Glauber e Sarney

09/August/2009 - 19h26 - 72 Comentarios

Documentário sobre a posse do governador do Maranhão, 1966.

O curta-metragem é de Glauber Rocha. Foi assim que tudo começou.

Save Ferris

07/August/2009 - 00h13 - 30 Comentarios

Uma moça às segundas

13/July/2009 - 00h01 - 20 Comentarios

charlize_theron

Apenas o Fim, o filme de 7.500

17/June/2009 - 00h01 - 20 Comentarios

Dessas coisas de estar aprendendo Brasil de novo: não sabia nada sobre Apenas o Fim, o filme de 7.500 reais filmado todo na PUC-Rio. Se o Denis recomenda, há de ser bom.

Simpático, tenho certeza de que é. Fruto de uma cultura faça você mesmo típica desses tempos de internet.

Robert De Niro Sr

16/June/2009 - 00h01 - 33 Comentarios

Um dos melhores posts da blogosfera brasileira conta o que há de mais divertido escrever: uma história inusitada. É também boa pausa pro respiro.

Pois esta vem pelas mãos do Sergio Leo. O personagem principal era pintor expressionista da geração anos 40 nos EUA, daquela turma boêmia de Nova York que circulava pelo Village. Conviveu com aqueles que andavam pelos mesmos bares: Henry Miller e Anais Nin, Jackson Pollock – provavelmente também Ezra Pound, Dorothy Parker. Nosso personagem foi casado com uma moça bonita, inteligente e escritora, que editava uma revista literária com um certo Robert Duncan – e o tal Duncan traçou a sócia e seu marido.

Típica história dos loucos do Village, aqueles que foram beatniks antes dos beatniks, hippies antes dos hippies, e já tinham feito tudo que nos anos 70 achavam estar inventando.

Mas o pintor marido da editora era pai do ator Robert De Niro. E a moça, sua mãe. A história está melhor contada no Sítio do Sergio Leo.

Como fazer um curta-metragem…

30/May/2009 - 12h49 - 7 Comentarios

… experimental, cult e pseudo-intelectual. Vitor Alli tem a fórmula:

via Videorama

Supercalifragilisticexpialidocious

24/May/2009 - 02h58 - 17 Comentarios

O ridículo nas religiões
(em todas elas)

02/May/2009 - 03h22 - 110 Comentarios

Está começando a ser distribuído em DVD, aqui nos EUA, Religulous, o divertido documentário/comédia de Bill Maher a respeito de religiões. Não, este filme não leva religião a sério. (Não importa que religião.) O nome mistura ‘religion’ com ‘ridiculous’, ridículo. Tampouco é um documentário sério – Maher, misto de comediante e analista político ácido, jamais se identificou falando a verdade enquanto fazia as filmagens. (Dizia que preparava um filme sobre espiritualidade.)

Marilyn Chambers, atriz pornô

14/April/2009 - 02h39 - 27 Comentarios

A atriz pornô Marylin Chambers morreu no domingo, em sua casa próxima a Los Angeles. Ainda não se sabe a causa. No segundo semestre, Marilyn estrearia no teatro, em Nova York, ao lado do também veterano Ron Jeremy. Ambos se apresentariam numa comédia que reencenaria o clássico Deep Throat. Ela tinha 56 anos.

Deep Throat, o filme Garganta Profunda original, não foi com Marilyn. Se Garganta Profunda lançou o cinema pornô no mainstream, foi Atrás da Porta Verde, de 1972 – este sim com Marilyn –, que produziu o primeiro pornô cult, com direito a exibição no Festival de Cannes do ano e ovação da platéia de pé no final.

(No passado, escrevi uma reportagem sobre Deep Throat.)

Pois foi que, no início, eram duas atrizes: Marilyn Chambers e Linda Lovelace, de Deep Throat. A revolução sexual já havia ocorrido e, de alguma forma, a cultura popular passou a aceitar sexo explícito na tela. Elas foram, e ainda são, o Ying e o Yang da pornografia inicial, os dois lados complementares.

Linda, até sua morte, em 2002, levou uma vida conturbada. Entregou-se ao cinema pornográfico que a fez famosa, acusou um dos ex-maridos de estupro, drogou-se, virou religiosa, renegou a pornografia mas aí ensaiou um retorno, foi feminista militante e jamais conseguiu uma relação em que não estivesse de alguma forma subjugada. A vida de Linda é o exemplo perfeito a sacar do bolso por qualquer um que deseje argumentar que a pornografia diminui, objetifica, a mulher. Sua vida foi miserável.

E, no entanto, Marilyn foi o contrário. Se Linda, mesmo quando jovem, emanava uma certa tristeza, Marilyn estava sempre radiante em suas entrevistas. Jamais renegou a pornografia, jamais a condenou. Se teve relações complicadas ou dificuldades com drogas pesadas, jamais sugeriu que um tinha a ver com o outro. “Pessoas das profissões as mais respeitáveis tiveram os mesmos problemas”, ela respondeu certa vez a um repórter que insistia.

Alguns críticos, em seus arroubos, já sugeriram que Atrás da Porta Verde, além de pornô, é também bom cinema. A história segue uma jovem e bela moça que, raptada em um hotel, é levada para um clube secreto e, durante uma noite, é exposta a uma platéia enquanto vê-se forçada a relações que no início não deseja e, por fim, abraça. Causou rebuliço, na época, o fato de que o primeiro ator a se apresentar à atriz era negro. (Casamentos inter-raciais ainda eram ilegais em certos estados dos EUA, assim como o casamento gay ainda é ilegal, hoje.)

É preciso boa vontade para considerar o clássico bom cinema. Está lá uma certa vontade de ser filme europeu do tempo, mas também a musiqueta dos pornôs de antanho e um trabalho de interpretação triste que faz dó. Não há problema: a arte, e o ser cult, era a desculpa que o público precisava para fazer fila no cinema num tempo antes do videocassete, quanto mais da Internet.

O que Atrás da Porta Verde tinha, também, era Marilyn Chambers. Ela era muito bonita. Mesmo. De uma beleza tenra, leve – tão bela que, poucos meses antes de filmar, posara para a caixa de uma das principais marcas de sabão em pó da Procter and Gamble com um bebê ao colo. A caixa do Ivory Snow deu nas prateleiras dos supermercados quando o filme chegava ao cinema. Foi um pesadelo publicitário para a multinacional. Atrizes pornográficas nunca foram muito conhecidas pela beleza até os anos 90 – ela era uma exceção.

Sua vida não foi de forma alguma fácil. Sexo explícito ainda é um extremo da cultura. Hoje é incrivelmente mais tolerado do que antes e já esboça aparição no cinema não pornô. Marilyn fez parte da primeira geração a romper o tabu.

A pornografia não representa sexo como aquele que os amantes fazem em casa. É um sexo caricato e, na maioria das vezes, sem qualquer intimidade emocional. Ainda assim, pornografia, alarga as fronteiras. Antes de haver pornografia assim explícita à disposição no mercado, qualquer conversa sobre sexualidade era difícil. Quando o sexo explícito, ainda que no extremo, ganhou legitimidade, qualquer área mais mansa do que o explícito tornou-se assunto permitido no cotidiano. Mais informação é possível justamente porque o extremo foi para tão longe. E mais informação desde cedo, no que tange sexualidade, evita gravidez adolescente e infelicidade em relações futuras.

Marilyn Chambers morreu cedo. Não foi um ícone para qualquer um. Mas, a seu modo, viveu uma vida corajosa e fez parte de um movimento que mudou profundamente nossa cultura.

O Pingüim e Mary Poppins

02/January/2009 - 06h07 - 14 Comentarios

Neste primeiro dia do ano, como no último do ano passado, outro algo de diferente cá no Weblog: um conto. O autor é Jonathan Goldstein.

Muito antes de se mudar para Gotham City, antes de ficar gordo, obsessivo, o sádico no qual se tornou em seus últimos anos, o Pingüim era um poeta grã-fino que morava em Londres. Ele escrevia contos complexos e dava excelentes festas nas quais ia ficando cada vez mais encantador conforme bebia. Usava um monóculo, cartola e carregava sempre um guarda-chuvas.

Uma noite, em uma de suas festas, após horas de muito absinto, o Pingüim correu para o terraço de seu prédio, abriu seu grande guarda-chuvas, e lançou-se no ar. Conforme flutuava rumo ao chão, recitava versos de Blake; falava de agarrar sua vida pelas tripas do estômago para então poder virá-la ao avesso. Era um louco. E estava cheio de vida.

Desde aquela noite, ele tomou por hábito pular de prédios cada vez mais altos com seu guarda-chuvas. E com o tempo foi ficando bom nisso. Aprendeu, por exemplo, que se balançasse os pés e contorcesse as costas, poderia prolongar o vôo enquanto fazia piruetas por vários e vários minutos.

Foi após alguns meses que o Pingüim começou a ouvir de outra entusiasta. Ela também, lhe disseram, era vista flutuando por Londres pendurada num guarda-chuvas. Em todo lugar ao qual ia ele ouvia dela, de como era inacreditável que nunca tivessem sido apresentados. Então, por fim, alguém que conhecia a ambos decidiu dar uma festa para que se conhecessem. No dia, o Pingüim chegou à sala do anfitrião, viu Mary Poppins sentada ao divã, ergueu sua cartola e inclinou-se com elegância – era assim seu estilo, naquele tempo.

Ele havia preparado algumas coisas para fazer, outras para falar, quando se encontrasse com Mary Poppins. Ele pensou em levantar seu guarda-chuvas e desafiá-la a um duelo. E então ela levantaria o dela, que talvez fosse rosa, e entrariam num embate sala afora, derrubando móveis, talvez até levantando um vento, ofegantes, nariz tocando nariz.

Mas aconteceu de o Pingüim ficar nervoso, muito quieto, tímido até. Sua cartola repentinamente pareceu desengonçada à cabeça. Seu monóculo, sentiu-o pequeno demais em seu rosto, e o aperto que ele imprimia para manter a peça no lugar começou a dar-lhe uma dor de cabeça. Pela primeira vez em sua vida, o Pingüim se sentiu ridículo.

‘Imagino que os dois tenham uma quantidade infinita de assuntos sobre os quais conversar’, disse o anfitrião, conforme os sentava um ao lado do outro à mesa de jantar.

O Pingüim fez um sim inseguro. E após três ou quatro minutos, ficou evidente que nem ele, nem Mary Poppins, tinham qualquer assunto em comum que não o de vôos de guarda-chuvas; o se emaranhar em árvores, as dores nos ombros, o medo de que um pé-de-vento os virasse.

Todos à mesa observavam a ambos sem conversar, o que fez de toda situação ainda mais desconfortável.

Na tentativa de levar a conversa adiante, Mary Poppins perguntou ao Pingüim se ele gostava de cantar. ‘Apenas quando bêbado’, ele respondeu.

Então ela perguntou se ele gostava de crianças.

‘Sim’, ele disse, ‘crianças ao vinho.’

O Pingüim perguntou a Mary Poppins, na seqüência o que ela fazia para que as pessoas não vissem por debaixo de sua saia. Ela sorriu educada e virou-se para o homem à esquerda, perguntando-lhe se a comida estava boa.

O homem à esquerda vestia uma capa aristocrática. Mary, um quê altinha por conta do xerez, observou que se ele espalhasse a capa talvez pudesse deslizar pelo ar como um morcego. O homem à esquerda sorriu simpático e sugeriu que após o jantar, talvez, pudessem ir ao terraço para tentar. E assim o fizeram.

Blues fúnebre

24/November/2008 - 06h45 - 33 Comentarios

Detenham-se os relógios, cale o telefone,
jogue-se um osso para o cão não ladrar mais,
façam silêncio os pianos e o tambor sancione
o féretro que sai com seu cortejo atrás.

Aviões acima, circulando em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Pombas de luto ostentem crepe no pescoço
e os guardas ponham luvas negras como breu.

Ele era norte, sul, leste, oeste meus e tanto
meus dias úteis quanto o meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto.
Julguei o amor eterno: quem o faz se engana.

Apaguem as estrelas: já nenhuma presta.
Guardem a lua. Arriado, o sol não se levante.
Removam cada oceano e varram a floresta.
Pois tudo mais acabará mal de hoje em diante.

É a tradução de Nelson Ascher do Funeral Blues de WH Auden. Alguns por certo lembram do poema recitado com beleza por John Hannah no Quatro casamentos e um funeral.

via Antonio Cícero

Os melhores filmes brasileiros

17/November/2008 - 14h41 - 188 Comentarios

Está impecável a lista dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos feita por Luiz Biajoni e Rafael Galvão. A discussão sobre que filmes incluir, e quais tirar, nos comentários, tem bons pontos.

Pessoalmente, eu puxaria Bye-Bye Brasil para o topo da lista. É o filme que Glauber Rocha passou a carreira tentando fazer e jamais conseguiu, uma síntese perfeita do país que o Brasil foi um dia.

Eu também sacaria da lista Tropa da Elite e substituiria por Terra Estrangeira, do Walter Salles.

Senti séria falta de Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho. (Podemos tirar Redentor para isso.) Por razões emocionais, incluiria Podecrer!, de Arthur Fontes, um filme absolutamente modesto mas, por sua discrição, uma graça. (Além do quê, retrata minha cidade naqueles inícios de anos 80, em que esperança havia de sobra.) E cogitaria listar Pra Frente Brasil, de Roberto Farias.

Excelente lembrança dos dois é Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira, que de fato é brilhante.

Meu nome é Lisa

25/October/2008 - 17h28 - 39 Comentarios

via Sub Rosa

Paul Newman

27/September/2008 - 13h07 - 48 Comentarios

Um dos maiores atores saídos da grande escola que foi o Actor’s Studio morreu hoje.

Atualização – Poucas cenas têm o mérito desta aí embaixo: virou clichê. É um clichê de edição que quase toda comédia romântica repete hoje em dia. A música virou clichê que todo mundo conhece. A cena é hiper-conhecida. Mas nada era um clichê quando chegou aos cinemas, em 1969. Virar clichê é um baita elogio. E um bocado está na interpretação de Newman e Katharine Ross. Eles estão tão felizes e tão apaixonados que até parece fácil ou que é de verdade. Essa era a marca dele como ator: não tinha truques, só fazia parecer fácil, muito fácil.

Open thread de sábado

16/August/2008 - 08h30 - 139 Comentarios

Os Desafinados

24/July/2008 - 12h59 - 33 Comentarios

Estréia dia 29 de agosto. Tarde demais para cá este blogueiro assistir no Brasil.

via Isso é Bossa Nova

Sammy Davis Jr e seus personagens

27/June/2008 - 07h09 - 17 Comentarios

Primeiro vem Fred Astaire. Aí, Nat King Cole. Destes vai seguindo: Billy Eckstine, Vaughn Monroe, Tony Bennett, Mel Tormé, Louis Armstrong, Dean Martin e sobra até para Jerry Lewis.

Só o que não tem é Frank Sinatra. Seria injusto cobrar. Inimitável.

via Quarto setor

Jessica Rabbit de carne e osso

25/June/2008 - 20h34 - 13 Comentarios

Ela – e também o filme que mostra o processo no Photoshop. Mas, também, Homer Simpson. E, horror dos horrores, Super Mario.

via Things Magazine

Israel e Palestina se encontram num
salão de cabeleireiro de Nova York

10/June/2008 - 16h41 - 45 Comentarios

Ele foi o maior soldado que jamais serviu nas Forças de Defesa de Israel. O mais hábil praticante da arte do Krav Maga. Um dia, depôs as armas para perseguir um sonho.

Ser cabeleireiro.

Rejeitado em seu país, encontrou emprego em Nova York. No salão de uma jovem palestina.

Mas aí seu passado voltou para perseguí-lo.

via Checkpoint Jerusalem

A Guerra do Líbano em animação

22/May/2008 - 06h42 - 111 Comentarios

Em setembro de 1982, as tropas do exército israelense pararam em frente aos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila. Lá, permaneceram imóveis conforme a Falange, um grupo cristão maronita libanês, invadiu trucidando. Segundo a Cruz Vermelha, por volta de 800 mortos; para a Falange, quase 3.000.

Sob o comando de Ariel Sharon, Israel não interferiu – ao contrário, estimulou o massacre.

O desenho Valsa com Bashir estreou em Cannes na última semana. Diz o Guardian:

O filme é importantíssimo, entre outros motivos, só por existir. É um mea culpa criado por alguém que esteve em contato íntimo com o que ocorreu. O diretor (e protagonista) Ari Folman não se esvai, não alivia, não busca desculpas. Ele apresenta o filme como terapia. É sua tentativa de recuperar memórias bloqueadas do que aconteceu. Ao fazê-lo, ele faz uma conexão entre os campos da morte que os judeus deixaram, na Europa, e os campos de refugiados nos quais os palestinos foram trancafiados e brutalizados no Líbano. Folman não foge do assunto.

É também um filme incrível por ser quase todo animado. A animação nasceu de desenhos feitos sobre filme e há toques de uma fantasia ameaçadora do tipo que há nos pesadelos. Entremeado há cenas – todas criadas com inegável brilhantismo – de combate, patrulhas, massacre e miséria. De certa forma, é uma resposta israelense a Persépolis, já que nasce da imaginação perturbada de um único homem. Este mundo semi-interpretado da animação é a mídia perfeita para a mensagem.

É um documentário de animação que vasculha as memórias de um veterano da Guerra do Líbano.

via Checkpoint Jerusalém