O adeus a Zé Rodrix
Há alguns anos, gostaria de ter a causa-mortis preferida de meu pai: assassinado aos 98 anos de idade com um tiro dado por um marido ciumento que o tivesse pego em pleno ato… mas hoje nao mais. Pode ser de fulminante ataque cardiaco, dentro da minha biblioteca, perto o suficiente da familia e dos amigos mas afastado o bastante para que, alertados pelos cachorros da casa, ja me encontrem morto, com um sorriso nos labios.
Pode sepultar-me em pleno mar, sob a forma de cinzas, ja que nao poderei ser sepultado in totum no jardim da minha casa. Se conseguirem isso, no entanto, que nao cobrem entradas para visitação, à moda do irmão da princesa: deixem que alem das pessoas os passarinhos e os animais da casa se refestelem no lugar, renovando diariamente o eterno ciclo da Natureza.
Mais do texto do próprio Zé Rodrix imaginando sua morte está no blog do Luis Nassif.
Ainda sobre o assunto:
- O adeus a Dorival Caymmi De João Máximo, nO Globo: Era [de Dorival Caymmi] a explicação mais precisa, ainda que modesta, para a origem de...



Acho que ele estava sim com um sorriso nos lábios… Como sempre esteve.
Grande Zé.
Os bons estão indo embora
well….o Zé Rodrix era legal mesmo. Junto com o Sá e Guarabira lançou 2 excelentes discos no início dos anos 70. Tenho os 2 aqui, numa edição “2 em 1″ remasterizada. Simplesmente antológicos e distantes da baboseira sacolejante na qual decaiu a mpb.
PD, tomei a liberdade de citar seu post e copiar o video de Rodrix em meu blog, com os devidos créditos, claro.
Zé Bush,
Tenho também esse 2 em 1 (Passado, Presente e Futuro, e Terra) em CD e uma compilação em vinil. Entre o que de melhor aconteceu naqueles tempos - e olhe que aconteceu muita coisa boa.
Zé era o lado roqueiro e urbano do trio, além das letras bem humoradas. Com a sua saída, a coisa perdeu bastante.
Andou também pelo Som Imaginário. Era um grande músico.
Que os espiritos superiores o acolham bem:
Não desrespeitem minha boa nova!
Que voce receba Ze uma Justa e Perfeita homenagem la no Oriente Eterno ,pelo que voce foi aqui neste mundo profano.!!!!!!
Vai com Deus Zé querido, estou muito triste, triste mesmo…Fica essa linda canção…
http://www.youtube.com/watch?v=F2tgi43WF7s&feature=related
Sinto a morte do Zé Rodrix, principalmente a parceria com o /sá e Guarabyra, como aquelas jóias do Blue Riviera.
Sem falar de outras tão boas quanto.
[...] Rodrix morreu hoje, aos 61 anos de idade, em São Paulo. Pedro Dória fez belíssimo post, com um trecho de texto do próprio músico, imaginando sua morte. O mesmo texto, na íntegra, [...]
Zé Rodrix fez muita coisa. Era um workaholic e produziu coisas memoráveis, principalmente no Som Imaginário e no trio como o Sá e o Guarabira. Cara legal que deixará saudades
Um grande cara. E a sua morte, por ele mesmo, é pra se guardar!
Foi cedo demais…
Companheiros sá e guarabira
Eu, josef mario, devo dizer que espero que esta morte prematura do companheiro rodrix sirva de exemplo e motivação para que os companheiros o acompanhem o quanto antes até os quintos dos infernos, para que juntos possam reviver aquele admirável trio de triste lembrança. Pelas palavras elogiosas que vejo brotar neste prestigioso blog, fica comprovado, mais uma vez, que a morte é capaz de reabilitar qualquer merda, razão pela qual, eu, josef mario, aos 95 anos, posso morrer tranquilo e descansado.
Muito obrigado
Josef,
Que vc seja mal educado, todos ja sabiam…mas tamanha grossura, desreito, sem motivo nenhum… desculpe, é demias!
Putz!
Messiânico Camarada Josef Mário, essa foi de lascar.
kkkkkkkkkkk rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
:-))))))))))))))
Josef, muito bom ter você de volta ;- )
…Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal..
http://www.youtube.com/watch?v=LspQ1OWRSD4
fulano mario… Não é a toa que tem 95 anos e ainda não alcançou a Luz deste HOMEM em questão…. Seu parecer é desprezível como deve ser sua pobre alma…lamentável seu absoluto desconhecimento a esta altura da vida sobre criaturas como José Rodrigues…tenha certeza que de onde ele estiver estará gargalhando de suas palavras porque na sua existência só existia espaço para aplauso…
Mário,
Fica nítido perceber nos humanos essa sensação pequena.
Você já nasceu morto!
Sensibilidade são para poucos aqui na terra.
Zé Rodrigues fez história.Pessoas como ele tem que ser reverenciado sempre.
Tenho em vinil “Passado Presente e Futuro”, alias assisti esse show na época. Infelizmente , meu medo, nesse país sem memória, é que seja mais uma grande cabeça que caia no esquecimento.
Mas houve rock no Brasil a não ser na década de 70?
Zé Rodrix
“Raciocinando à la Décio Pignatari, somos todos diluidores. Uns mais, outros menos. Mesmo assim, se houve rock criativo no Brasil, foi sem dúvida durane os anos 70, que começaram, se não me falha a memória, ali por 67 ou 68. Bela época, lembram? Lembram quando a Jovem Guarda começou a mostrar claramente o quanto sempre tinha sido jogo dos contentes? Lembram quando fazer touca para alisar os cabelos deixou de ser requisito indispensável para ser roqueiro brasileiro: Lembram, quando o Augusto Boal resolveu inventar um cantor de iê-iê-iê de esquerda e nos brindou com Antonio Marcos? Lembram quando o Zuza Homem de Melo não era mais que o técnico de som da TV Record?
Somos feitos de lembranças. Se isso é verdade, o que eu sou passa pelo ódio de ter feito a coisa nova com um ano de atraso. E de só descobrir isso em pleno palco da Record, no meio do Festval de 68, quando a dita revolução tropicalista já colhia mais uma gardênia no jardim de sua existência. Pois se em 67 todo mundo era contra os baianos, em 68 todo mundo era a favor, com exceção de Geraldo Vandré. E esse festival de 68 foi tão concorrido de eletricismos que até a Beth Carvalho, assim como quem não quer nada, incluiu um Theremin no arranjo de uma música lá dela. É bem verdade que na hora o bicho não funcionou, o maestro Jorge Antunes voltou para Brasília puto da vida, o meu conjunto (Momento Quatro) se acabou com um sussurro, e o Herbert Viana que morava dentro de mim mudou-se para Porto Alegre, junto com uns amigos meios loucos, pra ser hippie.
Era dureza. Nesse tempo fazer rock no Brasil dava mais despesa que lucro, quer dizer, não era como é hoje. Menino, o que a gente sofria… Na sexta-feira santa de 1970 estreou no Teatro Opinião do Rio um show com o Milton Nascimento e uma banda de profissionais transformados em roqueiros chamada Som Imaginário. Foi do peru. Só que nós comemos merda durante um ano e meio ou dois. E ainda tinha gente que vinha dizer era castigo pelo desrespeito de ter começado a trabalhar no dia em que se comemora a crucificação de Cristo.
…
E agora duas perguntas: uma de 64.000 dólares e uma de 25.000. Primeira você sabia que a dupla de roqueiros Michael Sullivan e Paulo Massadas na realidade tem três pessoas? Sabia que a terceira nasceu na Romênia? Envie o nome do terceiro membro da dupla para esta editora e ganhe um LP SARGENT PEPPERS dos Beatles, marco definitivo do rock, e que aliás custou apenas 25.000 dólares, valor da segunda pergunta.
E se algum dia me chamarem de roqueiro, puxo da minha Mauser e faço Goebbels sem dó nem piedade.
31 de março de 1987
P.S. Aguardem o LP “Dezoito anos sem sucesso” se não entender alguma coisa, pergunte ao papai”.
- Trechos do texto que Zé Rodrix escreveu para o livro “ABZ do Rock Brasileiro”, de Marcelo Dolabela.
[...] http://pedrodoria.com.br/2009/05/22/ze-rodrix-por-ele-mesmo/ [...]