Em busca de uma solução iraniana
A notícia publicada aqui, ontem, de que Akbar Rafsanjani teria em mãos um documento pedindo a anulação das eleições e assinado por 40 membros da Assembléia dos Especialistas não saiu em nenhum outro veículo iraniano. A fonte original é o site PeikNet, que pertence a gente que, nos tempos do xá, era do Tudeh, o Partido Comunista do Irã. O PeikNet arranja documentos inéditos com alguma frequência e, neste caso, eles apresentaram o documento inteiro. Mas também é verdade que o PeikNet publica tudo o que tem em mãos, sem se dar ao trabalho de checar.
A essas alturas, acho que a notícia é falsa. Desculpem.
Roger Cohen, do New York Times, esteve com Mehdi Rafsanjani, filho do aiatolá Rafsanjani. O filho informa que seu pai está trabalhando nos bastidores para conseguir a anulação das eleições perante o Conselho dos Guardiães. Cohen reconhece que o Conselho é leal a Khamenei, mas o fato de que já reconheceu que há discrepâncias nos resultados de 50 cidades que afetam 3 milhões de votos num universo total de 40 milhões é um grande passo.
Ali Larijani, presidente da Majlis, o Parlamento, criticou o Conselho dos Guardiães na IRIB, a tevê do governo. “A maioria do povo está certa de que o resultado das eleições é diferente do que foi anunciado oficialmente.” Larijani é leal ao aiatolá Khamenei – e isto faz diferença. Ex-presidente da IRIB, ele também criticou a tevê estatal por não noticiar aquilo que o povo vê na rua: que a maioria dos protestos foram pacíficos.
Que fique claro: não foram críticas veementes. As fissuras aparentes no regime são discretas.
Um dos rumores que não cedem é o de que o comandante da Guarda Revolucionária em Teerã, Ali Fazli, se recusou a cumprir ordens de partir contra os manifestantes e, dependendo da fonte, foi afastado do cargo ou preso.
O governo está preocupado, evidentemente. Mas a opressão de sábado certamente conteve o ímpeto dos manifestantes. Há relatos – alguns confiáveis – de levantes por parte de minorias étnicas. Há preocupação, muita preocupação, com a história da menina Neda. Dentro do país, chamam-na de ‘Joana D’Arc do Irã’. Na tradição muçulmana, um morto deve ser lembrado em cerimônias religiosas no terceiro, nono e trigésimo dia. Segunda-feira, o governo proibiu a família de Neda de celebrá-la publicamente.
É uma proibição quase ofensiva. Para quem tiver interesse, não custa indicar a entrevista da BBC com o noivo de Neda.
Mas o que realmente está acontecendo no Irã? Segue aqui a tirada de Gary Sick, um dos analistas que mais citei nesta última semana e meia, com algumas décadas estudando o país:
Não esperem um vencedor e um perdedor claros num período curto de tempo. A Revolução Iraniana teve início em janeiro de 1978 e o xá só deixou o país em janeiro de 1979. E esta é considerada uma das mais rápidas derrubadas de um regime com estrutura estável da história. Ao longo daquele ano, houve longas pausas e períodos de calma que, muitos imaginaram, indicava que a revolta popular havia morrido. Isto não é 100 metros rasos. É uma maratona. Resistência é no mínimo tão importante quanto velocidade.
Provavelmente não haverá vencedor ou perdedor claros. Os políticos iranianos são espertos. Preferem xadrez a futebol e uma ‘vitória’ pode ser, na verdade, uma solução negociada na qual todos saiam aparentemente bem. A atual liderança provavelmente cometeu um erro ao partir para a demonstração de força, mas se ela concluir que não há como vencer, vai partir para uma saída negociada. Que acordo seria esse, neste momento, é impossível dizer. Mas provavelmente significará concessões disfarçadas por uma aparência pública de que o regime está unido.
Sick estava dentro da Casa Branca quando acompanhou a Revolução que o aiatolá Khomeini liderou.
O Weblog, evidentemente, continuará a acompanhar atento e diariamente o Irã. Mas, ao menos por enquanto, vou diminuir o ritmo dos vários updates por dia.
Ainda sobre o assunto:
- Golpe à iraniana Em pelo menos 30 cidades iranianas, mais de 100% dos eleitores foram às urnas. Em Yazd, 141% dos eleitores votaram....
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No “Em Cima da Hora” das 3:00h, de novo. Ou esses caras estão “furando” o mundo ou não conferem as notícias.
Depois dessa, vou dormir.
Faxi, no site da AFP, só tá em francês. Na barra da esquerda, em “Actualité internationale”.
Já mandei o link 2 vezes, mas necessita de aprovação do moderador…
Confetti, meu provedor vagaba me cortou ontem justo quando eu havia acabado de te fazer uma pergunta. Mas vi teus posts e o teu linquezinho de nome engraçado, e chequei a boa matéria do Guardian.
E aí, melão e Earl Grey é? Nem a minha sabiá-una é tão frugal. Tô no mato, aqui é breakfast sertanejo: raízes, sucos, queijos e cuscus de milho com côco, pra pegar no tranco. Vou drumi, bom dia!
Obrigado Pedro Gualda. Vou dormir eu também.
salut faxi !
earl grey e melao nao é frugalidade, é prazer ! os gostos fortes se misturam e minha boca tem orgasmos ! mas vc mergulhou nos files pra ter lido isso…:))
ahmadinejad querendo substituir o conceito de “republica islamica” pelo de “oukoumat islami” (governo islamico puro ditatorial ) onde toda autoridade viria de deus….PQP !
pérsiooo ! pinta ai, tou preocupada com ti !
faxi, que mato é esse onde vc so pinta na madrugada ? raizes, sucos e queijo ? amo
clever # 89, rssssssss*
je t’aime ! kkk*
Mesmo que fosse o Moussavi a retirar as acusações de fraude, não acredito que para o povo isso fizesse muita diferença, pois o movimento não é pró-Moussavi e sim pró-direitos.
Pedro Dória,
Anteontem, 22/06/2009, quando vi e li no seu Post “Rasanjani enfim se move e o Irã racha” a notícia do blog do Paulo Coelho eu fiquei a imaginar se você já havia descido da sua viagem de volta, ou se estava ai perambulando pelos ares nunca dantes navegados, numa viagem com coquetéis sem fim.
Houve época em que eu achava o Paulo Coelho uma grande figura. Eu me lembro do dia em que ele entrou num bode quebrou uma guitarra e uma coleção de Pink Floyd. Só que ele disse que já saiu dessa. Enquanto você resolver entrar na nela agora.
Essa de trazer o Gary Sick pareceu-me despropositado. Louvo o seu esforço em sair a procura de textos que não sejam o lugar comum que todo mundo conhece, mas um capitão aposentado da Marinha Americana? Você está de brincadeira.
E não basta ter escolhido o Gary Sick (Se fosse o Surfando na Jaca ele diria é sic mesmo, ou talvez ele dissesse, também com esse nome o que vocês esperavam), você ainda faz uma pegadinha apresentando-o ao final nesses termos:
“Sick estava dentro da Casa Branca quando acompanhou a Revolução que o aiatolá Khomeini liderou.”
Eu comecei a ler e tudo se encontrava na primeira linha: “Sick estava dentro da Casa Branca quando acompanhou a Revolução que o . . . . .”
Imediatamente pensei, o que? Uma Revolução dentro da Casa Branca? Ai na linha de baixo do outro lado estava o complemento. Não era o que, era que o aiatolá Khomeini liderou. Um truque de jornalista para pegar leitor desprevenido.
Bem, e o comentário em si, o que ele traz de novo ou de bom? Talvez nem de bom nem de novo. Gary Sick começa o comentário de modo incisivo, resoluto, determinado, definitivo, peremptório, dizendo:
“Não esperem um vencedor e um perdedor claros num período curto de tempo.”
Aqui não há dúvida. É a certeza dos crentes que pelo menos disso os intelectuais americanos estão livres. Sim, os intelectuais americanos nos superam longe porque duvidam, porque são cépticos. Aqui nós temos tanta certeza. Então o Gary Sick não é propriamente um intelectual americano. Bem, não é dos bons, mas no frigir dos ovos a frase não é assim pura certeza, pois não há definição do que ele considera ser vencedor, nem ser perdedor ainda que se exija que sejam claros. E também não se sabe qual é o entendimento que Gary Sick tem de no curto prazo.
No segundo parágrafo o Gary Sick assume a falibilidade própria do cientista americano. Assim ele o inicia:
“Provavelmente não haverá vencedor ou perdedor claros.”
Ai se percebe na mesma frase em que antes havia certeza agora existir cepticismo. Bem, mas há diferença, a certeza antes era sobre o curto prazo, na frase do início do segundo parágrafo não há delimitação de tempo. É para as calendas gregas. E continuam indefinidos os termos vencedor e perdedor ainda que claros.
E o termo provavelmente? Por que ele não diz: “em minha opinião . . . . .”? Talvez seja porque em minha opinião dá idéia de leigo. Eu quando quero dizer que sou leigo no assunto digo logo de cara: “em minha opinião . . . . .” Dizendo, provavelmente fica parecendo informação que saiu agora do computador de última geração e se alguém quiser uma informação mais precisa pode-se até repassar o grau de confiabilidade da informação.
Em seguida, fugindo do novo padrão de incerteza, Gary Sick torna-se assertivo e diz frase categórica e lapidar:
“Os políticos iranianos são espertos”
Essa parece que foi para você. Afinal recentemente, no seu post “O futuro incerto de Ahmadinejad” de 10/05/2009 você deu divulgação a entrevista de Abbus Milani em que ele dizia que o Mahmoud Ahmadinejad era um incompetente. Você então retruca, mas alguém pode ser esperto e ser também incompetente. Eu tenho que concordar. Enfim, mais uma vez o Gary Sick não disse nada.
E de agora em diante tudo é provavelmente: “A atual liderança provavelmente cometeu um erro ao partir para a demonstração de força”. E mais à frente: “Mas provavelmente significará concessões disfarçadas por uma aparência pública de que o regime está unido.”
Provavelmente são mais frases saídas do computador infalível com que os grandes analistas americanos podem contar, mas que ainda não está disponível para a massa ignara e rude do terceiro mundo, hoje já em desenvolvimento.
E quando não é o provavelmente é o se, “mas se ela concluir que não há como vencer, vai partir para uma saída negociada”. Se bem que o “vai partir” foi categórico. É categórico se a atual liderança concluir, mas se ela não concluir ou se deixar novamente para concluir lá nas calendas gregas, ai não haverá saída negociada. E saída negociada para quem?
É o cara falando o óbvio do começo ao fim e você em (16) avaliar que “Nada Será Como Antes” em (6) fora arrogante porque considerou amador o comentário do Gary Sick.
Sei não, mas em minha opinião esse Gary Sick pelo tempo que ficou na Casa Branca e pelos castos presidentes que serviu só deve ser especialista se for para saber encontrar os despojos da fragata do clarinetista no céu da caverna superior da estagiária.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/06/2009
Epa! Atingimos o limite da insanidade, agora os movimentos não são pro Moussavi, são pro direitos, eles saem de casa liderados por ninguém. O pai do Doria vai ficar feliz, está surgindo no Irã, um movimento espontâneo, sem lideres, que irá se encaminhar para o primeiro governo anarquista da história, vão pular de uma teocracia arremedo de democradura, para um governo comunista anarquista. Que legal!
Será que é tão difícil entender que aquele povo religioso ao extremo, não tem nossa visão de democracia ocidental? Que tirando meia dúzia de encantados pelos “valores ocidentais”, o que eles querem é uma teocracia mesmo? Que os mesmos estudantes que saem a rua são os que gritam no telhado “Ala é grande”?
Veja o estado judeu. É considerado a única democracia da região, mas é uma democracia impar, onde inexiste oposição, onde estão todos unidos em um governo de extrema direita. Por mais que pessoas como o Elias e Gabriel se esforcem em afirmar caráter secular no povo lá, o que se sabe é que são minoria de 20%. E a maioria vota mesmo em partidos de extrema direita, religiosos e assustadoramente em um partido de orientações nazi-racistas. Isso sem a desculpa do encanto com um líder que o tirem de uma depressão econômica profunda e humilhação internacional a que estava submetida à Alemanha após a I guerra. Gente culta, que sabe o que está fazendo. Então faz parte do caráter do povo de lá é isso que eles são, é isso que eles querem. Não há que se culpar conjunturas.
Confetti,
O comentário (156) é para o Pedro Dória, mas é em sua homenagem pelos confetes que você lança.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/06/2009
Cleber, ótimo texto o seu. Só têm um erro, esses computadores infalíveis a que você se refere estão também no Irã, por si só, orquestrando uma revolução.
- Não a do Egito, não a da Arábia Saudita, Jordânia e etc, onde sequer tem eleições, você se aflige com quem peita o estado judeu, com quem não se curva aos EUA. É uma questão de princípios.
chest- isso é deuma desonestidade sem fim, Dino. Não é uma questão de principios, você confunde principios com teimosia.
Veja o estado judeu. É considerado a única democracia da região, mas é uma democracia impar, onde inexiste oposição, onde estão todos unidos em um governo de extrema direita.
chest- agora surtou, Dino. Israel tem oposição, tem partido trabalhista. Só não tem partido de aiatolás.
“Só não tem partido de aiatolás.”
Xiii! Acho que quem surtou foi você. No estado judeu os partidos religiosos estão cada vez mais forte e estão no poder, mais que nunca. Inclusive aquele pronunciamento do bibi, foi totalmente voltado para eles…
Agora, oposição que faz parte do governo eu desconheço, chest.
Dino,
Se o Bibi assumiu o poder e nomeou a besta do lieberman como um dos seu braços direito, foi graças ao Hamas. O partido trabalhista sempre foi um dos mais fortes e populares, mas foi acusado de comodismo frente às ameaças do grupo palestino.
Falar que não tem oposição em Israel é querer ser miope ou tendencioso.
Paulo Araújo (#124),
Independente do que diga um autor do século XVI, todos os golpes de estado do século XX que consigo me lembrar, com as possíveis exceções do Uruguai de Bordaderry e do Peru de Fujimori, retiraram presidentes ou outro tipo de chefes de governo de seu cargo, visando alterar a política do governo que estes representavam, usando a força ou ameaça do uso da força das armas legais (parte ou todo das FFAA) dos respectivos países.
É o que sempre ocorreu na América Latina e Caribe. É o caso da ascenção de Salazar e Primo de Rivera. É o que ocorreu com Mossadegh. É o que fez Suharto. E é o que occoreu nas tentativas frustradas, como com os militares da OAS na França do início dos anos 60; em 22, 24 e 61 no Brasil; em 51 e 56 na Argentina; em 36 na Espanha; em 90 na URSS.
Fraude eleitoral, com apenas a posteriori a procura por articulações com forças policiais e parte da estrutura do poder político, além da ausência das forças armadas, é a primeira vez que vejo.
Efetivamente, o discurso da regeneração social (4) e o pretexto do bem público (2, mas qual outro poderia haver?) estão sempre, creio, presentes. Mas há vários golpes que não foram dissimulados (5), como o caso da Argentina em 75-76 demonstra, e casos de golpes apressados (3), como no Brasil em 64. E, aliás, não me lembro de casos em que a oposição tenha saído à rua contra um golpe (o silêncio após os casos mencionados é paradigmático), pois quando o faz, geralmente frustra a tentativa, como na Espanha em 36, ou leva à guerra civil, como na mesma Espanha em 36 (sempre lembrando que, nestes casos, está aliada a setores do estado e militares).
clever, nao entendi bem se essa “homenagem” foi ironica…anyway, os confettis que te lanço sao sinceros, tenho prazer em ler seus coments, todos carimbados !
ps : discordo 100% de sua analise #156; gary sick é bankable e tenho achado seus pontos de vista bem coerentes…sei que isso nao tem “valor”, mas TODA a imprensa séria, do economist ao washington post, le monde, ny time, etc…o tem citado e desenvolvido suas teorias…
bom dia pra vc !
paulo araújo (124),
Sua enfática réplica traz mais embaraços à sua posição, ao que parece.
Você toma a parte pelo todo e confunde, notavelmente, atos preparatórios e sigilosos com as consequências necessariamente sensíveis de um eventual golpe de Estado.
Golpes de Estado promovem alterações claras, mudanças de procedimentos e, não raro, troca de personagens nas esferas de poder. Não fossem assim, não teriam razão de existir e permaneceriam na esfera da mera inveja pessoal e esta, isolada, dificilmente é capaz de arregimentar a escala de alianças conveniente.
Para ficar clara minha posição, eis o trecho de meu comentário # 38, que você tentou rebater no # 92 :
“Golpes promovem alterações nítidas, nunca camufladas.” (meu trecho)
“Não senhor. Golpes de estado (sic) podem ou não ter a visibilidade que você reclama.” (seu trecho no # 92, com a inserção de meu sic)
Ou seja, parece claro que você se refere aos atos preparatórios de um golpe e eu, às suas decorrências.
Mais ainda, sua referência à obra de Naudé reforça meu reparo, porque aquele autor, que escreveu baseado na obra de Maquiavel, trata de lições articulatórias, como o florentino.
O autor que você menciona não é expoente do pensamento político. É compilador de obras e autores e não produziu nenhum conceito à filosofia política ou a qualquer das áreas do conhecimento sobre as quais escreveu.
Maquiavel, por sua vez, precisa ser entendido contextualmente. Não se deve esquecer se enfoque “doméstico”, regional, da ação política. Sua obra, sem dúvida, é memorável, justamente por sua amplitude apesar do enfoque e do objetivo estreitos de sua confecção.
Todas as considerações realizadas a respeito da obra do florentino são conjecturas posteriores, bem posteriores ao impacto que realmente produziu no momento em que foi escrita e publicada. Em certos círculos, é tradicional iniciar o estudo da ciência política por Maquiavel. Mas a complexidade do Estado contemporâneo, bastante diferente da noção do século XVI, torna obsoletas boa parte das articulações descritas naquela obra.
_Sobre a questão da estratégia_
Escrevi, no # 116 :
….”questões estratégicas (não táticas) que me levam, apenas conjunturalmente, a preferir o Irã politicamente estável.”
Você retrucou, no # 124 :
“Também gostaria de saber mais sobre o seu conceito de estratégia condicionada pela conjuntura.”
Isso, com franqueza, é desonestidade intelectual. Não afirmei que minhas posições estratégicas são condicionadas por qualquer conjuntura e fiz questão de ressaltar que não se trata de opção tática, porque conheço ambos conceitos e não me associo a movimentos alheios às minhas convicções, quaisquer sejam os interesses.
Em razão dos interesses estratégicos que defendo, a estabilidade política iraniana é mais conveniente do que o contrário. E essa razão é de natureza política, que não diz respeito ao seu eventual descontentamento, porque minha opção tem outros objetivos, certamente diferentes dos seus.
Se eu afirmasse, ao contrário, preferir estabilidade naquele país por razões táticas estaria, ai sim, diante de grave equívoco, pois estaria em aliança tácita com aquele Estado religioso.
Está claro ou é preciso desenhar?
Você menciona Lenin. Saiba que minha formação política é leninista e tenho clareza das questões envolvidas, que dispensam seu ídolo Naudé.
Não existem golpes secretos. Articulações prévias podem ter esse caráter, mas a ação golpista e suas decorrências são nítidas e promovem alterações claras.
Você parece, pelo teor do que escreve, formalista. Textos descritivos carecem desse requisito, mas análises políticas são claudicantes quando restritas à forma.
clever, ali no # 51, btw, linkei um artigo do the economist que deu a palavra a gary sick….se tiver tempo, leia…achei excelente !
Ei! Rodolfo você tem certeza que você é judeu? De que partido trabalhista você está falando? Do que está na coalizão do governo do Benjamin Netanyahu? É essa a oposição no estado judeu?
se enfoque “doméstico = seu enfoque “doméstico”
salut nada ! mas que doméstico enfocante ! :))
salut Confetti!
Está difícil conciliar minhas tarefas domésticas e respostas daqui. Ainda mais com as lanças apontadas por laços familiares dissimulados. :))
Dino, aiatolas islamicos…não pode! maom[e [e bom s[o em baile de carnaval (alalaö, lalaö, lalaö)
Dino, aiatolas islamicos, não pode!
Maomé só é bom em baile de carnaval (alalaô, lalaô, lalaô)
-não me acostumo com esse teclado.
nada, leio sempre com atençao seus comentarios, curto seu raciocinio “linear” e preciso…por isso, nao consigo entender seu ponto de vista sobre a questao iraniana !
o fato do conselho ter anunciado o resultado das eleiçoes antes do fim da contagem dos votos nao lhe parece “anormal”…vc nao admite falar em golpe de estado”…mas em “golpe de força”, vc admite ? essa atitude da facçao mais radical do poder (hodjatieh), quis dizer implicitamente que nao vao mais permitir eleiçoes “democraticas”como essa, onde os eleitores vao à rua exigir satisfaçoes !
esse score “à la sovietique”de ahmadinejad nao lhe parece…eur…estranho ? jura ?
repito que ESTOU PREOCUPADA COM O ANONIMO DA PERSIA ! ELE SUMIU HA 2 DIAS…:((
Confetti (174),
Como afirmei duas vezes, prefiro o Irã politicamente estável por questões de natureza estratégica. Isso não significa que apóio regime religioso em qualquer Estado.
Afirmo que não existem dados reveladores de golpe de Estado no Irã.
A expressão que você utiliza (”golpe de força”) significa apenas o que é conhecido. Aquela república, como muitos outros regimes autoritários, faz uso da repressão política e policial em momentos específicos, segundo os critérios que a norteiam.
O que não admito é que atos repressivos comuns em regimes desse tipo sejam entendidos como golpes, pois são apenas atos rotineiros.
Ocorre que a disseminação e amplificação da idéia de golpe serve a outros interesses, externos ao Irã. Reside nesse ponto minha posição, porque conheço os interesses em jogo.
Em nenhum momento afirmei apoio ao regime iraniano, mas disse que o prefiro conjuntural e, claro temporariamente.
e, claro temporariamente = e, claro, temporariamente
Confa, o problema do nasca é a “dialética”.
“Golpes promovem alterações nítidas, nunca camufladas.” — O que o Nada Será entende por “alterações nítidas”? A fraude e as medidas repressivas logo a seguir, por si mesmas, não são uma “alteração nítida”? Seria preciso o Khamenei mandar trancafiar todos os reformistas e baixar um decreto nomeando Ahmadinejad presidente por tempo indeterminado para isso ser chamado de golpe?
“Ou seja, parece claro que você se refere aos atos preparatórios de um golpe e eu, às suas decorrências.” — Não há nada em “golpes de estado podem ou não ter a visibilidade que você reclama” que dê a entender que o Paulo se referia apenas a atos preparatórios.
O autor que você menciona não é expoente do pensamento político. É compilador de obras e autores e não produziu nenhum conceito à filosofia política ou a qualquer das áreas do conhecimento sobre as quais escreveu. — E? Fico pensando se devo jogar fora todos os livros em que o autor se dedicou a compilar um conjunto de ideias e conhecimentos…
Mas a complexidade do Estado contemporâneo, bastante diferente da noção do século XVI, torna obsoletas boa parte das articulações descritas naquela obra. — Estava esperando esse tipo de resposta sair. Então eu posso dizer que a complexidade da comunicação contemporânea dá a muitos termos uma diversidade de significados, e que termos como “golpe de Estado”, “monopólio”, “ecologia” etc. já se consagraram em seu sentido mais amplo na imprensa e boa parte da população com alguma escolaridade.
Aliás, isso me lembra que o Nada Será usou a linguagem das histórias em quadrinhos como meio de insulto, como se essa linguagem fosse coisa primária, menor, de gente pouco estudada. Está na hora de o Nada Será aprofundar conceitos nessa área.
Pode começar lendo o já clássico Quadrinhos: Arte Sequencial, do Will Eisner; e, para constatar diretamente a qualidade a que pode chegar a linguauqem de HQ, pode ler obras do próprio Eisner, como Faggin, o Judeu, ou o Maus do Art Spiegelman, ou Alan Moore, ou Neil Gaiman…
Sobre o Irã, aliás, pode ler Persépolis, de Marjane Satrapi.
nada, eu nao disse que vc “apoia o regime iraniano”…
bem, vc esta brincando com as palavras…entendo e nao critico…vale tudo quando queremos ter razao ! so que dessa vez vc nao tem razao, mon cher et estimé camarade !
allez…vamos comer aquela mousse de fruit de la passion…un pur délice….:))
astronau, todo mundo ja leu e releu marjane ! a hq saiu em 2001 ! e quem nao percebeu, teve o filme em 2007 pra lembrar…
alguns poetas persanos ( persios? ) sao maravilhosos…mas nao falam dos anos 70…:))
Confetti,
Sim, vamos comer mousse. Aceito o convite. Acabo de comer bombinhas de creme da Cristallo.
Não brinquei com as palavras e sei que você não afirmou que apóio aquele regime. Minha posição é clara.
____________________________
“Senhor Astronauta”,
Entendo os motivos de seu plantão neste post, porque sou sensível às preocupações afetivas, como já deixei claro. Mas não vou responder às suas provocações.
Na lhe pedi para responder, e vou cotinuar a comentar o que eu quiser comentar sobre você e outros comentaristas.
nada, seu colesterol ta normal ? e seu peso ? vc come doce pra caramba ! continua com a “salinas time” às 5 ? :-))
lembra daquele porre que tomamos ai no aeroporto de sampa ? rs*
Confetti*, você gostou de Persépolis? Os quadrinhos eu achei comoventes, terminei de ler em lágrimas. Já o filme eu achei um pouco chato, muito atrelado aos quadrinhos. Desculpe a ingenuidade, é verdade que a obra já tem oito anos, mas foi uma descoberta recente para mim.
astro, adorei os 2 ! li o quadrinho quando saiu…bem mais tarde, o filme me restituiu a emoçao ! marjane outro dia tava no parlement europeu pedindo direitos humanos em seu pais…ela chorou….
Confetti,
Lembro de toda aquela sequência e do porre. Aquelas cenas que você escreveu foram as mais hilariantes que li nestes anos do blog. Você estava (é) ótima.
Taxa de colestorol dentro dos parâmetros. Glicemia OK, apesar dos doces diários.
1,74 m e 69 kg
Corpinho de adolescente. ))))
As doses começam depois das 15:00h
Nos últimos dias tenho bebido uma artesanal de Jundiaí. Ganhei uma caixa e é muito boa. Tenho mais umas cinco de Salinas à espera.
nada, tenho 2 cms + que vc e uns 8 kgs -….podemos dançar rodopiando olhando nos olhos ! :-))
eu tava com colesterol elavado, dei um stop nos queijos…passou
( pd vai deletar esses offs sem vergonha ! )
Confetti,
Então temos alturas compatíveis, você ganha por pouco. )))
Outro dia vc comentou que é alta, mas agora fiquei mais tranquilo e as chances são reais. :-)
Nunca me permito engordar. Os doces são compensados com alguns cortes de gorduras. Acho que a chave da saúde é a relação peso/altura.
nada vc ta me azarando ?? po parà…cachaceiro e pragmatico demais sobre o iran, nao tem chance nenhuma … so o que me faz hesitar é vc saber fazer foret noire…:-))
Confetti,
As hesitações são cruciais para determinar as chances. :-))))
Vou sair um pouco evoltarei mais tarde. Beijos.
Dino (1): Epa! Atingimos o limite da insanidade, agora os movimentos não são pro Moussavi, são pro direitos, eles saem de casa liderados por ninguém.
Quem afirmou isso? Basta ler a plataforma de governo de Moussavi para a gente entender a relação do apoio popular a ele com a luta por mais direitos.
Dino (2): Será que é tão difícil entender que aquele povo religioso ao extremo, não tem nossa visão de democracia ocidental? Que tirando meia dúzia de encantados pelos “valores ocidentais”, o que eles querem é uma teocracia mesmo?
Em outro contexto, você lembraria que “religião é o ópio do povo”, não?
E no que você se baseia para dizer que os pró-reformismo são “meia dúzia de encantados pelos ‘valores ocidentais’”?
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No mais, ninguém é obrigado a concordar com o Pedro Doria e as fontes a que ele recorre. Questionar a validade das informações veiculadas é saudável, até. Cobrar exatidão conceitual é bom, também. O que não presta é usar isso como elemento de provocação — vamos convir que a crítica ao Gary Slick não tem base; ele não é responsável direto pela política externa americana, e diminui-lo pelo que o governos dos EUA faz equivale, grosso modo a menosprezar a The Economist pelo que faz a imprensa marrom britânica.
De todo modo, achei superchato ler questionamentos corrosivos à credibilidade do trabalho Pedro Doria e ao Anônimo da Pérsia em pleno calor dos acontecimentos no Irã sábado, ainda sob efeito recente da morte da Neda. Pela emoção do momento, pelo engajamento dos dois na busca da melhor informação possível, foi até covardia.
Mas, OK, faz parte do jogo que é ter um blog e mantê-lo democrático…
Confetti,
A expressão da minha homenagem foi tentativa de carregar um pouco mais de humor no texto (E que você não pense mal disso, lembrando do ditado francês). Até porque já percebera que você estava mais do lado do Pedro Doria na questão do Irã. E a homenagem ia além, pois em razão do seu comentário (154) no post “Rafsanjani enfim se move e o Irã racha” de 22/06/2009 em que você se mostrou contrariada com o comentário (101) do Brancaleone, ao que parece, eu pensei em retirar a referência ao Paulo Coelho, mas você sabe que o humor não tem muita cortesia com os amigos.
Não consegui acessar em (51) o link que você indicou, mas o trecho que você transcreveu traz a mesma idéia do trecho da análise do Gary Sick transcrito pelo Pedro Doria. Se The Economist fosse melhor do que o blog do Pedro Doria eu ia ler The Economist.
Reconheço que é uma grande revista. É fonte confiável. Não faz montagem ou edição na notícia que ela obtém com o intuito de desvirtuar a notícia. Há analistas, entretanto, que não dizem nada com nada e tem repercussão em todo mundo. O Gary Sick é marinheiro aposentado da Marinha Americana. Isso é uma carga pesada demais para dar bons frutos. Não li toda a análise porque, pelo que o Pedro Doria transcreveu, já dava para ver que não havia nada que valesse a pena para se ler.
Nós nos apegamos muito ao que vem de fora. E os Estados Unidos surgem como paradigma. E há razão para isso. Mais de 300 milhões de habitantes, mais de 25% com curso superior fazem deles um poder incomensurável. Não têm uma carga tributária alta, o que pode ser o tendão de aquiles deles, mas possuem o direito de emitir as verdinhas. Agora, tiram-se os gênios que aquele país produz e o que sobra é capiau da roça.
Eu sou muito crítico aos americanos, mas reconheço que felizmente, para eles, eles são mais críticos ainda. Uma vez eu li um artigo em que um americano compilava os livros que faziam divulgação de novos modelos gerenciais – uma espécie de auto ajuda para administração. Bem, para cada livro de auto ajuda havia um ou mais para contradizer. Um dentre esses livros eu não consigo esquecer. Durante certo tempo fez sucesso o livro “O gerente de um minuto”. Pois os americanos lançaram “O subordinado de 59 segundos, ou como passar na frete de seu gerente de um minuto”.
Na área econômica faz-se em terras brasileiras quase sempre uma revoada deles. Há tempo houve um que ganhou uma página inteira no caderno de economia da Folha de S. Paulo para dizer que com o atual (da época) nível de informalidade a economia Brasileira não poderia crescer. Balela. É o mesmo discurso que se faz contra a corrupção no Brasil que eles sempre acusam de ser mais alta do que nos Estados Unidos. A maior corrupção do mundo que ocorreu nos últimos tempos foi Bush conseguir convencer todos que ele invadia o Iraque por mil e uma razões (Há razões para a esquerda e para a direita) que não o interesse de se reeleger. De todo modo, com muita ou com pouca corrupção, mas felizmente sem nenhuma corrupção (Felizmente, porque nenhuma corrupção só é possível em regime tirânicos e depois de se ter matado para gáudio do Chesterton um número bem grande da população) o Brasil cresce e pode crescer em um ritmo quase que o dobro dos países europeus e dos Estados Unidos.
Sobre isso do crescimento, há uma outra história. Na época do impeachment do Collor, a Newsweek ou Time fez uma reportagem mostrando a diferença entre o Brasil e o México e dizia que o Brasil estava em piores condições porque enquanto Collor passou a juventude perseguindo as donzelas em Brasília, o Salinas fora estudar nas melhores universidades americanas. Como eu sabia que o potencial de crescimento econômico no Brasil (sabia pelas séries históricas, agora não me pergunte por que esse potencial é maior porque eu não sei) eu que não gostava de Collor dizia que no final do governo dele, se ele não fosse cassado, ele poderia esfregar as taxas de crescimentos do PIB na cara dos editores da revista dizendo: “Isto é para vocês saberem que as mulheres em Brasília têm muito mais a ensinar do que as universidades nos Estados Unidos”.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/06/2009
clever,
eu fico boquiaberta com seus textos…nao sei como vc consegue fazer esses testamentos, cheios de viés, de referencias e flashbacks ! sem perder o fio da meada e nunca esquecendo de registrar a firma…chapeau, l’artiste !
nao fiquei contrariada com o coment de josua sobre paulo coelho, foi humor e ironia so…infelizmente, aqui nao temos sinais evidentes pra expressar coisas como ironia, humor, segundos sentidos…por isso varias interpretaçoes erradas ! ando de saco cheio de “kkk” “rs” “lol” “quaquaqua” e outras bobagens que somos obrigados a usar para sublinhar a linguagem coloquial…
finalizando, estou quase que completamente de acordo com pd em sua abordagem da crise iraniana, e nao acho gary sick sem conteudo ! claro, nao o coloco em altar, mas acho suas analises consequentes !
( quando vc diz : “Nós nos apegamos muito ao que vem de fora”, nao me reconheço ; mesmo vivendo fora do brasil, tbm sou influenciada pela globalizaçao da cultura americana, mas nao ao ponto de ser vampirizada por ela…)
“honi soit qui mal y pense” ?
Confetti*
Paris, 24/06/2009
Confetti,
Esse é da ordem das jarreteiras. Eu o usei como impeditivo a que se touxesse à baila o ditado: “Faire une femme rire est demi chemin . . . .”
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/06/2009
:-D
“….chest- agora surtou, Dino. Israel tem oposição, tem partido trabalhista. Só não tem partido de aiatolás.”
Chest, rapaizzz, procure pensar antes de falar ou escrever. A continuar assim, só uma pessoa por aqui acreditará em você: você mesmo. Ainda bem que o Dino o corrigiu prontamente.
Porém, como nao podemos dizer que tudo neste mundo nao é ruim, até que gostei de sua aula de economia ao falar do papagaio Lula (num post aí abaixo ou acima), que fala, fala, fala e só diz asneiras. De fato, nao se fortalece uma economia com esmolas destinadas a comprar votos dos pobres, e mesmo dos menos pobres - você mesmo afirmou que saltará dentro quando a esmola chegar a R$2,000!
Fortalece-se uma economia com políticas e programas para educar e formar um povo a fim de torná-lo competente, dono do seu nariz, consciente e mais produtivo, entre autres. Bolsa-esmola - NO MÉDIO E LONGO TERMO - só atrapalha. O beneficiário se acostuma com a esmola, fica de mao estendida e perde o respeito de si. Num contexto de atraso como o nosso (educacional, moral e ético), é mortal.
Precisamos de escolas e professores de qualidade, e nao de esmolas.
João Paulo Rodrigues – E o Golpe de 68, quando a linha-dura derrubou os militares moderados? Ele não existiu?
pd, tem noticias do pérsio anonimo ?
Pedro Doria,
Em 68 o golpe seria o Pedro Aleixo assumir. Só o mais ferrenho udenista para imaginar que o Pedro Aleixo era outra coisa que não Vice-Presidente para inglês ver. Ou o mais ferrenho udenista ou alguém que se toma por inglês.
Esse seu comentário (201) para o João Paulo Rodrigues parece mais ser decorrente da companhia do Luis Antônio.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/06/2009
Dino, você escorrega mais do que maionese em chess salada de botequim e não responde coisa com coisa. Roda, rodopia, e não chega a lugar nenhum.
Resumo - você também é a favor da ditadura do Irã.
E de qualquer outra, desde que a mesma tenha um elemento mágico - ser, ou parecer, mesmo que de leve, anti americana.
E isso, meu amigo, te torna tão previsível.
E tão frágil.
Explico sua fragilidade de argumentos :
por exemplo, ao ( tentar ) desqualificar os rapazes e moças iranianos que dão pedrada, enfrentam a polícia, e ” depois voltam prá casa em busca do colinho da mamãe ” você entra em contradição histórica.
Pois uma vez , no Brasil, em 1964, rapazes e moças de classe média foram para as ruas dar pedrada na polícia, fazer passeatas, contestar a ditadura. Igualzinho no Irã de hoje.
No caso do Irã são filhinhos da mamãe, no caso brasileiro são heróis da pátria.
Ou seja, seu ” argumento ” é uma contradição sem pé nem cabeça.
Outro exemplo, esse hilário de tão absurdo : você afirmou que ” classe média não faz revolução nenhuma, só pobre etc é que faz revolução…”
Entre em uma livraria de olhos vendados. Venda preta. O maior charme. Peça para a moça que atende clientes especiais te conduzir até a estante de livros de história de revoluções.
Parado em frente a centenas de livros, escolha um.
Tire a venda e leia.
Terminado o livro peça ao PD para, por favor, deletar seu comentário surrealista.
Pega mal, cara.
fora isso, tudo bem.
João Paulo Rodrigues (166)
Nada a opor aos fatos que você apresenta. No entanto, na teoria política os golpes de Estado recebem distintas formulações.
Como disse desde o início, golpes de Estado podem ter essa visibilidade espetacular dos tanques nas ruas e da deposição de governantes que você apresentou e podem também ter a “invisibilidade” que Naudé apresentou.
O que os dois tipos de golpe têm comum? Ambos constituem um conjunto de ações ousadas que os golpista, governantes ou não, executam contra o direito dos cidadãos, em desrespeito à Justiça. Fraudar eleição é golpe de Estado, embora isso não tenha o caráter espetacular dos golpes ao estilo das ditaduras latino-americanas.
No caso do Irã, os fatos indicam que o golpe segue, digamos, o modelo de Naudé.
Obviamente, a história não segue os modelos. Sabemos que ela é contingente e o seu curso é um fazer-se pelo conflito permanente, violento ou não, de indivíduos e grupos. Sabe-se, e mesmo se quisermos pensar a partir de Marx, que há ao mesmo tempo uma lógica da história e uma contingência da história, que nada é absolutamente necessário (observo: concordo com a crítica de que no pensamento de Marx persiste, no entanto, a ideia teológica de um fundo racional do universo e que, por isso, a lógica da história terminaria se impondo à contingência da história)
Portanto, o que vai sair disso tudo eu não sei. Mas é inegável, quando se examina os fatos, que a vontade soberana do povo iraniano foi golpeada por interesses particulares. No caso, os do grupo que se articulou nas sombras para fraudar a eleição e que agora ativa contra os insurgentes não apenas o monopólio da força física do Estado, mas também a sua milícia particular (Basij). Se isso não é golpe, é exatamente o quê? Briga de torcidas de futebol?
Os protestos iniciaram porque indivíduos concretos sentiram na carne a concretude do golpe e, para o nosso espanto, resolveram reagir. É burrice ou desonestidade apontar os dedos do grande Satã a movimentar os cordéis que moveram os um milhão de iranianos nas ruas de Teerã.
E se para você Maquiavel e Naudé estão tão distantes historicamente desses fatos, o que de dizer da análise do Marx (leitor cuidadoso desses e outros “ultrapassados”) no 18 Brumário? Os golpes de Estado do tio e do sobrinho recebem análise magistral (prevalência do executivo que golpeia, ao estilo de Naudé, micrologicamente as leis, adequando-as aos seus interesses privados, contra o direito e a ordem pública até finalmente terminar em ditadura aberta) que em nada lembram os golpes espetaculares do século XX.
marco, por falar em necessidades especiais, atente que eu falei, classe operaria e camponeses depauperados, não “pobres”, porque pobre, o lumpesinato o é, e não é revolucionário. Outro detalhe é confundir o agente revolucionário, com o objetivo ou a vanguarda revolucionaria, ou seja, seus lideres. O agente revolucionário é a classe organizada, que tem proximidade e objetivos semelhantes e o principal, nada a perder. Inclusive a grande sacada da social democracia foi criar uma “elite” operaria, desmantelando assim o principal motor revolucionário.
Pelos vistos, você ouviu o galo cantar e não sabe aonde, quando ouviu falar em revolução burguesa, imaginou talvez que eram banqueiros e empresários nas ruas lutando para mudar o sistema. Não marcos, revoluções burguesas foram revoluções capitalistas para eliminar os últimos traços do sistema anterior (feudalismo) e acelerar o desenvolvimento do capitalismo, e mesmo essas tiveram as massas depauperadas como seu agente, mas como não tinham consciência, serviram como massa de manobra. Gerando novas contradições.
Inclusive eu explico para cabeças de bagre reacionários que a reforma agrária, essa que vocês tanto temem, é uma medida capitalista de eliminação do resquício de feudalismo no campo.
Quanto à rapaziada de classe media que davam pedradas na policia em 1964, poderia passar a noite escrevendo a diferença entre aqueles e esses estudantes que estão sendo usados por Rafsanjani para atingir seus objetivos. Mas isso iria gerar muita controvérsia. Melhor apontar o resultado final de ambos, NULO. Uma revolução não é feita e ganha, pelo lado que tem heróis, é ganha pelo lado que tem mais força e organização.
Detalhe, quem me contou sobre isso, foi um judeu-alemão barbudo… Já chamaram ele de tudo, mas mesmo quem o odeia, o estuda e leva a sério, nunca tinham dito que ele era hilário de tão absurdo e surrealista.
Quem é mesmo que deveria ter o comentário apagado?
[...] analista Gary Sick, citado por Pedro Doria, lembra que essa é uma longa batalha que não acaba agora, e eu também diria que também não [...]
Quanto à rapaziada de classe media que davam pedradas na policia em 1964, poderia passar a noite escrevendo a diferença entre aqueles e esses estudantes que estão sendo usados por Rafsanjani para atingir seus objetivos.
Dino, você conhece bem a juventude envolvida nos protestos do Irã?
Cadê o Rodolfo, sumiu? Será que ele não sabia que o partido trabalhista fazia parte da coalizão de extrema direita que governa o estado judeu?
Pó! kosmonauta, eu vou ser obrigado a lhe devolver a pergunta. Você conhece? Pois se você não tem informações suficientes sobre o assunto, jamais poderá checar a veracidade do que disser. Então não vai ter a mínima importância a minha resposta.
Vou mudar a pergunta. O que você acha que foi o movimento dos “caras pintadas”? Foi um movimento espontâneo da juventude de classe média influenciada pela revista Veja e a Globo com sua minissérie “anos rebeldes”?
Dino, não sou eu quem está fazendo altas afirmações sobre o caráter dos jovens iranianos…
O que vi na última semana foram jovens protestando, e encarando uma considerável violência repressiva, e usando a Internet para fazer política.
Você, pelo jeito, tem meios para ver mais que isso, entrar nas casas e cabeças dessa juventude… inclusive para buscar um paralelo entre esses iranianos sob a teocracia islâmica e os caras pintadas…
Dino,
Lamento te informar, mas foi o partido trabalhista quem segurou a onda o Irgum. O partido trabalhista sempre foi um dos mais moderados, para o padrão isralense. Agora, a situação é complexa e se vc acha que partido de oposição em Israel é um que vai ceder tudo a todos os desejos árabes (não apenas os dos palestinos), desista. Desde a sua criação, Israel sempre foi ameaçado de extermínio e jamais irá aparecer uma partido israelense, com chances mínimas, com um projeto de governo no moldes que vc deseja. Afirmar que não existe oposição em Israel seria o mesmo que afirmar que não existe oposição no Brasil, afinal, tirando diferenças mínimas, os projetos de governo e promessas de campanha entre PT e PSDB são bem semelhantes.
Em relação à sua afirmação de que o povo judeu-israelense é racista temos que ponderar alguns pontos. Em Tel Aviv, não vemos esse conflito étnico, mas em áreas como Jerusalém, apesar de conviverem no dia-a-dia, existe sim um clima relativamente tenso, de revanchismo e até preconceituoso, de ambas as partes. Ano passado, visitando a parte árabe da cidade velha, o proprietário de uma loja deixou bem claro que eu não era benvindo, exibindo um mapa de Israel com o título “Palestina”, independente dos dólares que eu tivesse para gastar. Esse preconceito é mútuo e, é claro, que pelo fato dos judeus estarem no poder, este fica mais acentuado para os árabes-israelenses. Entretanto, eu garanto, inclusive por situações ocorridas em outros países árabes, se a situação fosse inversa, o preconceito e a segregação dos judeus seria infinitamente mais acentuada.
Antes comecem as explosões de ofensas por alguns, reitero que defendo a criação de 2 estados, desde que antes pelo menos os palestinos (o certo seria todos os países vizinhos) aceitem a existência de Israel, inclusive o Hamas, que alguns ainda insistem que não é um grupo terrorista. Enquanto houver perigo da Cisjordânia se transformar em uma nova Gaza, não há a menor possibilidade de ocorrer a criação de um estado palestino independente, não importa o quanto o Obama esbravejar.
Rodolfo, não posso me alongar, tenho que sair, mas só uma perguntinha:
Você é filho de casamento misto e não é praticante, judeu praticamente não tem definição de fenótipo, comerciante árabe-israelense vende até a mãe se bem pago (é certo que entrega a dos outros), como é que ele sabia que você era judeu? Entrou de quipá lá? Falando idish? hebraico?
Detalhe, racismo é um conceito de superioridade racial e intelectual, povo dominado e oprimido estando inferiorizado não pode ser racista, pode no máximo nutrir ódio pelo opressor, isso não é um conceito racial.
Dino,
Não falo hebraico nem outra lingua culturalmente judaica. Provavelmente fui reconhecido pelo meu nariz (apesar de ser herança da parte libanesa da familia ele não mente) e pela aparência ocidental (nem todos os turistas ocidentais de Israel são judeus, mas a grande maioria sim).
Em relação ao fato de monorias não serem preconceituosas, discordo, exemplo disso é o negro americano, que apesar de compor apenas 13% da sociedade america, é extremamente racista com o branco. E o negro sempre foi altamente segregado nos EUA, principalmente nos estados sulista e isso não impediu que se fosse criado um preconceito inverso, concordo que gerado pelo ódio, mas não deixa de ser preconceituoso. Quem nunca ouviu um artista afro-americano proclamando que o homem negro é o mais bonito do mundo ou que são melhores esportistas? Não estou aqui questinando se é verdade ou não, mas quando este tipo de afrimação é proferida, na minha opinião consiste também em preconceito.
Dino // 25/June/2009 às 0:16
marco, por falar em necessidades especiais,
Dino, peço desculpas pelo “ pessoas especiais “ - estava me referindo á venda negra sobre os olhos e não a outra coisa maldosa. Mas não fui feliz. Por isso as desculpas.
Dino - atente que eu falei, classe operaria e camponeses depauperados, não “pobres”, porque pobre, o lumpesinato o é, e não é revolucionário. Outro detalhe é confundir o agente revolucionário, com o objetivo ou a vanguarda revolucionaria, ou seja, seus lideres. O agente revolucionário é a classe organizada, que tem proximidade e objetivos semelhantes e o principal, nada a perder. Inclusive a grande sacada da social democracia foi criar uma “elite” operaria, desmantelando assim o principal motor revolucionário.
marco -, Discordo. Não existe motor revolucionário. Existem pessoas e circunstâncias, apenas. Marx, Lênin, Robespierre, Danton, Jefferson, todos tinham muito a perder.
“ Quanto aos que nada tem a perder” , ora aplaudiam a decapitação de “inimigos do povo “ enviados para a guilhotina por Robespierre, quanto a própria decapitação de Robespierre, declarado “ inimigo de povo “
“Os sem nada…”, gritaram de alegria - com a morte do Rei da França na guilhotina, para apenas algum tempo depois - gritar de alegria - ao ver o monumental cortejo de Napoleão á caminho da Notre Dame e - de sua sagração como Imperador da França.
Napoleon Imperador, também ele foi um filho da classe média. E também tinha muito a perder. A sua maneira, também liderou uma revolução. Ou consolidou a de 1789, á escolher.
Um detalhe importante : o repúdio aos privilégios é mais forte do que a fome por pão.
A falta deles ( os privilégios ) também. ( o homem é uma caixinha de surpresas,né? ) Quando as dachas e privilégios se tornaram muito visíveis, a URSS derreteu. Sem glória. Ninguém agüentava mais aquilo.
Dino - Pelos vistos, você ouviu o galo cantar e não sabe aonde, quando ouviu falar em revolução burguesa, imaginou talvez que eram banqueiros e empresários nas ruas lutando para mudar o sistema. Não marcos, revoluções burguesas foram revoluções capitalistas para eliminar os últimos traços do sistema anterior (feudalismo) e acelerar o desenvolvimento do capitalismo, e mesmo essas tiveram as massas depauperadas como seu agente, mas como não tinham consciência, serviram como massa de manobra. Gerando novas contradições.
marco- Lideres de revoluções sempre pertencem á elite pensante - e são, em sua esmagadora maioria, diletos filhos da classe média.
Assim como Rafael não sabia que era renascentista, em geral revoluções revelam sua face apenas depois que se concretiza a tomada do poder.
A Francesa mudou de mãos – e cabeças - várias vezes.
Na Rússia existiu inclusive a revolução das fotografias. A cada companheiro que caía em desgraça na luta pelo poder, sua figura era apagada da foto oficial dos heróis da pátria.
Um delete antes da invenção da Internet.
Dino - Inclusive eu explico para cabeças de bagre reacionários que a reforma agrária, essa que vocês tanto temem, é uma medida capitalista de eliminação do resquício de feudalismo no campo.
marco- Vocês quem cara pálida? Não sou contra a reforma agrária. Sou contra o MST, que usa a “ reforma agrária “ como meio da tomada violenta do poder, quando então será instalada uma ditadura maoísta, sem Mao, mas com Rainha.
Há muito que o MST se tornou um partido político revolucionário.
Dino - Quanto à rapaziada de classe media que davam pedradas na policia em 1964, poderia passar a noite escrevendo a diferença entre aqueles e esses estudantes que estão sendo usados por Rafsanjani para atingir seus objetivos.
marco- os estudantes iranianos estão sendo usados por um turbante mor para atingir os objetivos do turbante mor, diz você. E os brasileiros, estavam eles sendo usados por alguém, ou alguma entidade, para atingir objetivos? O que é chuva lá é seco aqui?
Dino - Mas isso iria gerar muita controvérsia.
Marco – Qual o problema? O pessoal aqui lota dezenas de posts dez dias e dez noites sem parar, desde que sejam pronunciadas duas palavras mágicas – Israel, Palestina.
“ Revolução de 1964 “, é outra.
Dino - Melhor apontar o resultado final de ambos, NULO. Uma revolução não é feita e ganha, pelo lado que tem heróis, é ganha pelo lado que tem mais força e organização.
marco- Que força tinha Lênin quando desembarcou na Estação Finlândia?
Que organização tinha Danton?
Na revolução americana a força e a organização estavam do lado dos ingleses, que dominavam metade do planeta, e não de colonos jogando chá no mar, em Boston.
Dino - Detalhe, quem me contou sobre isso, foi um judeu-alemão barbudo… Já chamaram ele de tudo, mas mesmo quem o odeia, o estuda e leva a sério, nunca tinham dito que ele era hilário de tão absurdo e surrealista.
marco- contar pode, mas espero que você tenha tirado conclusões próprias.
O judeu alemão barbudo, filho de seu tempo, pródigo em injustiças sociais, resolveu criar uma Utopia para dar um fim na História.
Utopia que Lênin transformou em ideologia.
E Stalin em genocídio.
Pol Pot, que estudou em Paris o velho barbudo, resolveu começar a criação do Homem Zero, e deixou uma montanha monstruosa de cadáveres, vulgarmente chamada de genocídio.
Outros filhos da classe média letrada leram o velho e saíram pelo mundo espalhando o totalitarismo, matando a liberdade.
Palavras, mesmo escritas, matam, Dino. Cuidado com os que só tem certezas.
Dino - Quem é mesmo que deveria ter o comentário apagado?
marco- Jamais disse que seu comentário deveria ser apagado, pois nesse caso eu seria mais um deletador soviético.
Disse, isso sim, que você deveria PEDIR para o PD que seu comentário fosse apagado. Uma força de expressão significando quão errado etc e tal…
marco, agora com o texto menos afetado, parece mais razoável, mas eu entendo, embalei em chiste Karl Marx e você comprou pela embalagem.
Você cita novamente a vanguarda revolucionaria, quando o assunto e minha afirmação, é sobre o agente revolucionário. Quem pega nas armas, quem luta nas ruas e nos campos.
Estudantes universitários de classe média, aqui no Brasil, nos EUA ou no Irã, são privilegiados que JAMAIS serão revolucionários, podem fazer protestos, vandalismos, o cacete a quatro, mas quando o couro e a bala comer, da uma saudade de casa, do colinho da mamãe, do suquinho, da internet, do blog, do MSN… Estou errado? Então o que aconteceu mesmo?
Repare que os aiatolás não acham Karl Marx “hilário de tão absurdo” e não são somente eles que não acham, monarcas sauditas com certeza também o leva bastante a sério, de tal maneira que evitam industrializar seus países a todo custo. O Irã importa gasolina para você ter uma idéia, não por atraso tecnológico, não querem mesmo. Os sauditas são donos de quase 10% de todas as empresas dos EUA, mas lá, eles preferem sustentar o povo em um ócio remunerado de tal maneira a não formar uma classe operaria. Você entende o porque?
Dino - Estudantes universitários de classe média, aqui no Brasil, nos EUA ou no Irã, são privilegiados que JAMAIS serão revolucionários, podem fazer protestos, vandalismos, o cacete a quatro, mas quando o couro e a bala comer, da uma saudade de casa, do colinho da mamãe, do suquinho, da internet, do blog, do MSN… Estou errado? Então o que aconteceu mesmo?
marco- Aconteceu que estudantes universitários brasileiros, de classe média, do foram enviados ao Araguaia em missão uma suicida engendrada pelos “ sábios “ do Partido Comunista.
Na hora em que o couro e bala comeram, ninguém voltou para o colinho da mamãe tomar suquinho.
Pelo contrário, quem fugiu da luta foram os “ heróicos “ dirigentes do PC.
Os universitários estão por lá até hoje, com a cabeça separada do corpo.
Não eram inocentes, Lutavam por um outro tipo de ditadura, mas ficaram até o fim.
Sim, você está errado.
Dino - Repare que os aiatolás não acham Karl Marx “hilário de tão absurdo” e não são somente eles que não acham, monarcas sauditas com certeza também o leva bastante a sério, de tal maneira que evitam industrializar seus países a todo custo. O Irã importa gasolina para você ter uma idéia, não por atraso tecnológico, não querem mesmo. Os sauditas são donos de quase 10% de todas as empresas dos EUA, mas lá, eles preferem sustentar o povo em um ócio remunerado de tal maneira a não formar uma classe operaria. Você entende o porque?
marco- Visão marxista.
A revolução comunista aconteceu em um país improvável, segundo o velho. Em tempo, sou contra a ditadura saudita e outras, de qualquer cor ou adjetivo purificador, como “ democrática “ tão usada nos anos de chumbo da União Soviética etc e tal…
Enfim, quando eu voltar a Londres, aproveitando a inevitável derrocada das moedas capitalistas, cso consiga me livrar dos famintos errando pelas ruas esburacadas, vou colocar umas flores no túmulo de você sabe quem, e mandar rezar uma missa pela salvação de s’alma, já que s’obra foi um desastre total..
Fora isso, tudo bem.
Dino, fique a vontade para responder.
Mas, por favor, me de um toque lá em cima pois está cada vez mais dificil achar comentários nessa profusão de posts iranianos.
marco, o problema de quem nunca participou de nenhum movimento social é esse, não sabe como funciona na real, pensa que é como leu ou como a TV informou.
Quando o PcdoB iniciou a guerrilha armada, você acredita que alguém iria pensar em vencer o exército, marinha e aeronáutica com 300 guerrilheiros? A idéia é uma força embrionária que seria engrossada adivinha por quem? A idéia por si só era um erro, em cima deste erro, existia outro chamado erro de avaliação, sobre as disposições revolucionarias da população miserável da região.
É certo que não voltaram para tomar suquinho, mas é certo que nem chegaram a ir lutar, se você for levar em consideração o contingente de estudantes de classe média capazes de dar a vida pela causa. No final das contas, a morte destes coitados, só serve para corroborar com a minha afirmação, “não fazem revolução”.
Quanto à parte de ditadura do proletariado, você erra de novo, você confunde a concepção de Marx que era de eliminação do estado e das classes, com a de Lênin onde a ditadura do proletariado é a ditadura do partido comunista, ou seja, da vanguarda do proletariado. Essa distorção sim é culpada pela criação do estado nacionalista, ditatorial, repressivo e burocrático. Se bem que foi uma tentativa de adaptação para a realidade da Rússia de então, um país pré-capitalista, ou semi-feudal.