Forças Armadas e Democracia na América Latina
Honduras não é o Irã – mas enquanto os golpistas latino-americanos tentam impor um toque de recolher, também lá a população vai às ruas e, também lá, os vídeos seguem o caminho do YouTube.
Terça-feira que vem, o presidente deposto Manuel Zelaya falará à ONU. CNN e demais canais internacionais de notícias estão fora do ar, enquanto os canais nacionais transmitem apenas aquilo que lhes determina o governo.
É evidente que havia um conflito institucional dentro de Honduras, com Legislativo e Judiciário de um lado, Executivo do outro. O precedente sério criado neste caso é a intervenção das Forças Armadas. A observação é feita Kevin Casas-Zamorra, cientista político do Brookins Institution, um dos principais centros de estudos políticos dos EUA.
Um referendo ilegal teve como resposta uma intervenção militar ilegal, com a suposta intenção de proteger a constituição. Como costuma ser o caso, a intervenção foi celebrada pela oposição a Zelaya. Durante a última semana, o Congresso vinha falando sobre o papel das Forças Armadas de ‘garantir a Constituição’, uma ideia sempre perturbadora na América Latina. Quando ouvimos algo assim, podemos esperar o pior. E o pior veio. No mínimo, estamos assistindo em Honduras ao retorno do triste papel dos militares como árbitros dos conflitos políticos entre civis, um passo para trás na consolidação da democracia.
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Engraçado, quando Zelaya quis usar o mesmo exército para realizar o referendo ninguém falou nada. A “sorte” dos hondurenho foi que os militares se recusaram em cumprir uma ordem ilegal. Tanto que o chefe foi demitido (e saiu sem fazer barulho).
O problema é que ninguém deu bola para o assunto. Ninguém prestou atenção, ninguém se levantou para proteger a democracia em honduras enquanto era o chavista a solapa-la.
Quando tiveram que protegê-la as pessoas reclamam. Não há militares no poder. E isso diz muito.
Agora só quero ver se vão aparecer as fotos dos protestos contra Zelaya que já estão ocorrendo em número de pessoas bem maior que os que estão protestando a favor de Zelaya, incluindo aí os operativos venezuelanos em guatemaltecos que estão hoje em Honduras.
Será que vão aparecer?
Realmente a descrição do Kevin foi boa. Um arranjo ruim com uma solução pior, fico feliz em ver que o Brasil conseguiu andar para frente nesse aspecto.
Agora, espero que os protestos hondurenhos apareçam tão claramente quando os dos iranianos, afinal é o povo que tem a opinião que realmente importa nessa história.
FlaxFlu à parte espero que a história em Honduras tenha um final melhor que o do Irã.
Ainda dúvidas, Pedro. Não imagine que venho aqui puramente provocar. Mas apenas confrontar os argumentos que vamos cavando internet a dentro e que me deixam com a tal pulga atrás de orelha. Por exemplo, Quando o Kevin diz “Um referendo ilegal teve como resposta uma intervenção militar ilegal, com a suposta intenção de proteger a constituição”. Outros blogs (sim, refiro-me ao do polêmico Reinaldo Azevedo) destacam os trechos da constituição hondurenha em que mostraria que a ação militar estava prevista na constituição. Se esta constituição foi criada por civis, se os próprios civis definiram que as forças armadas podem ser utilizadas na defesa de sua constituição, se entende-se que os três poderes devem se vigiar, como acusar que “retornamos ao triste papel dos militares como árbitros dos conflitos políticos entre civis” se, ao pé da letra, o único que não agiu como se esperava foi justamente o poder executivo?
Não quero defender a ação militar. Isso de já terem fechado rádio e TV evidencia que não é coisa muito boa que rola por lá. Mas como contra-argumentar com quem usa a constituição de lá, e até a do Brasil, para provar que a ação foi legal?
#1,
aparecer vão, mas de repente nego vai ter q procurar.
alem do mais é o seguinte:
o exército não atuou como arbitro, apenas, após ser convocado pelos poderes civis, cumpriu seu dever.
será q vamos ter uma cobertura mais factual por aqui?
#5 - Já existem. Só quero ver quem vai publica-las…
A Revolução de 1964 foi feita em defesa da democracia.
PRS - Desculpe, mas não há comparações cabíveis.
O Iconoclasta colocou uma pergunta pertinente:
“Quando o Executivo se recussa a obedecer uma determinação do Judiciário e do Legislativo não é golpe?”
Os reaças aqui acreditam mesmo que o devido processo legal para o impeachment do Zelaya foi obedecido? Nessa confusão de Honduras tá todo mundo errado. Fato.
Pablo, a referência a 1964 foi só uma provocação
Quanto a Honduras, só faço uma pergunta: se não é golpe, por que cortaram os sinais de TV?
PRS - Porque estão fazendo merreca atrás de merreca. Volto a dizer que não concordo com os métodos usados. Mas não concordo que tenha sido golpe. Aliás os canais que foram cortados pertenciam a aliados de Zelaya e até onde sei eram estatais (foi a informação que tive) outros canais estão funcionando.
Mas você ainda não respondeu minha pergunta.
Sei que não tem nada a ver com o post, mas tinha comentar. Este anúncio da Livraria Cultura aqui em cima é um verdadeiro estelionato intelectual. Borges jamais escreveu essa bobagem de que imaginava o paraíso como uma livraria. E quem conhece um pouco a obra de Borges sabe que ele jamais escreveria algo semelhante. O que escreveu, sim, foi que imaginava o paraíso como uma espécie de BIBLIOTECA. E eu imagino que os patetas da Cultura, ou os publicitários que eles contrataram, fizeram uma tradução mal-feita de uma tradução de Borges para o inglês. Porque certamente eles leram LIBRARY e traduziram por BIBLIOTECA. É a única explicação possível. Ou é má-fé mesmo.
Não, não é, pois:
1- O executivo é o poder que governa. O chefe de governo é chefe de estado, no presente caso.
2- “Desrespeito” é matéria de julgamento e pode ser revertido. Como você mesmo frisou, havia muito espaço para fazer Zelaya ser responsabilizado por seu desrespeito. Num golpe, os responsáveis não têm como ser responsabilizados por seus atos, já que detém o poder das armas.
3- Somente o El Heraldo e o La Prensa falam em presença de agentes venezuelanos, de forma genérica. Não só é estranho que não tenham apresentado nenhum deles, uma vez que controlam o país e detiveram por algunas horas representantes diplomáticos venezuelanos e equipes da Telesur, como tal informação não foi confirmada por nenhuma agência independente. Isso cheira mais a contra-informação do que a notícia.
Comentário #13 dirigido ao comentário #11.
Desde ontem, alguns comentaristas negaram que os militares tenham aplicado golpe, alguns outros mencionaram contragolpe e, hoje, alguns afirmam que o conflito de poderes (Zelaya X parte do Congresso e Judiciário) constituiria golpe do presidente.
O chefe do Executivo tentou, através de consulta popular, mensurar a receptividade dos cidadãos a uma eventual reforma constitucional. Qual o crime político desse ato e por qual razão isto constituiria atividade golpista ?
Qua houve forte oposição do Judiciário e do Legislativo não se discute, porque é evidente. Mas o resultado é uma crise institucional, relativamente comum em processos políticos e não significa golpe ou tentativa.
Há pouco, a Assembléia da ONU resolveu, por aclamação, reconhecer Zelaya como único e legítimo Presidente de Honduras, a partir de moção encabeçada pela Venezuela.
Os golpistas estão em situação crítica. :-)
q videozinho muquirana.
6 duzia de gordinhos mal ajambrados. o exercito ta tao furioso q nem reage aos cascudos das baranguinhas.
o Doria, nessa toada vc vai conseguir enterrar a cobertura sobre o Ira rapidinho.
agora aproveitando o q o Pablo disse sobre os métodos, eu, diferente dele não aprovo nem reprovo pq nao tenho info suficiente, mas é o seguinte: se for o exercito, na mao grande, a entidade q mantiver o poder, sera sem duvida um ato totalmente reprovavel. por enquanto nao é q parece estar ocorrendo ao contrario do q o Doria e outros querem fazer crer.
É golpe. Mas só a discussão em torno disso já mostra como os reaças estão com os oxiúros ouriçados.
O terceiro parágrafo de meu comentário # 15, acima, se refere ao comportamento de Zelaya, claro.
As atividades militares e de seus aliados civís, ao destituir o presidente foi, como é óbvio, um golpe de Estado.
Pablo, é um ato de flagrante desobediência. Pode ter sido uma tentativa de golpe. Mas golpe não se trata com outro golpe.
Tivessem as Forças Armadas detido o Zelaya e levado para um julgamento com direito a ampla defesa na Suprema Corte, seria uma saída democrática. Levá-lo para a Costa Rica conhecer as florestas privadas do Oscar Árias ultrapassa o limite democrático. Aliás, justiça seja feita, concordamos neste ponto.
Quanto às TVs, nem o governo nem a Suprema Corte nem ninguém tem poder de decisão editorial para definir o que é certo ou errado em termos editoriais.
Iconoclasta, na tradição latinoamericana dos Pronunciamientos, as forças armadas nunca ficavam com o poder. Elas derrubavam o presidente e davam posse a outro governo civil. Quem mudou esta tradição foi o Brasil em 1964.
JPR - Então na sua visão o Executivo por ser o Chefe de Estado pode tudo?? Inclusive passar por cima de leis??
Meu caro, isto é ditadura. Isto é totalitarismo puro e simples.
Outra coisa, as urnas e as cédulas para o referendo ilegal foram trazidas da Venezuela por aviões oficiais venezuelanos. Os “observadores” no referendo eram venezuelanos e guatemaltecos.
Ora meu caro, é mais que claro que Chavez teve uma ingerência no processo. Não estar condenando isso para mim é um caso estranho.
Discordar pode na boa, mas criar os próprios fatos é que não dá.
Nada como será antes - “Parte do congresso”????
A votação foi UNÂNIME.
Vamos ver quem vai dar razão. As pessoas em Honduras ou a ONU.
PRS - A grande diferença é que esse congresso foi eleito de maneira livre a quatro anos atrás. Ou você acha que os militares já estavam planejando isso. Ou se esqueceu que Zelaya é do mesmo partido da maioria no congresso?
A lógica não fecha.
A relatividade dos reaças é incrivel.
PRS - Novamente concordo contigo sobre os métodos. Mas de qualquer forma Zelaya estaria fora da presidência. Não é?
Pablo Vilarnovo,
Votação unânime significa, claro, que os aliados de Zelaya foram pressionados pelas articulações golpistas. Então, a unanimidade é NOMINAL, não real.
A ONU já decidiu, horas atrás, por aclamação. Aliás, sem ameaças golpistas.
Todos os países-membros da ONU condenaram o golpe. Só restam você e alguns outros comentaristas deste blog.
:-)
Pablo # 24 (bom número aliás)
Se ele já estaria fora da presidência, então porque não apressarmos isso tudo? É só botar uns tanques nas ruas, dar umas porradas e tudo bem. Ah, essa direita brasileira… precisa urgentemente de um general para chamar de seu.
ter expulsado a peça pode nao ter sido a melhor opçao - eu particularmente, chuto que nao, mas engaiolar teria sido melhor?
hummmm, pouco provavel q a recepçao fosse melhor…
Aliás, o único povo que a direita consegue colocar nas ruas são os soldados do exército nas épocas de golpe.
Nada será como antes - Então o senhor já invetigou, julgou e condenou que os deputados que votaram contra Zelaya foram pressionados, ignorando que esse processo já dura muito tempo, ignorando que o referendo proposto por Zelaya já havia sido derrotado no mesmo congresso.
Você está inventando coisas sem o menor embassamento apenas para que caibam na sua interpretação.
Atenha-se aos fatos.
Tem certeza Inútil? Então não está olhando nos lugares certos…
http://www.elheraldo.hn/
#17 por sinal o FLU hoje clama que não foi golpe ou se foi era merecido, sendo que eram os mesmo que reclamavam de fraude no Irã. Enquanto isso o FLA, acusa o golpe em Honduras e desmentia no Irã.
E o flaXflu continua.
#21
“Então na sua visão o Executivo por ser o Chefe de Estado pode tudo?? Inclusive passar por cima de leis??”
Isso VOCÊ é quem está dizendo, baseado num sofisma. Um presidente não cumprir decisões judiciais amparadas pela constituição não é golpe, embora seja uma infração grave que pode e deve ser resolvida no trâmites legais, inclusive com o impedimento. Seria um golpe do executivo se o Zelaya fizesse o mesmo ou algo similar ao que o Fujimori fez, isto é, fechar o congresso, intervir no judiciário, perseguir opositores e se amparar nas forças armadas.
“Meu caro, isto é ditadura. Isto é totalitarismo puro e simples.”
Seu desgosto pelas palavras e por seu sentido são de um relativismo assustador. Não vou entrar em debate desgastante sobre estas coisas básicas, me desculpe.
“Outra coisa, as urnas e as cédulas para o referendo ilegal foram trazidas da Venezuela por aviões oficiais venezuelanos. Os “observadores” no referendo eram venezuelanos e guatemaltecos.
Ora meu caro, é mais que claro que Chavez teve uma ingerência no processo. Não estar condenando isso para mim é um caso estranho.
Discordar pode na boa, mas criar os próprios fatos é que não dá.”
Até o momento estes são “fatos” criados por dois jornais que apóiam o golpe. Repetí-los sem confirmação independente não fazem disso fatos.
Pablo e Iconoclasta, a diferença básica é a mesma que existe entre João Goulart e Fernando Collor. Ambos eram presidentes inábeis, com pouca representatividade no Congresso, e sobre quem pairavam suspeitas de corrupção. Contudo, Collor sofreu um intenso processo político, com direito a ampla defesa, enquanto Goulart foi sumariamente cassado e posto para fora do país. Por mais que PC Farias seja pinto perto do Delúbio e do Ricardo Sérgio, ninguém contesta a legitimidade do impeachment de Collor. Nem o próprio.
Pablo Vilarnovo,
Se você alega ter a melhor versão dos fatos, entre em contato com a Assembléia da ONU e avise a todos os representantes diplomáticos presentes que estão equivocados. :-)
É relativamente comum, em golpes de Estado que o Legislativo, seja para facilitar composições ou por simples temor, realize votações com resultados nominais.
#28 deter o sujeito e levar à julgamento, com direito de defesa, seria o procedimento correto.
Mas acho que agora a reação do povo hondurenho é que vai dizer muito sobre o andamento desse golpe.
PRS, o Collor, q eu me lembre, nao tentou passar por cima do congresso e do judiciario com uma medida atabalhoada, desrespeitando decisoes daqueles poderes e utilizando recursos do estado para isso. de fato nao chegou a ser golpe o q ele fez, foi uma tentativa fracassada pq o exercito - novamente - cumpriu seu dever de respeitar a constituiçao.
e esse camarada q se pos junto a uma minoria no congresso, pq qd eleito, me corrija se equivocado, ele tinha maioria. independente disso, como o Pablo já esclareceu, foi unanime a contrariedade do congresso.
PRS - Mas você não concorda que fechar o congresso e ignora-lo possui o mesmo efeito prático. E Zelaya só não fez isso pois não conseguiu o apoio do exército. Por isso demitiu o chefe das forças armadas.
Não são fatos inventados, há FOTOS das aernoves de Chavez pousando em Honduras. Zelaya e alguns seguidores invadiram uma base da aeronautica para pegar esse material.
Nada Será como Antes - Só falta a ONU convencer a população de honduras que está nas ruas defendendo a saida de Zelaya.
Agora falta explicar porque o congresso de maneira unânime votou contra Zelaya, e já o vem fazendo a bastante tempo… Zelaya não tinha apoio de ninguém. Mas como gostas de inventar fatos para que caibam na sua análise…
ABC - É por aí mesmo…
“de fato nao chegou a ser golpe o q ele fez”
o “ele” é o hondurenho, naturalmente… mas q tentou nao resta duvida.
Pablo Vilarnovo (36),
Noto que você continua sua briga heróica contra a realidade.
Pablo,
Tome o seu remédio que tudo melhora.
Pablo, em nenhum momento quero inocentar o Zelaya. Acho sim, Iconoclasta, que ele criou mais dificuldades que o Collor em seu processo de impeachment. Acho até que o objetivo de Zelaya era dar um golpe.
Meu ponto: ao tirá-lo do poder e puni-lo sem direito a defesa, a Suprema Corte e as Forças Armadas passaram do ponto. Zelaya poderia ser processado, afastado temporariamente do cargo, e até mantido sob custódia, desde que sofresse um processo e pudesse se defender. Como foi com o Collor.
Para mim, o que aconteceu com Honduras foi uma espécie de caveirão político: contra criminosos, usou-se prática de criminosos.
PRS - Tudo bem Paulo, posso concordar com isso.
Tem presidente exilado, tanque, soldados, prisões, censura, porrada, mas não é golpe, não é golpe.
Parece até aquele personagem do Caceta e Planeta que está pelado na sauna gay, mas não é gay, não é gay… ah, essa direita brasileira me mata de rir.
Enquanto isso, o tio Rei fica defendendo golpistas. O “homi” surtou.
O tio rei (sempre me surpreende o número de sobrinhos ele tem na blogosfera) deveria estar tentando defende ro Arthur Virgílio. Mas isso é mais complicado do que defender golpistas =0)
“Meu ponto: ao tirá-lo do poder e puni-lo sem direito a defesa, a Suprema Corte e as Forças Armadas passaram do ponto.”
PRS, do ponto de vista legitimo, e até moral, eu tendo a concordar (o “tendo” é só pq eu nao tenho dominio dos fatos e da ordem juridica local, mas eu de fato concordo).
mas so para extrapolar um pouco, eu acho - diferente de outros aqui as coisas nao sao tao CLARAS para mim - q a reaçao externa, por viciada, nao seria melhor.
Zelaya anunciou que regressa quinta-feira. Escudado pelo secretário-geral da OEA e os presidentes do Equador e Argentino e quem mais tiver disposto. Movimentos sociais hondurenhos já estão marchando do interior para a capital e prometem receber o presidente constitucional em ato massivo.
Acho que os golpistas vão dar pra trás e Zelaya volta, agora com mais poder e pelo efeito comparação, mais legitimidade (já que a oposição ao dar o golpe perdeu a sua).
Mas vamos ver, de bunda de neném e cabeça de golpista, ninguém sabe o que pode sair. Se eles mandam o exército mandar bala e atingem algum dos três figurões acima citados, quem pode descartar a possibilidade do conflito diplomático virar conflito armado internacional?
Iconoclasta, as reações externas foram movidas por informações oriundas de seus serviços de diplomacia e, em alguns casos, de inteligência. Chavez diria o mesmo, mas acredito que o Brasil e principalmente os Estados Unidos teriam sido mais cautelosos.
Neste governo, caiu uma série de governos, e em poucos deles o governo brasileiro, via Itamaraty, acusou o golpe. Exceção ao Irã, onde quem falou além da conta foi o Planalto, o Itamaraty ficou quieto.
Eu acho engraçado esse argum,ento de que o Zelaya iria dar um golpe. O sujeito não tinha a menor condição de dar golpe.
Não teve apoio de nenhum deputado, tem o exército contra ele e há vinte anos que não havia um golpe de Estado em Honduras.
O único poder que ele poderia ter é o apoio do Chavez, mas mesmo assim, a coisa é controversa. Pelo sim, pelo não, o sujeito sofreu um golpe.
Não foi julgado, não pôde se defender e foi sequestrado. A imprensa e os congressistas que o apoiam (como o deputado Cesar Ham) estão sendo impedidos de emitir a sua opinião.
Se o Zelaya pretendia ser um ditador, Micheletti já o é desde o primeiro dia de seu governo.
Gente, acabei de consultar a Constituição de Honduras, disponível aqui. Pela leitura que fiz, a Suprema Corte não poderia determinar que as Forças Armadas removessem um presidente sem o devido julgamento. Neste caso, o Congresso teria que aprovar a abertura de um processo contra o presidente, e só então a Suprema Corte poderia abrir um processo que permitiria a deposição do presidente Zelaya.
Coloco o link porque alguém pode encontrar algum ponto falho no que estou dizendo. Se isto aparecer, estou disposto a me corrigir.
P.S.: encontrei este link no blog do Reinaldo Azevedo.
E se a regra fosse: colocar as Forças Armadas para tomar o poder = ditadura? Poderíamos definir como um axioma?
Seria uma boa questão para o Serra.
Lula apóia o Sarney incondicionalmente, assim como Fernando Henrique fez. A ditadura é a da corrupção. Fernando Henrique precisava de um segundo governo, apesar do seu não ter sido o pior dos mundos. Lula precisa fazer sua sucessão, apesar de não ser o pior dos mundos. Aos poucos, sem as Forças Armadas nas ruas e no poder, andamos pra frente, por mais roubalheira que exista, tanto lá como cá.
E o povo, às ruas e aos teclados, pode derrubar essa ditadura, a da corrupção. Sem armas.
É que o povo, ignorante por convicção e determinação do status quo, seja de Fernando Henrique ou Lula, é fadado à ignorância.
José Serra e Honduras perdem qualquer razão ao combater canalhas com a força bruta. Tão simples quanto isso.
2010 está aí, DEM e PSDB se unem para declarar: fim à corrupção. Parece que já vi esse filme em outros idos de gente que se dizia melhor nesse quesito.
Não eram.
Este aprendiz de autucrata, Manuel Zelaya, já tem idade suficiente para saber que o país não é dele e que não pode fazer o que bem entender.
Pablito no #1:
Porque o referendo seria ilegal? Porque seria proibido por uma constituiçao fajuta, autoritária, protetora dos privilégios de uma classe espoliadora do país? Nada mais democrático que um referendo; os suíços os fazem há séculos.
Realizar referendos nunca foi ilegal nem anti-democrático. É uma consulta ao povo que, normalmente, é o dono do país. Goste ou nao da resposta, cabe ao Estado aceitá-la, e tamu cunversado.
Politicamente, milico nao consegue ver um palmo adiante do nariz. Os bichos sao treinados pra matar e obedecer ordens, mais nada. Pô, ao que tudo PARECE indicar, de qualquer maneira o Zelaya ia perder o tal referendo. A milicada poderia ter esperado sair o resultado muito provavelmente negativo, nao? Visto que o Zelaya nao é tao popular assim, né mesmo? Masi um golpe idiota…
Porém, a elite macaca que deixa vegetar na pobreza mais abjeta 80% da populaçao de um país que “goza” de taxas de desemprêgo frisando os 30%, deve ter pensado: E se o cara ganhar, ein? E se tivermos uma Constituinte para reescrever esta constituiçao fajuta que temos? E se perdermos 0,5% de nossos privilégios, hmmmm? Cairemos na miséria. Melhor acabar com essas consultas populares bobinhas - bota o cara pra fora na ponta do fusil!
Quero ver a cara de paspalhos que farao quando a Zelaya voltar de onde o tiraram à fôrça, e brevemente…
Caramujo - Quem está dizendo que é fajuta e autoritária a constituição de honduras é você. Ela funcionou muito bem até agora e foi responsável pela relativa calma política em Honduras desde sua promulgação em 82, seis anos anterior a nossa própria constituição.
Não importa se o homem iria ganhar ou não. O fato que o referendo deveria ser aprovado pelo parlamento e não foi. Ponto. Zelaya tinha que ter respeitado isso.
E quem te garante dado a imensa ingerência de Chavez, que não seria fraudado? Ou você acha que os agentes chavistas estavam fazendo turismo lá?
E se o país se encontra na miséria o maior responsável é o próprio Zelaya que caso você tenha esquecido era o presidente do país a quatro anos. E corroborando isso o cara amargava a lanterninha da popularidade na América Latina. Era o presidente mais mal avaliado de todos.
Você realmente acha que ele vai voltar e ficar tudo bem?? Bobinho…
O máximo que vai acontecer se ele voltar é ser destituido da maneira que deveria ter sido feito na primeira vez.
Pablo #30,
vou te dizer, aquela foto não diz nada. nada. nada.
uma foto fechada, de umas cinquenta pessoas, todas brancas, algumas de uniforme militar… uhmmmm, com um jeitinho de marcha da família com deus pela liberdade.
além do que, a fonte (El Herald) é golpista também. só publica o que quer.
e o pior Pablo, é que você é mais inteligente do que isso.
Radical Livre - Foto fechada??? Cinquenta pessoas?? Onde?
Clica no meu nome.
Fotos fechadas até agora só vi das passeatas a favor de Zelaya. Inclusive em um link que o cara passou lá no Idelber.
Do blog do Alon (http : // www . blogdoalon.com.br/, bastante lúcido por sinal:
Se precisamos justificar certas ditaduras num dia e condenar outras no dia seguinte, é desejável um pouco mais de sofisticação
As reações ao golpe em Honduras são o enésimo exemplo de como é importante considerar em primeiro lugar as conveniências dos atores quando se analisa a política internacional. Melhor ter consciência disso do que viver de ilusão. Em vez de perder tempo com a crença em declarações vazias, concentrar-se na análise da relação de forças e de interesses. Si vis pacem, para bellum. Se queres a paz, prepara-te para a guerra. Quem pode mais chora menos. E ponto final.
Luiz Inácio Lula da Silva foi artífice quando a Organização dos Estados Americanos (OEA) se movimentou para revogar o isolamento de Cuba, apesar do sabido déficit democrático na ilha. Muito bom. Um argumento costumeiro de Lula é que não devemos ditar regras sobre a política interna do alheio. Razoável. Se tais parâmetros forem adotados para a república hondurenho-bananeira, deveremos deixá-la em paz no seu golpismo de opereta.
Quando no ano passado a Geórgia tentou retomar no braço províncias separatistas pró-russas, a melhor expressão que achei para o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, foi “malucão do Cáucaso”. Moscou aplicou uma surra de chicote no dito cujo. Agora, de qualquer ângulo que se olhe, o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, é forte candidato ao título de malucão da América Central.
Para convocar uma Assembleia Constituinte, Zelaya quis fazer na marra um plebiscito proibido pelo Congresso e pela Justiça. Tentou demitir o comandante do Exército, que se recusava a ajudar no tal plebiscito. Na sequência, tomou um golpe de estado. Sonhou com a perpetuação no poder, mas acabou chutado de pijama para fora do país.
Aqui no Brasil nós sabemos o custo de querer fazer as coisas “na lei ou na marra”. Se você não conhece a expressão, dê uma olhada nas circunstâncias da queda de João Goulart em 1964. Com justiça, os livros de História trazem que Jango foi vítima de um golpe ditatorial. Mas a mesma História registra também o quanto ele ajudou os golpistas, esticando a corda para além do razoável e flertando com o golpismo dos aliados dele, Jango. Por exemplo, ao estimular a insubordinação nos quartéis. Se o “na lei ou na marra” vale para você, vale também para o adversário. E adianta pouco choramingar depois.
De volta à atualidade. Nossa emergência como nação relevante no falatório planetário, na discurseira global, está a exigir um upgrade do governo e dos diplomatas brasileiros nas explicações e nos discursos. Se não, fica parecendo só o que é: uma dança ao sabor das conveniências.
Em nome do princípio de não se meter na vida alheia, o Brasil nega-se a condenar regimes acusados de violar direitos humanos. É compreensível. Não conheço país que adote o respeito aos direitos humanos como primeiro critério de política internacional. Quando o político exibe excessivo interesse no assunto, faça o teste da isonomia. Verifique se ele luta pelos direitos humanos dos inimigos com a mesma ênfase usada para defender os direitos dos amigos. Quem sabe você encontra algum governante que preencha o requisito.
Mas, se os princípios, inclusive o da não ingerência, valem só quando convêm, recorrer obsessivamente a eles vai acabar, um dia, em desmoralização. Daí a necessidade do upgrade. Uma política externa pragmática precisa de suporte intelectual consistente em pragmatismo. Se vamos passar a mão na cabeça de alguns ditadores num dia e condenar outros no dia seguinte, é preciso um pouco mais de sofisticação.
Ao trabalho, itamaratecas!
O melhor comentário, até agora, foi mesmo o do amig Pax, q, me parece, anda meio sumidão… Bom retôrno, Pax.
No mais, acho curioso q alguns dos amiguinhos “liberais” daqui vivem esgrimindo o conceito “relativista”. Não conheço grande coisa sobre Honduras, aparte o fato de q travaram uma guerra ridícula contra El Salvador, cujo pretexto foi um jogo de futebol (1), que um milionário americano, nos anos 1970 comprou parte da força aérea deles, pq um dos Corsair tinha sido pilotado por um ás durante a Guerra da Coréia (2), e (3) esse Zelaya se vestia como caubói sem ser americano, o q o faz ficar empatado com aquele exército de fancaria, q se veste de soldado americano sem ser.
O q me interessa nessa história toda é q um precedente desses é tudo q não precisamos, na América; apesar do q diz o “liberal” Pablito, ao q parece, a Suprema Corte de lá deveria ter se manifestado e, caso necessário, declarado o impedimento constitucional do presidente. Gostaria de saber em q espécie de democracia o presidente é retirado da cama e enviado para o exílio sem poder mudar de roupa.
E a ONU deveria consultar o povo de Honduras? Qual deles? A elite terratenente bem representada naquele “parlamento” deles? :c)
o passo atrás da democracia foi dado por Zé Kaia.
Pablito: O bobao qui é você.
A Constituiçao hondurenha “funcionou bem até agora” porque foi forjada para favorecer a classe dominante, mais nada. Tem nada a ver como o povo hondurenho, aquele que pena pra sobreviver.
Honduras tem sido uma ditadura desde os anos 1900. Nunca foi democracia de verdade, apesar de ter sido governada por presidentes eleitos desde 1982 (alguns dizem 1972). Sempre foi um país pobre, cheio de miseráveis, e isto desde sempre. Sua gratuita afirmaçao que é o Zelaya o “principal responsável” desta miséria só pode sair da mente de um manipulador chinfrim como você. Nao foi o Zelaya, eleito em 2006, quem criou a miséria dos 80% dos hondurenhos, ao contrário do que você, na sua paspaplhice, quer fazer crer. Esta miséria é endêmica, causada por uma classe dominante corrupta, violenta, anti-progressisa e anti-democrática.
O Chávez nao poderia fraudar referendo algum, mesmo tentando. Afinal, quem ainda dá as cartas em Honduras sao as fôrças armadas (sempre financiadas e armadas pelo seu Titio Sam, que em passado recente usou Honduras como base dos “contras” na guerra suja de Reagan contra a Nicarágua) e estas certamente estariam a vigiar o grao.
Tres posts do Zelaya!???????????
Tá importante pacas!
Bitt….não entre nessa do Pax….ele é um legalista e tendencioso!
Não abre mão de suas prerrogativas de bom burgues, não abre mão de constitucionalisdta desde que o capitalismo esuas regras atuais feneçam.
Se houver uma ruptura com esse momento oportuno do capitalismo nacional e sua tranquila partolha economica ele apoiará golpistas saneadores, e voce, apoiará?
E nós trabalhadores como ficaremos.
O blog dele anti corrupção é belo e singelo, até a ordem e a lei começar a favorecer demais os desvalidos!
Aí começam as nuvens negras que comeram o Zelaya pelas pernas…..
É bom ser bonzinho, desde que haja a proteçãopara o meu pirão, mesmo que a farinha seja pouca!
fala sério Mano!
de ser constitucionalista e legalista….
Nada será como antes, desculpe, caro, mas vou te eleger como exemplo de como caminha a humanidade aqui no PD.
Segundo o Dicionário Ideológico a palavra golpe pode ter duas interpretações distintas:
1- golpe no Irã = democracia
2- golpe em Honduras = golpe.
certo?
Radical Livre, cliquei no Pablo.
A foto não é fechada não.
Pelo contrário.
Muita gente na rua não significa que o lado defendido pela multidão é o certo.
Mas não é uma montagem.
No Idelber(Biscoito) muitas e novas informações sobre o golpe ridiculo em Honduras…..
Marco….por outro lado:
Golpe preventivo:
No Irã e em Honduras!
E o povo se fudendo todo!
Tetem a TELESUR!
É em espanhol e é muito verdadeira!
Tentem!
Muita gente na rua pobre e faminta( não é mesmo sinal de insatisfação!)…..é , despois vem a marcha pela familia e a religião.
Os pobres vão para a favela e o postador e seus familiares para o clube e para a “convivencia”…..
Sófalta a Me aqui!
É golpe … não é golpe … é golpe … não é golpe. Essa discussão babaca é coisa de viados.
Pablo #35:
“Não são fatos inventados, há FOTOS das aernoves de Chavez pousando em Honduras. Zelaya e alguns seguidores invadiram uma base da aeronautica para pegar esse material.”
É risível! Então uma base de uma força que é anti-chavista deixa pousar uma avião chavista, mas aí não deixa o material chavista sair, e é “invadida” por seu comandante-me-chefe, um presidente chavista que mandou vir o tal avião, justamente para uma base de uma força anti-chavista. Só rindo da engenhosidade de quem inventa estas coisas.
É a mais pura traição.
OBAMA REVELA
AO QUE VEIO
Um presidente que quer reeleger-se propõe um plebiscito para permitir sua reeleição. O plebiscito é considerado ilegal pela Suprema Corte de seu país. O Congresso aprova uma lei que impede a realização de consultas populares 180 dias antes e depois das eleições. O presidente ignora a lei e a decisão da Suprema Corte e mantém o plebiscito. A Suprema Corte ordena que o Exército destitua o presidente do país. Em defesa da Constituição, do Congresso e da Suprema Corte, o Exército o destitui. Dia seguinte, a imprensa internacional toda fala em golpe. Quando Exército rasga a Constituição é golpe. Quando a defende, também é golpe. Não entendi.
Talvez o imbróglio se torne mais claro quando Hugo Chávez, o clown do continente, declara seu apoio ao presidente que queria rasgar a Constituição e diz que não reconhecerá outro presidente hondurenho que não seja José Manuel Zelaya.
O presidente que preparava um golpe branco recebe, de repente, o inusitado apoio dos EUA. Barack Obama condenou a destituição do presidente hondurenho e pediu que “todos em Honduras respeitem normas democráticas, o estado de direito e os princípios acordados na Carta Democrática Interamericana”. Para isso, disse Obama, Zelaya deve retornar ao poder. Ora, quem estava desrespeitando as normas democráticas, o estado de direito e os princípios acordados na Carta Democrática Interamericana era precisamente Zelaya.
É difícil imaginar que o presidente americano esteja mal-informado. Ainda há pouco, em um discurso na universidade do Cairo, revelou ao que veio, ao defender o Islã e a ditadura de Hosni Mubarak. Ao apoiar o tiranete da Venezuela e um projeto de ditadura, Obama de novo confirma seu apreço por ditaduras.
- Enviado por Janer
Caram,
Vi seu comentário (61) para o post aqui no blog intitulado “Forças Armadas e Democracia na América Latina” de 30/06/2009 às 14h26 e observei que caiu o “u” do seu nome. No post “Sobre Honduras, sobre golpes” de 30/06/2009 às 17h56 eu enviei um comentário (81) para você em que ficou faltando o “o” do seu nome.
Nesse ritmo dentro em breve você desaparece do blog do Pedro Dória.
Devem ter sido as imprecações que eu vociferei por você ter-se omitido e recusado a responder a que eu perguntei em comentário (123) enviado para o post “Embaixador iraniano sugere que a CIA matou Neda” de 26/06/2009 sobre comentário (75) seu para o mesmo post e você matreiramente mencionou um outro comentário (81) seu também para o mesmo post com um questionamento que você fizera a respeito de possíveis contradições entre meus comentários (19) e (91) enviados para “Ruas vazias em Teerã - bastidores tumultuados” de 24/06/2009. Sem esquecer que eu respondi no comentário (149) às suas dúvidas, apesar de você no comentário (142) ter ameaçado só me responder às questões lançadas no comentário lançadas em (123) após eu responder ao seu questionário enviado em (81), sendo que uma coisa não tinha nada a ver com a outra.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/07/2009
Obama apoia Zelaya porque quer fazer a mesma coisa nos EUA, rasgar a constituição e virar aiatolá.
Quando um país precisa que suas forças armadas “garantam” a Constituição, é porque as coisas já desgringolaram.
Forças armadas existem para defender o país de inimigos externos. E, simplesmente, se subordinam à Constituição e ao poder civil.
Se o Congresso aprova o impedimento do presidente, deve, em seguida, empossar seu sucessor, nos termos do que dispuser a respectiva constituição. As forças armadas devem ficar, automaticamente, subordinadas a esse sucessor.
O simples fato de se admitir que as forças armadas — uma repartição subalterna do Poder Civil — funcionem como árbitro que seja ou não constitucional (algo acima do Poder Civil), já é uma aberração.
Uma macacada da mais simiesca república de bananas.
“…funcionem como árbitro DO que seja ou não constitucional…”
Elias, não venha com essa, o Judiciario já tinha arbitrado, o Executivo insistiu em desobedecer e o Judiciario solicitou as forças. Simples.
Clever no #75: Você é o máximo! Nao é por nada que seu nick é “Clever” - espertinho.
Cara, nao respondí à sua perguntinha tipo “porque seria o Lula responsável pelo assassinato do Celso Daniel?” simplesmente porque ao lado do nome Lula botei um ponto de interrogaçao (?). Você, Clever esperto, notou? Nao acusava o Lula de ter mandado matar o Danile, apenas duvidava (ponto de interrogaçao), o que é o meu direito. Nao somente eu, mas muitos no Brasil pensam que o Lula tem responsabilidade no caso.
Você escreve por corolários, dando mil voltas em tôrno do pote. Vá direto ao assunto, rapaizzz! Dê sua opiniao pessoal, como eu faço, “sem medo de ser feliz”, ao invés de ficar dançando como o Mohamed Ali no ringue. Seria capaz?
Chesterton,
Acho que você está misturando as coisas.
1 - O Judiciário declarou a inconstitucionalidade do plebiscito.
2 - O Legislativo votou e aprovou a deposição do presidente.
A decisão “1″ não é condenatória. O cara só poderia ser processado e condenado se, apesar da declaração de inconstitucionalidade, ele realizasse o plebiscito (ou desse partida na realização).
A “obrigação de não fazer” só pode ser considerada descumprida se o ato for consumado, ou seja, se alguém fizer o que estava obrigado a não fazer.
Nesse caso, haveria um processo judicial.
Já a decisão “2″ é política e não judicial.
Ela tem o objetivo de impedir que o presidente faça aquilo que está obrigado a não fazer, porque, se o fizesse, implicaria Golpe de Estado.
Vale dizer: é uma medida preventiva. Trata-se de impedir que ele dê partida na realização do plebiscito, posto que isto constituiria uma violação à Constituição.
Nada demais, aí.
A medida judicial é sempre “ex-post”. Ninguém pode ser condenado por um crime antes de cometê-lo.
Já a medida política pode ser “ex-ante”. Ela pode se antecipar ao crime, exatamente para evitar seu cometimento. Previne em vez de remediar.
Neste caso, uma vez decidida a deposição, seria empossado o substituto constitucional, a quem as forças armadas do país automaticamente se subordinariam.
Se o carinha deposto resistisse, aí sim, seria usada a energia necessária.
E ele dificilmente resistiria, até porque não teria com quê (como ficou demonstrado).
Só que turma lá agiu feito macaco em loja de cristal. Saiu borrando tudo.
A pretexto de evitar uma violação à Constituição, cometeu uma violação igual ou pior.
É a velha história do “eu quero, logo posso e, se posso, faço”. Sabe que está por cima e, por isso pode fazer o que quiser, que não vai pegar nada.
Avaliaram mal a situação e, por isto, vão se ferrar.
Macaco em loja de cristal. Macacada. República de bananas. Gorilagem.
Já perderam, quando poderiam ter ganho facilmente.