Tópico 1.
Há alguns focos de tensão neste Weblog. Pessoalmente, acho natural que a questão do ódio racial deixe muitos com os nervos à flor da pele. Ódio entre grupos humanos – sejam eles definidos pela religião, pela língua, pela etnia ou por qualquer outro aspecto de suas culturas – foi (e ainda é) a causa dos piores crimes praticados por nossa espécie.
Aí de presto na discussão um me acusa de favorecer um grupo; o segundo acusa o terceiro de tolerância excessiva; o quarto vem e diz que o ódio do grupo azul é na verdade menor do que o sofrido pelo verde.
Só que esse ódio é todo igual.
Hora de esfriar os ânimos – discutir nosso lado mais negro sem nos acerbarmos é difícil, mesmo. Não custa lembrar a todos que, para alguns dentre nós, a experiência do ódio racial não vem de livros; vêm das histórias que o pai contava de sua infância em casa. Ainda assim, isto não é desculpa para que ninguém perca a elegância.
Tópico 2.
Off topics estão passando do limite. É injusto dado que a política recente do Weblog provê Open threads suficientes para a discussão de qualquer assunto.
Os últimos tempos me forçam a mudar as regras do Weblog. Ponham o link para textos que queiram recomendar aos outros. Toda citação de outros sites que passe do tamanho que eu considerar razoável – tenho em mente um parágrafo, mais ou menos quatro ou cinco frases – será eliminada independentemente de seu conteúdo.
Tópico 3.
Os dois itens anteriores se referem a civilidade e elegância. A maioria das pessoas aqui sabem portar-se em comunidade. Sabem que há uma diferença entre opinar e doutrinar. Sabem que este não é um jogo de o quanto vou conseguir irritar todos ao meu redor.
Manter o Weblog dá trabalho – e não é pouco trabalho. É um trabalho do qual gosto por dois motivos. O primeiro é o que aprendo e o quanto me mantenho informado enquanto busco o que publicar; o segundo e igualmente importante é o debate. É outro aprendizado. O debate é com vocês – e o prazer do debate, de ouvir, de se surpreender com novos ângulos apresentados, de aprender com novas informações, de ser surpreendido com um ponto de vista antagônico e pensar como se deve retrucar é um prazer muito sofisticado.
Alguns dos que mais enchem a boca para falar em democracia, por aqui e pelo mundo, não entendem esta forma de prazer. Acham que democracia é tolerar quem pensa diferente. No fundo, são ditadores. Estes não entenderam nada. Azar o deles.
Ou azar o meu quando começa a dar trabalho demais.
Tópico 4.
Este Weblog vai bem. Entre 29 de agosto e 28 de setembro, recebeu 51.748 visitas, dentre as quais 53% foram visitas de gente nova. Quase 70% de quem vem pela primeira vez retorna. O visitante passa uma média de 4 minutos no site. No período, 117.960 páginas foram visitadas. São todos números superiores à média do Weblog em NoMínimo. Os números do Technorati, que mede os links entre blogs, o confirmam. No último ano de NoMínimo, o Weblog foi citado por 162 blogs diferentes. De junho para cá, foi citado por 183.
Não são, certamente, números grandiosos quando comparados a blogs constantemente presentes nas primeiras páginas dos portais. E há, sim, uns dez blogs independentes brasileiros com números maiores do que estes.
O forte do Weblog está noutro ponto: a comunidade. Há vida aqui. Comentários, gente se expondo, gente lendo. Vida mesmo: não é um pequeno grupo que reforça as idéias uns dos outros. Discorda-se. Mas a conversa segue. A comunidade é muito maior do que os comentaristas. Muitos de vocês se surpreenderiam em saber que há torcidas. Muitos que só participam via email vêm aqui ao Weblog diariamente, mais de uma vez por dia até, para ler o que disseram aqueles com quem sempre concordam ou o que aprontaram os de quem sempre discordam.
São mais de 15 anos trabalhando em comunidades virtuais. Eu gosto – é o barato da Internet.
Tópico último.
O que nos traz à questão do trabalho. Fazer o Weblog dá trabalho mas dá prazer. Se eu tiver que virar um censor constante de quem está tentando mudar o assunto onde não cabe, o prazer diminui e trabalho não remunerado sem prazer não tem graça alguma.
Os anúncios do Google renderam até hoje 60 dólares. O sistema de relacionamento com a Livraria Cultura, 25 reais. É um passatempo.
Há muitas maneiras de me remunerar pelo trabalho. Uma delas é mantendo o prazer do ambiente. Um bom botequim a gente até paga para freqüentar.
Outra é, na hora de comprar um livro pela Internet, cogitar fazê-lo seguindo um dos anúncios para a Livraria Cultura que estão sempre por aqui. Não custa um tostão a mais e pingam 4% deste lado.
Uma terceira forma é não deixar de clicar em qualquer anúncio do Google que possa interessar. O clique faz uns centavos de dólar pingarem.
Se eu enchesse de anúncios o espaço, aumentaria a renda. E sujaria o lugar também, tirando o prazer. Sem prazer não vale. Acho que o banner grande ali em cima e o pequeno, na área de comentários, dão uma média bacana. De repente porei um terceiro na barra lateral ou no pé – a ver.
Há uma quarta forma possível de colaboração. Boa parte do meu trabalho como jornalista é ler. Há uma lista reservada para minhas compras futuras na Amazon e outra na Livraria Cultura. Alguns de vocês me perguntaram se há alguma forma de fazer uma doação ao Weblog. Pois um livro cai bem.
Esta lista estará na terceira coluna do Weblog a partir de agora.