Tudo publicado sobre 'Energia e Aquecimento global'
A linha da pobreza atual é de 1,25 dólares ao dia. Abaixo disso está a miséria humana.
Nas contas do Banco Mundial: 1,4 bilhão de pessoas. Em 1981, eram 1,9 bilhão. Somos 6,7 bilhões de pessoas. Em 81, éramos 4,4 bilhões. A miséria, portando, afetava quase metade da população, hoje afeta um quarto.
Mudou por causa da China: lá, havia mais de 800 milhões de miseráveis, hoje são 207 milhões. No resto do mundo, em termos percentuais, tudo se manteve mais ou menos igual. Na África, metade da população vive abaixo da linha de pobreza. A China é o único país que enfrentou de fato o problema.
E é um erro levar esta conta ao pé da letra acreditando que a escala é evolutiva. O Banco Mundial é conservador, a ong Oxfam não é: a inflação de alimentos, segundo ela, pode jogar até 500 milhões de pessoas entre África e Sudeste Asiático para baixo novamente.
via Foreign Policy
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Vladimir Putin mapeou tudo. Percebeu que os EUA, alquebrados pelo Iraque e Afeganistão, ainda desejosos do apoio russo para sanções contra o Irã, não tinham mais aliados na Europa e seguiam ambivalentes à crise no Cáucaso. Putin percebeu que o líder da Geórgia, Mikhail Saakashvili, apesar de seu pendor nacionalista, era o presidente fraco de uma democracia com Forças Armadas frágeis. Olhou o mapa da Geórgia e viu um país engolfado pela Rússia e o Ocidente lá longe. Ali é diferente dos Bálcãs, que têm a boa sorte de fazerem fronteira com a Europa Central e, portanto, terem a sorte de contar com envolvimento da OTAN. No Cáucaso, os vizinhos são Rússia, Irã, o naco mais pobre da Turquia e o Mar Cáspio.
Putin olhou e se moveu. Liberou a Ossétia do Sul, um estado sob o domínio de gângsters e contrabandistas, do frágil poder militar da Geórgia. Fez o mesmo em Abecásia, outro estado da Geórgia. Segundo as últimas notícias, as forças russas já controlam uma base militar no leste do país e parecem dispostos a manter o controle militar em toda região na qual o poder central é fraco. Ao cortar a Geórgia ao meio, os russos controlam o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, crítico para a energia do ocidente, fazendo com que o Kremlin passe a decidir o fluxo de combustível para o Mediterrâneo e Europa. Norte-americanos e europeus vão querer sentar à mesa, e a Rússia fará concessões. Mas farão isso de uma posição de força. A Geórgia provavelmente nunca mais terá um governo independente como aquele que teve até 8 de agosto de 2008.
É o que diz Robert Kaplan, um dos grandes especialistas na região, no blog da Atlantic Monthly.
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A poluição de Beijing é um dos itens mais comentados a respeito da sede das Olimpíadas deste ano. Em seu blog Dot Earth, do New York Times, o repórter de meio ambiente Andrew Revkin dá uma aula sobre o assunto. O ar da China é carregado de dióxido de enxofre (SO2).
No caso chinês, ele é produzido pela queima de carvão em usinas termoelétricas, junto com monóxido e dióxido de carbono e nitrogênio. São efeitos comuns da primeira fase de industrialização, um período em que, dedicados ao crescimento econômico, todos os países ignoraram quaisquer impactos ambientais. (A diferença é que durante a industrialização de finais do século 19 não se entendia de todo tais impactos.)
O dióxido de enxofre é transparente, denso e a inalação irrita as vias nasais. Quando a concentração do gás aumenta na atmosfera, ele começa a se liquefazer na forma de ácido sulfúrico, produzindo um aerosol. As partículas ficam suspensas no ar, formando esta névoa entre o amarelo e o vermelho. As terríveis malformações que afetaram bebês em Cubatão, nos anos 1980, eram efeitos diretos da substância.
O SO2 também alonga a vida das nuvens e diminui a quantidade de chuvas. Ele reflete a luz do Sol, produzindo um efeito localizado de esfriamento atmosférico. É um dos dois componentes fundamentais da chuva ácida.
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Howell Raines, ex-diretor de redação do New York Times, publicou uma boa análise da alta do preço de combustíveis nos EUA, parcialmente aplicável ao resto do mundo. A teoria corrente trata do seguinte: oferta e demanda. China e Índia estão consumindo mais. Há mais demanda para a mesma oferta, os preços sobem.
Não exatamente, sugere Raines.
Executivos das petroleiras acreditam numa versão atualizada da Teoria do Pico do Petróleo, apresentada em 1956 pelo geólogo M. King Hubbert. Ela propõe que por conta da finitude dos campos de petróleo e pelo alto custo da produção, a indústria norte-americana do petróleo chegará a um nível máximo em determinado momento e, aí, começará a decair. A versão atualizada afirma que a produção máxima de petróleo nos EUA se dará em 2020.
As petroleiras estão recebendo um preço bastante alto por um produto que, elas acreditam, ficará cada vez mais difícil de obter no futuro e que também será menos valioso por conta da concorrência de outros combustíveis. O jogo inteligente a fazer, do seu ponto de vista, é desviar cada centavo para o lucro e aproveitar enquanto o Cassino do Ouro Negro ainda está funcionando. Para confundir público e imprensa, eles selecionam vários homens para fazer as relações públicas e culpar a falta de petróleo que você prevê faz meio século em: falta de refinarias, legislação ambiental, e os lençóis imaginários no Alaska.
Ou seja, a indústria do petróleo, nos EUA, está botando o lucro no bolso e não investe nada em produção. A mesma indústria, nos últimos 25 anos, fechou metade das refinarias no país. E, embora o discurso das empresas afirme que tudo ficaria melhor se perfurar nas reservas ambientais do Alaska fosse legal, elas não começaram ainda sequer a explorar 80% dos territórios, nos EUA, que o governo já autorizou. “Todo repórter por aí compra essa história de oferta e demanda”, ironiza Don Barlett, da revista Time. “Se eu estivesse nas relações públicas das petroleiras, ia continuar batendo na mesma tecla.” Raines continua sua coluna:
Oferta e demanda? Claro, mas como lembra John Lee, veterano repórter do Wall Street Journal e que foi do New York Times por muitos anos, oferta e demanda de petróleo não são apenas ‘dois gráficos que indicam de onde vem, para onde vai’. Há motivos mais complexos na determinação do preço que se paga no posto de gasolina. ‘O preço na bomba sempre refletiu o último preço de pico, ou seja, aquilo que gasolina custa no mercado geral. É o preço do momento e não o preço baseado na gasolina comprada e estocada nos armazéns.’
Digamos que você seja uma empresa petroleira vendendo gasolina nos postos e que, nos seus armazéns, existem barris que foram comprados a 140 dólares e outros a 75. Tem muito espaço aí para manipular os preços. Mas, por favor, nem sequer pense que a Exxon Mobil ousaria manipular preços assim. Assim como eu e você, eles são escravos destas forças tremendas, oferta e demanda.
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Não raro, recentemente, mais especialistas vêm defendendo o uso de energia nuclear. É mais limpa que os combustíveis fósseis e as usinas são mais seguras. No El País, o ex-ministro do meio ambiente alemão Jürgen Trittin vai contra.
Desde finais dos anos 70, ele diz, só foi construída uma usina nuclear na Europa, ao passo que cinco foram fechadas. Elas são responsáveis por 3% da energia do continente. Não é só por uma questão de segurança: o quilowatt nuclear é caro, mesmo com o preço do petróleo nos píncaros. Seria, portanto, preciso subsidiá-la.
O caminho, ele argumenta, não é este. Os que os europeus precisam fazer é enfrentar o fato de que importam 75% de sua energia. Precisam, portanto, economizá-la. Sai mais barato, coisa aconselhável em tempos de crise, e é melhor para o ambiente. É sua receita, aliás, para o mundo todo. Na Alemanha, a regulamentação para as construção de casas é rigorosa. Devem ter, por exemplo, isolamento térmico, que economiza na refrigeração ou no aquecimento do ambiente. É uma obra que se paga na conta de luz. O carro, evidentemente, deve ficar em casa de vez em quando.
Trittin defende que, se é para gastar dinheiro, os governos devem esquecer o nuclear e investir em projetos de economia energética, incluindo-se subsídios e incentivos fiscais para obras. É boa política econômica e ecológica.
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A Wired tem uma lista um tanto polêmica de coisas a fazer para diminuir a emissão de carbono e, portanto, combater o aquecimento global.
1. Viva numa cidade. Prédios de apartamentos consomem menos energia no inverno do que casas, mas esta não vale tanto para cidades grandes brasileiras como São Paulo. Uma cidade bem azeitada, como Nova York, Paris ou Londres, tem transporte público que as pessoas de fato usam. Cidades favorecem, por sua arquitetura, o transporte de grandes massas de população gastando muito pouco combustível fóssil. Quem vive no campo ou em cidades menores depende do automóvel.
2. Viva em lugares quentes. É preciso menos energia para diminuir a temperatura de um ambiente do que para esquentá-lo. Ar-condicionado gasta menos energia do que aquecedor.
3. Consuma alimentos não orgânicos. Agricultura industrial é mais eficiente. Uma vaca que não foi criada com hormônios e outros truques produz menos leite e emite mais gás. Uma plantação orgânica precisa de mais terra do que uma industrial.
4. Trate as florestas como parques. Árvores são boas e sugam carbono do ar quando saudáveis. Quando já velhas ou mortas, apodrecem e emitem carbono. Deixar as florestas bem capinadas pode transformá-las em máquinas de sucção e emissão quase zero.
5. Confie na China. Nenhum país está produzindo tanta tecnologia de produção de energia limpa quanto a China. Eles têm três motivos para estar nessa posição. O primeiro é poluição atmosférica, um sério problema lá e uma das maiores causas de insatisfação popular. O segundo é a ameaça de enchentes cada vez mais constantes pelo aquecimento nas cidades costeiras. E, por fim, há o enorme mercado externo por painéis de captura de energia solar e afins.
6. Aceite engenharia genética. A agricultura é responsável, hoje, por 14% das emissões de carbono. Temos seis bilhões de pessoas para alimentar. Hora de apostar na eficiência. Modificação genética permite diminuir a necessidade de pesticidas e, principalmente, fertilizantes a base de nitrogênio. Estes fertilizantes são os maiores vilões: são feitos com gás natural, tira-se o nitrogênio, joga o carbono para cima.
7. Abandone o modelo de créditos de carbono global. É impossível monitorá-lo. A árvore que prometeram plantar na Bolívia para compensar uma viagem de avião pode ser cortada sem que ninguém veja. Localmente o sistema pode funcionar.
8. Abrace a opção nuclear. É a única fonte de energia que tem escala industrial e não emite carbono.
9. Compre um carro usado. Fazer carro joga carbono na atmosfera. Muito. Um carro menos poluente precisará rodar muitos quilômetros e queimar muita gasolina até compensar as emissões gastas para produzi-lo. O carro usado já pagou essa conta.
10. No fim, não adianta. Se EUA, Japão e Europa desligarem suas usinas termoelétricas e seus carros agora, ainda assim as emissões de Índia e China farão com que o índice de gás carbônico salte das atuais 380 partes por millhão na atmosfera para as 450 ppm em 2070. Como nada será desligado, a marca será alcançada em 2040. Precisaremos lidar com um planeta mais quente de qualquer jeito. A revista sugere que, com nossa tecnologia, estamos mais bem preparados para lidar com o aumento de temperatura do que para evitá-lo.
Tudo que entendíamos sobre aquecimento global e sua prevenção está errado, portanto? A revista foi corajosa o suficiente para publicar ao fim de suas páginas de conteúdo politicamente incorreto um artigo de Alex Steffen, editor do manual Worldchanging. Ele diz que toda a lista está errada por um motivo simples: ela parte da premissa de que lidar com aquecimento global é fazer aritmética de carbono. Não é.
Há mais do que isso. Aquecimento global não é o problema. É o sintoma. Nos relacionamos mal com o planeta. Precisamos aprender a sermos industriais, urbanos e nos alimentarmos a todos causando o menor impacto possível no ambiente. É aí que está a chave da questão.
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Alguns números e dados que a Economist da semana cita para defender o etanol brasileiro das críticas no exterior.
Um dos problemas dos combustíveis é a relação entre energia gasta para produção e o resultado final. Para cada 1 consumido na produção de etanol de cana, ganha-se 8,2; a relação do etanol de milho é de 1 para 1,5. Ou seja, para produzir etanol de milho é preciso gastar gasolina à beça. Com a cana, açúcar puro, é diferente.
Uma crítica contumaz diz que as plantações de cana expulsam o gado e, portanto, aumenta o desmatamento na Amazônia voltado para pasto. Os canaviais ocupam 7 milhões de hectares no Brasil e apenas metade é voltado para combustível; o pasto ocupa 200 milhões. Segundo a Economist, os canaviais podem se expandir só em pasto degradado sem sequer tocar no preço da carne.
Isto não leva em conta o fato de que a tecnologia para aproveitamento de cana na produção do etanol está próxima de dar um grande salto de produtividade. A manipulação genética já produz espécies com 80% mais de sacarose ou capazes de agüentar sem água por 45 dias.
O grande problema da cana são os trabalhadores, com cujas imagens do serviço exaustivo e degradantes estamos acostumados a ver. São 440.000 homens e mulheres. O problema destes não é que o trabalho seja duro demais. (Um em cada 26.000 bóia fria da cana morre por acidente de trabalho; a média agrícola nacional é um em cada 16.000.) O problema é que espera-se que a colheita de cana seja feita totalmente por máquinas até 2012. São quase meio milhão de pessoas sem qualquer preparação formal desempregadas.
Mas, se este é um problema que o Brasil terá de encarar, ele nada tem nada a ver com impacto ambiental. O etanol de cana é uma das melhores alternativas já existentes para substituir o combustível a base de petróleo.
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A Arábia Saudita promete que aumentará o fluxo de petróleo em direção ao mundo. Maior oferta, cai o preço. Quem sabe assim o barril a 200 dólares nunca chegue.
Muitos analistas estão céticos. Uns dizem que os sauditas já fizeram essa promessa antes e não a cumpriram; outros sugerem que eles sequer têm como. Seu maior campo está próximo do pico e não agüentará o tranco de aumento.
É sempre tudo muito nebuloso quando o assunto envolve Arábia Saudita e petróleo. Há pouca informação e muita interpretação.
Thomas Friedman, do New York Times, vai na contracorrente. Ele acha que os sauditas vão mesmo aumentar a oferta. Acha mais: que eles não têm escolha. George W. Bush está tentando diminuir o preço da gasolina nos EUA a todo custo e combustível é um dos grandes temas das eleições presidenciais.
Para os sauditas, não é apenas o impacto no eleitor norte-americano e o tipo de presidente que podem eleger o que importa. É também o mercado para energias alternativas. Com combustíveis fósseis em alta, mais fábricas de painéis de energia solar ou moinhos de vento surgirão. Maior oferta, menor preço. Nos EUA, por exemplo, onde a energia elétrica vem de combustíveis fósseis, alimentar a casa ou a empresa com uma fonte própria sai em conta conforme aumenta o preço do petróleo.
Vai ainda além: petróleo caro faz com que o desenvolvimento de fontes alternativas seja melhor financiado e, portanto, fica mais eficiente.
Há um ponto ótimo para que a máquina comece a girar. Os sauditas querem mais dinheiro, evidentemente, mas temem uma crise financeira mundial como a dos anos 1970. É preciso alimentar o vício mas sem matar o hospedeiro. E temem que alternativas ao seu combustível comecem a surgir com maior rapidez. Assim vai o raciocínio de Friedman.
E, evidentemente, sempre há um ou outro que vive no mundo maravilhoso de Gordon Brown, o premiê britânico. Ele tem essa idéia: os sauditas ganharam 3 trilhões de dólares. Por que não investem eles próprios em fontes alternativas de energia?
Ora, pois. Quem sabe pedindo por favor não ajuda.
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O portal do Estadão está com uma capa excelente para celebrar, hoje, o Dia Internacional do Meio Ambiente.
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Há um elefante no meio da sala geopolítica. O sempre excelente Gideon Rachman, editor de internacional do Financial Times, o apresenta.
É tudo muito desconfortável. China e Índia estão enriquecendo. E, ao que parece, a nova classe média de lá quer todas as coisas que queremos: carros, máquinas de lavar, até mesmo carne. Aqui no ocidente, temos de nos controlar para não dizer: ‘Parem! Vocês não podem viver como nós. O planeta não agüenta. Nossas carteiras não agüentam. Vocês viram o preço do petróleo?
Igualdade global é a questão desconfortável por trás da crise mundial de alimentos. Também será o problema fundamental nas discussões de energia e aquecimento global.
Não é uma questão de ser contra ou a favor. São os fatos como eles são. O planeta não agüenta. E ninguém tem realmente o direito de dizer que eles não podem.
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Para quem está no poder, ano eleitoral é sempre difícil. Quando a reeleição não é mais permitida, ano eleitoral é o lento caminho em direção à decadência. Em seu último ano, Bill Clinton depositou todas suas fichas na tentativa de criar o Estado palestino. Chegou mais perto do que ninguém jamais havia chegado. Mas não deu. George W. Bush, que ainda não descobriu o que quer fazer com seus últimos meses, já está percebendo que o governo não segue mais suas diretrizes. O exemplo mais nítido disso é o do aquecimento global.
Os poucos senadores republicanos que faziam troça da ciência que comprova as causas humanas do aquecimento foram para o fundo da sala. Estão quietos. O novo líder do partido, John McCain, já defendia medidas para reduzir as emissões de carbono norte-americanas desde antes de o assunto ser moda.
McCain é favorável ao sistema de créditos de carbono, no qual às empresas é imposto um limite de emissão e, a partir daí, devem comprar ‘créditos’, ou seja, financiar programas de captura de carbono na armosfera. Boa parte da bancada republicana tem horror à idéia. Enquanto os anti-cientificistas se calam porque não têm mais espaço, os menos radicais buscam alternativas mais ‘amigáveis em relação ao mercado’. Querem poupar as empresas de gastos excessivos.
Ainda que novas leis não sejam aprovadas de imediato, cortes de impostos para a indústria do petróleo – que aconteceram durante o governo George W. Bush – estão fora de cogitação. O clima já é outro no Congresso e mais rigor virá.
(Tudo, naturalmente, mudará no caso de uma derrota de John McCain. Se acontecer, a trupe contra a ciência do aquecimento volta à tona. Mas, a essa altura, num possível governo Barack Obama – ou, vá, Hillary Clinton – tudo faz crer que a bancada republicana será bem menor na Câmara e no Senado.)
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Marcos Sá Corrêa faz, em O Eco, uma análise do que representa a queda de Marina Silva e a elevação de Carlos Minc para seu cargo à frente do ministério do Meio Ambiente. Trechos:
No ano passado, o PAC foi o atestado oficial de que Marina Silva tinha ficado para atrás, em seu próprio território. Na Amazônia, onde ela queria botar, com fé meio cega, mas sincera, assentamentos de sem-terra, reservas indígenas, populações tradicionais e outras trincheiras muito sociais e pouco ambientais das políticas de conservação da floresta, o governo resolveu pôr estradas, portos, canaviais e usinas, anunciados com ostensivo descaso pela ministra.
Não é de ontem que Marina Silva estava à sombra da ministra Dilma Rousseff, que é francamente hostil ao ambientalismo, como todo administrador essencialmente autoritário. Abaixo da Casa Civil, o ministro Mangabeira Unger ultimamente se arvorou de palpiteiro-mór do desenvolvimentismo na Amazônia, tomando as rédeas do PAS, que não passa de um PAC regional com outra sigla. Ou seja, até as funções indefiníveis do ministro de Assuntos Estratégicos passaram a valer mais que as da ministra do Meio Ambiente. Demitida pelo visto ela já estava. Faltava só demitir-se, antes que o segundo ou o terceiro escalão do governo atropelassem sua pasta. […]
Por dentro, sua demissão mudará pouco o governo. Ela já estava mesmo meio fora da equipe. Com o secretário estadual Carlos Minc em seu lugar, talvez diminua o ruído. Minc é o abre-alas da escola carnavalesca do ambientalismo brasileiro. Tende a evitar atritos com a vanguarda interna do desflorestamento, para procurar seus adversários o mais longe possível de Brasília. É longe do Brasil, no exterior, que Marina Silva fará falta. Sem ela, o presidente Lula perde a última ficha para freqüentar mesas de quem aposta no futuro da floresta.
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Criamos uma companhia chamada Aracruz Florestal, de plantio de eucalipto. Porque a primeira idéia era a de exportar tipos, como, aliás, muita gente faz hoje em vários países, inclusive o próprio Brasil. Mas aí se decidiu fazer celulose. Então, foi fundada a Aracruz Celulose, que é o que você conhece hoje. Durante esse período em que eu estava na Vale do Rio Doce, nós começamos a fazer parques florestais. Mais tarde, ainda no tempo em que estava na Vale do Rio Doce, compramos a floresta de Linhares, que era uma floresta nativa, na época em que o estado do Espírito Santo estava sendo devastado. Nós compramos aquilo para preservar. A desculpa para a diretoria da Vale aceitar a aquisição foi a que se tratava de uma fazenda de dormentes. Era a única maneira de aceitarem um investimento como aquele em uma época na qual todos estavam queimando floresta para fazer pasto. Aliás, como até hoje fazem na Amazônia. Isso em 1954, 55, 56, por aí. A reserva foi comprada, não se tirou nenhum pau para fazer dormentes. Foram criadas lá pesquisas, além de um herbário para estudar as madeiras locais. Infelizmente muita pesquisa só atingiu o problema do uso mercante da madeira e não para usos da farmacologia, indústrias químicas e outras utilidades.
Em 1991, o sr. Stephan Schmidheiny [fundador da Avina] foi convidado pelo presidente da Conferência do Rio, sr. Maurice Strong, para fazer a Rio-92. Ele então veio para o Brasil, visitou a Aracruz, que também trabalhava com esta linha e já tinha essa preocupação de juntar floresta nativa com espécies exóticas. Isso porque a floresta nativa abriga animais e plantas, e a interação entre fauna e flora é extremamente importante. Curiosamente, a introdução de sementes exóticas pode prejudicar alguns setores, mas também pode beneficiar muitos outros. Você não vai plantar eucalipto em uma nascente. Em compensação há plantas exóticas cujo período de dormência no inverno lá fora corresponde ao período de seca aqui, portanto ela não suga água no período da seca. Então beneficia a nascente. Durante a visita, o sr. Schmidheiny foi à Aracruz e a Carajás. Ele notou que estávamos trabalhando bem, isso está no livro ‘Sustentabilidade’. Ele diz lá que nós já praticávamos essa combinação dos lados ambiental, econômico e social simultaneamente. (lê trecho do livro) ‘Eliezer Batista, na época diretor da Rio Doce Internacional, defendia o desenvolvimento sustentável antes da conferência do Rio e permanece como um de seus defensores desde então’. E viu isso realizado lá em Carajás. Aí ele teorizou toda a noção do desenvolvimento sustentável, que não é nada mais do que isso. Foi daí que saiu a Conferência da Rio-92, mas pouca gente sabe que se originou dessa maneira.
Hoje, a única coisa imediata que você tem para mitigar os efeitos do clima é o plantio de árvores. Não há mais nada de efeito imediato. Será preciso usar energias alternativas, mas tudo isso vai demorar muito tempo. Para efeito imediato, o que existe é recuperar. Não há água sem florestas. E sem água não tem vida. A floresta é uma maneira de recuperar os recursos hídricos e, portanto, recuperar a vida, recuperar o ambiente. Esse é um dos primeiros passos, coisa que estamos tentando fazer em Minas Gerais agora.
Eliezer Batista
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A nova legislação, na Califórnia, exige que toda construção residencial erguida a partir de 2020 tenha gasto zero de energia. A partir de 2030, a regra vale também para as comerciais.
Gasto zero de energia?
Zoka Zola, uma premiadíssima arquiteta croata que vive em Chicago tem um projeto em construção. É a Glass and Bedolla House, uma casa de três andares que produz toda a energia consumida ao longo do ano.
Há três tipos de gerador de energia. Um geotérmico – aproveita o calor do solo –, painéis solares e moinhos de vento. Evidentemente, nada é tão simples. Com o apagar e acender de luzes, aparelhos eletrônicos diversos, aquecimento para inverno com neve, a energia consumida por uma família de classe média norte-americana não é pouca.
É onde entra a arquitetura. O local onde a casa está sendo construída foi estudado por um ano. Zola e sua equipe documentaram onde o sol bate, a que horas, em que estação. A casa é toda é recortada por grandes janelões de vidro móveis. Durante o verão, abertos, eles ventilam e refrescam o espaço. Uma árvore ao sul, cuidadosamente alocada, faz sombra. No inverno, o sol atravessa as janelas e esquenta o concreto imposto no interior, aquecendo o espaço.
É uma casa iluminada o dia todo, enquanto há luz do sol. As paredes externas são cobertas por trepadeiras, o telhado por grama, musgo e ervas. Fazem isolamento térmico.
A idéia é inspirar. Uma pista de como serão as casas no futuro.
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Um leitor de esquerda me escreveu assustadíssimo esses dias perante a acusação feita pelo governo colombiano de que Hugo Chávez havia cedido 300 milhões de dólares às Farc: ‘Será que o Olavo de Carvalho está certo?’, ele perguntava. Outro – este de direita –, aqui na caixa de comentários, vinha todo empolgado provar que o site do Foro de São Paulo no Brasil pertencia ao PT. (Não é novidade.)
Neste meio tempo, um terceiro leitor me cobrou: ‘você não pode ficar em cima do muro, não pode dizer que não gosta de Chávez e que não gosta de Uribe’. Coisas deste tipo tenho ouvido muito, recentemente. ‘Finalmente mostrou sua verdadeira cara!’, dizem uns perante um tipo de comentário. ‘Amadurecendo!’ dizem outros. ‘Enfim um mínimo de sensatez perante os opressores’, vão uns terceiros.
A crise andina serve para mostrar que o nível da conversa anda surreal. Não é só aqui no Weblog. É em toda a blogosfera.
Estamos caminhando para um regime multilateral em que países diferentes terão poder suficiente para interferir na economia e na diplomacia mundiais. Os EUA continuarão, mas virão China, União Européia, possivelmente Rússia, Índia, Brasil, talvez até a África do Sul. Alguns destes países são democracias, outros não. Um deles é uma ditadura. Outros se encaixam num estranho e desconfortável meio termo que vem se espalhando pelo planeta, espécies de ditaduras democraticamente eleitas.
Nenhum destes países (ou bloco de países) tem um currículo escorreito de defesa dos direitos humanos. Há pressões étnicas e culturais de todo tipo trazidas pela globalização. Nos anos 90, a esquerda a atacava com argumentos econômicos. Hoje em dia, percebendo que as culturas se misturam mesmo, é a direita que a ataca. Globalização boa é aquela na qual a gente dita as regras, dizem ambos.
Há pressões econômicas. Perda de emprego, necessidade de melhor educação para competir, queda dos níveis de natalidade entre os mais ricos, guerras civis brutais estourando nos cantos mais pobres. Há grupos econômicos, grandes corporações, que têm mais poder que muitos países e não se sentem obrigadas a seguir nenhum padrão ético. Há pressões ambientais. Há um ataque frontal do obscurantismo contra a ciência. Há um apelo da religião por mais poder político. Há um desejo da religião de ditar o comportamento da sociedade interferindo no Estado. É preciso consumir petróleo porque é o petróleo que gera riqueza e, sem gerar riqueza, justiça social não é possível. Mas o petróleo também sustenta ditaduras sangrentas e envenena o planeta de uma forma tal que não temos como prever ao certo suas conseqüências ou nossa capacidade de repará-las.
O mundo anda complicado. Imensamente complicado. Todos aqueles problemas que sempre tivemos – racismo, genocídio, ditadura, populismo, pobreza, doenças –, tudo continua a existir. Alguns problemas que pareciam ter ido embora, voltaram: é o caso da interferência da religião no Estado. E há uma penca de problemas novos que vão do Aquecimento Global ao estudo de células tronco ao terrorismo com alcance global.
Enquanto o mundo anda mais complicado do que jamais foi, esquerda e direita abraçam velhos conceitos. Não importa a evidente violência com que agem as Farc, tampouco o fato de que a sociedade colombiana está exausta delas. Se é uma guerrilha, ainda mais com discurso de esquerda, há de ser bom. Não é. São só golpistas assassinos, torturadores. Uma gente que prende outras por anos a fio. Já passamos desta fase na América Latina. Seria bizarro o suficiente se não houvesse pelo mundo gente à direita que jura combater um comunismo inexistente e que, além de se embaralhar na bandeira religiosa, age com um anti-cientificismo grosseiro.
É um jogo de estereótipos e de cartas marcadas. Se você é de esquerda, tem de ser pró-Palestina; se de direita, pró-Israel. Se de esquerda, anti-EUA; se de direita, há de estar convencido da decadência européia. O raciocínio corrente é que o amigo de meu inimigo, por via das dúvidas, é com quem me alinho. É a insistência de ver o mundo com um bilateralismo que não corresponde mais à estrutura real, econômica ou social do mundo. E, assim, abre-se espaço para os demagogos de esquerda e de direita.
Pois bem: cá neste Weblog, cada situação continuará a ser encarada por si. Sou de esquerda e continuarei de esquerda. Para mim, isto quer dizer que o Estado laico tem responsabilidades econômicas perante a sociedade, deve serviços a ela. Quer dizer que acredito que as empresas também têm responsabilidades econômicas e sociais perante a comunidade que as sustenta. Acredito em liberdade de expressão sobretudo e não acredito em laissez-faire sem vigília. Mas entre as idéias de Thomas Jefferson e as de Lênin, sigo com as de Jefferson.
Não é difícil ter problemas com Uribe e com Chávez ao mesmo tempo. Basta não achar que qualquer ilegalidade é justificada para combater o outro lado.
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Os Estados Unidos nunca mais vão torturar um único preso sob sua custódia. A prisão de Guantánamo será fechada imediatamente e todos os prisioneiros, lá, serão transferidos para o Forte Leavenworth, no Kansas. Vou enfrentar as mudanças climáticas e tentarei ao máximo encontrar neste tema algum acordo que inclua Índia e China. Os EUA voltarão a atuar de forma multilateral.
John McCain, em entrevista ao diário espanhol El País, sobre que tipo de governo faria caso fosse eleito.
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Utilizando fotografias e estudos da Nasa, o site do Discovery Channel desenvolveu um modelo do globo terrestre visto neste momento da história. O objetivo é retratar a crise ambiental do planeta.
O globo pode ser girado em qualquer sentido e já existem alguns filtros que podem ser aplicados a ele. Um mostra o aumento recente de temperatura das diversas correntes marinhas; outro, a formação e caminho seguido pelo furacão Katrina, que arrebentou Nova Orleans, nos EUA.
O projeto é maleável. Brincando com o sistema é possível interpolar as nuvens que cobrem a Terra nas últimas 24 horas ou as anomalias na temperatura da superfície dos oceanos.
Não é um sistema simples – interpretar o que se vê na tela depende de um certo acompanhamento do noticiário científico. Mas é um brinquedo e tanto.
via Metafilter
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O homem não é a primeira espécie a mudar drasticamente o clima do planeta. As plantas já o haviam feito – a diferença é que não tinham consciência do que faziam. A mudança, agora, é grande o suficiente para quem um grupo cada vez maior de cientistas defenda a idéia de que mudamos de Era Geológica.
Segundo a tradição científica, estamos no Holoceno, período que se iniciou há 11.000 anos, quando terminou a última Era Glacial. Em 2000, o químico Paul Crutzen, sugeriu que o Holoceno já havia terminado. Quando Crutzen fala, a comunidade científica ouve. Afinal, ele é um dos que provou o impacto dos CFCs na Camada de Ozônio, feito que lhe valeu um Prêmio Nobel.
Mas o que ele tinha era uma idéia, uma sugestão, não mais que isso. Agora, um paper publicado na revista da Sociedade Americana de Geologia por geólogos britânicos convoca quem é da área a levar a idéia a sério. O Holoceno, dizem seus autores, terminou. O clima da Terra já não tem as mesmas características e tampouco segue exatamente as mesmas regras e ciclos que seguiam no Holoceno.
Entramos, dizem Jan Zalasiewicz e Mark Williams, no Antropoceno. E ele teria começado na época da Revolução Industrial.
Tags: Energia e Aquecimento global
Numa típica casa de classe média norte-americana, o consumo elétrico dos ‘aparelhos vampiros‘ representa de 5 a 8%, às vezes chega a 10%, da conta de energia elétrica – número do Departamento de Energia dos EUA, equivalente ao nosso ministério.
‘Vampiros’ são os aparelhos que consomem energia mesmo quando ninguém os usa. É o relógio do videocassete ou microondas, o led da televisão, um computador ligado horas com o screen saver – consoles de videogames que permanecem ligados são os campeões estatísticos.
A energia elétrica jogada fora assim representa 1% das emissões anuais de carbono em todo o mundo.
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São duas as histórias para serem contadas a respeito da reunião da ONU para discutir o aquecimento Global, que terminou em Bali no último fim de semana.
A primeira é a virada de mesa que China, África do Sul e Brasil lideraram contra os EUA. Os três lideram o grupo chamado G77 + China, que reúne incontáveis países em desenvolvimento. O plano norte-americano era não assinar nada e como qualquer decisão viria apenas por consenso, a atitude dos EUA tornaria a reunião inútil.
A pressão começou por parte da União Européia. Os países membros ameaçaram boicotar o MEM, reunião que acontecerá em setembro, nos EUA, para tratar de que tipo de tratado sucederá o de Kyoto. Esta reunião, proposta por Washington, é a tentativa de George W. Bush mostrar alguma liderança na questão. Sem a Europa, não haveria encontro.
Mas o que virou mesmo foi, ao longo do dia de sábado, a série de discursos por parte de países em grande parte do hemisfério sul, o G77 + China, que tinham por mensagem, simplesmente, ‘não quer liderar, então não atrapalha’.
Se a diplomacia dos EUA não mudasse de posição, o Partido Republicano cairia em cima de Bush. A última coisa que precisam, num ano eleitoral que já parece difícil, é de seu país, sozinho, obstruindo qualquer acordo para lidar com o aquecimento global. Ainda mais porque, na defesa de que o homem não tem nada a ver com o aquecimento global, Bush está cada vez mais isolado perante seus eleitores.
A segunda história serve para derrubar um pouco do ufanismo pátrio pela habilidade de nossa diplomacia. O Brasil não pode ser chamado de herói, neste caso. Em Bali, pela primeira vez, enfrentou-se uma questão importante, que é a da preservação de florestas tropicais.
A questão não é complicada. Mais carbono no ar faz com que o calor do Sol fique preso na Terra, o que gera aquecimento. O carbono em excesso vem de várias fontes. Combustível fóssil – petróleo, por exemplo – estava preso, mineralizado, nas profundas do planeta. Tinha saído do sistema. Quando o homem o traz de volta e joga boa parte no ar, dá problema. Mas há outra fonte igualmente importante, que é a queima de florestas. Seres vivos são feitos, basicamente, de carbono, hidrogênio e oxigênio. Queime uma árvore e dois males são cometidos. O primeiro é que parte daquele carbono do tronco se manda para a atmosfera; o segundo, e mais grave, é que uma árvore consome carbono em seu processo de alimentação. Ela tira carbono da atmosfera. Queime hectares e hectares de uma floresta e o resultado é sentido pelo planeta. Em números: 20% das emissões humanas de carbono vêm do desflorestamento.
Isto quer dizer que, embora a indústria brasileira seja razoavelmente inocente e o impacto atmosférico da geração de eletricidade em hidrelétricas – nosso caso – seja mínimo, as queimadas na Amazônia fazem do país um dos maiores emissores de carbono. A Indonésia, que vem logo depois de nós em tamanho de florestas e biodiversidade, é o terceiro maior emissor do mundo, seguido de EUA e China.
O governo brasileiro se propõe a agir contra queimadas mas não quer um tratado internacional para obrigá-lo. Ele é contra, particularmente, um programa chamado REDD – Redução de Emissões por Desflorestamento e Degradação. A proposta do REDD é tecnicamente complexa pois envolve mensurar a degradação, mas pode ser resumida da seguinte forma: o mundo paga a países que tem muitas florestas para mantê-las intactas. Muitos países pobres alegam que a preservação de suas florestas atrasa seu desenvolvimento e, portanto, a melhoria de vida de sua população. Pagos num sistema de créditos de carbono, tudo é compensado.
O argumento da diplomacia brasileira é que mensurar o desflorestamento é complicado demais. E que os reais vilões são países como EUA e China que queimam carvão para gerar luz. Na verdade, Brasília não quer parecer a vilã da história. E, junto com a Indonésia, o Brasil seria, sim, o maior vilão desta história. Nossa incapacidade para preservação das matas é notória. Há quem argumente que a posição do Brasil é tola. REDD, junto com etanol, são maneiras de o país faturar alto com o problema do aquecimento global. Só precisa agir, na Amazônia, com a mesma competência que age na produção de biotecnologia agrícola e de combustíveis.
Esta, em Bali, o Brasil perdeu. Como no caso da derrota – maior – dos EUA, não quer dizer muito. Só o que se decidiu, em Bali, é que todos os países do mundo vão sentar e discutir um novo tratado para além de Kyoto. O que está decidido são só os temas da agenda de discussão.
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