Obama segundo Obama

EUA · Mídia · 20/05/2009 - 05h21 - 71 Comentários

A Newsweek saiu reformulada, esta semana. Está mais Economist, menos Time. Quer ser uma revista diferente e emula o exemplo de quem aumenta em vendas. Na capa, para marcar que é especial, Obama por Obama, uma entrevista exclusiva com o presidente norte-americano.

O que o senhor aprendeu ao acompanhar o Partido Republicano nos últimos 115 dias?

Aprendi que, assim como o ocorreu com o Partido Democrata após a vitória de Ronald Reagan, o Partido Republicano esteve por um tempo no poder e está com dificuldades de se ajustar ao status de minoritário. Ainda não conseguiram refletir sobre o que ocorreu. No período inicial, muitos insistem em falar apenas à base, ao invés de se dirigir ao povo norte-americano de forma mais ampla. Suspeito que eles vão acabar se ajustando. Tem gente inteligente, lá, e muitos deles podem discordar de mim em determinadas políticas mas, acredito, têm convicções concretas e querem que o país melhore. [...]

Qual sua reação às críticas recentes do ex-vice-presidente Dick Cheney?

Sabe, Dick Cheney tem opiniões fortes a respeito de segurança nacional. Suas idéias foram testadas nos primeiros anos do governo Bush e, na minha opinião, resultaram em decisões ruins. O que considero mais interessante é que Dick Cheney perdeu sua briga interna mesmo dentro do governo Bush.

No início, ele pode ter levado a melhor contra Colin Powell e Condi Rice, mas nos últimos dois ou três anos do governo Bush, os republicanos perceberam que essas técnicas de interrogatório que eles aplicaram desde o início não eram produtivas. Perceberam que nunca conversar com seus inimigos, agir apenas unilateralmente, considerar que segurança nacional é apenas a aplicação de força unilateral não resolve problemas.

O repórter Jon Meacham também descreve como é uma conversa com Obama:

Conversar com Obama é acompanhar uma performance de habilidade psicológica e intelectual. A maioria dos políticos instintivamente tentam desarmar jornalistas fazendo algum tipo de conexão pessoal. Comentam sobre o último artigo do repórter, lembram de algum momento da última vez em que se viram. (Em geral, os comentários são sugeridos por alguém de sua equipe minutos antes da conversa.) Não importa quão conscientes do truque sejamos, o reflexo humano natural é sentir-se bem – ‘talvez ele esteja fingindo com outros, mas acho que ele realmente gostou do meu texto’.

Na experiência que tive, Obama é diferente. Ele não gasta muito tempo com conversa fiada. Não flerta com jornalistas. A conversa é trabalho, tempo é valioso, vamos direto ao ponto. Quando responde perguntas, seu olhar é mais intenso em dois tipos de momento. Quando ele está repetindo pela enésima vez um argumento sobre o qual pensou profundamente. E quando acaba de conseguir refinar um argumento, naquele momento, durante a conversa.

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