A revolução sexual do Irã

Irã · Sexualidade · 20/07/2009 - 04h58 - 203 Comentários

Está nas bancas a última edição da Trip e, nela, dois textos meus. Um conta a história de Karen Junqueira, a atriz moça desta segunda que o Duran fotografou e que fará Bruna Surfistinha no cinema. O outro texto é de onde vem esse trecho:

Entre 2000 e 2007, Pardis Mahdavi havia viajado todo verão para o Irã, terra de seus pais. Quando pisou pela primeira vez em Teerã e conheceu as primas de sua idade, tinha 21 anos. Falava fluentemente a língua persa, embora com um ligeiro sotaque que todos logo identificavam como americano. A vida em Teerã não era nada como imaginara. Esperava encontrar na terra dos aiatolás um mundo repressor – encontrou entre as primas e suas amigas mais liberdade do que ela, criada na comunidade do exílio nos arredores de Los Angeles, tivera. Descobriu o que ela, nos anos seguintes, passou a chamar de Revolução Sexual Iraniana. Mas nada do que vira até ali a preparara para aquela festa em sua última visita.

Eram 40 ou mais jovens. No meio da grande sauna, uma piscina esvaziada. Calor, vapor. Ecstasy rolava e a batida do tecno ensurdecia. Pardis encostou-se numa parede. Buscou sua amiga, mas ela estava abraçada a três homens que a beijavam e despiam. Todos nus. Sexo – sexo de todas as formas praticado ali na sua frente. Ainda vestida, a jovem antropóloga sentia calor, suava, sua roupa encharcada. Achou melhor ir-se embora, deixou a sauna e de longe viu a casa grande. Entrou pela porta da cozinha, bebeu um copo de água gelada. Um empregado a encontrou. Tinha a cara amarrada. “O que você quer?”, ele perguntou. “Um táxi”, ela disse. Ele pediu pelo telefone.

Escrevi a primeira versão desta reportagem antes de as eleições presidenciais terminarem no impasse. Por baixo dos panos, uma profunda mudança social está acontecendo no Irã. Mudanças de comportamento raramente deixam o status quo inalterado. Foi assim com os anos 1960 no ocidente. Faltamente será assim na antiga Pérsia.

Ainda sobre o assunto:

  1. Turismo sexual negro para o Brasil Faz algum sucesso, entre os negros nos EUA, o livro Don’t blame it on Rio. Ele descreve uma crescente onda...