Obama inicia conversa sem pré-condições com Coreia do Norte

Coreia do Norte · EUA · 5/08/2009 - 08h02 - 99 Comentários

Em 1994, Jimmy Carter visitou a Coreia do Norte e esteve com o então ditador Kim Il-sung. O presidente Bill Clinton não gostava da ideia. Não é sempre que as aventuras diplomáticas de Carter dão certo e a estratégia norte-americana era a de isolar o ditador coreano o máximo possível. Mas, naquele caso, a visita de Carter deu certo. Até então, os EUA estavam decididos a promover um ataque aéreo que destruísse o sítio de obras de instalações nucleares. Carter retornou com uma proposta de diálogo que congelou o projeto norte-coreano por quase uma década.

Oficialmente, nada é oficial.

Bill Clinton, agora um ‘homem privado’, entrou na Coreia do Norte em uma avião sem qualquer identificação com a missão exclusiva de soltar as repórteres Laura Ling e Euna Lee, da TV Current.

Estive na Current, em San Francisco. É uma operação miúda com alta tecnologia. No pequeno prédio de tijolos vermelhos esmagado por dois arranha-céus, a sala de Al Gore, toda envidraçada e com um enorme pôster do planeta Terra na parede, se destaca. A operação é tão pequena que não tem muitos jornalistas além de Robin Sloan, um sujeito jovem mas talvez a cabeça mais criativa na união entre tevê e internet que há nos EUA. A Current de Al Gore funciona contratando freelancers. As repórteres não são suas empregadas. Propuseram uma matéria, a turma topou. Era muito mais arriscado do que parecia a primeira vista.

(Vida de repórter online, independente, é bonito; ter uma grande empresa jornalística para defendê-lo em caso de algum problema em missões delicadas é fundamental. As moças tiveram a sorte de ter por chefe o ex-vice-presidente dos EUA.)

Já estava garantido a Clinton que, se ele viesse e conhecesse o filho de Kim Il-sun, Kim Jong-il, ele voltaria com as moças. Deu certo. Obama, oficialmente, não falou com o ex-presidente. Mas não é coincidência que Clinton, além de ex-presidente, é também marido de quem comanda a diplomacia norte-americana. E que, a seu lado, estava John Podesta, assessor informal do atual presidente. A missão de Clinton só era informal em nome. Trancado por trás das portas, ele e Kim Jong-il não conversaram apenas sobre as moças.

Durante a campanha presidencial, Barack Obama disse que seu governo negociaria sem estabelecer pré-condições com qualquer outro governo. Na época, Hillary Clinton fez graça.

Pois Obama acaba de começar a fazê-lo. Através de um Clinton.

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