Maconha, o direito de se manifestar
e o crime de apologia
O post do Lula Borges sobre a passeata da maconha vale ser lido, sim. Sei que alguns de vocês rejeitam de primeira, mas vejam: o texto expõe um argumento de forma tranquila, demonstra uma preocupação e propõe uma discussão. É uma discussão bem mais profunda do que a questão da maconha. Vai no cerne do conceito de democracia. Discordo de Lula em quase tudo – mas não em tudo.
Primeiro ao argumento a respeito do fórum adequado para discutir a legalização da maconha:
O fórum para essa discussão é, evidentemente, o Congresso Nacional e suas comissões temáticas, e não a praia de Ipanema. A marcha não serve para discutir os complexos aspectos legais da discriminalização, de segurança e de saúde públicas, as implicações psicológicas e sociais, ou a progressividade do vício da maconha para outras drogas e, last but not least, do combate ao tráfico.
Lula Borges considera que marchas simplificam a questão. É claro que simplificam. Marchas, passeatas, sempre lidam com slogans. Abaixo a ditadura, em 1968; Anistia ampla, real e irrestrita, em 78; Diretas, já, em 84; Fora, Collor, em 92.
No Brasil, temos uma profunda dificuldade de compreender o que é espaço público e o que é espaço privado; nos confunde o que pode fazer num ou noutro ambiente. Aqui nos EUA, a Suprema Corte passou duas décadas, entre finais dos anos 1950 e meados dos 70, discutindo se e em que circunstâncias a Ku Klux Klan poderia marchar com seus mantos brancos no espaço público. Chegaram à conclusão de que pode, mas há um limite: não pode sugerir ameaça à integridade de ninguém, seja um grupo genérico, seja indivíduos específicos. A exposição de um ponto de vista em público é realmente complexa.
Em Londres, a Speakers’ Corner do Hyde Park é o centro simbólico da democracia britânica. Lá, qualquer um pode colocar um caixote no chão, subir, declarar-se contra ou a favor de algo e engatar no discurso. Uma das primeiras liberdades tiradas por ditaduras recém-implantadas é sempre o direito à livre congregação. Ditaduras não querem que pessoas se reúnam, nem no espaço público, nem no privado, para discutir e manifestar em conjunto uma opinião.
O direito a marchar em favor de uma ideia está no cerne da democracia. É evidente que a discussão a respeito de uma ditadura é muito mais complexa do que o slogan ‘Abaixo a ditadura’ pode sugerir. Mas quando cem mil se reúnem para dizê-lo em comum, estão comunicando ao governo que já têm uma opinião formada e gostariam de ação. Sim, em 68 o governo atuou: reprimiu mais. Em 92, o governo também atuou. Gente demais na rua pedindo o encerramento precoce do mandato do presidente? O Congresso agiu.
Marchas são eficientes: provocam ação.
É só que, no caso da marcha da maconha, é gente de menos, desorganização demais, para conseguir iniciar o debate. E este é o ponto chave.
Lula Borges tem razão: é no Congresso Nacional que a discussão da reforma das leis tem que ser travada. Mas o Congresso brasileiro não age. Reage. No caso brasileiro, com baixa qualidade dos parlamentares, isso é um pouco pior. Congressos, no entanto, são assim em todo mundo. Assuntos são trazidos à pauta por pressão. Pressão econômica, pressão de lobbystas, pressão política, pressão da imprensa. O povo só tem uma arma para exercer pressão: as ruas. Se gente o suficiente for às ruas se manifestando a respeito de um assunto, Congressos reagem e se lançam à discussão.
Os problemas do argumento de que não se deve marchar, deve-se discutir no Congresso, são dois. O primeiro é que o direito de se manifestar a favor ou contra uma ideia no espaço público é uma das pernas essenciais da democracia.
O segundo é mercadológico. O Congresso é um mercado no qual discussões diferentes disputam um espaço finito. Democracias têm mecanismos para filtrar que ideias ganham espaço. O mais fundamental é a manifestação popular.
(A essência do conservadorismo é ser contra mudanças. Todo conservador sempre chamará quem vai à rua pedir mudanças de arruaceiro, de alguém que não sabe para que serve o espaço público.)
Aí, por fim, chegamos à questão exposta por Lula Borges: apologia às drogas. É crime no Brasil. Só é crime porque o país não tem um equivalente à Primeira Emenda norte-americana, que afirma de saída que o Congresso não pode legislar a respeito da manifestação de ideias.
A lei contra apologia às drogas, no Brasil, é complicada. Complicada porque está frequentemente flertando com censura. Não estou sugerindo que a briga é simples: não é. Volto à KKK nos EUA. Foram quase 20 anos de casos, um após o outro, trazidos à Suprema Corte, para definir onde acaba a expressão e onde começa o crime.
Na questão da maconha, como o próprio Lula Borges diz, a favor de sua legalização estão o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Carlos Minc, o falecido Nobel de economia Milton Friedman. É uma discussão presente agora. Uma discussão aberta. Pública. Flerta com ‘apologia ao crime’? Flerta, claro. O problema é que ‘apologia ao crime’ torna virtualmente ilegal discutir a questão em público, manifestar uma opinião mais enfática.
Crimes são diferentes. Não é porque aborto é crime que devemos ser proibidos de defender aborto. Existe uma discussão pública mundial a respeito da questão. A discussão deve ser estimulada, não coibida. Argumentar com o ‘imagine alguém defendendo o estupro’ não é honesto. O crime de estupro não é polêmico. Esquerda e direita, libertários e conservadores, não importa como os classifique, disputas ideológicas não passam pelo estupro.
Deveríamos todos, pois, ir à praia marchar contra o crime de apologia ao crime.
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felizmente ha gente disposta a mudar, como houve na aboliçao dos escravos e em inumeras outras situações.
chest- estranha ilação, pois as drogas não liberam, e sim escravizam…..
uma perguntinha, já que parece que se calaram…porque liberar a maconha e não liberar cocaina e crack?
Outra perguntinha: porque manter a maconha proibida e o álcool liberado?
vai ver é porque é líquido…..
Sinceramente eu vejo como ingenuidade esses movimentos de intransigente defesa da total liberdade individual.
Muitas vezes são os outros que sabem aquilo que é melhor para nós.
É como dizem os religiosos: “Deus não nos dá aquilo que queremos e sim aquilo que precisamos.”
Como diz a famosa oração: “ Seja feita a tua vontade…”
Já foi provado que achar que todos procuram apenas aquilo que é bom para si é algo totalmente fora da realidade.
Ainda bem que existe o Estado e a sociedade para aparar as arestas de cada um.
o problema do álcool é que já foi comida, isto é, era consumido por seu valor calórico (sim, tal qual os carros flex, álcool serve para nos manter ativos).
Na idade média a cerveja era chamada de o pão líquido. E a presença de álcool era procurada para manter o alimento conservado, durava mais dias digerivel que o pão, que se deteriorava em poucos dias. O mesmo se aplica ao vinho, suco de uva estraga mais rápido que o vinho. E a destilação do vinho para produzir bebidas mais fortes tb apareceu no sentido de preservação para transporte. Os franceses que vendiam vinho para a Inglaterra e Holanda recebiam queixas de seus clientes que o vinho não suportava a viagem maritma, dai destilarem o produto para reconstituir no porto de destino, só que o destilado fez sucesso.
Querem comparar essa tradição com maconha? Pelamordedeus.
#15o
é possível, mas vc, por exemplo, é incapaz de refutar com evidencias.
#151
opa, agora apelamos para um clichezinho, ja tamo jogando p/ galera.
so tem um probleminha: proibi-las tampouco liberta.
#152
qd eu falo de liberdade de escolha, ela é ampla e irrestrita, logo as referidas encaixam-se. mas convem q seja uma coisa de cada vez, a sociedade deve se acostumar e se educar.
Chesterton,
Você tá querendo desqualificar a comparação da maconha com o álcool por causa do valor histórico? Tá achando que a humanidade começou a fumar maconha na semana passada?
Tenha a santa paciência…
O cliche é dizer que as drogas libertam, que ela escraviza é só visitar alguma clinica psiquiatrica, assim como que não qwuer nada, para constatar.
A sociedade tem que se educar? Naõ entendi.
Para mim o grande exemplo histórico do resultado da liberação de drogas é a China em fins do séc. XIX.
E não desejo aquilo para o Brasil de jeito nenhum
Maconha como alimento? Não conheço.
E olha que nem entramos na comparação com medicamentos controlados, cujo uso recreativo é proibido.
Chest,
para criar uma piadinha infame.
Os maconheiros podem alegar que a maconha é alimento para o espírito.
o fato do alcool ter sido alimento nao impediu q fosse marginalizado nos anos 20 nos EUA. as drogas nao tiveram sempre o mesmo tratamento legal q tem hj, nem aqui nem em qq outro lugar.
vale mesmo a pena alegar tradiçao?
# 159
pois é, e proibi-las nao ta sendo muito eficiente, nao é mesmo?
aproveitando o alcool: e a recuperaçao de alcolatras, como se da? o ambiente é feliz?
a sociedade tem q se educar, se acostumar com novos costumes, aprender a tolerar e respeitar os limites, o espaço dos outros. isso nao vem de uma hora para outra.
Lula Borges lembra no seu blog que nunca escreveu “passeata é desordem”, como consta na home do Pandorama.
Discussão inútil. Passeata inútil e reivindicação inútil. A questão é individual e ponto final. O indivíduo que quer consumir, na situação atual, corre o risco ou muda de vida.
Pra mim, que já experimentei maconh, há muitos anos, a fase já passou.
A questão agora são as smart drugs. Drogas do século XXI. Essa discussão sobre maconha é herdeira de 68 e a cocaína herdeira do glamour hollywoodiano dos anos 70 e 80.
O século XXI abre possibilidades, não só com as smart drugs, mas com as potencialidades da tecnologia para alterar estados de consciência. Não será preciso, dentro de poucos anos, recorrer a drogas fumáveis ou aspiráveis, mas simplesmente ligar um equipamento para sincronizar as ondas cerebrais para se obter determinado fim (recreacional, trabalho intelectual, etc.).
Até os maconheiros deveriam se atualizar, pois como se sabe há os canabinóides sintéticos, que podem ser fumados junto com tabaco, misturados ao suco, ao café, etc.
As carolas caretonas gostam e temem as aparências. Com os canabinoides sintéticos, o problema do cheiro, a imagem do cara fumando um “porro” (como dizem os espanhois) são agressivos e provocam pânico.
Com os canabinóides sintéticos nada disso ocorre. Um cara pode drogar-se em uma pizaria, em um cinema, em qualquer lugar, basta adicionar umas gotinhas do produto.
Toda essa discussão é inútil e inócua. Coisa de gente do século XX. Ultrapassados.
Ah sim, os canabinoides sintéticos são fáceis de produzir. Em poucos anos, poderão ser elaborados em uma cozinha caseira … Nada como o avanço tecnológico, não é?
os efeitos do alcoolismo são catastroficos, ainda que menos que os efeitos das drogas como morfina e crack. O crack então é uma peste.
Smart, a mesma tecnologia que existe para fabricar novas drogas existe para detectar os usuários. No futuro teremos uma briga de gato e rato assim como no doping dos esportes.
Melhor ficar limpo.
#166-167-168-:-))
filantropia
cnn
parece que tem gente arrependida….
cnn, é claro.
O problema é que como prova o ultimo ENEM o ensino publico especialmente em São Paulo, devido ao desmanche promovido pelos sucessivos governos tucanalhas, simplesmente tivemos TODAS escolas publicas de São Paulo com pontuação baixíssima, abaixo de praticamente todas escolas particulares por pior que sejam. Vergonha até perante estado que todos dizem como caóticos como o Rio de Janeiro.
Dito isso, sabedor que a educação fundamental e media é a pré-formadora dos cidadãos e do país que desejamos, convido aos fumadores compulsivos, recreacionais, plantadores eventuais e outros, a ir marchar por causa mais nobre. Pela aquisição de conhecimentoe pelo ganho de consciência. Não pela fuga da consciência ou pela alteração dela.
pois é, mas v. vai ser acusado de careta…..careta é o “de cara” (limpa).
Caro Pedro Doria, vc disse bem, na plena lucidez: Argumentar com o ‘imagine alguém defendendo o estupro’ não é honesto. E mais, é o rei das falácias: ampliação indevida. É inclusive desferida incessantemente aqui nos comentários, junto com ad hominems e ad populums que, acredito, vem em seguida no rankeamento. Sugiro uma lista dos campeões de falácias nessas discussões aqui, a ser publicada em post, com letras em caixa alta, rá rá rá!; quem sabe tbm um contador automático de argumentos falaciosos?!! eu já tenho alguma idéia dessa lista. Vale argumentar, tentar persuadir de alguma forma menos promíscua, digamos assim, talvez até enxertar uma falácia inofensiva, aqui e acolá, mas abusar desses recursos enfraquece a qualidade do debate. Grande abraço a todos.
( esse fumo me deu bode…)
Pedro Doria simplifica ainda mais a questão da descriminalização da maconha ao comparar um marcha de maconheiros com marchas que foram importantes para a história do nosso país.
Quais benefícios o cidadão brasileiro teria com a descriminalização da maconha? O direito de fumar um baseado sem ser incomodado pela “polícia maconha é uma delícia”? Ou, quem sabe?, um emprego na indústria da cannabis sativa? Até umagino as funções: Enrolador de baseado; acendedor de beck; e coisas tais.
As marchas de 68, 78, 84 e 92 serviram para alguma coisa e ampliaram bastante a noção de cidadania que temos (exceto, talvez, a de 68). Compará-las com a marcha da maconha é de uma sandice tremenda. Foram atitudes que atingiram todos os brasileiros, independentes de serem ou não maconheiros.
A quem serve a marcha da maconha?
Uma observação técnica sobre a criação de contas no Pandorama.
Percebi que o protocolo utilizado é o simples e inseguro http, enquanto que deveria ser utilizado o https, que é seguro.
Como há a requisição de informações pessoais, considero salutar que o pessoal técnico responsável faça algo para mudar.
Outra coisa: A página de login também deveria utilizar o https.
Engraçado é que dá pra alcançar estados alterados de consciência sem maconha e sem nenhuma droga, só com meditação.
Só que é melhor não espalhar. Tambem há alguns problemas nisso.
PD,
Não consigo fazer meu login no blog do Lula Borges — logo, não consigo deixar meu comentário lá.
No resto do Pandorama, consigo entrar normalmente.
abs,
ACT
Vou propor uma passeata para a legalização do porte de arma, assim, quando um sujeito com “estado de consciência alterado” ou seus fornecedores, causar algum dano a mim ou aos meus, me sinto no direito de despacha-lo para o colo do capeta.
Calma gente! Não estou sendo “reaça”, só estou exercitando o sagrado direito da livre expressão. :o)
A proibição da erva é ranço fascista dos ianques puritanos-de-araque.
Se o cristo voltar pregando a liberação da erva… podes crer que os malditos ianques pregam ele na cruz.
E o crime ecológico de se proibir uma planta de nascer? Quem responde por ele?
Para evitar pré conceitos. Mudem de canhamo para cogumelos e continuem a discussão da legalização.. Cogumelos venenosos podem ser plantados em casa, sua filha come por acidente e morre, o que acontece? No máximo, um homicídio culposo? Agora o cogumelo alucinógeno.. Pode dar pena de tráfico e perda dos bens.. Porque o Ministério da Saúde que regula a lista de substâncias ilícitas se omite no caso das plantas venenosas?
Morrer pode.. dar barato é que é o problema..
As discussões no Brasil são sempre rasteiras. Debater se uma bando de playboys pode sair às ruas “vestindo” Bob Marley e folhas de 5 pontas mostra o nível da nossa civilização em terra brazilis.
Sabe qual é o “loophole” da questão no Brasil? A religião.. Acusações de lavagem cerebral à parte, a igreja do Santo Daime foi atrás dos seus direitos e conseguiu que um “enteógeno” muito mais potente que a maconha fosse legalizado dentro de suas cerimônias. Ou seja, Rastafáris do Brasil, uni-vos!
“Foram quase 20 anos de casos, um após o outro, trazidos à Suprema Corte, para definir onde acaba a expressão e onde começa o crime.”
Foram? Em 1969 chegou a Suprema Corte um caso de membro da KKK que havia sido condenado em Ohio por incitar a violência. Em quatro meses os juízes se reuniram e votaram em unanimidade pela libertação do sujeito, incluindo Thurgood Marshall, o primeiro negro da corte.
“Afinal, o intuito da liberação é aumentar ou diminuir o consumo de entorpecentes?”
O intuito é que isso seja um problema dos imbecis que decidem fumar, não daqueles que não fumam que arcam com custos de polícia e estão sujeitos à violência dos traficantes
to give your more,to receive your LESS !
in the hand of the almighty, etc… :))
O intuito é que isso seja um problema dos imbecis que decidem fumar, não daqueles que não fumam que arcam com custos de polícia e estão sujeitos à violência dos traficantes
chest- e o problema que os imbecis causam
( dialogo de surdos por aqui…sera que alguém mudou de idéia em relaçao à suas convicçoes ? sera que alguém radicalizou ? sera que chesto vai resolver finalmente pintar no open do PAN, onde o povo nem dorme mais pensando nele ? ))
nao ha substancia inocua.
O que mais mal faz a humanidade e o alimento
-veias entupidas , hipertensao, barrigao horrivel, obsidade, avc e por ai vai.
O que muitas vezes vai definir se a substancia faz bem ou mal e a relacao (interacao) do usuario/consumidor com a substancia, o ambiente e o DNA do individuo.
e isso se da com tudo, ou de repente vamos proibir de fazer facas, revolvers, marreta, chave de fenda, vaso de flores…
O que deve haver e uma sociedade organizada(os pilares da democracia, os tres poderes que devem atuar vigiando um ao outro) aponto de ser capaz de coibir os exageros, mas o individuo tem que ter um campo de atuacao onde o estado nao podera jamais se intrometer ou nao haveria individuo seriamos como um superorganismo. Verdadeiroas criacas grandes incapazes de escolhas.
gj
161
“Maconha como alimento? Não conheço´´.
Muares, equinos, caprinos, suinos, bovinos, quando pastam, mastigam, alguns ruminam e todos defecam maconha junto com outras hervas.
Errata:
erva nao tem hagá, nem para os da esquadrilha da fumaça.
Parabens Patriarca pelo seu 155!
Falou tudo.
“Muitas vezes são os outros que sabem aquilo que é melhor para nós.”
Nunca me passou isso pela cabeça.
gj
Obrigado, camarado Romeu, é uma honra seu elogio.
Gunter jr,
você deve ser adolescente, ou ainda não tem filhos adolescentes.
O que torna a discussão rasteira é basicamente a pobreza intelectual do reacionarismo nacional, sempre aderido à defesa histérica da coerção como primeiro e último instrumento de “defesa da sociedade”, como nos textos deste malfadado blogueiro que o PD colocou no seu site, que quando diz qual o seu assunto eu já sei o que ele vai dizer sem ler uma linha. Por exemplo: a descriminalização da maconha não significa necessariamente o “liberou geral”, pode significar uma mudança de ênfase de uma política anti-drogas que deixaria de ser questão de polícia para ser de saúde pública; mas a incapacidade da Reação nacional de não pensar em problema algum sem apelar para o cacete a impossibilita de sequer entender tal coisa….
Saúde pública brasileira, é piada?
Você já entrou na fila de algum hospital público?
Pessoas que se isolam em torres de marfim e teorizam sobre aquilo que só ouviram falar.
É igual não usar algemas para efetuar prisões, indiscriminadamente.
Se fazem as mais diversas campanhas contra o fato de oferecer um pouco de alimento para que as crianças possam prestar atenção às aulas, em lugar de ficar sonhando com um prato de comida, imagina pagar clínicas para reabilitação de viciados?
A tendencia por aqui é manter-se a proibição a maconha, continuar a campanha de sufocamento dos fumantes e daí para frente pressionar o lobby das bebidas alcóolicas.
Drogas viciam e são ensejo a coisas piores.
A velha conversa de que a maconha não causa danos ao organismo é um grande sofisma.
Não me parece que haja clima para descriminalizar a marijuana…….
192…tö de mal…..
194, forragem animal não é alimento humano.
André Kenji, as várias decisões que terminaram por influir no direito ou não da KKK de marchar não são apenas aquelas que envolvem a KKK. Começa com Gitlow v. New York, de 1925, e vai até Brandenburg v. Ohio, de 1969. Nenhum caso na Suprema Corte dos EUA, toda baseada em precedentes, é um caso solitário. Os vinte anos, eu citei de cabeça pq achava que o caso de Ohio já era anos 70 e lembrava do Yates v. United States (57), no macartismo, que agora vejo, era de finais dos 50, não de meados. Este caso é fundamental porque determina a constitucionalidade de discursos radicais, mesmo que sugiram derrubar o governo. O correto, portanto, não seria ‘quase 20 anos’, mas algo mais na linha ‘uma década’…
Vc nunca decide o que pode e o que não pode basedado em uma única circunstância na Suprema Corte. Nenhum caso é solitário.
Quer dizer… até acontece. Mas só se vc se chamar Al Gore.
Antonio, vou ver o que há no blog do Lula. O cadastro do Pandorama deveria funcionar…
Já tá longe o assunto mas mas sim, pode, Chesterton, por mim pode fazer essa passeata. Quer dizer, eu defendo seu direito de fazê-la, mas se vc fosse fazê-la realmente haveria um motivo. E eu sabendo disso, daria meu jeito de me defender, nem que fosse te matando antes. Mas enfim, vc não vai fazer vai? Mas eu defendo seu direito de fazê-la sim.
Resposta referente ao comentário #65.
Pagar clínicas para reabilitação de viciados? Se bem que tal não seria mais escandaloso do que manter ambulatórios psiquiátricos, a minha proposta seria mais simples: o tráfico de drogas continua sendo crime, e, com o consumo descriminalizado, os viciados estão livres para lidarem com seu vício como quiserem - eventualmente, prevendo-se a incapacidade civil (tutela) dos mais degradados.
os viciados estão livres para lidarem com seu vício como quiserem -
chest- sei , eles podem produzir….mas como nem todos podem, sabem ou querem produzir vão ter que comprar. De quem? Ora , dos produtores. Mas não pode vender!
Ai Carlos arrumou uma nova lei do comercio. Pode comprar, mas não pode vender……cada uuma que aparece….
O QUE? Para tudo!
Bom, se se quer romper com a ótica policial na questão das drogas , algum grau de consumo lícito de drogas tem de ser admitido - autoconsumo, tratar a droga como um remédio controlado nos termos de uma política de redução de danos…. por aí…
Acho estranho o seguinte: por que não se liberaria primeiro então o lança-perfume, que é livremente vendido livremente na nossa vizinha e parceira de Mercosul, a Argentina?
o que eu não entendo é proibir o tráfico e permitir o consumo…..ou libera tudo ou proibe tudo.
Sociologicamente, nossa sociedade se caracteriza pelo controle exercido pela Igreja sobre os costumes. E no sec xx, passamos a reagir a questões propostas por agentes politicos internacionais, particularmente pela pressao exercida pelos EUA sobre o continente. A questao das drogas historicamente reflete o paternalismo e conservadorismo resultante destas duas fontes de pressao. Nunca houve um esclarecimento desapaixonado sobre o tema, sem o habitual terrorismo promovido pelos donos do poder. Assim, a populaçao brasileria continua a ser tratada como incapaz, precisando de tutoria. Filosoficamente, sou a favor de que a decisao caiba ao cidadao, mas reconheço que falta informaçao para que isto aconteça.
We want beck in our minds…againnnn
tENHO 54 ANOS SEMPRE TRABALHEI HONETAMENTE
CRIEI 4 FILHOS E QUE ESTAO BEM EMCAMINHADOS NA VIDA,
SOU APOSENTADO POR MOTIVOS DE SAUDE…
EU QUERO MEU DIREITO DE FUMAR MEU BASEADO,
NAO FAÇO MAL A NINGUEM, escrevo poesias e cuido do meu jardim, nao bebo bebida alcolica…
PORQUE QUE EU NAO TENHO O DIREITO DE FUMAR MEU BASEADO SOSSEGADO, ONDE ESTA O DIREITO DE LIBERDADE.PAZ
Maconheiro só pensa em si mesmo…
Não pensam q liberando o consumo num país de baixa educação podemos ter problemas avassaladores? fui usuário durante 16 anos e sei os maleficios q essa droga me trouxe, ao invez de libertação gera aprisionamento, pode desenvolver esquizofrenia e diversos outros problemas psicológicos. Ao invez de pensar em si e querer organizar marcha pra legalizar a maconha, pq não vão a Brasilia gritar pelo direito de melhores condições dos mais carentes? melhores condiçoes de estudo, melhores condições de moradia, mais investimento na area da saúde e da cultura e que parem a robalheira escancarada q os nossos “representantes” exercem, esses sim são motivos para manifestações populares. Já não basta a alienação gerada pela televisao? teremos q conviver com filhos detonando seu desenvolvimento com a desculpa dq nao estão fazendo nada de errado e estão amparados pela lei? O dever de um governo é manter um povo sadio, com mente sadia e capacidade de real desenvolvimento, imagine a grana gasta com reabilitação de narco-dependentes. Já temos drogas licitas suficientes que geram a degradação e problemas de saúde como é o caso do cigarro e da bebida, não precisamos de mais uma.
fico irado chega um estudioso: cientista político, sociólogo, sei lá pra defender a legalização das merdas das drogas. cada um tem um ponto de vista. um viciado que vê sua vida acabada tem uma visão, uma enfermeira que não aguenta mais dar entrada no hospital “malucos” achando que são livres que uma visão, um policial que os reflexos negativos na sociedade no presença das drogas tem uma visão, agora quem vive atrás de um gabinete o dia inteiro e não conhece a realidade tem outra visão. as drogas estão acabando com a sociedade. o futuro é negro…