Israel Nuclear, Obama e a solução
que passa por 57 países

EUA · Israel e Palestina · Oriente Médio · 13/05/2009 - 11h50 - 101 Comentários

Cerca de uma semana atrás, uma burocrata norte-americana chamada Rose Gottemoeller se apresentou ao plenário das Nações Unidas. Ela está no alto escalão do governo Obama. Lidera as negociações de desarmamento nuclear com os russos e é a responsável, no governo, pelo NPT, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. À ONU, comunicou que seu projeto é trazer para o NPT todas as nações que não estão nele, incluindo aquelas que já são poderes nucleares. Teria sido um discurso corriqueiro dentre os inúmeros que ocorrem diariamente na ONU, não fosse um único detalhe.

Gottemoeller citou Israel em sua lista.

Os EUA, pela primeira vez, reconheceram que Israel é oficialmente um poder nuclear e isso, diplomaticamente, é um longo caminho andado. Sempre houve um acordo tácito de que a questão não seria citada por uma compreensão norte-americana de que Israel precisava de suas nukes. Após ser constantemente alvo de ataques por parte dos países vizinhos, os mísseis teriam cessado as agressões. Talvez. Mas os anos 1970 foram há muito tempo, Golda Meir e Richard Nixon já estão mortos há anos, o mundo é outro e, desde a Guerra do Líbano, Israel mais ataca do que é atacada.

Barack Obama tem, como todos os presidentes norte-americanos que o antecederam, um plano de paz para a região. Mas há algumas diferenças. A primeira é o timing. George W. Bush só começou a se dedicar à paz entre Israel e Palestina nos seus dois últimos anos de mandato. Bill Clinton, também. Obama já tem gente chave trabalhando desde cedo. A segunda diferença é o escopo. Tanto Bush, quanto Clinton, quanto seus antecessores até Jimmy Carter, que promoveu a paz entre Israel e Egito, se focaram na relação de Israel e seus vizinhos. Obama propõe um plano de paz para 57 países.

O objetivo é conquistar o reconhecimento de Israel por parte dos 57 países do Oriente Médio. Permitir que cidadãos israelenses possam ter visto de entrada nos países da região, que aviões da El Al possam trafegar por seus aeroportos, acordos comerciais fluam sem precisar de intermediários.

O raciocínio é que, se houver relações diplomáticas estáveis, os governos serão obrigados a mudar seu discurso e, a partir daí, os radicais se sufocarão. Para a maioria dos governos, estabelecer relações diplomáticas com Israel é um passo impopular. Ninguém quer se isolar. Fazerem todos, em conjunto, é provavelmente a única maneira de conseguir fazer.

Opositores à política é o que não faltam. Os EUA já começaram a se afastar de Israel. E, no governo israelense, mau humor por conta é o que não falta. Este será o grande empecilho. Richard Nixon talvez não faça falta, mas gente da estatura de Golda Meir e Yitzhak Rabin faz. O problema da tática de Obama é esse. Não adianta nada combinar com o mundo árabe se o governo de Israel não cooperar.

Uma dica – Enquanto o papa Bento 16 caminha pela Terra Santa, não é sem polêmicas. O Maurício Santoro tem um bom post explicando sua relação com os israelenses.

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