A história do Massacre de Tiananmen,
a Praça da Paz Celestial

China · História · 4/06/2009 - 13h10 - 15 Comentários

Hu Yaobang, sexto secretário geral do Partido Comunista da China, encarou como sua a missão de promover reformas políticas e econômicas no país. Em 87, no entanto, a linha dura do partido o pôs para fora. Dois anos após derrubado, Yaobang morreu: 15 de abril de 1989.

A morte mexeu com os estudantes. Yaobang representara esperanças sufocadas. Naquele dia, após receberem a notícia, um grupo de mil estudantes deixou o campus da Universidade de Beijing em direção à Praça da Paz Celestial (Tiananmen) para chorar o morto perante o monumento dos Heróis do Povo. Pessoas de toda cidade começaram a vir para a praça.

E não foram embora. Nos dias seguintes, permaneceram lá. No dia 21, já eram mais de 100.000 – e, no dia 5 de maio, 100.000 marcharam pelas ruas de Beijing pedindo liberdades. Um grupo de estudantes que tinha entre seus líderes Wuer Kaixi decidiu fazer uma greve de fome.

No governo, o secretário geral do partido em pessoa, Zhao Ziyang, sucessor de Hu Yaobang, tentava manobrar para que houvesse tolerância com os protestos. No dia 18 de maio, ele foi convocado à residência do líder máximo, Deng Xiaoping. Sofreu um descompostura. No dia 19, Ziyang foi pessoalmente tentar dissipar os protestos. “Não se sacrifiquem à toa”, ele disse. “Os rapazes em greve de fome estão fracos. Vocês nos criticam, e vocês tem razão. O processo é lento, nos dêem uma chance, mas não continuem a greve de fome. As respostas não virão rápidas.” Ele encerrou o comovente discurso com sua frase mais lembrada. “Nós já somos velhos, nós não somos mais importantes.”

Os protestos não foram dispersados. No dia 20 de maio, o governo implantou Lei Marcial, Zhao Ziyang perdeu o cargo e foi colocado em prisão domiciliar. A linha dura assumiu o comando. Batalhões de todo o país foram trazidos a Beijing.

Na noite do dia 3 de junho, tanques e soldados com baionetas começaram a avançar sobre a praça. Abriram fogo, os tanques avançaram. Quando o dia amanheceu no 4 de junho, a Praça Tiananmen estava vazia.

A Cruz Vermelha chinesa chegou a anunciar 2.600 mortos ao longo da madrugada, depois negou que tivesse tal número. O governo diz que morreram 241.

Hoje, a revista eletrônica Guernica publica uma entrevista com Wuer Kaixi, o jovem estudante que liderou a greve de fome:

Logo após Tiananmen, veio a idependência do Timor Leste, Mandela deixou a prisão, o Muro de Berlim caiu. O mundo parecia estar ficando melhor. Depois do Onze de Setembro, veio a guerra no Oriente Médio e a idéia de que o mundo está melhor ficou difícil de defender.

Mas depois de 1989, a China ficou melhor. Depois de Tiananmen, o Partido Comunista decidiu fazer um acordo com o povo chinês. Ofereceu liberdade econômica em troca de cooperação chinesa. É um acordo ruim, porque tanto liberdade política quanto econômica não pertencem ao governo para que ele possa oferecê-la. Mas, de qualquer forma, o povo aceitou o acordo e o Partido Comunista deixou o dia-a-dia das pessoas.

Não há mais um Estado ideológico e é por isso que o povo chinês concordou com apenas liberdade econômica.

O dia que definiu o destino da China faz, hoje, 20 anos.

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