O domingo após a pancadaria no Irã
17h50 – Um amigo, o repórter e fotógrafo Maziar Bahari, da Newsweek, foi preso esta manhã em Teerã. Ele foi detido por policiais não uniformizados em sua própria casa e o governo do Irã não divulga sua localização ou a acusação que justifica sua prisão. A recomendação é de que a notícia seja amplamente divulgada.
10h20 – A filha de Akbar Hasmemi Rafsanjani foi presa ontem com mais quatro familiares. Rafsanjani continua em Qom tentando mobilizar o alto-clero. Ou, ao menos, é onde todos acreditam que ele esteja.
10h05 – A moça cujo assassinato pela milícia basij foi filmado, ontem, se chamava Neda. O homem de camisa com listas que aparece com ela ao colo é seu pai. Em persa, ‘Neda’ quer dizer voz, chamado.
9h55 – Gente: meus planos, hoje, não são de ficar acompanhando 100% do tempo. Mas estarei de volta ao longo do dia.
9h50 – A carta que o governo está divulgando como apoio oficial da Assembléia dos Especialistas é, na verdade, uma carta assinada por um único aiatolá – Mohammad Yazdi, vice-presidente do órgão e homem fiel a Khamenei.
Ainda sobre o assunto:
- Liveblogging: O domingo no Irã 18h30 – Sobre a história que publiquei às 13h15, uma mensagem do professor Milani: Não creio que as coisas tenham...
- Uma construção posto que é domingo ...
- Embaixador iraniano
sugere que a CIA matou Neda O embaixador iraniano no México, Mohammed Ghadiri, declarou ontem à CNN que desconfia que a CIA está por trás da... - Em busca de uma solução iraniana A notícia publicada aqui, ontem, de que Akbar Rafsanjani teria em mãos um documento pedindo a anulação das eleições e...
- No Irã, tem início uma semana de indecisão Depois do sábado sangrento e de um domingo relativamente calmo, a semana começa no Irã. Na sexta-feira, o aiatolá Khamenei...



Pedro, tô com nojo dessa gente. Tô com raiva daquele que teve a coragem de reduzir a menina nesse estado, com ódio dessa velharada suja que só quer saber de manter esse poder doente. Por que Allah não queima essa raça no inferno?
Publiquei o link desse vídeo no meu blog, e espero vivamente que esse link se espalhe pela rede inteira, pra gente nunca esquecer o que significa ficar embaixo dessa corja.
ei, as Farc fazem bem pior. Cuba é pior e há mais tempo e o povo não reage.
chesterto, dá pra dar um descanso, pelo menos dessa vez?
O povo na rua derruba a ditadura!
Foi assim no Brasil, assim será no Irã!
chesterton, não perde a linha, cara… Cuba não chega nem perto da opressão iraniana.
Enquanto isso, na China, o principal jornal de relações internacionais insinua de forma bem pouco sutil que os EUA estão por trás do levante no Irã.
Aqui, do lado direito, temos uma enquete em que o pessoal já pergunta se os internautas acham que os EUA estão metidos nisso. Lógico que a maioria diz que sim.
O interessante é a última pergunta, se o internauta se preocupa que o levante no Irã venha a inlfuenciar a China. Metade se preocupa, metade não.
PS: O link ta aí pra provar os que duvidam, mas é tudo em chinês.
O sistema de governo chinês cair é questão de tempo, a cada dia que passa fica mais dificil para eles controlarem isso, se haverá violência lá também ou não, só Deus sabe.
Lamentavelmente, acho que nem no Irã o regime vai cair, quanto mais na China.
Se Obama quisesse fazer algo útil, poderia enviar armas para os grupos opositores no Irã, uma revolução de sucesso contra tiranias, só com armas. O caso de Ghandi é exceção, mas porque era contra os britânicos, contra os muçulmanos de nada teria adiantado, aliás é curioso que tanto persas quanto hindus foram massacrados pelos imperialistas árabes. Os estudantes de Teerã correm o risco de serem massacrados também, e se prenderam a filha do Rafsanjani é sinal de que vai haver purgas violentas contra os mulás “rebeldes” ao estilo soviético.
Que Neda descanse em paz. Que sua morte signifique o fim do regime dos aiatolás, não custa sonhar.
por M.K. Bhadrakumar*, no Asia Times Online
Tradução: Caia Fittipaldi
A política iraniana nunca é fácil de decifrar. A agitação criada em torno do resultado das eleições presidenciais da 6ª-feira passada intrigou muitos dos sempre presentes jornalistas e analistas autoproclamados decifradores bem informados dos códigos políticos iranianos. Tanto se escreveu sobre tantas pistas falsas que, hoje, já ninguém parece saber quem é quem na disputa política no Irã, e o que mais interessa a cada um.
O grande vitorioso foi o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei; esse, sim, alcançou vitória retumbante. A ‘eminência parda’ da política iraniana, Akbar Hashemi Rafsanjani, é o perdedor, obrigado agora a lidar com os efeitos de uma acachapante derrota.
Resta saber se, afinal, estará caindo a cortina, depois de encerrado o último ato da tumultuada carreira do “Tubarão” –, apelido que ‘colou’ em Rafsanjani, desde o tempo em que nadava no poço sem fundo de intrigas que é o Parlamento ( Majlis) iraniano. Naquele poço, Rafasanjani acostumou-se a nadar sem qualquer restrição, como predador político e como deputado porta-voz da Revolução Iraniana, desde os primeiros dias.
Com a enormíssima porcentagem de 64% dos votos, o presidente Mahmud Ahmedinejad venceu as eleições em 2009. E é difícil resistir à tentação de escrever que, como a grande baleia de Herman Melville em Moby Dick – a força, a fúria, a premeditação e a maldade –, Rafsanjani foi profundamente ferido pelo arpão eleitoral; e resta-lhe agora afundar, o mais silenciosamente possível, rumo ao esquecimento, no oceano da política iraniana. Isso, é claro, se a política iraniana fosse facilmente previsível; mas não é.
O governo do presidente Barack Obama nos EUA parece ter conseguido adivinhar o que viria, ou interpretou corretamente o significado alegórico da eleição iraniana; seja como for, antecipou-se ao terremoto que viria, desencadeado pelo vingancismo de Rafsanjani-Mousavi; e fez o melhor que havia a ser feito: manteve-se à distância, cuidadosamente afastado das eleições iranianas, resultados, protestos. Começa agora a parte mais difícil, para Obama: seduzir o Conselho dos Anciãos que Khamenei preside como monarca quase absoluto.
Primeiro, um ‘abecedário’ das eleições.
Quem é Mir Hossein Mousavi, principal adversário que Ahmedinejad derrotou nas eleições? É um enigma, travestido em mistérios. Impressionou a juventude e as classes médias urbanas como reformador e progressista. Jamais foi nem uma coisa nem outra.
Como primeiro-ministro iraniano, de 1981 a 1989, Mousavi jamais passou de político linha-dura, sem qualquer refinamento político. Estranhamente, a campanha eleitoral caríssima e over high-tech pôs em circulação outro Mousavi, que ninguém jamais vira antes, no Irã: como se o personagem tivesse sido desmontado peça a peça e, depois, se tivesse remontado, ele mesmo, para outras finalidades operacionais.
Para avaliar a mudança, basta ler as declarações de Mousavi, em 1981, depois da ‘crise dos reféns’ (como ficou conhecido o cerco de 444 dias à embaixada norte-americanan em Teerã, quando estudantes, da jovem guarda revolucionária iraniana mantiveram presos, no prédio da embaixada, os diplomatas norte-americanos): “Foi o começo do segundo estágio da revolução islâmica. Depois da tomada da embaixada dos EUA descobrimos nossa verdadeira identidade islâmica. Depois daquela ação, sentimos que podíamos enfrentar cara à cara a política ocidental e analisá-la com a frieza com que o ocidente sempre nos analisou e avaliou ao longo de muitos anos.”
Há quem diga que Mousavi também participou da organização e criação do Hizbóllah no Líbano. Ali Akbar Mohtashami, mártir reverenciado pelo Hizbóllah, foi ministro do Interior no governo de Mousavi nos anos 80. Mousavi também teve participação no ‘affair’ conhecido como “Irangate” em 1985. O caso conhecido como “Irangate” foi negócio costurado pelo governo Ronald Reagan, no qual os EUA forneceriam armas ao Irã; em troca, Teerã trabalharia para obter que o Hizbóllah liberasse os reféns presos em Beirute.
Ironia é que, naqueles idos dos anos 80s, Mousavi aparecia como perfeita antítese de Rafsanjani; aliás, o primeiro ato de Rafsanjani, quando afinal assumiu a presidência em 1989, foi demitir Mousavi. Rafsanjani não perderia nem um segundo de tempo, com os delírios “anti-ocidentais” de Mousavi, ou com suas manifestações de rejeição visceral ao ‘mercado’.
A plataforma eleitoral de Mousavi foi uma estranhíssima mistura de políticas contraditórias e interesses ocultados mas muito claramente dirigidos para uma única meta, como uma espécie de obscessão maníaca: retirar poderes da presidência da República, no Irã.
Por isso conseguiu reunir autoproclamados ‘reformistas’ que apoiavam o ex-presidente Mohammad Khatami, e, também as alas mais ultraconservadoras do regime. Rafsanjani é o único político iraniano capaz de reunir grupos tão completamente diferentes; e sempre trabalhou ao lado de Khatami para fazer diminuir os poderes da presidência da República.
Se se deixa de lado a ‘oposição’ cenográfica feita pelos habitantes dos bairros ricos de Teerã (”multidão Gucci”, como se disse em Teerã), que cumpriu o papel de acrescentar cor, maquiagem, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi, o núcleo duro de sua plataforma política foram poderosos interesses que, nessa eleição, fizeram sua derradeira tentativa para derrubar o regime liderado pelo Aiatolá Khamenei.
Por outro lado, esses grupos de interesse sempre se opuseram furiosamente às políticas econômicas implantadas durante a presidência de Ahmadinejad, políticas que ameaçaram o controle que aqueles grupos sempre tiveram sobre setores-chave da economia, como comércio internacional, educação privada, propriedade da terra e produção agrícola.
Para quem conheça melhor o Irã, basta dizer que a família (clânica) Rafsanjani é proprietária de vários impérios financeiros no Irã, empresas de exportação-importação, latifúndios e da maior rede de universidades privadas do país. O grupo, conhecido como “Azad” tem mais de 300 universidades espalhadas pelo Irã; não são unidades produtoras apenas de pensamento ‘privatista’, também chamado ‘neoliberal’; também serviram como importante instrumento de propaganda da candidatura Mousavi: no total, foram cerca de 3 milhões de estudantes ativistas anti-Ahmadinejad, organizados nas universidades da família Rafsanjani.
As universidades do grupo “Azad” e grupos associados foram a espinha dorsal da campanha de Mousavi nas províncias. A ideia geral foi mobilizar os estudantes das universidades do grupo “Azad” para levar a campanha até os mais pobres nas provínciais e ‘desmontar’ as bases consideradas chave para a reeleição do presidente Ahmadinejad.
Rafsanjani é político cujo estilo sempre o levou a construir redes extensas em praticamente todos os escalões da estrutura do poder, com especial atenção a corpos político-administrativos como o Conselho de Guardiães, o “Expediency Council”, os clérigos Qom, o Parlamento, os tribunais, a burocracia, o bazaar e, até, com elementos infiltrados nos grupos mais próximos de Khamenei. Construídas suas redes, Rafsanjani põe-se a jogar com esses bolsões de influência.
O eixo Rafsanjani e Khatami foi a base da plataforma política de Mousavi, que reuniu reformistas e conservadores. Tudo estava preparado para levar a eleição para um segundo turno, dia 19/6, com o Irã, sim, já completamente dividido ao meio. A candidatura do ex-comandante do Corpo de Guardas Revolucionários Iranianos [ing. Iranian Revolutionary Guards Corps, IRGC] foi incluída na disputa para arrancar uma fatia de votos dos mais conservadores.
Esperava-se também que o programa “reformista” do quarto candidato, Mehdi Karrubi, contribuísse para arrancar votos de Ahmedinejad, mediante a propaganda de políticas econômicas de justiça social, como o programa imensamente popular de distribuição da renda do petróleo entre os cidadãos, em vez de esses lucros serem acrescentados diretamente no orçamento do governo.
O plano de Rafsanjani visava, de certo modo, a levar a eleição para fora da disputa eleitoral; esperava-se que Mousavi capitalizasse todos os votos ‘anti- Ahmedinejad’ – estimando-se que Ahmedinejad teria, no primeiro turno, 10-12 milhões dos 28-30 milhões de votos (de um total de 46,2 milhões de eleitores). Por esses cálculos – mas só se houvesse 2º turno – Mousavi seria o grande beneficiário, se os votos para Rezai e Karrubi fossem essencialmente votos ‘anti-Ahmadinejad’.
O regime já estava bastante envolvido na campanha eleitoral, quando afinal percebeu que, por trás do clamor por ‘mudanças’, Rafsanjani trabalhava, de fato, contra, sobretudo, a liderança de Khamenei; a batalha eleitoral não passava de simulacro e pretexto.
De fato, a luta entre Rafsanjani e Khamenei tem longa história, desde o final dos anos 80; e foi, então, vencida por Khamenei, que assumiu a liderança em 1989.
Rafsanjani foi um dos indicados pelo Imam Khomeini para o primeiro Conselho da Revolução Islâmica; Khamenei chegou bem depois, quando o Conselho aumentou o número de membros. Por isso, Rafsanjani sempre cultivou um ressentimento; sempre entendeu que Khamenei usurpou o lugar que seria seu, como Líder Supremo. O establishment clerical mais próximo de Rafsanjani difundiu a ideia de que Khamenei não teria as credenciais religiosas necessárias; que seria indeciso; e que o processo eleitoral seria questionável, o que gerou dúvidas sobre a legalidade do poder de Khamenei.
Clérigos de prestígio, estimulados por Rafsanjani, insistiram na ideia de que o Líder Supremo não seria apenas autoridade religiosa ( mujtahid), mas deveria ser também fonte de emulação e proselitismo (marja ou um mujtahid com ‘adeptos’, seguidores religiosos) e que Khamenei não satisfaria esse requisito; mas Rafsanjani, sim.
Os ataques contra Khamenei passaram a ser construídos a partir do argumento, vil sob vários aspectos, de que sua educação religiosa não seria satisfatória. O trabalho de desconstrução, pelos clérigos ligados a Rafsanjani, continuaram até os primeiros anos da década de 90. Então, Khamenei escolheu recolher-se e permaneceu recolhido, consciente de que estava sob cerco, durante os anos em que Rafsanjani ocupou a presidência (1989-1997).
Resultado disso, Rafsanjani foi o presidente que mais poder teve, em todos os tempos, em Teerã. Mas enquanto isso, Khamenei, recolhido, também construía novos poderes. Se não tinha prestígio entre a elite do establishment clerical iraniano, cuidou de atrair para seu lado o establishment da segurança, sobretudo o ministro da Inteligência, os Guardas Islâmicos Revolucionários e as milícias Basij.
Enquanto Rafsanjani mais e mais se envolvia com os clérigos e com o ‘mercado’, Khamenei procurou apoio num grupo de jovens políticos brilhantes, com experiência de organização e de luta, e que estavam voltando ao Irã depois da guerra Irã-Iraque; por exemplo, Ali Larijani, atual líder do governo no Parlamento; Said Jalili, atual secretário do Conselho de Segurança Nacional; Ezzatollah Zarghami, presidente da Rádio e Televisão Estatais; e, sim, também o próprio Ahmadinejad.
O poder político real começou a tender na direção de Khamenei, depois de ele ter atraído para seu campo os Guardas Revolucionários e as milícias Basij. Quando o mandato presidencial de Rafsanjani chegou ao fim, Khamenei já comandava os três principais braços do poder governamental e toda a mídia estatal; já era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, também, de várias instituições estatais, como a “Imam Reza Shrine” ou a “Fundação pelos Oprimidos”, máquinas praticamente ilimitadas para gerar apoios políticos.
Hoje, toda a estrutura de poder assumiu a forma de um complexo aparelho de liderança patriarcal. Analistas bem informados e sensíveis anotaram, com precisão, que Ahmadinejad não teria qualquer interesse pessoal ou eleitoral que justificasse atacar diretamente Rafsanjani, durante o debate do dia 4/6, em Teerã, com Mousavi. O ataque a Rafsanjani não foi ataque eleitoral: foi ataque em disputa política mais profunda.
Ahmadinejad disse, naquele debate: “Hoje, nesse debate, não enfrento apenas o Dr. Mousavi, nem ele está sozinho, aqui à minha frente. Aí estão três governos passados: do Dr. Mousavi, do Dr. Khatami e do Dr. Rafsanjani, todos reunidos contra a minha presidência e o desejo dos eleitores iranianos.” Mirou e atirou diretamente contra Rafsanjani, acusando-o de organizar golpe contra as eleições. Disse que Rafsanjani prometera à Arábia Saudita que não haveria segundo governo de Ahmadinejad.
Rafsanjani respondeu fogo com fogo, dias depois, em carta a Khamenei, em que exigia que Ahmadinejad se retratasse, “para evitar que [Rafsanjani] fosse forçado a tomar medidas judiciais cabíveis”.
“Espero que o senhor resolva esse impasse, e apague o fogo, cuja fumaça já se vê de longe; e que evite desdobramentos perigosos. Mesmo que eu estivesse disposto a relevar esse tipo de agressão, não duvide de que há gente, partidos, grupos, facções, que não a relevariam” – Rafsanjani ameaçou Khamenei sem meias-palavras.
Simultaneamente, Rafsanjani convocou toda a sua base clerical: uma claque de 14 altos clérigos reuniram-se em Qom, à volta dele.
Já foi ato de desespero, acionado por interesses ocultos que já sabiam do crescimento muito significativo dos movimentos dos Guardas Revolucionários, nos últimos anos. Mas, se Rafsanjani supusera que seria fácil criar um ‘motim’ entre os clérigos, e que isso ‘desequilibraria’ Khamenei… errou muito gravemente no cálculo do poder político em Teerã.
Khamenei fez o que de melhor poderia ter feito para esvaziar o ‘movimento’ golpista de Rafsanjani: Khamenei simplesmente ignorou o “Tubarão”.
Dezenas de milhões de voluntários da Guarda Revolucionária e das milícias Basij foram rapidamente mobilizados para votar; somaram-se aos milhões de pobres das áreas rurais que se veem manifestos em Ahmadinejad. Daí em diante, foi só esperar que se repetisse o que já acontecera nas eleições de 2005. O comparecimento às urnas – 85% dos eleitores votaram – foi o maior da história do Irã. Esse comparecimento às urnas, não qualquer tipo de ‘fraude’ eleitoral, determinou a vitória de Ahmadinejad, sem 2º turno; horas depois de anunciados os resultados, Khamenei aplaudiu o comparecimento dos eleitores às urnas, que, segundo suas palavras, mereceria “verdadeira celebração”.
Disse Khamenei: “Congratulo-me (…) com o povo iraniano por esse sucesso de todos. Todos temos muito o que agradecer, por tantas bênçãos recebidas”. Preveniu os jovens e “os que apoiam o candidato eleito e demais candidatos e apoiadores”, para que todos se mantivessem bem alertas, “para evitar os discursos e as ações de provocação.”
A mensagem de Khamenei a Rafsanjani foi bem clara: aceite a derrota e não volte a envolver-se em movimentos golpistas. Os resultados da eleição de 6ª-feira asseguram que a casa do Aiatolá Khamenei, Líder Supremo, continuará a ser o ponto focal do poder político no Irã. É o quartel-general do Presidente, das forças armadas iranianas e, sobretudo, dos Guardas Revolucionários. É fonte legítima do poder dos três braços do governo e é ponto nodal de todas as políticas econômicas, de segurança e de relações internacionais no Iran.
O presidente Barack Obama já deveria já estar pensando em construir caminho para aproximar-se (amistosamente, não beligerantemente, nem mediante sanções econômicas) e buscar vias de entendimento com o Aiatolá Khamenei. Difícil imaginar desafio maior e mais complexo.
* M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do MRE indiano. Serviu na União Soviética, na Coreia do Sul, no Sri Lanka, na Alemanha, no Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.
O artigo original, em inglês, pode ser lido aqui
O problema de Obama é que ele não tem princípios. Ele é a favor da democracia ou não? Mais uma vez o Ahmadinejad o desprezou com palavras insolentes.
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/KF16Ak05.html
Link original acima
Morte à tirania! Morte a Khamenei e Ahmadinejad. Com essas pessoas, só com bomba mesmo, não há “diálogo” que resolva, é como querer dialogar com serpentes.
Re: 11 - Sei. O povo está nas ruas, levando cassetada e tiro, por manobra “golpista” e “vingancista” do Rafsanjani…
Bem me lembro de um depoimento linkado aqui, de um iraniano que votou no Ahmadinejad por rejeitar o vínculo de Mousavi a Rafsanjani. O interessante foi ele afirmar que, independentemente disso, apoiaria os protestos contra o resultado das eleições, se crescessem para o questionamento do regime em si e o clamor por mais liberdade…
5, Cuba não chega perto? Vamos ver.
Bem, o autor lista Cuba como borderline “mortacracie” enquanto o Iran é apenas uma “mortacracie” em potencial.
cnn
PD, assim vão pensar que estamos jogando volei, no mesmo time. Você é o levantador e eu termino a jogada na rede.
Cuba- durante a ditadura de Fidel Castro matou 86.587 pessoas, aprox. 1,43% da população da época. Divididos assim: fuzilados:5.621. Assassinados extrajudicialmente:1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais:1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate:1.258. Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país:77.824. (Os dados sobre Cuba foram obtidos no site da Anistia Internacional)
O regime chinês não dura para sempre, mas o acordo entre o governo e a classe média assegura que ele durárá um tempinho…
Vídeo novo de manifestações (supostamente) no domingo no blog do NYTimes:
http://thelede.blogs.nytimes.com/
comentário 09, Chico Mendes,
Finalmente apareceu algo que parece com a realidade dos fatos. E o autor do artigo é um diplomata indiano, alguém fora do círculo oriente/ocidente, o que já é boa credencial.
Para mim, a verdade está com o diplomata indiano.
O diplomata indiano é tão neutro quanto os analistas ocidentais…
cadê o Obama?
É claro que ninguém é “neutro”, mas o diplomata indiano demonstra bastante conhecimento dos fatos, demonstrando segurança sobre os acontecimento que narra.
Para mim, é o melhor artigo que já apareceu sobre o assunto.
O Chest está doido que o Obama invada o Iran.
Ô Chest, até agora conta-se nos dedos as mortes da grande revolução do Irã, só ontem, num atentado a bomba, no Iraque, voaram pedaços de 50 pessoas para todos os lados.
Esses islamicos, matam islamicos mais que qualquer coisa.
Obama não é um grande líder? Porque tão omisso?
Patriarca, permita-me discordar. Não vi mais que conjecturas no artigo do indiano.
Sei não, mas daqui a pouco o Obama vai chamar o Rodrigo Santoro para conversar…..
Pelo jeito, o Rafsanjani é o Berlusconi do Irã … e ainda perguntam porque as esquerdas estão contra ele.
O Obama, como diz o artigo, tomou a atitude mais inteligente possível, ou seja, não vai interferir, o que aliás, está apenas seguindo o bom senso.
Na verdade Patriarca, já havia contatos diplomáticos por parte de Ahmadnejad-Khamenei com os EUA, o que Obama está fazendo é não trocar o certo pelo duvidoso.
E apesar de não ser definitivo, o artigo do diplomata indiano é muito esclarecedor, é um dos poucos textos que surgiu por aqui que valeram a pena ler.
E o silencio do Idelber e’ ensurdecedor….
cnn
Osa aiatolás não são nenhum Fidel, mas ainda assim….
Há relatos de que houve episódios de pancadaria hoje, domingo, em pelo menos dois locais: na Avenida Johmuri (”República”) e na Praça Ferdowsi (o poeta autor do “Shahnameh”(”Livro dos Reis”)).
O Larijani deu também umas declarações meio em cima do muro, dizendo que as pessoas insatisfeitas com o resultado da eleição tinham uma opinião que deveria ser respeitada.
Anônimo da Persia, qual sociedade é mais fechada, Irã ou Arábia Saudita? Voce preferiria trabalhar aonde? E se voce fosse mulher? Nunca vi cinema saudita.
O que voces direitopatas direitobas querem? não basta a CIA estar no Irã açulando a minoria derrotada legitimamente? Não basta a conspiração judaico-cristã-ocidental-capitalista estar comprando gente para ser espancada e morta diante das câmeras de uns poucos fascistas que depois espalham pelo mundo?
E o que interessa uns poucos espancados e uns e outros mortos já que os sacrosantos aiatolás e seu representante Armedinejade continuarão fazendo frente ao grande satã dos EUA? Enfrentar a conspiração judaico-cristã-ocidental-capitalista exige alguns poucos sacrifícios sim mas o que importa é que o Irã continuara sendo o bastião do oriente médio contra a ofensiva sionista-americana!!!
pô, Brancaleone, que susto. Ainda não me acostumei…
Putz!!!
Que moleza surtar como esquerdista!!!
é só pegar frasesinhas de efeito, um monte de chavões e tascar aqui!
Coisinha fácil, não requer nem cinco por cento de intelecto dum macaco!
Mas eu sempre pensei que muitos aqui davam de esquerdistas para atrair a atenção da mulherada mas parece que não é. Minha mulher me achou um chato e me pos para fora de casa quando comecei a babar e uivar…
Resumindo:
É facílimo ser anti eua e esquerdista, mas é muito chato e não melhora em nada a inteligência, o que talvez explique alguns comportamentos de gente daqui…
E o PD aPeTzou-se mesmo…
Nem uma linhazinha sobre o calote dos precatórios…
Brancaleone,
dá uma lidinha no artigo postado aí no comentário nº 09, alí não há complôs, conspirações, babões, nada disso, apenas a verdade de maneira tranquila, lógica e coerente.
E depois da eleição do Obama, os direitobas é que viraram anti-americanos.
E parece que você deu mesmo para babar e uivar depois da eleição do Obama, até pediu demissão da multinacional norte-americana.
A tua mulher não deve estar nada satisfeita.
Que o Rafsanjani é corrupto até as montanhas do Irã sabem.
Mas zonas eleitorais em que compareceram… errr… 130% dos eleitores inscritos… bem, isso aí não pode ser atribuído à rede de corrupção do Rafsanjani, não é mesmo?
Rapaz… não tem nem comparação. Não conheço, mas toda a informação que já recebi sobre lá leva a crer que é muito mais sinistro do que o Irã. Tenho alguns colegas de trabalho que já estiveram lá e não têm boa lembrança.
São 22h em Teerã e o “Allah-u-Akbar” começou de novo.
Patriarca!
Bom saber que pelo menos voce acompanha minha vida profissional e doméstica!
E a patroa não reclama. O salário dela sempre foi maior que o meu, ela sempre teve carro mais novo que o meu e é ela que paga as despesas de férias ou seja, voce entendeu.
Mas com relação a isenções e comentários imparciais, convenhamos que eles não existem. Isenção e imparcialidade exigiria conhecimento da verdade absoluta sobre os fatos e sabemos que ela não existe. A verdade iraniana ninguem sabe e não interessa que ninguem saiba, vai dai que ficamos aqui, nos passionalismos ideológicos, cada um agarrado como pode e batendo em quem consegue.
Eu por mim me divirto com as desgraceiras humanas, em especial as que estão na moda. Deixamos um pouco a palestina, nunca falamos do Sudão, o Paquistão não chama tanta atenção mais e o alucinado da Coréia da Norte continua latindo e mais pereto daqui, o Huguito parece estar menos atabalhoado ou não consegue fazer tanto barulho quanto armedinejade, talvez porque na venezuela Chávez é ao mesmo tempo aiatolá e armedinejade…
Mas concluamos que isenção e imparcialidade jornalistica ou comentaristica não existem por ser um contrasenso em termos…
E eu vou é lavar meu carro.
A imagem de Neda Soltani corre o mundo. O pior é que a moça nem ao menos participava ativamente dos protestos: apenas assistia, ao lado do pai. Foi alvejada por um basij.
Só há uma resposta possível a isso. Morte a Khamenei. Morte à tirania dos aiatolás. Pela liberdade do povo iraniano!
Obama condenou a violência, mas do seu modo neutro, calculador. Falou em “comunidade internacional”. Você já ouviu algum outro presidente americano que fale tanto em “comunidade internacional”? Preste atenção. Ele raramente fala em nome dos EUA ou da América. Fala em nome de si mesmo ou da “comunidade internacional”. Como se fosse presidente do mundo. Observe ainda que seus pronunciamentos foram todos feitos de acordo com as notícias que iam chegando. Primeiro celebrou o “robusto debate” da eleição. Mesmo quando a fraude já era óbvia, ainda assim falou que estaria disposto a dialogar com o vencedor. Somente quando a brutalidade da repressão começou a ficar óbvia demais é que fez um pronunciamento contrário à violência, mas, mesmo assim, um pronunciamento morno, que nem ao menos foi lido pessoalmente. Um presidente com princípios teria agido de modo diferente, mas Obama tem princípios? Acredita na democracia? Acredita nos EUA? Francamente, não sei.
Amahdinejad, de qualquer modo, respondeu com desprezo. Criticou EUA e Inglaterra (?) e falou que quem critica o Irã não será incluído no seu “círculo de amizade”. Como se alguém quisesse amizade com um assassino de adolescentes.
Enquanto espanca o próprio povo, a corja no poder do Irã planeja um exercício militar ousado a partir de segunda-feira, com os olhos voltados para Israel. Como se nada estivesse acontecendo no próprio país.
Os protestos continuam. A filha de Rafsanjani foi presa. A população continua sento atacada a tiros e gás. Mais jovens foram mortos hoje.
Só há uma resposta a isso. Não é o “diálogo” com assassinos. Não é a “paz” com torturadores. Não é a “amizade” com canalhas.
Pelo fim do regime islâmico no Irã! Morte à tirania! Morte a Khamenei e Ahmadinejad! Liberdade para o povo persa!
Postado por Mr X às 14:22 0 comentários Links para esta postagem
PD,
No post anterior você fez uma colocação que acho precisa ser melhor refletida:
“Alguns me acusam de não estar cobrindo, estar torcendo. Perdoem: não inventei a ditadura iraniana. Não tomei a decisão de proibir os iranianos de se manifestarem. ”
A reflexão que peço é a seguinte:
Quem foi que inventou a ditadura iraniana?
Cá com os meus botões, cheguei à conclusão de que foi o próprio povo iraniano, quando endeusou um doido - Khomeini - achando que ter um governo religioso seria melhor do que um governo corrupto (do Xá Reza Pahlevi).
Ou seja, embora ache que devamos nos posicionar contra a forma violenta com que o governo religioso iraniano ataca manifestantes (assim como nos posicionamos contra o governo laico chinês que ataca manifestantes religiosos no nepal), acredito que o problema é interno. O povo iraniano é que tem que resolver. Eles colocaram os aiatolas no poder, os aiatolas é que mandam (você mesmo já disse). Agora, se querem mudar, é lá com eles. Eu não vou me meter, não acho que o Brasil tem que se meter e acho bom que os EUA, Europa, China e outros fiquem fora do lance.
O Obama quer amornar os ânimos no Oriente Médio, para enfraquecer o radicalismo. Engrossar com o regime iraniano, agora, só daria pretexto a Khamenei, Ahmadinejad et caterva.
Aliás, quero ver quem defenda o Ahmadinejad, agora. Eis um “honesto” e “íntegro” em silêncio sobre eleições altamente suspeitas e carnificina de civis — que a voz oficial do regime chama de “terroristas”.
É, naquele vídeo terrível da morte da menina Neda, a gente vê claramente que ela carregava explosivos para sabotagem…
O artigo do diplomata indiano, publicado no comentário # 9 é, nitidamente, a mais completa e detalhada narrativa dos acontecimentos atuais e seus antecedentes.
É narrativa serena, lógica e absolutamente plausível, principalmente se consideradas as biografias dos perdedores da eleição contestada.
Por outro lado, é insólito o apoio que os perdedores recebem de comentaristas caricaturais que, a título de apoiar a idealizada e decadente “civilização ocidental” e o império em decomposição, louvam os demonizados do passado.
Os da direita, ávidos por chances e oportunidades para atacar e menosprezar a esquerda estão, na realidade, tensos, inseguros e sem bússola.
Considero que a cobertura do Pedro Doria dos acontecimentos no Iran é correta e imparcial, baseada nos poucos fatos e pouquíssimas análises isentas que consegue acessar. Nao vejo tentativa de manipulaçao nem uma imparcialidade qualquer. Enfim, um ótimo trabalho jonalístico. Espero que continuará assim quando chegar a vez de Israel, pois é certo que chegará tao logo a crise iraniana finda e esquecida.
Já o Chico Mendes no #9 (artigo do M.K. Bhadrakumar) deu-me a oportunidade de ler a melhor análise do choque entre os pit-bulls da ditadura dos cardeais arquimilionários que domina o Iran há décadas - a CIA e Albion nao poderiam ter feito pior quando botaram o Xá e os cardeais no poder quando deram o golpe Mohamed Mossadegh. Enfim, nao existe nada pior, nada mais radical, nada mais anti-progressista que religiosos no poder. Religiao é bom, para quem gosta, em igrejas, sinagogas, mosteiros, mesquitas e em casa.
Penso como o analista indiano: O Khamenei é o vencedor e o Rafsanjani perdeu feio. Pergunto-me se já nao está sequestrado em algum lugar. Se de fato tiver em Qom, está mais que evidente que ainda nao conseguiu virar o Conselho dos Guardioes contra o Khamenei. Se nao conseguiu até agora, povavelmente jamais conseguirá. Perdeu a batalha; sua carreira política acabou. O compromisso final será: Khamenei no poder supremo, Ahmadinejad como presidente-fantoche, e Rafsanjani - o Sir Ney iraniano - livre para continuar roubando ainda mais do que já roubou durantes todos essas décadas, mas sem poder político real. No mais, tudo continuará na mesma; os clérigos nao largarao o osso, pois malucos nao sao.
A clique Rafsanjani/Mousavi se serviu e se serve de maneira vil do povo iraniano mais educado como bucha-de-canhao do seu objetivo político primordial: apear o Khamenei do poder. Tem gente morrendo, e vai continuar morrendo, por muito pouco, e mesmo nada. A ditadura dos clérigos milionários nao acabará amanha, e nem depois de amanha. Tao conservadora como sempre foi. Só largarao o osso à bala, numa sangrenta guerra civil - e olhe lá! Podem sair vencedores…
O que é surpreendente nisto tudo é que, até agora, nao houve massacre, nao houve matança generalizada como as que fizeram os chineses em Tianamen e os generais canalhas do Myanmar. Os países ocidentais continuam fazendo negócios milionários com as duas ditaduras, e pouca gente se ofusca com isto. Farao o mesmo com o Iran, tao logo resolvidas as diferenças entre a cachorrada.
Bem Nada, como a esquerda gosta mesmo é de tirania, não me espanta que tenham sempre certezas.
Responda, no duro: você apóia Ahmadinejad? Você apóia Khamenei?
É evidente que Mousavi/Rafsanjani não são a solução, de minha parte nada menos do que o fim do caráter islâmico é necessário, o que só ocorreria por conversão massiva ou desmoralização completa dos aiatolás.
Agora, que é triste ver esquerdistas como você apoiando pauladas no povo, isso é triste mesmo. Mas de alguém que apóia FARC, Cuba e Chávez, não se pode esperar “nada” mesmo.
Não dá para reduzir toda a historia recente ao que aconteceu em 1953
O que o diplomata indiano escreveu de revolucionário? Que há uma disputa palaciana, está claro desde os resultados das eleições. Que Rafsanjani e Moussavi não são santinhos e libelos do progressismo, quem acompanha a política do Irã está cansado de saber.
Agora, o diplomata indiano explica mal a contrariedade na tendência das últimas eleições iranianas. Como observou o Bruno Mota, essa vitória acachapante de Ahmadinejad aponta para uns fenômenos estranhos, como a adesão dos jovens eleitores quase inteiramente à continuidade do atual presidente…
E alguém me explique: se o Ahmadinejad reinou absoluto nas urnas, por que o governo fechou geral logo depois de divulgar os supostos resultados do pleito? E a apuração em tempo recorde para votos em papel? E as zonas eleitorais com cento e tantos porcento de índice de comparecimento?
Isso é coisa do Rafsanjani?
Mr X (46),
Como o senhor deve ter notado nos últimos anos, meus comentários jamais são dirigidos em apoio a ditaduras ou religiões.
Entretanto, circunstancialmente e por razões de natureza estratégica ( não tática, note bem), prefiro que o território iraniano continue politicamente estável e que aquela sociedade siga seu curso até que, em conjuntura internacional apropriada, as mudanças convenientes sejam implementadas.
Não apóio repressão contra quem quer que seja e proveniente de qualquer lado. Assim, abomino seu ídolo uribe e respectivos paramilitares, a ditadura de fulgencio batista e as podres elites econômicas venezuelanas, para contrapor seus exemplos.
E, pela enésima vez, não sou “esquerdista”. Estou à esquerda, no espectro político, com respaldo teórico-científico. Esquerdismo é outra coisa, bem diferente.
O Mr. X, tem a personalidade típica daqieçes que acreditam nos heroisões norte-americanos, os quais, é claro que apenas nos filmes, aniquilam sozinhos grandes exércitos, destroem a metade de um país, a fim de salva uma menininha.
A jovem iraniana morreu, o que é muito lamentável, mas agora, por causa disso, vamos matar milhares de jovens, tal como vem sendo feito no Iraque?
O Mr. X, tem a personalidade típica das pessoas que acreditam nos heroisões norte-americanos, os quais, é claro que apenas nos filmes, aniquilam sozinhos grandes exércitos, destroem a metade de um país, a fim de salva uma menininha.
A jovem iraniana morreu, o que é muito lamentável, mas agora, por causa disso, vamos torcer para que morram milhares de jovens, tal como vem sendo feito no Iraque?
Nada será como antes, o que é Irã politicamente estável para você? Não acha que um governo iraniano agressivo, tanto na política internacional quanto na repressão interna, é um atentado à estabilidade?
Tanto é instável que resolveu se meter agressivamente nas eleições e partiu para a confrontação aberta com parte do povo.
Patriarca, você realmente acha que os jovens que manifestam nas ruas do Irã estão lá por incitação do Mousavi? Faz dias que isso deixou de estar no controle de qualquer político. Para mim está claro: os protestos contra a apuração eleitoral catalisaram uma insatisfação que vinha se acumulando em parte da população iraniana…
[...] crise do Irã temos visto uma situação singular. Por se tratar de um país extremamente fechado, as notícias [...]
Astronauta (52),
Não vejo agressividade na “política internacional” iraniana. Aliás é uma contradição terminológica afirmar que determinada política é agressiva.
A diplomacia iraniana é enfática e incisiva, mas não agressiva. Não há histórico de agressão iraniana, nas últimas décadas, contra qualquer país.
O “país” mais agressivo, em todo o mundo, é bem conhecido e tem rastros de sangue em várias intervenções, inclusive porque sua diplomacia é grotesca.
Pelo teor de seu comentário, você parece confundir Estado com governo. Sugiro aprofundar os conceitos.
Ah, claro. Como se governo não desestabilizasse Estado…
“Enfática e incisiva”. Sei. Saiu pela tangente. Que bonito, isso: só é “agressiva” a política que envolve intervenção armada. Então, assim, enquanto Hitler não mandou exércitos para a Polônia, sua política externa era só “enfática e incisiva”… Já que os EUA não ocuparam Chile, Argentina, Brasil etc. nos anos 60 e 70, só trataram da América Latina de forma “enfática e incisiva”…
Gostei. Vou anotar isso.
Perguntar não ofende: que grupos políticos o Ahmadinejad vem apoiando nos países árabes?
Astronauta no #48:
Ninguém afirmou que o artigo do ex-diplomata indiano é “revolucionário”. Apenas que era uma excelente análise, o que de fato é. Tal como a análise do Peter Beamont que postou a Cláudia aí abaixo (em inglês). Ao contrário de muito comentário gratuito e superficial por aqui, e os gritos histéricos de “Morte a Khamenei!” de alguns parvos que nao conseguem entender a luta que se passa entre conservadores e ultra-conservadores pelo poder e seus privilégios, se servindo do povo como bucha-de-canhao.
Sim, suas perguntas sao muito pertinentes e infelizmente ficarao sem resposta. Eu também pergunto-me a mesma coisa, e nao terei respostas. Uma parte do povo iraniano certamente se pergunta o mesmo, e provavelmente também nao terá respostas. Mas de lá a concluir que houve fraude massiva, é um passo que ainda nao estou pronto para dar. O ideal seria a anulaçao destas eleiçoes e partir para outra, com observadores internacionais e contagem de votos sob observaçao. O problema é que os hardliners, no beco sem saída que criaram para si próprios, veriam isto como “perder a face”, um recuo inadmissível. Essa turma, incluindo o Ali Khamenei que controla TODO o aparato repressivo, sao maioria em praticamente todo o aparelho do estado iraniano, e a possibilidade de derrota nas urnas, mesmo remota, nao os apetece e os deixa mesmo aterrorizados.
Como bem disse um comentarista aí acima (ou abaixo), o povo iraniano pôs os mullahs no poder; cabe a ele tirá-los de lá. Nas urnas ou à bala. Nas urnas é improvável, daí….
Irã não está invadindo nenhum país, não há notícias de execuções promovidas pelo Ahmadinejad, ao conbtrário, milhares de execuções constam do currículo de Mousavi.
Comparar Irã com Alemanha Nazista é forçar a barra demais.
Astronauta (56),
Não. Não saio pela tangente. Apenas sou criterioso com as palavras.
A política externa nazista não foi enfática e incisiva. Foi, sempre, ameaçadora e utilizou discurso belicista, conforme mostra a História.
E os USA não precisaram ocupar, Brasil, Argentina, Chile e outros, porque dentro destes países havia (e ainda há, muitos) capatazes que, venal e lealmente, se encarregaram do serviço sujo direto. Indiretamente, o império decadente prestou inestimáveis e essenciais favores à empreitada.
Uma última correção. Você afirma, com ironia que, para mim …..”só é ‘agressiva’ a política que envolve intervençao armada.”
Você deve ser adulto e deveria saber que “intervenção armada” é o oposto de ação política.
Reforço minha sugestão anterior para que você aprofunde os conceitos.
Patriarca: Você tem razao.
Ainda nao entendí porque alguns acreditam que o a dupla Rafsanjani/Mousavi seria melhor que a dupla Khamenei/Ahmadinejad. A criançada ainda nao explicou.
É isso, Caramujo,
por que a duplaRafsanjani/Mousavi seria melhor que a dupla Khamenei/Ahmadinejad?
Grande mistério!
Quando todos o fatos apontam ao contrário.
cadê o Obama?
cnn
Retrato da Nação
cnn
resumo da situação iraniana
cnn
“por que a duplaRafsanjani/Mousavi seria melhor que a dupla Khamenei/Ahmadinejad?”
Que tal “porque o povo assim quer”, à custa de paulada nas costas? Mas sei que esse é um conceito difícil para os autoritários de esquerda, que nada vêem de errado em fraude se beneficia o seu lado.
Não que eu goste do Rafsanjani, atenção: desejo nada menos que o fim do regime islâmico. Por ora, a instabilidade é o melhor que há, é o que melhor serve aos interesses, sim, do Ocidente capitalista judaico-cristão etcétera e tal. (P.S. Se Ahmadinejad se mantiver no poder, em breve, Netaniahu me confidenciou, bombas sionistas de Israel cairão sobre as instalações nucleares do Irã, viva. :-P)
não há notícias de execuções promovidas pelo Ahmadinejad
Hã… Para sua informação, Patriarca, o Irã executa milhares de pessoas por ano, muitos por motivos políticos. Outros por serem gays. Algumas mulheres por terem sido adúlteras. Mas tem razão, Cuba é muito pior.
Não. Não saio pela tangente. Apenas sou criterioso com as palavras.
Não, Nada, você não é “criterioso” com as palavras, você é um imbecil pomposo, com linguajar de advogado de meia-tijela. Um comunista safado que apoiou regimes que mataram centenas de milhões. Uma pessoa que não teria escrúpulos em assinar a sentença de morte de civis por fuzilamento em nome do “progresso” ou da “conjuntura internacional apropriada”. Sim, já sei que vai dizer que “não é comunista”, mas esse é o seu método, sempre se esquivar. Pro inferno.
cadê o Obama?
Obama foi tomar sorvete. De baunilha.
Gente, chegando agora e vendo que rola um artigo do M.K. Bhadrakumar… O cara é figurinha conhecida. Podem ter certeza que artigo sim, artigo também, sempre estará falando mal do Paquistão e sempre defendendo os aiatolás.
hilário, mas nem por isso menos sério. Apioado.
O Larijani está decendo do muro?
apoiado…
A manifestação (sem destruição) é direito dos cidadãos.
No caso de fraude eleitoral, todo o direito das manifestações.
A fraude está comprovada?
100% comprovada?
Ou a oposição acha que houve?
Well.. o “eu acho” não dá direito a manifestações.
Ocidente responsável pelos “disturbios” no Irã?
Não. Os responsáveis são os líderes da oposição.
O Moussavi o principal.
O povo nas ruas derrubou a ditadura????
HA HA HA HA HA HA HA !!!!!!
Os militares decidiram por eleições diretas. Prepararam o terreno para isso.
Quanto à guerrilha do Araguaia, as lutas de personagens com nossa ministra, o Lamarca e outros não foram para derrubar ditadura e sim, instaurar no Brasil o regime comunista de Fidel.
Ou seja: derrubar uma ditadura para instaurar outra (e bem mais ditadura hein!!).
Sorte que os militares escorraçaram com a cambada!
outro nojento.
nada será como antes: o Irã sobre Ahmadinejad financiou o Hizbolá, um partido político com milícia que chegou a tomar metade da capital do Líbano.
Isso não é se meter nos assuntos internos de outro país?
Dória, se me permite, sobre a Neda:
http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/ira-neda-rip.html
Aliás, esse papo de “não se meter” é piada… quem não tem interesses em outro país ou região?
O Irã reclamar de influencias estrangeiras é uma bela piada quando este país financia Hamas, Hezbollah e afins….
A influencia estrangeira, ou pelo menos os comentários e condenações européias e americanas na verdade são ruins para os manifestantes reformistas, que acabam tachados de anti-Irã, de ocidentais, de financiados pelo ocidente e etc…
Neatanyahu então, quando esse genocida fala o Aiatolá deve agradecer por ter mais munição contra os manifestantes….
Pedro Dória,
Como dizem os chineses, uma revolução não é uma festa de aniversário. Não é só você que gostaria que o Irã fosse um democracia à maneira nossa. Não penso que os desejos dos que pensam assim serão realizados. Não foi com Ruhollah Khomeini e não será com Khamenei. Eles fazem uma revolução à maneira deles e não como nós gostaríamos de que eles a fizessem. E ao tentarmos analisar com os nossos olhos, nós visualizamos um mundo bem diferente do que é a realidade. Não pressentimos a nossa incapacidade. Aqui no Brasil, nosso mundo, nosso dia a dia, com os nossos olhos, discutimos se o golpe de 64 foi uma ditadura ou uma ditabranda. Aqui foi o próprio exército que matou outros brasileiros nas ruas e nas prisões.
Não entendo nada do Irã a não ser o que se dá para ver no mapa, os dados estatísticos econômicos e sociais que eu utilizo com certa freqüência e o que se diz a respeito daquele país nos jornais. Assim mesmo me surpreendi com sua expectativa com Mir Houssein Mousavi. Não que ele fosse o melhor para o Irã, como você disse lá em “O Irã que poderia ter sido, o Irã que existe”, post de hoje, 21/06/2009 às 6:40, mas me surpreendi por ver você acreditar que o grupo político que ele representa, dos reformistas, fosse melhor para os iranianos do que os conservadores, representados por Ahmadinejad. Mousavi era mais próximo de Khomeini. E Khomeini representava exatamente aquilo que se infere do trecho do livro de Francis Wheen “Como a picaretagem dominou o mundo” (na Introdução, pág. 23/24, 2ª Ed. Editora Record, 2007) que transcrevi em comentário (12) enviado em 18/06/09 às 0:16 para seu post “A quarta-feira no Irã” de 17/06/2009 e transcrevo mais uma vez o trecho elucidativo (Pelo menos pareceu para quem pouco entende do Irã):
“Nossa história começa há um quarto de século, em 1979, quando o aiatolá Khomeini inaugurou um projeto islâmico de fazer o tempo retroceder à época medieval, e Margaret Thatcher - que posava de discípula do gigante iluminista Adam Smith - dispôs-se a restabelecer os “Valores vitorianos”. Nenhum dos dois teria ousado imaginar o sucesso que alcançaria”.
Mousavi prestou serviços para o sucesso de Khomeini, E você acredita, como está lá no seu post “O Irã que poderia ter sido, o Irã que existe”, que Mousavi represente o grupo político dos reformistas no Irã.
E mais, no mesmo post você diz que:
“O Irã ideal era um em que Mohammad Mossadegh pudesse ter governado sem que um golpe com influência estrangeira o tivesse apeado do poder para implantar a ditadura do xá”.
É a construção de um idealismo que não existe. Para o êxito dele seria preciso que os Estados Unidos pairassem sobre tudo e todos como representantes de uma justiça natural, não divina, superior e justa. A realidade é outra, os Estados Unidos são um país que coloca na sua moeda a inscrição “In good we trust”. E que não pode fugir da maldição de Winston Churchill:
“Toda a história do mundo se resume no fato de que quando as nações são fortes nem sempre são justas, e quando elas querem ser justas não são suficientemente fortes.”
Para você, tivessem os Estados Unidos recusado a fazer aquilo que o direito expresso na moeda daquele país obriga o grande irmão do norte a cumprir, poderia ser outra a sorte do Irã. Sim, poderia. As possibilidades são infinitas, mas no mundo real que outro exemplo haveria para se mencionar no Oriente Médio, ou no mundo, em que não houvesse a interferência americana e o resultado servisse como modelo? Ou que houvesse e também servisse?
E há de sua parte a construção de uma história que não bate com os fatos. A China é mencionada como exemplo de revolta popular - da praça da Paz Celestial - que mesmo não tendo derrubado o regime trouxe mais liberdades para o país. Com a mesma naturalidade e talvez com mais aproximação dos fatos poder-se-ia dizer que a China estava produzindo uma liberação na economia desde a aproximação com os Estados Unidos nos anos 70. Liberação que com um crescimento econômico muito alto na faixa de 10% ao ano produziu uma inflação maior. Inflação que decorria do crescimento, mas também resultava da maior liberdade do modelo. A maior liberdade facilitou a deflagração do movimento e a inflação insuflou o descontentamento da população estudantil. A reação do Partido Comunista Chinês foi, além de atuar com mão de ferro contra os estudantes, cortar com todas as forças os fatores que insuflavam o descontentamento, sendo o maior dos fatores a inflação. Um pouco de mais controle na economia e juros mais altos e a partir de 1992 a China já voltava a conviver com inflação de primeiro mundo. De lá para cá, acabaram-se os movimentos de rebeldia e antagonismo contra o Partido Comunista Chinês.
Houve durante esse período a retomada de Hong Kong ao domínio chinês. Naquilo que foi um dos momentos mais torpes da história da outrora poderosa Albion, fraca, quando pelo menos ela poderia ser justa, a Inglaterra tenta levar para Hong Kong a democracia que ela nunca houvera praticado lá. A China não moveu um palmo. Depois que Hong Kong voltou para o domínio chinês, paulatinamente ela está removendo cada um dos instrumentos da democracia britânica que lá foram instalados.
Não vejo como criar expectativa com o que ocorre no Irã. Houve uma revolução islâmica. Lá ela triunfou. Ao contrário do modelo de Ruhollah Khomeini que triunfou no Irã, o modelo de Margaret Thatcher que também triunfou na Inglaterra teve os seus estertores com a crise do final de 2008, sem esquecer que ela fora afastada da cena política inglesa pelos próprios companheiros. Você pode vaticinar que o fim também se aproxima do regime iraniano. Pode ser desejo, pode ser profecia. Também para o modelo de Margaret Thatcher houve desejos do fim dele. Houve também profecias. Nenhuma que se referisse à crise que ocorreria ao final de 2008.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/06/2009
Mr X (68),
Em único, miserável e, para o costume, mal escrito parágrafo de sete linhas, o senhor me dirige ao menos quatro termos agressivos, certamente devido às suas aflições em vista do esfacelamento político e financeiro do império.
O senhor não me conhece e não sabe de minhas atividades. Aliás, minha linguagem, para sua informação, não adota vocabulário jurídico e, sim, político.
Não sou “imbecil pomposo”, “advogado de meia-tijela”, “comunista safado” e não posso ir “Pro inferno” (sic), inclusive porque tal lugar não existe. Tenho mais educação, conhecimento, discernimento e serenidade do que o senhor, como o histórico de meus comentários neste blog pode comprovar.
Seu vocabulário infeliz e suas imprecações de almanaque juvenil são a cabal demonstração de desespero.
Seu desejo de ver “o fim do regime islâmico” será contraposto pelo esfacelamento das províncias que provisoriamente compõem o império decadente que o senhor ardorosamente defende.
Compre dólares e se surpreenda mais tarde.
“por que a duplaRafsanjani/Mousavi seria melhor que a dupla Khamenei/Ahmadinejad?”
Os Iranianos (que imagino entendem melhor o que está acontecendo) discordam. Os manifestantes não estão arriscando a vida indo para as ruas para defender mudanças cosméticas no regime, e os basij não saem na porrada por diferenças doutrinarias de menor importância.
Todos os protagonistas fizeram parte da revolução e compartilham em graus variados do onus moral decorrente. Porém, eles diferem fundamentalmente nas lições que aprenderam de 1979 até aqui. Uns acham que a solução para os problemas do Irã é voltar aos principios da época do Khomeini (uma especie de salafismo xiita); outros acreditam que a revolução precisa mudar para sobreviver. Ahmadinejad, Musavi e cia. são todos xiitas devotos, mas acho um erro essencialista quase Chesteriano assumir que são portanto iguais. É a diferença entre um Dubcek e um Brejnev.
Um outro ponto: A posição tomada por um politico dependem fortemente das opiniões de sua base de apoio. O basij são parte fundamente da base de apoio do Amahdinejad; e sem os manifestantes o Musavi no momento não é nada. Mesmo se os dois fossem clones ideológicos, as ações de ambos estão limitadas ao que não aliene suas bases respectivas de apoio.
Por último: A alguns dias eu disse aqui que os protestos eram proto-revolucionários. O Musavi e cia. não pretendem derrubar o regime, mas simplesmente reforma-lo. Mas no passado a presidencia Khatami mostrou os limites do reformismo; e atualmente as ações e palavras do Khamenei tornaram uma reforma gradual impossível. Deste modo, uma vitória do Mussavi vai sim implicar em uma ruptura, porque somente com uma ruptura o Musavi pode ser vitorioso. Quaisquer que tenham sido as suas intenções originais, daqui para frente ou ele muda o regime, ou será destruido por ele.
para o costume = para manter o costume
Neutralidade não é uma opção
cnn
Cadê as feministas? A solução iraniana passa pela emancipação da mulher iraniana.
Sei, as feministas estão lutando pelo direito de abortar aos 8 meses de gravidez…..
Pedro Doria (78),
O Líbano é péssimo exemplo, porque ainda é uma espécie da “prostíbulo político” , em que literalmente TODAS as tendências foram e/ou são financiadas por entidades externas.
Como você afirmou, o Hisbolah é “um patido político com milícia”, da mesma forma que os cristãos financiados pelos vizinhos ao sul da fronteira, como é sabido.
A discussão lá em cima, bem como as minhas afirmações, tratam de intervenções físicas, isto é, armadas, do tipo que ocorre atualmente no Iraque, para tomar exemplo na mesma região.
O Irã tem estrutura de Estado bastante questionável, sem dúvida. Mas não é um país belicoso e nunca atacou seus vizinhos.
nasca, você andou cheirando o quê mesmo?
Senhor Chesterton,
Neste exato momento, o cheiro predominante, aqui, é de calda de chocolate para um maravilhoso bolo. Com aspiração mais forte é possível notar, ao fundo, cheiro de café.
vocês riram do Bush quando ele não achava as portas, némeis?
cnn para ver Obama perdido feito cusco em procissão. Será que ele precisa de um walkprompter tambem?
Nasca, o Almanaquejá ameaça destruir o escambau ao mesmo tempo que financia foguetes contra Israel e depois de ter sustentado assassinos no Líbano. E ele é bonzinho?
Senhor Chesterton,
Não confunda bravatas discursivas com fatos concretos.
os comentários me lembram um escritor inglês, um tal de Gilbert Keith. Um dos três irmãos da família. Ele era meio esbirolado.
Escreveu vários poemas.
Dentre eles Estrada de Ouro Fino, Rei do Gado e caminho da Índias.
bravatas discursivas mataram mais gente que bombas.
A analogia que me ocorre é a seguinte: a da redemocratização brasileira de 1945, com Ahmadinejad & Khamenei representando o queremismo (e suas reformas sociais limitadas, como a lei anti-truste de Agamenon Magalhães) e Mousavi & Rafsanjani o brigadeiro Eduardo Gomes e a UDN, o reacionarismo pequeno-burguês na sua pureza prístina….No meu entender, diante da situação concreta, a Esquerda tem é de estar do lado dos que dizem “nós queremos Getúlio!”.
carlos, ‘a la palestinos, a esquerda brasileira é campeã das más escolhas.
Golpe de estado, bem ao estilo de uma república de bananas. Ou de turbantes, no caso.
Aiatolás milionários tentando manter a boquinha.
Guarda Revolucionária - que detém a reserva de mercado das construções civis - querendo de volta a ” normalidade ” para seus negócios.
Tudo em nome da religião.
Cavalos montando motos cercam e matam gente, em nome da religião.
Por aqui, nos blogs de sempre, a mais abjeta defesa dos cavalos de honda, em nome da única coisa que restou aos orfãos da Causa, o anti americanismo.
Uma bala na cara de uma mulher na rua? Ótimo! O Império deve sentir o golpe…
Um jornalista preso? Bacana! Quero ver a cara dos estadunidenses face a mais essa derrota…
Quarenta mortos em um dia? Muito bom ! Cada um deles será como uma lança no peito do queniano…
Quanta coragem ! Pelo exposto nesses dias, esses blogueiros estão dispostos a lutar - á favor dos cavalos motorizados - até a última vítima iraniana - da briginha de torcidas de futebol na saída do estádio.
Nossa Anta não hesitou. Está do lado dos cavalos, incondicionalmente.
Alguns blogueiros, também.
Aliás se merecem.
Apos 2 décadas, 20 anos, não há prova de que os programas da ONU de 196 bilhões de dólares ajudaram.
cnn
Marco, você anda comendo bolo na casa do NAsCa|?
Nada será como antes, voce tem razão, historicamente o Irã, sim, foi atacado primeiramente pelos Eua e aliados que financiaram o exército de Sadam Hussein.
O Irã é uma grande civilização não haverá guerra civil e fragmentação do país. As manifestações são legítimas e visam reequilibrar as relações de poder internas. As resistências do Irã, Síria e Iraque derrotaram o projeto de Bush de desestabilizar os países que resistiam ao império.
Não é impossível que uma onda de descontentamento no Irã também inspirare movimentos semelhantes no Egito, Arábia Saudita e outras ditaduras apoiadas pelos EUA.
Obrigado pela resposta Anônimo (Lauro?) da Pérsia.
Na “Nation”, o ótimo Robert Dreyfuss, que esteve em Teerã, chama atenção para um estud0 da Chatham House, de Londres. Vai um trecho do que ele escreve, abaixo. Aliás, vale a pena acompanhar o que Dreyfuss escreve no site da revista. Ele é contra, por exemplo, o surge americano no Afeganistão, mas claramente favorável à oposição no Irã (algo meio confuso para o pessoal do pensamento dualista, não?)
O link para o estudo, que está em pdf: http://www.chathamhouse.org.uk/publications/papers/view/-/id/755/
“Now an update focused on the election itself: A newly released statistical study of the rigged election by Chatham House raises enormous questions about the validity of the Interior Ministry’s reported vote totals. And Mousavi himself is making the point, in detailed fashion, that the vote was bogus.
The Chatham House analysis, while wonky and full of detailed charts, provides the clearest evidence yet that Ahmadinejad and Co. rigged the vote.
It shows, for instance, that in at least ten provinces — in order to have amassed the vote totals given to him — Ahmadinejad would have had to have won all the voters who backed him in 2005, all of the voters who, last time voted for the centrist candidacy of Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, all of the voters who, last time, sat out the election and didn’t vote at all, and — on top of that — up to 44 percent of the voters who, in 2005, backed the reformist slate!
Example: Ahmadinejad won 765,000 votes in Hamedan province. In 2005, he received 195,000. To win the additional 570,000 votes, Ahmadinejad would have to have won all 218,000 voters who didn’t vote in 2005, all 175,000 Rafsanjani voters, and nearly a quarter of the 322,000 voters who cast their ballots for the reformists. Keep in mind that most, if not all, of the non-voters in 2005 would be people disgusted with and cynical about voting at all, the vast majority of whom would probably have cast their ballots for Mousavi, Mehdi Karroubi, or Mohsen Rezai this time, if they voted at all.
Interessantíssima a nota do Moussavi hoje. Vai a íntegra em inglês (vejam a referência ultraelogiosa a Khomeini)
Dear dignified and intelligent people of Iran,
A turning point in the history of our nation is emerging these days and nights. People are asking themselves and, in their rallies, me about what should be done [about the present situation], and which direction should be taken [to continue the protests]. I consider it my duty to explain to you what I think, and to tell you and be taught by you, so that we will not forget our historic mission, and take the responsibility for the future and fate of many [future] generation and eras.
30 years ago a revolution under the banner of Islam was victorious; a revolution to revive freedom and human rights; a revolution for honesty. During this period, particularly when our enlightened Imam [Ayatollah Ruhollah Khomeini] was still living, the nation invested heavily in terms of human lives, wealth, and credibility, in order to consolidate this achievement, which brought us further achievements. The light that we had never experienced before filled our society, and people gained new lives that, although very difficult [a reference to the Iran-Iraq war], were sweet and rewarding. What our people had gained were human rights and freedom, and uncorrupted lives. I am certain that those who experienced this life will never settle for anything less.
LI os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um “moderado” (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad.
A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.
É o Líder Supremo quem escolhe os candidatos presidenciais. Em todas as eleições, aparecem centenas ao cargo. Esse ano, foram 485 candidaturas. Quatro foram selecionadas, depois de verificação apertada, ou seja, depois de se verificarem os créditos revolucionários dos quatro candidatos, rigorosamente do sexo masculino e rigorosamente muçulmanos xiitas. Mas a influência do Líder Supremo não termina aqui. O Líder Supremo, independentemente do resultado da votação, escolhe o presidente do Irã. Os iranianos que foram às urnas são apenas figurantes de um teatrinho sórdido.
Mas há mais. Nos últimos dias, surgiu igualmente a fantasia de que Ahmadinejad poderia ser derrotado por um “moderado”. E quem é o moderado? Precisamente: Mir-Hossein Mousavi, um antigo primeiro-ministro de Kohmeini, responsável pela execução maciça de opositores políticos na década de 80 (20 mil? 30 mil?). Alguns jornalistas, sem um pingo de vergonha na cara, chegaram mesmo a acrescentar que Mousavi iria inaugurar um novo período de relações amigáveis com o Ocidente e, pasmem, Israel. Para os relapsos, relembro que Mousavi esteve envolvido no atentado terrorista ao centro cultural judaico de Buenos Aires. Morreram 85 pessoas.
jp coutinho
Sobre os comentários de que é a classe média que participa dos protestos e não as classes populares nos protestos do Irã, lembrei-me de Nelson Rodrigues escrevendo a respeito da famosa Passeata dos Cem Mil contra a ditadura militar:
“(…) sábado último, lá fui eu remexer velhos jornais e revistas. Por coincidência, apanhei o número de Manchete referente à passeata dos Cem Mil.(…) e comecei a repassar as fotografias (…) O bom de Manchete é a impressão perfeita, irretocável. Tudo é espantosamente nítido”.
…
“E eu passei uma hora examinando o material fotográfico. Não sei se vocês se lembram. Mas escrevi na época, várias “Confissões” a respeito. Parecia-me, e ainda parece, que era um acontecimento inédito, nada intranscendente. Até aquela data, só o futebol conseguiu juntar 50 mil brasileiros.”
-“Cada qual levava no seu bolso a sua ideologia, que era a mesma em todos os bolsos. Na época escrevi que não se encontrava, entre os Cem Mil, ou cinqüenta, ou ate 25, nenhum preto. Eu estive lá espiando. Fui testemunha auditiva e ocular da marcha. Como sou uma “flor de obsessão”, não me saía da cabeça a ausência de negro. Se eu descobrisse um – não dois ou três – mas um, somente um, - já me daria por satisfeito.”
- “O fato é que, no dia seguinte, falando com o meu amigo Guilherme da Silveira Filho, fazia um escândalo amargo: “Nem um preto, Silveirinha! Nem um desdentado! , nem um torcedor do Flamengo!… “E o povo, onde está o povo?”. O povo era a ausência total. Não havia uma cara de povo, um paletó do povo, uma calça do povo, um sapato de povo.”.
“E súbito, baixou-me uma luz e vi tudo. Não havia um torcedor rubro-negro, ou um desdentado, porque aquilo era uma passeata das classes dominantes. A coisa era tão antipopular que não apareceu nem um batedor de carteira. Onde há povo, são obrigatórias uma série de figuras: - o vendedor de laranjas, de mate, de chicabon, de mariola.”
É verdade, nos dois casos foi a classe média que foi às ruas: mas no Brasil do final dos anos 60 ela se identificava com um projeto popular e no Irã atual ela se identifica com um pseudo-reformismo pró-imperialista de um oportunista viracasaca. Há que pensar na realidade concreta, não em abstrações, e sinceramente, Nelson Rodrigues foi um grande dramaturgo, como pensador político era lamentável….
os aiatolás iranianos querem a bomba atômica para dominar o Oriente Médio, Arabia saudita inclusive, já que seus campos de petróleo estão secando.
Imaginem a merda que daria….
Acho a ironia dele uma coisa genial. Um cara odiado pela esquerda e pela direita.
nada será como antes, em vez de me mandar aprofundar conceitos, faça a gentileza de entender o uso da ironia.
Isso vale para o Patriarca, também.
E minhas perguntas continuam sem resposta.
Embora essa aqui nem seja difícil: que grupos políticos o Ahmadinejad vem apoiando nos países árabes?
Gostei muito da análise do Bruno Mota em #83. Destaco:
No mais, eis o nada será…:
A discussão lá em cima, bem como as minhas afirmações, tratam de intervenções físicas, isto é, armadas, do tipo que ocorre atualmente no Iraque, para tomar exemplo na mesma região.
Ele tem de decidir o que, afinal de contas, chamaria de “política agressiva”; uma vez que o Irã, por não usar intervenção física, teria “política incisiva”; mas recorrer a intervenção física não se configura “política”…
Gente, na boa… vcs repararam que sendo classe média ou não é gente que quer mudança e está arriscando a vida de tão forte que é esse desejo de mudança?
E que a resposta do governo, sendo pobre, rico, ou classe média, pq não importa, é atirar para abater?
O que destaco no comentário #83, do Bruno Mota:
Todos os protagonistas fizeram parte da revolução e compartilham em graus variados do onus moral decorrente. Porém, eles diferem fundamentalmente nas lições que aprenderam de 1979 até aqui. (…) Ahmadinejad, Musavi e cia. são todos xiitas devotos, mas acho um erro essencialista quase Chesteriano assumir que são portanto iguais. É a diferença entre um Dubcek e um Brejnev.
No mais, outra excelente contribuição da Claudia, o texto do Dreyfuss.
# 104: Estive na Passeata dos Cem Mil. Participei - como bagrinho - da organização. Tinha negro, sim. E sei quem era, porque inclusive aparece em fotos. E’ um grabde amigo meu, que na época, justo, trabalhava na Manchete…
Nelson Rodrigues era quase cego…
Astronauta (108 e 109),
Quem deve decidir o que entende por política é você, que mistura conceitos e demonstra a imponderabilidade que os astronautas experimentam fora da atmosfera.
E se você insinua que utiliza ironia textual, saiba que esse recurso exige talento literário, mercadoria ausente em seus comentários. A única ironia em seus textos é a ausência de conteúdo, apesar da petulância.
Escreva mais e lhe darei outras sugestões de estudo. Se você pretende fazer outras “caminhadas espaciais”, cuide para não tropeçar em algum satélite.
Semana passada a reaçada estava achando demais a polícia descer a borracha em estudante. Hoje acha isto um absurdo. Que evolução, hein? Pena que a indignação seja somente dirigida àqueles que o Departamento de Estado manda…
Imagino que havia negros sim. Fiz essa citação do Nelson Rodrigues pra provocar os stalisnistas de plantão, que tornam todo esse movimento no Irã ilegítimo por que seus membros seriam da “classe média”, e, como a Passeata do Cem Mil é um paradigma na história contra a ditadura militar no Brasil, quis brincar com essa abstração: Classe Média! Eu também fui na passeata das Diretas Já e posso dizer que a cara das pessoas lá era bastante “classe média”, se é que eu entendo o que isso quer dizer. Ia me esquecendo de citar os “caras pintadas”, será que também eles eram “classe média”?
Participei de várias das reuniões de organização da passeata. Uma delas, no teatrinho da Praça Cardeal Arcoverde. Outra, no auditório do Santo Inácio. Uma terceira, menor, na casa de não lembro quem. Um ator, negro, muito ativo, era o Milton Gonçalves. Tinha também o Abdias do Nascimento. Lea Garcia. Todo esse povo.
Não recordo se Joel Rufino dos Santos estava lá (é um de meus amigos presentes), mas Muniz Sodré estava. Besteira, essa do Nelson.
E não sou estalinista - quem era, era Tia Maria, irmã de mamãe, Maria Werneck de Castro, amiga de Olga Benário. Morreu estalinista.
Sou um mono anarquista.
Pesro Doria no # 69:
“Gente, chegando agora e vendo que rola um artigo do M.K. Bhadrakumar… O cara é figurinha conhecida. Podem ter certeza que artigo sim, artigo também, sempre estará falando mal do Paquistão e sempre defendendo os aiatolás.”
Pedro: você leu com atençao a análise em questao? Compreende bem o inglês? Ou resolveu chutar uma ironiazinha pra ver se pega? Outra: você leu a análise do Peter Beaumont, postada pela Cláudia? Seria também esta, o seu ver, uma “figurinha conhecida” e, sendo assim, um babaca?
Mantenha a seriedade e objetividade; nao se descredite.
O cara nao fala nada do Paquistao e tampouco defende qualquer iaitolazinho da área. Apenas afirma que sao todos crápulas e que, queira ou nao, o Khamenei ganhou a parada. Ao que parece, você nao gostou de saber, né?
chesterton, como assim, bolo ?
Por que chamei o Irã de republiqueta bananeira?
Explicações, please…
Mono anarquista é ótimo! Taí Doria Velho, vou entrar nesse movimento também…..
Werneck de Castro? qual seu parentesco com o Moacir
Nada Será, enrolou e se escondeu atrás do ad hominem. Parece aqueles caras que endeusam lacans e guattaris e, diante do questionamento alheio quanto ao hermetismo de seus “deuses”, sai como um “você não está preparado para entendê-los”. (Ah, como Alan Sokal, com seu Imposturas Intelectuais, lavou a alma de tantos…)
Mas se você dignar-se a responder, estarei interessado no que tem a dizer sobre isso:
(1) Governo não pode desestabilizar Estado?
(2) O que é “política agressiva” pra você, afinal de contas?
(3) Que grupos políticos Ahmadinejad apoia nos países árabes?
No aguardo de sua magnífica sapiência…
Autoridades iranianas já prenderam ao menos 24 jornalistas
Repórteres Sem Fronteiras afirma que a imprensa se tornou ‘alvo prioritário’ do governo após protestos
Associated Press
PARIS - Autoridades iranianas já prenderam pelo menos 24 jornalistas e blogueiros desde os protestos deflagrados com a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, por motivos ainda não esclarecidos na maioria dos casos. Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), os jornalistas se tornaram um “alvo prioritário” do governo do Irã.
comentário- Ah…essa imprensa golpista…exacrada por Berlusconi, que vê nas denúncias do La Repubblica sobre suas lolitas
” um golpe de estado ” está no momento sentindo a mão pesada da ditadura dos turbantes…
Como o ambiente ainda é nebuloso e só saberemos alguma coisa em algusn anos, é preciso ver todos os pontos de vista. Aqui tem um interessante no Blog do Azenha:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ira-outra-revolucao-orquestrada-pelos-eua/
FISGADO DO BLOG http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ira-outra-revolucao-orquestrada-pelos-eua/
Irã, outra “revolução orquestrada” pelos EUA?
Atualizado em 21 de junho de 2009 às 22:15 | Publicado em 21 de junho de 2009 às 19:52
O clímax de dois anos de desestabilização
Irã, outra “revolução colorida” orquestrada pelos EUA?
por Paul Craig Roberts*, em Counterpunch
Vários comentaristas têm manifestado crença inabalável na pureza de intenções de Mousavi, de Montazeri e da juventude ocidentalizada de Teerã. É como se o plano da CIA, de desestabilização, noticiado há dois anos, nada tivesse a ver com o desenrolar dos eventos de hoje.
Tem-se repetido que Ahmadinejad roubou votos, porque o resultado foi apresentado depressa demais, em tempo que teria sido insuficiente para que os votos fossem contados.
Mas, de fato, Mousavi foi o primeiro a declarar vitória, apenas algumas horas depois de encerrada a votação. É procedimento ‘clássico’ da CIA, para desacreditar resultados eleitorais que não sejam os ‘desejados’. A CIA sempre apressa a declaração de vitória. Quanto mais tempo houvesse entre uma declaração ‘preventiva’ de vitória e a liberação das tabelas oficiais de votos apurados, mais tempo Mousavi teria para criar a impressão de que as autoridades eleitorais, responsáveis pelas eleições, estariam alterando as tabelas de apuração. O mais engraçado é que tantos finjam que não veem o truque e o golpe; menos engraçado é que sinceramente não os vejam.
Quanto à acusação de que a eleição foi roubada, feita pelo Grande Aiatolá Montazeri, ele foi o candidato inicialmente escolhido para suceder Khomeini; perdeu a disputa para o atual Líder Supremo. Para Montazeri, os protestos são ocasião perfeita para ‘acertar as contas’ com Khamenei. Em todos os casos seria bom negócio para Montazeri contestar as eleições, seja ele controlado pela CIA ou não – e a CIA tem longa história de sucessos no aliciamento de políticos derrotados em eleições perfeitas.
Está em curso uma luta pelo poder entre os aiatolás. Vários estão alinhados contra Ahmadinejad, porque o presidente os tem acusado de corrupção; assim, Ahmadinejad joga para a platéia de eleitores do interior do país, onde a interpretação mais ‘popular’ dos princípios do islamismo exige que os aiatolás vivam por padrões de equilíbrio e sobriedade, sem excessos nem de poder político nem de dinheiro.
Pessoalmente, acho que há algo de oportunismo nas denúncias feitas por Ahmadinejad; mas oportunismo é uma coisa; outra, completamente diferente, é a repetição incansável, em todos os jornais e televisões norte-americanas, de ‘análises’ que ‘comprovam’ que Ahmadinejad não passa de político conservador, reacionário e ‘cúmplice’ dos aiatolás.
‘Analistas’ e ‘colunistas’ e ‘especialisttas’ têm ‘explicado as eleições Irãianas a partir de suas (deles e delas) pessoais ilusões, fantasias, desejos e emoções… além de, é claro, seus (deles e delas) interesses de vários tipos.
Embora haja pesquisas confiáveis que indicavam há várias semanas que Ahmadinejad seria eleito por diferença “acachapante”, é claro que isso não implica que as eleições não tenham sido fraudadas. Mas, sim, há muitos indícios, altamente confiáveis, de que a CIA trabalha, sim, há mais de dois anos para desestabilizar o governo Irãiano.
Dia 23/5/2007, Brian Ross e Richard Esposito noticiaram no canal ABC News: “A CIA recebeu aprovação secreta da Casa Branca para montar uma operação “negra” para desestabilizar o governo Irãiano, informaram à rede ABC News oficiais da ativa e da reserva da comunidade de inteligência.”
Dia 27/5/2007, o jornal London Telegraph, citando outras fontes, noticiou: “O presidente Bush assinou hoje autorização para que a CIA construa campanha de propaganda e desinformação com vista a desestabilizar, e eventualmente destituir, o governo teocrático dos mulás.”
Alguns dias antes, o Telegraph noticiara, dia 16/5/2007, que um dos neoconservadores e senhores-da-guerra do governo Bush, John Bolton, declarara ao Telegraph que um ataque militar dos EUA ao Irã “seria a última opção, caso não dessem resultado nem as sanções econômicas nem as tentativas para fomentar agitação de rua e levante da população nas cidades.”
Dia 29/6/2008, Seymour Hersh escreveu, na revista New Yorker: “No final do ano passado, o Congresso aprovou pedido do presidente Bush para liberar verbas para uma grande escalada nas operações secretas de inteligência contra o Irã, conforme informam fontes militares, do serviço secreto e do Congresso. Essas operações, para as quais o presidente Bush solicitou 400 milhões de dólares, foram apresentadas em documento (”Presidential Finding”) assinado por Bush e visam a desestabilizar o governo religioso do Irã.”
Parece evidente que há manifestantes sinceros nos protestos de rua em Teerã. Mas há também muito evidentes sinais que são como marca registrada da CIA, já observados na Georgia e na Ucrânia. É preciso ser completamente cego para não os ver em Teerã.
Daniel McAdams anotou sinais interessantes. Por exemplo, o neoconservador Kenneth Timmerman escreveu um dia antes das eleições, que “fala-se de uma ‘revolução verde’ em Teerã”. Como Timmerman poderia saber de uma ‘revolução’ que só começaria dois dias depois? A única explicação é que conhecia os planos da CIA.
E por que haveria uma “revolução verde” já preparada desde antes das eleições… sobretudo se Mousavi estivesse certo de que seria ‘eleito’? Não há como fugir da evidência de que, sim, os EUA trabalharam para criar os protestos pós-eleitorais que se veem hoje em Teerã.
Timmerman chega a escrever, bem claramente, que “[a ONG] National Endowment for Democracy gastou milhões de dólares na promoção de revoluções “coloridas” (…). Parte desse dinheiro parece ter chegado às mãos dos grupos pró-Mousavi, que têm laços com organizações não-governamentais fora do Irã financiadas pela [ONG] National Endowment for Democracy.” A própria ONG neoconservadora de Timmerman, Foundation for Democracy, é “organização privada, sem finalidades lucrativas, fundada em 1995 a partir de doações da ONG National Endowment for Democracy, NED, para promover a democracia e o respeito aos direitos humanos no Irã.”
* Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro durante o governo Reagan. É coautor de The Tyranny of Good Intentions. Recebe e-mails em PaulCraigRoberts@yahoo.com
O artigo original, em inglês, pode ser lido aqui.
http://www.counterpunch.org/roberts06192009.html
# 121 Moacyr era irmão de Tio Werneck, Luis Werneck de Castro, marido de Tia Maria.
Acabei de ver o vídeo da Neda de novo, na CNN. Pensei que ela pode ser, para essa revolução iraniana, o que o Rebelde Desconhecido foi para o protesto na praça da Paz Celestial. Com duas diferenças importantes.
A primeira é que o Rebelde Desconhecido foi um herói: pouquíssimos teriam a coragem de fazer o que ele fez. Neda não é uma heroína: é uma vítima e um símbolo, uma imagem que humaniza para todo o mundo as atrocidades cometidas pela ditadura iraniana.
A segunda, paradoxalmente, é que o impacto de Neda pode ser ainda maior que o do Rebelde Desconhecido por causa dos novos tempos e das novas tecnologias. O vídeo da morte de Neda, que rodou a Net e está sendo mostrado na TV, nos afeta de forma muito instintiva: fica difícil concordar com políticos que falam em agir com prudência ou respeitar a soberania alheia, ainda que o argumento deles seja bom, depois de assistir a uma mulher se esvaindo em sangue no meio da rua. Neda, morta por uma bala que poderia ter atingido qualquer pessoa naquela rua de Teerã, pode conseguir mais do que o Rebelde Desconhecido conseguiu com o que talvez tenha sido o ato mais corajoso jamais registrado em filme.
Pérola do Conselho de Guardiães: “Tão dizendo por aí que houve mais votos do que eleitores inscritos em mais de cem cidades. É mentira. Isso aconteceu apenas em 50 cidades”.
Segundo o próprio Conselho de Guardiães, essa “inflação” pode ter acarretado uma diferença de TRÊS MILHÕES DE VOTOS a mais, o que, obviamente, não seria suficiente para alterar o resultado final das eleições…
Anônimo,
Essa foi impagável. Quer dizer que só houve fraude nas cidades onde os votos ultrapassaram 100%?
Massa.
Esses comentários aqui estão horríveis, tá parecendo torcida mesmo.
Em geral, o comentário do diplomata indiano é bom, mas sinceramente foi ridículo o fato de ele ter aceitado como legítimos os resultados das eleições. Quase estraga o resto da argumentação dele. Mas não posso me dizer surpreso. Só porque ele não é nosso conhecido, não quer dizer que não seja a figurinha conhecida em outros círculos. Tipo um Olavão ou um Mainardi de lá.
salut pérsio !
ninguém comentou a “acusaçao” da inglaterra como “manipuladora” das eleiçoes do 12 de junho ; manoucher mottaki, ministro dos affaires étrangères tem martelado isso direto…
parece que a origem do buzz é simplesmente o fato da bbc ter um canal em farsi e ser sempre a primeira noticiar fatos “sensiveis”…
como a imprensa “oficial” fala de 10 mortos, 100 feridos e 450 presos , podemos imaginar o dobro….
e a multidao resiste e afronta…
aqui no blog “torcedores” sao tratados com desprezo…pois eu sou torcedora do povo iraniano, desejo-lhe liberdade, saude e felicidade !!
gue-guerra rafsandjani x khamenei ….
mas so o orgao presidido por rafsandjani pode “tirar” o “lider supremo” de sua funçao….:-))
falar em torcedora, cade a italia, campea do mundo ?
la vengeance se mange froide, glacée….:))
Estou tentando manter a objetividade desde o começo, mas essa do Conselho de Guardiães foi demais.
pérsio, em hot news nao da pra ser “objetivo” nem “analisar”….a gente vai encarando os fatos e assimilando pouco à pouco….
amazing os que reclamam “objetividade” nesse nivel de informaçao….se pd esperasse ter “melhor visiblidade” dos acontecimentos do iran pra postar, nao teriamos o vertigem de participar da historia….
bem, isso é so ponto de vista pessoal…posso estar equivocada…
Sobh beher, Confetti* khanoom. A declaração do Mottaki lembra os pronunciamentos mais absurdos do Mugabe.
“sobh beher, khanoom” ?
eur…oui, ça boome mon grand ! :-))
115, era a estudantada radical que batia nos demais estudantes e ameaçava a policia, como se vê nos clips do youtube.
“Bom dia, senhora”
pérsio,
é verdade que moussavi é chamado de “mister chiz” ? ” verdade que o chamam de ” o marido de zahara” ?
o cara ta parecendo mesmo uma barata tonta : um dia diz que ta pronto a ser “martir”, o que supoe continuar com os protestos… outro dia pede a seus eleitores pra serem mais “discretos” o que supoe pararem de manifestar na rua….
mousavi who ?
Confetti*,
Não sabia que Mousavi era chamado de “Mr. Chiz”. Mas tem todo o jeito de que, na casa dele, é a patroa quem veste “les pantallons” (por baixo do chador, é claro)…
Parece que o funeral de Neda vai ser proibido. Foi o que saiu no Corriere della Sera, mas somente na chamada, não tem nenhuma outra informação no corpo da notícia…. :-/
pérsio, li que “chiz” quer dizer “um lance” “um barato” “uma coisa” e que o chamam de mr chiz querendo dizer que sua oratoria é fraquinha, pois seus dircursos sao cheios de “chiz”….kkk*
zahara rahnavard parece ser uma intelectual que “manipula” e empurra o marido pras luzes da ribalta…
por favor, nao me deixa falar bobagem hein pérsiow !
Caramujo – Sou leitor do Asia Times. Leio o Bhadrakumar há muitos anos. Faça uma busca no Weblog e vc encontra coisa dele sendo citada… depois de ler muitos anos um comentarista, vc aprende-lhe os vícios. Esse cara gosta dos aiatolás e odeia o Paquistão.
O Spengler, outro colunista do A Times, é um favorito do Mr. X.
spengler é um de meus favoritos tbm ! lucido pra caramba…so parece com mrx na ironia acida, as vezes trash…))
pd, vc tem lido o slate.com ? os caras estao otimos “on iran”….
Anonimo da Persia,
por aqui chegam noticias de que a policia do Irã esta prendendo blogueiros. Voce não fica preocupado de ser preso?
Não tenho, Confetti*… falha minha.
Astronauta (122),
Tenho fortes tendências lacanianas, sim senhor. Por essa razão, a linguagem tem especial importância e, até, primazia em alguns momentos.
Não tenho “magnífica sapiência”, como você afirma, mas sou atento leitor e observador.
Suas perguntas extrapolam o debate e constituem misto de desvio de assunto, confissão e sabatina.
O próprio teor das perguntas apóia minha sugestão de pesquisa. A # (1) confirma que você admite que governo e Estado são entes distintos, como ressaltei lá em cima.
A de # (2) demonstra que você não leu com atenção meus comentários. A de # (3) é extemporânea e impertinente.
nadaa !! beijos ! ha tempos nao comemos um docinho juntos…:-))
# 148: namorei uma psicanalista lacaneana. Mas não me converti não; Lacan não me diz nada. Gozado como atrai gente… (Neurociência sim, com certeza, me interessa.)
A Lacan, prefiro Jung, longe. Muito mais imaginativo.