Conflito étnico entre Hans e Uighurs? É a crise econômica à chinesa
Hu Jintao, o presidente chinês, deixou a Itália às pressas sem esperar pelo encontro do G8, enquanto a crise na região da China mais próxima à Ásia Central se agrava. Oficialmente, morreram já 156 pessoas nos choques entre chineses de etnia Han (majoritária no país) e os Uighurs (turcomenos).
Os Uighurs compõem 45% da população da província de Xinjiang, noroeste do país. Desde que a al-Qaeda varou as torres gêmeas de Nova York, Beijing teme pela estabilidade da região. Xinjiang faz fronteira com a Mongólia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão e Índia – que inclui o naco do mundo onde a vertente do extremismo islâmico do Talibã e de Osama bin-Laden encontrou abrigo. Os Uighurs são muçulmanos e, desde os anos 1990, há um grupo separatista que pratica atos de terror, o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental – ETIM, na sigla em inglês.
Mas antes de sair com uma interpretação que passe pela al-Qaeda e sua inspiração, não custa entender melhor o cenário. Em 1940, os Hans compunham 5% da população da província. Hoje já são 40% – a China estimula a migração por considerar que estabiliza as regiões do país com etnias muito distintas.
Xinjiang é o canto mais rico em petróleo da China e a renda per capita na região também está entre as mais altas do país. Enquanto isso, o índice de desigualdade social é um dos piores. Chineses han têm os melhores empregos, o uighurs têm os piores. Alguns explicam que o problema é linguístico – num canto isolado do mundo, o grupo local não domina o mandarim, fala seu próprio dialeto de origem turcomena, uma língua parecida com o uzbeque que toma palavras emprestadas do persa. O problema é também educacional: os han têm acesso a mais anos de escola. O resultado prático é um só – os melhores empregos estão com uns, não com os outros.
Cenário propício para um conflito étnico? Sim, mas a razão é econômica. Condoleezza Rice, conta que quando secretária de Estado dos EUA ouviu a seguinte conta de Hu Jintao: sua missão é criar 25 milhões de empregos por ano. Em 2008, criou 9 milhões. A conta dos chineses é que sua estabilidade interna depende de uma economia que cresça rápido o bastante para que todos percebam ter chances de melhorar no futuro. Quando essa percepção for embora, Beijing tem medo.
Apesar das Olimpíadas, 2008 foi um ano ruim para a China. Terremoto grande, escândalo por causa de tinta de brinquedos, altos níveis de poluição em Beijing e uma crise econômica particularmente difícil.
Conflito étnico? Sim. Mas a causa é esta: 9 milhões de empregos em 2008 e um número provavelmente parecido em 2009.
Ainda sobre o assunto:
- Cerco a Mumbai: Conflito interno da Índia? Uma atualização, posto que a informação vinda de Mumbai ainda é pouca. Ainda há reféns tanto no Taj Mahal Palace...
- China, o recall e a crise diplomática Zhang Shuhong se enforcou no armazém de uma das fábricas que presidia em Hong Kong, durante o fim de semana....
- Lula, brancos de olhos azuis
e quem tem culpa nesta crise Vários de vocês têm me pedido, nos últimos dias, para repercutir o comentário do presidente Luís Inácio Lula da Silva,... - China e o medo da crise
que vem com a neve Para os padrões chineses, os números não impressionam: são 60 mortos nos últimos dias por conta das fortes nevascas que... - A crise do Islã no Paquistão Cumprindo a ameaça que já fizera, o presidente e general paquistanês Pervez Musharraf deu ordens para que o exército invadisse...



Po Dino #150 fico feliz que depois de quase um ano e meio você tenha aprendido alguma coisa comigo! :-)
Há um bom tempo que eu já chamo a atenção ao cerco Norte Americano/Ocidental à China…
Fico feliz que você finalmente tenha revisto suas opiniões, afinal nos comentários de a “China: energia que a move” de 27/02/2008 você se mostrava um tanto contrário à idéia, chegando a dizer:
“André Fucs, não de uma de maluco, sou contrario as suas posições políticas e não aos fatos. A sua explicação não explicou nada, ainda acrescentou o Afeganistão grande exportador de commodities… Qual mesmo? Haa! Lembrei… Ópio… Os chineses voltaram a comercializar isso?
Presença militar? Como é mesmo que isso barra comercio bilateral?”
Dino em 2/27/2008 - 09h16
:-)
Pô! A frase fica melhor assim:
A combinação étnica local da Palestina tem uma longa historia e uma cultura muito mais antiga que a nação israelense que tem apenas 60 anos.
Dino,
Considerando que você fala em 60 anos, eu sou levado a acreditar que Estado e “nação” são sinônimos na sua frase. Diante disso, eu iria ainda mais longe e afirmaria que a combinação étnica local de qualquer região é mais antiga do que a cultura dos Estados erguidos sobre a mesma.
Afinal a combinação étnica é fruto de um processo contínuo de mudanças demográficas, seja aonde for. Já a cultura de um Estado é compatível com sua data de fundacão.
Porque ser seletivo e lembrar dos Palestinos deslocados pelos recentes conflitos entre árabes e judeus, sem lembrar dos judeus expulsos do Iraque? Ou dos povos pré-colombianos dominados durante a Colonização da América?
Vou mais longe e pergunto-lhe, porque não lhe aflige o domínio cultural imposto aos ameríndios do nosso vizinho Suriname, tornados uma minoria em um país cujos hindustanis configuram 31% da população?
:-)
Não é bem assim André, não demorou tanto, não superestime minha burrice, como podes ver abaixo, eu estava aceitando sua tese no final do post…
Andre Fucs 2/27/2008 - 15h58
Dino #75,
“André, você está pintando um cenário de GUERRA TOTAL comercial dos EUA contra a China para não perderem a hegemonia mundial que PODERÁ acontecer, ou você acredita que isso esteja ocorrendo?”
“Peace is just the intervals between wars which were nations prepare for the next war. “.
André o que eu disse foi sacaneando justamente a perola do estadunidense amigo do RW que colou um e-mail do cara falando esse tipo de asneira no #144. Dê uma lida lá. O que você escreveu foi exatamente o que eu comentei no #149. Talvez você não tenha lido meu comentário.
Dino,
Mil desculpas por superestimar sua burrice e novas desculpas por não ter lido o comentário 149!
Começo a crer que em breve terei o desprazer de lhe ver todo usando kipá no quintal de sua casa em Ramat Gilad vociferando insultos contra seus vizinho palestinos enquanto eu filmo tudo junto com meus amigos do Peace Now. ;)
rsssssssssss*
Credum Fas (122),
Por que você me fez lembrar do agente 86, ou melhor, o que eu disse que o fez lembrar do agente 86?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/07/2009
Dino (149),
O amigo americano do RW in Miami parece mais algum irmão de sangue do Gary Sick que resolveu se especializar na China.
E pensar que há quem ainda prefira ler o amigo americano desenrolando uma lengalenga de truísmos aos meus circunlóquios de argutas ponderações. Se bem que é compreensível que quem não conhece o caráter tendencioso em prol do sexo masculino dos nossos dicionários pegue carona no primeiro que se ponha a escrever na língua do bardo sobre quizilas étnicas chinesas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 11/07/2009
Putz, eu sempre falei dos Uighurs, mas quando eles viram assunto aqui no blog, eu chego atrasado!
Assim não dá, assim não pode! Maldito bloqueio.
Zictor,
Sua falta foi sentida, viu? :)
Desculpa, Alba, mas não deu mesmo pra mim.
Na televisão chinesa, é o tempo todo notícias a respeito disso. Numa hora como essas, eu gostaria de saber falar um chinês só um pouquinho melhor. Mas vamos ver como fica, né?
Beijos e abraços a todos!
Caro colegas!! idependemente da frase, bom o ruim..oq importa é o conteudo do texto, e esse aqui tá muito bom.