Tudo publicado sobre 'Livros'
Ao tirar um livro da estante, nunca o faça puxando a parte superior da lombada. O ideal é afundar um pouco os dois livros ao lado para puxar o do meio.
À estante, não deite livros. Não incline livros. Livros devem ficar em pé para que suas espinhas não sejam forçadas e afrouxadas.
Leia os livros abrindo-os em V. O mesmo vale na hora de tirar fotocópias. Arreganhar rompe-lhes a espinha.
Comida e gordura não combina com livros. Atrai bicho. (A cola que prende o corpo do livro à lombada também atrai bicho, mas aí não há muito o que se fazer a respeito.)
E o mais importante: quando a traça aparece. Bichinho nojento. Feio. Asqueroso. Desprezível.
Ela jamais vêm sozinha. Quando uma fêmea deposita ovos, é de centena em centena. Escondem-se da luz, as desgraçadas. Agem à noite para que ninguém às veja. E cada bicha vive uns quatro anos se deixadas em paz. Ela se esconde num casulo, mas que ninguém se engane. É aberto em ambas as pontas. A lagarta – feia como os diabos – sai.
A solução barata é abrir livro por livro, limpar as estantes. Mas é ineficaz e trabalhosa – se sobrar uma, não tem jeito.
A solução definitiva é contratar uma empresa que combate pragas e dedetizar as estantes à morte.
Mas cuidado com livro, cada um tem o seu – e há, por certo, quem discorde dos que estão aqui.
Atualização – dica do lao, nos comentários: Conservar para não restaurar: uma proposta para preservação de documentos em bibliotecas.
Tags: Artes · Livros
Livros não duram muito. Os antigos, impressos no período imediatamente pós-Gutenberg, atravessam séculos. Mas após meados do século 18, principalmente do 19 para cá, a tecnologia de produção de papel mudou. Papel produz-se com a polpa de árvores dissolvida em produtos químicos, transformada em pasta, amassada e esticada.
Estes químicos fazem do papel muito ácido.
Não é difícil entrar num sebo e folhear um livro dos anos 1940. Duas coisas saltam aos olhos. Primeiro, o papel ficou marrom. Segundo: onde alguém dobrou a página, fez uma orelha, o papel quebra. Estas pesadas manchas escuras e o quebradiço da folha são o indício de alta acidez.
Pense num livro destes, com 60 anos de idade, pense agora naquele volume bonitão, comprado anteontem e o imagine em 2070.
Quem descobriu o problema – e propôs o primeiro tratamento de deacidificação – foi o químico William Barrow. Mas é um tratamento caro.
Quanto mais vagabundo é o papel – como o usado na impressão de jornais e livros de bolso norte-americanos e europeus –, mais gritantes e evidentes são os sinais da acidez. Deixe o jornal de hoje ao sol e numa semana ele estará marrom e quebradiço.
Com livros o problema não é tão grave, mas a não ser que bem cuidados, não duram muito mais que uma geração. Deixar a biblioteca para os filhos não é trivial. E manter os livros num ambiente de 18 graus com umidade relativa de 30% – condições consideradas ideais – não é barato.
Livro longe do sol é o cuidado mais evidente. Ninguém precisa acelerar um processo que vai acontecer de qualquer forma. O lugar das estantes é o das paredes mais escuras. Não fazer orelhas é outro cuidado aconselhável – em 30 anos, é ali que a página vai partir.
Tags: Ciências · Livros
Está para entrar no ar a Open Library. É um projeto nada modesto: quer reunir, online, todos os livros do mundo. Aqueles nas bibliotecas, os nas livrarias – e também os esgotados.
Será uma espécie de Wikipedia, na qual editores, autores e quem mais for que tenha informação disponível a respeito de algum título possa complementar.
Os livros em domínio público ou aqueles com direitos cedidos poderão ser baixados do próprio site. Será possível ler na tela ou pedir pelo correio uma cópia impressa, encadernada – neste caso, a um custo.
Para outros títulos, aqueles que ainda estiverem com direitos restritos, a Open Library servirá como repositório de resenhas, informações práticas, links para bibliotecas que os tenham ou para livrarias que possam vendê-lo.
É um projeto do Internet Archive.
via Boing boing
Tags: Livros · Pop · Tecnologia
Hoje, há 50 anos, o poeta gay novaiorquino e futuro psicodélico Allen Ginsberg escreveu, sentado na cozinha, seu poema Howl – Uivo.
Tags: Artes · Livros