Khamenei ameaçado?
Tem notícia grande, hoje, circulando fortemente dentro e fora do Irã: o aiatolá Akbar Rafsanjani teria convocado a Assembléia dos Especialistas, na cidade seminário de Qom. O alto-clero que se reúne apenas duas vezes por ano jamais faz encontros extraordinários.
É esta assembléia, presidida por Rafsanjani, que elege o Velayat-e-Faghi, o Guardião da Lei Islâmica que foi o aiatolá Ruhollah Khomeini e hoje é Ali Khamenei. Ela também pode, em teoria, censurá-lo, reverter suas decisões e até demovê-lo do cargo. Em teoria. Ninguém jamais cogitou isto – e nunca é demais ressaltar.
Mas a assembléia também não faz encontros extraordinários. E, no entanto, está fazendo um.
Contexto é importante, aqui: em seu tempo, Ruhollah Khomeini foi tido como o maior grão-aiatolá do xiismo. Ele foi alçado a esta posição de respeito após a morte do grão-aiatolá Sayyed Hossein Boroujerdi, um dos mais influentes teólogos xiitas da história. Em teoria, todo grão-aiatolá é igualmente importante. Mas uns terminam sendo mais respeitados do que outros por seus pares, por conta de seu trabalho intelectual, sua capacidade de inspirar.
Ali Khamenei não é nenhum Khomeini. Muito menos um Boroujerdi.
Talvez o grão aiatolá mais respeitado por seus pares, atualmente, seja o iraniano Ali al-Sistani, que vive no Iraque. Em Qom, há alguns considerados de porte intelectual maior do que Khamenei. Mas Khamenei era o favorito de Khomeini e, após sua morte, ninguém quis questionar seu último desejo e o indicou como seu sucessor.
A figura do Velayat-e-Faghi é uma invenção que nada tem a ver com a tradição xiita. É uma tese moderna, revolucionária até, de Khomenini. Um grão-aiatolá é escolhido para representar o Imame (há quem escreva imã) Desaparecido que um dia voltará a reinar sobre a Terra. Espécie de messias xiita. O clero, que no máximo aconselhava os governantes, passou a ser o governo.
Mas o xiismo não é uma Igreja Católica e, embora em teoria o Velayat-e-Faghi converse com o anjo Gabriel de vez em quando – muita gente falava isso sobre Khomeini – o clero é pragmático. Khamenei não é um papa. Não é intocável. E tem seus inimigos.
O mais provável é que a convocação da Assembléia dos Especialistas em Qom seja um blefe de Rafsanjani. Não pretendem destituir Khamenei. Não pretendem nem censurá-lo. Pretendem apenas lembrá-lo que não é por seu talento, é por indicação de Khomeini, que ele virou o Faghi.
Religião, no fim das contas, é só desculpa. Rafsanjani está jogando política pesada.
Ainda sobre o assunto:
- A coragem de Khamenei,
a ausência de Ahmadinejad Publiquei uma informação errada por aqui, ontem: Ahmadinejad não está mais na Rússia, voltou ao Irã na terça-feira à noite.... - Khamenei joga duro um jogo arriscado 20h20 – Tanto Mehdi Karoubi quando Mir Hossein Mousavi, dois dos candidatos à presidência do Irã, já têm resposta oficial...
- Ali Khamenei Steve Bell, do Guardian ...
- Khamenei contra o povo em Teerã Todas as noites, nas últimas noites, há de ter sido impressionante o ouvir de vozes nos terraços de Teerã. Alah...
- A vitória de Ahmadinejad Números atualizados às 5h – A se confirmar os resultados oficiais, os conservadores liderados por Mahmoud Ahmadinejad venceram por larga...



“Religião, no fim das contas, é só desculpa. Rafsanjani está jogando política pesada.”
Acho que é bem por aí mesmo.
Tanto que os “reformistas”, liderados por aquele que foi primeiro ministro do Khomeini e promoveu maciças execuções de opositores, tem rejeitado a recontagem de votos.
PD,
O que o Robert Fisk descreve aqui é algo real ou é mais um desejo ?
Mais uma coisa, PD:
Em outro post você citou números que estariam circulando no Irã como sendo os verdadeiros resultados.
Se eles fossem verdadeiros, o Mousavi não levaria no primeiro turno. Iria ter que enfrentar o Karoubi, que teria tido também uma ótima votação.
Pra onde será que iriam os votos dos conservadores?
Pô, passeatas na segunda, terça, quarta…
esse povo não trabalha não?? nem estuda??
Não faz almoço, não lava banheiro, não pega
fila no banco prá pagar contas, não leva filho na escola…
Será que protesto e passeeata é coisa de desocupados??? É este tipo de gente que
escreve a história???
Pedro,
Qual seria a chance de esta queda de braço entre o Khamenei e o Rafsanjani seja na verdade sobre a sucessão do Khamenei quando ele morrer? Em outras palavras, será que o Khamenei não pretende escolher seu sucessor e sabe que o Rafsanjani, se estiver vivo, não deixaria isso acontecer?
Estou meramente especulando, obviamente sem nenhuma base real. Provavelmente a sucessão do Kim deve ter me inspirado essa dúvida.
Para o Pedro Dória e os Pdc’s do blog:
Fotos com boa definição e qualidade dos protestos tumultos das eleições do Irã:
http://fottus.com/paises/eleicoes-no-ira-protestos/
41 Fotos
Ps: Para quem tem estômago fraco, algumas dessas imagens são fortes, sendo essas as últimas.
Como é que pode não haver nenhuma manifestação “twittada” ou “videada” a favor do presidente possivelmente reeleito? Só há manifestações contra o presidente atual? O Irão se reduz a Teerã e grandes cidades? O que se passa no interior? Muito mistério.
É isso aí, no fim a religião e a palestina são só desculpas para finalidades políticas. É nesse ponto que o Obama tem acertado. Eliminando as desculpas esvazia-se os discursos dos radicais.
Guardian linka fotos de jogadores do time iraniano que jogaram contra a Coréia usando faixas verdes no pulso. John Carlos e Tommy Smith gerando descendentes.
E com direito a faixa no estádio escrito “Morte ao ditador”. Aí Galvão, “é os iraniano na fita”!
Luiz, não sei se aqueles números correspondem aos fatos. De qq jeito, desde 1997 os conservadores têm tido uma média de 25% dos votos totais.
Eduardo, o Khamenei dificilmente conseguirá fazer seu sucessor. O Rafsanjani adoraria sucedê-lo, diga-se. Mas, embora seja um grão-aiatolá, não custa lembrar: ele é político, não teólogo. Então não sei quais as chances de ele ser eleito, não…
Luiz - Muito interessante o artigo do Fisk.
Grão-aiatolá?
E o grão-vizir?
Li em algum lugar _ pode ter sido no Juan Cole ou no Duck of Minerva, sei lá _ que Khamenei não é brilhante mas baseia seu poder, talvez mais do que na herança de Khomeini, no fato de ser bem relacionado nas Forças Armadas _ tendo ele mesmo influenciado na nomeação de vários altos oficiais.
Isso está mencionado em artigo de Neil MacFarquhar, n´ O Tempo de Nova Iorque, reproduzido pela Folha de to-day.
O testemunho do Fisk é interessante, embora muito localizado. E o Fisk é associado pela direita burra ao islamismo radical, “apoiador do Hizbolah”, inimigo de Israel, amante do terrorismo e que tais.
Ihhh, tem passa rápido em Teerã. O que só pode provar que o Foro de São Paulo tem amplas ramificações, como é que é mesmo?, islamofascistas…
O sucessor nomeado do Khomeini por muito tempo foi o Montazeri, um grande-aiatolá legitimo que foi fundamental para elaboração da doutrina do governo-por-jurisprudencia. Mas este ultimo ficou meio desiludido com a psicopatia do primeiro (ele disse algo como ‘o mundo vai pensar que tudo o que fazemos é matar pessoas’ após o fatwa contra o Rushdie), e mandado de volta para Qom. Khomeini então nomeou um clérigo de nível intermediário, mas bem conectado, o Khamenei, que recebeu uma promoção meio picareta e sucedeu o Khomeini como lider supremo quando este bateu as botas (ou o calçado halal equivalente).
O Montazeri passou vários anos sob prisão domiciliar, e recentemente escreveu uma carta apoiando os protestos:
In the name of God
People of Iran
These last days, we have witnessed the lively efforts of you brothers and sisters, old and 210px-Montazeri young alike, from any social category, for the 10th presidential elections.
Our youth, hoping to see their rightful will fulfilled, came on the scene and waited patiently. This was the greatest occasion for the government’s officials to bond with their people.
But unfortunately, they used it in the worst way possible. Declaring results that no one in their right mind can believe, and despite all the evidence of crafted results, and to counter people protestations, in front of the eyes of the same nation who carried the weight of a revolution and 8 years of war, in front of the eyes of local and foreign reporters, attacked the children of the people with astonishing violence. And now they are attempting a purge, arresting intellectuals, political opponents and Scientifics.
Now, based on my religious duties, I will remind you :
1- A legitimate state must respect all points of view. It may not oppress all critical views. I fear that this lead to the lost of people’s faith in Islam.
2- Given the current circumstances, I expect the government to take all measures to restore people’s confidence. Otherwise, as I have already said, a government not respecting people’s vote has no religious or political legitimacy.
3- I invite everyone, specially the youth, to continue reclaiming their dues in calm, and not let those who want to associate this movement with chaos succeed.
4- I ask the police and army personals not to “sell their religion”, and beware that receiving orders will not excuse them before god. Recognize the protesting youth as your children. Today censor and cutting telecommunication lines can not hide the truth.
I pray for the greatness of the Iranian people.
Há uma revolução em curso no Iran ou não? É ela secular?
well…..política com eixo na religião não é política. É um mero apêndice que a qualquer hora pode ser “removido”. No Irã eleições são uma concessão, um mero cala-boca para dar um verniz de “modernidade” numa oligarquia religiosa.
Teocracia associada com Oligarquia é uma merda mesmo. O mundo islâmico nunca teve sua Reforma ou Renascimento. Passou batido pela Revolução Industrial e vai arrastando a sua Idade Média rumo ao século 21.
Alá tá vendo.
Ainda não é revolução mas já está dois ou três estágios antes de chegar lá. Quando virmos o primeiro tanque na rua, saberemos que chegou
Chest, há uma proto-revolução (os revolucionarios não sabem que são revolucionarios ainda). Ela não é secular, mas é antitotalitaria.
Há, também em paralelo (aparentemente) , um autogolpe da dupla Ahmadinejad & Khamenei, e um contra-golpe do Rafsanjani & Montazeri.
Há ainda o XIVo concurso de chador molhado de Isfahan, mas isso a gente não comenta…
Li no editorial de um jornal desconhecido que, pelo fato de o Irã ser uma sociedade em que o martírio tem um significado especial, quando o “body count” chegar a uma dúzia, o governo tem de começar a se preocupar seriamente. Pessoalmente, acho que precisa chegar a um número entre 50 e 100 mortes. No atual ritmo, acho que pode se chegar lá entre uma semana e dez dias.
A 1a evidencia direta de fraude: Em cerca de 200 seções eleitorais a participação dos eleitores (supostamente) ficou acima de 95%. E em 30 cidades a participação ficou acima de 100%
(o site, Raye Man Kojast, é um excelente agregador de noticias sobre os eventos no Irã)
“Raye Man Kojast”=”Cadê meu voto
Cortesia do Farsitranslator Tabajara
“Religião, no fim das contas, é só desculpa. Rafsanjani está jogando política pesada.”
E, por trás da política, grana, como sempre. Muita grana.
Os aiatolás aiatolaram a economia iraniana, cuja espinha dorsal agora pertence a eles.
Não vão largar a rapadura tão fácil.
Para eles, alguma coisa poderá mudar, sim, desde que tudo fique como está.
É um raciocínio meio tosco, mas mesmo assim arrisco: teoricamente, se o Rafsanjani resolvesse partir com tudo para cima do Khamenei, poderia vir a ser o Ieltsin do Irã, depois de uma longa e sangrenta guerra civil. Com uma certa ajuda de seus velhos amigos em Israel, na Arábia Saudita e no Curdistão, quem sabe?
#24
O bruno, qtos anos vc tem meu filho??
Qual é mesmo o site que é um “excelente agregador de noticias sobre os eventos no Irã”??
Pelamordedeus!!!!!
PD, que tal postar uma voz dissonante… Quanto à credibilidade, não sei, mas não saiu em nenhum pasquim.
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/06/14/AR2009061401757.html?nav=rss_opinion/columns
Bruno 24:
Taí , gostei….valeu!
#22
O moleque escreve: “há uma proto-revolução (os revolucionarios não sabem que são revolucionarios ainda)”
afff…. ahahahahahaha!!!
cara, vc tá fumando maconha escondido, não tá?? Sua mãe sabe que vc usa “tóchico” ???
Mas valeu pelo humor.
American Turkey –, nenhum problema em publicar vozes dissonantes. O galho é que esses caras apontam para uma pesquisa feita por telefone internacional em maio, antes do Mousavi sair candidato. Não dá… são tantos furos que não se sustenta.
Sei que a torcida pela abertura do regime é grande, e é minha também. Mas me parece que as manifestações estão mais ligadas aos jovens estudantes de perfil universitário, mais ocidentalizados, principalmente quando falam que tudo está sendo combinado via celulares, twiters e blogs. Isto não é “povo iraquiano”. Pode ser contagiante e nos identificamos com este grupo social, mas eles falam pelo povo iraniano tanto quanto os estudantes da FAAP falam pelo brasileiro. A persistência das manifestações cheira a manobra para gerar cadáveres (que já estão lá esfriando) e pressão internacional. Não acho que será desta vez, nem desta forma que o regime cairá.
PD, tranquilo.
Otário, nem todo mundo consegue superar a barreira entre signo e significado como você, então temos que nos limitar a efetivamente participar da discussão.
PD,
ontem assisti na TV a uma entrevista com um fotógrafo iraniano bem conhecido, o Reza. Ele disse coisas interessantes para o debate. Pena que eu peguei a entrevista do meio para a frente, então devo ter perdido algo importante.
Em resumo, ele diz exatamente que a disputa política desvelada com essa tensão crescente é menos entre Ahmadinejad e Mousavi do que entre Khamenei e Rafsanjani. Que esse último é corrupto até o último fio de cabelo. Que, qualquer que seja o resultado final dessa bagunça, a democracia iraniana não corre o risco de sair fortalecida, pois não há que se falar em democracia no caso.
Que os presidentes, em geral, sejam marionetes, isso é público e notório. Mas a esse ponto, eu nunca tinha visto…
Anônimo da Pérsia #23,
Tem gente já falando em 32 mortos…
E quanto ao #27, boiei quanto ao Curdistão…
“Religião, no fim das contas, é só desculpa. Rafsanjani está jogando política pesada.”
Esse é o problema do governo religioso, não importa qual denominação seja.
P.S.: claro que isso não dispensa tudo o que sempre defendo por aqui em defesa da liberdade de participação política das religiões. Uma coisa é o direito dos grupos religiosos, quaisquer grupos, se mobilizarem em torno dos temas que lhe são relevantes. Outra é um organismo religioso se tornar instituição de Estado.
Para quem fala francês, o link da entrevista:
http://www.bfmtv.fr/podcast_video_bfmtv.php?id=10
começa um pouco antes da metade. Antes tem um menino do PS falando em reconstrução da esquerda na França. Se ele um dia achar a resposta, eu quero saber também…
American Turkey - Pode ser que esteja certo, mas não custa lembrar que a Revolução Iraniana foi irradiada de Teerã, com intensa participação dessas mesmas universidades e estudantes que protestam hoje.
E eu concordo com os que pensam que essas manifestações não querem a derrubada do regime, apenas algumas mudanças e reformas que tratem de problemas como a grande corrupção do Irã atual.
Luiz: Mais ou menos como aconteceu durante a Guerra Irã-Iraque, o Curdistão seria a conexão entre Israel e a turma do Rafsanjani. Estou falando, é claro, em termos puramente especulativos.
Rola também uma lenda urbana de que o Rafsanjani tem batalhão de guardas pessoais treinado pelos mesmos instrutores do Mossad que treinaram os “peshmergas” do Curdistão
As especulações anteriores, ditadas por “analistas” e amplificadas por Pedro Doria, mencionavam “golpe de Estado”.
A perspectiva do “golpe” não colou e, agora, PD tem em mira a “política pesada”. Alguns comentaristas se referem à “revolução”, como se processos revolucionários fossem limitados às manifestações de rua.
Não existe política pesada, leve ou qualquer outro termo acessório. Existem articulações políticas permanentes que, intensas ou superficiais, respondem a conjunturas específicas.
Os grupos sacerdotais iranianos agem politicamente, assim como os do Vaticano ou de outras variantes religiosas.
A atual movimentação da cúpula xiita iraniana reflete a conjuntura eleitoral, capaz de concentrar apelo político e mobilizar forças.
O oportunismo é nítido, inclusive porque a mídia internacional está atenta ao processo eleitoral do país.
Não há um dado sequer que sustente articulações golpistas e, muito menos, revolucionárias. O máximo plausível é que, apenas eventualmente e devido a fatores ainda inexistentes, alguma reforma cosmética seja implementada.
Pablo,
Certas coisas a gente sabe como começa mas não como termina.
A turma do Mousavi-Rafsanjani não é revolucionária, com certeza. Apenas levemente reformista. A turma do Karoubi é alguma coisa que isso, mas também é só reformista.
Mas quem garante que os acontecimentos não se precipitem?
E passei pelo Fala Aí, ontem.
Luiz, #37, o Curdistão deve ser para o Irã algo como a Finlândia para os russos no início do século XX.
Anônimo, você está escrevendo de dentro de uma representação diplomática?
E por falar em Rafsanjani, um off toppic: está rolando no twitter uma campanha contra o Sarney. Quem apóia inclui a tag #forasarney nos posts.
Para saber mais sobre a amizade Irã-Israel-Curdos do Iraque, recomendo o “Treacherous Alliance” do Trita Parsi.
Luiz - Pode até ser mas acho difícil ocorrerem mudanças estruturais sem uma liderança clara. E as lideranças dos opositores, pelo menos para mim, não demonstram nenhuma tendência a mudar o regime. Até porque são crias dele, trabalham por ele.
Obrigado pela visita!
nada será como antes - Sei não mas para mim um Golpe de Estado não necessariamente determina uma mudança de regime. Fraudar eleições é sim um tipo de Golpe de Estado.
Mas que bah.
De uma hora para outra o Irã virou o supra-sumo da TI - é um tal de twitter pra cá, vídeo postagens pra lá. Te cuida Almadinejah!
Depois que o Ibama se elegeu, muita gente pensa que bombardear países radicais com gadgets é a salvação da lavoura.
Yes, web can, Ipod!
Fala sério.
Paulo Roberto Silva - Quéisso rapaz… essas informações estão disponíveis em qualquer literatura de aeroporto sobre o Irã…
Pablo Vilarnovo,
Fraude eleitoral é, como o nome indica, fraude, desde que exista de fato.
No caso iraniano, mesmo uma eventual fraude não constituiria golpe de Estado, inclusive porque a eleição discutida não é para chefe de Estado, mas de governo, que é bem diferente.
Por que, no fundo, a gente torce por essa garotada que sai por aí segurando bandeiras, arrsicando a vida, no caso de alguns, não se importando morrer, e, pelo que se vê, uns outros ainda querendo morrer pela causa……?
Pablo,
Viste o comentário?
anônimo, pergunto pela sua capacidade de se manter online apesar de todos os bloqueios à TI do Irã
Paulo Roberto Silva - Acho que é pura sorte. Como falei em comentário anterior, à internet anda meio errática e não consigo acessar vários sites. Felizmente, o MOIS ainda não se deu conta do potencial subversivo do blog do Pedro.
A obamanização do mundo
LISBOA - Estou cansado da obamanização do mundo. Inventei agora a palavra. Vocês sabem o que ela significa: a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia, esperando que nos quatro cantos do globo surja sempre um candidato capaz de imitar a retórica bondosa e evangelista do original Barack.
Aconteceu agora no Irã. Li os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um “moderado” (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad.
A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.
É o Líder Supremo quem escolhe os candidatos presidenciais. Em todas as eleições, aparecem centenas ao cargo. Esse ano, foram 485 candidaturas. Quatro foram selecionadas, depois de verificação apertada, ou seja, depois de se verificarem os créditos revolucionários dos quatro candidatos, rigorosamente do sexo masculino e rigorosamente muçulmanos xiitas. Mas a influência do Líder Supremo não termina aqui. O Líder Supremo, independentemente do resultado da votação, escolhe o presidente do Irã. Os iranianos que foram às urnas são apenas figurantes de um teatrinho sórdido.
Mas há mais. Nos últimos dias, surgiu igualmente a fantasia de que Ahmadinejad poderia ser derrotado por um “moderado”. E quem é o moderado? Precisamente: Mir-Hossein Mousavi, um antigo primeiro-ministro de Khomeini, responsável pela execução maciça de opositores políticos na década de 80 (20 mil? 30 mil?). Alguns jornalistas, sem um pingo de vergonha na cara, chegaram mesmo a acrescentar que Mousavi iria inaugurar um novo período de relações amigáveis com o Ocidente e, pasmem, Israel. Para os relapsos, relembro que Mousavi esteve envolvido no atentado terrorista ao centro cultural judaico de Buenos Aires. Morreram 85 pessoas.
E agora? Agora, coisa nenhuma. A vitória de Ahmadinejad, seguramente forjada, cumpriu na perfeição o roteiro pré-definido pela teocracia iraniana. O que significa que, depois dos Guardas Revolucionários fazerem o seu trabalho, prendendo ou espancando os manifestantes, o Irã continuará o seu glorioso caminho rumo à pobreza, à opressão das suas minorias e, claro, à bomba nuclear, para uso cirúrgico contra Israel. A obamanização do mundo é uma idéia simpática. As idéias simpáticas, pelos vistos, não chegam a Teerã. João Pereira Coutinho
Luiz - Vi sim, acabei de aprovar…
Re: 42 e 49 – O Rafsanjani chamou seus colegas de alto-clero para uma oração conjunta pela Paz…
Anonimo da Persia: ““Raye Man Kojast”=”Cadê meu voto”
Marg-bar marmalad ;^)
Mesmo o Departamento de Estado americano acredita que o Ahmadinejad ganhou no 1° turno, por margem pequena, só que ele e o Khamenei decidiram exagerar na porcentagem a fim de reforçar sua posiçao ultra-conservadora frente ao povo iraniano. Esta notícia parece corroborar o que afirmou o Robert Fisk e o Washington Post.
Daí, podemos concluir:
1. Nâo houve “golpe de estado” algum, e nem fraude massiva. O Iran sempre foi, praticamente, uma ditadura e o govêrno dos clérigos mafiosos e corruptos nao escapa à regra;
2. As manifestaçoês em favor do Moussavi vao se estiolar até o pessoal se cansar, por o rabo entre as pernas e se mandar pra casa;
3. Nâo haverá banho de sangue e tampouco guerra civil. Os iranianos nao sao bobos e tampouco a elite religiosa que governa e rouba o país há anos. Só mesmo alguns estudantes exaltados exigem o fim da ditadura dos clérigos. Estudante nao faz revoluçao nenhuma; pra fazer revoluçao você precisa de um exército apoiando você. Do contrário, será simplesmente massacrado pelso adversário;
4. Akbar Rafsanjani vai perder sua aposta, se já nao perdeu. O cara é muito mais corrupto que o Khamenei e os iranianos sabem disso;
5. O Khamenei controla e tem o apôio de todos os órgaos repressivos da ditadura. Daí, tanto o Moussavi quanto o Rafsanjani podem tirar o cavalo da chuva. A batalha nao pode ser ganha, e eles o sabem. Só desejam um pouquinho mais de poder, pra roubar ainda mais;
6. Os velhinhos de Qom nâo farao nada; aquilo é blefe do Rafsanjani e nao irá dar em nada;
7. Melhor se acomodar com o fato que o Ahmadinejad irá governar o Iran pelos próximos 4 anos. A pedra no sapato de Israel e dos USA ainda vai doer muito.
8. O Chesterton Cupa-Cabra, aloprado Strangelove amoroso da Bomba, terá mais 4 anos de felicidade pela frente, liderando a invasao do Iran no teclado de seu computador, como todo bom general-da-banda, enquanto envia beijinhos admirativos à sua alma-mater, o Hussein Obama americano.
Bruno, (22)
O melhor comentário, entre vários muito bons, ainda mais numa situação tão incerta.. :))
Anônimo da Pérsia
Gostaria de agradecer pelos comentários sempre enriquecedores.
É uma das poucas coisas que se salva nesse mar de abobrinhas que o dono do blog e comentaristas costumam escrever.
E vou ver se acho o livro que você recomendou aí em cima.
Muito obrigado
Anônimo,
De fato, seus comentários têm sido ótemos! (espero que seja paulista!)
:))
Caramujo: o Departamento de Estado dos EUA não acha que o Ahmadinejad venceu. Conheço gente lá dentro. Eles não sabem o que ocorreu exatamente. Não sabem se deu em segundo turno com Ahmadinejad. Mas não acham que ele venceu, não.
André…..cuidado:
Voce não vai cooptar esse “anonimo”!
Não tente ele a ser acabestrado do mundo judaico/burgues!
O Mossad que te proteja young kid!
O Pedro é da CIA?????????
Pedro Doria no #62: Que você conheça gente lá dentro, muito bem, OK. Mas talvez nao conheça quem sabe bem das coisas, né? É uma possibilidade, vosmecê concede?
O fato é que o analista político da BBC em Washington, em análise publicada hoje cedo no BBC News, informou que o Departamento de Estado já sabe que o Ahmadinejad ganhou com 52-53% dos votos, segundo informaçoes obtidas por fontes dentro do Iran. Devido a isto o Obama e govêrnos europeus estao quietinhos e caladinhos, e fazem muito bem em agir assim, por sinal. E você bem sabe porquê. Além disso, o analista britânico em questao mora na capital americana há anos e conhece um montao de gente do stablishment, e certamente bem mais que você.
Sou contra ditaduras e nao nutro simpatia alguma por este tal de Ahmadinejad, mas que saber de uma? Se o escrutínio for anulado - o que é bastante improvável nesta altura do campeonato, mas nao impossível - e novas eleiçoes no Iran forem realizadas, o Ahmadinejad ganhará, depois de todos os votos computados, e provavelmente no 1° turno. O cara pode parecer loucao pra nós, ocidentais, mas é popular pacas por lá -será que você consegue aceitar este fato?
A elite das grandes cidades, e sobretudo de Teheran, nao é maioria dos eleitores no Iran, e você sabe muito bem disto. Os ultra-conservadores têm forte apoio no interior do país, os simpatizantes do Ahmadinejad sâo maioria lá dentro, queira ou nao queira, e nao vejo como esta situaçao mudaria com uma nova eleiçao.
Wishful thinking e elites bem-pensantes nao ganham eleiçao. O que ganha eleiçao é o voto da populaçao de um país na sua totalidade, capitais e grotoes. Vale para todos os países onde ocorrem eleiçoes, incluindo o Iran. Nao seria devido a isto que o Lula e seu neoPT estao no poder há 7 anos?
Sejamos realistas, pá. As manifestaçoes sao bonitas e a imprensa adora fotografar e filmar o povao nas ruas. Ajuda a vender jornal. Porém, dentro de algumas semanas tudo estará esquecido. A menos que as Forças Armadas passem do lado do Moussavi. Aí, sem dúvida, a coisa muda. Mas é improvável.
Repito: Nada, mas nada mesmo, indica fraude massiva nas eleiços iranianas. E nem “golpe”. É apenas uma luta entre pit-bulls, cachorrada da mesma raça, pelo poder.
Obrigado Alba!
Caramujo, é inteiramente possível que eu não conheça quem saiba das coisas… aliás, mais que possível: não conheço ninguém no alto bastião.
Mas eu tb acho que a BBC não sabe de nada que o NYTimes ou o Washington Post não saibam.. Aliás, não consigo imaginar por que o Departamento de Estado, informado por diplomatas, teriam uma informação que a CIA não tem. Não faz sentido.
Independentemente do desempenho eleitoral do Armadinejad, os manda-chuvas da situação quiseram enganar geral. Só que fizeram um trabalho porco, achando, talvez, que arrochar na repressão manteria o país sob controle. Que belo presente deram para os adversários! Mousavi e Rafstanjani estão aproveitando bem a situação como demonstração de força política. Mesmo que o Kamenei e o Armadinejad levem, vão sair dessa situação arranhados — esses protestos são os maiores vistos no Irã em três décadas, e a fraude mal acobertada é munição para EUA, Israel e cia. na diplomacia internacional.
Astronauta está certo. Não me lembro quem foi que comentou que isso era uma briga entre as duas elites que sempre ingnoraram o povo. O pior é que agora usam a religião como desculpa.
Isso não vai dar certo…
[...] Khamenei. É o grupo liderado por Rafsanjani que teria algum poder sobre o líder supremo. (Este post [...]