Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes
E a briga que ficou pela metade

Brasil · 23/04/2009 - 02h56 - 115 Comentários

Na frente de todo mundo?

Joaquim Barbosa – Vossa Excelência me respeite, Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça desse país, e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço.

Gilmar Mendes – Eu estou na rua, ministro Joaquim.

Joaquim Barbosa – Vossa Excelência não está na rua não, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.

Joaquim Barbosa – Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.

Gilmar Mendes – Ministro Joaquim, Vossa Excelência me respeite.

Este diálogo vai ecoar, ecoar. Os jornais brasileiros passarão os próximos dias discutindo-o.

O ministro Joaquim Barbosa por certo nos lava a alma de todos.

Oito ministros, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia e Menezes Direito no entanto assinaram uma nota lamentando o episódio. Barbosa e Mendes, além de Ellen Gracie, que está viajando no exterior, são os únicos que se abstiveram.

Os oito ministros que declararam apoio ao presidente do Supremo poderiam ter advertido Joaquim Barbosa. Não o fizeram.

É a cordialidade brasileira. Traíra, sempre sorri. Nunca ataca de frente.

Os ministros não deviam ter ficado em cima do muro. Deveriam ter feito às claras o que fizeram por meios torpes: deveriam ter censurado Joaquim Barbosa, suspendido, punido, o que fosse possível. Deviam ter comprado a briga.

É claro que não o fizeram. No dia seguinte, a imagem do Judiciário estaria no chão e Barbosa seria herói nacional.

Ou, então, os ministros deveriam ter partido para o braço. Mesmo. Vendo o vídeo pela Internet, é óbvio que sentiam ódio na hora. Encerrar a sessão, logo acudiu Marco Aurélio Mello. Não: que briguem em público. Que falem mais. Queremos ouvir o que Joaquim Barbosa tem a dizer na cara de Gilmar Mendes. E queremos ouvir as respostas que Gilmar Mendes tem para Joaquim Barbosa.

A briga ficou pela metade. É uma briga que periga ficar pela metade eternamente. O ódio entre os dois não terá confronto frontal, será demonstrado por gestos políticos nos bastidores.

As coisas precisam ser ditas e os confrontos precisam ocorrer. Mas cuidado com a busca pela pureza. Não substituam uma vestal por outra.

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