Rafsanjani enfim se move e o Irã racha

Irã · 22/06/2009 - 10h11 - 174 Comentários

15h15 –De Paulo Coelho, em seu blog:

Meu melhor amigo no Irã, um médico que me apresentou sua bela cultura quando visitei Teerã em 2000, que lutou a guerra em nome da República Islâmica (contra o Iraque), que cuidou de soldados feridos no front, que sempre se sustentou em pról de valores hmanos, é visto tentando ressucitar Neda, atingida em seu coração.

14h30 – Vez por outra, é puxar analistas que de fato são do ramo. Juan Cole é especialista em xiismo iraniano. De seu blog:

O Financial Times de hoje lembra que o contínuo desafio de Mousavi a Khamenei pode forçar o regime a prendê-lo, considerando que o passo é importante para limitar suas ações.

Mas os xiitas do Irã conhecem bem os riscos de criar mártires. Sua religião se baseia historicamente na resistência aos tiranos por mártires. Prender Mousavi pode botar tudo a perder para quem está no poder, ou consolidar o poder na mão da linha dura.

É um dos temores que o regime tem com a distribuição viral do vídeo da morte da moça Neda. Ninguém quer um mártir.

Em outro post, Cole examina um estudo (PDF) do think tank britânico The Chatham House, que examina os números oficiais das eleições divulgados pelo governo do Irã.

Em um terço das províncias do país, Ahmadinejad manteve todos os eleitores que votaram nos conservadores nas eleições anteriores, recebeu todos os votos dos eleitores que costumam votar no centro e ainda arrematou 44% dos votos dos eleitores que sempre votaram nos reformistas.

14h – A jovem Neda, informa a AP, era uma agente de viagens.

12h15 – O governo do Irã informa que vândalos infiltrados abriram fogo contra manifestantes para incriminar o governo, no último sábado. Tais vândalos desconhecidos são procurados por assassinato.

11h15 – A melhor história do dia vem de um grupo fiel ao aiatolá Khamenei, o Conselho dos Guardiães, responsável por fazer a ‘recontagem parcial’ dos votos. Os senhores do conselho negam peremptoriamente que tenha havido fraude generalizada. Segundo eles, apoiados pelo Ministério do Interior, apenas 50 cidades do país computaram mais votos do que havia eleitores.

Então, tá.

11h15 – No ar o site Neda’s Voice.

Já o site Revolution Martyrs tenta compilar todas as vítimas fatais mortas pelo regime dos aiatolás desde o dia da eleição.

11h10 – Segundo a Reuters, pelo menos 1.000 manifestantes tentaram organizar uma passeata hoje, em Teerã. A cidade está tomada por homens armados de prontidão para sufocar qualquer manifestação.

10h50 – O Huffington Post tem um bom vídeo, trecho de um documentário, que mostra a eleição de Ali Khamenei para chefe supremo. Seu principal cabo eleitoral foi seu atual maior inimigo, Akbar Rafsanjani.

10h40 – Não é apenas na blogosfera de extrema esquerda pátria que começam a pintar teorias de que a CIA, ou o ocidente, ou a imprensa ocidental, são os reais responsáveis pelo levante, no Irã. É exatamente isto que a governo do país está dizendo.

10h20 – Alguns de vocês me perguntaram a respeito da Embaixada Brasileira, em Teerã. No Twitter, chegou a ser anunciado que nossa Embaixada teria sido aberta para os feridos, no sábado. Não aconteceu pelo seguinte: a embaixada está localizada num ponto longe de onde ocorreram os protestos.

Oficialmente, se algum ferido bater à porta da Embaixada do Brasil, os diplomatas estão instruídos a agir de acordo com o direito internacional humanitário. Ninguém deixará de ser tratado.

10h15 – Está circulando no Irã um documento assinado por 40 dos 86 membros da Assembléia dos Especialistas. É o órgão que tem poder sobre o grão-aiatolá Ali Khamenei.

Eles pedem a anulação das eleições.

Se a veracidade desta carta for comprovada, é a primeira vez que o alto-cardialato do Irã entrou em confronto aberto com o líder supremo. O governo do país acaba de rachar oficialmente.

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