Querido U

20/May/2009 - 17h35 - 19 Comentarios

Hoje é o Dia Internacional do Livro

23/April/2009 - 14h20 - 33 Comentarios

No dia 23 de abril de 1616, morreram o maior escritor de todos os tempos, William Shakespeare, o primeiro romancista da história, Miguel de Cervantes, e o primeiro historiador latino-americano, Garcilaso de la Vega, ‘El Inca’.

Todos no mesmo dia. Hoje. 393 anos atrás.

Por conta, a Unesco decidiu, já faz alguns anos, que 23 de abril é o Dia Internacional do Livro e do Copyright.

Meio esquisito, isso, aos olhos de 2009: como se para haver livro fosse necessário copyright. Copyright não existiu por boa parte da história livreira e, ao que parece, não existirá da mesma forma que existe hoje no futuro.

Mas, não por isso. Feliz dia do livro. Comemora-se da seguinte forma: passe num sebo, compre um volume interessante, esqueça-o nalgum canto. Metrô talvez. Mesa de botequim. Banco de praça.

Chávez traz Eduardo Galeano de volta à moda
(Ainda que seja só por alguns dias)

20/April/2009 - 12h06 - 77 Comentarios

Hugo Chávez deu de presente a Barack Obama um exemplar de As veias abertas da América Latina, best-seller antigo de Eduardo Galeano, já meio surrado pelo tempo mas ainda popular entre alguns da esquerda.

Resultado: neste exato momento, Eduardo Galeano foi alçado a número 2 na lista de best-sellers da Amazon.

via Foreign Policy

Atualização – O Alex Castro escreveu sobre o mesmo assunto em seu blog. Também lá os comentários instigam polêmica. Concordo com o Alex: As Veias Abertas é um livro ingênuo que trata latino-americanos como meras vítimas. O mundo, principalmente após o processo de globalização, é muito mais complexo do que isso e nós, latino-americanos, somos maiores do que sua visão paternalista faz parecer.

Sergio Leo vence Prêmio SESC

21/March/2009 - 06h22 - 3 Comentarios

Ora, pois – e uma notícia me tira das férias repentinamente =)

Sergio Leo vence o Prêmio SESC de Literatura com seu livro de contos Mentiras do Rio.

Sobre o que trata Mentiras do Rio?

Escrevo sobre o Rio de Janeiro como pretexto para falar do próprio ato de escrever, de contar, da impossibilidade de conhecer um mundo alheio ou além dos discursos em que embrulhamos toda nossa experiência. O Mentiras reúne, em cerca de 80 páginas, contos inspirados em dois contrastes. Um, entre a vida considerada normal, rotineira, e a violência e solidão, aspectos que, para mim, marcam a condição de morador do Rio, que descrevo baseado em locais e pessoas que conheci, reflexões e experiências. O outro contraste é o que há entre o que existe, de fato, no mundo e o que podemos conhecer dessa realidade.


Os parabéns cabem em seu blog. Mais da entrevista, no site do SESC.

Arquitetura + Literatura

23/February/2009 - 09h42 - 13 Comentarios

Há mais duas páginas no ar no As Últimas: Arquitetura e Literatura.

Ali na lista de Literatura existe um blog que estréia e vale a visita: o da poeta Alice Ruiz.

Guia da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa

02/January/2009 - 16h28 - 114 Comentarios

Cá este Weblog se adaptará. É o que dá trabalhar profissionalmente com a língua. Mas vou precisar da ajuda e do olho atento de vocês. Somos, hoje, 210 milhões que falam o português como primeira língua, espalhados em oito países. Destes, 185 milhões somos brasileiros.

Reformas dão um certo desânimo, mas pessoalmente gosto da idéia de unificar a língua. Cá seguem as regras:

Acentos

1. Lá se vai o trema.

2. As paroxítonas cuja sílaba tônica fica no éi ou no ói perdem o acento – vai ser duro escrever Coreia assim.

3. Paroxítonas também perdem o acento quando a sílaba tônica está no i ou no u. Feiura.

4. As terminações éis, éu, éus, ói e óis, e com elas todos os espanhois, também perdem o acento.

5 Uma das que me deixa mais melindrado são as terminações êem e ôo(s). Veem é assim.

6. Acento diferencial para distinguir homônimos acabou: para, de parar, é igual àquele outro para. Pelo de bicho, idem.

A regra acima não vale para os verbos: Pôde segue acentuado para marcar o passado, têm para dizer que é plural, pôr verbo continua distinto do por preposição. Ele intervém, eles intervêm.

Hífens

Aí é a vez do hífen. Este, como jamais aprendi antes, me parece uma chance de aprender na segunda vez.

1. Se a segunda palavra começa com h, super-história, tem hífen.

2. Quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal do segundo elemento – agroindustrial – fica sem. Se a vogal de término e de início for a mesma – anti-inflamatório – tem hífen.

3. Não há hífen quando o prefixo termina com vogal e o segundo elemento começa com consoante diferente de R ou S: anteprojeto. O hífen também some no caso R ou S, mas aí a consoante duplica: antirreligioso. A exceção: o prefixo ‘vice’ sempre impõe um hífen, vice-presidente.

4. Se o prefixo termina por consoante e o segundo elemento começa pela mesma consoante – inter-religioso – tasque um hífen. Se, no entanto, as consoantes forem diferentes – supermercado –, não há hífen.

Há exceções: se o prefixo for ’sub’, aí também fica hífen para palavras iniciadas com R – sub-república. Para os prefixos circum e pan seguidos de palavras iniciadas por M, N e vogal, fica o hífen: pan-americano, circum-navegação.

5. Se o prefixo termina por consoante e o segundo elemento começa com vogal, hiperacidez, não tem hífen.

As exceções que ferram com a regra geral: ex, sem, além,
aquém, recém, pós, pré, pró, que sempre têm hífen.

6. As palavras com sufixo tupi têm hífen: anajá-mirim, capim-açu.

7. Os encadeamentos vocabulares tipo ponte Rio-Niterói e eixo Rio-São Paulo levam hífen.

O Pingüim e Mary Poppins

02/January/2009 - 06h07 - 14 Comentarios

Neste primeiro dia do ano, como no último do ano passado, outro algo de diferente cá no Weblog: um conto. O autor é Jonathan Goldstein.

Muito antes de se mudar para Gotham City, antes de ficar gordo, obsessivo, o sádico no qual se tornou em seus últimos anos, o Pingüim era um poeta grã-fino que morava em Londres. Ele escrevia contos complexos e dava excelentes festas nas quais ia ficando cada vez mais encantador conforme bebia. Usava um monóculo, cartola e carregava sempre um guarda-chuvas.

Uma noite, em uma de suas festas, após horas de muito absinto, o Pingüim correu para o terraço de seu prédio, abriu seu grande guarda-chuvas, e lançou-se no ar. Conforme flutuava rumo ao chão, recitava versos de Blake; falava de agarrar sua vida pelas tripas do estômago para então poder virá-la ao avesso. Era um louco. E estava cheio de vida.

Desde aquela noite, ele tomou por hábito pular de prédios cada vez mais altos com seu guarda-chuvas. E com o tempo foi ficando bom nisso. Aprendeu, por exemplo, que se balançasse os pés e contorcesse as costas, poderia prolongar o vôo enquanto fazia piruetas por vários e vários minutos.

Foi após alguns meses que o Pingüim começou a ouvir de outra entusiasta. Ela também, lhe disseram, era vista flutuando por Londres pendurada num guarda-chuvas. Em todo lugar ao qual ia ele ouvia dela, de como era inacreditável que nunca tivessem sido apresentados. Então, por fim, alguém que conhecia a ambos decidiu dar uma festa para que se conhecessem. No dia, o Pingüim chegou à sala do anfitrião, viu Mary Poppins sentada ao divã, ergueu sua cartola e inclinou-se com elegância – era assim seu estilo, naquele tempo.

Ele havia preparado algumas coisas para fazer, outras para falar, quando se encontrasse com Mary Poppins. Ele pensou em levantar seu guarda-chuvas e desafiá-la a um duelo. E então ela levantaria o dela, que talvez fosse rosa, e entrariam num embate sala afora, derrubando móveis, talvez até levantando um vento, ofegantes, nariz tocando nariz.

Mas aconteceu de o Pingüim ficar nervoso, muito quieto, tímido até. Sua cartola repentinamente pareceu desengonçada à cabeça. Seu monóculo, sentiu-o pequeno demais em seu rosto, e o aperto que ele imprimia para manter a peça no lugar começou a dar-lhe uma dor de cabeça. Pela primeira vez em sua vida, o Pingüim se sentiu ridículo.

‘Imagino que os dois tenham uma quantidade infinita de assuntos sobre os quais conversar’, disse o anfitrião, conforme os sentava um ao lado do outro à mesa de jantar.

O Pingüim fez um sim inseguro. E após três ou quatro minutos, ficou evidente que nem ele, nem Mary Poppins, tinham qualquer assunto em comum que não o de vôos de guarda-chuvas; o se emaranhar em árvores, as dores nos ombros, o medo de que um pé-de-vento os virasse.

Todos à mesa observavam a ambos sem conversar, o que fez de toda situação ainda mais desconfortável.

Na tentativa de levar a conversa adiante, Mary Poppins perguntou ao Pingüim se ele gostava de cantar. ‘Apenas quando bêbado’, ele respondeu.

Então ela perguntou se ele gostava de crianças.

‘Sim’, ele disse, ‘crianças ao vinho.’

O Pingüim perguntou a Mary Poppins, na seqüência o que ela fazia para que as pessoas não vissem por debaixo de sua saia. Ela sorriu educada e virou-se para o homem à esquerda, perguntando-lhe se a comida estava boa.

O homem à esquerda vestia uma capa aristocrática. Mary, um quê altinha por conta do xerez, observou que se ele espalhasse a capa talvez pudesse deslizar pelo ar como um morcego. O homem à esquerda sorriu simpático e sugeriu que após o jantar, talvez, pudessem ir ao terraço para tentar. E assim o fizeram.

O que é haikai

31/December/2008 - 00h01 - 17 Comentarios

O texto abaixo, cedido tão gentilmente ao Weblog para publicação, é da poeta Alice Ruiz.

O haikai se faz com três linhas, ou versos, e não mais que 17 sílabas.

Seu tema é a natureza, e não nossos sentimentos e pensamentos.

Se faz com simplicidade, leveza, desapego, sutileza, objetividade, integração com o todo.

Sua melhor definição, na opinião de muitos, é uma fotografia em palavras.

Grava o instante. O fotógrafo não aparece na foto, mas sua sensibilidade sim.

O mesmo no haikai.

É como se as coisas falassem por si mesmas. Sem adjetivos, sem a impressão do poeta, exatamente como são.

Só o real, sem comparar a nada e, talvez por isso mesmo, tão incomparável.

Porque, descrevendo a coisa apenas como ela é, desperta a sensação de própria coisa.

A sensação, por exemplo, da estação em que ela acontece, nos fazendo lembrar de que tudo está sempre mudando, tem o seu próprio tempo, que é cíclico.

É essencial, isto é, capta a essência das coisas e a essa característica se dá o nome de haimi, que significa “sabor do haikai”.

Não é difícil de entender, quando se volta à comparação com fotografia.

Qualquer um é capaz de perceber se uma foto é boa ou não, além dos aspectos técnicos. Ela é boa se nos toca, se capta um instante especial, se provoca uma sensação.

O haikai é uma forma poética que nasceu no Japão e chegou ao Brasil há exatos 100 anos, em 1908, no navio Kassato Maru, com a primeira leva de imigrantes japoneses.

Diferente, em muitos sentidos, da poesia que se faz no Ocidente, o haikai nos ensina coisas fundamentais para nosso momento atual.

Em primeiro lugar, a síntese.

Com apenas três versos, nem um a mais, nem um a menos, e com 17 sílabas, no máximo, exercitamos o dom de dizer o suficiente, como um mínimo de palavras.

Como vivemos cada vez mais, um tempo sem tempo, em que não é possível absorver toda informação que nos chega – nem transmiti-la – ser sintético e aprender a concentrar conteúdos é fundamental.

Mas também aprendemos a olhar para fora de nós mesmos, a observar a natureza, as mudanças de estação, e assim nos sentimos mais integrados com o todo e ficamos menos absorvidos com nossos próprios problemas pessoais, que passam a ser menos importantes.

Sair do próprio umbigo, como Buda avisou, é o caminho para a cessação do sofrimento.

O nome mais conhecido na história do haikai no Japão e, portanto, no mundo, é Matsuo Bashô.

Ele era um guerreiro, ou samurai, e como tal, aprendeu muitas artes zen, que são os caminhos para uma atitude de vida.

Além das artes marciais, judô (o caminho da suavidade), karatê dô (caminho das mãos vazias), kyu dô, (caminho do arco e flecha), kendô (o caminho de manejar a espada), os samurais no Japão antigo aprendiam ikebana, ou ka dô, que é a arte do arranjo floral, o cha-dô, que é a cerimônia do chá, e outras mais, como o haikai dô, ou caminho do haikai.

Quando seu senhor morreu, de morte natural, Bashô escolheu, entre tantas artes, ensinar o haikai e chegou a ter 3.000 discípulos. Mas, como haikai é feito sobre a natureza, Bashô decidiu sair de sua cidade e viajar para ver outras paisagens de seu país.

Seus alunos inconformados lhe pediram pra ficar porque achavam que ainda tinham muito a aprender, e Bashô lhes disse:

— Não tenho mais nada pra ensinar a vocês, qualquer dúvida que vocês tenham, perguntem para uma criança de 8 anos.

Porque, não importa que idade se tenha, é a criança que existe em cada um de nós, que sabe ler, entender e escrever haikai.

Charles Darwin, um dia após o outro

17/December/2008 - 06h51 - 36 Comentarios

Assim era a rotina de Charles Darwin em seus últimos anos de vida, conforme recontada por seu filho, Francis Darwin.

7h. Acordava e saía para uma caminhada.
7h45. Café da manhã, sozinho.
8h–9h30. Trabalhava em seu escritório; considerava esse seu período mais produtivo.
9h30–10h30. Ia para a sala e lia suas cartas, então lia alto as cartas da família.
10h30–12 ou 12h15. Voltava ao escritório, e considerava este o fim do seu horário de trabalho.
12h. Caminhava, primeiro uma visita à estufa, depois pelo jardim de areia, por tanto tempo quanto possível dependendo de sua saúde, acompanhado de um cachorro.
12h45. Almoçava com toda a família, era sua refeição principal. Após, lia o Time e respondia cartas.
15h. Cochilava no quarto ou no sofá e fumava um cigarro, ouvia a narrativa de um livro leve lido por sua mulher, Emma.
16h. Caminhava, em geral pelo jardim de areia, às vezes para mais longe, com freqüência acompanhado de alguém.
16h30–17h30. Trabalhava no escritório resolvendo os últimos problemas do dia.
18h. Descansava no quarto enquanto Emma lia em voz alta.
19h30. Tomava um chá enquanto a família jantava. Em seus últimos anos, nunca permanecia na sala de jantar com os homens, mas tomava o rumo da saleta com as mulheres. Se não havia convidados, jogava duas partidas de gamão com Emma, depois lia um pouco, então Emma tocava piano e lia mais alguma coisa em voz alta.
22h. Deixava a saleta e se deitava às 22h30. Dormia mal.

O blog Daily Routines se especializa em colecionar a rotina diária de grandes escritores ou mentes afins.

via The Daily Dish

O Reino Unido contra o Terrorismo,
os Comuns, os Lordes e John le Carré

24/September/2008 - 01h54 - 68 Comentarios

No dia 13 de outubro, a Câmara dos Lordes britânica analisará a lei aprovada pela Câmara dos Comuns que permite ao governo prender sem provas ou acusação formal suspeitos de terrorismo por 42 dias. Os Lordes não são como senadores – sua Câmara tem poderes muito limitados. Por outro lado, também já não são os velhos nobres que herdavam o cargo de seus ainda mais velhos pais. São indicados. E, neste caso, têm o direito de vetar a lei.

Ela é polêmica. Nos EUA, várias leis e regulamentos que vieram com o Onze de Setembro também são acusadas de ferir as liberdades básicas da população. Mas, no Reino Unido, enquanto a Câmara dos Comuns considera esta lei em particular essencial, a oposição entre os jornais e a população cresce. Alguns, não muitos, começam a levantar o tom da voz. O escritor de romances de espionagem John le Carré é um caso:

Tenho raiva. Raiva de que não haja raiva a meu redor por causa do que estão fazendo com nossa sociedade com o pretexto de protegê-la. Fomos levados à guerra por motivos falsos e nos tiraram nossas liberdades civis numa atmosfera de pânico. Mas nossos advogados não vão às ruas como eles fizeram no Paquistão.

Nossos deputados se permitiram enganar pelos seus próprios marqueteiros. Eles acreditam em sua própria propaganda. Nosso secretário de política externa vem às pressas de uma missão ao Oriente Médio só para votar nesta lei que dá 42 dias de detenção. Aí as pessoas me chamam de velho raivoso. Danem-se. Não é preciso ser velho para ter raiva disso. Estamos sacrificando nossa soberania por uma dita ‘relação especial’ que, de especial, não tem nada além do nome que nós damos.

A relação especial à que ele se refere é a de seu país com os EUA.

O blog de José Saramago

16/September/2008 - 13h58 - 18 Comentarios

A notícia sobre Darwin, abaixo, foi dica do Diego num comentário fora de tema devidamente apagado. Ele a buscou numa descoberta talvez mais interessante: José Saramago tem blog.

Flanar pela livraria virtual

14/July/2008 - 11h55 - 11 Comentarios

A diferença entre uma livraria de verdade e uma virtual é o prazer de flanar pelas estantes em busca de nada específico.

A Livraria Zoomi tenta resolver o problema.

via Silvio Meira

Para acompanhar a Flip

03/July/2008 - 09h26 - 16 Comentarios

Não deixem de acessar os blogs de Carla Rodrigues e Sérgio Rodrigues.

O maior sebo eletrônico de língua portuguesa

11/June/2008 - 06h37 - 37 Comentarios

A Estante Virtual é uma rede de sebos online. A maior do Brasil. Hoje, a trupe de lá distribuiu a seguinte mensagem:

A Estante se prepara neste momento para alcançar a marca histórica de 1.000 sebos online na internet brasileira (são 956 neste exato momento em que escrevo, e crescendo muito rápido). Antes do portal, como vocês sabem, eram apenas 6. E o acervo reflete essa força consolidada: 15 milhões de livros usados e semi-novos, oriundos de estabelecimentos de já 174 cidades de todo o país. (ou seja, pode-se fazer uma busca em estantes de sebos de 174 cidades ao mesmo tempo!)

Na missão de conectar livreiros e leitores, e assim dar acesso a uma diversidade maior de obras do que o rol cada vez mais restrito normalmente ofertado nas livrarias convencionais, a Estante reune hoje já 220 mil leitores, de 3,8 mil municípios brasileiros. Basta fazer a conta e se admirar: cerca de 3,6 mil cidades brasileiras que não possuem sebos (e na maioria das vezes nem mesmo livrarias convencionais) estão se valendo da Estante para suprir as necessidades literárias de seus habitantes. No total, cerca de 70% dos municípios Brasileiros já utilizam a Estante.

O acervo inclui um milhão de livros a menos de 12 reais. Está à disposição de quem tiver interesse.

Uma estante às quintas

22/May/2008 - 00h17 - 62 Comentarios

José Saramago acaba de assistir a Ensaio sobre a cegueira na companhia do diretor Fernando Meirelles.

Sobre livros e bibliotecas

14/May/2008 - 09h33 - 61 Comentarios

A Atlantic Monthly publica, este mês, uma resenha de A biblioteca à noite, do argentino Alberto Manguel, que está saindo enfim nos EUA. (A edição brasileira é de 2006.) É uma delícia para quem gosta de livros:

Ao mergulhar profundamente na vida dos livros, Maguel destila seu assunto com anedotas maravilhosas: o método de catalogação da China no século 10, que consistia em ordenar os autores por sua posição social; um dicionário mesopotâmio trazia inscrito um alerta a possíveis ladrões sobre a vingança de Ishtar; o excêntrico colecionador alemão Aby Warburg reorganizava sua biblioteca continuamente para que refletisse a composição de sua mente. A história mais comovente que conta é a do empréstimo clandestino de livros na ala para crianças de Auschwitz-Birkenau.

A biblioteca à noite é uma lembrança de tudo aquilo que livros – reais, físicos – representaram ao longo do tempo. São amigos, memórias, consolos, fugas para o pensamento. Enquanto objetos, carregam histórias e seu envelhecimento é, por si, uma lembrança de nossa mortalidade. Choramos, com Manguel, a destruição da civilização asteca durante a queima de livros da inquisição mexicana de Juan de Zumarraga. Também celebramos a sobrevivência de um pequeno livrinho de orações judaicas que ele encontrou num mercado de Berlim. ‘Do fogo, da água, do percurso do tempo, de leitores negligentes e das mãos de censores, cada um de meus livros sobreviveu para contar sua história.’ Sua impertinência nos ensina a respeito da importância de lembrar.

Os livros talvez estejam acabando. Não que acabarão para o todo sempre – mas são já, e cada vez menos, as fontes que consultamos para este ‘importante lembrar’.

Apresentando Alaa al-Aswany, o escritor
mais vendido do mundo árabe

28/April/2008 - 07h08 - 59 Comentarios

Alaa al-Aswany é o escritor mais vendido do mundo árabe. Seu best-seller, publicado em 2002, se chama O prédio jacobiano e se passa no Egito atual. É um romance realista em sem floreios que fala de tortura, opressão sexual, a criação de radicais islâmicos, sonhos perdidos em meio à burocracia e corrupção governamentais. Em seu país, não é considerado particularmente boa literatura. Apenas um best-seller. O escritor, um dentista do Cairo, se defende: ele se inspira nos livros de Ernest Hemingway. O estilo é simples, mesmo, sem as experimentações à moda da literatura contemporânea árabe, direto ao ponto. Seu único objetivo é contar uma história. Mas há muito acontecendo ali, entre os personagens.

É o Egito de hoje. Em suas páginas, o ditador Hosni Mubarak jamais aparece. Ele é apenas o ‘Grande Homem’, cuja voz ecoa vinda de um palácio suntuoso. Trata-se de uma metáfora, de um símbolo, que nasce não das preferências do escritor mas de uma concessão à censura loca. O edifício jacobiano está para estrear em filme com alguns dos atores árabes mais conhecidos que há. É sucesso literário na França e foi um dos títulos mais disputados para lançar na atual temporada norte-americana. Esperam vendas fartas.

Seu atual romance, Chicago, vende também horrores no Egito. É a visão do autor da época em que estudou em Chicago – uma visão positiva, encantada. Ele é um dos mais lidos colunistas da oposição laica egípcia, um homem engajado na democratização do país.

Ele foi perfilado pela edição de domingo da New York Times Magazine.

Os jovens estudantes muçulmanos faziam anotações em seus cadernos. Al-Aswany estava apenas começando. O Islã no Egito e em outras metrópoles cosmopolitanas como Bagdá e Damasco, ele continuou, foi marcado ao longo dos séculos por tolerância e pluralismo. Não podia ser mais diferente do que o Islã do deserto, como aquele desenvolvido na Arábia Saudita. Os nômades do deserto não tinham tempo para arte – então não fizeram arte. A tragédia do Egito é que ele teve que lidar com versões intolerantes do Islã vindas de lugares como a Arábia Saudita. Todas as batalhas já vencidas no Egito pelas revoluções de 1919 e 1952 – principalmente aquela pelos direitos das mulheres – agora têm de ser lutadas novamente.

Ele então olhou para os dois rapazes barbados: ‘A Irmandade Muçulmana diz que o Islã é a solução. Então, quando você se opõe a eles, respondem que você está se opondo ao Islã. Isso é muito perigoso. Muito.’ Ele repete, sua voz mais alta: ‘na política é preciso encontrar soluções políticas, então como a solução pode ser religiosa?’

Para Alaa al-Aswani, democracia precisa de tempo. No mundo árabe, os EUA são vistos como os mantenedores das ditaduras locais. Não são conhecidos pelo que têm de melhor – a própria democracia, a liberdade de expressão, a pluralidade de grupos que têm espaço na sociedade. E o problema, ele diz, é que os EUA não acreditam de fato em levar democracia ao mundo árabe. O resultado imediato é a eleição de grupos como o Hamas, na Palestina, ou a Irmandade Muçulmana, no Egito. Democracia, ele diz, carece de tempo. Só se for permitido ao Hamas ou à Irmandade Muçulmana governarem que o povo perceberá que trocou um tipo de ditadura por outro.

Ele diz mais: a oposição islâmica é justamente aquilo que ditadores como Hosni Mubarak mais querem. Abrem um pouco o regime, permitem que eleições apenas parcialmente livres mostrem alguma força dos grupos islâmicos, e pronto, de presto governos como os de EUA e Reino Unido darão apoio, farão ouvidos moucos, a seus desmandos ditatoriais. Esta é a arma corrente das ditaduras da região, portanto. Manter vivo o medo de que, sem os ditadores, quem assumirá é o Islã radical.

Para o escritor, talvez num primeiro momento, sim. Mas, em países como o Egito, eles não se criam.

Uma entrevista aos sábados

26/April/2008 - 06h34 - 34 Comentarios

Não senti raiva por estar morrendo Raiva de quê? Raiva tem que ter um alvo. Sentiria raiva de mim mesmo? De um poder superior que decidiu que minha vida se acabava ali? E, mesmo que este poder existisse, que efeito teria minha raiva? Não senti raiva. Morrer, acabar, sentir raiva para quê? Em que acredita uma pessoa que sente raiva? Acredita que tem o direito de continuar vivendo? Talvez eu tenha sentido raiva. Admito isso. Mas o que me impressiona é a inutilidade da raiva nessas circunstâncias.

Não senti resignação. É mais como uma aceitação. São dois movimentos distintos. Você aceita porque não tem saída. A resignação é aceitação mas também uma desistência. Não pode haver desistência na aceitação.

Depois, de certa forma, foi uma ressurreição. Isso é o despertar de um corpo dormido e este corpo é seu. Os médicos estão fazendo seu trabalho e o seu é de ajudar a seu corpo neste processo que pode ser chamado de ressurreição. Mas prefiro chamar de regresso, que é menos dramático e mais claro. Está regressando a si mesmo. Fui reduzido a alguém que estava ali e que não tinha ânimo, força ou gana para escrever. A única parte do corpo que não sofreu perda, acho, foi o cérebro, que se mostrou extraordinariamente ativo, não posso explicar. Nunca caí na sonolência. Sempre estive muito desperto, com capacidade de observação e comentário. Fiz até piada!

José Saramago

Churchill enquanto vilão:
Recontando a Segunda Guerra

24/March/2008 - 14h10 - 500 Comentarios

A história da Segunda Guerra Mundial foi contada e recontada. É uma história clara – a última história de uma guerra clara onde havia herói, havia vilão e a alma da humanidade estava de fato em jogo. Uma guerra com um genocídio no meio, o uso de armamento atômico contra cidades, e um continente destruído. Há algo de novo para contar a respeito da Segunda Guerra? O romancista norte-americano Nicholson Baker acha que sim.

Seu livro se chama Human Smoke: The Beginnings of World War II, the End of Civilization. Fumaça humana: o início da Segunda Guerra Mundial, o fim da civilização.

É um livro pacifista. Mesmo quem não é pacifista deveria sempre prestar atenção ao que dizem os pacifistas. No fim, eles podem estar errados. Mas são eles que têm em mente os custos de uma guerra.

O livro evita adjetivos. Nada é heróico, nada é infame. Ele lista fatos colecionados em diários, jornais, revistas e memórias de época. Os fatos, às vezes anedotas, às vezes pequenos detalhes, compõem um mosaico que serve à ilustração do clima imediatamente anterior à Guerra. Um trecho da resenha publicada na New York Magazine:

O objetivo de livros de guerra é, naturalmente, chocar. Mas esta é uma característica particular do livro de Nicholson Baker, que traz consigo um pesado fardo revisionista. Fica claro de imediato que ele não é um curador de factóides: é um pacifista virulento. O espírito de Gandhi permeia todas as páginas de Human Smoke. Página após página ele repete a mensagem de que violência – até mesmo ‘boa’ violência – sempre distorce as intenções iniciais, aumenta o sofrimento, faz circular o mal. Nas anedotas relatadas por Baker, até os políticos mais admirados se mostram hipócritas da pior qualidade que todo argumento usam em nome da guerra. O retrato mais controverso é o de Winston Churchill, que aparece como um anti-semita beligerante, um supervilão alcoólatra. Churchill manipula a imprensa, aprisiona refugiados, recusa a paz sempre que pode, é um assassino que conta piadas de péssimo gosto: ‘vocês podem querer matar mulheres e crianças… eu, não; meu lema é o trabalho antes do prazer’. Churchill recusa alimento a uma Europa famita porque os alemães podem usá-lo como armas – ‘o material plástico usado para os aviões deles é derivado de leite’. O premiê britânico enfeita assassinatos em massa com aliterações retóricas – ‘Não conversaremos, não faremos tréguas com a gangue que leva suas intenções do mal; eles farão seu pior e, nós, o nosso melhor.’

Recentemente, Baker disse que o tom austero de seu livro era, em parte, uma reação à retórica de Churchill. Diz o escritor: ‘A eloqüência interminável de Churchill ao longo da guerra me fez abandonar o uso de adjetivos.’ Ele escreve em Human Smoke: ‘Bombardear, para Churchill, era uma forma de pedagogia, uma maneira de mostrar aos moradores de uma cidade em primeira mão o inferno que ocorria nos campos de batalha.’

É uma guerra na qual os mocinhos produziram Dresden, Hiroshima, Nagasaki; uma guerra na qual, alguns historiadores afirmam, os aliados poderiam ter impedido o Holocausto mas não o fizeram para não distrair dos esforços táticos que a estratégia exigia. Mas não deixa de ser surpreendente a lenta transformação de Churchill em vilão. Num dos homens responsáveis pelo abandono da civilização.

No New York Times, a resenha é assinada por Colm Tóibín, gênio da literatura escocesa, eterno candidato ao Nobel. É Tóibín quem escreve:

Os personagens principais do livro são Churchill e Franklin Roosevelt; membros do movimento pacifista incluindo Gandhi; Hitler e sua laia; os autores de diários Victon Klemperer, em Dresden, e Mihail Sebastian, em Bucareste. Mas, muitas vezes, são fatos muito simples que nos abalam na leitura, fatos muito claros como este, bem no início do livro: ‘A Força Aérea Britânica jogou mais de 150 toneladas de bombas sobre a Índia. Isto foi em 1925.’ Isto vem logo após alguém levantar a idéia de bombardear alvos civis no Iraque, em 1920, ao que Churchill escreve: ’sou plenamente a favor de usar gás letal contra tribos incivilizadas’. Este é o tema do livro que Baker, que vai costurando histórias assim entre 1920 e 1942. Para ele, o bombardeamento de aldeias e cidades por aviões é o ‘fim da civilização’. [...]

O problema, diz Baker, é que os bombardeamentos serviram à morte em massa da população civil mas os sobreviventes não culpavam a liderança nazista; estes, por sua vez, usavam os bombardeios como desculpa para infligir mais sofrimento à população judaica sugerindo, por exemplo, que expulsar judeus de suas casas era ‘justificado para oferecer teto aos arianos cujas casas foram destruídas’. Já em 1941, um dos ministros de Churchill escreveria: ‘Bombardeios NÃO afetam a moral alemã: vamos enfiar isto na cabeça e parar de gastar nossa artilharia nisto.’

Foi assim, no entanto, que a guerra foi conduzida até o fim.

Leituras

13/March/2008 - 10h37 - 28 Comentarios

Red cat, de Peter Spiegelman, e Adeus, Hemingway, de Leonardo Padura Fuentes, estão entre minhas descobertas mais recentes na literatura policial. (Embora sejam livros completamente diferentes um do outro.)

Padura Fuentes é cubano, vive em Cuba, fui apresentado a ele por um amigo que divide comigo esta fixação por policiais. Seu detetive é um policial aposentado, Mario Conde, que tenta virar escritor. Por conta do amor pela literatura, seus ex-companheiros da delegacia pedem que ele tente descobrir o que houve na casa de Ernest Hemingway uns 40, 50 anos antes. É que um cadáver com esta idade e uma carteira do FBI foi desenterrado do jardim mais ou menos na época em que o velho escritor esteve em sua finca pela última vez.

A Cuba de hoje e a de antes da Revolução convivem ao longo de uma história intrincada, cheia de flashbacks. O cara escreve muito bem – é um romance policial com densidade, personagens profundos, com um pé naquela melancolia do noir e outro na boa literatura.

Red Cat é completamente diferente, seu cenário é a Nova York contemporânea, e John March, o personagem principal, é um bom e velho detetive particular. Seu irmão, um executivo de banco riquíssimo, está sendo chantageado por uma de suas muitas amantes.

Peter Spiegelman não vai na alma atormentada de seus personagens com a profundidade de Padura Fuentes, mas o pobre March apanha, e apanha muito, e apanha toda hora, como cabe a um detetive particular teimoso. A grande atração é uma trama bem costurada que envolve a filmagem das transas dos amantes, o estranhíssimo e sempre bizarramente antenado mercado de arte contemporânea novaiorquino, o pesadelo de quanto este tipo de imagem pode vazar para a Internet. Romances policiais não costumam mexer com tecnologia e as mudanças provocadas por ela na sociedade. Spiegelman a usa e é o que torna seu livro divertidíssimo.

Um cenário bem bolado costuma ser das coisas que me atraem em romances policiais – daí que a filmagem clandestina do sexo, tão comum nos tempos vigentes, ou a Havana de hoje, me atraíram para ambos os romances. E daí que fui com sede atrás de Yiddish policemen’s union, de Michael Chabon.

Sua premissa é excelente. Israel não aconteceu. Para lidar com o problema do pós-Holocausto, os EUA cedem um naco do Alaska para onde os judeus podem migrar. Em 2005, no entanto, 60 anos após a cessão, as terras estão para voltar à posse do governo norte-americano. A língua que se fala nas ruas é o iídiche, não o hebraico. Está todo mundo meio desesperado para conseguir um visto para algum lugar do planeta – é preciso se mudar. E, em meio a esta confusão, acontece o assassinato de um homem desconhecido que, naturalmente, tem tudo a ver com tudo.

Encarei o livro de frente, ao longo último mês, algumas vezes. Cheguei ali à página 50 muito lentamente. Empaco no ritmo. Há de ser bom, talvez torne a ele em uns meses. Por enquanto, fica adiado.

Dois quadrinhos andaram pelas minhas mãos, ambos editados pela Conrad. O primeiro é Fun home, obra autobiográfica de Alison Bechdel. A autora é lésbica, seu pai era homossexual enrustido – coisa que só foi descobrir muito mais tarde. Ao recontar a história familiar que viu com olhares de menina e tentar reinterpretá-la, Bedchel procura talvez a origem de sua identidade. É uma ‘tragicomédia familiar’, diz o subtítulo muito adequado. Nunca tinha parado para pensar neste momento ali entre a adolescência e a idade adulta no qual homossexuais começam a lidar com o que são, o que isto significa, o quanto que a sexualidade nos encaixa na sociedade de uma forma diferente, limitando alguns espaços, abrindo outros. É um momento de extrema angústia onde muitos – caso do pai de Bechdel – se perdem completamente para a vida. É um álbum surpreendentemente denso, extremamente delicado.

O outro é o Clic 3, de Milo Manara. A trama não varia muito em relação aos primeiros da série: Claudia Christiani está lá com o implante no cérebro que a expõe. Alguém, com um controle remoto, pode num ‘click’ fazer com que ela enlouqueça de desejo sexual que precisa ser imediatamente saciado. Manara é isso: estas grandes fantasias que não carecem muito de enredo, estas mulheres belíssimas de alma italiana e corpo eslavo – pernas longas, bundas grandes, seios fartos. Christiani é uma moça rica é profundamente conservadora, então há sempre um certo desespero quando ela é levada aos píncaros da libido. (E há por certo aí alguma metáfora sobre como as pessoas que se mostram mais conservadoras costumam ser as mais passíveis a escândalos em geral os mais contorcionistas.) Mas Manara não é a história, Manara é um mundo próprio, este conjunto de mulheres fantásticas sem quaisquer pudores e homens absolutamente maravilhados com os cenários que elas ensaiam nos mostrar.

Andei também com Os melhores jornais do mundo, de Matías Molina. Ele, que é espanhol de nascença, brasileiro com sotaque e um dos pais do jornalismo de economia tupinambá, é provavelmente o melhor nome para encarar esta tarefa: contar quais os melhores jornais do mundo, suas histórias e explicar o que faz, afinal, um bom jornal? Todos listados, suas histórias deliciosamente contadas, Molina chega à seguinte conclusão. O jornal excelente parte do princípio de que seu leitor é inteligente. Além de cobrir a cidade, o país, o cotidiano, ele tem também um pé fortemente fincado no mundo, com correspondentes em vários países, viagens constantes. Para fazer um bom jornal, é preciso olhar para fora e compreender como seu país é visto de fora para dentro, como ele se encaixa na geopolítica. Por fim, cultura. Há uma cobertura sofisticada das artes.

Por fim, estou me divertindo muito, apesar de uma leitura lenta, com Em busca de Jesus, de John Dominic Crossan e Jonathan Reed. O título em português sugere leitura para conversão – não é. É uma batida das descobertas arqueológicas recentes que apresentam o mundo e o contexto no qual viveu Jesus. É história, não religião. Ciência. Mas este fica para uma próxima batelada de livros.