Israel Nuclear, Obama e a solução
que passa por 57 países
Cerca de uma semana atrás, uma burocrata norte-americana chamada Rose Gottemoeller se apresentou ao plenário das Nações Unidas. Ela está no alto escalão do governo Obama. Lidera as negociações de desarmamento nuclear com os russos e é a responsável, no governo, pelo NPT, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. À ONU, comunicou que seu projeto é trazer para o NPT todas as nações que não estão nele, incluindo aquelas que já são poderes nucleares. Teria sido um discurso corriqueiro dentre os inúmeros que ocorrem diariamente na ONU, não fosse um único detalhe.
Gottemoeller citou Israel em sua lista.
Os EUA, pela primeira vez, reconheceram que Israel é oficialmente um poder nuclear e isso, diplomaticamente, é um longo caminho andado. Sempre houve um acordo tácito de que a questão não seria citada por uma compreensão norte-americana de que Israel precisava de suas nukes. Após ser constantemente alvo de ataques por parte dos países vizinhos, os mísseis teriam cessado as agressões. Talvez. Mas os anos 1970 foram há muito tempo, Golda Meir e Richard Nixon já estão mortos há anos, o mundo é outro e, desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.
Barack Obama tem, como todos os presidentes norte-americanos que o antecederam, um plano de paz para a região. Mas há algumas diferenças. A primeira é o timing. George W. Bush só começou a se dedicar à paz entre Israel e Palestina nos seus dois últimos anos de mandato. Bill Clinton, também. Obama já tem gente chave trabalhando desde cedo. A segunda diferença é o escopo. Tanto Bush, quanto Clinton, quanto seus antecessores até Jimmy Carter, que promoveu a paz entre Israel e Egito, se focaram na relação de Israel e seus vizinhos. Obama propõe um plano de paz para 57 países.
O objetivo é conquistar o reconhecimento de Israel por parte dos 57 países do Oriente Médio. Permitir que cidadãos israelenses possam ter visto de entrada nos países da região, que aviões da El Al possam trafegar por seus aeroportos, acordos comerciais fluam sem precisar de intermediários.
O raciocínio é que, se houver relações diplomáticas estáveis, os governos serão obrigados a mudar seu discurso e, a partir daí, os radicais se sufocarão. Para a maioria dos governos, estabelecer relações diplomáticas com Israel é um passo impopular. Ninguém quer se isolar. Fazerem todos, em conjunto, é provavelmente a única maneira de conseguir fazer.
Opositores à política é o que não faltam. Os EUA já começaram a se afastar de Israel. E, no governo israelense, mau humor por conta é o que não falta. Este será o grande empecilho. Richard Nixon talvez não faça falta, mas gente da estatura de Golda Meir e Yitzhak Rabin faz. O problema da tática de Obama é esse. Não adianta nada combinar com o mundo árabe se o governo de Israel não cooperar.
Uma dica – Enquanto o papa Bento 16 caminha pela Terra Santa, não é sem polêmicas. O Maurício Santoro tem um bom post explicando sua relação com os israelenses.
Ainda sobre o assunto:
- McCain passa Obama. Mesmo. Aqui e ali, várias pesquisas mostravam John McCain à frente de Obama. Nas contas do estatístico Nate Silver – o...
- Israel continua igual mas os EUA
de Obama mudaram profundamente O jogo diplomático no qual o novo premiê israelense Benjamin Netanyahu se enfurnou é antigo e conhecido. Netanyahu, não importa... - Os 10 países mais perigosos do mundo A Foreign Policy é uma revista divertida. Trata com seriedade de política internacional mas sem a sisudez acadêmica de suas...
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Israel sabe o que semeou nesses ultimos 30 anos no Oriente Médio.
Agora talvez colha sua safra amarga sozinho…..pode ser , mas eu duvido.
Bom post o do Maurício Santoro. Faltou lembrar que, antes de embarcar rumo ao Oriente Médio, Bento XVI se comprometeu a abrir os arquivos do Vaticano do período da Segunda Guerra para pesquisadores israelenses levantarem informações sobre Pio XII.
Sobre Israel, seria interessante ver quais serão as reações dos partidos de direita que compõem o governo. Desde o início, as divergências entre eles e os trabalhistas com relação às questões de segurança têm sido constantes.
Queria ver o que defenderão, e quais serão os argumentos usados.
Pedro,
Vale observar que a análise do Haaretz é um tanto distinta:
http://www.haaretz.com/hasen/spages/1084586.html
Não adianta nada combinar com o mundo árabe se o governo de Israel não cooperar.
chest- hahahahahahahahahahah
É impressionante ver como os extremos se aproximam.
Os mais ferrenhos simpatizantes dos palestinos — e, por consequência, mais ferrenhos críticos de Israel — acusam Israel de “fascismo”.
Já os mais ferrenhos críticos dos palestinos — e, por consequência, mais simpáticos a Israel — acusam as organizações palestinas de… “fascismo”.
Vi, na tevê por assinatura, um documentário sobre o ex-presidente Jimmy Carter.
Num dado momento, o documentário aborda a viagem de Carter ao Oriente Médio, para acompanhar, como observador, a eleição palestina. Aquela que o Hamas venceu.
Conclusão de Carter: o Hamas venceu limpamente. Houve maracutaias localizadas, de parte à parte, que não comprometeram o resultado das eleições.
Acompanhava Carter um intelectual judeu, cujo nome esqueci.
Conclusão do intelectual judeu: a mesma de Carter. O Hamas venceu limpamente. Houve maracutaias localizadas, de parte à parte, etc, etc.
Pensei que, partindo dessa constatação, o carinha faria pelo menos um aceno mais moderado.
Pois aí é que morava o engano chamado ledo.
O sujeitinho reafirmou o velho blá, blá, blá: o Hamas é uma organização fascista, e o fato de ter vencido as eleições limpamente não muda nada. Hitler também venceu eleições, e sua transformação em ditador não decorreu de um golpe de Estado, mas de uma autorização legislativa, concedida por quem, legalmente, poderia dar essa autorização: o parlamento alemão. E tome de blá, blá, blá radicalóide, etc e tal.
Pode?
Assim não dá!
Israel deveria ser o principal interessado na proclamação do Estado Palestino. E deveria ser o primeiro a reconhecer esse Estado.
A partir daí, teria condições de exigir que o Estado Palestino controlasse seu próprio território, impedindo que atos de agressão à Israel fossem desfechados a partir deste.
Caso o Estado Palestino não fizesse isso, que arcasse com as consequências…
Quem sofreu tanto sob o fascismo deveria ter escrúpulos em tomar essa abjeta designação em vão…
Credun Fas – respeito o Haaretz, mas é muita prepotência deles achar que o Barak não soube interpretar o gesto dos EUA.
O jogo foi feito de forma coordenada. Mandaram uma diplomata do terceiro escalão falar à ONU no mesmo momento em que o Joe Biden falava à AIPAC [que alguns peferem chamar de 'o lobby judaico' =)]. Morde e assopra. Morde com uma diplomata menor, que sempre pode ser renegada se preciso for, assopra com o vice-presidente.
Os EUA estão passando uma mensagem para Israel: se quiser estar conosco, vc será bem-vindo. Se não quiser, vcs vão se arrepender. Nós ditamos as regras, vcs obedecem.
Ehud Barack entendeu a mensagem. O Haaretz, não.
Ou será que o Haaretz entendeu, mas quer passar uma imagem de “independência”?
PD, desculpe o pseudo open mas é sobre a Lei Azeredo:
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2009/05/12/lei_tarso_genro_militancia_petista_escon/
Depois pode apagar meu comentário. O link vai barrar mesmo.
Eu entendi que o Haaretz tentou relativizar a exigência de se incluir Israel no NPT, lançando-a para um futuro remoto. Esta deve ser a posição de setores da direita israelense “sim, entramos no NPT, um dia”. Desta forma, tenta queimar o trabalhista Barak, acusando-o de semear o pânico.
Foi o que entendi com meu inglês sofrível.
os políticos de israel não tem porque coloborar se adoram o conflito para se eleger e conseguir doações da comunidade judaica mundo afora. israel somente procurará a paz se for coagida pelos eua e europa. a proposta de paz conjunta, proposta árabe inicialmente, faz todo sentido e é um horizonte perfeito. mas, como disse, tem muita gente em israel que lucra com o conflito. não irão largar o osso assim facilmente.
Quanto à amplitude da proposta Obama… sei não.
Jimmy Carter foi mais modesto, porém mais efetivo. A paz com o Egito dura até hoje.
E, até hoje, acredito que pesou na balança o conteúdo econômico do tratado.
Sem desembolsar um centavo, o Egito recebeu de volta os territórios que perdeu em campo de batalha, com o baita investimento que neles foram feitos.
Israel foi parcialmente compensado pelos EUA.
Querer que 57 países fumem o cachimbo da paz com Israel é um pouco demais, acho.
O que esses países ganhariam com isso? (o que perderiam é fácil imaginar).
Sei lá… Fixar metas ambiciosas demais, às vezes, só serve para, no fim, não se fazer nada e arranjar um monte de culpado pra isso.
Os EUA estão passando uma mensagem para Israel: se quiser estar conosco, vc será bem-vindo. Se não quiser, vcs vão se arrepender. Nós ditamos as regras, vcs obedecem.
chest- Israel ja passou por piores momentos. Nao é um chantagista poderoso que irá destrui-lo.
Gerson B, link do assessor surtado da Soninha é sacanagem. Fora isso, a informação é relevante.
Daqui a 50 anos Israel sera uma estrela a mais na bandeira dos EUA; de 6 pontas.
O Bitt que manja desse arsenal nuclear israelense e, a coisa começa por aí.
Em aderindo ao NPT incidirão vistorias e a meu ver é aí que o bicho pega.
Localização, quantidades e potência serão conhecidas, logo outros países poderão “comprar” umas bombinhas e entrar pra turma.
Obama tenta cercar a coisa não só por aí, paira no ar o dedo dele no controle dos paraisos fiscais (e não venham com essa história de que os banqueiros que apoiam AIPAC não estão de antena ligada tenho certeza que estão).
Interessante saber onde a corda irá arrebentar, no lado econômico ou diplomático.
israel tem a bomba atomica desde 1979, a testou nas aguas maritimas de africa do sul
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u96082.shtml
mas realmente somente agora é reconhecido oficialmente
Primeiro, o AIPAC é realmente um lobby judaico. Basta ver os diversos processos por espionagem dentro dos EUA em que ele está envolvido, os problemas por financiamentos ilegais de candidatos pró-Israel em que também está envolvido e sua intervenção maciça em órgãos de comunicação para fazer valer a demonização dos países islâmicos e a ocultação dos crimes de Israel. O PD sabe muito bem disso, carinhas sorridentes não esconderão a verdade.
Mas essa introdução serva apenas para levantar a dúvida: até quando Obama conseguirá manter sua posição, bombardeado que será por todos os lados pelo AIPAC e outras instituições congêneres? Mandatos não duram para sempre, a próxima eleição ainda está longe, mas chegará. Obama está defendendo a solução lógica e, provavelmente, única: dois estados independentes, nos limites definidos há cerca de meio século pela ONU, com reconhecimento de todo mundo.
O atual governo de Israel não aceitará de modo algum tal solução; por tabela, os radicais palestinos terão seu argumento de que é impossível negociar com Israel revalidado, e continuarão radicais. Dentro de três anos, Obama não terá mais força interna para manter a posição atual. Israel sabe disso e não vai arredar pé, a menos que os EUA forcem muito a barra. Aos radicais palestinos interessa que Israel faça isso, pois ganham credibilidade. Ou Obama mostra, desde já, que não arreda pé e mostra que utilizará muito em breve medidas fortes (não militares, é óbvio, mas econômicas) ou tudo ficará como está.
Não, ficará pior…
Se não quiser, vcs vão se arrepender. Nós ditamos as regras, vcs obedecem.
PD - botando as manguinhas para fora, quem diria?
O grupo armado libanês Hizbollah, xiita, admitiu pela primeira vez fornece “todo tipo de apoio” ao sunita Hamas, que controla o território palestino de Gaza. Sem detalhar a natureza da assistência, a afirmação foi feita pelo número 2 do Hizbollah, xeque Naim Qassem ao jornal “Financial Times”.
Embora houvesse suspeita de vínculo entre as facções, que compartilham a meta de combater Israel e são apoiados por Irã e Síria, nunca o Hizbollah confirmara oficialmente apoiar o Hamas.
A declaração de Qassem surge semanas após o Egito prender 49 pessoas supostamente ligadas ao Hizbollah, acusadas de preparar ataques contra alvos turísticos.
Tido como terrorista pelo Ocidente, o Hizbollah também é responsabilizado pelos cem mortos nos atentados contra alvos judaicos em Buenos Aires nos anos 90.
O Hizbollah reconheceu ter um papel regional em plena campanha para as legislativas de 7 de junho. O grupo xiita tem boas chances de reforçar sua presença no Parlamento libanês -hoje em 56 das 128 cadeiras.
chest- porque o Obama não fala grosso com esses cretinos daí?
João Daltro,
Os limites fixados pela ONU em 1947 caducaram.
Eles não incluíam Gaza no território palestino e davam Jerusalém como área de jurisdição internacional.
Além do mais, a população árabe no território de Israel, segundo a proposição da ONU em 1947, seria bem menor do que já é de fato. De lá pra cá, essa população não parou de crescer.
Imagina!
Vamos ter outra “transposição populacional de árabes israelenses” (eufemismo para “expulsão”)?
Se for por aí, sai mais barato começar outra guerra, já…
Obama acha que os EUA são um imp[erio maligno e tem por objetivo destruir o país.
João Daltro – A AIPAC é o lobby pró-Israel. Isso não é exatamente a mesma coisa que ‘lobby judaico’. Mas, sim, é uma entidade oficial, com contas conhecidas…
Contas conhecidas mas, com um baita “por fora” disponível né PD?
hehe
“Mas os anos 1970 foram há muito tempo, Golda Meir e Richard Nixon já estão mortos há anos,”o mundo é outro e, desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.”
Acho que justamente por Israel ter lutado e vencido todas as guerras convencionais, e supondo que tem a bomba como se diz que tem, não é mera coincidência o tipo de conflito que Israel vem enfrentando nos últimos anos. Percebe-se que houve uma mudança de padrão e alguns países árabes, e de um tempo para cá o Irã também, mudaram o foco da tática a ser empregada contra Isarel. Tática essa em que perdem israelenses(que mesmo que vençam, nunca ganham realmente) e perdem palestinos, que perdem a oportunidade de criar seu país de fato e de direito também. Outros que não estes, ganham muito(em seus próprios países, reinos, etc). É trágico.
De qualquer modo, não vejo a hora da mudança do governo de Israel. Com esse governo de direita asqueroso, acho impossível conseguir alguma coisa que avance o processo de paz.
“… desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.”
opa, facil controversia, dificil de sustentar…
Tática pretensiosa (envolvendo a participação de dezenas de países) e moderada (tentar virar jogo via diplomacia) ao mesmo tempo.
Se Obama evita tratar diretamente com o governo israelense, talvez seja porque, a exemplo de quase todo mundo, ele ache que esse gabinete não dura muito.
“Faça como um velho marinheiro/que durante o nevoeiro leva o barco devagar”.
“desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.”
Bom, isso não é lá muito verdade. Tudo bem que Israel pode, como a esquerda gosta de dizer, usar força desproporcional, mas Israel reage a ataques sofridos. O que é bem diferente do contexto utilizado pelo PD.
Proftel – certamente tem um grande por fora disponível. Não só eles… o Ahmed Chalabi tinha um grupo de iraquianos que pagava uma grana por fora antes da Guerra para ver se os EUA o punham no poder; o grupo fiel ao xá teve um baita lobby e gastou muito dinheiro com o governo dos EUA para tentar influenciar decisões… tem os cubanos anti-castristas. Lobbys é o que não faltam e, sim, sempre tem dinheiro por fora.
Mas, como a turma do xá e a turma do Chalabi descobriu, no fim, os EUA fazem o que querem, não importa quão influentes os lobbystas acham que são… os EUA não são pró-Israel porque há um lobby pró-Israel. Os EUA são pró-Israel pq consideram ser de seu interesse. No momento que passarem a achar o contrário, já era.
Obama vai pedir desculpas aos alemães pelos crimes de guerra americanos na WW2
cnn
como estou tentando dizer, Obama vai a Alemanha pedir desculpas aos alemães por ter vencido a guerra (e cometido vários crimes)
O problema é comigo ou o Pandorama está incrivelmente lento, inviável às vezes?
#28
tamo junto nessa, irmao.
Esta saindo agora o novo orcamento na knesset para o proximo ano. Por que isso eh importante? Porque neste orcamento nao aconteceu absolutamente nada do que o Nataniahu prometeu para si mesmo, nada do que o nataniahu prometeu para a populacao ao longo da campanha, nada do que o Nataniahu prometeu ao seus compadres do partido e nada do que o Nataniahu prometeu para os outros partidos da coalisao.
Nada.
Absolutamente nada.
Nenhum dos objetivos originais, alguns deles importantes o suficiente para terem sido bandeira de campanha, como baixa dos impostos, por exemplo.
O Ehud Barak veio imediatamente fazendo muxoxo de que se o orcamento para seguranca baixar, ele “vai repensar a coalisao”. Muxoxo que ele nao cumpriu, porque o orcamento baixou para todo mundo. Bem como nao cumpriu quando, nas eleicoes, prometeu para seus eleitores (ou melhor, para seus nao-eleitores) que se nao tivesse pelo menos 20 cadeiras na knesset, nao iria poder fazer parte da coalisao, muito menos ser ministro da seguranca, como vinha levantando em campanha. Com 13 cadeiras entrou na coalisao (de direita) e aceitou o cargo de ministro.
Outro que falou de tudo e ate agora nao cumpriu absolutamente NADA do que foi prometido, tanto em campanha quanto ao seu proprio partido foi o Lieberman, que alem de nao ter cumprido nada, ainda por cima tem feito um pessimo trabalho - agora nem sequer abre a boca para a imprensa, de tao queimado que ficou.
Enfim… Eh importante entender que este governo provavelmente nao tem forca para tomar decisao alguma. Isso pode ser ruim, porque um acordo com o mundo arabe nao vai ser muito bem engendrado na knesset, e pode nem ser votado simplesmente por falta de competencia politica. Mas pode ser bom, porque o Nataniahu parece nao ter poder sobre sua vontade propria, e dai quem acaba mandando mesmo eh o Obama.
Sobre a atual coalisao, do momento em que foi formada, tenho um texto (ainda atual) no meu blog.
As bizarre as it may seem, President Obama’s impending trip to Dresden suggests that German revisionists have a friend in the White House.
Será que Obama ordenaria um ataque as bases aéreas israelenses?
Os grandes assassinos da região sempre foram os radicais de ambos os lados. Enquanto a religião valer mais do que a razão (sem contar os óbvios interesses econômicos das lideranças do Hamas); isso nunca vai mudar.
O ponto chave é o reconhecimento do direito de Israel existir, por esses 57 países árabes, mais os palestinos. Infelizmente não vislumbro esse desejo partindo destes países, afinal, é impopular entre a população árabe em geral.
Um dos primeiros passos para tentar atenuar o conflito árabe-israelense é o fim do preconceito dos próprios árabes em relação aos palestinos, que são a unica”etnia” ou vertente de nacionalidade árabe que não possui o direito à migrar de outros países árabes.
Com todos os seus erros, Israel começou um processo de paz, quando decidiu reconhecer a ANP e, logo depois, retirou sua ocupação em Gaza. O que fizeram os palestinos em contrapartida? Elegeram o Hamas e expulsaram Abbas e a ANP. Isso dificulta qualquer governate israelense em conceder maior autonomia à Cisjordânia.
Não defendo a idéia de que Israel não tenho culpa no cartório, mas acho muito mais complicado o reconhecimentos da sua existência, pelos países árabes, do que convencer o governo israelense israelense a deixar às áreas palestinas livres da sua influência militar.
Governo opta por candidato egípcio para órgão das Nações Unidas
Ministro Celso Amorim nega pretensão a agência atômica
13/05/2009 08:20
Até o fim deste mês, o governo brasileiro pode se ver diante da situação incômoda de ter um brasileiro candidato a um cargo internacional de enorme visibilidade e prestígio — o de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) — sem o apoio do país. No último dia 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu com o chanceler Celso Amorim a adesão à candidatura do egípcio Hosni Farouk, ministro da Cultura, apontado como antissemita e por isso rejeitado por países como Estados Unidos e França. Um de seus adversários poderá ser o atual diretor-geral adjunto do organismo, Marcio Barbosa, que já foi diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e tem a simpatia da comunidade científica e acadêmica. O prazo para apresentação de candidaturas expira no próximo dia 31, mas a eleição deve ocorrer apenas em setembro.
chest- será que Lula vai ordenar um ataque às baseas aéreas israelenses?
Rodolfo, o que ocorre com os territórios onde palestinos ficam sem influencia militar israelense?
Viram show de foguetes em direção a Israel.
O Obama pode estsar cavando sua sepultura politica com essa história. Não li no original, só o PD, mas se a testosternoa aparente é do Obama ( enão do PD), em vez de arrumar amigos vai é arrumar mais um inimigo ( e que inimigo) no Oriente Medio.
#33
se bem q é o seguinte:
esse papo de desproporcional, se é da esquerda eu nao sei, mas é uma cretinice.
é até da natureza q se reaja com maior intensidade.
“Os EUA são pró-Israel pq consideram ser de seu interesse. No momento que passarem a achar o contrário, já era.” Acho que já começaram a achar. Ainda mais diante dos fracassos no Oriente Médio. A estratégia bushista foi para o ralo e levou os neocons da política externa junto. Os Eua criaram o super Irã! Quanta eficiência dos neocons!
Felipe, daqui não tenho nenhum tipo de problema… alguém mais?
É verdade Pedro, vez por outra fica impraticável acessar o Pandorama.
Iconoclasta, díficil de sustentar?
Calcule os mortos israelenses e os mortos pelos israelenses. Com certeza, haverá uma maioria esmagadora no segundo grupo - e se isto não é atacar mais do quê ser atacado, não imagino o que seja.
jack-be-lucky
Não é bem assim não… A questão é se Israel inciou os conflitos ou reagiu ao ser atacado.
Pablo, sua questão é pertinente, mas respondo com outra pergunta: armamento atômico é o mais adequado para combater grupos terroristas como o Hizbollah?
Se Israel tem só para botar medo nos inimigos, falhou. Se pretende usar, teremos um sério problema de desastre atômico militar envolvendo civis. Se não bota medo nem pretende usar, ter para quê? Assina o NPT logo.
Chesterton,
Exatamente. Gaza serviu como uma espécie de “laboratório”, do que seria uma unidade independente palestina. O que ocorreu? Em três anos, conseguiram eleger um partido terrorista, que nega a existência de israel, expulsaram o outro partido, eleito legalmente, depredaram todas as cinagogas que ficavam em áreas antes ocupadas por israelenses e aumentaram consideravelmente a quantidade de foguetes disparados contra o sul de Israel.
Me respondam; com este preâmbulo, como pode qualquer governante israelense cogitar deixar a Cisjordãnia, que fica próxima aos centros ecônomicos e culturais de Israel, sob o controle total da ANP?
Paulo Roberto,
Pode não colocar medo em grupos terroristas suicidas, mas coloca em nações que pretendem ou prentendiam varrer Israel do mapa. Uma coisa é um grupo teoricamente sem bandeira lançar alguns foguetes contra israel ou um homem bomba explodir uma boate em tel aviv, outra coisa é um país(es) mobilizar seu(s) exército(s) com o intuito de eliminar Israel.
Pode ter certeza, enquanto Israel possuir a bomba e o Irã ou a Siria não, eles vão pensar duas vezes antes de lançar um ataque deliberado.
Paulo Roberto Silva
Logicamente não. No filme “Senhor das Armas” o agente da Interpol fala para o traficantes de armas: “O AK-47 é a verdadeira arma de destruição em massa”.
A lógica das armas nucleares vêm da política de “mutual destruction” da guerra fria.
Agora discordo um pouco de sua frase: “Se Israel tem só para botar medo ns inimigos, falhou”.
Negativo. As armas nucleares de Israel fizeram que a estratégia de guerra aberta dos Estados Árabes e afins mudasse para uma tática de guerrilha. A guerra contra Israel deixou de ser uma guerra declarada de Estados para um apoio “por baixo dos panos” a grupos terroristas. Esse é um ponto.
Não é nenhuma coincidência que Israel não foi atacado por nenhum país após fazer sua bomba que os especialistas acham que foi por volta de 1975.
Só um detalhe: quem mais deu corda para o progrma nuclear israelense foi a França e não os EUA.
Outro ponto é que de certa forma Israel tem razão quando fala que o NPT não impediu que outros países pesquisassem e adquirissem armas nucleares.
O que nos faz lembrar que quando Israel iniciou seu programa nuclear, outros países do Oriente Médio também estavam procurando a bomba. Iraque que o diga.
Não ter relação diplomática bilateral não significa guerra permanente. Coréia do Sul e do Norte vivem um cessar fogo de mais de 50 anos, sem escaramuças. Bolívia e Chile não tem relação bilateral há quase 100 anos, sem guerras.
Claro que os países islâmicos e Israel são mais complicados que os exemplos citados.
+ Eu creio, Edu, que você se refere ao Incidente Vela, que foi uma possível cooperação Israel-África do Sul em testes nucleares que foi captada por satélites de segurança e nunca foi bem explicada. Pega muito mal essa revelação de informação secreta uma vez que já rolou uma mentira por parte dos envolvidos na investigação.
–X–
Já comentei no meu blog sobre essa liason dangereus do AIPAC com o Mossad. Realmente não se fazem mais covert ops como antigamente. Tudo vaza hoje em dia. O que é até bom. Aliás, um lobby pro-Israel é diferente de um lobby judaico? … things that make you go “hmmm?”…
em nenhum momento Israel precisou de armas nucleares para derrotar os árabes. Nem creio que deixou de ser atacado por supostamente ter bombas atomicas.
Chesterton,
Ganhou respeito, pode ter certeza. Militarmente, Israel sempre se mostrou superior aos seus vizinhos. Mas uma bomba atômica pode ter facilitado um acordo de cessar fogo com um egito pós Nasser, ou talvez tenha até evitado uma participação soviética mais efetiva, na época da guerra fria.
Não creio que com armas nucleares ou sem elas Israel tenha coragem de atacar o Irã sem a ajuda dos EUA - mas depois da derrota no Iraque e Afeganistão, sem chance. Em breve, mesmo atacar a Siria será bem complicado, quando chegarem as baterias antiaéreas russas. Um contra ataque convencional à Israel seria bastante destrutivo hoje, mesmo que seus inimigos não tivessem arsenal nuclear. Ou seja, o Oriente Médio não verá mais guerras abertas (Iraque e Líbano eram estados enfraquecidos ha décadas antes de serem atacados no século XXI). Ou elas serão pequenos apocalipses.
Bom post, boa discussão
talvez eu não vá contribuir para manter alto o nível mas…
assisti ontem filme sobre a relação de Mandela e um seu carcereiro por mais de quinze anos
e o Nelson Mandela liderou o CNA com uma política de atentados por anos
era chamado de terrorista por um governo que afinal teve que negociar com êle e oresto da história é conhecido
e o cara é, merecidamente, eu acho, um ídolo mundial, candidato a Prêmio Nobel da Paz, se é que não ganhou - tô com preguiça de pesquisar
acho que tem a ver com a conversa aqui
( e hoje assisti ATroca, o Clint é bom mesmo…mas esse não tem nada aver com o assunto aqui)
nada a ver
Jorge // 13/May/2009 às 19:50
” Não creio que com armas nucleares ou sem elas Israel tenha coragem de atacar o Irã sem a ajuda dos EUA - mas depois da derrota no Iraque e Afeganistão, sem chance”
Jorge caso eu não tenha compreendido bem, desculpe.
Mas quem perdeu a guerra do Iraque? Saddan, por certo.
E a do Afeganistão é uma guerra em andamento, não ?
A malta não muda nunca de pensamento…..
Israel vai precisar de muita sorte nos próximos anos e décadas.
Não aprende nada com o tempo, e irá sofrer com os radicais islamicos a mesma sorte de sofrimentos e aprendizados!
Lei daquele sujeito que muitos teimam em ignorarrrrrrrr!!!!
+ Se você quisr mesmo alguns segundos de diversão com o assunto em questão, eu posso indicar o Ground Zero… em poucas palavras, você pode testar o efeito de destruição das mais famosas bombas termonucleares da história, só que usadas na cidade que vocês escolher.
http://www.
carloslabs.com/projects/200712B/GroundZero.html
Divirta-se testando o que aconteceria se jogasse a “Little Boy” de hiroshima na Praça da Sé… posso dizer que, no Itaim, eu não seria atingido na hora. Depois testa a “tsar” Russa e veja pra qual cidade comprar uma passagem se tiver que fugir dela.
+ Se você quisr mesmo alguns segundos de diversão com o assunto em questão, eu posso indicar o Ground Zero… em poucas palavras, você pode testar o efeito de destruição das mais famosas bombas termonucleares da história, só que usadas na cidade que vocês escolher.
http://www.
carloslabs.com/projects/200712B/GroundZero.html
Divirta-se testando o que aconteceria se jogasse a “Little Boy” de hiroshima na Praça da Sé… posso dizer que, no Itaim, eu não seria atingido na hora. Depois testa a “tsar” Russa e veja pra qual cidade comprar uma passagem se tiver que fugir dela.
+ Se você quisr mesmo alguns segundos de diversão com o assunto em questão, eu posso indicar o Ground Zero… em poucas palavras, você pode testar o efeito de destruição das mais famosas bombas termonucleares da história, só que usadas na cidade que vocês escolher.
carloslabs.com/projects/200712B/GroundZero.html
Divirta-se testando o que aconteceria se jogasse a “Little Boy” de hiroshima na Praça da Sé… posso dizer que, no Itaim, eu não seria atingido na hora. Depois testa a “tsar” Russa e veja pra qual cidade comprar uma passagem se tiver que fugir dela.
Acho que há várias coisas que valem um comentário. Desde a definição de “terrorismo” lembrada pelo rabbit (e sempre lembrada pelo Elias, quando fala do Irgun e Haganah) até as relações político-religiosas, envolvendo a visita do Papa ao Oriente Médio.
Mas o que parece chamar a atenção é outro ponto importante: a circunstância de Israel ser praticamente o único (até agora) detentor de armas nucleares, ainda que não admitidas.
Não me importo de dizer que as primeiras informações que colhi dessas coisas, veio da leitura de best sellers, tipo Ken Follet , o que mostra que o segredo , sei lá, não era bem um segredo.
Porém, deixando de lado a imaginação romantica, Israel efetivamente está muito mais equipada a fazer frente a qualquer inimigo.
Portanto, que tal tomar a iniciativa da proposta dos dois estados?
Sei, com esse governo asqueroso de direita, de acordo com a clara (e assino embaixo), a coisa fica mais do difícil.
Entonces, a tênue esperança é uma mudança no governo, espero!
Impressionante a preocupação dos que detestam Israel, com a sua segurança. Chega a ser comovente, né HRP?
Amanhã Israel faz 61 anos contra tudo e contra todos. Uma sintese da vida, luta e gloria do povo judeu atraves dos seculos.
Yom Huledet Sameach ISRAEL.
Quanto as 200 ogivas nucleares, o seu “segredo” ja cumpriu o seu proposito. A sua revelaçao não muda absolutamente nada a ordem das coisas.
A posse dessas armas mantem os inimigos quietos no seu canto, inclusive o Irã que gosta de gritar e faz propaganda mais para se fazer um lider regional do que qualquer outra coisa.
acho que as armas nucleares não são fator fundamental contra os árabes ou persas, mas evita que URSS e EUA “mudem” de ideia.
Viva israel, gozado ver como PD et caterva gozam a possibilidade de vê-lo destruído.
Tenho a impressão que Obama vai fazer merda atrás de merda ali.
chesterton: eu não ‘gozo’ da possibilidade de ver Israel destruído… aliás, essa não é uma acusação que me façam com muita frequência…
Quem diria, eu não botava fé, mas não é que o Obama tá querendo mesmo enquadrar a bandidagem israelense?
encontrei a inspiração obaniana (do Obama-banana)
cnn
Os terroristas tem a bomba!
eua-iSSrael
As duas maiores organizações terroristas do planeta…
Caro Dória, creio que o “deslize” estadunidense em incluir Israel como potência nuclear já havia sido feita por um na administração Bush. Tenho a lembrança, mas não consigo achar a notícia (quem soube, elucide-me…). Esta afirmação de hoje, creio, foi mais premeditada: era para referendar a informação antes vazada e incluí-la dentro da pauta diplomática. Porque o lobby israelense nos EUA está pegando pesado desde a eleição de Obama, tentando “cercar” qualquer tentativa de negociação que não contemple plenamente os desejos de Israel. Por isso a ameaça de ataque constante de Israel…Mas, depois da declaração da diplomata de Obama, como Israel poderia atacar um país acusando-o de construir bombas nucleares, sendo ele mesmo uma potência atômica.
E veja: o primeiro teste nuclear israelense foi em 1976, junto com a África do Sul. Tão escancarado era este programa nuclear israelense que cito um livro de 2006:
“…(Israel) É o único país a receber ajuda americana que não precisa explicar como o dinheiro é gasto, o que torna virtualmente impossível evitar que ele seja usado para propósitos aos quais os Estados Unidos se opõem como construir assentamentos na Cisjordânia. Além disso, os Estados Unidos forneceram a Israel quase US$ 3 bilhões para o desenvolvimento de sistemas de armamentos, e deram ao país acesso a artefatos avançados como helicópteros Blackhawk e jatos F-16. Finalmente, os Estados Unidos dão a Israel acesso a informações que negam a seus aliados da OTAN, e fecharam os olhos para a aquisição por Israel de armas nucleares. Washington também dá a Israel um apoio diplomático permanente. Desde 1982, os Estados Unidos vetaram 32 resoluções do Conselho de Segurança da ONU críticas a Israel, mais do que o número total de vetos de todos os outros membros do Conselho de Segurança. Eles obstruem os esforços de Estados árabes para incluir o arsenal nuclear de Israel na agenda da AIEA. Os Estados Unidos socorrem Israel em tempo de guerra e tomam seu partido quando negociam a paz.” (trecho do livro The Israel Lobby and the U.S. Foreign Policy”, de John Mearsheimer e Stephen Walt, de 2006.
O que ratzinger não quer ver… é o terrorismo praticado por iSSrael:
”
Tortura, detenções ilegais, assassinatos; ataques com mísseis, helicópteros e caças de combate contra a população civil; anexação de seu território, deslocamento de civis de um lado a outro com o propósito de mantê-los encurralados; assassinatos em massa (como em Cana, Jenin, Sabra e Chatila para mencionar os mais óbvios); negação dos direitos de livre circulação, e livre circulação de civis, de educação e assistência médica; utilização de civis como escudos humanos; humilhação, castigos coletivos, demolições em escala massiva, destruição de terras agrícolas, expropriação de água, apoio aos assentamentos ilegais, empobrecimento econômico, ataques a hospitais, a trabalhadores de saúde e ambulâncias, assassinatos de funcionários da ONU…
”
Georges Bourdoukan.
E pensar que estes bandidos terroristas tem a bomba…
PD, olha essa:
“Israel tem 150 bombas atômicas, diz Carter a jornal”, da Agência Estado, de 13/05/09. Link:
http://www.noticiasdabahia.com.br/editorias.php?idprog=b618c3210e934362ac261db280128c22&cod=1686
Agora, vão dizer q não foi combinado previamente. Mas não foi, com a burocrata na ONU eo Carter em Londres?
uma delas apontada para Meca, caso algum motorista de camelo resolva bancar o engraçadinho.
pronto, Obama volta atrás mais uma vez, não mais vai permitir que fotos e documentos relativos a prisioneiros sejam divulgadas…mas é um cagão, diz que vai, não vai nem acaba “fondo”.
Elias # 6
O documentário em questão (bom por sinal) é “Jimmy Carter Man from Plains” do Jonathan Demme. O ativista israelense que você destaca é ALAN DERSHOWITZ, advogado americano que tem entre os seus chapéus o título de professor da escola de direito de Harvard.
Ele já atuou em diversos casa de expressão. Entre eles o de conselheiro da equipe de defesa que livrou o O.J.Simpson do xilindró. :(
casa = casos
Pedro Doria,
Acho que sua leitura do artigo do Haaretz foi um tanto estranha mas acho que vale comentar ainda assim.
Deixando de lado a discussão “Barak vs Amir Oren/Haaretz” você poderia realmente se dar ao trabalho de verificar o básico… longe de mim querer ensinar o padre a rezar missa mas:
Israel Termed A ‘Nuclear Power’ By US Officials
http://www.globalpolitician.com/2581-israel
Angelique van Engelen - 4/11/2005
“…Referring to a the five yearly NPT review conference next month, Jackie Wolcott Sanders, who is the ambassador to the Conference on Disarmament and the special representative of the president for the Non-Proliferation of Nuclear Weapons, wrote in the State Department’s electronic journal that the goal of universal NPT adherence ought to be highlighted. She said that it should be ‘reaffirmed that India, Israel and Pakistan may join the NPT only as non-nuclear-weapon states.’ Thereby implicating that Israel is a nuclear power, something the US officially doesn’t do very often.
…
Almost concurrently, another State Department official, Mark Fitzpatrick made similar comments Fitzpatrick speaking at a security conference of the Organization of American States (OAS).”
Diga-se de passagem, o mesmo Amir Oren publicou em 3 de Abril de 2005 no mesmo Haaretz, report sobre declaracões idênticas por parte dos diplomatas dos EUA.[1]
Você pode discordar do Oren mas o fato é que o que ele afirma é fato, assim como o Ehud Barak, a Der Spiegel se engana ao afirmar que:
“Something that sounded self-evident was in fact breaking a major taboo in US diplomacy. Washington had never before named Israel as a nuclear power. Every US administration has ignored, at least officially, Israel’s nuclear arsenal, which it first produced in the late 1960s and has modernized and expanded ever since.”
Fica evidente que premissa da Der Spiegel que você repete na sua análise é um tanto questionável. Não foi a primeira vez em que tal declaração ocorreu. O taboo já havia sido quebrado faz um bom tempo.
Ainda assim acho interessante ressaltar que tendo ocorrido em 2005, a declaracão antecede a vitória do Hamas, o conflito com o Hizbollah, incursões em Gaza e Israel se preparava para sair de Gaza. O otimismo na região era evidente e se você parar para pensar, o Presidente dos EUA era ninguém menos que George W Bush e a guerra contra o terror corria solta.
A sua teoria de “morde assopra” análise perde força.
Ainda assim a melhor das suas frases foi a idéia de que os EUA mandam, o mundo obedece…
Muito me estranha você dizer tamanha babaquice afinal os interesses geopolíticos dos países mudam, as alianças mudam.
Todos sabemos até o fim dos anos 60, Israel alinhava-se mais com a França e URSS do que com os EUA, o próprio reator de Dimona como alguém bem observou aqui, foi construído com ajuda da Franca e Inglaterra.
O mundo mudou? Sem dúvida! A França não tem mais problemas na Argélia, De Gaulle repousa na tumba, Mitterrand também.
O que você esquece é que com ou sem pressão Norte Americana, a Coréia do Norte oficializou sua “total adesão ao NPT” com uma bomba atômica e isso em um momento onde a política exterior dos EUA eram para lá de agressivas e ficou por isso mesmo. Se os EUA mandam, a Coréia do Norte peitou e ficou por isso mesmo…
Outro ponto muito bem apresentado pelo Oren e por qualquer um que tenha o mínimo de compreensão em relacão ao NPT é o seguinte:
No NPT há duas classes de países, aqueles que possuem bombas e aqueles que não possuem. Os países que não possuem, abrem mão do direito de desenvolver armas nucleares em troca de intercâmbio científico. É um acordo de adesão voluntária e mudar o NPT para acomodar os países que no momento estão fora dele é inviável.
Índia, Coréia do Norte e Paquistão, como poderes nucleares não tem como se tornar parte do NPT sem que se desafaçam de seus arsenais nucleares. Somente dois países fizeram isso até hoje, Ucrânia e África do Sul.
Considerando que a maior preocupação da Ucrânia é a Rússia, não faz o menor sentido manter armas nucleares com intuito de se defender. Melhor capitalizar os benefícios econômicos que vinham com a adesão ao NPT. Essa pemissa nao se aplica a India e Paquistao.
E o que dizer das interessantes as relações entre os EUA e a Índia durante a administração anterior, a qual patrocinou mecanismos que permitissem à India acesso à tecnologia nuclear sem adesão ao NPT? Que tal colocá-las no contexto da sua analise?
Sejamos práticos, o Ehud Barak tem interesses em minar a posição de líder do Netanyahu isso sem contar, interesses em obter certos benefícios de Washington muito mais práticos, tais como pedidos de armamento atualmente pendurados no Pentágono.
Acho que ainda é cedo para se discutir a tal proposta de paz, afinal ela ainda não foi oficializada, mas na boa, 57 países do oriente médio foi f*da. Dá-lhe Pedro!! São os 57 países países Islâmicos rapaz… Diga-se de passagem dos 57 países que iriam passar a reconhecer Israel, metade já o faz de qualquer forma, não é de se estranhar, afinal com uma lista tão variada de países é razoável esperar pouca coesão. Confesso que eu fiquei estupefato em descobrir que tanto a Guiana como Suriname fazem parte da lista dos países Islâmicos!
Em suma, respeito sua fé na “mudança e na esperança” mas com os EUA perdendo quase meio milhão de postos de trabalho só no mês de Abril ainda tá duro de visualizar de onde vem tanto otimismo em relação à gestão do Obama.
[1] O artigo está disponível nos arquivos do Haaretz caso você queria ler.
Credun Fas – bom ponto, o artigo da Der Spiegel está errado.
Mas eu não disse que os EUA mandam, o mundo obedece. Eu disse que os EUA estão comunicando isso a Israel. Se Israel vai pagar pra ver é outra história. As mensagens foram coordenadas, quase simultâneas, morde/assopra. Ehud Barak entendeu o recado. A premissa continua lá.
Pedro,
Releia o que você diz, afinal você de fato disse aquilo que afirma mas complementou com o infeliz complemento:
“Nós ditamos as regras, vcs obedecem.”
Mas sejamos mais objetivos em analisar as mudanças de rumo tomadas pelo Obama. Veja só, no fim de Abril você falava no seguinte:
“há real desejo de diálogo para evitar um Irã nuclear, trazer estabilidade para a Síria no desejo de tranquilizar o Líbano é importante”
Curiosamente a Casa Branca renovou o embargo à Síria há menos de uma semana atrás, isso depois da visita de diplomatas, congressistas. O que deu errado na estratégia da Casa Branca? Seria tudo isso um jogo de cena? Eu sou partidário de que tudo é possível… mas acho que se pode haver jogo de cena de um lado, pode haver de outro também.
Vale observar que nessa mesma análise, você argumentava que desde Janeiro o governo Israelense vinha tentando agendar um encontro entre Obama e Netanyahu, idéia a qual era recebida com frieza pelos EUA. Você pelo visto se esqueceu que o Netanyahu só viria a ser eleito em Fevereiro!.
Nota-se portanto como são freqüentes essas premissas confusas que você usa nas suas análises.
O Barak entendeu? Pode até ser mas ainda continuo achando que você continua muito otimista com o Obama. Gafes como a azia criada pela sugestão da entrada da Turquia na UE deixam claro que falta um pouco de bom senso na Casa Branca atual.
A possibilidade de Israel renunciar às suas armas nucleares é ZERO.
É a única garantia concreta e real de que Israel — que está de fora do “guarda-chuva nuclear” norte-americano da OTAN — não vai ser tragado e destruído pelos seus vizinhos ditatoriais.
Credun Faz,
Obrigado por citar a declaração da diplomacia do Bush. Não lembrava de onde eu tinha lido, minha memória era vaga, mas ticha certeza do fato em si.
No caso da análise do PD, acho q vcs dois estão certos: o Obama parece querer mudar a postura frente a Israel, aproximar dos árabes, mas o Legislativo dos EUA não. Nem o pessoal de carreira, já “doutrinado” por oito anos de governo republicano. Então, a cartada é jogar pela via diplomática com a pressão dos fatos (que o lobby judaico abafava antes) o mais possível, porque nos atos os EUA não vão mexer uma palha. Resta saber onde vai dar.
tb acho, é só papo, Obama grita na retórica e recua no ato.
Tá la no Terra, citando o Haaretz:
Obama manda Israel NÂO atacar o Irã
acho que até o google language tools traduz melhor q os funcionários do terra… :-)
ISSrael?????
ahahahahahahahahhhhhh!!!!!
Valeu Fábio!
Enquanto estiver viva a lembrança e a consciencia das consequencias das duas explosões nucleares no Japão muito dificilmente alguém ousará de novo usar esse poder como arma ,seja de defesa ou ataque…..é sandice ……mas em se tratando de radicais islamicos e possessos israelenses até pode ser……
Deus os afaste de NÓS!
Sílvio,
Eu me referi a um “intelectual judeu” e não a um “ativista israelense”. Mas não sabia que o cara era americano nem conhecia as credenciais acadêmicas e profissionais do péssimo.
Imaginei que os palestinos não concordariam em que suas eleições fossem fiscalizadas por um israelense.
Pois eles — palestinos — fizeram pior: concordaram em que esse Alan Dershowitz acompanhasse o Jimmy Carter.
Dershowitz pode ser professor em Harvard, Prêmio Nobel e o escambáu a quatro. Mas, como analista da questão árabe-israelense ele atrapalha.
Vá ser obtuso assim na baixa da égua!
Sou, decididamente, pró-Israel.
Mas me reservo o direito de ter opinião crítica sobre a política do governo israelense em relação aos palestinos. Fazendo um retrospecto dos últimos anos, não concordo com quase nada.
Minha opinião sobre o Hamas, o Fatah e sobre a conduta geral da OLP não é melhor. Aliás, é pior.
Mas não acho que seja uma boa um observador internacional, em missão reconhecida pelos próprios palestinos, tornar público um juízo de valor depreciativo sobre tal ou qual organização palestina.
Ele foi observar o processo eleitoral. O Hamas venceu limpamente? Venceu. Isto é tudo. Nada mais a declarar.
Aí o cara sai de lá dizendo que o Hamas é fascista; que Hitler também conquistou o poder absoluto por meios legais, que Hitler deveria ter sido travado no nascedouro e assim por diante.
Como se fosse possível colocar um sinal de igualdade entre o Hamas e Hitler…
Qual a contribuição disso para o processo de paz? Nenhuma!
Se os palestinos decidem eleger o Hamas, o DEM, o MIR ou a diretoria da CBF pra governá-los, o problema é deles. O que interessava, para aquele momento, é que a eleição fosse limpa.
Elas por elas, as escolhas eleitorais israelenses não têm sido melhores que as dos palestinos. Volta e meia, têm sido piores.
Legitimada a eleição, legitimado estaria o Hamas no poder. Daí pra frente, era de se ver o que ele faria, em termos concretos.
Mas, não! Baixaram o cacete no Hamas antes mesmo da posse. Cortaram — ou reduziram drasticamente — a ajuda econômica à ANP.
Na realidade, Dershowitz não falava só.
Deu no que deu.
E a paz ficou mais difícil.
Agora vem o Obama com um plano super-híper-ultra-extra ambicioso, exatamente num momento em que os EUA estão de maré baixa, com sua capacidade coercitiva significativamente afetada pela crise econômica.
Lamento dizer, mas isso é jogo pra galera. É foguetório. Não é pra valer. É enrolação.
E a paz ficará ainda mais difícil.
Mais valeria alguns acertos discretos com Irã, Síria e Arábia Saudita. Com participação do Egito, evidentemente. Longe dos holofotes.
Em seguida, direto ao ponto. Israel e palestinos (é aí que o Egito pode bater um bolão).
Sei não, mas esse Obama já começou a me decepcionar. Esperava dele um comportamento mais sóbrio e mais conseqüente. Menos pirotécnico. Tá mais que na hora de descer do palanque e começar a governar.
Vamos ver por quanto tempo ele insistirá em enganar. E por quanto tempo ele conseguirá enganar.
vale a iniciativa.
Um assunto subjacente a esse post é a perspectiva de paz…
pois é, o Lula ganhou o pré-nobel da Paz!!!
bacana, não?
Boas….
Essa discussão está interessante, tirando umas bobagens anti- Israel e outros excessos pró, peço aos que insistem em afirmar que Israel é dependente dos EUA. Guadem 2 nomes importantes e quem quiser vai chegar onde eu espero. INTEL e MOTOROLA.
P.S.: Não se esqueçam que os aviônicos que embarcados nos Caças de ultima geração nos EUA sua tecnologia de ponta vem do Instituto Techinion , próximo a Tel Aviv. Inclusive da FAB que mandou para Israel para upgrade todos os seus Caças. Apesar da chamada politica pró-arabe de Luiz. Por hora é só.
Escuta… nenhuma palavra sobre mais este massacre de mulheres e crianças promovido pela ditadura ianque?
Mais de 150 assassinados no Afeganistão…
http://www.rebelion.org/imagenes/p_14_05_2009.jpg
Não está na hora do queniano tomar vergonha na cara?
Todo sorridente, falando em paz… e assassinando civis indefesos.
Quem querem enganar?
Motorola foi fundada por Paul V.Galvin em 1928!, em Chicago……
IBM, americana com extensão no mundo todo ,também em Israel e num super centro de desenvolvimento de software na India, e daí????
INTEL?
Tem sim extensão em Israel……fazem lá os processadores centrino, né/?????Mas é americana. Aliás esses centrinos são uma bela m……
Quanta bobagem…….
Por fim:
A AMD virou israelita também??????
Fabio:
O OBAMA reinaugurou os tribunais militares tipo aquele de Guantanamo……
Tá botando as manguinhas de fora!
Boas….
Referente ao #92. Você não entendeu nada e ainda recorreu as pesquisas via Google. Tente outra vez.
Regards.
Eu não entendi mesmo…..mas se tratando com as maravilhas israelitas, “agente” tem que topar pela frente com “sabichões” de net como esse aí……
Google?
Pode ser ou não….aliás eu prefiro os jornais e revistas, as vezes livros, mas por que não ,também, o Google…..
E cara voce foi lá ao Pandorama me chatear?
Que infantil nêgo!!!!!
AHAHAHAH!!!!!!
Aliás , eu prefiro tecnologia vinda do Japão!
São tão criativos e seus inventos sempre tão eficientes.
Adorei minha estada no Japão…..foi enriqueçedora!
para o debate livre
Shimon nada-Churchill Peres*
Uri Avnery, 9/5/2009
Antes de tudo, peço desculpas a todas as boas mulheres que trabalham na mais antiga profissão do mundo.
Há alguns dias, escrevi que Shimon Peres é “prostituta política”. Uma de minhas leitoras protestou vigorosamente. As prostitutas, disse ela, ganham a vida honestamente e entregam o que prometem.
O presidente de Israel, ao contrário, só acidentalmente diz alguma verdade. É impostor. Aplicam-se a ele as palavras de Winston Churchill sobre um ex-primeiro-ministro: “É homem que vez ou outra até tropeça na verdade, mas segue adiante, como se nada tivesse acontecido.” Ou o que o ex-ministro Amnon Rubinstein disse de Ariel Sharon: “Cora, quando diz a verdade.”
Como caixeiro viajante que vende mercadoria falsificada, Peres anda vendendo mais uma, que atende pelo nome de Binyamin Netanyahu. Apresenta ao mundo um Netanyahu que os israelenses jamais conhecemos: pacifista, epítome da confiabilidade, homem cuja única ambição seria entrar para a história como fundador do Estado da Palestina. Um Judeu Virtuoso, para pôr no chinelo todos os Não-Judeus Virtuosos [ing. Righteous Gentiles[1]].
Pois todas essas mentiras são nada, se comparadas a Peres ter trivializado o Holocausto. Em alguns países, é crime punível com prisão.
Trivializar o Holocausto é coisa que se faz sob várias máscaras. Por exemplo: dizer que jamais houve câmaras de gás. Ou dizer que não foram mortos 6 milhões, mas apenas 600 mil. Seja como for, a forma mais daninha de trivializar o Holocausto é minimizá-lo, como se tivesse sido um evento dentre outros, convertendo-o em “evento da história”, como fez, infame, Jean-Marie Le-Pen.
Essa semana, Shimon Peres cometeu exatamente o mesmo crime.
Como lacaio que anda alguns passos à frente do rei, jogando flores no tapete, Peres foi aos EUA preparar o terreno para a próxima visita de Netanyahu. Impôs-se a um relutante Barack Obama, que, sem escolha, teve de recebê-lo.
Fazendo-se de neo-Winston Churchill – o homem que alertou o mundo para a ascenção da Alemanha nazista –, Peres informou Obama, em tom de solenidade bombástica: “Como judeus, temos de comparar o Iran à Alemanha nazista.”
Sobre essa frase, é preciso dizer pelo menos três coisas: (a) é mentira; (b) trivializa o Holocausto; e (c) reflete política catastrófica.
O Iran realmente assemelha-se à Alemanha nazista?
Não gosto do governo do Iran. Como ateu militante, insisto na total separação entre Estado e religião e oponho-me a qualquer governo baseado em qualquer religião – no Iran, em Israel, em qualquer país.
Também não gosto de políticos como Máhmude Ahmadinejad. Sou alérgico a líderes que falam de palanques e declamam discursos para as massas. Detesto demagogos que apelam aos instintos basais de ódio e medo.
Infelizmente, Ahmadinejad não é o único líder desse tipo. De fato, o mundo está cheio deles; alguns apoiam firmemente o governo de Israel. E há outros, do mesmo tipo, também em Israel.
Mas o Iran não é Estado fascista. Há liberdade, no Iran, inclusive a liberdade de expressão. Ahmadinejad não é candidato único na atual campanha eleitoral; há vários candidatos, uns mais radicais, outros menos.
Nem o Iran é Estado antissemita. Lá vive uma comunidade de judeus que se recusam a emigrar e vivem confortavelmente, gozando plena liberdade religiosa e com representantes no Parlamento. Ainda que as informações não mereçam total confiança, é claro que os judeus não são perseguidos no Iran como foram perseguidos na Alemanha nazista.
E, mais importante: o Iran não é país agressivo. Há séculos vive em paz com seus vizinhos. A longa e sangrenta guerra Iraque-Iran foi iniciada por Saddam Hussein. E que ninguém esqueça que, naquela guerra, Israel (ao contrário dos EUA) apoiou o Iran e forneceu-lhe armas. (Por acaso, um desses negócios de venda de armas foi descoberto nas investigações do “Irangate”.) Antes da revolução de Khomeini, o Iran era o mais importante aliado de Israel na Região.
Ahmadinejad odeia Israel. Mas já foi desmentido que tivesse ameaçado aniquilar Israel. Parece que a frase crucial no seu famoso discurso foi mal traduzida: ele não disse que varreria Israel do mapa; disse que Israel desaparecerá do mapa. Sinceramente, não vejo grande diferença entre as duas versões. Sempre que um líder de país grande preveja que meu país desaparecerá, eu fico preocupado. Se o outro país estiver fazendo o possível para produzir uma bomba atômica, fico ainda mais preocupado. E tiro conclusões – sobre as quais falarei adiante.
Mas Ahmadinejad – ao contrário de Hitler – não é líder supremo de seu país. Acima de sua liderança, há a liderança dos cléricos. Nada faz crer que sejam bando de aventureiros. Ao contrário, parecem ponderados, sofisticados e prudentes. Atualmente, cautelosamente preparam as vias de diálogo com os EUA, tentando um acordo que não os obrigue a sacrificar suas ambições regionais, o que é bem normal.
Em resumo, os discursos de um líder demagogo não convertem seu país em Alemanha nazista. O Iran não é país de doidos e não tem interesses importantes na questão Israel/Palestina. Seus interesses estão todos localizados na área do Golfo Persa; o Iran quer ter maior influência no mundo árabe e muçulmano. Relações com Síria, Hizbóllah e Hamás são mais importantes para esse objetivo; o incitamento contra Israel, feito por Ahmadinejad, também.
Em resumo, não há base factual para compararem-se o Iran e a Alemanha nazista. E, do ponto de vista judeu, a comparação fica ainda pior.
O Holocausto foi crime único. É verdade que o século 20 viu outros atos terríveis de genocício, mas nenhum semelhante à Shoa. No império otomano, houve um horrendo massacre de cidadãos armênios que teve proporções de genocídio. O próprio Hitler referiu-se àquele massacre e disse que a aniquilação dos judeus também seria esquecida. Stalin matou milhões de cidadãos soviéticos em nome de uma ideologia monstruosa, que havia nascido como credo humanista. E o mesmo fez Pot Pol, que matou milhões, como se assim fosse possível mudar a sociedade para melhor. Em Ruanda, uma tribo massacrou outra. E assim segue a lista, desgraçadamente.
Mas só a Alemanha nazista empregou instrumentos de uma moderna sociedade industrial para eliminar minorias sem defesa (não esqueçamos do genocídio dos ciganos ["Roma"], a perseguição aos deficientes fisicos e aos homossexuais), em processo prolongado, planejado e altamente organizado, com a participação de todos os órgãos do Estado. Se o regime nazista não tivesse sido derrotado em guerra, Hitler teria prosseguido até a aniquilação de mais milhões de poloneses, ucranianos e russos.
Nada disso se vê, de modo algum, como possível, no Iran. Não há a ideologia, nem a composição do regime nem há qualquer outra indicação que leve a pensar nessa direção. Quanto à crescente capacidade nuclear – Israel tem poder de contenção suficiente para impedir qualquer avanço nessa direção. (E não esqueçamos que, até hoje, no mundo, só os EUA usaram bombas atômicas; EUA, amigo de Israel.)
Nada do que está acontecendo no mundo é semelhante à Shoa, com seus seis milhões de judeus mortos. Nem os palestinos mataram seis milhões de israelenses, nem os israelenses matamos seis milhões de palestinos. Comparar os árabes aos nazistas e tão odioso quanto comparar os israelenses aos nazistas. Coisas terríveis foram e continuam a ser feitas em nome dos israelenses – mas estão tão longe do que os nazistas fizeram quanto a Terra está longe das galáxias mais distantes.
A comparação que Shimon Peres inventou, em nome de fazer propaganda para obter vantagem imediata, é trivializar o Holocausto e os que o perpetraram. Afinal, se os nazistas não tiverem sido piores que os aiatolás… então o Holocausto, no frigir dos ovos, nem foi assim tão terrível…
Em todos os meus contatos com líderes palestinos, inclusive com Yasser Arafat, sempre os aconselhei a evitar essa comparação. É bom conselho também para os políticos israelenses.
Comparar o Iran e os nazistas alemães pode ser útil a Israel?
O Iran está onde sempre esteve. Foi aliado de Israel no passado e pode voltar a ser aliado de Israel no futuro. Presidentes vão e vêm, mas os interesses geopolíticos são mais persistentes. Ahmadinejad pode ser substituído por outro líder, que veja os interesses do Iran sob outra luz.
A ameaça nuclear a Israel não desaparecerá – nem depois de algum péssimo discurso de Peres nem depois de algum ótimo discurso de Netanyahu. Por toda a região pipocarão novas instalações nucleares. Não há o que detenha esse processo. Todos precisamos da energia nuclear para dessalinizar a água e para produzir eletricidade sem destruir o meio ambiente. Como disse essa semana um professor israelense, ex-empregado no centro nuclear de Dimona: Israel tem de repensar sua política nuclear. Pode bem ser o caso de Israel ganhar mais, agora, se aceitar o convite da secretária Clinton e (como a Índia e o Paquistão), assinar, afinal, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em regime de estrita supervisão.
Hoje, o presidente Barack Obama está dizendo a Israel: ponham fim ao conflito Israel-Palestina. Essa é a única precondição que, se atendida, eliminará qualquer ameaça a Israel. Quando os palestinos e o mundo árabe fizerem a paz com Israel – o Iran ficará impedido de explorar o conflito com vistas a atender seus interesses. Isso, aliás, é o que temos dito sempre, há anos.
Netanyahu-Lieberman-Barak sempre se recusarem a aceitar essa precondição para a paz mostra o quanto são falsos seus argumentos contra o Iran.
Se realmente acreditassem que o Iran significasse alguma ameça real, teriam evacuado as colônias em território ocupado e já teriam desmontado os postos de controle. De fato, esse é preço barato a pagar, se disso depender a sobrevivência de Israel. Se não cogitam de fazer nada disso… então fica provado que a ideia de que o Iran representaria alguma ameaça de vida ou morte contra Israel é puro blefe.
Quanto à comparação entre Iran e Alemanha nazista – tem tanto de aproveitável quanto teria alguma comparação entre Shimon Peres e Sir Winston Churchill.
+++++++++++++++++++++
* URI AVNERY, “Sir Winston Peres”, 9/5/2009, em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1241302160/. Tradução de Caia Fittipaldi, autorizada pelo autor.
[1] “Righteous Gentiles” [literalmente "não-judeus virtuosos"] é expressão que designa os não-judeus que arriscaram a vida para salvar judeus durante o Holocausto. No Museu Yad Vashem em Jerusalém listam-se os nomes de mais de 11 mil “Righteous Gentiles”.
Raramente concordo com Uri Avneri, mas, nesse texto, ele disse um monte de coisas altamente proveitosas.É preciso parar com a banalização de termos como “fascista”, “nazista” e “Holocausto”, em que pese o enorme esforço em sentido contrário, incessantemente despendido por um verdadeiro exército mundial de imbecis, cuja ação é potencializada pela Internet.E isso vale para os dois lados.É preciso colocar a “ameaça” que o Irã representa para Israel, em seus devidos termos (e muito bem lembrada a mãozinha que Israel deu à república dos aiatolás, na guerra Irã-Iraque).É preciso, por fim, ir ao que realmente importa: a celebração de um acordo entre Israel e os palestinos. O que não depende — de modo algum — da interveniencia de 57 países. Nem de 56. Nem de 50. Nem de 30…
Raramente concordo com Uri Avneri, mas tenho um monte de afinidades com o que ele disse no texto acima.
É preciso parar com a banalização de termos como “fascista”, “nazista” e “Holocausto”, em que pese o enorme esforço em sentido contrário, incessantemente despendido por um verdadeiro exército mundial de imbecis, cuja ação é potencializada pela Internet.E isso vale para os dois lados.
É preciso colocar a “ameaça” que o Irã representa para Israel, em seus devidos termos (e muito bem lembrada a mãozinha que Israel deu à república dos aiatolás, na guerra Irã-Iraque).
É preciso, por fim, ir ao que realmente importa: a celebração de um acordo entre Israel e os palestinos. O que não depende — de modo algum — da interveniencia de 57 países. Nem de 56. Nem de 50. Nem de 30…
Desculpem o repeteco.
Pensei ter perdido o texto. Reescrevi. Quando coinsegui transmitir, é que vi que o primeiro texto havia sido publicado.
Elias,
Clap, clap, clap!