Osculação? É a palavra científica para beijo na boca.)

A Scientific American do mês tem uma reportagem que faz um balanço das pesquisas recentes sobre o tema. Há descobertas da maior importância, como aquela da Universidade de Ruhr, na Alemanha, que demonstrou não importar se o indivíduo é destro ou se é canhoto. Na hora do beijo, inclina a cabeça para a direita.

Há entre 12 e 13 caminhos nervosos no crânio que afetam alguma função cerebral – e cinco deles trabalham pesado no momento do beijo. Mensagens são disparadas de nossos lábios, bochechas, língua e nariz. O cérebro processa informação relativa a temperatura, gosto, cheiro e movimentos os mais diversos e surpreendentes. A resposta aos estímulos vem num coquetel de químicos que afetam para bem ou para mal stress, motivação, ligações sociais e estímulo sexual.

Beijo joga o stress para baixo e a sociabilidade para cima. (E talvez não fosse preciso um doutorado em bioquímica para sabê-lo.)

Se por um lado tais benefícios todos do beijo na boca são comuns a ambos os sexos, por outro homens e mulheres beijam com objetivos distintos em mente – e quem o diz são antropólogos vários. Homens vêem o beijo como o primeiro passo para o sexo. (Uma descoberta surpreendente.) Já mulheres se dedicam ao beijo por conta do aumento de intimidade na relação. (Ora, pois.)

Mas, ainda aí, há provavelmente mais informação do que se imaginava. No beijo, a mulher recebe sinais bioquímicos que lhe permitem avaliar a qualidade do parceiro para procriação, seu grau de confiabilidade – e até mesmo se ele estará por perto para ajudar a cuidar da cria.

via Arts & letters daily

Tags: Biologia · Ciências

A incrível história dos gêmeos siameses

6/February/2008 · 32 Comentários

A Biblioteca Nacional de Medicina, dos EUA, abriu uma grande exposição sobre o fenômeno dos gêmeos xifópagos – aqueles, univitelinos, que nascem de alguma forma ligados fisicamente.

Os relatos mais antigos vêm do finzinho da Idade Média e início da Renascença. Foi no renascimento que surgiram os primeiros best-sellers e os livros que causavam fascínio eram aqueles que relatavam grandes mistérios a partir de viagens a terras desconhecidas, talvez, ou mesmo de terrenos conhecidos.

(Marco Pólo foi um best-seller; em seu livro a respeito da viagem à China, descreve num momento o unicórnio que ele garantia existir. Era um rinoceronte.)

Gêmeos xifópagos atraem desde então. Sugeriu-se que eram filhos de mães que tinham tido pensamentos impuros. Ou que haviam tomado um susto. Eram sinal de má sorte para a comunidade em que surgiam – como, por exemplo, Verona, na Itália, onde em por volta de 1475 viveram duas moças unidas do ombro à bunda que dividiam entre si os rins. Ambroise Paré as descreve em seu livro Sobre monstros e prodígios. No caso destas moças, elas transformaram-se em renda para os pais, que as exibiram Itália afora. (Vai que a tragédia do amor suicida dos mui jovens Romeu e Julieta nasceu, ali em Verona, da má sorte destas.)

Os medos e receios supersticiosos de um tempo foram superados pelo showbiz circense do séculos 19, princípio do 20. São desta época Chang-Eng Bunker, os dois rapazes nascidos no Sião (hoje Tailândia) em 1811 que em 1829 foram levados à Inglaterra e depois EUA para serem apresentados ao público.

São os famosos ‘Gêmeos Siameses’ – e, por siamês, referiam-se ao Sião.

Chang-Eng largaram a vida de circo, assentaram numa cidadezinha da Carolina do Norte onde compraram uma loja. Lá, casaram-se com as irmãs (não siamesas) Sallie e Adelaide Yates. Dividiam uma mesma casa e uma cama muito grande. Chang e Adelaide tiveram 10 filhos; Eng e Sallie, 11. (Como as irmãs brigavam muito, acabaram decidindo por duas casas separadas; os gêmeos passavam três dias numa, três na outra.)

A primeira separação cirúrgica de xifópagos se deu em 1690 – mas, no caso, tratavam-se de irmãs ligadas apenas por pele e cartilagem. Apenas da década de 1950 para cá é que tais cirurgias são feitas com freqüência e terminam com a sobrevivência de ambos.

via Boing boing

Tags: Biologia · Pop

Diversidade humana

1/January/2008 · 15 Comentários

Olhando para frente. Quase encarando.

via Boing boing

Tags: Biologia · Pop

O nascimento do homem

25/December/2007 · 23 Comentários

Esta é a última de minhas reportagens sobre o Natal publicadas em NoMínimo. Esta saiu faz exato um ano, em 2006. O objetivo, após escrever sobre Jesus e Papai Noel, era escapar por completo à qualquer conotação religiosa do tema. Ao invés de o nascer do Homem, filho de Deus dos cristãos, o nascer do homem. De nós todos.

A princípio, os antropólogos liderados pelo professor Timothy White não perceberam muita diferença no crânio. Ele estava em fragmentos, disperso pelo solo etíope, e só muito lentamente, pincelada após pincelada, cada um de seus pedaços foi retirado. Em 1997 – faz dez anos ano que vem. No laboratório, o quebra–cabeça montado, o crânio de um homem adulto antigo, muito antigo, chamou atenção.

É que ele era grande.

O volume do cérebro, maior do que o nosso. Tinha um palato mais largo, também. Visto de cima, era um crânio mais comprido. Que bicho estranho era ele e, no entanto, tão parecido conosco. Não era um macaco. Quando chegaram os resultados da datação ficou claro quem era o sujeito que víamos pela primeira vez. Tinha 160 mil anos. O homem moderno mais antigo já encontrado tem uns 130 mil. O que White e seu time encontraram era um Homo sapiens, sim, mas não um de nós. Nosso antepassado imediato: Homo sapiens idaltu – o Homem sábio mais antigo, numa tradução literal de seu nome.

Amanhã é Natal, o dia em que a tradição cristã celebra o nascimento de Jesus Cristo e que representa, num nível mais simbólico – e essa é a visão de muitos teólogos –, o nascimento de todos nós. Mas quem somos nós? Ou talvez, perguntando de forma mais precisa, por que somos assim tão diferentes dos outros à nossa volta? Por que fazemos arte? Por que cometemos genocídio? Por que erguemos cidades, fazemos automóveis, conversamos uns com os outros, escrevemos? Por que fomos à Lua? Por que nos perguntamos essas coisas?

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Tags: Biologia · Ciências

Células tronco seguem em frente?

21/November/2007 · 48 Comentários

Bom não deixar de registrar o anúncio, ontem, do trabalho de duas equipes distintas de cientistas, uma japonesa, outra norte-americana: conseguiram ‘reprogramar’ células de pele para se comportar como células tronco embrionárias.

É um avanço brutal que, aparentemente, enterra a polêmica que havia. Se, para a produção de células tronco não é preciso destruir embriões humanos, os receios de um bom número de gente são eliminados. Assim, as pesquisas com células tronco podem seguir a pleno vapor.

Células tronco são aquelas que podem ser adaptadas para virar quaisquer outros tipos de células. Podem transformar-se em células de fígado, por exemplo, que permitiram num futuro hipotético a produção de um novo fígado em laboratório.

O campo de pesquisa está repentinamente aberto.

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A Lua e como ela nos fez

1/November/2007 · 45 Comentários

Para alguns, a Terra pode até ter feito 6.010 anos. Já a ciência a vê um quê mais velha: 4,56 bilhões de anos. Quando ela tinha apenas 30 milhões de anos, no entanto, e oceanos de lava correndo na superfície, um objeto do tamanho de Marte chocou-se contra ela. Assim, um pedaço de nosso planeta se soltou.

Virou a Lua. (Quem conta sua história é Bernard Foing, cientista-chefe da Agência Espacial Européia.)

A Lua é pesada e grande o suficiente para afetar a Terra. A gravidade gerada pela proximidade de planeta e satélite atrai as águas, por exemplo, afetando as marés. A Lua também interfere com o comportamento da placas tectônicas que cobrem a superfície da Terra. É que a aproximação e o afastamento da Lua em relação à Terra gera energia, esquenta, esfria, provocando dilatação e contração da crosta.

A Lua afeta o clima. Por exemplo, as correntes subterrâneas do Pacífico mantém frio o mar na costa de Chile e Peru. Como é muito frio, não há precipitação e, portanto, raramente formam-se nuvens. Mas a força gravitacional da Lua por vezes arrasta estas correntes frias para mais longe da costa, provocando um número grande de nuvens que geram tormentas pesadas.

Hoje, há mais água no Equador. Tire a Lua repentinamente e esta água se redistribuiria toda em direção aos pólos.

A presença da Lua mantém o eixo de rotação da Terra em torno de si mesma estável. Não fosse ela, o planeta giraria solto, como acontece com Marte. Com a contínua mudança de eixo, os pólos se deslocariam. Mas a Terra tem esta qualidade constante, estável – graças à Lua. Por conta, não há mudanças climáticas drásticas. É graças a esta estabilidade que a evolução teve tempo de preparar suas artimanhas, desenvolvendo seres multicelulares complexos no lento caminhar de muitos milhões de anos.

A luz que a Lua reflete vinda do Sol nos moldou. Se a Lua é cheia, nossos olhos têm mais do que o suficiente de luz para enxergar bem. A tênue iluminação da Via Láctea já nos permite ver bastante. (Varia, mas isto é mais ou menos verdade para boa parte dos mamíferos.) São olhos moldados para a luz da Lua que, por certo, nos garantiram a sobrevivência como espécie. Somos como somos porque a Lua está lá em cima.

E não saberíamos de nada disto não fosse, bem, a Lua. A Lua nos ensinou sobre mudança e constância, sobre os ciclos da natureza. Porque o dela é o ciclo mais evidente. Não há distraído que não o perceba. Se sempre numa semana ela se mostrava de um jeito, na semana seguinte de outro, se repetia suas quatro fases sempre e todo dia, nos alertou para o fato de que muda e que muda sempre da mesma forma, no mesmo passo. A partir dos ciclos da Lua percebemos os ciclos das estações e os ciclos vários da Terra; contamos os dias e aprendemos matemática para prever como seria daqui a um mês, daqui a dois.

Foi por causa da Lua que criamos ciência.

via Boing boing

Tags: Biologia · Ciências · Religião

Se o neandertal falava?

24/October/2007 · 82 Comentários

Pesquisando fósseis de neandertais espanhóis, o antropólogo evolucionista Svante Pääbo foi capaz de isolar e garantir que eles também tinham o gene FOXP2.

Isto tem a ver com a fala.

FOXP2 foi descoberto em 1990, nos estudos de uma família que não era capaz de falar. Variantes dele estão presentes em várias espécies, é responsável pelo canto de pássaros e os ruídos ultra sônicos de ratos. Nosso FOXP2 é diferente do equivalente em chimpanzés, o que indica que ele mutou-se em sua forma atual posterior a nossa separação de nossos primos vivos mais próximos, há 6 milhões de anos. Mas o gene que Pääbo encontrou no Homo neandertalensis é rigorosamente igual ao nosso – FOXP2 já estava conosco no estágio anterior à formação do Homo sapiens.

Ele não é, propriamente, o gene da fala. Ainda não conhecemos que gene é este, se é que ele existe. Mas ele é responsável pelos vários movimentos que geram a fala.

Sabemos, pela anatomia, que o Homo heidelbergensis, ancestral imediato do neandertal, tinha um ouvido sensível à freqüência de sons associadas à compreensão da fala. Sabemos que o neandertal tinha o equipamento, entre garganta e língua, capaz de vocalizar.

Se era capaz de produzir os elementos ainda que rudimentares de uma linguagem? Se teve linguagem como nós, Homo sapiens? A pergunta ainda está em aberto. Mas os indícios favorecem esta conclusão.

Tags: Biologia · Ciências · História

Saída criacionista perfeita
contra o fiasco evolucionista

17/October/2007 · 108 Comentários

Evolucionistas se engajaram numa campanha de propaganda que pretende enganar o público, convencendo-no de que a Terra tem bilhões de anos e de que muitos animais que conviveram com Adão e Eva no Jardim do Éden morreram muitos anos antes da criação do homem (ou de sua evolução, como dizem em sua visão distorcida). Ao encontrar e apresentar exemplos vivos daqueles animais que os evolucionistas dizem serem impossíveis de existir, plantaremos a semente da dúvida no Evolucionismo, fazendo o público mais receptivo à Bíblia.

O plano do professor Richard Paley, professor do Divino e de Teobiologia da Fellowship University, é muito simples. Basta capturar alguns pterosauros e apresentá-los no Museu de Ciência Criacionista de Fellowship. Será preciso encontrar também alguns ovos, já que eles são animais que vivem em colônias.

Decidir por que animal apresentar vivo não foi simples e exigiu o estabelecimento de critérios. Os apatosauros, que vivem nas florestas do Congo, são muito grandes e vivem muito tempo. Já plesiosauros, que vivem em lagos, exigiriam a construção de um lago artificial. Encontrar trilobitas, que vivem nas profundas dos oceanos, seria um processo caro. Por fim, há os velociraptors. Eles, que aterrorizam pastores em Porto Rico e, sugerem os rumores, montam guarda frente os restos da Arca de Noé, são agressivos e, possivelmente, perigosos demais para um museu.

É – faz todo o sentido. Pterosauros, mais dóceis, são perfeitos. Basta apresentar um que a Teoria da Evolução Natural cai por terra.

via Bifurcated rivets

Tags: Biologia · Cristianismo

Procura-se ambientalista brasileiro

3/October/2007 · 56 Comentários

É preciso escrever bem em inglês e conhecer o tema. Carece ter disponibilidade para publicar três posts por semana a respeito do que acontece nas terras tupinambás.

É de suma importância ter sangue verde. (Aqueles com sangue azul ou vermelho, melhor não se inscrever.)

Paga em dólar.

Interessados podem se informar no Tree hugger.

Tags: Biologia · Brasil

As imagens a seguir não são para olhos sensíveis

28/September/2007 · 8 Comentários

via Sexoteric (NSFW)

Tags: Biologia · Sexo

O papagaio inteligente Alex e nós

18/September/2007 · 43 Comentários

Alex, o papagaio cinza africano que morreu na semana passada, ainda é uma incógnita científica. Parecia inteligente. Sabia contar, reconhecia os algarismos de 1 a 9. Apresentasse a ele continhas: duas verdes, três azuis, quatro vermelhas e o perguntasse em inglês que cor menor, Alex responderia Verde.

Pareceu reconhecer duplas de letras que formavam determinados fonemas. Certa vez, ao não ser premiado após responder uma pergunta, respondeu à segunda e reclamou: Quero noz.

Ganhou sua noz.

Doutras vezes, irritava-se, não respondia. Em um dos últimos testes que sua treinadora fez, ela perguntou qual era a cor do 3 para Alex. Havia três contas verdes. Quatro vermelhas. Outros tantos conjuntos doutras cores. Cinco, dizia Alex. A treinadora insistiu na pergunta. Cinco, ele respondia, sem fazer sentido. Não havia cinco contas de cor alguma. que cor cinco a moça decidiu perguntar intrigada.

None, disse Alex. Nenhum.

Teria compreendido o significado de zero? É um conceito ali do lado do infinito, sofisticado, complexo. Que é saber, afinal? E que é conhecer? Compreender? Uma das coisas que, compreendidas, nos faz humanos é esta abstração de entender o nada. A ausência.

Em seu simpático obituário de Alex, no New York Times, George Johnson, repórter especial de ciências, pondera a respeito do que Alex entendia de fato, aos 31 anos, à beira da morte. Será que ele entendia o zero, será que naquele pássaro havia uma mente ativa – será que compreendia a ausência de sua morte iminente?

Há uma pergunta mais profunda, aí: não sabemos de fato o quão distantes estamos das outras espécies. Não sabemos com absoluta certeza se a metafísica nos faz únicos.

Tags: Biologia · Ciências · Gente

Plantando manjericão em casa

14/September/2007 · 28 Comentários

Manjericão fesco é bom ter sempre na cozinha. Neide Rigo ensina a plantar:

Voltando à estufa, a técnica que aprendi consistia em cortar as ponteiras das ervas - a parte jovem do galho, com cerca de 3 a 5 folhinhas, e plantar numa caixa com terra ou areia bem fofa e úmida (eu uso uma caixa de frutas, de madeira, forrada com manta acrílica e terra). Aí é só cobrir com plástico transparente, deixar em lugar fresco e iluminado e esquecer dela. A umidade vai circular, as folhinhas nem chegam a murchar e depois de uns 30 dias os galhos já estarão todos com raízes. Basta agora transplantar para o local definitivo.

Você pode fazer isto até com as ervas de bandejinha ou de maços vendidas nos supermercados, desde que bem frescas. Corte a pontas e deixe-as por uns 15 minutos na água para recompor a umidade perdida. E pronto, é só enfiar na terra da caixa, apertando com os dedos. O professor ensinou a tirar os galhinhos de alguma erva adulta plantada (ou seja, você tem que pedir para alguém ou usar a técnica para multiplicar o que já possui). Tem que cortar com tesoura e deixar cair sem demora na água para não desidratar. Só que eu fiz isto com as ervas de supermercado mesmo, mais de uma vez, e todas enraizaram igual. Já o manjericão enraíza de qualquer forma e em poucos dias, na estufa ou direto na água (lembrando de trocar a água todos os dias para ela não ficar mal-cheirosa ou virar criatório de mosquito).

Em seu (excelente) blog, as fotos da operação.

Tags: Biologia

Cérebro de esquerda, cérebro de direita

13/September/2007 · 37 Comentários

David Amodio, professor de psicologia da Universidade de Nova York, convocou 43 pessoas para uns testes.

Primeiro, perguntou a cada um, individualmente, como se posicionava politicamente numa escala que ia de -5 (extrema esquerda) a +5 (extrema direita).

Então, postou cada um perante um computador em cuja tela aparecia, por 0,1 segundo, ou a letra M ou a W. Se fosse M, o sujeito devia apertar um botão qualquer no teclado; fosse W, deveria fazer nada. Repetiu o tal do teste 500 vezes enquanto escaneava-se o acende e apaga das regiões cerebrais.

No caso, buscavam com o exercício ação no córtex cingular anterior. Quem tem mais atividade nesta região, acredita-se, tem maior capacidade de adaptar seu comportamento perante uma situação nova.

No artigo do professor Amodio, publicado na respeitada Nature Neuroscience, aqueles que se declararam de esquerda têm 2,5 vezes mais atividade por ali.

Tags: Biologia · Ciências

Gordura e envelhecimento do rosto

5/September/2007 · 13 Comentários

É raro, mas acontece: há uma descoberta na macro-anatomia mexendo com os bastidores da cirurgia plástica. Anatomia – ao menos no sentido macro – é coisa muito bem conhecida já há muito tempo. Até que se descobre que, bem, não é exatamente assim.

Veja-se o rosto, por exemplo. Acreditava-se que a pele e a gordura do rosto eram sustentados por um punhado de ligamentos. Com a idade, estes ligamentos cediam e a gravidade fazia seu trabalho.

Um artigo publicado na revista especializada Plastic and Reconstructive Surgery indica que é tudo muito mais complicado.

O rosto é composto por 16 regiões independentes que, com o envelhecimento, podem perder ou ganhar gordura sem relação uma com a outra. É possível que as bochechas cedam, por exemplo, enquanto o tecido no arredor dos olhos permaneça jovem.

Que havia perda de gordura, já se sabia. Que estas 16 regiões funcionavam seguindo regras próprias e independentes é novidade. O impacto da descoberta não está apenas na possibilidade de fazer tratamentos contra velhice aparente mais precisos. Novas técnicas de reconstrução facial para vítimas de acidentes ou de guerra estão a caminho.

A descoberta não se restringe ao rosto. O próximo passo dos anatomistas é investigar o abdômen que, provavelmente, também está dividido em compartimentos separados uns dos outros. O tratamento para o acúmulo de gordura abdominal fatalmente ganhará maior precisão.

via What’s in Rebecca’s pocket?

Tags: Biologia · Ciências

Mulheres gostam de rosa porque é genético

22/August/2007 · 53 Comentários

Meninas gostam de rosa, meninos de azul – e assim dita a cultura, pois não? Se a professora britânica Anya Hurlbert, da Universidade de Newcastle, estiver correta, a escolha não é cultural. Esta inscrita no código genético.

Não importa em que cultura, meninas vão preferir rosa sempre. Ela sugere em seu estudo que o rosa e vermelho agrada mulheres por motivos evolutivos: ‘a evolução pode ter levado mulheres a preferir caras rosadas que indicam saúde? O que a cultura faz é incentivar e dar forma a tendências femininas inatas.’

Talvez.

Já o azul, quando se checa noutras culturas que não a nossa, agrada a todos os sexos. Céu azul, quem não há de preferir.

Tags: Biologia

O que seria da Terra sem nós, humanos?

2/August/2007 · 65 Comentários

O que aconteceria se um dia, de uma hora para a outra, o homem desaparecesse da face da Terra. Seria melhor para o planeta? Nós alteramos a química da atmosfera; interferimos no espaço natural construindo cidades, estradas; nos metemos no processo evolutivo, construindo espécies para nosso dispor – de vacas gigantes e gatos domésticos.

Este é o assunto de The world without us – O mundo sem nós – do jornalista americano Alan Weisman.

(O livro, em inglês, pode ser encontrado aqui.)

Sem manutenção, o Canal do Panamá ia para o espaço, alagado. O metrô de Nova York começaria a encher d’água na primeira tempestade, criando um rio subterrâneo. Em todas as cidades do mundo, incêndios iniciados se alastrariam com facilidade. Cidades não durariam muito.

Entre nossas principais heranças, deixaríamos plásticos para sempre nos oceanos, borracha de pneus às toneladas e lixo de usinas nucleares abundante, durante séculos ameaçando suas vizinhanças.

Também azulejos e louças sobreviveriam. Como alguns objetos metálicos. Tecidos e papéis iriam embora rápido.

Isto quer dizer que, no Louvre, em Paris, a Mona Lisa apodreceria pela umidade, queimaria acidentalmente, algo assim, em alguns anos. Mas os vasos sanitários continuariam intactos.

As baratas e tantas pragas com as quais convivemos teriam suas populações diminuídas se é que não se extinguiriam sem os dejetos humanos. Mas pereceriam também os cachorros e muitas espécies que criamos em fazendas. Para os passarinhos, não faríamos a menor diferença – suas populações permaneceriam razoavelmente estáveis.

Haveria espaço para crescimento populacional de outro mamífero de grande porte. Isto forçaria competição entre espécies candidatas. Weisman aposta noutro primata – babuínos, talvez. Mas podem ser elefantes. Com o passar dos anos, dos milênios, as forças evolutivas talvez lhes aumentem a inteligência e a capacidade de comunicação.

(A idéia do Planeta dos Macacos faz lá algum sentido científico.)

Esta espécie inteligente que talvez nos suceda, ou algum extra-terrestre que visite o planeta onde vivemos um dia, terá alguns sinais de nossa presença centenas de milênios à frente. Aço inoxidável, este metal de composição tão estranha e superfície tão polida que dá forma a estranhas ferramentas. Uma considerável quantidade de chumbo na atmosfera, vindo sabe-se lá de onde, sabe-se lá por quê.

Segundo o resenhista da revista britânica sp!ked, Weisman não propõe uma tese, apenas faz um exercício de imaginação após ter colhido informação com cientistas de todas as áreas. É uma aula do real impacto que temos. Não que seja particularmente ruim – isto é matéria de opinião. Conosco, morreriam várias espécies. E outras tantas ganhariam mais espaço. Sem nós, o mundo não seria particularmente melhor ou pior. Mas seria muito, muito diferente.

Esquecidos? Não de todo. Seríamos para sempre lembrados, universo afora, por toda transmissão de rádio e tevê que emitimos até nossa extinção e que permanecerão flutuando para todo o sempre.

Tags: Biologia · Energia e Aquecimento global

Biologia, ciência do novo século

7/July/2007 · 70 Comentários

O mestre Freeman Dyson, um dos maiores físicos vivos, está com uma provocação nova na praça. Ele sugere que todos façamos a revisão daquilo que entendemos por engenharia genética. Para Dyson, a manipulação de espécies pelo homem não apenas será comum e trivial como nossos preconceitos atuais com os transgênicos serão lembrados no futuro como hoje lembramos das revoltas lideradas por Ned Ludd contra as máquinas na Inglaterra do século 19.

Luditas biotecnológicos?

Dyson reconta a história da vida conforme a ciência a conhece hoje. Os primeiros organismos unicelulares não tinham núcleo – o código genético flutuava no interior da célula – e não competiam pelo processo de seleção natural. É isto mesmo: o processo darwinista não começou com a vida. Pelo seguinte: estas proto-bactérias trocavam dna umas com as outras. Bactérias se fundiam com facilidade. Então não havia exatamente espécies diferentes, mas uma plêiade de material genético que se misturava sem dificuldades. A primeira bactéria com núcleo mudou isto. Ela não se misturava com as outras. Cópias de seu dna, só suas ‘filhas’ teriam. E, com esta primeira espécie que não dividia seu código genético, teve início a Evolução Natural.

E, desde então, o processo que determina os padrões que cada espécie tomará é o da Seleção Natural. Correto?

Errado. O processo descoberto por Darwin determinou os rumos tomados pela vida entre a primeira bactéria com núcleo e o surgimento de uma determinada espécie, faz uns 120.000 anos. Ao surgir o Homo sapiens, a natureza começou a ser influenciada. Separando lobos mais mansos dos mais ferozes, intensificando o plantio de determinadas sementes em detrimento de outras, cruzando proto-vacas maiorezinhas umas com as outras até surgirem as nossas atuais vacas holandesas gigantes, o Homem inventou espécies e acelerou, com critérios de sua escolha, o processo evolutivo. São poucas as espécies no planeta que, mesmo indiretamente, não tenham sentido de alguma forma o impacto humano. A Terra que temos é a Terra que moldamos para nós mesmos.

Durante grande parte de nossa existência, foram as tecnologias de manipulação da biologia que propiciaram riqueza à humanidade. Do arado aos adubos à manipulação de cruzas para criar espécies mais eficientes. Neste período, o poder e o dinheiro se concentravam no campo. Aos poucos, as tecnologias de manipulação da física e da química viraram o jogo da riqueza – e concentraram a humanidade nas cidades. Biotecnologia tem o potencial de gerar mais e melhores alimentos, além de energia limpa. Ela poderá levar o homem de volta ao campo, tirando das cidades seu predomínio econômico que gera pobreza.

Freeman Dyson imagina um mundo no qual a manipulação genética será tão trivial que crianças brincarão com a criação de seres vivos novos. É evidente que mexer diretamente no dna não é tão trivial quanto providenciar cruzas. Mas é apenas o passo seguinte de algo que já é feito desde que o homem é homem. Neste futuro de Dyson, os perigos serão conhecidos e controlados. O resultado é auto-sustentação e, sim, um mundo menos selvagem e mais controlado. Será nosso destino utópico?

Tags: Biologia

Crise de identidade

11/November/2006 · 82 Comentários

Há um novo estudo na praça a respeito da relação entre nossa espécie e os primos próximos neandertais.

A maior parte dos cientistas, hoje em dia, defende que os neandertais foram levados à extinção na competição conosco.

Este novo estudo, baseado em ossos de 30.000 anos encontrados na Rumênia, sugere o contrário. A análise revela que nem são Homo sapiens, nem Homo neandertalensis.

São híbridos.

Se então houve mesmo mistura entre nós e eles, permanece a dúvida: se nós somos apenas nós ou se não um pouco deles cá na veia.

Tags: Biologia · Ciências · História