Twitter não é conversa, diz Harvard
Há dois estudos novos sobre o Twitter, ambos interessantes e de boas fontes. Um é da Nielsen – o Ibope dos EUA; o outro, da Universidade de Harvard.
Segundo a Nielsen, o Twitter vem operando com um grau de retenção de 40%. Quer dizer: 60% dos novos inscritos não voltam ao sistema depois de um mês. Não é bom. Para quem considera o Twitter uma rede social, tipo Orkut ou Facebook, a comparação é a seguinte: o Facebook em um grau de retenção de 70%.
O estudo mais revelador é o de Harvard em duas informações distintas. A primeira, na relação entre os sexos. Tanto homens quanto mulheres, no Twiter, costumam seguir mais homens do que mulheres. Não é a norma em redes sociais – nos Facebooks da vida, mulheres são mais seguidas do que homens.
A segunda informação dá mais idéia da natureza do bicho: os 10% dos usuários que mais contribuem com microposts são responsáveis por 90% do conteúdo do Twitter. Numa rede social típica, os 10% mais prolíficos respondem por 30% do conteúdo; na Wikipedia, que é bastante atípica, os 15% dos usuários mais prolíficos produzem 90% do conteúdo.
O Twitter, segundo o estudo, não é chat nem conversa: é um ambiente no qual uns poucos publicam e muitos lêem.
Atualização – Se o Twitter não é conversa, é fonte de informação dada por uns poucos, duas listas podem ser de interesse. Uma é a de quem jornalistas que trabalham no New York Times lêem no Twitter. A outra é a de quem os funcionários do Twitter lêem.
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Interessantes os dados.
Eu fiquei três meses no twitter e cancelei minha conta - achei pouco interessante.
O que prova mais uma vez que tem muito pouca gente com algo para dizer
De minha experiencia, a maioria absoluta dos mais seguidos sao simplesmente mainstreams que publicam exatamente o que o povo quer ouvir [links de paginas bonitinhas, fofocas, noticias do mundinho VIP, geekoisas na internet, fora delas, egotrips e noticias do mundo geek].
O segredo (e a enorme dificuldade) do twitter eh encontrar gente que realmente tenha algo de interessante a dizer. Quando houver um sistema que auxilie em encontrar tais tipos, o twitter melhorara muito. (por hora, eh na tentativa e erro. Achar alguem que parece interessante e seguir - descobrir que afinal de contas ele nao eh assim tao interessante e parar de seguir… e assim por diante)
Pedro,
A Wikipédia, neste caso, não é atípica e o texto do blog de Harvard não diz isto. Apenas menciona que a analogia com o Twitter é “unlikely”.
O que me surpreendeu nestes resultados foi o dado das redes sociais: “Numa rede social típica, os 10% mais prolíficos respondem por 30% do conteúdo”. É muito pouco e não achei referências (nem aqui, nem no blog que você citou) para suportar a afirmação.
Os números do Twitter e da Wikipédia não são surpreendentes porque este é um fenômeno comum na web, explicado através das Power Laws, e que você deve ter lido no livro Linked.
O que pode explicar o fenômeno nas redes sociais é a formação de comunidades. Em geral, não nos relacionamos com estranhos em redes sociais, o que faz com que o conteúdo produzido se torne especializado (de interesse apenas para os amigos e familiares do indivíduo) e de pouco interesse para uma audiência genérica e anônima.
No Twitter e na Wikipédia, ao contrário, a grande quantidade de conteúdo produzido pela minoria, é direcionado a uma audiência bem maior e anônima, da mesma forma que a maioria dos blogs e sites (que também seguem os números do Twitter e Wikipédia, aliás).
é uma tendência: quanto mais meios temos para nos expressar, menos coisas interessantes temos a dizer.
interessante jasao…acho que é por ai…
Não acho, Jasão. O que acontece na web, já acontecia em outros meios. Poucos autores publicam a maioria dos livros/artigos, poucas pessoas ministram a maioria das palestras, poucos atores participam da maioria dos filmes e em papéis mais importantes, etc.
Não tem a ver com interesse, e sim com a maneira como nos organizamos em sociedade. O ser humano possui por hábito valorizar aquilo que nossos pares valorizam, até para terem o sentimento de “pertencerem” ao grupo.
É o que explica o sucesso, por exemplo, de Britney Spears. Quanto mais pessoas falam dela, tantas outras procuram também saber para poder discutir o assunto. Da mesma forma, quanto mais pessoas seguem um Twitter, tantas outras irão seguí-la para, no mínimo, ficarem em sintonia com seus colegas.
Não quer dizer que quem escreve/fala/publica mais, é mais interessante. Interessante pra quem, alias? Sua afirmação é muito subjetiva.
Estou a quase dois anos no Twitter, e quanto mais a rede cresce menos pessoas interresantes aparecem. Infelizmente a sindrome de orkutização já está acontecendo lá e tornando o ambiente menos agradável.
Mas continuo o dia todo por lá e creio que me encaixo nesses 10% que produzem a maior parte do conteúdo.
Quem quiser me seguir é só procurar por @tplayer
O segredo (e a enorme dificuldade) do twitter eh encontrar gente que realmente tenha algo de interessante a dizer.
Eu diria, Gabriel, que isso não acontece só no twitter, mas na “vida real” tanto quanto.
Os dados da Nielsen sobre o Twitter representam somente meia verdade.
Empiricamente, posso afirmar que, sim, a retenção à rede do Twitter é menor. O Twitter é meio complicado de se entender em um primeiro momento, e os novatos tendem a se desapontar.
Mas o número não deve ser esse de 40%, não, por uma razão bem simples: a Nielsen mede acessos a sites, e a maioria absoluta dos tweeters não acessa o twitter.com. Praticamente todo mundo usa o Twitter em algum software cliente - TwitterFox, Tweetie, TweetDeck etc.
Esses troços fazem algumas coisas, na minha opinião:
- refletem a vida real
- criam uma nova vida real na virtual
- dão palco pra todas as vozes
- estimulam grandes umbigos que quase todos temos
E aí se parecem com a vida real. Nessa a gente enjoa do que não interessa, perde a graça.
A nova vida virtuoreal possibilitou palco pra todos, que podem subir num dos disponíveis e se declararem interessantes, grandes pensadores, os mais bem informados, ou o que quer que seja.
O palco é fácil, o conteúdo não. Antes o palco era difícil e só o conteúdo bom tinha essa oportunidade. Quer dizer, ou o bom ou o lixo que a massa gosta e engorda os Faustões das mídias tradicionais.
Sim, a massa gosta do lixo cultural e uma parcela gosta do que se eternizará pela qualidade e acabará sendo reconhecido pela massa que gosta do lixo imediato e midiático.
Parece elitismo mas não é. É a vida real que acaba refletindo na nova virtuoreal. Um tanto óbvio.
[...] E tem mais singularidade, que explico usando aspas do Pedro Dória: [...]
Who cares?
Ricardo: a informação está lá no blog de Harvard… On a typical online social network, the top 10% of users account for 30% of all production
Sei não hein… Qualquer gatinha que exponha seu rostinho lindo no perfil, chega rapidamente a faixa dos milhares de followers! Faça o teste, crie um perfil com foto de beldade! Experimenta!
Um abraço!
Eu vi isto lá Pedro. O que eu quero são os detalhes de como chegaram a esta afirmação. Como coletaram os dados, que tipo de análise fizeram, etc.
Isto não está disponível muito menos há referências. Muito estranho num blog de Harvard um texto com tantas afirmações de impacto sem nenhuma referência científica. Inclusive nos comentários de lá reclamaram da mesma coisa e alguns outros questionaram a metodologia do trabalho.
Nota Preta, uma coisa é producão de conteúdo, outra bem diferente é o número de followers (ou amigos).
Costuma haver correlação entre produção de conteúdo e quantidade de seguidores (e.g., no caso do Twitter, quem escreve mais costuma estar associado a um número maior de seguidores) mas nem sempre acontece. Há outros fatores (reputação, influência, vínculos de amizade, assuntos abordados nos textos, etc.) que entram na matemática.
Todas as rede sociais tem o fim bem precoce. alguem lembra dquando o second life era o futuro da camunicação? My space já anda bem sumido, perdeu o “hype”… todos tem a explosão de inscrição quando a midia divulga, em pouco tempo aos usiário percebem sua (in) utilidade e não voltam.
O interessante, no meio de tudo isso parece que o orkut segue firme e forte no Brasil .
Existe alguma pesquisa sobre o porquê da fidelidade dos brasileiros no orkut?
Tá bom, 10% publicam 90% do conteúdo, mas quantidade nunca significou qualidade. Já deixei de seguir muita gente que posta qualquer porcaria a cada dez minutos.
faço parte dos 10% que publicam!
Sigam-me os bons \o/
@brabul
Eu ainda não me rendi ao twitter… Aliás, por ora não tenho intenção.
Muito de vez em quando dou uma fuçadinha em alguns, mas são pouquíssimos.
Tenho tanta coisa pra fazer durante o dia, que no meu tempo livre me limito a acessar uma lista de blogs que classifiquei como de qualidade.
Mas é bacana e importante esse tipo de pesquisa, principalmente pra quem trabalha exclusivamente com informações em rede.
Agora vou aproveitar e dar pitacos…
PD, você não coloca um “moço às sextas” por questões de’princípios’ ou pelo fato de seu público ser majoritariamente masculino?
[...] pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Universidade de Harvard mostra que 10% dos usuários são responsáveis por 90% das mensagens. Ou seja, cenário parecido a [...]
Ricadro número 6:
Toda afirmação é subjetiva, embora eu creia que, hoje em dia, deveríamos abolir o uso da palavra subjetivo, porque somos muito mais coletividade do que gostaríamos de admitir.
Outra coisa… releia minha afirmação e depois releia a sua réplica: acho que falamos a mesma coisa… e não tou usando retoricazinha de boteco não… analisa bem…
+ Tenho o Twitter e sou usuário assíduo há quase 3 anos. Primeiro usei para ir mapeando os passeios para que os supervisores pudessem ter em tempo real as informações necessáriias, se alguém estava machucado, etc. Com o tempo, minha lista cresceu e eu mudei de “perfil” e passei a ser observador do dia-a-dia alheio. Hoje produzo algum conteúdo, mais relacionado com meu próprio blog e coisas afins.
A principal discussão do primeiro e segundo escalão da rede social é se ele vai “orkutizar” ou não já que entre ele e o Orkut existem diferenças absurdas.
Mesmo assim a maldita-inclusão-digital já invade o twitter com “memes” e outras viadices que só mesmo que não tem porra nenhuma pra dizer inventa.
Com a invasão também de grandes empresas e a criação de cargos específicos de alimentação para redes sociais, gerenciados normalmente por jornalistas, uma nova onda vem aí. Começou como SPAM, mas a principal vantagem é que voc~e só recebe este SPAm se quiser. Aliás, alguém só te enche o saco se você quiser muito.
+ Ah, sim… claro… meu twitter é @jamesbondx
Vanessa, nem por princípios nem pelo público ser majoritariamente masculino… (30% dos leitores são mulheres)… é só porque a moça das segundas é uma brincadeira, não muito mais do que isso. E eu não me vejo com lá muita competência pra procurar rapazes bonitos web afora… =)
[...] Twitter não é conversa, diz Harvard | Pedro Doria Segundo a Nielsen, o Twitter vem operando com um grau de retenção de 40%. Quer dizer: 60% dos novos inscritos não voltam ao sistema depois de um mês. Não é bom. Para quem considera o Twitter uma rede social, tipo Orkut ou Facebook, (tags: pedrodoria.com.br 2009 mes5 dia2 twitter mercado estatísticas) [...]
[...] Twitter não é conversa, diz Harvard | Pedro Doria [...]
Sem muita estatística não tenho conseguido achar muita coisa interessante mesmo para seguir. E creio que isso ocorra pela própria natureza do Twitter. A coisa vai muito para o pessoal e acaba sendo interessante mesmo só para a sua turma. Fica algo fragmentado demais, o que torna a coisa mais desmotivante mesmo.
Já as Redes Sociais - aconteçam onde for - também seguem realmente a mesma tendência. É por isso que as que mais resultados apresentam serem gerenciadas por profissionais. E por isso muitas delas nascem e morrem com a mesma rapidez. Na verdade essa enxurrada de informações e de meios confundem e tornam as pessoas mais apáticas. Existe muito mais oferta do que necessidade de informação.
[...] Via Pedro Doria. [...]
Ah, Pedro, não seja por isso, posso lhe servir como assessora nesse serviço nada chato.
Aqui dá pra ver um Censo que fizeram no Twitter no Brasil: http://www.twittercentral.com.br/censobr/
Pra mim twitter é conversa, monólogo, opinião, fonte de informação de todo o tipo e sei lá mais o que… existem muitas possibilidades! O legal do twitter é vc não precisar ficar regando amizade com recadinhos esporádicos como acontece no orkut. Vc lê o que as pessoas twittam e se interessar ou se tiver algum comentário a fazer vc responde na hora. A quantidade de seguidores de um twitter só diz respeito a sua popularidade… daí o conteúdo ser relevante ou não são outros quinhentos. Se bem que a relevância dos assuntos são muito subjetivos, já que pelo menos uma pessoa vai se importar com o que foi escrito, ela mesma.
comversa
quero conversa