A pandemia de gripe que ameaça
o mundo a partir do México

Biologia · México · 1/05/2009 - 02h46 - 22 Comentários

O México pára hoje. (É, eu sei – esse para não tem mais acento. Me dêem um tempo para o hábito pegar.) Até o dia 5, a recomendação do presidente Felipe Calderón é de que ninguém saia de casa. O objetivo é tentar conter a epidemia de gripe suína.

Entre 1918 e 19, mais de 100 milhões de pessoas morreram. Em 1968, quando houve a última grande epidemia de gripe, foram 1 milhão de vítimas. Faz 40 anos. Ninguém tem dúvidas de que uma nova epidemia pesada e mortal está para vir. Não foi a gripe aviária. Será a suína? Em um ponto, pelo menos, esta é mais preocupante. É gripe que mamífero pega, portanto nós humanos estamos mais próximos. Pessoas podiam pegar a gripe de um frango, o que era raro, mas o vírus permanecia não transmissível entre pessoas. Se a gripe vem de mamífero, é mais fácil.

motivos para otimismo: as chances de que remédios antivirais como o Tamiflu consigam atacar a gripe são altas. Mas, se houver pandemia, as chances de que uma cepa resistente a medicação surja não é baixa.

A capacidade mundial de preparar vacinas a tempo também é limitada. Há tecnologias novas que permitem o aumento de produção mas, hoje, apenas alguns países da Europa têm capacidade de fabricar vacina o suficiente para atender toda sua população.

Ontem de manhã, o vice-presidente norte-americano Joe Biden falou à tevê que, se fosse ele, evitaria aviões e trens. O ar é viciado e vírus se espalham fácil. Trata-se do tipo de alarmismo que arrisca parar a economia e não traz benefício. Aqui na Califórnia, dada a proximidade com o México, o alerta é geral. Se a gripe suína for pandêmica, deve assolar o hemisfério norte nesta temporada de verão e tomar rumo do sul no segundo semestre. Se é verdade que o transporte aéreo ajuda a espalhar estes vírus pelo mundo todo com velocidade, também são aviões que levam a remédios de um lado bem estocado do mundo para o lado que precise com a rapidez necessária.

Para o México, que se aproveita deste Primeiro de Maio para tentar estancar o que pode ser apenas um surto pequeno, o risco de a economia parar já é real.

A pandemia fatalmente virá. A falta de preparo do mundo, conforme o tempo passa, é inexplicável.

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