É golpe ou não é golpe? Entre
Ahmadinejad e Mousavi no Irã
Informação de dentro do Irã está difícil de conseguir.
Alguns de vocês questionam a existência de uma fraude eleitoral. Juan Cole argumenta de forma mais convincente do que eu que a fraude é nítida: o histórico eleitoral do Irã tem sido, constantemente, o de eleger reformistas quando um número muito grande de eleitores vai às urnas. Ahmadinejad em 2005 é a exceção, não a regra. Naquele ano, houve boicote eleitoral, um índice de abstinência dos eleitores elevado. Em 2009, foi o contrário.
Também historicamente, a província de Tabriz vota em sua minoria étnica. Sempre aconteceu. A exceção é esta última eleição – onde os habitantes de Tabriz teriam votado pesadamente em Ahmadinejad contra seu concidadão, Mir Hossein Mousavi.
Alguns argumentam que o Irã é religioso demais, portanto é natural que votem em Ahmadinejad. É o tipo de argumento que não tem pé nem cabeça. Mousavi foi premiê indicado pelo aiatolá Khomeini, nos anos 80. Suas credenciais religiosas são impecáveis. Aliás, ninguém sai candidato à presidência, no Irã, sem aprovação do aiatolá Khamenei. São todos religiosamente ‘puros’.
Como argumenta Gary Sick, acreditar na eleição escorreita de Ahmadinejad é acreditar que o Ministério do Interior, no Irã, desenvolveu uma tecnologia mágica que permite a contagem manual de dezenas de milhões de cédulas em todo o país em algumas horas. Jamais a contagem de votos, no Irã, durou apenas uma madrugada e parte da manhã.
Mais: durante a madrugada e a manhã de sábado, vários líderes oposicionistas foram presos. Por quê? A polícia já estava nas ruas quando, espontaneamente, a população as tomou. Mensagens de texto em celulares foram bloqueadas na noite de sexta-feira, quase que imediatamente após as urnas serem fechadas. Por quê? Quando o sábado amanheceu, Facebook, YouTube e vários sites estavam inacessíveis. Os jornais da oposição, censurados.
O regime se antecipou, cerceando os meios de comunicação, prendendo líderes oposicionistas, antes e simultaneamente ao anúncio dos resultados. Por quê?
Porque eles sabiam o que estavam fazendo. É assim que se faz um Golpe de Estado. O regime não reagiu à resistência. Se antecipou a ela porque já a previa.
A questão importante não é esta. Muito provavelmente, Mahmoud Ahmadinejad ocupará a presidência do país nos próximos quatro anos. O que não está muito claro, neste momento, é o que originou o golpe dentro do golpe. Que tipo de medo domina a linha dura iraniana? Qual a profundidade do racha interno do clero iraniano?
Independentemente de acreditar ou não que houve golpe, é importante perceber que a briga real não está se dando nas ruas. As ruas – sejam os milhares pró-Mousavi apanhando da polícia ou os milhares pró-Ahmadinejad celebrando a vitória – são a parte visível desta história.
A parte invisível são os reais bastidores do poder. Jamais, na história da Revolução Islâmica, um líder supremo foi desafiado como ocorreu neste fim de semana. Muitos no clero ainda não tomaram partido nesta briga. Compreender isso é compreender a chave do que ocorre no país. As ruas apenas refletem o que é, na verdade, um conflito interno do regime.
Como sairá desta crise o regime dos aiatolás? Se sair mais frágil ou instável, se sair mais paranóico, também sairá mais perigoso.
Ainda sobre o assunto:
- O Irã entre Ahmadinejad e Khatami Pois então Mohammad Khatami vai disputar novamente as eleições para presidente, no Irã. O país está em alvoroço, o clima...
- E começou a dança das cadeiras no Irã:
Khatami, Mousavi, Karroubi, Ahmadinejad Se política às vezes consegue ser bem complicado numa democracia, no Irã é bem pior. A essas alturas, é quase... - Golpe à iraniana Em pelo menos 30 cidades iranianas, mais de 100% dos eleitores foram às urnas. Em Yazd, 141% dos eleitores votaram....
- Liveblogging: Teerã de Mousavi 15h05 – Há várias notícias de que a polícia abriu fogo contra os manifestantes em Teerã. Notícias do tipo difíceis...
- Minissaias no Irã (ou como se deu
o golpe na terra dos aiatolás) Vocês me cobram muito: tudo tem que ser explicado em cada mínimo detalhe. Nenhuma intenção pode ser apenas sugerida. Tudo...



“…Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009 | Versão Impressa
Para Brasil, não houve fraude
Garcia diz que protestos são ’sinal de vida democrática’
O governo brasileiro achou “ótimo” os protestos de rua no Irã, disse que esse é um “sinal de vida democrática” e deixou claro que não questiona a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Ao contrário da preocupação demonstrada pelos EUA e pelos países da União Europeia, o assessor de Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, rejeitou as informações de que membros da oposição iraniana teriam sido presos em Teerã. …”
Esse sargento Garcia Gol Top Top !!!! Onde ele estava que viu tudo isso e pode afirmar com tanta veemncia? Ah, ele é assessor de um dos melhores presidentes que o Braisil já teve alé de ser stalinista desgraçado!!!! 200 manifestantes e ele não viu, dissimulado!!!
“segunda-feira, 15 de junho de 2009, 05:21
Irã expulsa equipe da Televisão Espanhola
Enviados da imprensa internacional recebem advertência para deixar o país
MADRI E TEERÃ - O governo do Irã ordenou a uma equipe de jornalistas da televisão pública espanhola que saia do país, depois da cobertura das manifestações contra a controversa reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, disse nesta segunda-feira, 15, uma de suas jornalistas à France Press.
“Nos pediram para abandonar o país hoje” (segunda-feira), afirmou em declarações telefônicas à Rádio Nacional da Espanha a jornalista da Televisão Espanhola Yolanda Alvarez. …”
Isso o governo Lula morre de vontade de fazer!! E o sargento Garcia viu sim e vai aplaudir de pé !!!
O governo brasileiro (grande Garcia top-top) não questiona o pleito uraniano, mas o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, acabou de ordenar uma investigação sobre as acusações de fraude eleitoral supostamente cometidas nas eleições presidenciais.
Ao contrário do que chegou a ser amplamente noticiado, a passeata do Mousavi não foi cancelada. Khamenei recebeu Mousavi ontem à noite e teria oferecido a seguinte barganha: Mousavi acalmaria os ânimos de seu eleitorado e, em troca, o Conselho de Guardiões examinaria formalmente a queixa de Mousavi. De quebra, Khamenei autorizaria a realização da manifestação.
Como diriam os cuidadosos, há fortes indícios que foi um golpe sim.
Resta saber se foi um knockout.
Ficou muito estranho ver gente discutindo sobre golpe no Irã e dando uma sopa para o presidente reeleito do Irã……
Para mim não hove golpe, houve fraude, ou talvez aquela perversa lavagem cerebral muito parecida com a que nosso povo recebeu em 89 para acabar votando em Collor…..
Muitos aqui já misturaram ser contra Israel com ser a favor de um governo Iraniano religioso……não consigo engulir isso!
Sou contra Israel e sua suja campanha para expulsar os palestinos de suas legitimas terras, sou contra governos religiosos e sou contra essas ditadurasárabes , mesmo que elas não tenham viés religioso.
Houve sim um retrocesso no Irã, e mais, confundisse ser contra Israel apoiando gente pouco democratica e chegada na violencia.
Os reformistas do Irã não são a pequena burguesia nem estudantes patricinhos, são gente buscando democracia e estado laico, e leis justas que ~façam as pessoas sonharem com um futuro tranquilo e decente.
O mesmo que eu sonh para os meus filhos e gostaria que tenham as crianças palestinas ,iranianas, africanas, árabes, latino americanas e pelo mundo afora.
É preciso querer o bem que desejamos para os nossos, para todos os nossos próximos.
Para mim é sempre triste ver um momento de esperança perder-se assim……
Mas em 89 minha tristeza era infinita, hoje Lula está aí…..estamos caminhando no aprimoramento da democracia…..
Quem sabe um dia, há que ter esperança, esses nossos novos dias raiem para todos os povos.
E agora? Supondo que tenha sido um knockout, e que o Ahmadinejad resolva endurecer e prosseguir com o desenvolvimento da tecnologia atômica?
1 - se ele afirmar que é somente para geração de energia? Permite-se?
2 - se aparecerem indícios que vai efetivamente construir armamento nuclear?
3 - saca só o estrago que o King Jong anda fazendo…
4 - E os EUA, naturais aliados de Israel enfraquecidos economicamente e enfurnados em duas guerras que, no meu entender, só darão prejuízo…
5 - Agora com a Europa, sob forte influência do Mr X, se “endireitando”…
Vai dar merda?
Suponha que sim, e que resolvam “apagar” as instalações de enriquecimento de material atômico e as de produções bélicas de mísseis.
Qual será a reação do mundo islâmico?
Faraó…..o Brasil não deve se meter num assunto interno formalmente….seria no minimo deselegante.
Romeu, até concordo com não se meter em assuntos internos, salvo especialíssimos casos.
Mas que o Garcia tem uma tendência de falar m… nas horas mais inconvenientes, isso tem.
E como eu disse no outro post, o conteúdo do discurso do Netanyahu tem tudo a ver com o que ocorreu e está ocorrrendo no Irã.
Ou alguém acha que uma vitória marcante do Mousavi não teria forte influência no tabuleiro de xadrez do Oriente Médio?
O depoimento postado por um empresário brasileiro no blog do Luis Nassif vai na linha do Marco Aurélio Garcia. É preciso descobrir a verdade. De qualquer modo reitero o que já disse. Ao invés de escrevermos tanto aqui é o caso de enviarmos cartas aos representantes consulares do Irã no Brasil pedindo que o país garanta aos que protestam um tratamento justo, fundamentado nos direitos humanos.
Esse é o tipo de mobilização em que eu acredito.
Cartas aos meios competentes e representantes….
Mas muitos aqui torcem os narizinhos.
O Khamenei mandou abrir investigação sobre fraude eleitoral no Irã. Parece que foi obrigado pelo Conselho dos Guardiães.
http://www.youtube.com/watch?eurl=http%3A%2F%2Fwww.huffingtonpost.com%2F2009%2F06%2F13%2Firan-demonstrations-viole_n_215189.html&feature=player_embedded&v=dSECAvBTanQ
interessante os próprios manifestantes prestando assistencia ao policial.
O blog do Luis Nassif é uma piada, depois que eles defenderam o deputado que se lixa para a opnião pública, eu parei de acessar, agora me vem com essa, enquanto eles postam o depoimento de empresario que passou 10 dias lá, prefiro ler o depoimento do Anonimo da Persia, o luis nassif realmente precisa deixar a ideologia de lado e ser um pouco mais razoavel, e até parece que o mahmoud é de esquerda, lógico que não.
[...] – Do Anônimo da Pérsia, nos comentários abaixo: Ao contrário do que chegou a ser amplamente noticiado, a passeata do Mousavi não foi [...]
Logan, o Nassif tem direito de defender quem ele quiser, desde que faça isso com transparência. No caso do deputado ele defendeu que o caso era cortina de fumaça para a corrupção grossa, que setores da mídia e congressistas tentavam encobertar. Volte lá e verifique.
Não conheço um caso em que o Nassif tenha postado informações falsas ou não revelado a procedência da fonte. Assim, não iria se comprometer devido ao Irã.
Difamar o Nassif foi a forma mais rápida de tirar credibilidade dele e de suas denuncias quanto a Veja.
Que afinal são todas verdade!
Fazem uns 20 anos que não assino mais aquele produto de pocilga….
Exato! É isso que eu estava me perguntando: por que o Khamenei alimentaria tanto essa fogueira? Não é ele que tem o poder de fato? Isso não fazia muito sentido para mim, e por isso eu achei suspeitoso que tivesse havido um golpe… De qualquer forma, acho que ainda prefiro esperar alguns dias para ver que se passa…
Quanto à posição do governo brasileiro… droga, me sinto quase como um petista ufanista! mas o fato é que é consistente. Afinal, a diplomacia brasileira sempre adotou o não-intervencionismo, não? Estou eu enganado!
Antônio M,
Você não lê nem o que escreve, meu rapaz? Volte lá e veja “O governo brasileiro achou “ótimo” os protestos de rua no Irã, disse que esse é um “sinal de vida democrática” e deixou claro que não questiona a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad.” Repito: “o governo brasileiro achou ÓTIMO OS PROTESTOS DE RUA.” Agora, o governo brasileiro jamais, nem na época de FHC, nem dos militares, se pronunciou sobre resultados eleitorais alhures.
João Paulo, do ponto de vista diplomático a declaração do Marco Aurélio Garcia cria um problema. Se não quer bater de frente com Almadinejah, para não parecer que está interferindo na soberania alheia, deveria ter ficado quieto. Dizer que não questiona a eleição dele enquanto o próprio Khamenei abre investigação sobre fraude é no mínimo precipitado.
Jorge, não estou aqui querendo difamar o nassif, só acho muito incoerente da parte dele defender o deputado, independete de qualquer que seja o motivo da tal “grande mídia” ou “pig” ou o que quiserem chamar, fato é queele e a maioria dos comentaristas o defenderam, mas como você mesmo disse, ele está no direito dele, e eu no meu, de criticá-lo por essa defesa incoerente. Em momento algum eu afirmei categoricamente que ele postou informação falsa, apenas afirmei que confio mais na informação de quem mora lá há alguns anos do que quem passou apenas dez dias lá e só ouviu um lado da história, não há santos nessa história do Irã, ambos os lados concordam e fazem ou já fizeram parte do regime teocrata, que não é democrático, pois filtra os possíveis candidatos, diminuindo assim a possibilidade de escolha por parte do povo, por mais que o mahmoud tenha seus eleitores, como se pode ver atraves do relato postado pelo nassif, e pelo proprio comicio que ele fez, é fato. Mas é possível ver multidões muito maiores protestando contra, e os ínidicios de fraude são óbvios, como pode uma eleição com milhões de elitores, feita através de cédula, ser contabilizada em menos de 24 horas? dúvido muito que seja fisicamente possível.
Outra coisa, o nassif me impressionou com a briga que ele comprou contra a veja, revista que não leio e nem recomendo, mas me decepciona a forma como ele, e a maioria das pessoas que comentam no blog dele, se deixam levar pela ideologia em detrimento dos fatos, radicalismo eu sou contra, seja de esquerda ou direita, e o blog dele está se tornando cada vez mais radical.
JPR,
Depois do “Queremos utopia, não queremos realizações” para crititcar governo Lula e assim ganhar sua boquinha e do top-top em rede nacional para o acidente aéreo o que se pode esperar de um sujeito desses? O elemento é o elo de ligação enter governo Lula e as FARC, que obviamente acha legítimo que façam seuqestros e tráfico para se sustentarem, vem se dizer feliz com protesto de rua, que ele não participa, vê de long, não leva nem um tapa?!?!? Revolucionário de boteco!!!!! E diz isso só para fazer média, manter o verniz de 1968 e olhe lá.
Não caiam nessa por favor!
Pedro Doria continua a afirmar a existência de golpe de Estado.
Mas não explica a natureza de um golpe que, de forma insólita, permite que as supostas vítimas de tal golpe saiam às ruas, participem de conversações com o suposto golpista e até sejam aceitas as queixas de fraude para que sejam debatidas pelo conselho.
Está mais difícil sustentar as articulações da mídia.
Antônio M,
O Marco Aurélio fez top top para a imprensa (não A imprensa) que utilizou a centena de mortos em Congonhas para nojentamente fazer proselitismo politico, e parece que ele foi vindicado pelo fato de que as causas daquele acidente foram múltiplas, e não culpa do Lula, que chegou a ser chamado de assassino. Tanto é assim que aqueles poucos que ensaiaram repetir essa canalhice com o voo 447 logo cairam no esquecimento, dado o ridiculo de tais assertivas e o aprendizado, mais dolorido para estes do que para o Marco Aurélio, de que estas acusações são um caminho para mais derrotas políticas.
O Marco Aurélio não é elemento de ligação com as FARC. Sei que isso não vai convencer radicais de internet como você, que reproduzem apenas aquilo que conjuga com o previamente decidido na cachola, mas sou amigo pessoal dele e sei que ele JAMAIS teve contato com as FARC, ou interesse, ou ligação, ou partilha de ideais. Eu, aliás, aposto que, sem recorrer nos próximos minutos à internet, você não sabe mais do que um ou dois fatos genéricos sobre as FARC e a história colombiana, quanto mais sobre a história da esquerda brasileira.
E bem se vê que você é daqueles que muda o argumento só para manter a polêmica, dando uma bana para a coerência, lógica ou o que seja. Ele elogiou as manifestações, sendo que você disse que não havia elogio. Veja que nem membros do governo americano fizeram o mesmo. Desconheço a posição de governo europeus, mesmo os de direita. Assim, exigir que ele esteja nas mesmas é de doer. Por que você mesmo não dá o exemplo e puxa uma manifestação, pode ser aqui mesmo no Brasil, contra o Ahmadinejad. Eu apóio. Garanto que o governo Lula não nos reprimiria.
Enfim, sobre o tapa, ao menos há algumas décadas o “sujeito”, que tem atividade conhecida e pública, dá a sua na política, mesmo sendo figura que não é do primeiro escalão. Fugiu duas vezes de onde vivia para não ser preso e ter o destino que ditaduras costumam a dar a quem protesta. Você, que não tem a dignidade de assinar seu nome em plena democracia, não tem moral nenhuma para colocar um ponto de exclamação sequer quando mencionar o nome Marco Aurélio Garcia, pois o cinismo, a incoerência, a hipocrisia e a moral do oportunismo que recheam seus comentários frequentes por aqui o mantém no nível dos borra botas que reproduzem o pensamento alheio sem a mínima crítica ao mesmo tempo em que enchem a boa para falar de liberdade e democracia, algo que você tolheria se algum poder lhe fosse dado.
nada, #23, este é um típico cenário de um golpe em andamento. Há idas e vindas, altos e baixos. Em 1964, os meganhas levaram 13 dias para prender o Prestes. E, no caso do Irã, é um golpe para manter o governo no poder, não para mudá-lo. Se não dão cabo do Mosavi agora, é pq sabem do peso popular dele.
“…enchem a boca…”
Estão tentando limpar a barra de Marco Aurélio, pois pega mal para um participante de governo e ainda com o enfraquecimento das FARC sabe?!?! Sabe agente duplo? é por aí…..
Paulo Roberto Sila (25),
Sei o que significa golpe de Estado e tenho formação específica para conhecer o assunto.
Há dois dias o tema é discutido neste blog e NINGUÉM apresentou elementos que configuram articulações golpistas.
Talvez tenham ocorrido irregularidades eleitorais ou mesmo fraude, mas isso não autoriza argumentar sobre golpe, inclusive porque os indícios são inversos.
Não existe “típico cenário de um golpe em andamento”. Golpes não seguem cartilhas e não possuem sinais típicos. E você inova aqui, ao se referir a algo “em andamento”, porque PD e alguns outros afirmam que o golpe foi dado.
NASCA:
Vou me imiscuir, ok?
Também não sei se é exatamente um golpe, mas conceda que algo de muito estranho ocorreu. Talvez a palavra com a qual designemos isso seja somenos, pois a questão é: o verdito das urnas foi respeitado ou manipulado? É verdade que faltam elementos clássicos, por assim dizer, de um golpe de estado. Todavia, é meio contraditório afirmar também que “golpes não seguem cartilhas e não possuem sinais típicos”. Tal frase, creio, é justamente o que corrobora a minha suspeita de golpe. Afinal, se até “auto-golpe” já assistimos, num país limítrofe que no presente momento também tem lá seus enfrentamentos entre manifestantes e policiais, não sei porque deveríamos querer que no Irã exista um golpe dito “típico”.
Para talvez me contradizer, agora me ocorreu que algo a corroborar a cobrança do NASCA, embora me pareça que ele não a mencionou, é que todos os golpes que me lembro ocorreram contra governos legitimamente eleitos e em pleno funcionamento. Se bem que muita gente grita “golpe” por nossa América Latina, à esquerda e à direita, quando seu candidato não ganha.
Difícil, uma eleição com presença histórica e contagem em tempo recorde, repressão acima do normal da polícia, rápida parabenização por parte do Aiatolá para evitar dúvidas, polls indicando que Ahmadinejad ganharia apenas em caso de pequeno comparecimento, histórico de vitórias de reformistas quando a votação conta com grande participação… Porque será que Ahmadinejad não aguenta esperar que os jornalistas estrangeiros caiam fora?
Tudo isso leva a crer em fraude, e das boas! Ahmadinejad deve ter se inspirado em Saddam e seus 99% de votos nas “eleições” no Iraque… Podia ter roubado por pouco, uns 3-5 porcento, não?
JPR, não foi o Fujimori no Peru que se tornou notório justamente por um autogolpe em 1992?
A impressão minha é que o Ahmenajad tentou uma eleição fajuta com a vista grossa do chefão. Como a resistência parece estar sendo mais incômoda que o esperado ele está se dispondo a algumas concessões. Ainda que eu duvide de um novo processo eleitoral.
O engraçado é que a cambada que gosta e dá apoio às FARC está embaixo do nariz do sr. Marco Aurélio mas ele não gosta, não conhece , não sabia, não viu !!!!!!! Ele pode dizer que não gosta pois tem muita gente que gosta por ele, se é que me entendem……
Antonio M,
Defiitivamente, você só lê o que quer. Tsc,tsc..
nada, minha referência para um cenário de golpe, ou de revolução, é a chamada situação de “vácuo de poder” ou de abalo nas estruturas do poder. Isto acontece quando, como dizia o Lênin, os de baixo não aceitam mais a situação como está e os de cima não podem mais mantê-lo. O que diferencia o golpe da revolução, neste caso, é quem está na ofensiva: a situação ou a oposição.
No Irã temos um forte abalo nas estruturas do poder, com as forças que o comandam na ofensiva para preservá-lo, tentando restringir drasticamente o poder de fogo da oposição. A oposição pode ganhar a parada? Pode, mas a iniciativa de romper com a legalidade e usar da força e da fraude para permanecer no poder foi do governo.
[...] Na terrra de Mahmoud Ahmadinejad Texto e fotos Carlos Cazalis Especial para Pictura Pixel O Irã, e especialmente a capital, Teerã, está irreconhecível, exceto pelo costumeiro tráfico caotico, só que desta vez o tráfico atravessa toda a noite porque a juventude está festejando nas ruas noite após noite. Hoje será a última antes das eleições presidenciais do dia 12 de junho. Os adversários, o reformista Mir Hossein Mousavi e o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad disputam o 51% dos votos de 46 milhões de habitantes. É a noite que que acontece a incrível festa. Um carro atrás do outro percorrem a avenida mais longa do Oriente Médio, a Vali Asr com 14 kilometros. Cada carro é uma discoteca na balada até as quatro da manhã. Os jovens aproveitam para sair nessa balada já que a repressão não permite festas com música, dançar juntos e muito menos beber álcool. Às vezes nem parece uma eleição e sim o final de uma partida de futebol. As motos se enfiam entre os carros com as buzinas a todo volume. Faixas verdes nas (wrists) cabeças e bandeiras na mãos os jovens vão agitando a noite na capital do Irã na avenida ali Asr. Alguns circulam a pé distribuindo panfletos, principalmente do candidato Mousavi. Eles estão alegres ou estão zangados. Há uma energia estranha no ar, algo entre a felicidade e o medo. A polícia está por tudo lado e quando um ou outro jovem se “excede” é detidos e puxado para fora da festa. Alguns conseguem fugir da polícia para voltar quase imediatamente e começar tudo de novo. Sem dúvida existe o medo de se levar porrada. Mas o entusiasmo e vontade de uma verdadeira mudança são maiores. Mas será que a mudança só é desejada pela juventude que quer evitar a reeleição do cara dura do Ahmadinejad? Estamos nas ruas com a câmera na mão, coisa difícil de acontecer no Irã, onde fotógrafos são considerados espiões em potencial só por estar carregando uma câmera. Mas hoje não, esta noite há liberdade, ainda assim na hora de levantar a câmera há desconfiança e alguns jovens se protejem cubrindo a cara. Logo vem a pergunta, em “farsi”: para que jornal? Não meu amigo, respondo em “farsi”, sou só um turista mexicano. As barreiras caem…tira, tira, tira foto!!! De um momento a outro eles me abraçam e me convidam a festa. Ele estão dançando na rua, isto é totalmente prohibido! A polícia está perto mas não me enxerga, será possível? Os jovems me pegam, me levantan, me jogam e me dão voltas. Mousavi! Mousavi! Mousavi! gritam! Os jovens não sabem o que fazer, como desfrutar da festa. A cor verde predomina, bandeiras e “wrists”, as pessoas se olham e não acreditam no que estão vendo. Eu grito…posso tirar a foto? Os jovens respondem…agora eu… Esta noite é diferente, mas não vai durar muito. De repente, uma correria…”a polícia vem aí…parem! A festa acabou. Acabou cedo, às 2h30 da manhã.Meus amigos me dizem para ir embora, não podemos ficar mais, a qualquer momento podemos ter problemas. A polícia acaba com a festa. A ordem é clara, todo mundo para casa. Se isto fosse Europa, a festa iria até de manha cedo e possivelmente teria violência, algum carro queimado, janelas quebradas e porradas entre o simpatizantes. No caminho de casa, meu amigo Farhad me diz, não se esqueça da minha foto na rua. OK, OK. Mas porquea foto é tão importante? Ele responde…porque é a primeira vez nos meus 34 anos de vida que dançei na rua. Fotos © Carlos Cazalis Post Scriptum Mais eleição iraniana no Pedro Doria É golpe ou não é golpe? Entre Ahmadinejad e Mousavi no Irã [...]
João Paulo Rodrigues,
Pois é. Mais dúvidas do que certezas. Por isso, prefiro entender que o Irã não passa por situação e/ou risco de golpe.
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Paulo Roberto Silva,
O que diferencia golpe de revolução não é, nem neste, nem em casos similares, a condição do ofensor.
Golpes são, geralmente, de natureza bonapartista, articulados por grupos ou facções que, em circunstâncias específicas e munidos de apoios convenientes, quebram a ordem institucional. Tal ordem pode, pelos golpistas, ser continuada por suas mãos ou, mais comumente, outra ordem (de exceção) ser imposta. Tanto o primeiro como o segundo caso constituem rompimento institucional.
Revoluções são de outra natureza. Também quebram a ordem institucional, mas pela força real de maiorias consolidadas ou, até mesmo, de minorias relativas, desde que destacadas devido à organização comparativamente mais eficientes.
Dois exemplos podem ser extraidos dos parágrafos acima :
1- A movimentação militar ocorrida a partir de março de 1964 foi um GOLPE de ESTADO, ainda que alguns saudosistas prefiram chamá-la de “revolução”.
2- O movimento que levou Khomeini à condição de Chefe-Supremo foi revolucionário, porque quebrou a monarquia absolutista, instaurou uma república, teve massivas participação e apoio populares.