O mistério de Nefertiti

O busto de Nefertiti é talvez a mais bela peça que sobreviveu aos tempos desde o Antigo Egito. Ou talvez não seja – é o que diz o historiador Henri Stierlin.
A teoria de Stierlin é de que o busto foi feito pela equipe do arqueólogo Ludwig Borchardt para testar técnicas e pigmentos utilizados à época. Um equívoco teria transformado a peça de estudo em ‘antiguidade’. Um dia, o duque Johann Georg visitava as escavações, mirou o busto e se encantou. Ciente de que precisava de dinheiro e sem querer expor a uma vergonha o visitante ilustre, o arqueólogo calou-se.
A polêmica está aberta. Como é quase toda mineral, Nefertiti não pode ser datada por carbono 14.
Ainda sobre o assunto:
- Júlio César como ele foi Um grupo de arqueólogos franceses descobriu em outubro, no fundo do rio Ródano, um busto de Júlio César feito...



Se for comprovada a fraude, ela parece tão escandalosa quanto à história do homem de Piltdown.
Que Osiris nos proteja, lá vamos nós para mais um Código da Vinci. Henri Stierlin deve ser colega de escola de um compatriota seu, o Erich von Daniken. Os dois sabem de coisas que nem Amon-Rá desconfia. E como vendem livros! Acho que a única forma de esclarecer esta contenda é perguntar ao Paulo Coelho.
adoro uma conspiração…
Pode ser falso, mas que é bonito, isso é…
Ela teve glaucoma!
1. O padrão de beleza da escultura é ocidental.
2. Um artefato de 3.500 anos não estaria tão conservadinho assim, ainda mais com traços tão finos.
3. Egípcios não eram escultores muito realistas.
Pode catalogar junto com o santo sudário, o homem de Piltdown e o ET de Varginha.
O clima do deserto é ótimo para a conservação. Absolutamente todas as estelas que eu trouxe do Egito se desfizeram meses depois da minha primeira viagem ao Egito, por causa da humidade de minha cidade (João Pessoa).
Se vc visitar o Museu do Cairo, verá inúmeras peças esculpidas hiper realistas. Tem uma de um escriba com pedras nos olhos absolutamente fantástica, vc tem a impressão de que o modelo da escultura está ali, olhando para você.
O busto de Nefertiti foi feito pelo Artesão Real, Tutmosis, que era chefe da Oficina Real do Faraó Akhenaton, da Décima Oitava Dinastia. Esse período da arte egípcia é conhecido como Armaniano e é muito apreciado por quem conhece um pouco de Egito.
Eu vi o busto pessoalmente em Berlim. É magnífico e totalmente condizente com a arte egípcia da época.
Só me faltava essa.
http://br.olhares.com/o_escriba_no_trabalho_foto1906904.html
Tenho um livro em casa, vou ver se dá mostrar outros exemplos.
Mari, gostaria de um esclarecimento, se possível. Nefertiti foi esposa de Akhenaton (nome original Amen-hotep IV).
Esse faraó foi o responsável pela instituição do deus único Aton, provocando uma série de mudança na cultura egípcia, como abolição dos antigos cultos, instituição de uma nova capital e, pelo que sei, adoção de um novo padrão estético, na linha da estátua da Nefertiti.
Essa última informação condiz com a verdade, adotando a arte egípcia uma preocupação com traços mais próximos da realidade, afastando-se da estrutura clássica egipcia?
Caramba… agora que eu não acredito mesmo nessa sociedade!
=-)
ei mari , tudo bom ?
quase todas as peças expostas no museu do cairo sao copias…os originais estao guardados a 7 chaves (ou em museus “ocidentais”, com sistemas de
conservaçao sofisticadissimos) bem protegidas de elementos corrosivos ( tipo suor dos visitantes deslumbrados) numa ajuda amigavel do ministério da cultura, frances…))
btw, uns cientistas estavam estudando um modo de proteger tbm as piramides…pq com a proximidade da poluiçao infernal do cairo, estao desaparecendo…substitui-las por copias seria impossivel ( imagine a deslocaçao dos imoveis )…cobri-las com vidro ou outro material transparente ?
os caras estao la…rezando por um eureka….
Confetti,
Não são todas as peças que são cópias não. Pelo contrário. Tem mta coisa original e o pior é que estão muito mal acomodadas, tecnicamente falando, no dito museu. Há um movimento, inclusive, para que se consiga de volta muitas das peças que estão no Louvre (cuja acervo egípcio é mto mal organizado), no British Museum (esse sim, uma delícia e cheio de peças maravilhosas) e no Metropolitan, aonde várias salas são reconstituídas, dando a impressão de que vc está no Egito Antigo. Em Berlim são dois museus, também maravilhosos, hiper organizados. O de Nefertiti tem peças lindas, inclusive da Décima Oitava Dinastia. Lá , se podem ver as outras peças de Tutmosis, cuja oficina foi encontrada justamente na dita expedição, em Amarna. As cópias são muito mais das grandes peças, do que das menores. O Museu de Luxor tem peças belíssimas, que pouca gente visita. Estive na região de Amarna (departamento El Mynia) e não sobrou absolutamente nada original.
Em frente a Pirâmide, tem um Burger King, é inacreditável. A poluição e a sujeira do Cairo quase que conseguem tirar a magia do lugar, quando da minha primeira visita. Depois, me acostumei e consegui abstrair. As pirâmides estão lá há séculos e acredito que não seja fácil removê-las, como fizeram com os Templos de Ramsés em Abu Simbel e o Templo de Ísis, na Ilha de Philae, quando da construção da represa, na época de Nasser.
Julio, a arte Armaniana tem tudo a ver com as questões que Akhenaton trouxe com sua reforma religiosa e sua filosofia de vida. Nefertiti o ajudou muito nessa empreitada, que tinha como opositor o Clero de Amon, que havia se tornado a classe mais poderosa do país, desde a expulsão dos Hicsos por Amosis (o que inaugurou a Décima Oitava Dinastia), utilizando a religião de uma forma um pouco equivocada, ao afastar a sabedoria do povo, exigindo sempre muitas coisas em troca do “diálogo” com o Divino. Akhenaton devolveu as ferramentas para as pessoas, colocando que cada um podia desenvolver o seu “diálogo”, sem precisar de intermediador.
Embora os historiadores sempre digam que Nefertiti o traiu (foi ela quem adotou TutankAmon, que antes se chamava TutankAton), blá blá blá, ela foi peça central na condução da política externa do governo de Akhenaton, que era um pacifista e se recusava a entrar em guerra e meter medo nos seus vizinhos para preservar as fronteiras. Se há alguém que impediu que a contra-revolução viesse antes (quando o Clero Amoniano toma novamente o poder definitivamente, com o General Horemhab, apagando todos os vestígios da passagem de Akhenaton e perseguindo todos os atonianos), foi Nefertiti.
A arte armaniana tinha exatamente este princípio de trazer as figuras reais como elementos humanos mais próximos e realistas. Veja que foi neste reinado, unicamente, que a família real é retratada em situações costumeiras, trazendo o faraó e a rainha como pessoas, não como deuses, junto as suas filhas.
As estátuas de Akhenaton mostram um homem com um corpo quase feminino, com quadril largo e barriga proeminente. Existem quatro estátuas dele no Museu do Cairo, na sala reservada a décima oitava, que mostram Akhenaton em 4 situações diferentes, onde seu olhar, belamente representado pelo artesão que fez as peças, refletem facetas diferentes do grande dirigente que ele foi. São 4 olhares: do místico, do ser amoroso (compaixão), do hierarca severo e do justo (aquele que compreende e sabe julgar).
Akhenaton tinha a saúde frágil e muito dessa “feminilidade” passava um pouco dessa sua condição. Já li barbaridades sobre ele e sobre Hatsepshut também, a grande Rainha, que é considerada a primeira feminista da História. Akhenaton era tetraneto dela.
Abs, Mari.
Pedro Doria,
Dica total off topic mas interessante para os tipos daqui que adoram achar que os EUA são o paraíso…
http://news.yahoo.com/s/time/20090526/us_time/08599190085900
mari, eu nao disse que todas as peças eram copias, mas inumeras o sao…independentemente de nossa vontade !
conheço os 3 museus que vc citou, sao fantasticos mesmo, mas nao é verdade que a coleçao do louvre seja mal organizada…vc ta com implicancia ! :))
fora os blockbooster, no sub solo tem raridades maravilhosas, na secçao “arts de l’islam”…
aqui um linkzinho maneiro pra ver obras que nao estao mais sendo fotografadas …
Mari,
Belos comentários. Adorei a aula, viu?
Mari,
Concordo mais com Iggy em (6) do que com você em (7). Os lábios da Nefertiti parecem mais com os lábios de John Voigt em Midnight Cowboy ou da Angeline Jolie em Lara Croft.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/05/2009
Essa é teoria de conspiraçao mais pp do Dan Brown do q de cientistas. Seria relativamente fácil testar o material através de espectrografia de ressonãncia, ou de outros tipos de análise atômica que qualquer universidade medianamente equipada pode fazer. Além disso, qq especialista q entenda um pouco da mentalidade do Egito antigo entende (isso nem está mais em debate, ao q eu saiba) a razão do extremo realismo da estatuária, qdo comparada à frontalidade da pintura mura, por exemplo. A lembrança sobre o “escriba sentado” foi bem sacada. Mesmo o Museu Nacional da UFRJ tem uma estatuetas que são espantosas, na riqueza de detalhes.
Não entendo mto de egiptologia (para dizer a verdade, não entendo nada), mas tendo a concordar com a Mari com relação à avaliação q ela faz dos museus do Louvre e do Metropolitan (não conheço o Britânico). Dizer q as coleções são mal-organizadas não significa dizer que as pessoas q cuidam delas não entendam do assunto. Vários outros fatores influenciam nisso. São museus cujas exposições de longa duração são organizadas seguindo lógica do museu público do século XIX, sendo q o Louvre ainda é mto influenciado pela idéia de museu de generalidades, destinado a formar o cidadão. As ambientações do Metropolitan são consideradas discutíveis por qse todos os especialistas, e existe um debate qse irresolvível sobre o que fazer com elas - o mais intenso é sobre as ambientações medievais. O problema é q o público quer ver objetos - mesmo q não faça lá mta idéia do q eles significam… É o tal do “lazer cultural, turismo cultural, etc. Afinal, os gdes museus dependem dessas coisas, hj em dia. Além do mais, as exposições-espetáculo concebidas hoje em dia conseguem, em alguns casos, ser piores do q as antigas.
A Mari é quase uma egpitóloga…mas feminismo entre os antigos…é forçação…
Mari,
Obrigado pela explicação.
oi seu bitt ! tbm nao entendo de egiptologia, sou so amadora ocasional…))
nao entendi direito o que vcs querem dizer com coleçoes “mal organizadas”…no caso do louvre, conheço bem esse setor e ele responde perfeitamente ao lado “educativo” e revelador de cultura dos faraos; as peças sao bem repertoriadas, com datas e procedencia bem claras, as informaçoes sao regularmente atualizadas…
o role de um museu nao é “formar o cidadao”, cultivar sua capacidade de apreciar uma obra de arte ?
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1187072/Why-having-daughters-makes-fathers-likely-agree-Left-wing-views.html
essa é para o pd
Pedro Dória,
A leitura deste post sobre o busto de Nefertiti levou-me a descobrir uma polêmica já agora um tanto velha.
Segui o link “Júlio Cesar como ele foi” e acessei “Veja, Che Guevara e Jon Lee Anderson, seu biógrafo”. Li a carta de Jon Lee Anderson criticando o Diogo Schelp editor de internacional da Veja e me interessei pela resposta do Diogo Schelp que saiu em “Reinaldo Azevedo defende Veja das acusações do biógrafo de Che”. Fiquei impressionado com a má qualidade da resposta. Que editoria pé-rapada é esta da Veja.
Ainda bem que o Jon Lee Anderson tenha percebido e exposto nas duas frases transcritas a seguir o nível da editoria internacional da Veja:
“Não cometa o erro de me acusar de defender Che porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do seu jornalismo”.
Transcrevi o argumento do Jon Lee Anderson porque me parece frequente se fazer esse tipo de confusão que o reporter da Veja cometeu em qualquer polêmica que se instale. É bem verdade que eu penso que a ideologia de qualquer um está por detrás de qualquer opinião, e, portanto, a crítica de Jon Lee Anderson é melhor compreendida quando se sabe qual é a ideologia dele. No caso entretanto, penso que o objetivo da crítica de Jon Lee Anderson e, portanto, da defesa do Diogo Schelp deveria ser a qualidade do jornalismo da Veja e não a ideologia de Jon Lee Anderson, ainda mais quando essa ideologia já é conhecida.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/05/2009
ei clever !! vc tem como justificar sua ausencia de algumas semanas por aqui ? :))
Tem toda razão, confetti,
mas existe uma diferença entre “formar o cidadão do século XIX” e “formar o cidadão hoje em dia”. A organização dos museus ainda está em mto voltada para a primeira fórmula, talvez com alguma excessão para certos museus de ciências, como, por exemplo, o Exploratorium de São Francisco, considerado atualmente paradigma de museu moderno. É só observar as exposições de museus como o História Natural de Nova Iorque, onde os objetos são colocado claramente como curiosidades a provocar espanto e encantamento. Claro q tem excessões, mas curiosamente são qse sempre nos museus de ciência e são poucas.
Um museu como o Louvre é, de fato, um museu de troféus das glórias francesas, e é isso q se ensina lá, tanto qto é o q se ensina no Smithsonian. Não discuto se é isso q a populaça precisa, mas pessoalmente prefiro o modelo de museu que tem sido aperfeiçoado no Canadá, ao longo dos últimos 30 anos. O movimento pela devolução de peças, por sinal, começou no Canadá, e já alcançou mtos museus de etnografia e antropologia, inclusive aqui no Brasil, mas vai falar em devolver troféus de guerra… Vc certamente sabe como foi composto o acervo tradicional do Louvre e como ele se encheu de pinturas renascentistas e antiguidades egipcias…
As exposições-espetáculo entram nessa história como um complicador, visto q o compromisso dos curadores acaba sendo com a bilheteria. De fato, a partir dos anos 1980, a manutenção de um museu das proporções do Louvre tornou-se um problema, e “trazer público” passa a ser um fim em si mesmo. Aqui no Brasil temos alguns problemas semelhantes, com exposições cujas curadorias estão mais interessadas em competir com a TV do q fazer a exposição funcionar como plataforma de disseminação ampliada de conhecimento.
Enfim, é um debate longo e chato. Mas imagino se a divulgação dessa bobagem da Nefertiti não teria por objetivo criar um factóide que leve o público ao museu para ver a estátua.
É como essa bobagem de “Uma noite no Museu (1 e 2), q apela a um imaginário da instituição como repositório de curiosidades (o dinossauro e o polvo), “grandes figuras” (Theodore Rooselvelt e Custer, já imaginou?..) e da superioridade moral dos EUA diante do “outro”(egipcio, francês e italiano…). Imagino q alguns dos técnicos de lá estejam tendo urticária…
Clever, esse debate do Jophn Lee Anderson com a Veja passou por este weblog. O PD contestou a tradução do e-mail feita pela Veja, e foi acusado de petralha comuna pelo Reinaldão.
Pedro Dória,
No meu comentário (22) onde eu disse objetivo, leia-se objeto.
Paulo Roberto Silva (25),
Não leio a Veja, leio esporadicamente o Reinaldo Azevedo e sou neófito aqui no blog do Pedro Dória e não sabia da polêmica. Era para no meu comentário em (22) elogiar o Pedro Dória, mas não achei necessário, pois o elogio estava implícito no meu comentário. E achei a crítica do Jon Lee Anderson ao Diogo Schalp muito pertinente e atual e válida para outras situações que se repetem a toda hora.
Confetti,
Fui ver se dava para comprar umas vacas holandesas vermelha e branca em Papagaios que fica perto de Maravilha localizada depois de Cachoeira da Prata.
Além disso enviei comentários aqui no blog, para “No dia em que a colunista do
New York Times plagiou o blogueiro” de
18/05/2009 às 15:03, embora já quando a discussão havia cessado e ontem enviei dois comentário para “Desetendem-se, Rússia e Venezuela” de 21/05/2009 às 7:27. Nesse último também depois que o post já havia fechado as cortinas.
Enfim, estive aqui, ali e alhures.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/05/2009
Questionar busto de Nefertiti não é exatamente uma novidade, já foi feito antes. Qual seria o valor desta nova contestação? Depende de quem a faz.
Quem é Henri Stierlin? A resposta mais correta seria jornalista e fotógrafo. Nem poderia ser diferente, pois o cara “escreveu” sobre tudo: arte egípcia, arte grega, arte medieval, arte mesopotâmica, arte islâmica, arte americana pré-colombiana, arte do extremo oriente. Fica claro que ele não é um historiador da arte, pois é impossível um historiador ser especialista em tantos assuntos diferentes. Em alguns livros, ele é apresentado como fotógrafo, havendo um co-autor historiador renomado; em outros ele é o autor único.
Mas o que torna a posição de Stierlin como historiador de arte improvável é o fato de que, no indefectível Google, não achamos nada sobre seu currículo acadêmico. Procurem Gombrich, Janson, Hauser, Argan, para ficar só nos badalados, e uma tonelada de informações, em várias línguas, dão conta da carreira dos sujeitos. Sobre o Henri Stierlin, somente sítios de editoras e livrarias, listando os livros com seu nome, e agora a tal história da Nefertiti.
Entre os livros em que o Stierlin é autor único, há um em que ele desvenda o mistério das linhas de Nazca, no Peru. Ora, o sujeito é dado a desvendar mistérios. Se ele está certo ou não quanto ao busto de Nefertiti, eu não sei. Sei que ele não é uma autoridade sobre o assunto, o que pode ser comprovado, ainda, por um sistema muito ao gosto dos estadunidenses, como o PD pode confirmar: as vezes em um autor é citado em publicações especializadas. Não percam seu tempo procurando por ele em tais referências.
Não há qualquer incongruência entre o busto de Nefetiti e a arte egípcia do período. Inclusive suas feições são em tudo semelhantes a outras representações da rainha, encontradas em relevos de Akhetaton (ou Amarna, como é hoje conhecida). Não é uma escultura realista (basta ver o pescoço anormalmente longo e a perfeita coincidência da linha do nariz e das laterais da face com a coroa), nem tampouco é um tipo “ocidental”, como se vê nos lábios cheios e no perfil dos olhos. Os artistas egípcios tinham habilidade suficiente para ser tão realistas quanto quisessem, mas mesmo num período de maior liberdade estilística, como foi o de Akhenaton, o velho cânone deixa entrever sua força.
O busto de Nefertiti tem tudo para ser autêntico. Será que não é? Como não sou nem especialista em arte egípcia nem cientista de datação, calo meu bico e me limito a admirar a peça como obra de arte. O Henri Stierlin deveria fazer o mesmo, mas preferiu escrever um livro sobre o assunto. Talvez ele esteja certo: ele vai ganhar uma grana, eu vou ficar roendo as unhas, sem dinheiro nem para comprar os belos livros da Taschen para os quais ele fotografou.
Nenhum egiptólogo sério jamais levou esse busto a sério.
Não existe nenhuma peça (com autenticidade comprovada!) do alto, médio e baixo império que se assemelhe a esse grau de requinte. Além disso o período armaniano é um dos mais obscuros da história egípcia. O faraó Akhenaton foi considerado maldito e o lugar onde construiu sua cidade real destruído pela dinastia seguinte.
A escultura não tem características do padrão egípcio. Os egípcios a.C. não se interessavam muito por características tridimensionais.
A fraude seria mais convincente se fosse atribuída a Leonardo Da Vinci, como toda fraude que se preze. Mas claro é sempre mais romântico acreditar no guia turístico.
Confa, ma chérie, por mal organizada eu quero dizer que várias peças, de vários momentos da história egípcia, estão agrupadas num mesmo lugar. Não há um cuidado específico com épocas ou personagens importantes. Os agrupamentos me pareceram, em muitos setores, quase aleatórios. Eu, que não entendo nada de museu, no sentido técnico, fiz Berlim, Londres e Paris, após passar 20 dias no Egito, e tive essa impressão. A minha passagem nas capitais foi dedicada aos museus e somente aos setores egípcios. Então, comparando com o British e o de Berlim, foi essa a constatação que eu fiz. Posso estar completamente enganada e me corrija por favor, se for o caso.
Rosa, forçação de barra total!! Mas é isso que os guias egípcios repetem sem parar sobre Hatsepshut. Eu achei muito engraçado quando ouvi pela primeira vez. Mas depois, comecei a entender que a comparação pode parecer tresloucada, mas é fato que a rainha teve que se virar para poder permanecer no cargo, sendo uma mulher. Ela sempre foi retratada como Faraó (figura masculina), para não causar nenhum tipo de estranhamento e ainda criou um mito próprio (que está contado nas paredes de Deir el Bahari) para sugerir que ela havia nascido de Amon. Um deus local que havia sido alçado a deus nacional, justamente pelo clero amoniano, que foi muito bem sucedido na preparação do jovem Amosis, que expulsou os Hicsos do país.
Sandro, infelizmente, sua visão é completamente diferente da minha neste assunto. Eu digo infelizmente porque Akhenaton foi um grande Mestre. E tenho o maior orgulho de acreditar nisso. Mas eu respeito sua opinião, já que somos todos dependentes de uma memória muito seletiva que é a da nossa civilização. Faz parte do jogo.
João Daltro,
Adorei seu comentário.
Sim, ia esquecendo de me referir ao Bitt. Eu concordo com sua reflexão sobre os museus. Por outro lado, já é tão difícil atrair a atenção da galera pra essas coisas que eu entendo o que a confetti tá dizendo.
Se eu não conhecesse um pouco do Egito,jamais teria essa impressão que tive e o Louvre teria cumprido seu papel.
Mas achei seu comentário super interessante.
João Daltro (27),
Não vou ficar mudando de opinião cada vez que alguém aparece com um argumento mais consistente como o seu, até porque você diz no seu comentário:
“nem tampouco é um tipo “ocidental”, como se vê nos lábios cheios e no perfil dos olhos”
o que parece que é um reforço ao meu comentário em (16) quando afirmo mais concordar com Iggy em (6) do que com Mari em (7).
No final você diz que não ser autoridade, ou seja, você diz “não sou nem especialista em arte egípcia nem cientista de datação” mas fez boas observações que para o leigo aqui é o qe conta. Talvez, quem sabe, você tenha passado batido em um aspecto importante que prescinde de ser autoridade para opinar. Não seria o olhar do fotógrafo mais preciso do que o do histoiador para fazer a “descoberta” do Henri Stierlin?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/06/2009
clever, kkk, te adoro !
jd é mesmo bom caramba ! ele pinta na tela, eu curto, concordando ou nao !
mari, nada a corrigir, muito pelo contrario, obrigada pelo prazer da leitura e coisas aprendidas !
bitt, esse lance de “louvre, um museu de troféus das glórias francesas” ou ” de como foi composto seu acervo tradicional e como ele se encheu de pinturas renascentistas e antiguidades egipcias”, ja é uma outra historia…e um longo debate ! e podemos colocar o british museum também no mesmo saco ! aqueles marmores do parthenon sao mesmo lindos, que o diga lord elgin …))
onde vc fala em “populaça” eu digo “grande publico”….
devoluçao de obras ? claro…ja esta acontecendo, pouco a pouco e com muita diplomacia…o importante é que elas continuem sendo bem conservadas e exibidas ao maior # possivel de pessoas !
Pois é Confa, imperialismo e outras dominações a parte, se as peças e obras devolvidas ficarem armazenadas da mesma maneira que no Museu do Cairo, é muito melhor que permaneçam onde estão. Parece que vão reforma-lo. Ótimo. O Museu recentemente construído em Sakara, perto da pirâmide escalonada, é ótimo e tem peças da época de Imhotep, um super arquiteto, entre outras cositas más. Ali, podemos ver os primeiros passos da arte egípcia, inclusive pré-dinástica e das primeiras dinastias. O Museu de Luxor tb é bem arrumadinho. Mas o Museu do Cairo…
O lance todo é que o tal Zani Hawass, aquele que vemos nos especiais da Discovery, é bem articulado e tem feito um movimento importante no sentido de recuperar as obras.
Apesar de achar o cara voltado demais para o lado “espetáculo”, não há como negar que ele está ajudando na melhoria das condições de armazenamento e visitação dos monumentos e sítios.
A população não faz muita relação com a cultura antiga, é como se fosse algo estranho a eles. Muitos vivem do turismo. E só.
O tempo passa e tudo muda.
Observa-se em todos artefatos Egípcios que retratam pessoas uma rara beleza nos traços físicos.
Parabéns por ter deixado este post em aberto para geração de tantos comentários bem elaborados.
e eu procurando algo util…