Agora é oficial: Mahmoud Ahmadinejad presidente

Irã · 30/06/2009 - 10h35 - 30 Comentários

Ontem, enquanto o Weblog estava fechado para mudanças, o Conselho dos Guardiães anunciou seu veredito final, no Irã. Por certo não surpreende o fato de que descobriram que a eleição foi limpa de fraudes – talvez a mais limpa da história da República Islâmica – e que Mahmoud Ahmadinejad deve ser reconduzido à presidência. E qual a cara de um governo Ahmadinejad?

Hoje, dos 21 ministros, oito são membros reformados da Guarda Revolucionária e cinco foram comandantes da milícia Basij. É a mesma basij que descia o sarrafo ontem mesmo nos manifestantes que ainda têm coragem de ir às ruas para reclamar do golpe.

Não é só nas ruas que tem quebra-pau. Segundo o Huffington Post, alguns deputados chegaram a partir para a briga no parlamento. Mir Hossein Mousavi, em sua página no Facebook, continua clamando contra a ilegitimidade da eleição. Tem gente importante do regime do seu lado.

Mas esta batalha parece perdida.

Há provavelmente milhares de presos nas cadeias iranianas. E sabe-se lá quantos mortos. O Guardian, com ajuda da turma online do Irã e em parceria com as (seriíssimas) ongs Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras tenta compilar a lista de todo mundo.

O uso da palavra ‘batalha’, aqui, não é acidental. Há uma guerra em concurso pelo poder político no Irã. Ao longo dos próximos meses, haverá outras batalhas.

Na geopolítica do Oriente Médio, o Irã é um país cada vez mais importante. O medo do xadrez é o seguinte: se o país levar em frente seu projeto nuclear e se este projeto culminar com armamento, a dinâmica da região muda por completo. Ali, o Irã xiita e a Arábia Saudita sunita disputam os espaços de influência. É possível que, para retornar o equilíbrio de forças, os sauditas busquem também seu projeto nuclear. Para estes, há uma saída fácil e rápida: negociar com o Paquistão para botar mísseis em sua casa. Se a Arábia Saudita seguir o caminho nuclear, outro equilíbrio é rompido e o Egito não poderá permitir que os Sauds sejam o único poder nuclear árabe sunita.

Uma corrida armamentista num dos cantos mais instáveis do mundo dá medo em qualquer um.

Que tipo de governo fará Mahmoud Ahmadinejad em seu segundo mandato? A forte reação a ele nas ruas de Teerã o fará um presidente acuado? Ou, pelo contrário, com mais gana de ir ao confronto?

E, não menos importante, qual será a reação dos EUA? Barack Obama foi eleito prometendo conversar com o Irã. Os eventos recentes mudaram de alguma forma sua perspectiva? Como Obama vê realmente o país?

O futuro de Ahmadinejad é impossível de prever. Mas pelo menos a última pergunta dá para arriscar: enquanto as ruas de Teerã pegavam fogo, Denis Ross transferia seu gabinete do Departamento de Estado para a Casa Branca, onde ficará mais próximo do presidente. Ele, o diplomata encarregado de Irã no governo Obama, lançou há dois meses um livro sobre o assunto. E o livro está aqui do lado. Amanhã, quando já tiver lido as últimas páginas, conto.

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