No mundo do DNA e biohackers
Conversando com um especialista em doenças infecciosas, ontem, para compreender um pouco mais a Gripe Suína, fui apresentado a um conceito que não conhecia: biohacking, ou biopunk.
Ficou tão barato mexer com DNA que virou hobby para alguns. Com material que encontram publicado na web, sintetizam códigos genéticos inteiros. Cacos de DNA dá para comprar pelo correio, aqui nos EUA. Na Amazon, já tem brinquedo de criança que faz análises simples de DNA. (É o Meu Pequeno Laboratório versão século 21.)
Que não se confunda com bioterrorismo: produzir DNA e analisar DNA é estudar moléculas. Ninguém está alterando seres vivos na garagem de casa. (Ao menos, ainda não.)
No ano passado, eu e Marina nos submetemos aos testes da 23andMe, uma empresa nascente aqui do Vale do Silício, financiada pelo Google, que mistura análise genética e rede social. Uma espécie de Orkut e Facebook onde cada um pode dividir (ou não) partes de seu código genético.
Há algo de fascinante em conhecer o próprio DNA. Pelo lado materno, pertenço ao haplogrupo K1a1b1 – razoavelmente comum em Portugal. Nós, os Ks, somos descendentes de uma das 9 mulheres que povoaram toda a Europa. ‘Katrine’, a mãe dos Ks, viveu no norte da Itália há 12.000 anos. Pelo lado paterno, meu haplogrupo é o E3b1b*. Aparece com alguma frequência na Ibéria – 5,6% da população, 10% dentre os galegos. No Rio de Janeiro somos 5,4% da população. Mas que ninguém se engane quanto às origens: 80% dos marroquinos. É o grupo genético berbere, a população que vivia no norte da África antes da invasão árabe. Continuam lá. É só que hoje são chamados de árabes. É o marcador magrebino. Sou, geneticamente, uma mistura de mouro com italiano. O grau de similaridade de meu DNA com certas populações asiáticas, maior do que a média dentre caucasianos, sugere a mestiçagem ameríndia.
Não é só a história das gentes que existiram antes de você vir à Terra que o DNA revela. Lá tem coisa que eu já sabia. Que nicotina, por exemplo, para mim é uma desgraça. No primeiro cigarro já dá fissura. Vicia. Cafeína vai num caminho parecido. Metabolização quase nula. Duas Coca-Colas e a pressão sobe, a mão treme. Por outro lado: resistência a álcool – derrubar é difícil. Mas tem coisa que eu não sabia e é bom saber. Não tenho os marcadores conhecidos de câncer, por exemplo. Nem os femininos – que eu não desenvolveria mas poderia transmitir a uma filha. O coração é o ponto fraco, via pressão alta. O histórico familiar o confirma.
Aqui nos EUA, estes testes estão ficando cada vez mais baratos. Mas enquanto biohackers começam a vasculhar suas possibilidades e gente curiosa como eu vai atrás, há resistência. Os principais argumentos são dois. O primeiro é medo. Tem gente que simplesmente não quer saber quais os pontos fracos de seus corpos. Teme que vire neurose. O segundo é pragmático: e se essa informação vaza? E se, porque alguma lei mudou ou algo assim, empresas de seguro de saúde tomam conhecimento destes dados?
O risco é o seguinte: aos 34 anos, não tenho qualquer problema cardíaco. Talvez nunca venha a tê-lo. Mas meu código genético indica o risco maior. Dada esta informação, como definir o que é uma ‘doença pré-existente’? Basta a informação do DNA?
Enquanto estamos aqui, envolvidos na adaptação social, cultural e econômica com o mundo digital, há outro com ainda maiores novidades se aproximando. E, neste, os dilemas práticos, éticos e financeiros serão ainda maiores.
Ainda sobre o assunto:
- A pandemia de gripe que ameaça
o mundo a partir do México O México pára hoje. (É, eu sei – esse para não tem mais acento. Me dêem um tempo para o...



Fico super curiosa para saber minhas origens. Deve ter de um tudo em meu DNA. Não consigo me definir como um tipo racial. Acho também legal saber que coisas podem vir a ser minhas inimigas para tentar evitá-las, conhecendo melhor meu corpo e suas mazelas. Sabe onde se pode investigar no Brasil, no Rio para ser mais exata?
Tia Claudia, não sei… mas pretendo escrever uma reportagem sobre isso assim que chegar ao Brasil. Saberei e te digo.
muito bacana, isso.
Fico imaginando quais devem ser os critérios éticos para a gestão desta informação sobre o código genético individual. Há os riscos, alguns deles citados acima, e as oportunidades. Por exemplo, a partir do código genético seria possível ajustar uma terapia a partir de informações que hoje só são possíveis de se obter pela experiência, como as alergias.
Se minha mãe soubesse quando eu era criança da minha alergia a acidoacetilsalicílico, eu não teria tomado tanto melhoral infantil, por exemplo.
Bah, fascinante mesmo.
É uma espécie de regressãol, só que científica.
Sou descendente de vênetos, tanto pelo lado paterno, quanto materno, mas sabe-se lá a origem mais remota de meus antepassados, pois a região já foi uma espécie de encruzilhada do mundo ocidental.
Se os nazistas fizessem esse exame talvez abandonasse a ideologia ou, diriam que genética é manipulação feita pela mídia golpista judaica contra suas idéias.
Os riscos que vc levanta me lembraram o “Gattaca” que é uma boa referência no cinema.
Mas achei muito legal poder saber nossas origens genéticas, espero que tais serviços apareçam por aqui.
Bem Antonio, o código genético poder ser usado para discriminar mais ainda alguém.
Diogo, vc tem razão… mas esse é o eterno dilema da ciência, não é? Sempre pode ser usada para o mal…
Ótimo post, Pedro. Essas questões estão muito perto de se tornar obrigatórias pra qualquer pessoa. Inevitavelmente as tecnologias de análise e manipulação do material genético serão usadas por governos e empresas, cedo ou tarde.
Igualmente a Tia Cláudia, também não consigo me definir como um tipo racial.
E nem sei se quero.
A minha reação em uma história que contei acolá, por coincidência ontem, vai neste rumo.
Lembrei deste especial da BBC Brasil, que vai no caminho do post.
Luiz, a pele do meu pai é escura, meus irmãos são louros. As chances de eu ter filhos louros com olhos claros, embora eu seja moreno com olhos castanhos, é de quase 50%. Minha filha, no entanto, é morena e tem a pele mais escura do que a minha… e a mãe dela é loura.
O que somos geneticamente nunca é lá muito refletido em nossa aparência. Num país como o Brasil, então… o que o meu genótipo reflete é isso: em parte, vim do norte da Itália. Em parte, vim do norte da África, de quando aquela turma invadiu a Ibéria. Quando aqueles norte-italianos se encontraram com os norte-africanos na Península Ibérica, decidiram vir pras Américas e encontraram umas moças torneadas, morenas e nuas… E é uma história mais ou menos assim que foi terminar em mim e em boa parte dos brasileiros. Possivelmente também você.
Se identificar com uma raça? Nem dá… e é por essa confusão genética que vão nascendo morenas e louras em todas as famílias. Mas eu te confesso que enxergar a história da humanidade no seu próprio código genético, pra mim, é um grande barato.
Que venham as morenas e as louras!
(e as ruivas, e as orientais, e as negras…)
Pode ser, PD.
E eu pessoalmente gosto dessa arqueologia genética.
E é incrível como algumas pessoas reagem.
Dá uma espiada na reação do frade negro da matéria que eu linkei no #12.
Hum… por parte de pai, recebi a cor dos olhos. Por parte de mãe, também. Acho que sou muito parecida com minha avó, mas minha outra avó também tem as mesmas características marcantes…
Porra, que chatice essa minha família!!!
Como todos os que já morreram, morreram bem velhos, acho que vou durar… ô dureza!
Não preciso de teste.
Como disse o Pedro, sou quase crioulo. Parte de pai e de mãe.
Essa do coração vem dos Accioli, ou Acciaiolis, em Florença. Ou pelo menos dos alagoanos de meu bisavô, Francisco de Barros e Accioli de Vasconcellos. Tenho os óbitos desde o pai dele, médico dedicado, José de Barros Accioli Pimentel. Todos viveram mais ou menos o mesmo: desde o avô, Inácio Accioli de Vasconcellos. Todos sofreram de problemas circulatórios. Até meu pai e seus irmãos homens. Por isso já perdi, na dieta, dez quilos…
Outro traço familiar: bipolaridade, o cão negro de Churchill.
Os Acciaiolis originais, de Florença, eram louros de olhos azuis. Muitos dos Dorias genoveses também. Mas o lado português devia ser tudo moreno.
Pai do Pedro (ou melhor, Seu Francisco), tem um Accioly famoso na história do Ceará.
Antônio Pinto Nogueira Accioly, governador deposto por uma revolta popular.
+ Eu, na contramão dos comentários, acho isso uma bobagem. Está a dois passos da regressão e da heráldica.
Essa solidão que alguns tem, essa necessidade de pertencer a algo “ah, meus parentes eram albinos do teibet, que vieram e colonizaram uma pequena ilha na polinéisa e deram frutos que foram parar aqui”… todo mundo que ser parte de qualque linhagem, qualquer tradição…os americanos tem um termo que define bem isso: self-importance. Não é muito diferente de uma crença religiosa, se formos reduzir isso ao impacto social.
O que você vai fazer com essa informação agora? Nada.
Vai continuar sendo quem é, com seus vícios e hábitos.
Pode se enganar dizendo que não. Mas vai.
No mínimo, quando ninguém estiver olhando.
–X–
E nada disso é realmente novo, é apenas agora cientificamente possível. Quem viu o filme Gattaca, no qual Gore Vidal faz uma participação, sabe que a discriminação genética já é discutida há décadas.
Pessoas que não poderão concorrer a determinados trabalhos porque a predisposição genética não permite. Pessoas que escolherão seus parceiros não só por segurança financeira, mas segurança de DNA… etc e etc.
Mas o melhor do filme está mesmo no seu cartaz: “Não existe gene para o espírito humano”.
cmd. Jåµë§ ßønd: te digo o que estou fazendo com a informação. Reduzi o consumo de cafeína porque sei que, para mim, ela é risco. Puxa minha pressão para cima. Sei com o que preciso me preocupar para viver mais.
bond, james bond !! ))
Comandante - Eu estava justamente lembrando do Gattaca ao ler este post.
Como diria o Yoda: Bom filme muito.
+ Que bom, Pedro Doria, que você só precisou de uma análise do seu DNA pra descobrir que cafeína demais faz mal.
Eu acho que só a Lorelai do “Gilmore Girls” consegue beber café o dia todo e ainda continuar bem. Ou vai ver é por isso que elas tem aquela diarréia verbal.
Se AGORA é cientificamente possível, é novo. Ir à Lua era uma novidade para os primórdios da ficção científica com Kepler, mas só se tornou novidade de verdade na segunda metade do século XX.
Esse medo de novas tecnologias e de novas ciências é até justificável, mas as perguntas e as possibilidades que elas abrem nunca deveriam ser capadas por uma potencial resposta prática que venha a ser horrível. Podem vir coisas boas, também.
cmd. Jåµë§ ßønd, não é a mesma coisa… tem coisas que fazem mais mal a umas pessoas e menos a outras. No meu caso tem uma relação direta com algo que pode me matar.
Luiz # 19:
O verbete da Wikipedia foi escrito, em parte, por mim. Mas o Babaquara, apelido de Nogueira Accioly, é parente muito longe — embora uma sua trineta, Cristina, tenha se casado com um primo meu, aliás poeta notável, Armando de Freitas. Poeta notável e primo muito querido.
Bebo litros de café, cada dia. Margô também, adorava um cafezinho. Às vezes a gente acordava de madrugada, ia tomar um cafezinho, e se deitava e dormia direto. Cafeína nunca me cortou o sono…
Acho que pesquisas de cunho genético para identificar origens mais dividem que qualquer outra coisa.. nessa de ficar dizendo que a eu sou descendente da Família K, ou da E.. ou sei lá o que mais… nada acrescenta… e só se corre o risco de cair numa idéia de segregação racial.
a curiosidade cientifica sempre é valida… não critico a pesquisa genética, só o uso que o PD faz dela.. identificando asquenazis e etc…
Bom, como virei magrebino, bérbere…
Chico Motta, como o Luiz mostrou, esse tipo de pesquisa genética está sendo usada para compreender de onde vieram os negros brasileiros. Alguma coisa estava documentada, tudo, não. Identificação de origens completa uma parte da história que não conhecemos.
Para os negros trazidos como escravos, revela algo sobre seu passado que eles não tiveram o direito de conhecer. A busca por nossas origens, seja pessoal, seja ampla, pelo quem somos, de onde viemos, é a maior busca que nos motiva – humanos? Alguns doentes vão tirar teorias racistas? Vão. Não é culpa da genética. Racistas são racistas e só usam as desculpas de seu tempo para argumentá-lo.
Você pode se ofender com a tentativa de descobrir a origem dos asquenazis, mas ela é muito relevante. Ela mostra o que dois lados de uma disputa não querem enxergar: que asquenazis e palestinos são mais próximos entre si do que jamais gostariam de admitir. São o mesmo povo, embora com culturas distintas. E, claro, vêm da mesma terra. É uma revelação da ciência que os políticos de um lado e do outro não querem ver.
Genética pode nos mostrar um pedaço de nossa história. Vc talvez não goste deste uso, mas é neste caminho que a ciência sempre vai… origens.
+ Discordo e concordo, Danilo.
Discordo no que se refere à novidade. Até mesmo Julio Verne descreveu como seria uma viagem à Lua. Elucubrações na ficção científica, nos noticiários, em discussões filosóficas ajudam a sociedade a se preparar. A tecnologia é nova, as idéias, não.
Clonagem é assunto de, pelo menos, 20 anos no imaginário popular. A sua chegada não abalou de verdade ninguém. Todos já sabiam de suas possíveis ramificações e não impedimos sua chegada por causa disso.
Duna tratava das implicações de uma sociedade onde a água era rara. Algo que, nunca se sabe, pode vir a acontecer. Mad Max fala de uma sociedade sem combustível… os exemplos são sem fim.
Entretanto concordo que o obscurantismo, seja qual for sua forma, não pode impedir a busca de novas descobertas e soluções…a discussão, pra mim, não é a ciência… é a banalização de descobertas. um estudo caro e minucioso pra descobri…. “quem veio de onde”?!
Ah, me economizem…faz favor.
Tô numa discussão sobre se o rei David era hitita, etnicamente. Ou seja, indoeuropeu. Pois David viveu num contexto hitita: até a terra do Templo pertencia a um hitita.
E’ uma questão interessante…
+ O conceito de “raça” surgiu assim, com gente querendo usar atributos de outras etnias para dizer que eram inferiores e, assim, se sentir menos culpa ao dizimar o grupo semelhante… “eu sangro, penso e sinto exatamente como ele, como convencer meu eleitorado a detonar a mesma espécie? Ah, já sei!”
Sempre me lembro de como os ingleses e franceses na África fizeram com os Tutsis {uma tribo de homens vestidos de Dustin Hoffman com maquiagem} e os Hutus… botaram na cabeça que um grupo era por A + B superior ao outro e *BANG*BANG*… sabemos no que deu.
Só a falta de $$ me impede de fazer um teste!
Tenho curiosidade e medo de uma análise genéticas destas em mim. Curiosidade para saber o que prevaleceu da mistura de italianos da Calábria, franceses, espanhóis e africanos que resultou neste que vos escreve. Medo de descobrir coisas que podem me levar a reduzir a quantidade de café. Eu bebo umas dez xícaras por dia, quando estou calmo.
well…infelizmente todos esse arsenal tecnológico pode ( e vai) ser usado com fins escusos, desde “seleções” até “pesquisas” de afinidade, tudo com objetivos, digamos, econômicos, para dizer o menos…
O perigo dessa merda é começarem a definir estereótipos e “padrões” de conduta a partir de uma classificação qualquer, feita por quem se achar no direito de classificar os outros.
Daí para se estabelecerem “permissões” e “proibições ” é um pulo. O grande desafio disso tudo é não permitir que isso venha a tornar-se uma regra social com consequencias políticas, disfarçada como “norma de segurança” ou forma de “conduta saudável”.
Quem tem o direito de definir o que é saudável, seguro e correto para mim, baseado na minha “classificação” genética?
Na sua Piauí de março de 2009 João Moreira Salles relatou o seguinte na matéria “Islândia: a grande ilusão”:
“Para muita gente, a primeira salva de útrás foi dada em dezembro de 1998, quando o Parlamento cedeu à pressão do governo de Oddsson e aprovou uma lei espantosa. Não se tratava da privatização de um serviço público, mas do patrimônio genético islandês.
Sendo tão isolada, a população da Islândia descende dos mesmos vikings que desembarcaram ali no século IX. Todo islandês é capaz de montar sua árvore genealógica até aqueles primeiros homens e mulheres. Essa herança comum é um dos grandes tesouros da medicina moderna. Doenças podem ser rastreadas ao longo de gerações, e suas causas genéticas, se existirem, identificadas. Todo câncer de mama na Islândia tem origem numa única mutação genética ocorrida no século XVI, no DNA de um monge chamado Einar.
Em 1996, um neurologista e professor de medicina de Harvard fundou uma empresa habilitada a usar esse imenso banco de dados genéticos para identificar patologias e desenvolver tratamentos. Fez apenas uma exigência ao governo: que a propriedade intelectual das descobertas fosse sua. Dois anos depois o governo aprovou o projeto, e cedeu então à DECODE, a empresa fundada por Kári Stefánsson, o direito não só de explorar os prontuários médicos do serviço nacional de saúde - meticulosamente preservados desde 1915 -, mas sobretudo de se apropriar, para fins científicos e comerciais, das informações genéticas da população. Foi a primeira vez na história que se concedeu esse direito a uma empresa.
A comunidade científica se opôs violentamente. Já a população islandesa, ou 95% dela, cumprindo um dever que julgava cívico, respondeu à convocação da DECODE e doou voluntariamente o seu sangue. A empresa possui hoje um banco de dados com a história familiar de praticamente todas as 800 mil almas que já viveram na Islândia. Nos últimos anos, 70% das descobertas que relacionam uma mutação genética a determinada patologia - de esquizofrenia a câncer de pulmão, de dependência da nicotina a diabetes - foram feitas nos laboratórios da empresa, em Reykjavík.
Kári Stefánsson trabalha numa sala imensa. Da sua mesa, através das janelas amplas, vê as montanhas geladas que cercam a baía de Reykjavík. Com mais de 1,90m, vestido de preto, em contraste absoluto com o branco alvíssimo de sua barba e do cabelo viking, tem perto de 60 anos e a vitalidade de um touro. Parece ter atravessado a vida com a certeza de que foi sempre o animal mais belo e inteligente da sala. Dizem que é o homem mais brilhante da Islândia, opinião que não se preocupa em refutar. É simultaneamente agressivo (”Você é de fato tão mau jornalista quanto parece?”) e sedutor (”Ninguém compreendeu melhor o que está se passando aqui”), uma combinação não tão rara em homens que gostam de ser temidos e temem não ser gostados. Vaidoso de sua inteligência e de sua erudição, é capaz de interromper uma resposta para recitar, na íntegra, poemas de Auden ou de Octavio Paz.
“Não posso responder”, diz com condescendência mal disfarçada, ao ser indagado se a empresa que fundou deu início ao processo desenfreado de desregulamentação. “Não posso responder pelo simples fato de que a pergunta não faz sentido e é uma absoluta tolice. Como me comparar a essa gente que destruiu o meu país? Eu investi na Islândia. Eles investiram fora, tomando dinheiro emprestado e dando o povo islandês como garantia. Eu trouxe cientistas para cá, transformei este lugar no laboratório genético mais importante do mundo. E eles? O que deixaram?”
Boa parte dos islandeses perdeu dinheiro com Stefánsson. Quando a DECODE lançou ações na Nasdaq - foi a primeira companhia islandesa a abrir o capital numa bolsa estrangeira -, o governo incentivou toda a população a investir nela. Era uma atitude patriótica. Lançadas a 30 dólares, as ações em pouco tempo caíram para vinte e hoje valem menos de um dólar. A empresa está à beira da ruína. Em outubro, não cumpriu todas as suas obrigações junto aos credores. O tempo de maturação de uma empresa de biotecnologia é longuíssimo, e a crise mundial secou o fluxo de investimentos.(…)”
Pois é, se essa informação meticulosamente armazenada vaza?
Pois olha PD,
Estatísticamente, 98,5% da população mundial tem alguma predisposiçao genética para doenças. Se as empresas de plano de saúde forem atender apenas os 1,5% que são absolutamente sadios, o mercado vai ficar pequeninho…
Isso tambem me lembra a época em que se dizia que qualquer um que frequentasse bibliotecas e tivesse acesso a aparelhos de raio X poderia construir bombas atômicas…
Cada época com suas neuras…
Bom, fiz uma análise destas, cheias de guéri-guéri e concluiram que não sou humano. No princípio até fiquei chateado mas depois que conheci alguns membros deste grupo ao qual não pertenço, conclui que não perdi grande coisa…
Boas ….
Aqui no Brasil e na minha area já temos esse banco de dados para animais para recria (melhoramento genetico) com o Teste de Progênie.
Atraves desses exames você sabe quais as caracteristicas para reprodução animal (macho se leite ou corte de acordo com a raça)
1) USO NA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL (IA)
2) USO NA TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES (TE)
3) USO NA FERTILIZAÇÃO IN VITRO (FIV).
Essas e outras informações vc pode encontrar na CRV Lagoa, SN Semem etc.
Tudo baseado hoje também em laboratorio de DNA animal.
Cara, muito maneiro. Mas fiquei puto de ver que a empresa que você usou entrega pro Azerbaijão mas não pro Brasil.
Pedro Dória - ” Mas que ninguém se engane quanto às origens: 80% dos marroquinos. É o grupo genético berbere, a população que vivia no norte da África antes da invasão árabe. Continuam lá. É só que hoje são chamados de árabes.”
Pedro Dória, , a coisa é bem mais complicada. Potr exemplo, caso você decida pesquisar essa parte de seu DNA ” grupo genético berbere ” vais encontrar várias etnias cobertas genericamente com essa denonominação.
Berberes por exemplo :
National Geographic Society:
“Embora os berberes sejam os habitantes originais do Norte de África, ninguém sabe realmente de onde vieram. As provas genéticas parecem indicar que são descendentes de várias ondas de imigração para a região, algumas já com 50 mil anos. Esses imigrantes vieram de diversas zonas, como o Cáucaso e a costa africana do Mar Vermelho. Como os berberes são uma mistura de diferentes grupos étnicos, o termo “berbere” refere-se mais à linguagem, do que propriamente a uma raça específica.
Os berberes foram pela primeira vez mencionados em escritos dos antigos egípcios que combateram contra os lebu (líbios) nas suas fronteiras ocidentais. Em 945 a.C. os lebu conquistaram oEgipto e fundaram a 26.ª dinastia. Os berberes também encabeçaram a conquista islâmica de Espanha em 711 d.C.”
A Enciclopédia Universal, por sua vez refere que os Berberes são:
“Povo caucasóide não-semita que vive no norte de África.Viveu, desde os tempos pré-históricos nas regiões ao longo da costa mediterrânica, do Egipto ao Atlântico. O berbere (língua da família das línguas afro-asiáticas) é falado por cerca de 10 milhões de habitantes (cerca de um terço são argelinos e os restantes dois terços marroquinos)”.
A Enciclopedia Libre Universal en Español, à laia de definição refere:
Sustantivo: Nombre genérico que se aplica a las personas que descienden de los nativos del Norte de África, para distinguirlos de otras aportaciones posteriores (árabes, andalusíes, etc) así como de los mestizos de todas estas etnias. Se extienden desde Marruecos hasta el desierto de Egipto. También los guanches de las Canarias eran bereberes. La presencia de los bereberes remonta por lo menos a los 10 000 años. La palabra “bereber” viene del latín “barbarus” que a su vez fue tomada del griego, con el significado de “bárbaro”, o sea que designaba a los pueblos que rehusaban integrarse a la civilización grecoromana.
Substantivo: Idioma de los bereberes. Este idioma pertenece ala rama camítica, tiene aproximadamente cuatro millones y mediode hablantes (cuatro millones en Cabila, Argelia). Tiene supropio alfabeto que ofrece cierto parecido fortuito con lasrunas escandinavas, y que se empezó a utilizar a mediados del primer milenio a dC. Desde el inicio del siglo XX se escribepreferentemente en Cabilia con el alfabeto latino y en Marruecos con el alfabeto árabeGenetics
Quanto aos cabilas ( kabilas ) veja só :
” Most Kabyles are of typical Mediterranean appearance (Saharid or south-mediterraneid), with a more or less tanned skin, long faces, high cheekbones, and curly hair, although a minority of them are of common European appearance .
The Y chromosome is passed exclusively through the paternal line. The composition of their Y chromosome is: E1b1b1b (E-M81) (47.36%), R1*(xR1a) (15.78%), J (15.78%), F*(xH, I,J2,K) ( 10.52% ) and E1b1b1c (E-M123) (10.52%)[1]. The North African pattern of Y-chromosomal variation (including both E1b1b and J haplogroups) is largely of Neolithic origin which suggests that the Neolithic transition in this part of the world was accompanied by demic diffusion of Afro-Asiatic–speaking pastoralists from the Middle East.
The mtDNA, by contrast, is inherited only from the mother and is: 30.65% H, 29.03% U* (with 17.74% U6), 3.23% preHV, 4.84% preV, 4.84% V, 3.23% T*, 4.84% J*, 3.23% L1, 4.84% L3e, 3.23% X, 3.23% M1, 1.61% N and R 3.23%. The mtDNA makeup of Kabyles is : 66.12% general Western Eurasian (H, J, U, T, K, X, V and I), 22.58% specific Northwest African (U6, L3E), 8.07% Asian (M1, N, R) and 3.23% sub-Saharan gene flow (L1-L3a)
Os kabilas estão espalhados por muitos países e praticam muitas religiões:
Total population
6-9 million (est.)
Regions with significant populations
Kabylie (Algeria) 4 million (est.)
Algeria (other regions) 2 million (est.)
United States 60,000 (est.)
France 1,700,000 (est.)
Canada 80,000 (est.)
Languages
Kabyle
Religion
Islam (sunni), Roman catholic, some Protestant minorities.
E agora vamos falar de um ilustre primo seu : Zinedine Zidane, o craque do futebol francês e mundial. Sim , ele é Kabila.
Ou seja existem mais povos, etnias, origens do que sonham nossos vãos testes de DNA…
Trocando em miúdos o tijolaço do Marco -
Não tem esta cretinagem de raça pura. Não existe humano P.O. e não dá para obter um humano P.C. sem a menor dúvida, sem discussão nem argumento não existe humano com pedigree. Todo mundo,mas todo mundo mesmo é vira-lata…
Pela parte que me toca, prefiro assim…
[...] isso: o Hermenauta me arruma uma ilusão de ótica maneiríssima, o Pedro Dória faz um exame genético maneiríssimo, o Mengão tomou um toco, aquela história do Jânio de que o FHC ia introduzir maconha na [...]
na frança, teste adn é proibido; so uma autorizaçao juridica pode permitir esse recurso quando ha necessidade de “confirmaçao paternal” ou pesquisa criminologica …mas é facilimo fazer o teste, a web ta cheia de laboratorios propondo a analise a preços de banana ! saber se sao fiaveis, ja é outra historia… vi uma pesquisa dizendo que se o teste fosse autorizado, 20% da familias francesas seriam “destruidas”…o famoso “secret des femmes” teria seus dias contados…:))
nos outros paises europeus o teste foi banalizado, sobretudo para os imigrados candidatos ao “regrupamento familiar”…ou melhor, a lei permite o teste de impressao genetica de crianças ( africanas quase exclusivamente) chegando com adultos ( seus pais ?)….
esse aspecto “seleçao” me desagrada…
Muito pertinente o post, mas sabem como é, pode ser a base genética de mais racismo no futuro. logo aparecerá um “cientista” provando por A+B que o grupo ao qual ele pertence é superior a outros, etc, etc, ….
sempre ouvi falar que os berberes eram caucasianos.
pois é, conffa, imagine o Goebbels no seculo 21
- os portadores de tais e tais gens tem que ser eliminados porque ficam muito doentes e dão prejuizo a saude publica…
45 Todo mundo,mas todo mundo mesmo é vira-lata…
chest - e vai homogeinizar ainda mais, seremos todos pardos em 400 anos.
Sabe aqueles emails que pululam na internet: situações para dizer pqp? Foi a reação que tive ao ler o seu artigo.
As possibilidades de discussão chegam quase ao infinito. Imagino a religião então, nossa!
Discussão sobre racismo biogenético à parte, não vejo a hora do teletransporte se tornar real.
Se alguém se interessar, camisetas e bonés com o slogan teletransporte já para 2015 podem ser confeccionadas num zap.
Tô nessa de teletransporte. Tem um aluno meu, de Stanford, que já publicou a respeito vários papers. E tem as coisas do Anton Zeilinger, que teletransportou fulerenos… Chega-se lá rapidinho!
Bom…..berberes caucasianos.
E daí?
Stalin nasceu na Georgia….
Ghandi na India…..than?
Muito interessante o post, PD. Vou esperar pela reportagem.
Oi Pedro. O acúmulo de informações sobre os indivíduos atualmente supera de longe ao que acontecia nos regimes totalitários (saiu uma matéria há pouco mais de um ano no site da The Economist). Essas informações genéticas são importantes, mas nunca sabemos se elas poderão vir a sustentar argumentos racistas daqui a algum tempo ou, como você disse, fazerem os planos de saúde negarem serviços a doentes potenciais. Tudo muito foucaultiano, tudo muito deleuziano. Falando nisso, esse blog é interessante sobre o tema: http://dispositivodevisibilidade.blogspot.com/
Teve uma Época aí outro dia contando a experiência de uma jornalista com o desvendamento do código genético dela. Aqui no Brasil não há um teste parecido, pra quem perguntou aí em cima, só alguns testes para doenças específicas. Mas há uma empresa que aceita envio de material pelo correio.
Não me lembro os nomes, mas capaz de ter essa revista em casa, se eu achar eu volto aqui pra dizer certinho.
Pedro, foi bastnte difícil me calar diante da sua opção por fazer tal coisa. E continuo contida.
Sobre teletransporte, estou nessa. Meu marido diz (e eu confio) que isso será perfeitamente possível no futuro(não menos de cem anos, muito provavelmente bem mais). Existe conhecimento para saber que isso será possível.
Não fiquei convencido com essa explicação da ascendência. Você diz que é uma mistura de mouro (por parte de pai) com italiano (por parte de mãe). Mas cada um dos teus pais não é, por sua vez, mistura de dois povos, e assim por diante? Ou seja, você tem genes (descendência) dos teus 4 avôs, dos teus 8 bisavôs, dos teus 16 tataravôs …
O haplogrupo mitocondrial permite traçar a descendência na linha materna (de onde veio a mãe da mãe da mãe da mãe … da tua mãe) enquanto o haplogrupo do cromossoma Y permite traçar a descendência na linha paterna (de onde veio o pai do pai … do teu pai). Mas cadê a descendência presente nos outros 45 cromossomos? A tua descendência vinda do pai da tua mãe e da mãe do teu pai não aparecem nesses haplogrupos que você refere.
Ronaldo Silva – é exatamente o que vc disse… o habplogrupodo mDNA indica sua ascendência materna direta. Só. O do Y indica a paterna. Todos os outros avós não estão na conta…
Na geléia geral existe um cadinho de sangue asiático (tupi), um pouco menos africano negro (alguns escravos na família), mas principalmente europeu. Embora minha ascendência direta matrilinear e patrilinear confirmem antepassados na Península Ibérica, a composição geral do meu genotipo é mais parecida com populações do Norte da Itália do que com qualquer outra área do planeta. Ou seja, de alguma forma meus antepassados Acciolis (Florença), Crestas (que não sei de onde são) e Dorias (Gênova) estão mais fortemente presentes.
Crestas são genoveses, campônios da Ligúria (Gênova). Minha varonia (linha masculina) é de Moreira, isto é, descendo na linha direta masculina de uma família da pequena nobreza, traçável no norte de Portugal desde o século XIII. Antonio Moreira de Gamboa, filho de Martim Afonso Moreira, fins do século XVI, casou-se com a neta de Clemenza Doria, genovesa, e de Fernão Vaz da Costa, português, parente do governador de má fama, D. Duarte da Costa. Os descendentes do casal Moreira voltaram ao nome Costa Doria, que vem até hoje.
Pelo visto o primeiro Moreira conhecido, Pedro Pires Moreira, era de origens magrebinas… Mas, no século XIII, viviam esses no norte de Portugal.
Nhé!
Acho que sou muito parecida com minha avó…
Tadinha… Tão novinha e já ta toda enrugadinha…
PD é descendente de maomé, alta chance.
E’. E 90% da população brasileira. Pelos idríssidas do Marrocos, descendentes de Hasan ibn Ali, que se fixaram em Coimbra no século X.
está explicada a predileção do PD em valorizar o papel árabe em detrimento do papel bizantino na transferencia do conhecimento clássico para a época moderna.
Como foram parar em Coimbra?
Desidério Murcho:
O outro
No dia 7 de Novembro de 1948, Orwell publicou em The Observer uma recensão do livro Retrato do Anti-Semita, de Jean-Paul Sartre, comentando com perspicácia que a linguagem do filósofo, em que fala constantemente de O Judeu, trai precisamente o tipo de mentalidade que supostamente devia estar a combater: a ideia de que os seres humanos podem ser classificados mais ou menos como insectos, o que nos impede de ver pessoas diferentes umas das outras, para passar a vê-las apenas como anúncios da etnia ou raça ou religião ou nacionalidade a que supostamente pertencem. O multiculturalismo contemporâneo é mais um passo na mesma direcção desumanizadora: um cigano ou um negro ou um árabe não é visto como uma pessoa como as outras, com as suas diferenças e idiossincrasias, mas meramente como um anúncio da sua etnia ou nacionalidade ou cor da pele. Este racismo pós-modernaço e de consciência tranquila é pior do que o racismo de antigamente porque não parece racismo, e como tal não parece valer a pena combatê-lo.
Mas vale a pena. É uma vergonha deixar de ver pessoas para passar a ver anúncios de tolices sociais. Um cigano ou um negro ou um branco não é um anúncio da etnia cigana ou negra ou caucasiana. Uma parte importante dos males da humanidade resulta precisamente destas identificações tolas com mentalidades genéricas, pois sem isso dificilmente uma pessoa medianamente boa conseguiria matar ou torturar outro ser humano em boa consciência. É com certeza possível matar, escravizar ou torturar outros seres humanos por mera maldade ou egoísmo, mas para uma pessoa medianamente boa ser capaz de fazer estas coisas em boa consciência tem de ser capaz de deixar de ver a pessoa que está à sua frente como pessoa e passar a vê-la como um anúncio de uma etnia ou religião ou nacionalidade ou algo do género. É urgente combater esta concepção racista dos seres humanos para que se consiga olhar para as pessoas e ver pessoas. A defesa multiculturalista do respeito pelas etnias ou religiões ou coisas do género é um efeito da velha incapacidade humana para ver outras pessoas como pessoas quando são ligeiramente diferentes.
Actualmente, a moda de falar de “O Outro” trai esta incapacidade para ver as pessoas como pessoas. Não há O Outro. Isto é um veneno mental que obriga a ver as outras pessoas como anúncios abstractos da alteridade e não como pessoas. Cada ser humano é singular, e a singularidade de cada um entrelaça-se de um modo peculiar com os aspectos universais a que todos temos acesso como seres parcialmente racionais. A mania denunciada por Orwell de classificar os seres humanos como quem classifica insectos é um dos defeitos da humanidade. Talvez não possamos livrar-nos disso tão cedo, mas podemos pelo menos dar alguns passos nessa direcção, reconhecendo que qualquer ser humano, seja qual for a sua origem, tem o direito de aceitar ou rejeitar a mentalidade do seu grupo social, étnico, religioso ou nacional e, mesmo que a aceite, não é um mero anúncio dessa mentalidade.
Chesterton, vieram da Andaluzia, onde alguns idríssidas serviram de generais aos omíadas. Tem vários documentos mostrando idríssidas em Coimbra, como o DC 9, sobre as propriedades de um Ydriz, disputadas por Bermudo II de Leão. Ou o DC 229 assinado por um al-Hasani (idríssida), e testemunhado por vários alUmawi (omíadas).
Meu antepassado bérbere deve ter vindo com essa gente…
eu imaginava que teriam perdido alguma batalha e fugido para o norte….
Pai do Pedro
Meu antepassado bérbere deve ter vindo com essa gente…
Prezado Professor, essa afirmação é trabalho original ou o senhor possui alguma citação para embasar a afirmação acima?
Nós, os comentaristas, estamos testando uma nova política de comentários no Weblog e agora exigimos citações à outros trabalhos. Seu post foi marcado para remoção em 15 dias.
Atenciosamente
Credun Fas
Wikimaster
Remova… Mas sugeria antes que você (se o conhece, claro) lesse a história da Andaluzia, escrita por Lévi-Provençal.
Ou buscasse as identificações propostas para “Julião, Conde de Ceuta,’ cuja filha “Florinda” foi, hum, desonrada pelo último rei visigodo.
PS: à outros trabalhos não tem crase.
tripax e seu francisco trocando farpinhas ….kkk*
trixpan, eu disse..))
Eu não, tô quietinho…
Nobre Profeçôr,
È claro que conheço a Anna Luzia, moça dada ao romançe com estranhos que vivia à trocar de namorados. Anna Luizia acabou se casândo-se com um espanhol, aqueles sujeitos àos quais o HRP costuma se referir com profundo respeito e carinho.
Em todo caso eu acho curioso como certas pessoas atribuem a presença de DNA magrebino à ocupação muçulmana da península ibérica afinal os romanos estiveram por lá antes dos muçulmanos e a mobilidade dentro do império, notória (vide os judeus de roma).
O argumento é probabilístico, assim como o argumento que leva à afirmativa, 95% dos descendentes de portugueses descendem de Maomé (e de Carlos Magno, e de D. Afonso Henriques).
Pai do Pedro,
Não sabia que Maomé, ?all? all?h `alayhi wa sallam, está para os Árabes e Mouros como Adão para a humanidade…
Pelo visto a probabilística lhe deixou na mão…
Vou explicar. Há uma família feudal, atestada ao norte de Portugal, nos arredores do Porto, entre os séculos X e o século XIII, cujo primeiro ancestral tem o nome de Abu Nazar Lovesendes. Foi o fundador do mosteiro de Santo Tirso de Ribadave em 978, e ancestral dos senhores da Maia - inclusive de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador.
Um trabalho feito por mim, por Marshall Kirk, e Nat Taylor, mostra que o primeiro senhor da Maia seria o personagem atestado com o nome (Abu) Nazar ibn Leodesindo ibn Firhi (Leodesindo = Lovesendo), em documentos de 960 e 961. Era com certeza um Quraysh, ou seja, um membro da tribo de Maomé, pelo nome Firh do avô, àquele tempo. E podemos identificar este Firh a um hassânida atestado na época em Coimbra.
A família da Maia está no topo das genealogias de muitas famílias nobres portuguesas, como os Silvas, Vales, Meneses, Barretos, Albuquerques, etc. E os argumentos populacionais habituais sugerem que mais de 95% da população falante de português, hoje, descende desses senhores.
Mas o dado crucial é que atestamos idríssidas - descendentes de Maomé - na região de Coimbra, no século X. O que não é surpreendente, já que esta família deu, como disse, vários comandantes militares aos omíadas. E têm que ter deixado descendentes.
Pai do Pedro,
Sem entrar no mérito do nobre professor citar um trabalho de sua própria autoria para embasar sua afirmação, eu lhe pergunto:
Então 95% dos falantes de português tem sangue do senhores de Maia? Isso vale aqui no Brasil ou só em Portugal? Vale pra África também?
Vale para Portugal e Brasil; na África, não lhes sei a demografia. Na prática, se você tem algum sangue português, você descende dos senhores da Maia. Aliás o Castelo da Maia, a fortaleza desses grandes senhores feudais, ainda existe perto do Porto.
Esse caso dos descendentes ocidentais de Maomé é a maior brigalhada. Há cinco ou seis anos, colaborando via internet com Marshall Kirk e com Nathaniel Taylor, este do departamento de história de Harvard e Marshall da New England Genealogical Society, levantamos a papelada pertinente. Que é óbvia no seu significado. Transcrevi na munheca muito documento em escrita uncial de começos do século XII…
Talvez o documento mais interessante que vi tenha sido o de código DC 39, com data de 933. E’ uma venda, feita por Zahadon ibn Halaf, al Umawi (Zahadon filho de Halaf; o omíada), casado com uma cristã, Aragunte Fromariques, neta ou bisneta de reis godos, a certo Gondemiro ibn Da’uti e sua mulher Shoshana. O documento é testemunhado pela altíssima nobreza do reino de Leão: Ramiro II, rei de Leão; o infante Bermudo, o conde Ximeno Dias, a magna comitissa (grã condessa) Ilduara Pais, et caterva. Isso mostra que interagiam bem muçulmanos e cristãos na região de Coimbra, sem maiores conflitos, provavelmenre até a invasão de Almançor, em começos do século XI.
Pai do Pedro,
Talvez consiga finalmente uma direcção…
Estava a ver sites sobre genética pois talvez seja a única forma de saber de onde descendo realmente e eis que encontrei o seu blog.
Desde pequena me perguntam se sou “cabrita” (filha de mulato/a com branco/a). À medida que fui crescendo essas perguntas não desapareceram, (é sempre a primeira coisa que me perguntam a seguir ao nome)e a minha curiosidade aumentou com os anos.
Na faculdade, tive a explicação de um Prof., a mesma que a minha avó me conta, em que aponta Salvaterra de Magos- assim como Alcácer, uma das zonas do País com maior mestiçagem- como a razão histórica das nossas origens miscigenadas.
Tirando este facto, a família é inteiramente portuguesa.
Essa resposta não me chegou pois eu queria saber de onde vieram esses escravos para trabalhar nos campos de arroz? De que parte de África? Provavelmente das colónias??..Tentei fazer a árvore genealógica mas desisti, não tenho meios para a “encomendar” e depois me disseram que nem devia valer a pena, pois mesmo que alguém tivesse nascido de um negro/a nunca iriam registá-lo/a como tal pois,na altura, o preconceito era muito e ninguém assumia.
Alguns anos mais tarde, continuo com o mesmo desassossego, e encontro-me a fazer uma pesquisa sobre a cultura Amazigh (Berbere)e identifico-me mais com esta cultura do que com qualquer outra.
Existe agora outra explicação:
Al-Andaluz, actualmente Península Ibérica,700anos com presença dos Mouros(Povo Berbere)esse ar “exótico” adjectivo com o qual me caracterizam..não virá antes daqui?Eu própria nunca fui muito tradicionalmente portuguesa e sempre gostei de coisas exóticas e fora do comum..
Até que geração e até onde podem nos influenciar os genes?
E será relevante em ambos dos casos, já que se tratam de descendências tão longínquas?
Onde posso ler sobre o que estou a perguntar…?
Será que fazem este estudo genético em Portugal?
Obrigada pela atenção