Tudo publicado sobre 'Ciências'
♦ Esta semana, Sarah Palin conhecerá o presidente afegão Hamid Karzai, o colombiano Álvaro Uribe e o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger. É seu processo de educação. Enquanto isso, John McCain e Barack Obama fazem campanha até o fim da terça-feira e aí – pausa. Na sexta-feira ocorrerá o primeiro debate e ambos se dedicarão aos ensaios, repassando respostas. (Em geral, escolhe-se um senador veterano de seu partido, que conhece bem o candidato adversário, para desempenhar o papel num debate simulado.)
♦ O CERN, na Suíça, inaugurou o maior acelerador de partículas do mundo no dia 10 passado. Aqui nos EUA, isso foi interpretado pelos cientistas como o início de uma nova era na qual o país não mais estará à frente dos grandes avanços. Havia planos para construir algo similar, investimentos iniciais na casa de bilhões de dólares haviam sido feitos, mas aí Washington abortou o projeto. Justiça seja feita: Bill Clinton, um democrata, matou o projeto. Mas foi Bush, um republicano, que fechou os olhos enquanto criacionistas avançavam sobre as salas de aula e se recusou a investir contra o Aquecimento Global baseado num ceticismo quase-religioso. Aqui no Vale do Silício, um grupo tentou promover um debate presidencial a respeito unicamente de ciência. Não conseguiu. Mas, no caminho, obtiveram algumas respostas dos candidatos.
♦ Tanto John McCain quanto Barack Obama reconhecem que o aquecimento global é causado, principalmente, pelo carbono emitido pelo homem. Ambos concordam que o ensino básico de matemática e ciências está falho e que as grandes mentes nessa área, atualmente, vêm cada vez menos dos EUA. Ambos são favoráveis à manipulação genética de alimentos (embora Obama ressalte que é preciso instituir testes para analisar o impacto ambiental e sobre a saúde humana).
♦ Embora ambos defendam investimentos na exploração espacial, Obama propõe a ampliação do projeto civil, enquanto McCain vê como importante, no espaço, também o desenvolvimento de tecnologia militar. Diferentemente do governo Bush, McCain e Obama são favoráveis ao investimento de dinheiro federal no estudo de células tronco embrionárias. A diferença está no entusiasmo: Obama vê extrema importância na iniciativa, McCain preocupa-se em restringi-la. Obama defende o investimento federal em novas fontes de energia. McCain acha que a iniciativa privada deve assumir o projeto.
∞ Ambos se põem, fundamentalmente, no eixo pró-ciência, o que não pode-se dizer do atual governo.
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Uma notícia importante que deve ser celebrada e não pode escapar cá ao Weblog: o reverendo Malcom Brown, diretor de relações públicas da Igreja Anglicana, pediu oficialmente perdão a Charles Darwin, descobridor da Evolução das Espécies por meio do processo de Seleção Natural.
Darwin estava certo, diz Brown, e a Igreja Anglicana errada ao repudiá-lo no século 19.
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No dia 1º de julho de 1858, cientistas de todo o mundo já sabiam que a Evolução Natural havia ocorrido. A prova estava em fósseis de seres extintos e alguns evidentes ancestrais de seres ainda vivos. O que ninguém sabia era como acontecera.
Pois foi que, naquele 1º de julho – há 150 anos, hoje – emissários dos naturalistas Charles Darwin e Alfred Russel Wallace leram perante uma seleta de notáveis uma detalhada descrição do processo da Seleção Natural das Espécies. Ambos haviam chegado à mesma conclusão independentemente. Naquele dia, Wallace estava na Malásia e Darwin no interior da Inglaterra.
O velho Darwin já tinha chegado à conclusão de que havia um processo de Seleção Natural após sua extensa viagem ao redor do mundo. Isso fazia 20 anos. Mas guardara as conclusões para si. Wallace, por sua vez, era jovem e teve o insight revolucionário durante um longo período de febres causadas pela malária. Quando o jovem enviou um paper rápido para o mestre avaliar se achava que valia d’algo, o velho tomou um susto. Tirou das gavetas seu extenso trabalho e convocou de presto a reunião.
Não o fizesse, outro levaria a fama da descoberta.
O público que ouviu as idéias de Darwin e Wallace no salão principal da Linnaean Society de Londres, há século e meio, não era composto de cientistas. Apenas por gentlemen curiosos. Foram horas de leitura de muitos artigos, lá no meio as 18 páginas sobre a evolução. Saíram todos atordoados sem terem entendido muito do todo. Ao fim do ano, quando o presidente da Sociedade, Thomas Bell, redigiu seu relatório, tratou de explicar que aquele ano de 1858 ‘não fora marcado por nenhuma dessas descobertas impressionantes que revolucionam a ciência’.
Pois é.
Mas vivemos todos num mundo darwinista.
dica do Darwinista
Tags: Ciências
A Hybrid é uma empresa especializada em animações médicas. São contratados por universidades para o preparo de material educativo, por laboratórios para demonstrar o funcionamento de remédios, por grandes feiras do ramo.
Seu coração que fica transparente – todas suas válvulas expostas – é um desbunde, assim como o outro coração, aquele no qual o sangue corre. Há uma bactéria infectada por um vírus, o remédio que ataca um tumor ou mesmo uma sessão de quimioterapia.
via The UberReview
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A Phoenix está em Marte – e, pela primeira vez, saberemos de água no planeta vermelho. (E, no caso de ter havido água, quem sabe também algum indício de vida bacteriana.)
Acontece no mesmo momento em que o governo britânico tornou públicos todos seus relatórios internos a respeito de Objetos Voadores não Identificados vistos até 2002.
Vistos por gente que diz que os viu, naturalmente. O governo só colheu depoimentos. E não há rigorosamente nada em nenhum dos documentos além dos mesmos testemunhos um tanto fantasiosos de encontros, ou então confusão com aviões, balões meteorológicos ou fenômenos naturais.
O Reino Unido presta atenção nos alertas a respeito de OVNIs por um único motivo: não acham que há alienígenas lá fora, mas temem a invasão do espaço aéreo por quem não deve. Os EUA, desde que encerraram seu projeto Blue Book, em 1969, sequer dão mais bola para estes alertas.
Tags: Ciências
O químico suíço Albert Hofmann, que sintetizou a molécula de LSD, morreu ao longo da madrugada após um ataque cardíaco. Tinha 102 anos. Muitos o viam como um doidão – mas era só um cientista. Seu passeio de bicicleta mítico, após ingerir uma superdose de LSD, aconteceu no dia 19 de abril de 1943. É celebrado hoje como o ‘dia da bicicleta’, todos os anos. Apesar de uma ligeira simpatia, jamais se adaptou muito ao movimento psicodélico. Não era sua praia.
Em 2006, quando Hofmann completou 100 anos, publiquei um perfil seu em NoMínimo. É um texto do qual gosto bastante, escrito com sincera admiração pelo professor. No dia de sua morte, republico aqui no Weblog.
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O atlas de anatomia de David Bassett, composto na década de 60 do século passado, é talvez o melhor jamais feito. Bassett era um especialista em dissecação e, ao longo da carreira, fez milhares de fotos, muitas delas estereoscópicas, que podiam ser vistas com os visores View Master, populares entre crianças num tempo anterior à revolução digital.
A Escola de Medicina da Universidade de Stanford vai levar à Internet este material – e o New York Times publicou uma amostra. As fotografias talvez incomodem alguns dos mais sensíveis. Para outros, são fascinantes.
Tags: Ciências
Um leitor de esquerda me escreveu assustadíssimo esses dias perante a acusação feita pelo governo colombiano de que Hugo Chávez havia cedido 300 milhões de dólares às Farc: ‘Será que o Olavo de Carvalho está certo?’, ele perguntava. Outro – este de direita –, aqui na caixa de comentários, vinha todo empolgado provar que o site do Foro de São Paulo no Brasil pertencia ao PT. (Não é novidade.)
Neste meio tempo, um terceiro leitor me cobrou: ‘você não pode ficar em cima do muro, não pode dizer que não gosta de Chávez e que não gosta de Uribe’. Coisas deste tipo tenho ouvido muito, recentemente. ‘Finalmente mostrou sua verdadeira cara!’, dizem uns perante um tipo de comentário. ‘Amadurecendo!’ dizem outros. ‘Enfim um mínimo de sensatez perante os opressores’, vão uns terceiros.
A crise andina serve para mostrar que o nível da conversa anda surreal. Não é só aqui no Weblog. É em toda a blogosfera.
Estamos caminhando para um regime multilateral em que países diferentes terão poder suficiente para interferir na economia e na diplomacia mundiais. Os EUA continuarão, mas virão China, União Européia, possivelmente Rússia, Índia, Brasil, talvez até a África do Sul. Alguns destes países são democracias, outros não. Um deles é uma ditadura. Outros se encaixam num estranho e desconfortável meio termo que vem se espalhando pelo planeta, espécies de ditaduras democraticamente eleitas.
Nenhum destes países (ou bloco de países) tem um currículo escorreito de defesa dos direitos humanos. Há pressões étnicas e culturais de todo tipo trazidas pela globalização. Nos anos 90, a esquerda a atacava com argumentos econômicos. Hoje em dia, percebendo que as culturas se misturam mesmo, é a direita que a ataca. Globalização boa é aquela na qual a gente dita as regras, dizem ambos.
Há pressões econômicas. Perda de emprego, necessidade de melhor educação para competir, queda dos níveis de natalidade entre os mais ricos, guerras civis brutais estourando nos cantos mais pobres. Há grupos econômicos, grandes corporações, que têm mais poder que muitos países e não se sentem obrigadas a seguir nenhum padrão ético. Há pressões ambientais. Há um ataque frontal do obscurantismo contra a ciência. Há um apelo da religião por mais poder político. Há um desejo da religião de ditar o comportamento da sociedade interferindo no Estado. É preciso consumir petróleo porque é o petróleo que gera riqueza e, sem gerar riqueza, justiça social não é possível. Mas o petróleo também sustenta ditaduras sangrentas e envenena o planeta de uma forma tal que não temos como prever ao certo suas conseqüências ou nossa capacidade de repará-las.
O mundo anda complicado. Imensamente complicado. Todos aqueles problemas que sempre tivemos – racismo, genocídio, ditadura, populismo, pobreza, doenças –, tudo continua a existir. Alguns problemas que pareciam ter ido embora, voltaram: é o caso da interferência da religião no Estado. E há uma penca de problemas novos que vão do Aquecimento Global ao estudo de células tronco ao terrorismo com alcance global.
Enquanto o mundo anda mais complicado do que jamais foi, esquerda e direita abraçam velhos conceitos. Não importa a evidente violência com que agem as Farc, tampouco o fato de que a sociedade colombiana está exausta delas. Se é uma guerrilha, ainda mais com discurso de esquerda, há de ser bom. Não é. São só golpistas assassinos, torturadores. Uma gente que prende outras por anos a fio. Já passamos desta fase na América Latina. Seria bizarro o suficiente se não houvesse pelo mundo gente à direita que jura combater um comunismo inexistente e que, além de se embaralhar na bandeira religiosa, age com um anti-cientificismo grosseiro.
É um jogo de estereótipos e de cartas marcadas. Se você é de esquerda, tem de ser pró-Palestina; se de direita, pró-Israel. Se de esquerda, anti-EUA; se de direita, há de estar convencido da decadência européia. O raciocínio corrente é que o amigo de meu inimigo, por via das dúvidas, é com quem me alinho. É a insistência de ver o mundo com um bilateralismo que não corresponde mais à estrutura real, econômica ou social do mundo. E, assim, abre-se espaço para os demagogos de esquerda e de direita.
Pois bem: cá neste Weblog, cada situação continuará a ser encarada por si. Sou de esquerda e continuarei de esquerda. Para mim, isto quer dizer que o Estado laico tem responsabilidades econômicas perante a sociedade, deve serviços a ela. Quer dizer que acredito que as empresas também têm responsabilidades econômicas e sociais perante a comunidade que as sustenta. Acredito em liberdade de expressão sobretudo e não acredito em laissez-faire sem vigília. Mas entre as idéias de Thomas Jefferson e as de Lênin, sigo com as de Jefferson.
Não é difícil ter problemas com Uribe e com Chávez ao mesmo tempo. Basta não achar que qualquer ilegalidade é justificada para combater o outro lado.
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Entre 2006 e 2007, o casal de cientistas sociais Matthew Woessner e April Kelly-Woessner entrevistou os alunos de 69 turmas diferentes de ciências políticas. Levaram a todos um extenso questionário a respeito de suas convicções político-ideológicas.
Com cada um, a entrevista foi feita antes do curso começar e depois, ao final do semestre. Matthew é republicano. April é democrata. Ambos são professores da Universidade da Pensilvânia. Ele acredita que a opinião política dos professores influi nos alunos; ela acredita que não.
É um argumento comum em meios conservadores que professores doutrinam alunos trazendo-os à esquerda. Mas jamais havia sido feito algum tipo de estudo para tentar comprovar – ou não – tal idéia.
O casal ainda está compilando os dados e plotando os gráficos. Quando o resultado sair, será publicado aqui.
via Arts & letters daily
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Costuma ser um prazer ler o que escreve Hélio Schwartzman, editorialista da Folha de São Paulo. Sua última coluna na área Pensata do UOL dá uma boa aula a respeito de ciência:
A ciência, diferentemente da maioria das religiões, perde o direito até mesmo de pretender afirmar verdades acabadas. Tudo que ela pode fazer é gerar hipóteses a ser testadas e refutadas empiricamente. Quando essas suposições passam muito tempo sem ser cabalmente desmentidas, como é o caso da evolução mediante seleção natural, dizemos que são corroboradas. É claro que esse é um processo em aberto, pois o fato de não terem sido refutadas até aqui não encerra a garantia de que não o serão amanhã. Isso é o mais perto da ‘prova’ que a ciência pode chegar.
Essa precariedade epistemológica cerca toda a ciência, do neordarwinismo, à chamada lei da gravidade. Embora não ouçamos com muita freqüência gente afirmando que a gravidade é ’só uma teoria’, é exatamente isso que ela é. O que o neocriacionismo travestido de ‘design inteligente’ faz é embaralhar o sentido de teoria em suas acepções fraca (a do dia-a-ia) e forte (epistemológica) para, em meio à confusão conceitual, semear seus pressupostos algo dogmáticos. O fato de o neoevolucionismo apresentar, como toda teoria, algumas lacunas de maneira alguma nos autoriza a inferir um deus logo à primeira dificuldade.
Ciência não é apenas matéria teórica – ao compreender o mundo, as coisas, o universo e seus funcionamentos, a gente desenvolve tecnologia. Como não compreendemos tudo nos mínimos detalhes e com exatidão, fazemos besteira – é o caso do aquecimento global. Mas também fazemos coisas maravilhosas e Schwartzman oferece como exemplo aquele que é, provavelmente, o maior feito da humanidade:
Tomemos uma dessas medidas indiretas, a evolução da expectativa de vida ao nascer. Estima-se que o tempo médio de vida do homem de Neanderthal fosse de 20 anos. No Paleolítico Superior, o Homo sapiens chegava a algo como 33 anos. Na Idade do Bronze, com o advento da agricultura e o aumento do tamanho dos assentamentos humanos (mais doenças e guerras mais mortíferas), a expectativa de vida cai para 18 anos. Noções de higiene desenvolvidas por gregos e romanos (saneamento) conseguem elevar a média para 36-45 (Grécia clássica) 20-30 (Roma clássica). Mas, no século 20 e início do 21, na chamada era científica, assistimos a um um verdadeiro salto da esperança de vida, que atinge os 67 anos (média global), quase 80 se considerarmos só os países desenvolvidos. Um cético hiperbólico diria que a correlação nada prova. Um dogmático religioso diria que este é o plano de Deus. Já eu prefiro atribuir tal avanço a subprodutos da ciência como antibióticos, vacinas e grandes excedentes agrícolas. Em poucas palavras, embora a ciência esteja conosco de forma razoavelmente bem estabelecida há apenas 200 anos, já fez mais pelo bem-estar da humanidade do que todas as rezas e mandingas de religiosos durante milênios.
Dica do David Henrique
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Aproximadamente 10% da humanidade dispensa a osculação. Consideram o ato indecente, quando não nojento.
(Osculação? É a palavra científica para beijo na boca.)
A Scientific American do mês tem uma reportagem que faz um balanço das pesquisas recentes sobre o tema. Há descobertas da maior importância, como aquela da Universidade de Ruhr, na Alemanha, que demonstrou não importar se o indivíduo é destro ou se é canhoto. Na hora do beijo, inclina a cabeça para a direita.
Há entre 12 e 13 caminhos nervosos no crânio que afetam alguma função cerebral – e cinco deles trabalham pesado no momento do beijo. Mensagens são disparadas de nossos lábios, bochechas, língua e nariz. O cérebro processa informação relativa a temperatura, gosto, cheiro e movimentos os mais diversos e surpreendentes. A resposta aos estímulos vem num coquetel de químicos que afetam para bem ou para mal stress, motivação, ligações sociais e estímulo sexual.
Beijo joga o stress para baixo e a sociabilidade para cima. (E talvez não fosse preciso um doutorado em bioquímica para sabê-lo.)
Se por um lado tais benefícios todos do beijo na boca são comuns a ambos os sexos, por outro homens e mulheres beijam com objetivos distintos em mente – e quem o diz são antropólogos vários. Homens vêem o beijo como o primeiro passo para o sexo. (Uma descoberta surpreendente.) Já mulheres se dedicam ao beijo por conta do aumento de intimidade na relação. (Ora, pois.)
Mas, ainda aí, há provavelmente mais informação do que se imaginava. No beijo, a mulher recebe sinais bioquímicos que lhe permitem avaliar a qualidade do parceiro para procriação, seu grau de confiabilidade – e até mesmo se ele estará por perto para ajudar a cuidar da cria.
via Arts & letters daily
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A Biblioteca Nacional de Medicina, dos EUA, abriu uma grande exposição sobre o fenômeno dos gêmeos xifópagos – aqueles, univitelinos, que nascem de alguma forma ligados fisicamente.
Os relatos mais antigos vêm do finzinho da Idade Média e início da Renascença. Foi no renascimento que surgiram os primeiros best-sellers e os livros que causavam fascínio eram aqueles que relatavam grandes mistérios a partir de viagens a terras desconhecidas, talvez, ou mesmo de terrenos conhecidos.
(Marco Pólo foi um best-seller; em seu livro a respeito da viagem à China, descreve num momento o unicórnio que ele garantia existir. Era um rinoceronte.)
Gêmeos xifópagos atraem desde então. Sugeriu-se que eram filhos de mães que tinham tido pensamentos impuros. Ou que haviam tomado um susto. Eram sinal de má sorte para a comunidade em que surgiam – como, por exemplo, Verona, na Itália, onde em por volta de 1475 viveram duas moças unidas do ombro à bunda que dividiam entre si os rins. Ambroise Paré as descreve em seu livro Sobre monstros e prodígios. No caso destas moças, elas transformaram-se em renda para os pais, que as exibiram Itália afora. (Vai que a tragédia do amor suicida dos mui jovens Romeu e Julieta nasceu, ali em Verona, da má sorte destas.)
Os medos e receios supersticiosos de um tempo foram superados pelo showbiz circense do séculos 19, princípio do 20. São desta época Chang-Eng Bunker, os dois rapazes nascidos no Sião (hoje Tailândia) em 1811 que em 1829 foram levados à Inglaterra e depois EUA para serem apresentados ao público.
São os famosos ‘Gêmeos Siameses’ – e, por siamês, referiam-se ao Sião.
Chang-Eng largaram a vida de circo, assentaram numa cidadezinha da Carolina do Norte onde compraram uma loja. Lá, casaram-se com as irmãs (não siamesas) Sallie e Adelaide Yates. Dividiam uma mesma casa e uma cama muito grande. Chang e Adelaide tiveram 10 filhos; Eng e Sallie, 11. (Como as irmãs brigavam muito, acabaram decidindo por duas casas separadas; os gêmeos passavam três dias numa, três na outra.)
A primeira separação cirúrgica de xifópagos se deu em 1690 – mas, no caso, tratavam-se de irmãs ligadas apenas por pele e cartilagem. Apenas da década de 1950 para cá é que tais cirurgias são feitas com freqüência e terminam com a sobrevivência de ambos.
via Boing boing
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The Lede, principal blog do New York Times, dá o toque que de presto aqui se passa: os leitores que porventura estejam fora do planeta podem ligar seus receptores radiofônicos na próxima segunda-feira, dia 4, às 19h, hora de Brasília. (Corrija a hora levando em conta sua distância da Terra à velocidade da radiação eletromagnética de 300.000 quilômetros por segundo.)
Neste horário, a NASA celebrará o 50o aniversário de sua primeira missão espacial – o lançamento do satélite Explorer 1 – irradiando Across the Universe, dos Beatles.
Acaso ajude: as antenas estão apontando para Polaris, a Estrela do Norte.
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A blogosfera brasileira é um poço de intolerância ideológica. Imagino que seja muito divertido estar à direita chamando a esquerda de ‘petralha’ ou estar à esquerda acusando a existência de uma ‘mídia golpista’. Pois bem, de minha parte não sento na torcida do Vasco de jeito nenhum. Mas futebol serve mesmo à irracionalidade.
O mundo é um pouco mais complexo. Há espaço de sobra para as torcidas organizadas na web tupinambá. Aqui, não.
Promover a intolerância é fácil, basta ter a capacidade de criar refrões. Não é preciso raciocinar. Decora-se uma fórmula para olhar o mundo que de presto heróis e vilões são estabelecidos, nítidos que só. Daí: ‘eis aqui este sambinha, feito de uma nota só.’
Este Weblog não serve para quem quer ver os EUA como o maior vilão em existência. Também não serve para quem acha que Israel é só vítima no trato com palestinos. Se alguém acha que Lula é a melhor coisa que já aconteceu na história deste país, este não é o espaço mais adequado para compartilhar sua admiração. Mas quem acredita que Lula é a pior coisa, não sabe ler números. Neste Weblog, chefes de Estado não se dividem entre heróis e vilões. Dividem-se, isto sim, entre competentes ou não, totalitários ou não, corruptos ou não, inteligentes ou não, e nenhum adjetivo positivo necessariamente exclui um negativo. Assim, Vladimir Putin, da Rússia, pode ser um político hábil no trato popular e corrupto, ter tendências autoritárias enquanto é competente na lida com política externa. E nenhuma qualidade é absoluta. Quem acerta quase sempre, pode – e erra – vez por outra.
O mundo é assim e está ficando mais, não menos complexo. Se não fosse, um espaço para tentar compreendê-lo seria desnecessário. Esquerda e direita continuam existindo. E este é o problema de quem fala em ‘petralha’ e de quem fala em ‘mídia golpista’. Antes, quase toda geopolítica se resumia à corrida armamentista entre União Soviética e EUA. Não houve guerra, golpe de Estado ou crise internacional, nas últimas décadas, que não estivessem diretamente ligadas a este único conflito. Não mais.
Hoje, temos de lidar com a grande crise entre um mundo religioso e o secular. A discussão se dá no Oriente e no Ocidente de múltiplas formas, envolve em níveis distintos aborto, casamento homossexual, uso de células tronco para pesquisas, o direito de aparar a barba, de escolher com quem casar, às vezes até, para mulheres, o direito de mostrar o rosto. Temos de lidar com as transformações climáticas, questão que envolve a energia que movimenta o planeta e, daí, fortunas, interesses nacionais, reações nacionalistas, promoção de ditaduras, guerras para derrubar ditaduras, discussões científicas, campanhas de marketing para questionar discussões científicas, morte. Este é, de um ano para cá, um mundo mais urbano do que rural, e o mundo urbano é dois terços favela. O planeta não é particularmente mais violento, mas também não é menos e rigorosamente tudo está interligado. Armamento nuclear não se divide mais nos padrões da Guerra Fria – se espalha. Então, seja pelo clima, seja pela intolerância religiosa, seja por uma única bomba nuclear, o mundo é mais perigoso e as causas e conseqüências são tão embaralhadas que é difícil, dada uma situação, compreender dela todo o contexto.
Não bastasse, tecnologia de informação nos deixou a todos mais próximos. A proximidade causa fascínio mas também choque e rejeição. Migração, terrorismo, intolerância ao diferente, comércio internacional, o sistema financeiro intenso que cruza fronteiras de um segundo para o outro. O mundo jamais produziu tanta riqueza e sua instabilidade jamais foi tão perceptível.
Francamente, viver no mundo da blogosfera lá fora, aquele que acredita em ‘petralhas’ e em ‘mídia golpista’, é tão redutor, tão pobre, que me surpreende que o maniqueísmo construa blogs tão populares. Mas, vá, é mais confortável reduzir à fórmula polarizante do que se assoberbar com o peso da existência como ela é.
Então este é um convite: quem quiser manter a toada reducionista encontra na blogosfera lá fora um público ávido. Ao menos aqui, o objetivo é outro. Aqui exercemos o fascínio com a complexidade, o prazer de mudar de opinião, e a surpresa com as mudanças.
Vivemos numa democracia. Numa democracia, as pessoas mais interessantes são aquelas com quem discordamos.
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Olhando para frente. Quase encarando.
via Boing boing
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Esta é a última de minhas reportagens sobre o Natal publicadas em NoMínimo. Esta saiu faz exato um ano, em 2006. O objetivo, após escrever sobre Jesus e Papai Noel, era escapar por completo à qualquer conotação religiosa do tema. Ao invés de o nascer do Homem, filho de Deus dos cristãos, o nascer do homem. De nós todos.
A princípio, os antropólogos liderados pelo professor Timothy White não perceberam muita diferença no crânio. Ele estava em fragmentos, disperso pelo solo etíope, e só muito lentamente, pincelada após pincelada, cada um de seus pedaços foi retirado. Em 1997 – faz dez anos ano que vem. No laboratório, o quebra–cabeça montado, o crânio de um homem adulto antigo, muito antigo, chamou atenção.
É que ele era grande.
O volume do cérebro, maior do que o nosso. Tinha um palato mais largo, também. Visto de cima, era um crânio mais comprido. Que bicho estranho era ele e, no entanto, tão parecido conosco. Não era um macaco. Quando chegaram os resultados da datação ficou claro quem era o sujeito que víamos pela primeira vez. Tinha 160 mil anos. O homem moderno mais antigo já encontrado tem uns 130 mil. O que White e seu time encontraram era um Homo sapiens, sim, mas não um de nós. Nosso antepassado imediato: Homo sapiens idaltu – o Homem sábio mais antigo, numa tradução literal de seu nome.
Amanhã é Natal, o dia em que a tradição cristã celebra o nascimento de Jesus Cristo e que representa, num nível mais simbólico – e essa é a visão de muitos teólogos –, o nascimento de todos nós. Mas quem somos nós? Ou talvez, perguntando de forma mais precisa, por que somos assim tão diferentes dos outros à nossa volta? Por que fazemos arte? Por que cometemos genocídio? Por que erguemos cidades, fazemos automóveis, conversamos uns com os outros, escrevemos? Por que fomos à Lua? Por que nos perguntamos essas coisas?
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Tags: Biologia · Ciências
Em alguns estados dos EUA, a exposição pública de presépios e símbolos cristãos similares é proibida pelo medo de ofender judeus e outros, não incluindo ateus. O apetite do marketing é saciado em todo o país por um super-ecumênico ‘boas festas’, entre as quais incluem-se o chanucá judaico e o ramada islâmico, além do ‘kwanzaa’, fabricado gratuitamente em 1966 para que os negros pudessem celebrar seu próprio feriado de solstício. Os norte-americanos desejam ‘boas festas’ uns aos outros e gastam uma quantias enormes em presentes para as ‘festas’. Se bobear, devem até pendurar meias de ‘festas’, cantar canções de ‘festas’ e decorar árvores de ‘festas’. Nunca ouvi falar de um Papai Festas vestido de vermelho, mas por certo esta é uma questão de tempo.
Por bem ou por mal, a nossa é, historicamente, uma cultura cristã e todas as crianças criadas sem uma noção básica das histórias da Bíblia são diminuídas, incapazes de compreender certas alusões literárias. Não tenho qualquer simpatia pelo cristianismo, não suporto a orgia anual de gastos recíprocos, mas devo dizer que acho muito melhor dizer ‘feliz Natal’ do que ‘boas festas’.
O biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins, ateu convicto que é, pode preferir que se chame de Natal, mesmo. Mas tem uma sugestão de quebra. Ao invés de Jesus porque não celebrar, no dia 25, o aniversário de outro sujeito, talvez até bem mais importante para a história humana?
Assim: bom dia de Newton.
via Arts & letters daily
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Bom não deixar de registrar o anúncio, ontem, do trabalho de duas equipes distintas de cientistas, uma japonesa, outra norte-americana: conseguiram ‘reprogramar’ células de pele para se comportar como células tronco embrionárias.
É um avanço brutal que, aparentemente, enterra a polêmica que havia. Se, para a produção de células tronco não é preciso destruir embriões humanos, os receios de um bom número de gente são eliminados. Assim, as pesquisas com células tronco podem seguir a pleno vapor.
Células tronco são aquelas que podem ser adaptadas para virar quaisquer outros tipos de células. Podem transformar-se em células de fígado, por exemplo, que permitiram num futuro hipotético a produção de um novo fígado em laboratório.
O campo de pesquisa está repentinamente aberto.
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Para alguns, a Terra pode até ter feito 6.010 anos. Já a ciência a vê um quê mais velha: 4,56 bilhões de anos. Quando ela tinha apenas 30 milhões de anos, no entanto, e oceanos de lava correndo na superfície, um objeto do tamanho de Marte chocou-se contra ela. Assim, um pedaço de nosso planeta se soltou.
Virou a Lua. (Quem conta sua história é Bernard Foing, cientista-chefe da Agência Espacial Européia.)
A Lua é pesada e grande o suficiente para afetar a Terra. A gravidade gerada pela proximidade de planeta e satélite atrai as águas, por exemplo, afetando as marés. A Lua também interfere com o comportamento da placas tectônicas que cobrem a superfície da Terra. É que a aproximação e o afastamento da Lua em relação à Terra gera energia, esquenta, esfria, provocando dilatação e contração da crosta.
A Lua afeta o clima. Por exemplo, as correntes subterrâneas do Pacífico mantém frio o mar na costa de Chile e Peru. Como é muito frio, não há precipitação e, portanto, raramente formam-se nuvens. Mas a força gravitacional da Lua por vezes arrasta estas correntes frias para mais longe da costa, provocando um número grande de nuvens que geram tormentas pesadas.
Hoje, há mais água no Equador. Tire a Lua repentinamente e esta água se redistribuiria toda em direção aos pólos.
A presença da Lua mantém o eixo de rotação da Terra em torno de si mesma estável. Não fosse ela, o planeta giraria solto, como acontece com Marte. Com a contínua mudança de eixo, os pólos se deslocariam. Mas a Terra tem esta qualidade constante, estável – graças à Lua. Por conta, não há mudanças climáticas drásticas. É graças a esta estabilidade que a evolução teve tempo de preparar suas artimanhas, desenvolvendo seres multicelulares complexos no lento caminhar de muitos milhões de anos.
A luz que a Lua reflete vinda do Sol nos moldou. Se a Lua é cheia, nossos olhos têm mais do que o suficiente de luz para enxergar bem. A tênue iluminação da Via Láctea já nos permite ver bastante. (Varia, mas isto é mais ou menos verdade para boa parte dos mamíferos.) São olhos moldados para a luz da Lua que, por certo, nos garantiram a sobrevivência como espécie. Somos como somos porque a Lua está lá em cima.
E não saberíamos de nada disto não fosse, bem, a Lua. A Lua nos ensinou sobre mudança e constância, sobre os ciclos da natureza. Porque o dela é o ciclo mais evidente. Não há distraído que não o perceba. Se sempre numa semana ela se mostrava de um jeito, na semana seguinte de outro, se repetia suas quatro fases sempre e todo dia, nos alertou para o fato de que muda e que muda sempre da mesma forma, no mesmo passo. A partir dos ciclos da Lua percebemos os ciclos das estações e os ciclos vários da Terra; contamos os dias e aprendemos matemática para prever como seria daqui a um mês, daqui a dois.
Foi por causa da Lua que criamos ciência.
via Boing boing
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Pesquisando fósseis de neandertais espanhóis, o antropólogo evolucionista Svante Pääbo foi capaz de isolar e garantir que eles também tinham o gene FOXP2.
Isto tem a ver com a fala.
FOXP2 foi descoberto em 1990, nos estudos de uma família que não era capaz de falar. Variantes dele estão presentes em várias espécies, é responsável pelo canto de pássaros e os ruídos ultra sônicos de ratos. Nosso FOXP2 é diferente do equivalente em chimpanzés, o que indica que ele mutou-se em sua forma atual posterior a nossa separação de nossos primos vivos mais próximos, há 6 milhões de anos. Mas o gene que Pääbo encontrou no Homo neandertalensis é rigorosamente igual ao nosso – FOXP2 já estava conosco no estágio anterior à formação do Homo sapiens.
Ele não é, propriamente, o gene da fala. Ainda não conhecemos que gene é este, se é que ele existe. Mas ele é responsável pelos vários movimentos que geram a fala.
Sabemos, pela anatomia, que o Homo heidelbergensis, ancestral imediato do neandertal, tinha um ouvido sensível à freqüência de sons associadas à compreensão da fala. Sabemos que o neandertal tinha o equipamento, entre garganta e língua, capaz de vocalizar.
Se era capaz de produzir os elementos ainda que rudimentares de uma linguagem? Se teve linguagem como nós, Homo sapiens? A pergunta ainda está em aberto. Mas os indícios favorecem esta conclusão.
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