RT @MarceloBranco: lamentável! Igual ao Sen. Azeredo do PSDB aqui RT @portalr7: Chávez diz "internet não pode ser uma coisa livre" http: ... 2010/03/15
@stefaniegaspar O caderno de música estreia no sábado que vem. 2010/03/14
Eu tenho medo de entrar numa biblioteca destas e nunca mais conseguir sair, dominado pela compulsão de leitura. ;)
2
Confetti*
7/9/2009 - 09h02
whaou !! o real gabinete de leitura, no rj ! que beleza !!
parece aquela do internato de harry potter
aplausos*
3
Confetti*
7/9/2009 - 09h02
radical, é melhor tbm nao ser alérgico…deve ter uma poeirinha maldita…:-))
4
Alba
7/9/2009 - 11h23
Que sonho de biblioteca!
5
Chesterton
7/9/2009 - 11h44
Bem, eu diria que é parecido com o Real Gabinete Portugues e Leitura, no Centro do Rio, que é simplesmente sensacional e de entrada franca. Se não existir outro Real gabinete (parece que o do Rio não era o único)então é ele mesmo.
6
Confetti*
7/9/2009 - 11h54
é ele mesmo chesto !! coisa linda né…patrimonio tombado…:))
7
mementozilla
7/9/2009 - 13h29
Não há perigo de alergia. Passei meses inteiros de minha vida ali e não dei nem um espirrinho que fosse. É lindo. Um dos mais incríveis pontos turísticos do Rio.Pena que o entorno estaja degradado, parece Calcutá (a real, não a da GP, a da “dancinha”).
8
Samoça
7/9/2009 - 15h32
Lugar bonito!
9
ana
7/9/2009 - 16h41
É lindo, maravilhoso! Fica bem ali na Praça Tiradentes, atraz do Teatro João Caetano.
Uma visita demorada num lugar assim é um dos meus sonhos de consumo…
13
João Daltro
7/10/2009 - 11h25
Faz muito tempo que não vou ao Real Gabinete, mas espero que esteja bem conservado. Tanto o interior quanto o exterior do prédio são extremamente característicos, não havendo outro igual no Rio. Outro prédio muito bonito é o da Biblioteca Nacional, mas como lá as estantes não ficam à vista do público não sugere, por dentro, a mesma impressão de “templo” da leitura que o Gabinete desperta. O que o Gabinete tem de gótico a Biblioteca tem de neoclássica. Sua ampla sala de leitura, com o pé direito altíssimo que sempre me impressionou e as largas janelas com vidros bisotês, perde em intimismo para a do Gabinete mas dão uma ilusão de racionalidade em pleno centro caótico do Rio.
Ah, bons tempos em que se achava importante criar prédios como esses apenas para permitir ao povo o acesso à leitura. Hoje, leitura é twitter…
14
Pai do Pedro, sem apostos
7/10/2009 - 21h23
Pedro, lembre-se que sou Protector da Biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura desde 1958. Tenho bodas de ouro de lá, portanto.
15
surfando na jaca
7/10/2009 - 21h34
O RGPL vai bem obrigado. Mal vai a Praça Tiradentes e arredores. Só vendo para crer.Sujo, muito sujo. A escadaria da ex-chiquésima Igreja de São Fco de Paula vira albergue para centenas de mordores de rua. E a bolsa da gente ali, corre mais risco que no Congresso Nacional. E tenho a impressão que é possível pegar DST só de respirar nos arredores. Assustador.
16
surfando na jaca
7/10/2009 - 21h35
Saiu com o nick do Surfando, mas fui eu, a terrível Mementozilla que descrevi os arredores do RGPL.
17
surfando na jaca
7/10/2009 - 21h58
Pai Doria, também dei um dinheirinho para aquela portuguesada. Depois sai fora. Mais engraçado foi a cara do portuga quando pedi um livro de economia. Olhou-me-me com uma cara entre o nojo e o espanto. Era aluno de graduação e não sabia que lá livros de economia é raridade e coisa mal vista.
18
Pai do Pedro, ou Doria Velho
7/11/2009 - 08h12
Tenho um tataravô que foi organista da igreja de S. Francisco de Paula, comecinhos dos 1800s. Parece que Luiz Edmundo fala dele; Clemente José Ribeiro de Sousa.
No RGPL só folheei velharia. Economia, compro na Amazon. Aliás, Jaquito, o livro Crise na Economia, que editei com o Cosenza, ex-presidente do teu Corecon, tá pronto. E vai ter várias festinhas de lançamento.
19
surfando na jaca
7/11/2009 - 09h36
Esse Pai emérito não tem jeito. Fui, então, recorrer ao analista de Bagé.
Vejam só. Um avôssauro do Doria provavelmente serviu a cicuta ao Sócrates. Outro taradoavô abanava Cleópatra. Outro doriaenricado financiou a expedição de Colombo. Foi um Doria que entregou a carta para a proclamação da República. O tio-bisavô servia de correio para o Machado de Assis. Mais um Doria fora parente do Prudente de Morais. O próprio Doria estava no Palácio da República como moleque de recados, quando o Vargas se suicidou. Enfim, os Doria foram sempre figuras secundárias e ninguém lembra deles. Por isso esse ego inflado barbaridade.
Vou mais além, peço ao Pedro que lance a candidatura do Pai Emérito a vice (sempre em segundo plano) do Serra,pois só político faz tanta propaganda do fez ou faz. Arrê, égua!
20
Mementozilla
7/11/2009 - 14h25
Bocejo… Acho que li toda a coleção d’O Malho. E uma edição portuguesa do Rabelais com as belíssimas ilustrações do G. Doré.Que também deve ter sido parente dos Doria, é até parecido. Doré, Doria. Não vi nenhum parente meu citado por lá,(nem n’O Malho, nem no Rabelais)o que é reconfortante e tranquilizador.
21
El Torero
7/11/2009 - 15h27
Que coisa mais linda…lá por outubro vou ao Rio visitar uns amigos, quero conhecer isto.
#
Uma das mais famosas praias aqui de Floripa, Praia da Joaquina, deve o nome a uma Dória. Não é Seu Francisco?
22
Pai do Pedro, ou Doria Velho
7/12/2009 - 01h38
Jaquito, vais ao lançamento do meu livro - secundário - pra me esculachar ao vivo, e dizer que não sei nada de economia?
(Ou das outras coisas.)
Doria, o Secundário.
23
Pai do Pedro, ou Doria o Secundário
7/12/2009 - 01h39
Desculpe, corrigi o tag agora…
24
surfando na jaca
7/12/2009 - 10h31
Pai Doria,
devo me ausentar do blog,do país e do povo reaça em breve. Mas fico feliz por seu livro, faço votos de sucesso e acho mesmo que não deves saber lhufas de economia, mas eres um tremendo enrolador em várias áreas. Já dizia o sábio Hegel em suas preleções à massa ignara (os chestertons da vida)que o que é tudo é nada. Não fique tristinho, junte-se aos secundários, como 99% da humanidade, já que os 1% dos canastrões da glória histórica não poderiam alcançá-la sem nós.
Quanto a esculhambá-lo, ao vivo e a cores, é desnecessário. Sou homem educado de muitas gerações polidas, anteriores a dos Doria, e a mim me basta o que escreve nesse maroto blog. Tenho mesmo é pena do Pedroca, que escuta anos a fio essa ladainha da saga dos Doria e esse ego incontido do Pai Emérito. Haja paciência! Precisamos nos educar para a convivência com os que amamos. Tenha pena de seu filho Pedroca Doriano, que é querido por todos daqui.
25
Pai do Pedro, ou Doria le ci-devant
7/12/2009 - 10h49
Querido Jaquito,
Me desculpe, querido Jaquito, mas você é imensamente preconceituoso. E exibe os preconceitos brasileiros quase que arquetipicamente.
Sou, sim, um ci-devant, estilo brasileiro. E, para vosso desgosto, udenista de carteirinha, do lado da antiga esquerda democrática. E sou muito competente no que faço; e digo-o, sem pejandos e quejandos.
Brasileiro tem um tremendo complexo de inferioridade. Brasileiro se vê como gente de terra de samba futebol e bunda de fora na praia. Você desembarca em Dublin, e vê, no aeroporto, uma celebração epifânica de gente que vai de William Rowan Hamilton ou do Conde de Cork, a James Joyce e Dylan Thomas. Aqui no Brasil, no Galeão, o que você vê? Uma vez saí do avião falando inglês com um outro passageiro - e já veio pra mim um agenciador de putas…
Brasileiro se cansa de ouvir o mito de que o país foi povoado por putas e ladrões. Mentira grossa. Sei que vosmicê, Jaquito do coração, não vai acreditar no que digo, mas digo-o não porque fulano, historiador “emérito,” com as aspas necessárias, o afirmou, e sim porque vi os documentos. O Brasil, no século XVI, foi colonizado por um setor muito peculiar da classe dominante portuguesa, os amigos do rei. Eram uma mixórdia: comerciantes ricos, nobres de linhagem obscura, gente com origens nobres mixadas a raízes mercantis, noblesse de robe - médicos judeus convertidos, fora do alcance da inquisição, e doutores, porque o diploma nobilitava. Essa gente tinha acesso direto ao soberano Aviz (como D. João III, homem brilhante e hábil), por cima da cabeça de ministros e cortesãos da alta aristocracia.
Clemenza Doria, quando veio para o Brasil em 1554 ou comecinhos de 1555, trouxe como dote um cargo público, o de contador-geral da colônia, depois usufruído por seu marido, Fernão Vaz da Costa (postumamente feito em Dom Fernão, mas isso é outra história), que dele gozou por prazo determinado - não era benesse perpétua, era espécie de ajuda de custo. Tenho até o rol de roupas e alfaias com o qual Clemenzina veio para o Brasil: 35 contos, dinheiro paca. Revisto e assinado pela rainha, ela mesma, pois Clemenza era sua criada, sua pupila, moça educada por suas altezas e que a estas servia, eventualmente (digo alteza e não majestade porque era este o tratamento regal no século XVI). Fernão Vaz, seu marido, era filho do chefe do judiciário português, ex-reitor da universidade, o Dr. Cristóvão da Costa. Gente top da elite portuguesa. Por que vieram para o Brasil? Me pergunto.
Mais interessante é o caso de Filippo Cavalcanti, antepassado dos ditos no Brasil, cujo pai era ligado, diretamente, a Henrique VIII, sim, o cortacabeças inglês, e cameriere segreto do papa Leão X, Giovanni de’ Medici, filho do Magnífico. De quem era parente. Avoengo de Severino Cavalcanti, decerto, e de Gilberto Freyre, também. Quem o visitou no Brasil foi Filippo Sassetti, o humanista florentino que descobriu a língua sânscrita para a Europa.
Por que essa gente veio para cá? Por que escritores como Gândavo, fr. Vicente do Salvador, Brandônio, Antonil, todos são tão eufóricos a respeito da terra? e por que foi isso substituído por um sentimento brutal de inferioridade?
Tento compreendê-lo. Acho que a coisa vem de longe, dos Filipes, reacionaríssimos, e dos Braganças, que, à exceção de D. João VI, odiavam isso aqui. Agravou-se ao longo do século XIX, sim, e desembocou na imagem atual do Brasil: abundantes bundas de fora na praia, futebol, samba. Até Villa Lobos foi esquecido…
O Brasil tem motivos para se sentir inferiorizado, sim. Se fotografia (Hercule Florence), telégrafo sem fio (pe. Landell de Moura), avião (Santos=Dumont), tudo isso nasceu no Brasil, nosso único Prêmio Nobel veio de contrabando, dado a Sir Peter Medawar em 1960 - ele que nasceu a meio quilômetro aqui de casa, e cresceu aqui em Petrópolis e no Rio, e que teve a cidadania cassada por ordem do Dutra, o Gênio. A Argentina, teve-os seis; sim, los hermanitos, seis Nobel. Chile, Venezuela, Costa Rica. Todos. Brasil, neca. Nadinha.
Quem inferiorizou o Brasil? Vou te dizer, Jaquito do coração. E’ gente com tua cabeça. Que confia em fala de autoridade, cegamente. E que debocha do desconhecido.
Love, Jaquito querido. E vai no lançamento do meu livro. Vai ter lá teus colegas, que confiam nesse engenheiro daqui, burro, ci-devant…
26
Pai do Pedro, ou neto da Joaquina
7/12/2009 - 11h53
El Torero:
Ninguém sabe qual a origem do nome da Praia da Joaquina. Parece que o nome foi incorporado aos mapas por volta de 1920. Contam uma historieta bonitinha, que uma moça chamada Joaquina, muito linda, claro, se apaixonou por um pescador e, buscando-o, entrou no mar e se afogou.
O que ouvi em casa foi o seguinte (com todas as ressalvas às incertezas da tradição oral). Minha avó era neta de D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, filha de senador do império, lagunense, e com terras na região. O nome viria disso, era simplesmente “a praia da Dona Joaquina.” Nunca encontrei documentos mais precisos, e não vou procurá-los porque acho o caso irrelevante.
Deixa lá a fantasia da namorada do pescador: é mais bonita.
27
surfando na jaca
7/12/2009 - 12h17
Pera lá, estou sendo mal compreendido e não posso arcar com essa desgraça toda que VSa. despeja sobre minhas costas cansadas. Estava ironizando, ou melhor deselitizando a sua visão de mundo. Ao contrário, acho que essa sua busca pela nobiliarquia familiar é o traço mais característico de nossa elite fracassada.Desde os primórdios, quando os fenícios dorianos desenvolveram a Terra Brasilis, a marca de sua elite foi a busca pela distinção através dos títulos, das patentes, da boquinha real etc. Nunca o valor do trabalho. Prefiro quando VSa. se louva, mostrando seus méritos acachapantes na universidade. Sim, isso é coisa nobre, fruto de esforço. Mas não é o que a nossa sociedade está acostumada a prezar. Pois é, o feito heróico, salvo o mérito individual da iniciativa, quase 100% das vezes é fruto de um processo, da conjunção de gentes. Já o seu discurso é o dos políticos desse país: eu fiz, tataravô fez… Como se não fosse resultado do trabalho de muitos “ausentes das glórias”, do dinheiro do contribuinte e da reivindicação popular atendida. Tal qual nossa elite, VSa. procura em Dublin a mistificação de um ideal civilizado, em contraste com a escória do que somos, uns tupiniquins que vendem sexo barato (aqui reafirma o nosso complexo de inferioridade, generalizando uma situação ruim, tal qual nossa elite branca azeda). Os puteiros estão em Dublin também, a ignorância está lá também. Afinal, veja as figuras de estadistas e currículos que elegeram na Itália e França. Em Amsterdam, os puteiros exibem suas mercadorias nas vitrines, neguinho se droga a céu aberto. A diferença é que possuem um pib per capita e distribuição de renda melhor do que a nossa. Nisso VSa. não quer falar.
Nós temos valores que deveriam servir de exemplo, tanto como James Joyce. Machado é escritor de primeiro plano em qualquer lugar desse mundo. E como brasileiro, prefiro lê-lo a qualquer outro estrangeiro, pois é ali que me vejo e encontro o meu país. Freyre, Villa-Lobos, Portinari, Niemeyer entre outros tantos. Brasileiros não gostam de brasileiros, não querem se ver no espelho. Querem falar inglês, viver em Miami/Paris/etc. e estudar a história dos “povos civilizados” para melhor ignorar a deles.
Aqui me despeço, deixo um abraço e a esperança que dissolva esse seu udenismo genético num socialismo democrático. Não chateie tanto o seu filho com suas plumas de pavão. Sucesso no lançamento e quem sabe não compareço para dar-lhe meus parabéns.
Enobreça o trabalho, remunerando-o, destacando-o, e superando esse ranço escravista.
Os documentos nada dizem, pois quem pergunta e obtém a resposta é o pesquisador. Comece, portanto, a reconhecer o trabalho alheio dos ridicularizados historiadores e escritores “eméritos”. Esse título não é de sua exclusividade e VSa. não é o único ser inteligente na face da Terra.
28
Pai do Pedro, ou neto da Joaquina
7/12/2009 - 13h13
Jaquito, my dear:
Primeiro, um esclarecimento. Emérito é um adjetivo, mas é também, no meu caso, um título universitário. A UFRJ tem 5 mil professores, dos quais uns 200 são professores titulares (catedráticos, o topo da carreira). A alguns titulares aposentados o conselho universitário concede o título de professor emérito. Somos cerca de cem na UFRJ. Vantagens, alem do diploma e da medalha gravada com o nome da gente? Podemos lecionar; mantemos a venia legendi, o direito de ensinar, de orientar teses. Ou seja, continuamos professores, como se na ativa estivéssemos.
Meu título de professor emérito me foi concedido com base num parecer de José Ricardo Tauile, grande economista, e com um voto detalhado de Franklin Trein, filósofo.
Agora, uma historinha: minha filha, irmã do Pedro, ao se instalar na Italia onde termina o doutorado - em economia, gozado… - surpreendeu-se porque o porteiro do prédio onde foi morar, vendo seu nome na portaria, perguntou-lhe, “ma sei dei Doria storici?” Coisa que ninguém perguntaria no Brasil, ou veria como importuno perguntar. Respondeu que sim, orgulhosa.
Ter um sobrenome histórico significa ter uma referência, um link a tudo que de bom e de mau aconteceu no passado do país (de bom e de mau; mas é dos erros que vai-se fazendo a terra, vai-se construindo o povo). Isso, eles têm claro, e vejo que disso o brasileiro se envergonha.
Donde o mito, proclamado agora pelo Lula (mas que nele não se origina), da “elite escrota e filhadaputa.” Uma das raízes dessa inferioridade resentida que o brasileiro tem.
29
surfando na jaca
7/12/2009 - 13h35
VSa. gosta de mistificações. Não se trata de inferioridade ressentida, mas de simples olhar para o Congresso Nacional. A desgraça desse povo é que não reconhece seus algozes, não possui sequer informação para poder julgar sua elite. Cada povo tem sua História. Se vc. perguntar pelos Doria nos EUA, vão achar que fazem pizza ou são da máfia. Se perguntar falar ao seu porteiro que seu sobrenome é Vargas, ou Brizola, ou Arantes do Nascimento ele saberá dizer quem é. Mas história do Brasil o brasileiro quer esquecer. Falta-lhe orgulho pátrio daquilo que não lhe traz boas lembranças?
Bom,inté uma outra oportunidade.
30
Pai do Pedro, ou neto da Joaquina
7/12/2009 - 14h00
Não mistifico. Até porque a raiz do termo vem de múo, “eu calo,” em grego.
Você é que acredita em otoridade… Não acredito. Nunca. Aprendi com meu orientador de doutorado, Leopoldo Nachbin. Perguntava a ele, como resolver tal questão? Me levava na biblioteca, pegava um ou dois livros, e dizia: leia, aqui você aprende o que te leva à solução dessa questão.
Que eu estudasse, e pensasse por mim mesmo. Outra lição do Leopoldo: leia com cuidado o enunciado de um teorema. Antes de estudar-lhe a prova, tente fazer por você mesmo. Em 90% dos casos você consegue - e aprende melhor.
Para você, que gosta de história: uma amiga, psicóloga e genealogista amadora, está lendo agora, hoje mesmo, todos os assentos de casamento da região de Maceió, 1800-1840. Me repassa o material. Estamos fascinados com a quantidade de casamentos entre escravos e libertos. Todos apadrinhados por gente da classe dominante - vínculo que gerava parentesco tão forte quanto o sangue. O que significa isso? Não sei. Estou intrigado e fascinado.
Minha trisavó desse lado, por sinal, era filha natural, viu-se. A história é interessante; um dia conto.
31
Pai do Pedro, ou um dos algozes
7/12/2009 - 14h03
Jaquito,
E você, que vai agora pras Oropas, não pertence à elite? Qualé, ô meu…
32
Pai do Pedro, ou pela anarquia teórica
7/12/2009 - 15h27
Jaquito:
Cientista tem que ser antiautoridade. Newton da Costa e eu, agora, queremos desenvolver uma teoria permitindo a comunicação supraluminal - a comunicação instantânea de sinais e efeitos físicos. Isso viola Einstein, viola a relatividade restrita. Claro que é coisa herética, inortodoxíssima, mas achamos que pode ser feita. E vamos em frente.
Contraria o núcleo da relatividade. Se eu acreditasse em ortodoxias, tava fu…
Outro exemplo: abre qualquer livro de teoria da computação. Vai dizer, no primeiro capítulo: “não existe programa de computador capaz de resolver o problema da parada.” (E’, entre outras coisas, o que gera vírus de computadores.) Essa, a ortodoxia. Vem do grande artigo de Alan Turing, de 1936. Todas as autoridades, ou otoridades, repetem isso.
Mas não é bem assim.
1) Posso mostrar que existe sempre um programa de computador que resolve instâncias arbitrárias do problema da parada.
Mas nenhuma teoria matemática “normal,” ou “usual,” é capaz de provar tal fato! Estranho, não? Mas é assim.
2) Posso construir tal algoritmo. E’ bem mais complicado. Precisa saber coisas do arcodavelha. Mas, novamente, se aplica o mesmo caveat.
Se fosse confiar nas otoridades, nem chegava perto desses resultados. Aliás, a função que resolve esse problema foi construída explicitamente por Newton e por mim em 1990. Se fôssemos prestar atenção às ortodoxias e às otoridades, não dávamos o primeiro passo.
33
surfando na jaca
7/12/2009 - 15h55
pai Doria, talvez seja minha última intervenção. Foi um prazer conversar contigo, que provavelmente tem todos os seus méritos reconhecidos pelos pares. Só fico espantado em ver como VSa. cisma em confundir as coisas. Ambos sabemos o que é uma pesquisa, provavelmente o senhor mais que eu que não dou aulas. Mas uma coisa é considerar um estudo alheio a palavra divina sobre um objeto qualquer, e desconsiderá-lo e outra colocá-lo em prova, como o faz nesse seu experimento sobre a relatividade. VSa. teve que aprender o que é relatividade e teve que considerar os resultados obtidos por Einstein e autores correlatos.Isso porque corre o risco de enunciar o óbvio olhando os documentos. Ou seja, achar que descobriu a pólvora, quando todos já estão fazendo bombas nucleares. É exatamente o que me narra sobre a pesquisa histórica em curso. Leia o que o pessoal tem escrito sobre esse tema, pois já descobriram essa pólvora faz algum tempo, como pude perceber por um estudo que me foi dado por um amigo historiador. O mesmo que me informou sobre aquelas maluquices anteriores. Pois é, minha atitude de conhecimento é de humildade e desconfiança,e procurar me informar para não ficar pagando mico. Quando posso, pesquiso nos tais documentos empoeirados, que no meu caso ainda não pegaram muita poeira.
Um abraço irreverente.
34
surfando na jaca
7/12/2009 - 16h26
Por fim, pensando no que me relatou, fiquei interessado em conhecer a saga doriana no Nordeste através do seu livro, mas vejo que devo descartá-lo e procurar os documentos empoeirados. Então, fico satisfeito com o que já foi dito aqui.
35
Pai do Pedro, ou pela anarquia teórica
7/13/2009 - 07h47
Os documentos estão publicados, em boa parte, como o Livro do Tombo de S. Bento, Bahia, ou o Livro de Inventários de S. Francisco do Conde.
Boa ideia, ler esse troço. Você vai ver por que disse que a elite baiana colonial era pobre. Vai lá, Jaquito, vai!
Eu tenho medo de entrar numa biblioteca destas e nunca mais conseguir sair, dominado pela compulsão de leitura. ;)
whaou !! o real gabinete de leitura, no rj ! que beleza !!
parece aquela do internato de harry potter
aplausos*
radical, é melhor tbm nao ser alérgico…deve ter uma poeirinha maldita…:-))
Que sonho de biblioteca!
Bem, eu diria que é parecido com o Real Gabinete Portugues e Leitura, no Centro do Rio, que é simplesmente sensacional e de entrada franca. Se não existir outro Real gabinete (parece que o do Rio não era o único)então é ele mesmo.
é ele mesmo chesto !! coisa linda né…patrimonio tombado…:))
Não há perigo de alergia. Passei meses inteiros de minha vida ali e não dei nem um espirrinho que fosse. É lindo. Um dos mais incríveis pontos turísticos do Rio.Pena que o entorno estaja degradado, parece Calcutá (a real, não a da GP, a da “dancinha”).
Lugar bonito!
É lindo, maravilhoso! Fica bem ali na Praça Tiradentes, atraz do Teatro João Caetano.
O Real Gabinete é maravilhoso!
Tenho paixão por esse lugar.
Aliás, é vero, aquela região ali do Rio tem muito coisa boa…
muita*
Uma visita demorada num lugar assim é um dos meus sonhos de consumo…
Faz muito tempo que não vou ao Real Gabinete, mas espero que esteja bem conservado. Tanto o interior quanto o exterior do prédio são extremamente característicos, não havendo outro igual no Rio. Outro prédio muito bonito é o da Biblioteca Nacional, mas como lá as estantes não ficam à vista do público não sugere, por dentro, a mesma impressão de “templo” da leitura que o Gabinete desperta. O que o Gabinete tem de gótico a Biblioteca tem de neoclássica. Sua ampla sala de leitura, com o pé direito altíssimo que sempre me impressionou e as largas janelas com vidros bisotês, perde em intimismo para a do Gabinete mas dão uma ilusão de racionalidade em pleno centro caótico do Rio.
Ah, bons tempos em que se achava importante criar prédios como esses apenas para permitir ao povo o acesso à leitura. Hoje, leitura é twitter…
Pedro, lembre-se que sou Protector da Biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura desde 1958. Tenho bodas de ouro de lá, portanto.
O RGPL vai bem obrigado. Mal vai a Praça Tiradentes e arredores. Só vendo para crer.Sujo, muito sujo. A escadaria da ex-chiquésima Igreja de São Fco de Paula vira albergue para centenas de mordores de rua. E a bolsa da gente ali, corre mais risco que no Congresso Nacional. E tenho a impressão que é possível pegar DST só de respirar nos arredores. Assustador.
Saiu com o nick do Surfando, mas fui eu, a terrível Mementozilla que descrevi os arredores do RGPL.
Pai Doria, também dei um dinheirinho para aquela portuguesada. Depois sai fora. Mais engraçado foi a cara do portuga quando pedi um livro de economia. Olhou-me-me com uma cara entre o nojo e o espanto. Era aluno de graduação e não sabia que lá livros de economia é raridade e coisa mal vista.
Tenho um tataravô que foi organista da igreja de S. Francisco de Paula, comecinhos dos 1800s. Parece que Luiz Edmundo fala dele; Clemente José Ribeiro de Sousa.
No RGPL só folheei velharia. Economia, compro na Amazon. Aliás, Jaquito, o livro Crise na Economia, que editei com o Cosenza, ex-presidente do teu Corecon, tá pronto. E vai ter várias festinhas de lançamento.
Esse Pai emérito não tem jeito. Fui, então, recorrer ao analista de Bagé.
Vejam só. Um avôssauro do Doria provavelmente serviu a cicuta ao Sócrates. Outro taradoavô abanava Cleópatra. Outro doriaenricado financiou a expedição de Colombo. Foi um Doria que entregou a carta para a proclamação da República. O tio-bisavô servia de correio para o Machado de Assis. Mais um Doria fora parente do Prudente de Morais. O próprio Doria estava no Palácio da República como moleque de recados, quando o Vargas se suicidou. Enfim, os Doria foram sempre figuras secundárias e ninguém lembra deles. Por isso esse ego inflado barbaridade.
Vou mais além, peço ao Pedro que lance a candidatura do Pai Emérito a vice (sempre em segundo plano) do Serra,pois só político faz tanta propaganda do fez ou faz. Arrê, égua!
Bocejo… Acho que li toda a coleção d’O Malho. E uma edição portuguesa do Rabelais com as belíssimas ilustrações do G. Doré.Que também deve ter sido parente dos Doria, é até parecido. Doré, Doria. Não vi nenhum parente meu citado por lá,(nem n’O Malho, nem no Rabelais)o que é reconfortante e tranquilizador.
Que coisa mais linda…lá por outubro vou ao Rio visitar uns amigos, quero conhecer isto.
#
Uma das mais famosas praias aqui de Floripa, Praia da Joaquina, deve o nome a uma Dória. Não é Seu Francisco?
Jaquito, vais ao lançamento do meu livro - secundário - pra me esculachar ao vivo, e dizer que não sei nada de economia?
(Ou das outras coisas.)
Doria, o Secundário.
Desculpe, corrigi o tag agora…
Pai Doria,
devo me ausentar do blog,do país e do povo reaça em breve. Mas fico feliz por seu livro, faço votos de sucesso e acho mesmo que não deves saber lhufas de economia, mas eres um tremendo enrolador em várias áreas. Já dizia o sábio Hegel em suas preleções à massa ignara (os chestertons da vida)que o que é tudo é nada. Não fique tristinho, junte-se aos secundários, como 99% da humanidade, já que os 1% dos canastrões da glória histórica não poderiam alcançá-la sem nós.
Quanto a esculhambá-lo, ao vivo e a cores, é desnecessário. Sou homem educado de muitas gerações polidas, anteriores a dos Doria, e a mim me basta o que escreve nesse maroto blog. Tenho mesmo é pena do Pedroca, que escuta anos a fio essa ladainha da saga dos Doria e esse ego incontido do Pai Emérito. Haja paciência! Precisamos nos educar para a convivência com os que amamos. Tenha pena de seu filho Pedroca Doriano, que é querido por todos daqui.
Querido Jaquito,
Me desculpe, querido Jaquito, mas você é imensamente preconceituoso. E exibe os preconceitos brasileiros quase que arquetipicamente.
Sou, sim, um ci-devant, estilo brasileiro. E, para vosso desgosto, udenista de carteirinha, do lado da antiga esquerda democrática. E sou muito competente no que faço; e digo-o, sem pejandos e quejandos.
Brasileiro tem um tremendo complexo de inferioridade. Brasileiro se vê como gente de terra de samba futebol e bunda de fora na praia. Você desembarca em Dublin, e vê, no aeroporto, uma celebração epifânica de gente que vai de William Rowan Hamilton ou do Conde de Cork, a James Joyce e Dylan Thomas. Aqui no Brasil, no Galeão, o que você vê? Uma vez saí do avião falando inglês com um outro passageiro - e já veio pra mim um agenciador de putas…
Brasileiro se cansa de ouvir o mito de que o país foi povoado por putas e ladrões. Mentira grossa. Sei que vosmicê, Jaquito do coração, não vai acreditar no que digo, mas digo-o não porque fulano, historiador “emérito,” com as aspas necessárias, o afirmou, e sim porque vi os documentos. O Brasil, no século XVI, foi colonizado por um setor muito peculiar da classe dominante portuguesa, os amigos do rei. Eram uma mixórdia: comerciantes ricos, nobres de linhagem obscura, gente com origens nobres mixadas a raízes mercantis, noblesse de robe - médicos judeus convertidos, fora do alcance da inquisição, e doutores, porque o diploma nobilitava. Essa gente tinha acesso direto ao soberano Aviz (como D. João III, homem brilhante e hábil), por cima da cabeça de ministros e cortesãos da alta aristocracia.
Clemenza Doria, quando veio para o Brasil em 1554 ou comecinhos de 1555, trouxe como dote um cargo público, o de contador-geral da colônia, depois usufruído por seu marido, Fernão Vaz da Costa (postumamente feito em Dom Fernão, mas isso é outra história), que dele gozou por prazo determinado - não era benesse perpétua, era espécie de ajuda de custo. Tenho até o rol de roupas e alfaias com o qual Clemenzina veio para o Brasil: 35 contos, dinheiro paca. Revisto e assinado pela rainha, ela mesma, pois Clemenza era sua criada, sua pupila, moça educada por suas altezas e que a estas servia, eventualmente (digo alteza e não majestade porque era este o tratamento regal no século XVI). Fernão Vaz, seu marido, era filho do chefe do judiciário português, ex-reitor da universidade, o Dr. Cristóvão da Costa. Gente top da elite portuguesa. Por que vieram para o Brasil? Me pergunto.
Mais interessante é o caso de Filippo Cavalcanti, antepassado dos ditos no Brasil, cujo pai era ligado, diretamente, a Henrique VIII, sim, o cortacabeças inglês, e cameriere segreto do papa Leão X, Giovanni de’ Medici, filho do Magnífico. De quem era parente. Avoengo de Severino Cavalcanti, decerto, e de Gilberto Freyre, também. Quem o visitou no Brasil foi Filippo Sassetti, o humanista florentino que descobriu a língua sânscrita para a Europa.
Por que essa gente veio para cá? Por que escritores como Gândavo, fr. Vicente do Salvador, Brandônio, Antonil, todos são tão eufóricos a respeito da terra? e por que foi isso substituído por um sentimento brutal de inferioridade?
Tento compreendê-lo. Acho que a coisa vem de longe, dos Filipes, reacionaríssimos, e dos Braganças, que, à exceção de D. João VI, odiavam isso aqui. Agravou-se ao longo do século XIX, sim, e desembocou na imagem atual do Brasil: abundantes bundas de fora na praia, futebol, samba. Até Villa Lobos foi esquecido…
O Brasil tem motivos para se sentir inferiorizado, sim. Se fotografia (Hercule Florence), telégrafo sem fio (pe. Landell de Moura), avião (Santos=Dumont), tudo isso nasceu no Brasil, nosso único Prêmio Nobel veio de contrabando, dado a Sir Peter Medawar em 1960 - ele que nasceu a meio quilômetro aqui de casa, e cresceu aqui em Petrópolis e no Rio, e que teve a cidadania cassada por ordem do Dutra, o Gênio. A Argentina, teve-os seis; sim, los hermanitos, seis Nobel. Chile, Venezuela, Costa Rica. Todos. Brasil, neca. Nadinha.
Quem inferiorizou o Brasil? Vou te dizer, Jaquito do coração. E’ gente com tua cabeça. Que confia em fala de autoridade, cegamente. E que debocha do desconhecido.
Love, Jaquito querido. E vai no lançamento do meu livro. Vai ter lá teus colegas, que confiam nesse engenheiro daqui, burro, ci-devant…
El Torero:
Ninguém sabe qual a origem do nome da Praia da Joaquina. Parece que o nome foi incorporado aos mapas por volta de 1920. Contam uma historieta bonitinha, que uma moça chamada Joaquina, muito linda, claro, se apaixonou por um pescador e, buscando-o, entrou no mar e se afogou.
O que ouvi em casa foi o seguinte (com todas as ressalvas às incertezas da tradição oral). Minha avó era neta de D. Joaquina Rosa de Oliveira Costa, filha de senador do império, lagunense, e com terras na região. O nome viria disso, era simplesmente “a praia da Dona Joaquina.” Nunca encontrei documentos mais precisos, e não vou procurá-los porque acho o caso irrelevante.
Deixa lá a fantasia da namorada do pescador: é mais bonita.
Pera lá, estou sendo mal compreendido e não posso arcar com essa desgraça toda que VSa. despeja sobre minhas costas cansadas. Estava ironizando, ou melhor deselitizando a sua visão de mundo. Ao contrário, acho que essa sua busca pela nobiliarquia familiar é o traço mais característico de nossa elite fracassada.Desde os primórdios, quando os fenícios dorianos desenvolveram a Terra Brasilis, a marca de sua elite foi a busca pela distinção através dos títulos, das patentes, da boquinha real etc. Nunca o valor do trabalho. Prefiro quando VSa. se louva, mostrando seus méritos acachapantes na universidade. Sim, isso é coisa nobre, fruto de esforço. Mas não é o que a nossa sociedade está acostumada a prezar. Pois é, o feito heróico, salvo o mérito individual da iniciativa, quase 100% das vezes é fruto de um processo, da conjunção de gentes. Já o seu discurso é o dos políticos desse país: eu fiz, tataravô fez… Como se não fosse resultado do trabalho de muitos “ausentes das glórias”, do dinheiro do contribuinte e da reivindicação popular atendida. Tal qual nossa elite, VSa. procura em Dublin a mistificação de um ideal civilizado, em contraste com a escória do que somos, uns tupiniquins que vendem sexo barato (aqui reafirma o nosso complexo de inferioridade, generalizando uma situação ruim, tal qual nossa elite branca azeda). Os puteiros estão em Dublin também, a ignorância está lá também. Afinal, veja as figuras de estadistas e currículos que elegeram na Itália e França. Em Amsterdam, os puteiros exibem suas mercadorias nas vitrines, neguinho se droga a céu aberto. A diferença é que possuem um pib per capita e distribuição de renda melhor do que a nossa. Nisso VSa. não quer falar.
Nós temos valores que deveriam servir de exemplo, tanto como James Joyce. Machado é escritor de primeiro plano em qualquer lugar desse mundo. E como brasileiro, prefiro lê-lo a qualquer outro estrangeiro, pois é ali que me vejo e encontro o meu país. Freyre, Villa-Lobos, Portinari, Niemeyer entre outros tantos. Brasileiros não gostam de brasileiros, não querem se ver no espelho. Querem falar inglês, viver em Miami/Paris/etc. e estudar a história dos “povos civilizados” para melhor ignorar a deles.
Aqui me despeço, deixo um abraço e a esperança que dissolva esse seu udenismo genético num socialismo democrático. Não chateie tanto o seu filho com suas plumas de pavão. Sucesso no lançamento e quem sabe não compareço para dar-lhe meus parabéns.
Enobreça o trabalho, remunerando-o, destacando-o, e superando esse ranço escravista.
Os documentos nada dizem, pois quem pergunta e obtém a resposta é o pesquisador. Comece, portanto, a reconhecer o trabalho alheio dos ridicularizados historiadores e escritores “eméritos”. Esse título não é de sua exclusividade e VSa. não é o único ser inteligente na face da Terra.
Jaquito, my dear:
Primeiro, um esclarecimento. Emérito é um adjetivo, mas é também, no meu caso, um título universitário. A UFRJ tem 5 mil professores, dos quais uns 200 são professores titulares (catedráticos, o topo da carreira). A alguns titulares aposentados o conselho universitário concede o título de professor emérito. Somos cerca de cem na UFRJ. Vantagens, alem do diploma e da medalha gravada com o nome da gente? Podemos lecionar; mantemos a venia legendi, o direito de ensinar, de orientar teses. Ou seja, continuamos professores, como se na ativa estivéssemos.
Meu título de professor emérito me foi concedido com base num parecer de José Ricardo Tauile, grande economista, e com um voto detalhado de Franklin Trein, filósofo.
Agora, uma historinha: minha filha, irmã do Pedro, ao se instalar na Italia onde termina o doutorado - em economia, gozado… - surpreendeu-se porque o porteiro do prédio onde foi morar, vendo seu nome na portaria, perguntou-lhe, “ma sei dei Doria storici?” Coisa que ninguém perguntaria no Brasil, ou veria como importuno perguntar. Respondeu que sim, orgulhosa.
Ter um sobrenome histórico significa ter uma referência, um link a tudo que de bom e de mau aconteceu no passado do país (de bom e de mau; mas é dos erros que vai-se fazendo a terra, vai-se construindo o povo). Isso, eles têm claro, e vejo que disso o brasileiro se envergonha.
Donde o mito, proclamado agora pelo Lula (mas que nele não se origina), da “elite escrota e filhadaputa.” Uma das raízes dessa inferioridade resentida que o brasileiro tem.
VSa. gosta de mistificações. Não se trata de inferioridade ressentida, mas de simples olhar para o Congresso Nacional. A desgraça desse povo é que não reconhece seus algozes, não possui sequer informação para poder julgar sua elite. Cada povo tem sua História. Se vc. perguntar pelos Doria nos EUA, vão achar que fazem pizza ou são da máfia. Se perguntar falar ao seu porteiro que seu sobrenome é Vargas, ou Brizola, ou Arantes do Nascimento ele saberá dizer quem é. Mas história do Brasil o brasileiro quer esquecer. Falta-lhe orgulho pátrio daquilo que não lhe traz boas lembranças?
Bom,inté uma outra oportunidade.
Não mistifico. Até porque a raiz do termo vem de múo, “eu calo,” em grego.
Você é que acredita em otoridade… Não acredito. Nunca. Aprendi com meu orientador de doutorado, Leopoldo Nachbin. Perguntava a ele, como resolver tal questão? Me levava na biblioteca, pegava um ou dois livros, e dizia: leia, aqui você aprende o que te leva à solução dessa questão.
Que eu estudasse, e pensasse por mim mesmo. Outra lição do Leopoldo: leia com cuidado o enunciado de um teorema. Antes de estudar-lhe a prova, tente fazer por você mesmo. Em 90% dos casos você consegue - e aprende melhor.
Para você, que gosta de história: uma amiga, psicóloga e genealogista amadora, está lendo agora, hoje mesmo, todos os assentos de casamento da região de Maceió, 1800-1840. Me repassa o material. Estamos fascinados com a quantidade de casamentos entre escravos e libertos. Todos apadrinhados por gente da classe dominante - vínculo que gerava parentesco tão forte quanto o sangue. O que significa isso? Não sei. Estou intrigado e fascinado.
Minha trisavó desse lado, por sinal, era filha natural, viu-se. A história é interessante; um dia conto.
Jaquito,
E você, que vai agora pras Oropas, não pertence à elite? Qualé, ô meu…
Jaquito:
Cientista tem que ser antiautoridade. Newton da Costa e eu, agora, queremos desenvolver uma teoria permitindo a comunicação supraluminal - a comunicação instantânea de sinais e efeitos físicos. Isso viola Einstein, viola a relatividade restrita. Claro que é coisa herética, inortodoxíssima, mas achamos que pode ser feita. E vamos em frente.
Contraria o núcleo da relatividade. Se eu acreditasse em ortodoxias, tava fu…
Outro exemplo: abre qualquer livro de teoria da computação. Vai dizer, no primeiro capítulo: “não existe programa de computador capaz de resolver o problema da parada.” (E’, entre outras coisas, o que gera vírus de computadores.) Essa, a ortodoxia. Vem do grande artigo de Alan Turing, de 1936. Todas as autoridades, ou otoridades, repetem isso.
Mas não é bem assim.
1) Posso mostrar que existe sempre um programa de computador que resolve instâncias arbitrárias do problema da parada.
Mas nenhuma teoria matemática “normal,” ou “usual,” é capaz de provar tal fato! Estranho, não? Mas é assim.
2) Posso construir tal algoritmo. E’ bem mais complicado. Precisa saber coisas do arcodavelha. Mas, novamente, se aplica o mesmo caveat.
Se fosse confiar nas otoridades, nem chegava perto desses resultados. Aliás, a função que resolve esse problema foi construída explicitamente por Newton e por mim em 1990. Se fôssemos prestar atenção às ortodoxias e às otoridades, não dávamos o primeiro passo.
pai Doria, talvez seja minha última intervenção. Foi um prazer conversar contigo, que provavelmente tem todos os seus méritos reconhecidos pelos pares. Só fico espantado em ver como VSa. cisma em confundir as coisas. Ambos sabemos o que é uma pesquisa, provavelmente o senhor mais que eu que não dou aulas. Mas uma coisa é considerar um estudo alheio a palavra divina sobre um objeto qualquer, e desconsiderá-lo e outra colocá-lo em prova, como o faz nesse seu experimento sobre a relatividade. VSa. teve que aprender o que é relatividade e teve que considerar os resultados obtidos por Einstein e autores correlatos.Isso porque corre o risco de enunciar o óbvio olhando os documentos. Ou seja, achar que descobriu a pólvora, quando todos já estão fazendo bombas nucleares. É exatamente o que me narra sobre a pesquisa histórica em curso. Leia o que o pessoal tem escrito sobre esse tema, pois já descobriram essa pólvora faz algum tempo, como pude perceber por um estudo que me foi dado por um amigo historiador. O mesmo que me informou sobre aquelas maluquices anteriores. Pois é, minha atitude de conhecimento é de humildade e desconfiança,e procurar me informar para não ficar pagando mico. Quando posso, pesquiso nos tais documentos empoeirados, que no meu caso ainda não pegaram muita poeira.
Um abraço irreverente.
Por fim, pensando no que me relatou, fiquei interessado em conhecer a saga doriana no Nordeste através do seu livro, mas vejo que devo descartá-lo e procurar os documentos empoeirados. Então, fico satisfeito com o que já foi dito aqui.
Os documentos estão publicados, em boa parte, como o Livro do Tombo de S. Bento, Bahia, ou o Livro de Inventários de S. Francisco do Conde.
Boa ideia, ler esse troço. Você vai ver por que disse que a elite baiana colonial era pobre. Vai lá, Jaquito, vai!
Boa viagem!