Hoje no Irã

Irã · Política Digital · 20/06/2009 - 07h38 - 261 Comentários

18h45 – O professor Abbas Milani me responde a respeito da notícia abaixo: Este site é um dos sites oficiais do regime. Não vi essa notícia em nenhum outro lugar. Não quer dizer não seja verdade, pode ser. Jamais acreditei que Rafsanjani quisesse derrubar Khamenei. Ele não teria os votos para isso e Rafsanjani jamais entra em batalhas que pode perder.

18h25 – Estou tentando confirmar esta notícia: a Assembléia dos Especialistas teria anunciado, hoje, apoio irrestrito ao aiatolá Khamenei. É o grupo liderado por Rafsanjani que teria algum poder sobre o líder supremo. (Este post explica.)

Se for verdade, esta é uma interpretação possível: o clero se unificou, os líderes políticos como Mousavi e Keroubi estão abandonados à própria sorte. E o povo? Pois é, o povo…

Estou tentando confirmar a confiabilidade deste site, a tradução do persa e encontrar alguém que tente me explicar o contexto da decisão.

16h10 – O Tehran Bureau afirma ter uma fonte no Hospital Fatemiyeh, na capital iraniana. Há entre 30 e 40 mortos lá, 200 feridos.

15h05 – Do Anônimo da Pérsia, nos comentários, direto de Teerã: Olha, o pessoal da minha vizinhança passou mais de uma hora gritando bem alto “Allah-u-Akbar”.

14h55 – Alguns de vocês estão questionando a parcialidade de minha cobertura. Sugerem que a temperatura está alta demais – quiçá sensacionalista.

Cá o Weblog não é a única fonte de informação desta hesitante cobertura ao vivo pela web. Tentamos confirmar as informações como dá, pela confiabilidade que certas fontes no Twitter tiveram no passado ou porque vêm pelos canais oficiais. Tenho procurado fazer uma cobertura mais conservadora, sem publicar a maior parte do que sai na rede. Tudo o que entrou aqui foi publicado também por alguns dos principais veículos jornalísticos do mundo.

Andrew Sullivan, da Atlantic Montly.
New York Times.
Huffington Post.
The Guardian.
Revolutionary Road – este é um blog iraniano, não sei confirmar quão confiável é.

14h40 – Não vou abrir este vídeo, mas cá está o link. Esta moça foi assassinada pela basij há pouco, em Teerã. ATENÇÃO: as imagens são fortes, muito diferente do tipo de coisa que o Weblog costuma publicar. Mas é importante para entender o que está ocorrendo na capital iraniana.

14h20 – A televisão iraniana, informa @iranbaan, está apresentando o depoimento de ‘manifestantes presos’. Um deles informa que estava a serviço dos britânicos e norte-americanos (Vênus) para atiçar tumulto.

14h10 – Tenho evitado de publicar esta informação: Mir Hossein Mousavi, falando aos manifestantes, disse que estava ritualmente preparado para o martírio e que, caso fosse preso ou morresse, a população deveria entrar em greve. A informação agora está em seu Facebook.

13h40 – Este vídeo das demonstrações de hoje foi publicado no Facebook de Mousavi.

12h55 – Helicópteros jogam água que queima, provavelmente com algum agente químico, na população. No Twitter há quem sugira ser gás CR, um lacrimogêneo que provoca forte ardência, principalmente nas mucosas.

12h41 – Noticiário crescente via Twitter de que Mousavi está com os manifestantes.

12h23 –

12h20 – De Al Giordano, via Andrew Sullivan:

A estratégia do governo parece ser bloquuear as várias entradas para a praça Enghalab, onde teria início a marcha. Vários iranianos no Twitter informam que os estudantes universitários têm sua saída dos campi interceptada, eles apanham antes de tomar caminho da passeata.

Se é isto que está ocorrendo, o objetivo é evitar que os manifestantes se agrupem a ponto de formar uma massa crítica de pessoas em um único lugar. Junte-se a prisão de repórteres e a proibição de imagens indicam uma estratégia midiática. Querem evitar que fotos e vídeos apresentem a magnitude dos protestos. Imagens de grupos divididos fugindo de tiros ou de bloqueios da polícia não têm o mesmo impacto emocional do que uma passeata com milhões de pessoas.

Às vezes, em situações assim (caso de Oaxaca, México, 14 de junho de 2006) os grupos divididos acabam conseguindo se encontrar e reunir em um único lugar para poder marchar em massa. Veremos…

12h16 – Várias fontes na Internet afirmam que o ex-prefeito de Teerã e chefe de campanha de Karoubi, Gholamhossein Karbaschi está nas ruas junto ao povo.

12h15 – O blog Revolutionary Road, que diz estar cobrindo ao vivo as manifestações, fala de choques constantes entre as forças de segurança e o público. Os basiji descem o cacete. Gás lacrimogêneo sendo usado. Gente sendo morta.

12h10 – Com franqueza, de tudo o que leio, não sei em que confiar. A Praça Enghelab parece estar fechada, bloqueada pelas forças de segurança. Ainda assim, as pessoas avançam. Uma história que circula fala de um homem-bomba que se explodiu aos pés do monumento ao aiatolá Khomeini.

9h40 – A imprensa estrangeira não consegue confirmar o que ocorre – melhor esperar para saber ao certo.

8h25 – Segundo Fershteh Ghazi, a usuária @iranbaan no Twitter, a Praça Enghelab está cheia de policiais do batalhão de choques, cassetetes à vista. Os celulares foram cortados naquela região. Líderes da oposição estão sendo presos. Ainda assim, as notícias são de que grandes ondas de gente de toda Teerã estão marchando em direção ao ponto de encontro.

8h20 – Gente, direto da fonte, a página no Facebook de Mousavi: as passeatas estão confirmadíssimas.

8h15 – A conspiração que inventa Revoluções de Cores, por George Soros/John McCain/Israel/Casa Branca, tenta derrubar o legítimo governo iraniano.

7h35 – A página de Mir Hossein Mousavi no Facebook amanheceu com este vídeo no ar:

É inspirador, quer levar o povo às ruas. Tenta dar dimensão histórica ao momento – confunde a biografia de Mousavi com a história da Revolução Islâmica. E abaixo do filmete, uma legenda: ‘Os olhos da história estarão sob nós, hoje… 16h, Praça Enghelab.’

O uso da internet neste momento da história iraniana é um dos casos mais impressionantes de uso da rede para política que já vi.

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