Agora é oficial: Mahmoud Ahmadinejad presidente
Ontem, enquanto o Weblog estava fechado para mudanças, o Conselho dos Guardiães anunciou seu veredito final, no Irã. Por certo não surpreende o fato de que descobriram que a eleição foi limpa de fraudes – talvez a mais limpa da história da República Islâmica – e que Mahmoud Ahmadinejad deve ser reconduzido à presidência. E qual a cara de um governo Ahmadinejad?
Hoje, dos 21 ministros, oito são membros reformados da Guarda Revolucionária e cinco foram comandantes da milícia Basij. É a mesma basij que descia o sarrafo ontem mesmo nos manifestantes que ainda têm coragem de ir às ruas para reclamar do golpe.
Não é só nas ruas que tem quebra-pau. Segundo o Huffington Post, alguns deputados chegaram a partir para a briga no parlamento. Mir Hossein Mousavi, em sua página no Facebook, continua clamando contra a ilegitimidade da eleição. Tem gente importante do regime do seu lado.
Mas esta batalha parece perdida.
Há provavelmente milhares de presos nas cadeias iranianas. E sabe-se lá quantos mortos. O Guardian, com ajuda da turma online do Irã e em parceria com as (seriíssimas) ongs Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras tenta compilar a lista de todo mundo.
O uso da palavra ‘batalha’, aqui, não é acidental. Há uma guerra em concurso pelo poder político no Irã. Ao longo dos próximos meses, haverá outras batalhas.
Na geopolítica do Oriente Médio, o Irã é um país cada vez mais importante. O medo do xadrez é o seguinte: se o país levar em frente seu projeto nuclear e se este projeto culminar com armamento, a dinâmica da região muda por completo. Ali, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita disputam os espaços de influência. É possível que, para retornar o equilíbrio de forças, os sauditas busquem também seu projeto nuclear. Para estes, há uma saída fácil e rápida: negociar com o Paquistão para botar mísseis em sua casa. Se a Arábia Saudita seguir o caminho nuclear, outro equilíbrio é rompido e o Egito não poderá permitir que os Sauds sejam o único poder nuclear árabe sunita.
Uma corrida armamentista num dos cantos mais instáveis do mundo dá medo em qualquer um.
Que tipo de governo fará Mahmoud Ahmadinejad em seu segundo mandato? A forte reação a ele nas ruas de Teerã o fará um presidente acuado? Ou, pelo contrário, com mais gana de ir ao confronto?
E, não menos importante, qual será a reação dos EUA? Barack Obama foi eleito prometendo conversar com o Irã. Os eventos recentes mudaram de alguma forma sua perspectiva? Como Obama vê realmente o país?
O futuro de Ahmadinejad é impossível de prever. Mas pelo menos a última pergunta dá para arriscar: enquanto as ruas de Teerã pegavam fogo, Denis Ross transferia seu gabinete do Departamento de Estado para a Casa Branca, onde ficará mais próximo do presidente. Ele, o diplomata encarregado de Irã no governo Obama, lançou há dois meses um livro sobre o assunto. E o livro está aqui do lado. Amanhã, quando já tiver lido as últimas páginas, conto.
Ainda sobre o assunto:
- Bento 16 e Mahmoud Ahmadinejad, seu amigo O Irã tem um parceiro inesperado em seu conflito aberto com os EUA: o papa Bento 16. Informa a Time:...
- De como Israel pode reconduzir Mahmoud
Ahmadinejad ao poder no Irá Como de hábito, vale a pena ler nos comentários abaixo aquele assinado pelo Bitt. Ele entende tecnicamente de estratégia militar... - Ahmadinejad é presidente. Por ora. Pela primeira vez desde a Revolução Islâmica, um presidente do Irã tomou posse, ontem, sem que a cerimônia fosse veiculada...
- Neville Chamberlain, o Tratado de Munique,
Mahmoud Ahmadinejad, o Irã e o Hamas Em 1990, Mike Goodwin estabeleceu o princípio reductio ad Hitlerum na Internet: ‘conforme uma discussão na rede se estende, a... - A linha dura iraniana já perdeu
(Mesmo que Ahmadinejad continue presidente) A melhor análise para se ler das muitas publicadas ontem é a do professor Abbas Milani, na New Republic. O...



Tá vendo, PD? Quem mandou você parar o Weblog? Os caras aproveitaram!
Tou na torcida pra ver alguns aiatolás na guilhotina. Mas é uma esperança vã, eu sei.
Neste contexto de instabilidade, o Iraque é a única nação islâmica da região capaz de sustentar a esperança democrática. Espero que não haja também lá um golpe de estado depois da retirada das tropas norte-americanas.
Pode estar redondamente enganado, mas tenho a impressão que o Mahmudão vai virar um [alguém sabe como se traduz "lame duck" para o farsi?]já no primeiro dia de largada do segundo mandato.
Anônimo da Pérsia – Que Alá o ouça!
Pedro,
No Internet Explorer aparece a barra de rolagem inferior. No Firefox não há barra, melhorando a navegação.
PD, 4, e quem diz que isso é positivo?
Anônimo,
Serve “camelo atolado” ?
Luiz,
Vou então arriscar uma tradução: “shater cholaq”, “camelo maneta”. Um dos apelidos que usam para sacanear o Khamenei é “Ali Cholaq” (”Ali Maneta”).
Anônimo, o Almadinejah vai se tornar um “chocolate”? (tentando pronunciar shater cholaq)
Aliás, o problema de chamar o Almadinejah de camelo é que alguém pode decidir levá-lo a Meca para sacrificá-lo no monte em frente à Kaaba.
Como questão de fundo, acho que independentemente de quem estiver no poder, o programa nuclear não para. É este programa que vai garantir a mudança de patamar do Irã na politica mundial. Posso estar redondamente enganado, mas penso que quem abrir mão dele vai ser tachado como “vendido” ou algo assim. (P.S. Parabéns pelo novo Weblog).
Mas Paulo isso não seria problema, mas solução
será? Quem sacrifica o camelo tem que comê-lo. Você comeria carne de Almadinejah?
“…Há provavelmente milhares de presos nas cadeias iranianas. E sabe-se lá quantos mortos. …”
Pois é, fácil mandar as pessoas às ruas, difícil consolar quem perde pessoas queridas inutilmente pois, só falta comporem um “centrão”, tocarem o barco e danen-se quem deu a cara a tapa e muito mais que isso.
O primeiro abacaxi para ele descascar já está aparecendo. O 1º Vice-Presidente, Parviz Davoudi já declarou que nesse mandato do Ahmadinejad, os subsídios à gasolina vão ser eliminados. Vai ser uma gritaria geral, pois o preço na bomba deve quadruplicar.
Uau, tá muito chique este bloga agora, né? Parabéns mesmo. Tudo arrumadinho, cheio de style, cheio de design. Você tá torcendo pro Fluminense agora, PD?
;-)
Enquanto isso, Obama começa a retirar tropas americanas do Iraque, cumprindo suas promessas de campanha.
Se o Ahmadinejad cumprir suas promessas, onde fica Israel nessa história?
Por mais que as interpretações de suas falas possam nos levar a conclusões que não sejam “varrer Israel do mapa” há uma clara indisposição de Ahmadinejad contra Israel e uma notória disposição de desenvolver poderio atômico.
E, de outro lado, a triste política de Israel se voltando para uma direita mais estúpida com relação ao futuro da Palestina e dos assentamentos.
Onde A + B darão?
http://revolutionaryflowerpot.blogspot.com/2009/06/account-of-previous-demonstrator-kept.html
No link acima tem o depoimento do provável tratamento que o regime aplicará ao presos – àqueles que ousam questiona-lo– feito por um refugiado iraniano que na época, ainda estudante, foi preso e torturado quando a polícia invadiu o campus da Universidade de Teerã, em 1999, durante uma manifestação contra o fechamento de um jornal reformista.
Por natureza, um regime teocrático, integrista, não admite cisões, contestações e iconoclastias. Quando o povo, liderado por um dos concorrentes e apoiado por alguns líderes religiosos, foi às ruas protestar contra a eleição do presidente favorito do mangangão-mor o cisma se instalou e o mundo ficou de olho. Como isso se refletirá no governo novo-velho, veremos depois.
Resta o consolo de vivermos longe de uma região onde um Irã xiita e uma Arábia sunita, ambos com pretensões nucleares, disputam espaços de influência.
(A depender das circunstâncias, pode não ser tão longe assim).
Aumento de gasolina depois de eleição…
Onde foi mesmo que eu vi uma coisa deste tipo ???
Entre a forca e a força (o poder), o destino de Mousavi parece estar por um fio. Ou por uma cedilha.
Julio, ou por um exílio.
Ou por um asilo, Paulo. Mas, embora a insatisfação no Irã com o imbróglio político eleitoral pareça uma reação legitimamente popular, qual será, de fato, o papel da CIA e do resto da Mossada (sem cedilha) por lá?
Chesterton,
De vez em quando leio algum comentário em que um ou outro comentarista diz que embora você só diga futilidades aqui ou ali você acertou em cheio. Não vou fazer juízo de valor sobre as suas possíveis futilidades, mas seu comentário em (6) questionando o desejo de Pedro Doria em (4) para que Alá ouça a predição do Anônimo da Pérsia em (3), pareceu-me mais que um acerto.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 30/06/2009
Luiz, camelo atolado é ótimo.
Inutil, como assim questão de fundo? Questão de frente, amigo. E vai mudar sim a posição do Irã.
De possível alvo de bombas convencionais, aquelas que fazem bum ao explodir. o Irá vira alvo real de bombas nucleraes, aquelas que fazem BUM, percebes?
India, Paquistão, Israel, Irã, Arábia Saudita, Egito, Síria…..todos com armas nucleares, postergam ao infinito qualquer possibilidade de férias,minhas, é claro, naquela aprazível parte do mundo…Só para lembrar, a China nuclear tem interesses na indigitada região, e, um pouco de mar e lá está a muçulmana Indonésia, sequinha por uma bombinha.
Além da Coréia do Norte, e do a cada dia mais preocupado Japão, capaz de miniturizar bombas que caibam em um celular.
tá feia a coisa…
O velho Mahmoud ainda é o mesmo de sempre; já o Irã que ele pretende governar . . . . . . ahhhh, esse mudou pra caraia. Ele não perde por esperar.
“Na geopolítica do Oriente Médio, o Irã é um país cada vez mais importante. O medo do xadrez é o seguinte: se o país levar em frente seu projeto nuclear e se este projeto culminar com armamento, a dinâmica da região muda por completo. Ali, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita disputam os espaços de influência. É possível que, para retornar o equilíbrio de forças, os sauditas busquem também seu projeto nuclear. Para estes, há uma saída fácil e rápida: negociar com o Paquistão para botar mísseis em sua casa. Se a Arábia Saudita seguir o caminho nuclear, outro equilíbrio é rompido e o Egito não poderá permitir que os Sauds sejam o único poder nuclear árabe sunita.”
Só falta acrescentar a essa “análise” o papel desempenhado por Israel e suas 200 ou mais ogivas nucleares nesse imbloglio todo.
Retificando; imbroglio e não imbloglio.