Netanyahu e a Palestina
Ontem, o premiê israelense Benjamin Netanyahu se curvou ao presidente norte-americano Barack Obama e, pela primeira vez em sua carreira, falou que aceita a solução de dois estados.
Quer dizer… desde que a Palestina seja um Estado desmilitarizado. (Não existem Estados desmilitarizados.)
Netanyahu de presto garantiu que Israel cessará de erguer novos assentamentos nos territórios ocupados e conterá o crescimento das comunidades que já existem na Cisjordânia. Mas logo, logo, lembrou que é preciso acomodar o crescimento natural dos tais assentamentos.
O premiê disse até que conversa sem pré-condições. Naturalmente. Desde que suas condições sejam aceitas.
Por email, o jornalista brasileiro Gabriel Toueg, que vive em Israel, comenta:
No final das contas, o Bibi falou muito e não disse coisa nenhuma. Deu voltas em torno de questões delicadas, pareceu ousado ao dizer que aceita um Estado palestino, mas in the end of the day, impôs tantas condições que tinha que virar piada – e virou mesmo. O Erekat, em resposta, disse que o Bibi vai ter que esperar mil anos para encontrar um palestino que concorde com as ideias dele. Triste, porque em mil anos, do jeito que as coisas caminham, não vai sobrar quem conte história. A reação palestina era óbvia - quem é que quer um Estado amarrado como ele propõe, ou impõe? O que surpreendeu foi a reação do Obama. Depois do discurso no Cairo, ele devia ser mais rígido. Elogiar o Bibi só porque ele conseguiu pronunciar “dois estados para dois povos”, ou algo parecido, é demais. Ele perdeu 90% do discurso na tradução, parece.
Não há muito o que complementar.
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Tem tudo para ser a piada da semana que começa!
Israel não se cansa de brincar com os Palestinos, de tirar um verdadeiro sarro com o povo Palestino ao mesmo tempo em que mata, persegue, tortura e acaba cm as esperanças deste povo sofrido.
Agora a palavra da vez é o Estado Palestino, quando todos acreditam que finalmente alguma coisa boa sairá de Israel - e não apenas bombas e terror - a verdade surge segundos depois: Estado pode, mas desmilitarizado. Ou seja, refém de Israel, como é hoje. Estado no nome mas não na prática.
Ainda esperamos que Obama se manifeste, ou melhor, “manifestar” é tudo que ele vem fazendo, esperamos AÇÕES, ações concretas e diretas em prol de um Estado Palestino, mas um Estado de verdade e não um arremedo para calar a boca da comunidade internacaional, não um Estado desmilitarizado, um Estado partido, de conto-de-fadas.
Israel simplesmente ri da Comunidade Internacional. Declara que o Irã é o capeta na terra, é perigoso mas o tratamento dado aos seus vizinhos e aos Palestinos demonstra que o maior - senão único - perigo ao Oriente Médio é Israel e suas armas nucleares, exército financiado pelos EUA e genocídio nas casotas.
“- A comunidade internacional terá que garantir a desmilitarização para que Israel aceite o princípio de um Estado - afirmou - Os palestinos, em algum acordo, precisam reconhecer a legitimidade de Israel como terra do povo judeu.”
É o cúmulo do sinismo.
Além de obrigar os Palestinos a contuarem reféns, em um novo campo de concentração - como hoje é Gaza - sob o bonito nome de Estado Palestino, ainda condiciona a piada ao reconhecimento de Israel como Estado Judeu. Isso é o mesmo que considerar - como Israel de fato faz - os Árabes Israelenses, cidadãos de segunda classe, pois não são judeus e são o que restou dos Palestinos EXPULSOS por Israel de suas terras ancestrais.
Não bastou Israel ter expulsado, matado e torturado os Palestinos, agora querem legitimar o campo de concentração que fizeram e legitimar seu sionismo criminoso e assassino e proibir qualquer chance dos Árabes-Israelenses de se tornarem cidadãos de fato, em pé de igualdade com os demais Israelenses - judeus.
Para ser um “estado”, a Palestina precisa:
1. Precisa ser desmilitarizado
2. A questão dos refugiados deve ser negociada fora das fronteiras de Israel
3. Jerusalém deve ser a capital indivisível de Israel
4. Não será permitido pactos militares com o Hezbollah e o Irã
5. Israel precisa ser reconhecido como um Estado judaico
1. Simplesmente um absurdo, um Estado sem exército, sem defesa? Para ser refém de Israel?
2. Esta questão é simples, o direito internacional reconhece o direito de retorno. Este não é passível de negociação, é um direito garantido, fundamental. Israel busca “escapar” ao apresentar esta proposição ridícula.
Parágrafo 11 da Resolução 194 das Nações Unidas :
“Nações Unidas – Assembléia Geral – Resolução 194, parágrafo 11
Resolve que os refugiados desejando retornar a suas casas e viverem em paz com seus vizinhos lhes devem ser permitido fazê-lo assim na data o mais cedo possível, e que compensação deve ser lhes paga pela propriedade desses que escolherem não retornar e por perdas e danos a propriedade que, sob princípios da lei internacional ou na equidade, deve ser bem feitas pelos Governos ou pelas autoridades responsáveis; Instrui a Comissão de Conciliação facilitar o repatriamento, restabelecimento e reabilitação econômica e social dos refugiados e o pagamento de compensação.”
3. Outro item inegociável. Jerusalém Oriental é Palestina e os Palestinos jamais abrirão mão de sua capital. Não importa o quanto Israel tente varrer a Palestina do mapa.
4. Um Estado que não poderá ter pactos com outro (Irã) nem conversar com quem quiser Hisbollah)? que espécie de Estado é proibido por outro de conversar ou pactar com quem quer que seja?
5. Como disse antes, impossível. Seria reconhecer que os Árabes que lá residem não são cidadãos e nem tem direitos. E também seria sepultar o direito de retorno.
tsavkko.blogspot.com
Finalmente, a hipótese apregoada pelos obamistas mais empedernidos de que uma diplomacia complacente e cheia de discursos bonitos seria suficiente para levar o mundo à paz começa a ser testada. E não está sendo fácil segurar o riso.
O caso do Irã é emblemático. Os maníacos pelo leitor de teleprompter, sempre mais realistas do que o rei, estavam certos de que os recentes discursos de Obama irradiariam eflúvios pacifistas rumo aos corações do povo iraniano, e os fariam votar no candidato oposicionista. Como se vê, estavam completamente errados. PD, em seu desespero, arrisca a própria reputação para garantir, peremptoriamente e sem qualquer prova, que a eleição foi fraudada. Pode até ser que a eleição tenha sido fraudada - mas não pega bem para um jornalista tomar o verossímil como verdade só para sustentar seus devaneios.
E, agora, vem Netanyahu com esse discurso falando em “Estado desmilitarizado”. Uma piada, mas cá entre nós: vocês queriam o quê?
só bobo discorda de que a eleição foi fraudada…
A única coisa estranha é a diferença de votos. A vitória de Ahmadinejad não é, de modo algum, inesperada.
transcrevendo um comentario
1) A região de Tabriz, cidade de origem de Mir-Hossein Mousavi tradicionalmente vota a favor dele ou de quem ele ou seu grupo étnico indicar. Entrentanto parece que dessa vez eles votaram 2 para 1 em Ahmadinejad. Estranho?
É a mesma coisa que Lula ganhar a eleição em um enclave de extrema direita no Rio Grande do Sul.
2) A última eleição no Irã foi em 2005. Mesmo sendo mais popular naquela época, Ahmadinejad não conseguiu evitar uma fuga de eleitores às urnas e não teve uma porcentagem tão alta quanto agora.
3) O comparecimento às urnas foi gigantesco. E nos últimos 20 anos sempre que houve um grande comparecimento às urnas um candidato reformista ganhou. Todas as pesquisas pré-eleitorais indicavam que Ahmadinejad só ganharia se houvesse pequeno comparecimento.
4) Apesar no número enorme de votantes para os padrões iranianos, o ministério do interior anunciou o resultado apenas 2 horas após o fechamento das votações!! Contaram milhões de urnas a mais em muito menos tempo do que levou nas últimas eleições!! E sem o milagre das urnas electrônicas brasileiras.
netanyahu, cronica de uma provocaçao anunciada…
A minha surpresa é constatar que tem tanta gente por aí surpresa.
Árabes estão surpresos com as “dificuldades impostas para paz”
Direitistas religiosos estao surpresos com a “linguagem flácida” do discurso. Ele disse, afinal (oy vey!) que apóia um estado palestino (mesmo que seja em condicoes em que este estado deixe de ser estado - mas a mera menção da expressão deixa todo esses extremistas de cabelos em pé)
Enfim, quando o Eli Yishay (ultrareligioso do Shas) e o partido trabalhista concordam com os termos do discurso (no Yiediot Aharonot de hoje), eh porque algo esta de muito estranho por detrás do discurso e da política internacional do Natanyahu.
Surpreso, alias, fiquei eu de ler na mesma reportagem que o líder do conselho para Cisjordânia adorou o discurso. Também, pudera; o maior medo era ter de evacuar colônias e se comprometer em um plano. E Natanyahu esquivou-se de ambos.
Também comentei o discurso no meu blog. Engraçado ver que o Toueg escreveu quase a mesma coisas que eu.
Existe um país que oficialmente não tem forças armadas: a Costa Rica.
Mas de qualquer forma, o que os israelenses deveriam exigir como pré-condição de qualquer estado palestino seria democracia de verdade na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Sem isso, sorry, não haverá chance de paz.
E cá entre nós, não sei até que ponto um estado palestino não-contíguo seria viável, mas isso já é uma outra história…
O que os governos antes de Netanyahu, digamos os mais progressistas, conseguiram ?
Quem sabe se o resultado das eleições no Irã fosse outro, haveria motivação para algo mais amplo?
E como negociar e agradar alguém cujo objetivo é sua destruição, riscá-lo do mapa?!?!? Tende a tudo que for oferecido ser recusado.
O Japão é militarizado mas, não pode ter as três armas tradicionais, possui uma força de auto-defes e isso a Palestina poderia fazer envolvendo a ONU (será que pode fazer alguma coisa?) e os EUA também como parte boa vontade mas, sua posição como a única vítima e maior de todas faz entender que precisa ser acatada em tudo o que quer.
Não vai ser fácil……
Acho que o único progresso aí foi Israel verbalizar de maneira bem clara a sua real política.
É um progresso e tanto.
Abandonar aqueles discursos herméticos, cheios de palavras que não dizem nada, já é um bom começo.
Realmente parece que já tinha lido a notícia do Gabriel Toueg, quase com as mesmas palavras, no blog do Gabriel aqui dos comentários e la lista de blogs de comentaristas (Des-Oriente).
Quase com as mesmas palavras. Antecipadamente.
Pedro Doria, confie nas boas fontes.
Patriarca, às vezes não dizer nada é melhor do que falar certas idiotices e hipocrisias. Especialmente se tratando de governos…
E complementando o que o Antonio sugeriu, o fato do discurso ter sido marcado para logo após a eleição iraniana não foi, de maneira alguma, coincidência. E o conteúdo foi claramente retocado em função do resultado e dos problemas no Irã.
Se antes desse discurso ja não se fazia nada mesmo, não há de ser um discurso que ira atrapalhar a ação (inação) dos arabes e dos palestinos.
E vamos deixar claro uma coisa: Israel JAMAIS fará guerra civil para remover os mais de 350.000 colonos que habitam os assentamentos. JAMAIS. É preferivel manter o atual status com os arabes e palestinos do que a guerra civil.
Mesmo porque a experiencia mostra que de terras devolvidas aos palestinos, é de lá mesmo que partem os misseis contra Israel. Vide o sul do Libano e Gaza.
Eu até entendo que os palestinos queiram um Estado decente, com forças armadas, mãssss…
Se isso acontecer essas forças não serão usadas para aniquilar Israel? Como negociar e dar poder armado a quem prega sua propria destruição? Qual a opção de Israel?
Lembrei do caso do Japão, ele não é desmilitarizado? Não sei das condições, mas há algo assim apos a 2a guerra, não?
A questão principal nem é um estado palestino desmilitarizado , pois isso até seria possível, se essa fosse a escolha dos palestinos. A questão principal é reconhecer Israel como estado judeu, o que é isso? Não é para reconhecer Israel não? É para reconhecer etnia/religião? Qual objetivo? Despejar os árabes israelenses? O que esse filho da puta define como “judeu”? Os judeus ateus não são judeus? Não serão israelenses portanto, ou ele se refere a raça? O cara é racista abertamente e ninguém fala um “a”…
Bastante interessante também um estado que não pode receber sua população de volta, para que serve esse estado proposto? Detalhe importante, ao elogiar o discurso de bibi os EUA, mostraram que era tudo jogo de cena. E como quem dá as cartas por ali está jogando para a torcida tão somente, não vai ter estado nenhum…
Gerson M, você sem querer, foi direto ao ponto, realmente isso tem bastante a ver com o Japão no pós guerra… Não é a criação de um estado independente é uma rendição incondicional.
Infelizmente a situação no oriente médio é dificil. a situação de guerra constante faz com que a direita avance em todos os cantos, o que, por lá, significa mais guerra e fanatismo religioso. As forças políticas dominantes em Israel querem transformar o país em um Irã e aos poucos vão conseguindo. Em breve estarão dizendo que Tel Aviv é um antro de perversão antijudaica e que por isso será preciso aprovar leis que imponham respeito novamente.
Dino(17), realmente não seria um estado 100%, concordo. Mas qual a opção de Israel? Deixar que um grupo que tem por escrito no seu programa o objetivo de destruir Israel tenha um exército?
Dizer que o Japão “não pode ter as três armas tradicionais, possui uma força de auto-defesa” não é bobagem, é desconhecimento de causa. Só para informar os compadres, o Japão tem três forças bonitinhas, só que com outro nome. Sua força aérea é uma das maiores do mundo com o filé-minhão do equipamento norte-americano, inclusive mais de 200 F-15J equipados com misseis ar-ar BVR; a marinha, a mesma coisa. Só que, pela constituição, essas forças não podem ser usadas no exterior, mas até isso está sendo revisto.
A Costa Rica tb tem forças armadas com outro nome - de uns 30 anos para cá (não tenho certeza), passaram a uma espécie de guarda nacional com efetivo de 6000 homens e sem equipamento ofensivo. Mas possui artilharia anticarro e transportes blindados de pessoal. Existe uma pequena força naval e a força aérea só tem helicopteros e aeronaves de observação. O que eles não tem é centros de formação: os oficiais são treinados nos EUA, Peru e Brasil (aqui frequentam a Escola Naval e a Academia da PMSP.
Um Estado sem forças armadas é um estado capenga. Essas forças poderiam até ser limitadas, mas simplesmente não existir é outra coisa. Inclusive pq uma das formas de por sob controle gpos armados de resistência é recolher as armas e incorporar as lideranças como oficiais - isso foi feito em diversas ocasiões, inclusive na França, no pós-guerra. Foi a solução adotada, mais recentemente, no Líbano, depois da guerra civil.
Seria relativamente fácil pressionar Israel: bastaria uma diminuição significativa (nem precisava cortar) nas autorizações feitas pelo governo dos EUA para as vendas, à ind de defesa israelense, de certos materiais estratégicos, como, por exemplo, tungstenio processado, arsenieto de gálio, lubrificantes especiais e outros quetais; outro golpe legal seria passar a negar autorização para venda de material israelense que incorpore tecnologia de origem americana (me ocorre sistemas de direção inercial de misseis ar-ar de longo alcance). Imagino que por trás da “diplomacia complacente e cheia de discursos bonitos” dos EUA esse tipo de hipótese já esteja sendo levantada e apresentada aos israelenses.
Dino e Gerson,
me parece q o nó principal é discutir como será composto o futuro estado palestino. Deve-se levar em consideração o fato de que os nacionalistas laicos árabes, como é o caso do Fatah de Abbas, sempre acabam se dispondo a discutir, se pressionados. O problema são os ativistas religiosos (por sinal, tb são problema em Israel). No evento da criação de Israel, as Haganah foi transformada em Forças de Defesa de Israel, e o Irgun Zwei Leumi foi desarmado pelo governo israelensens. Seus renitentes, postos em cana. Como é isso teria sido feito se a condição para a criação de Israel fosse um estado “desmilitarizado”?
Imagino q o embrião de forças armadas de um possível estado palestino sejam, de fato, os braços armados dos gpos ativistas. Resta saber se o governo terá disposição para prender os renitentes. Limitar a capacidade de forças armadas não é difícil - é questão de negociação. Acho que qdo o Eire se tornou independente, a limitação do tamanho das forças armadas tamb foi colocada como condição.
Bitt,
Agora me responda: será que o Fatah, que levou uma sova e foi escurraçado de Gaza, estaria disposto a disarmar o colocar na cadeia os seus “terroristas”?
Sou a favor do estado palestino e não suporto, assim como boa parte da população israelense, os ultrareligiosos de direita. Porém, os ocorridos em Gaza desde a retirada israelense, mostram que situação é extremamente complicada. Minha intrepretação sempre foi de que Gaza seria um laboratório para a Cisjordânia. Imagina se o Hamas tomasse o controle da Cisjordânia
Todos criticam Israel, mas poucos lembram que a OLP nunca facilitou as negociações. O Bibi lançou uma proposta inviável, mas cadê a proposta viável vinda dos palestinos?
Enquanto não aceitarem a existência de Israel e sim, Rapahel Garcia, como estado judeu (isso não é piada), não haverá proposta viável de ambos os lados.
*desarmar
PD,
Pergunta pro Gabriel Toueg pq ele abandou o “Carteiro sem Poeta” … Diga que sinto falta das crônicas do dia a dia que ele escrevia …
Israel impor condições para aceitar a criação do Estado Palestino é, mesmo, uma piada de mau gosto.
Os palestinos aceitariam isso tanto quanto os sionistas aceitaram imposições dos países árabes em 1948.
Muito antes do Estado Palestino surgir, ele já dispunha de suas forças militares. Várias no passado. Hoje basicamente duas, lideradas pelo Fatah e pelo Hamas.
Se, usando todos os meios de que dispõe — legítimos e, não raro, ilegítimos — ao longo de décadas, Israel não conseguiu neutralizar essas forças armadas, absurdo pensar que agora conseguiria isso, por meio dessa “diplomacia” mafiosa e estúpida, típica de Netanyahu.
Israel deveria mesmo reivindicar que o Estado Palestino realmente venha a ter suas forças armadas, organizadas e disciplinadas, sob o controle estatal. Ou seja: que ele proíba e dissolva as milícias partidárias hoje existentes.
Até porque, se o Estado Palestino não fizer isso, vai se converter numa versão revista e piorada do Líbano.
Chegará o dia em que a milícia do partido X vai iniciar uma ação militar contra Israel. Aí o Estado Palestino cretinamente dirá, como disse o Líbano: “não fomos nós, foi a milícia X”.
É tudo o que os falcões israelenses precisam, pra meter o cacete em quem aparecer pela frente.
E lá virá o choro e o ranger de dentes de sempre… Um monte de civis inocentes vai pagar o pato e a paz ficará cada vez mais longe.
Com o Estado Palestino dispondo de suas próprias forças armadas, e sem dividir o poder militar com milícias partidárias, o papo será bem outro. O que o Estado Palestino fizer com elas é problema dele. Se tomar a decisão errada, pagará o preço.
Não acho que a criação do Estado Palestino deva ser condicionada a que os palestinos reconheçam o Estado de Israel.
Se quiserem reconhecer, que reconheçam. Se não quiserem, que se danem! Israel nunca necessitou desse reconhecimento, não necessita agora e, certamente, não necessitará no futuro.
Para muitas correntes políticas palestinas, reconhecer o Estado de Israel agora não resolveria nenhum problema e, de quebra, criaria vários. Alguns de bom tamanho.
Isso é coisa que virá com o tempo. Várias gerações terão que desembarcar deste vale de lágrimas para que comece a desaparecer o ódio acumulado ao longo de mais de meio século de matança.
Por ora, basta que se tenha a paz. Uma paz armada, desconfiada, rancorosa e, volta e meia, instável, mas, sem matança. É o fim da matança que esvaziará o ódio.
Conversas sempre haverá, como já existem hoje. Nem precisa reconhecer que elas existem. Pode-se até dizer que elas não existem, embora existam.
O Egito tá aí pra isso mesmo. Em mais de uma oportunidade a diplomacia egípcia já mostrou trabalho. O maior insuflador de guerras do passado está, aos poucos, se convertendo num discreto e eficiente promotor da paz.
O resto, o tempo fará.
“..Dizer que o Japão “não pode ter as três armas tradicionais, possui uma força de auto-defesa” não é bobagem, é desconhecimento de causa…”
Tem mas não pode empregá-las como força de ataque, por isso são denominadas de auto-defesa por causa da 2º guerra, não poderiam ter iniciativa de atacar primeiro e, que se não cumpridas podem gerar-lhe sanções.
Entendeu Vossa Sapiênncia Digital ?!?!?!!?
Concordo com o Elias, um estado palestino com forças armadas regulamentares seria o melhor meio de impedir ações estúpidas de grupos armados independentes.
Vejam o caso do Hizbolá, que não se preocupou em vencer as eleições no Líbano exatamente porque se assumise as responsabilidades de um estado perderia sua independência para agir como quiser, além de ter de dividir o governo com outros grupos muçulmanos de orientação diferente.
Só discordo da idéia de que o Obama faz uma diplomacia de condescendência. Ele apenas não age como o idiota boçal que o precedeu, cuja atitude causou enormes prejuízos aos interesses estadunidenses. Mas o que Obama fez, realmente, de diferente até agora? Nada.
Que o Bibi não queira nem ouvir falar em estado palestino não é novidade, logo não merece maior espanto a curiosa forma de estado por ele sugerida. Novidade, e muita, vai ser se o Obama forçar a barra com Israel. Eu não acredito nem um pouco que ele o faça.
Não se enganem, o Obama carrega o mesmo big stick preconizado pelo primeiro Roosevelt, só que atrás do sorriso. E tal porrete se movimenta ao sabor das tendências dos eleitores estadunidenses. Israelenses e palestinos, curtidos pela realidade, não se deixam enganar. Logo, nada vai mudar nos próximos meses na região, a não ser que seja mudar para pior.
MaGioZal:
Democracia igual À que levou o Hamas ao poder e que ISrael se negou a reconhecer, mesmo com observadores internacionais atestando a legitimidade do pleito?
Dino:
Sobre essa questão do racismo versus componente étnico, vai um interessante artigo de um Basco especialista no assunto e que vive diariamente este dilema ou esta questão: http://tsavkko.blogspot.com/2009/05/o-etnicismo-versos-o-racismo.html
Se o Estado Palestino for criado agora, ele imediatamente dissolverá as milícias partidárias?
Seria ótimo que o fizesse, mas duvido que isso ocorra.
Israel dissolveu suas milícias de direita. Isso é verdade, mas foi na porrada.
E, só conseguiu dissolver na porrada, porque as milícias de esquerda haviam sido unificadas anos antes da criação do Estado e, tão logo o Estado foi criado, se transformaram nas forças de defesa do país. Na prática, foram absorvidas pelo Estado (segundo os direitistas da época, as milícias de esquerda tomaram de assalto o Estado).
As milícias de esquerda eram infinitamente mais fortes, mais organizadas e mais bem armadas que as milícias de direita. Isso facilitou as coisas.
De quebra, tinham à testa um Ben Gurion, que jamais hesitou em tomar uma decisão difícil (o que não impediu que a direita israelense passasse a chamar Gurion de “nazista” e “assassino de judeus”).
No mais, embora a recém nascida sociedade israelense tenha ficado chocada com a violência com que Ben Gurion reprimiu a direita, houve a compreensão de que o perigo maior eram os países árabes. Não valia a pena estimular uma luta interna.
O fato é que Israel foi fundado pelos sionistas de esquerda. Os sionistas de direita não acreditavam que o movimento daria certo e ficaram de fora do processo.
Resultado: perderam apoio político e encolheram. Ao fim da Guerra de 1948, haviam se convertido em grupelhos de marginais, cometendo toda sorte de desatinos, de que é exemplo o massacre de de Deir Yassin.
Mas, exatamente por terem perdido apoio político e encolhido, foram derrotados com facilidade, na ação fulminante determinada por Ben Gurion.
Com os palestinos, a situação é bem outra. Se o Estado for criado agora, isso será feito exatamente pelas duas vertentes que dirigem as duas principais milícias partidárias.
Não há, entre os palestinos, uma liderança suficientemente carismática em torno da qual seja possível pretender um mínimo de unidade.
Além disso, nenhuma das milícias partidárias é suficientemente forte para neutralizar militarmente a outra.
Segue-se que a coisa terá que ser resolvido pela via negocial — até onde for possível uma negociação entre Hamas e Fatah — pelo bem do Estado Palestino.
Sendo possível essa negociação, é certo que isso tomará tempo.
Assim, é irreal até mesmo exigir que o Estado Palestino dissolva as milícias partidária de pronto. Deve-se exigir isso dele, mas também deve-se proporcionar tempo e condições para que esse objetivo seja alcançado sem que os palestinos acabem se engalfinhando entre eles, em mais um banho de sangue.
De imediato, mais razoável seria exigir que o Estado Palestino não permitisse às suas milícias partidárias, tomar a iniciativa de ações armadas contra Israel.
Isso aí já seria coisa pra caramba, e implicaria, necessariamente, uma ampla mesa de negociações, envolvendo Hamas, Fatah e… Israel, claro. Este último se faria representar por diplomatas de outros países, como tem sido a praxe em negociações com os palestinos.
Se Hamas e Fatah concordarem com algo nessa linha, será o sinal de que também estarão concordando em conversar entre eles, com o objetivo de constituir as forças armadas (ou forças de defesa, ou seja lá que nome for) do Estado Palestino, tendo como ponto de partida as milícias partidárias hoje existentes.
Tomara que isso aconteça. E, se acontecer, tomara que seja antes de 2011, quando estarei por lá…
“O Japão é militarizado mas, não pode ter as três armas tradicionais, possui uma força de auto-defes”
“Tem mas não pode empregá-las como força de ataque, por isso são denominadas de auto-defesa por causa da 2º guerra, não poderiam ter iniciativa de atacar primeiro e, que se não cumpridas podem gerar-lhe sanções.”
Algumas informações adicionais para q V. Ironia Digital não fale besteira.
O governo japonês modificou a lei das Forças de Autodefesa, recentemetne, e aprovou uma operação de patrulha marítima. O objetivo é tentar conter a pirataria nas águas da Somália. Uma força tarefa de seis navios da Marinha de Autodefesa foi despachada para a região. Mais recentemente, o Japão colocou sua marinha e força aérea em alerta, preparados inclusive para atacar sítios de lançamento de mísseis da Coréia do Norte em apoio a uma possível ação n.americana (v. site da BBC). Ou seja - o Japão tem três forças convencionais, Marinha, Exército e Força Aérea, ao contrário do q está escrito em sua observação lá em cima. E pode atacar. O q o Japão não pode (está proibido pela constituição deles) é usar a guerra como instrumento de política. Se V. Ironia acha q “ataque primeiro” é sinônimo de começar guerra, sugiro q leia alguma coisa sobre a Guerra dos Seis Dias.
Elias,
“Não acho que a criação do Estado Palestino deva ser condicionada a que os palestinos reconheçam o Estado de Israel.”
Não gosto do Bibi, mas como ele poderia virar para a população israelense e dizer que vai deixar o controle da Cisjordânia, enquanto Hamas continua a vociferar que deseja o exterminio do país. E o Hamas não é apenas uma milicia armada, é um partido eleito pelos palestinos. Me responda, como um partido eleito pelo povo, que defende o extermínio de Israel, vai suprimir os ataques à Israel?
Se foguetes voando em áreas quase rurais e ameaçando cidades médias como Beer Sheva já incomodam e resultaram na eleição de Bibi, o que ocorreria se o cenário fosse Jerusalém e Tel Aviv.
Reconhecer o estado de Israel é ponto pacífico para que Israel possa confiar em um estado palestino independente no seu quintal, gostem ou não os críticos. Se Israel retirar amanhã as colônias da Cisjordânia e retirar o Bloqueio à Gaza, teremos uma outra guerra muito mais sangrenta, gostem ou não os críticos.
o primeiro ato do estado palestino sera declarar guerra a israel…
Voces trem que entender que Obama joga para a torcida. Ele vai levar todo mundo no lero, e em seguida aprende o caminho das pedras. Israel tem que enrrolar Obama por mais un 12 meses, a[ui ele se dar[a conta de quem são os amigos e quem são os inimigos de seu eleitorado.
Estado desmilitarizado existe sim. Ou você esqueceu do Japão?
Rodolfo,
Esses caras mantiveram, por décadas, uma fala e uma política contrárias à existência de Israel. É daí, em grande medida, que vem o apoio político de que desfrutam junto aos palestinos.
Aí está outra diferença entre eles e os antigos grupos terroristas do sionismo de direita.
Ao final da Guerra de 1948, o Irgum havia perdido boa parte da representatividade que chegou a ter antes da criação de Israel. Havia se tornado um grupelho radical e facinoroso com escasso apoio político (não que algum dia ele tenha deixado de ser radical e facinoroso, mas, antes, tinha um apreciável apoio político junto à população judaica).
Algo completamente diferente do Hamas e do Fatah. São grupo com grande aceitação e apoio político da população palestina. Se não fosse assim, já teriam sumido do mapa há muito tempo (como outros grupos, menos representativos, sumiram).
Não se pode pretender que os carinhas lá partam direto pro “esqueçam o que eu disse e escrevi”. Se fizerem isso, vão dançar.
De fora pra dentro, vai haver organizações e países árabes dizendo que eles se venderam, que traíram o povo palestino e daí pra baixo. De dentro pra fora, será ruim tanto quanto.
O mais razoável é esperar que eles mantenham o discurso radical, enquanto negociam o máximo de concessões. O abrandamento da política será mais palatável se ocorrer junto com coisas que possam ser tidas e havidas como vitórias.
Suponha que o Estado Palestino, inicialmente, não reconheça Israel.
E daí? O Estado Palestino dependerá mais de Israel do que este dele. Continuarão lá os postos de controle, o muro, etc.
Você sabe o que isso significa, né?
Agora, suponha que ele reconheça Israel e estabeleça com este um acordo de paz, relações diplomáticas e comerciais, etc.
A contrapartida será uma aceleração no desenvolvimento do Estado Palestino (que depende — e muito! — da infraestrutura israelense). Além disso, um significativo alívio no índice de desemprego e subemprego entre palestinos e um monte de etc.
Do ponto de vista estritamente econômico, os dois lados tendem a ganhar.
A questão por lá é, principalmente, política e religiosa (e a mistura da religião com política é a pior que pode existir).
O Chesterton diz que, tão logo proclamado, o Estado Palestino vai declarar guerra a Israel.
Só se todos os palestinos ficarem doidos. Eles seriam esmagados em alguns dias.
Não é por aí.
Para que haja pelo menos esperança de paz, é necessário que o Estado Palestino seja criado.
Ele será o tal do “interlocutor” que 15 em cada 10 governantes israelenses dizem que necessitam ter do lado palestino, a fim de que as negociações de paz prosperem.
Creio que o Obama vai bem quando pressiona diretamente israelenses e palestinos. E vai mal quando começa a falar em quarenta e dez países, duzentos e trinta e mil comunidades & delírios escalafobéticos afins.
Elias,
Excelente análise. O Estado Palestino será criado eventualmente. Portanto, quanto mais cedo melhor, embora o discurso de Bibi mencione a questão apenas para negá-la. Mas isso era de se esperar de uma figura como ele, que se cerca de outras figuras de até pior calibre, como o racista Avigdor Lieberman.
E, de fato, ódio acumulado por 50 anos, não se esvai de um momento para o outro. Se acontecer a fundação de um Estado Palestino, coisa de que duvido, diante da posição tíbia (pra dizer o mínimo e dizendo-o de um jeito até meio pedante) de Obama, será necessário trabalho duro de negociação dos dois lados, sem mais “argumentos do lobo” por parte de Israel, como diz o João Daltro e com a mínima disposição das lideranças palestinas em consolidar o seu estado.
Bitt, obrigada. Eu não sabia sobre as forças armadas do Japão e da Costa Rica.
Elias,
A história do Irgum, do Altalena e suas diferenças em relação aos grupos palestinos eu conheço razoavelmente bem.
O que você não respondeu é que ocorrerá se o Hamas tomar o controle da Cisjordânia e começar a Bombardear Jerusalém, Tel Aviv, de repente, até Haifa.
E se Israel simplesmente esquecer Gaza, suspender o bloqueio marítimo e incentivar que o Egito faça o mesmo com a fronteira de Rafah? Eu apostaria que em 1 mês o arsenal militar do Hamas iria melhorar consideravelmente, abastecidos pelo Irã, através do Hezbollah. E ai? Adeus Beer Sheva, no mínimo. Como explicar esse risco à população israelense.
Israel saiu de Gaza e mesmo mantendo um bloqueio, ainda temos tempestades de foguetes no sul do país.
Enquanto não reconhecerem Israel como estado e seu direito de existência, os ortodoxos só vão continuar a ganhar força e mais imposições serão feitas.
“O apelo a reconhecer Israel enquanto Estado judaico complica as coisas e arruína as possibilidades de paz. Ninguém irá apoiar este apelo, nem o Egipto nem ninguém.” A afirmação foi feita, ontem, pelo Presidente egípcio, Hosni Mubarak, referindo-se ao discurso de Benjamin Netanyahu.
Mas Mubarak não foi o único a criticar a posição do chefe do Governo de Telavive. “As ideias anunciadas pelo primeiro-ministro israelita não respondem às expectativas da comunidade internacional e não podem levar a uma paz justa na região”, afirmou Nabil Sherif, porta-voz do Governo de Amã.
“Insiste na expansão dos colonatos, exige que os palestinianos reconheçam Israel como Estado judaico apesar de 20% dos cidadãos de Israel não serem judeus.”
A questão, porém, que mais divergências cria prende-se com os colonatos judaicos. A sua construção não só transformou a Cisjordânia num queijo suíço como, feita a expensas das melhores terras palestinianas, dificulta a criação de um Estado da Palestina viável. Por isso e pelo facto de, no seu discurso, Netanyahu ter insistido no “crescimento natural” dos colonatos, a União Europeia recusou-se ontem a reforçar as suas relações com Israel. “Conhecem a posição da UE: queremos um Estado palestiniano viável”, justificou a comissária Benita Ferrero-Waldner.
Alias o discurso de bibi desagradou até a direita laica israelense, só agradou mesmo os extremistas religiosos.
Síria e Líbano chamam de “racista” e “perigoso” discurso de Netanyahu
PD,
quando se posta um link sobre guerra no OM os comentarios passam de 100-200 com a maior facillidade. Por outro lado quando o link sugere a paz (c0mo esse daqui), mal passa de 40 comentarios. Interessante, né?
O Chesterton diz que, tão logo proclamado, o Estado Palestino vai declarar guerra a Israel.
Só se todos os palestinos ficarem doidos. Eles seriam esmagados em alguns dias.
chest- como assim, Elias, ficarem doidos? Eles já não o são?
Rodolfo,
Por motivos não exatamente iguais, mas bastante próximos dos que você mencionou no comentário # 37, é que eu situei minhas observações num processo de paz.
Insisto apenas em dizer que, num primeiro momento, o processo de paz não necessita de declarações formais de mútuo reconhecimento entre israelenses e palestinos.
Se e quando elas acontecerem, as negociações iniciais ocorrerão com a intermediação de outro país. O recente cessar fogo em Gaza, p.ex., foi negociado com o apoio diplomático do Egito.
Colocada em termos bem simples e práticos, Rodolfo, a questão é a seguinte:
a - Israel não conseguiu extinguir nem neutralizar o Hamas;
b - logo, Israel tem que negociar com o Hamas.
Isso é política. E política é assim. Nada do que possamos pensar ou dizer vai mudar essa música.
Como disse mais acima, creio que a paz possível agora é uma paz armada, desconfiada, ressentida, etc.
Não é o ideal. É o possível. E, por ora, já seria o bastante.
Israel terá que seguir em frente, armado até os dentes. E, diante de uma ameaça palestina, atacar antes e de modo fulminante. Lembre que esta é a doutrina militar de Israel, até porque não há outra possível.
Um inimigo bem armado às suas portas nunca foi novidade para Israel. Gaza já pertenceu ao Egito, quando este vivia para fazer guerra a Israel e era armado e treinado pela União Soviética.
Veja que eu estou batendo bola baixa, rés o chão.
Acho que a coisa deveria começar com um cessar fogo consistente.
Daí viriam as negociações territoriais e econômicas (desocupação e/ou permuta e/ou indenização de territórios, etc).
Até aí permaneceriam o muro, as barreiras, os postos de controle, etc.
Se as negociações territoriais e econômicas forem bem conduzidas; se as partes se esmerarem no cumprimento do que foi acordado, estará aberta a avenida para a formalização do reconhecimento mútuo.
No fim, a formalização será só isso mesmo: uma formalidade.
Numa boa. Chamar essas declarações do “bibi” de passo a frente é piada. Nada mudou. Apenas referenda o velho discurso. Acreditar que ele apoio a solução dos dois estados também é excesso de ótimismo ou cegueira política. Ele apoia a solução de 1 estado e meio, se muito. Um Estado que não tem acesso a armas, que não controla o espaço aéreo, que não tem o direito de receber seus cidadãos do estrangeiro e não pode estabelecer relações com outros estados que bem entender, a meu ver, não é um estado.
Pra melhorar a piada, só faltou o Netanyahu dizer que apoia a criação do estado palestino, desde que não faça fronteira com Israel. Algum terreno livre a ser alugado pelos palestinos? Madagascar? muito quente. Alasca? mto frio! hahaha
Elias,
Ainda acho praticamente impossível um político israelense se dirigir à população e falar que deixará o país vulnerável a um segundo Yom Kippur, apenas para que o estado palestino seja criado.
Esse tipo de vulnerabilidade poderia inclusive reativar desejos anti-israel, no momeno adormecidos, em outros países. O Egito possui acordos e paz com Israel, mas estes, em minha opinião, ocorreram devido às porradas militares que o exército egípcio levou do israelense e não por uma subita sedução dos judeus. Até hoje o povo egípcio é extremamente anti-israelense e antijudeu.
Rodolfo,
Concordo em grande parte com seu comentário # 46.
Vai ser difícil.
Também concordo quanto ao sentimento anti-Israel e anti-judeu do povo egípcio. Apesar do acordo de paz.
Mas é disso mesmo que eu estava falando.
No Egito, não falta quem tenha tido um parente morto ou mutilado por armas israelenses, nas muitas vezes em que os dois países se confrontaram.
Israel venceu todas. Matou mais, feriu mais, mutilou mais, destruiu mais, aprisionou mais, portanto.
E tome ressentimentos!
Além disso, há a permanente propaganda anti-israel e anti-judaica no mundo islâmico.
E tome ódio!
Mas o que interessa é que: a) egípcios e israelenses pararam de se matar; b) o Egito acabou se convertendo num parceiro eficaz para se chegar à paz com os palestinos.
Ninguém pretende que os egípcios se apaixonem por Israel e pelos israelenses. Nem vice-versa.
Parar a matança já está de bom tamanho.
Com os palestinos vai ser difícil, concordo.
Mas é necessário. Até porque, do jeito que as coisas estão, Israel também não está seguro.
E a tendência, infelizmente, é se tornar cada vez menos seguro.
E Rodolfo,
Também é preciso deixar bem claro que o acontecido na Guerra do Yom Kippur decorreu, fundamentalmente, da maneira desastrosa como Moshe Dayan se conduziu no Ministério da Defesa.
Da gestão dos serviços de informaçãon (melhor dizer, do sufocamento dos demais por um deles), à forma como foi estrutrurada a barreira ao longo do Suez (que era pra ser uma linha de monitoramento, depois mudada para linha de defesa e acabou não sendo uma coisa nem outra), a atuação de Dayan foi um desastre só.
Não tem a ver com uma política de paz, mas com uma péssima preparação para a guerra.
Surpreendentemente péssima, em se tratando de Dayan.
Elias,
Estou me repetindo, mas já falei que te amo? :))
Alba,
Pode até ser repetição, mas é gostoooso…
Aliás, tem muita coisa que, quanto mais a gente repete, mais gostosa fica, né?
Piratas do Sion: Obama perdeu o barco
Atualizado e Publicado em 18 de julho de 2009 às 09:22
por Alan Sabrosky, Alarab Online, Londres
Tradução: Caia Fittipaldi
O “Espírito da Humanidade”[1]
A evidência de que Israel abordou e capturou em águas internacionais o barco “The Spirit of Humanity”, barco desarmado e carregado de suprimentos, alimentos e remédios para a atormentada população de Gaza, comprova que a pirataria de Estado é perigo real hoje. É mais uma violência contra as leis internacionais que se soma à folha corrida dos crimes de um Estado bandido [orig. rogue State] que, como Netanyahu reconheceu há algumas semanas, não é país igual aos demais. Mas a abordagem e captura desse navio foi também um modo de Netanyahu testar a determinação de Obama – teste no qual Obama fracassou, para seu descrédito e sua vergonha.
“O passado é prólogo”[2]
Não é a primeira vez que Israel pratica esse tipo de crime. Não há quem consiga chegar a Gaza e que não se sinta horrorizado pela destruição e pelo sofrimento que lá se vê. Gaza foi virtualmente reduzida a ruínas durante o selvagem ataque israelense de dezembro de 2008, há seis meses – massacre que foi comemorado no Congresso dos EUA e pelo governo Bush e sobre o qual Obama, já presidente eleito, não se manifestou. Todo o sofrimento em Gaza, antes e depois do massacre, é resultado do bloqueio que Israel impôs em Gaza, que reduziu o fluxo de comida, água e artigos de primeira necessidade e, depois do massacre de dezembro, impede qualquer trabalho de reconstrução.
Parte decisiva dessa política de estrangulamento é o bloqueio naval que Israel impôs no litoral de Gaza, com interceptação, remoção ou captura de vários pequenos barcos que tentavam levar socorro humanitário à população de Gaza. A captura absolutamente ilegal do barco “The Spirit of Humanity” foi relativamente pouco violenta, se comparada a outros casos – os israelenses impediram o avanço do barco e cercaram-no em águas internacionais, à noite; bloquearam todo o equipamento eletrônico de navegação e prenderam tripulação e passageiros entre os quais vários cidadãos norte-americanos. Em outros eventos semelhantes, os barcos foram alvejados, com clara intenção de fazê-los naufragar (como em dezembro de 2008) ou a tripulação foi espancada e torturada (como em fevereiro de 2009). Israel sempre nega ter feito o que fez e repete que estaria interceptando armas – como se as mudas de oliveiras que o “The Spirit of Humanity” transportava fossem mísseis camuflados.
O portento presente[3]
O bloqueio israelense no litoral de Gaza viola a lei internacional, é claro; é crime abordar barco civil em águas internacionais sob ameaça de armas – assim como é crime o tratamento que Israel dá à população que vive em Gaza. Não há dúvida quanto a isso, motivo pelo qual Israel jamais facilitou qualquer operação internacional de investigação – nem quando a comissão da ONU encarregada da investigação foi chefiada por jurista judeu (nascido na África do Sul), com credenciais impecáveis. Israel, como todos os Estados culpados em toda a história, resiste a ver suas ações oficialmente expostas. Para Israel, ter na gaveta a maioria dos votos no Congresso e a maior parte dos jornais e jornalistas dos EUA significa jamais ter de explicar coisa alguma ou pedir perdão.
O caso do barco “The Spirit of Humanity”, porém, parece ser diferente e mais grave. Não se trata apenas de Israel ter praticado ato de pirataria e de a pirataria ser crime. Trata-se também de Israel ter agredido alguns dos princípios que norteiam toda a tradição dos EUA como protetores da liberdade e defensores da inviolabilidade dos cidadãos norte-americanos nos mares.
Algumas das primeiras vitórias históricas da Marinha dos EUA, há duzentos anos, quando a República Americana estava nascendo, foram vitórias contra piratas no Norte da África. Recentemente, a Marinha dos EUA combateu também os piratas somalis. Além disso, o próprio Obama, para Israel, continua a ser uma espécie de esfinge não decifrada – nem tanto pelo que fez, porque, de fato, nada fez contra Israel (Israel continua a receber todo o dinheiro e todas as armas que sempre recebeu dos EUA), mas, mais, por não ter deixado transparecer, até agora, o que realmente pensa sobre Israel. Não há dúvida de que Israel decidiu testar Obama. O teste foi o ataque ao barco “The Spirit of Humanity”.
Os EUA sabiam oficialmente que o barco estava a caminho de Gaza e que havia cidadãos norte-americanos embarcados. Os EUA também sabiam que os barcos-patrulha de Israel (barcos de guerra) estavam a caminho para interceptar o “Spirit”; e sabiam, afinal, que a interceptação aconteceria em águas internacionais. Os EUA sempre souberam que Israel não poria em ação barcos de guerra para, depois, simplesmente os mandar retroceder; o retorno às bases é ação que Israel só ordenaria (se ordenasse), sob pressão dos EUA. Depois de os barcos armados de Israel terem iniciado a abordagem e o assalto ao “Spirit”, a única questão aberta era se o “Spirit” seria saqueado e talvez afundado, ou invadido para capturar passageiros e tripulação: qualquer outra via de ação dependeria de haver clara intervenção dos EUA.
Se Obama estivesse seriamente decidido a alterar o papel dos EUA na Região e a dinâmica do conflito, ali estaria o momento perfeito para agir. Bastaria ter telefonado a Netanyahu, e o ataque teria sido abortado e não haveria norte-americanos prisioneiros em Israel.
Um único destróier dos EUA ou uma fragata da 6ª Frota, com ordens para garantir o cumprimento da lei internacional e proteger o “The Spirit of Humanity” e cidadãos norte-americanos em águas internacionais, teria bastado, com folga. Confronto aberto com um navio de guerra dos EUA não interessaria às patrulhas israelenses, custar-lhes-ia danos e abriria uma lata de vermes políticos que a ninguém interessa que o público norte-americano conheça. De fato, é pena que não tenha acontecido exatamente assim.
Pena ou não, não aconteceu. Obama manteve-se em silêncio, exatamente como durante o massacre de Gaza (talvez esteja escrevendo novo livro “Perfis em Silêncio”); a 6ª Frota nada fez; o mundo assistiu a mais um ato bem-sucedido de pirataria israelense e violação de leis internacionais. Netanyahu e Lieberman devem estar às gargalhadas. Menos felizes, hoje, devem estar os cidadãos norte-americanos abandonados pelo governo Obama numa prisão israelense. E infelizes também, como há tanto tempo, certamente, os palestinos oprimidos.
Que futuro?
O sofrimento de Gaza tem de ter fim, mas é preciso que o mundo dê-se conta de que nada se pode esperar dos EUA, pelo menos por hora. Obama talvez tenha boas intenções, fala bem, diz belas palavras, mas suas políticas pesam menos a cada dia e mentem aos palestinos. Talvez os crimes de Israel sejam excessivos para serem enfrentados só por Obama. O mais provável é que Obama seja politicamente impotente para o serviço que a Palestina espera dele. Se outro país, que não Israel, tivesse feito aqui e em Gaza o que Israel fez contra o “Spirit of Humanity”, Obama provavelmente teria respondido como a um ato de guerra, ou, pelo menos, teria feito o que a Otan fez à Iugoslávia nos anos 1990s. Mas não Israel, não agora e com certeza não, havendo na Casa Branca mais um presidente pró-Israel.
* Alan Sabrosky, graduado pelo US Army War College e pela University of Michigan, é há dez anos veterano da Marinha dos EUA.
Notas: