A pandemia de gripe que ameaça
o mundo a partir do México
O México pára hoje. (É, eu sei – esse para não tem mais acento. Me dêem um tempo para o hábito pegar.) Até o dia 5, a recomendação do presidente Felipe Calderón é de que ninguém saia de casa. O objetivo é tentar conter a epidemia de gripe suína.
Entre 1918 e 19, mais de 100 milhões de pessoas morreram. Em 1968, quando houve a última grande epidemia de gripe, foram 1 milhão de vítimas. Faz 40 anos. Ninguém tem dúvidas de que uma nova epidemia pesada e mortal está para vir. Não foi a gripe aviária. Será a suína? Em um ponto, pelo menos, esta é mais preocupante. É gripe que mamífero pega, portanto nós humanos estamos mais próximos. Pessoas podiam pegar a gripe de um frango, o que era raro, mas o vírus permanecia não transmissível entre pessoas. Se a gripe vem de mamífero, é mais fácil.
Há motivos para otimismo: as chances de que remédios antivirais como o Tamiflu consigam atacar a gripe são altas. Mas, se houver pandemia, as chances de que uma cepa resistente a medicação surja não é baixa.
A capacidade mundial de preparar vacinas a tempo também é limitada. Há tecnologias novas que permitem o aumento de produção mas, hoje, apenas alguns países da Europa têm capacidade de fabricar vacina o suficiente para atender toda sua população.
Ontem de manhã, o vice-presidente norte-americano Joe Biden falou à tevê que, se fosse ele, evitaria aviões e trens. O ar é viciado e vírus se espalham fácil. Trata-se do tipo de alarmismo que arrisca parar a economia e não traz benefício. Aqui na Califórnia, dada a proximidade com o México, o alerta é geral. Se a gripe suína for pandêmica, deve assolar o hemisfério norte nesta temporada de verão e tomar rumo do sul no segundo semestre. Se é verdade que o transporte aéreo ajuda a espalhar estes vírus pelo mundo todo com velocidade, também são aviões que levam a remédios de um lado bem estocado do mundo para o lado que precise com a rapidez necessária.
Para o México, que se aproveita deste Primeiro de Maio para tentar estancar o que pode ser apenas um surto pequeno, o risco de a economia parar já é real.
A pandemia fatalmente virá. A falta de preparo do mundo, conforme o tempo passa, é inexplicável.
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Eu não sei não se não tem dedo da Roche (a fabricante do tal do Tamiflu) nesse escândalo em cima de uma epidemiazinha que não matou nem mil pessoas num mundo de seis bilhões. Parece (ouvi falar) que as linhas de produção desse remédio estão a todo vapor e que ele está esgotado nas farmácias do Brasil e dos EEUU.
Sei lá, viu?
Parece também (também ouvi falar) que a Roche andou comprando seis meses atrás 90% das plantações de anis estrelado no mundo - que, por acaso, é a matéria prima do Tamiflu.
Espero que minhas fontes estejam completamente enganadas e que eu possa confiar na indústria farmacêutica.
NO CAN DO!
+ Antes de qualquer coisa… é perfeitamente explicável. Não se ganha rios de dinheiro com nenhuma cura de nenhuma doença, o dinheiro está no tratamento. Só cientistas sérios se preocupam com isso.
–X–
O risco de uma pandemia é muito maior do que qualquer guerra termonuclear porque não é gerenciável e completamente imprevisível. A Gripe Espanhola veio, matou milhões de pessoas e foi embora tão repentinamente quanto chegou. Só que, na verdade, ela não foi embora. O vírus está aí, dormente, esperando a sua vez de retornar e o gatilho biológico é desconhecido.
O que conta a nosso favor é que a “vida sempre encontra um meio”. Não acho que uma doença vá nos erradicar, mas as baixas podem vir a ser consideráveis.
–X–
Acho que já comentei antes, mas não custa comentar de novo: o maior perigo de qualquer doença desta natureza é transformar pessoas civilizadas em incivilizadas em pouco tempo. Durante o período da peste negra as famílias que sobreviveram inteiras, sem perdas, foram aquelas que se mantiveram longe de qualquer contato e defendiam seu perímetro sem compaixão matando tudo que se mexesse no raio que traçavam… homem, mulher, criança ou animal. Cruel, mas eficiente.
–X–
Estamos prestando mais atenção nessa porque está aqui no continente. A aviária foi no metafórico outro lado do mundo. Esperem até o surgimento de uma “Gripe Argentina” e veremos se a paranóia não se instala. Ok, ok… talvez uma Gripe Argentina se enquadre nos *males que vem para o bem*
em respeito ao méxico e aos porcos ,
a OMS decidiu, politica e corretamente, chamar a pandemia de “gripe A”…
a humanidade ja foi confrontada a inumeras pragas “seletivas” : milhoes serao mortos e os mais fortes, que sobreviverem, poderao desfrutar dos alimentos e da agua potavel que ja estao escasseando…projete-se em 2070….
Pedro
Me parece que a minha visita as pirâmides vai ficar pra depois…
Curiosamente ninguém lembra da AIDS.
A AIDS foi e continua sendo uma pandemia.
Marcos, a AIDS não interessa aos governos, pois só mata seres inferiores como homossexuais e drogados. “Pessoas de bem” não morrem de AIDS, você não sabia?
Confesso que, do alto da minha ignorância bio-medicinal, dou um sonoro bocejo quanto a estas previsões. Primeiro foi a vaca-louca. Ficaríamos sem bifes para comer. A humanidade começaria a retornar ao canibalismo. Depois foi o bug do milênio. O mundo pararia. Os bancos pirariam. Multidões de blogueiros sairiam pelas ruas fazendo arruaças. Depois foi a gripe aviária, quando - aí sim, oba! - a humanidade seria varrida do mapa no tempo de um espirro.
Nada disso matou mais do que uma centena de pessoas.
Só a minha rinite continua a me incomodar.
Ah, e tinha o ebola, que ao menos serviu para mote do filme que lançou o Cuba Gooding Jr.
Não sei exatamente o porquê, mas me veio ironicamente a frase do fim de Guerra dos Mundos - as “tiniest little creatures that god in his wisdom put upon this world” para salvar os homens.
Depois vem gente arrotar que a natureza é uma coisa sagrada que a sociedade moderna (leia-se ciência moderna, no discurso deles) vive usurpando em sua sede insaciável por controle.
Ah, não sou anti-ambientalismo. Eu acredito no aquecimento global causado pelo homem, etc. e tal. Mas a idéia do controle da natureza para a felicidade dos homens, que remonta pelo menos a Bacon, está longe de ser descartada.
Então, João Paulo, vou rir da sua cara quando os marcianos chegarem com seus tripods inclementes e… ZZZAP
PD,
a respeito do acento agudo em “pára” eu tambem achei um absurdo essa regra de acentuação. Devido a minha antiga dificuldade em absorver essas constantes mudanças de regras e agora a minha total incapacidade e desinteresse, resolvi abolir TODOS os acentos da minha escrita, salvando-se apenas o “é”, e o til.
Bem que os acentos poderiam ser substiuidos por um “H”. Exemplo: faraoh, eh, Soh, Mehxico, ahgua, comentahrio, suihna, … tambehm eh esquisito mas eh melhor do que ficar mudando a cada 10-20 anos.
O que se gasta para evitar a morte de 100 ou 1000 vitimas da gripe suina é muito mais do que se gasta para evitar a morte de milhares de outras vitimas cotidianas.
Cara Confetti, como você comentou, seria maldade se a OMS chamasse a presente gripe de gripe mexicana; mais do que isso, seria uma imprecisão, visto que seu primeiro caso foi detectado em setembro de 2008, no Texas. Neste ano, os dois primeiros casos ocorreram no sul da Califórnia. Claro, nos Estados Unidos já tem um bando de gente exigindo que se feche a fronteira com o México. Para os estadunidenses o EUA é perfeito, tudo de ruim vem de outros países. Mas a verdade é que o vírus se originou lá, assim como o vírus da gripe espanhola, surgido no Kansas e levado à Europa pelas tropas deslocadas na I Guerra Mundial.
Atribuir nacionalidade a uma doença é ridículo. Mas ter voos proibidos, turismo cancelado e produtos vetados, é um grande baque para a economia, então é melhor que se caracterize a gripe como mexicana. Coisa de latino, você sabe. A única infelicidade do México foi o vírus ter chegado antes a uma megalópole como a Cidade do México. Como os demais países têm “coragem” de tomar várias medidas contra o que vem do México, mas não contra o que vem dos EUA, podemos nos preparar para a difusão mundial desta gripe. E torcer para que seja daquele tipo de epidemia que dura pouco, indo embora tão misteriosamente quanto como surge.
Caro Faraoh.
A reforma ortográfica imediatamente anterior ao acordo atual é de 1971; portanto, de 38 anos atrás. Antes dela houve a reforma de 1943, ou seja, um intervalo de 28 anos. Logo, as reformas não são assim tão frequentes quanto você acusa. Você deveria malhar, antes de todas, a de 1943. Foi ela que acabou com os “h” inúteis e determinou a acentuação das oxítonas terminadas em o. Tranformou o Faraoh em Faraó.
Peço desculpas aos companheiros de palpites. Gripe e ortografia ao mesmo tempo é dose pra leão.
Por pressão dos países exportadores da carne suína, e o Brasil é um dos que encabeça esta lista, a OIE - Office International des Epizooties, sediada em Paris, sugere que a OMS e a mídia classifiquem este estágio da gripe como Gripe A H1N1.
Numa pandemia ela será então classificada como gripe Norte Americana. Pois as pandemias recebem classificação regional, como a gripe espanhola (1918-1919), a gripe asiática(1957-1958) e a de Hong Kong (1968-1969).
Sem vergonhice total da ONU e todas as autoridades transnacionais que não param com o fluxo de viagens, quer estancar alguma coisa, recorra ao velho método do Estado nação, feche as fronteiras por um tempo, não quero morrer por gripe.
Para mim foi tudo uma conspiração: http://formigueirocomunista.com/2009/05/manifesto-suino-ou-o-esterco-e-um-carcere/
haha.
Forte Abraço!
E se cuida rapaz, se cuida mesmo!
O mais legal é que com um risco pandêmico tem gente que consegue ter mais medo de que a economia pare…
Não sei se porque trabalho na área da saúde, e que estou calejado de ver desespero, por tudo e por nada, e também por confiar muito na capacidade de controle, isolamento e tratamento de quaisquer doença, SEMPRE QUE É INTERESSANTE…e neste caso é, visto o impacto que já está causando.
Quero dizer que não estou preocupado, desde que continuem monitorando voos e possiveis contaminados.
Claro que se morasse em alguma cidade que tivesse casos da doença não daria bobeira.
Seria bom se esta gripe liquidasse com pelo menos uns 50% da populaçao mundial. O planeta agradeceria. Menos macaco, mais banana…
Tamo flu?
Então a verdade é que a culpa é dos EUA e das Grandes e Malvadas Mega Corporações Multinacionais…… juro que nem desconfiava.
Carlos Saraiva // 1/May/2009 às 7:31
” Marcos, a AIDS não interessa aos governos, pois só mata seres inferiores como homossexuais e drogados. “Pessoas de bem” não morrem de AIDS, você não sabia?”
Pelo contrário Carlos, já passou esse tempo.
A AIDS é altamente democrática.
Mata jovens, velhos, crianças, homens, mulheres, heterosexuais, homosexuais, africanos, canadenses, ou seja faz o mal sem olhar a quem.
É uma pandemia. Está presente em absolutamente todos os páises do mundo, menos a Coréia do Norte, é claro. Lá o Iluminado Chefe Celestial imuniza seus súditos apenas com a Força de seu pensamento socialista.
O que acontece é o oposto do que você diz.
Graças aos novos medicamentos que prolongam a vida dos doentes muita gente - presidentes africanos em primeiro lugar - considera que essa doença fatal transformou-se em uma doença crônica, quase um aborrecimento.
Cada vez mais jovens não dão bola para a doença, cada vez mais jovens caem doentes.
No mundo inteiro.