Netanyahu e a Palestina

Israel e Palestina · 15/06/2009 - 01h23 - 51 Comentários

Ontem, o premiê israelense Benjamin Netanyahu se curvou ao presidente norte-americano Barack Obama e, pela primeira vez em sua carreira, falou que aceita a solução de dois estados.

Quer dizer… desde que a Palestina seja um Estado desmilitarizado. (Não existem Estados desmilitarizados.)

Netanyahu de presto garantiu que Israel cessará de erguer novos assentamentos nos territórios ocupados e conterá o crescimento das comunidades que já existem na Cisjordânia. Mas logo, logo, lembrou que é preciso acomodar o crescimento natural dos tais assentamentos.

O premiê disse até que conversa sem pré-condições. Naturalmente. Desde que suas condições sejam aceitas.

Por email, o jornalista brasileiro Gabriel Toueg, que vive em Israel, comenta:

No final das contas, o Bibi falou muito e não disse coisa nenhuma. Deu voltas em torno de questões delicadas, pareceu ousado ao dizer que aceita um Estado palestino, mas in the end of the day, impôs tantas condições que tinha que virar piada – e virou mesmo. O Erekat, em resposta, disse que o Bibi vai ter que esperar mil anos para encontrar um palestino que concorde com as ideias dele. Triste, porque em mil anos, do jeito que as coisas caminham, não vai sobrar quem conte história. A reação palestina era óbvia - quem é que quer um Estado amarrado como ele propõe, ou impõe? O que surpreendeu foi a reação do Obama. Depois do discurso no Cairo, ele devia ser mais rígido. Elogiar o Bibi só porque ele conseguiu pronunciar “dois estados para dois povos”, ou algo parecido, é demais. Ele perdeu 90% do discurso na tradução, parece.

Não há muito o que complementar.

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