No Brasil, somos todos corruptos
Ainda não destaquei com o destaque que merece, cá no Weblog, o Notícias da Corrupção do Pax. Documentar é importante – e ele parece dedicado a continuar. Futuramente, será uma ferramenta e tanto na qual checar nossos futuros candidatos.
O assunto Daniel Dantas não vai embora – e nem deve. Pouco antes de vir para os EUA, no ano passado, passei algumas horas com o cientista político Bolívar Lamounier. Eu tinha uma pauta bastante específica nas mãos: compreender qual a origem e as características da corrupção no Brasil. Ele me deu uma entrevista que vem me perseguindo desde então, sobre a qual não consigo parar de pensar. Fui consultar nos arquivos do Weblog e descobri, pasmo, que não fiz remissão a ela na época.
A versão completa está no site do Estadão. Mas cá vai um trecho:
Quais as causas da corrupção brasileira?
São três. A primeira é o crescimento econômico. Lá nos anos 50, desenvolvimentistas, acreditávamos que o enriquecimento do País levaria a uma população mais bem educada e enfim teríamos um Estado impessoal no qual todos que quebrassem a lei seriam punidos. O Brasil enriqueceu e nada disso aconteceu. Sempre que há um momento de crescimento econômico e modernização, surgem novas oportunidades de corrupção. É assim em todo lugar, não só nas nações pobres. Na França ou nos EUA, também. É quando aparece o conluio de grupos para fraudar licitações promovidas pelo Estado, por exemplo. Porque são oportunidades óbvias, envolvendo grandes quantias. Mesmo nas nações mais liberais, quando a economia cresce o Estado contrata muitos serviços envolvendo valores altos. Quando um país passa por uma grande transformação econômica, como é nosso caso, a tendência aumenta. No caso das privatizações, por exemplo, grandes somas passaram de uma mão para a outra e a corrupção foi inevitável, por mais que existissem controles. Na Rússia foi muito pior. O Japão tem uma corrupção monstro até hoje. A Coréia do Sul, também. São governos que concentram muito poder. A China se tornou capitalista faz quanto tempo? Vinte anos. E já ostenta um número grande de bilionários. Mesmo considerando o ritmo de crescimento chinês, essa riqueza veio como? Não pelo mérito.
E a segunda causa?
Mobilidade social. Nosso País tem 200 milhões de pessoas, metade delas muito carentes, a outra metade louca para melhorar de vida. Há muita mobilidade social. Quem diz que, no Brasil, o pobre nasce e morre pobre está no mundo da lua. Qualquer pequeno movimento da economia provoca mudanças imediatas, toda oportunidade aqui é aproveitada, pois o mercado é imenso e tem carências enormes. Nos últimos meses, por exemplo, quando o crédito para automóvel se estendeu, todo mundo comprou imediatamente sem se preocupar com quantas prestações ia pagar ou com o trânsito ruim. Automóvel facilita a vida e é um símbolo de status. O brasileiro tem uma vontade incrível de melhorar de vida, de ter melhor situação que a que seu pai teve. Junte as duas questões, oportunidades de corrupção e a vontade de melhorar de vida, e una isso à terceira causa: as normas brasileiras são frouxas.
É nossa herança portuguesa?
As normas morais, no Brasil, sempre foram fraquíssimas. Comparado à Europa, tivemos, por exemplo, uma Igreja muito fraca. O Direito, até há muito pouco tempo, não chegava a boa parte do País. As normas sociais são débeis e o Estado é incapaz de aplicá-las. A origem disso é o de menos. Nosso problema não é o passado, é o presente. Voltemos a Rousseau. Há algumas décadas, a Igreja no Brasil era fraca, mas muito reacionária. Defendia a propriedade, o latifúndio. Hoje, a Igreja é outra, acredita em Rousseau. Essa visão de que o povo é essencialmente bom, mas corrompido pelo ambiente, se espalhou por todos os setores da sociedade. É uma mentalidade que impede a aplicação da lei. Só a defesa do altruísmo é legítima. Um grupo que defenda seus interesses é considerado imoral. A palavra “interesse” soa suja, sugere um indivíduo calculista. Acreditamos em Papai Noel. Cremos que as pessoas são boas por princípio. Nos EUA, a cabeça deles não é Rousseau. É Thomas Hobbes. Para eles, as pessoas são más. É preciso vigiar o comportamento a toda hora. É preciso cumprir a lei porque se não cumprir a transgressão será generalizada. Polícia não tem que achar que as pessoas são boas ou são más. Tem é que olhar transgressão. A política tem que lidar com a probabilidade de certos comportamentos ocorrerem e se prevenir. Achamos que tudo que deu errado no Brasil tem uma origem social em algum ponto do latifúndio, da família patriarcal ou do que quer que seja. É ingenuidade. Nós somos uma sociedade de 200 milhões de pessoas, completamente urbana e pobre. É um País diferente.
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monsieur dorià, esse seu partner é o rei da grossura…sou sua vitima preferida…agora me sinto menos so ! :-))
Ora, não sabia que se tratava de tão especial pessoa, mas trato todo mundo conforme me tratam. E me desculpe a sinceridade, sua resposta foi bastante arrogante, como dono da verdade, quando estava questionando exatamente sua argumenação lançando mão do que conheço. Apenas isso. Falava de exemplos que conheço, de quem menospreza o trabalha alheio por se sentir superior aos coitados dos demais profissionais. Agora se todos os engenheiros da Coppe são ignorantes não sei, não os conheço. Afinal, todos somos ignorantes. Ignorante não é ser burro. Nem preciso esclarecer, né? Ahhh, Confettinha, pise em mim com sua sandália de tirinhas!
Economista embuçado… Gostei, tem meu estilo.
Ato de contrição?
Vai pro milho, Jaca!
Bom, de qualquer forma, agradeço o comentário 149. Avançamos, pelo visto. Sim, o engenho do Conde era uma exceção.
Confetti, se estamos juntos nessa, estou muito bem.
Como hoje é Sexta Feira Santa, estou ouvindo Parsifal, Bayreuth 2006. Gravação espetacular. Estou no comecinho do Ato III.
Posso assinar O Engenheiro Burro?
De maneira alguma, não retirei em nada os argumentos que trouxe para o debate. Não venha com sua arrogância outra vez, senhor emérito.
are baba, seu francisco! :))
Bom, tenho que passear. Um prazer, senhor pai emérito. Deixo-lha na companhia da inveterada fumante Confetti. Cuidado com os pulmões.
deixo-lhe…
Estou ouvindo Gurnemanz. Daqui a pouquinho vem o Encantamento da Sexta Feira Santa. Gurnemanz e Kundry.
Tenho uma gravação de Parsifal em italiano, Scala, 1950, com Maria Callas cantando Kundry. Que voz que ela tinha!
O Engenheiro Burro
Seu nick ficaria melhor como o Pai Emérito. Bom, proveito com a maravilhosa Callas. Um bom feriado, senhor pai emérito.
monsieur dorià, sinto decepciona-lo, mas wagner numa sexta noite, ainda mais santa, nao vou encarar ! :-))
mas parabéns pelo sangue frio…quando é comigo, nao mando catar milho, mas sim à puta que pariu !
quer dizer, mandava….as bobagens jaqueiras nao me tocam mais….
Pai Emérito é próximo de Pai Eterno.
Mas que deselegância para uma senhora. Barbaridade.
E’ que hoje é sexta feira santa. Donc, Wagner - surtout parce que Le Charme du Vendredi Saint est une des sources de la petite phrase de Vinteuil.
(Jaca: meus pais falavam francês em casa; era um pouco a língua da intimidade. Divina decadência, não?)
Confetti, não o mando à puta que o pariu porque sou, hoje, meio zen, e não vou ficar irritado com cretinice. E depois: noblesse oblige…
O Engenheiro Burro
Pena que o Parsifal é exatamente uma ópera cristã. Barbaridade…
Bye, de verdade.
ah, si seulement c’était pour de vrai……
Mais non, on le sait, hélas!
Wagner, Le Charme du Vendredi Saint, vous le savez, est une des sources de la p’tite phrase de Vinteuil…
(Mes parents causaient en français chez nous: divina decadência…)
je sais…du temps où on buvait du champagne dans des “tasses ouvertes” . …
Ofereço sábado que vem um queijos & vinhos cá em casa com espumantes - e taças abertas, apenas!
Divina decadência, sempre…
E tô catando um fornecedor de foie gras em conta (se é que isso é possível…) Trufas pretas, ainda tenho. Tudo pra esse queijos & vinhos.
(Depois disso vou ser xingado de ultraextrema direita…)
cette semaine , un commentaire d’ici
m’a aussi reveillé la mémoire d’une musique…ce n’était pas du wagner ..
kkkk !
aqui tem bem mais em conta!
monsieur dorià , et le régime ? le foie gras c’est…gras …
Já perdi uns 7 ou 8 kg. Mas uma vez na semana…
Tá entrando o oboé com a p’tite phrase…
pd vai deletar…estamos off pra caramba !!
seu francisco , vou dormir que aqui a noite invadiu !feliz week end pascoal
ah ce vinteuil!))
Somos corruptos requintados… Vinteuil, foie gras, taças abertas pra champagne…
Nota-se que herdou a arrogância de um senhor de engenho. Pobre de minha família.
E como… Quinze gerações de senhores de engenhos nos costados não se apagam assim fácil.
Você não ia embora? Foi só uma rapidinha, oh Jaca?
Sorte minha que ainda não inventaram o tronco virtual, senão dava lá amarradinho tomando lambadas.
Patroa está atrasada e amuada.
Não sou um senhor de engenho tão cruel assim.
Sabe que minha babá, minha única babá, havia sido escrava de minha bisavó baronesa, fidalga de nascença, senhora dona, senhoríssima? Ou seja, ainda vivi e convivi com a escravatura… Veja como sou obscenamente reaça.
tava lá…
A Memento demora para se vestir.
OHHHH, nem me fale, senhor Doria.
Pena não poder lhe narrar minha descendência, pois seria imediatamente reconhecido. Triste carregar esse fardo do homem branco, né? Incrível, mas saber de minhas raízes não me fez um aristocrata de alma, mas o contrário, como erraram e como foram responsáveis pelo que somos agora.
ascendência, foi um erro da pressa para sair.
Será que acabarei jantando um sanduichinho?
Reconhecimento plausível, senhor dom. Isso é como o pecado original; não se lava nunca…
E pensar que esses Dorias provavelmente foram uns puxa-sacos de meus antepassados e agora me descascam nesse blog. La belle decadence…
Puxa, sobrinho Pedroca, não precisava ter chamado o pai para te defender. Covardia. Logo o Pai Emérito…
Uma boa noite aos passantes e tressandantes.
Já ouviu falar em Branca d’Oria? Como diz minha filha, brutta gente, i nostri antenati…
Salvador Correia de Sá, por outro lado, era um adventício, de nobreza duvidosa - diziam seus áulicos, descenderia dos Correias antigos, ditos senhores de Farelães, o que não é correto. Alguém algum dia vai escrever sobre os grandes aventureiros do século XVII; um deles foi Salvador Correia de Sá, com certeza.
Não lhe tenho simpatia. Fez executar um dos grandes herois brasileiros, Jerônimo Barbalho Bezerra, em 9 de abril de 1661, degolado ali na praça 15, o chefe da revolta contra os impostos decretados pelo Correia de Sá.
ô, Bronca D’oria sem dúvida é gente brutta e parente do Broncoleone. Encontramos um parentesco para o companheiro Broncão. Êta família extensa essa do Bronca D’oria.
Uma boa noite e a benção, Pai Emérito
Determinados sistemas políticos não abririam maiores possibilidades de corrupção que outros? A questão política fora colocada em segundo plano. De maneira indireta, faço um link com meu post “O PMDB, a corrupção e o sistema presidencialista”. Confiram!
Talvez a pergunta devesse ser: há jeito de se fazer um sistema político onde a corrupção fique limitada de algum modo? Restrita a certo nível, a certo volume de dinheiro?
bonjour monsieur dorià! ja acordou no vicio ? :))
acho que sistemas politicos que “limitam” a corrupçao ja existem, e muitos…todos os paises “civilizados” funcionam assim….nao ? vamos ver no que vai dar a lista “negra” de paraisos fiscais” publicadas apos os acordos do g20….tudo à ver…
Corrupção não se elimina, mas tem que reduzir a níveis razoáveis, Confetti. No Brasil é tudo descontrolado.
Acordei cedo. Tô trabalhando no livro que prometi a Margô escrever, sobre a gente de mamãe e nossa infância em Copacabana. E’ divertido…
é isso !
tbm acordei cedo pra ir à feira…os primeiros morangos gariguettes estao matando de prazer esse ano; primavera parisiense, vous connaissez ? tudo brota, tudo da, tudo floresce , e os humanos sentem aquele frisson… intenso tesao na cidade
(dona margô ta fazendo 1 ano….)
Sugestão de leitura:
“Breve História da Corrupção no Brasil ”
Site do Voto Consciente.
pax no blog. . .
Tô voando pro século XVI. Aleixo Manuel, o cara que abriu a Rua do Ouvidor.
Me perguntei, lendo a bio dele: seria corrupto? Foi vereador do Rio várias vezes. Vereador, naquele tempo, era sorteado, e não ganhava nada. Teria metido a mão numa graninha extra?
Uma das formas de atuação que a sociedade pode ter é procurar a transparência do poder público para que possa controlar suas ações.
Hoje está solto. Completamente solto. Se olharmos o noticiário isso fica evidente. Para o poder público corrupto não há qualquer impedimento. O Senado Federal, hoje, é um excelente exemplo do que acontece. Eles não tem regras qualquer, dinheiro público é dinheiro de ninguém, fazem e desfazem, não aceitam controles externos, criam de descriam suas próprias regras que não cumprem, enfim, uma vergonha generalizada que o povo, por não saber, não cobra.
** Conheço essa primavera aí, Confetti*
De onde você coleta esse material, Francisco?
Aqui estou usando o Elysio Belchior. Vou pegar também as genealogias cariocas do Rheingantz. Para a história do Rio, várias fontes, como Vieira Fazenda.
A parte documental, dura, da ascendência de minha avó materna, que era de família velha do Rio, foi feita por um primo, Rodrigo Estrella, na cúria do Rio. Tem tambem umas coisas que o Barata (Carlos Eduardo Barata) me passou. Hoje o Barata deve ser das maiores autoridades sobre a história do Rio.
Bons Dias.
Puxa, vereador não era assim, qualquer um. Eram os homens bons. Acho que o Pai Emérito está falhando. Bom, o Pai Emérito é quase igual ao Eterno. É oniciente, onipresente e só não é onipotente devido ao peso do passado, tal como o Joseph Mario.
Sugestão de leitura
Causas estruturais da corrupção no Brasil
É um artigo escrito por ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück em 2005, durante os eventos dos escândalos do Mensalão.
O primeiro parágrafo.
“A corrupção é o tema central do debate político contemporâneo no Brasil. O caso de corrupção no PT[1] obteve tamanho espaço na mídia brasileira como, até então, somente durante o processo de Impeachment de Fernando Collor de Melo havia acontecido.”
Agora o foco do noticiário deste último mês está em grandes casos no âmbito nacional.
1 - Operação Satiagraha (Daniel Dantas)
2 - Operação Castelo de Areia (Camargo Corrêa)
3 - Operação Royalties (Agência Nacional do Petróleo)
4 - Congresso Nacional, principalmente as farras Senado com dinheiro público, de celulares a jatinhos, só pra ficar nas farras particulares dos nossos senandores, sem entrar nas grandes, dos nossos maiores interesses nacionais.
Depois da eleição de Sarney, com a atuação extraordinária de Renan no processo e o retorno de Collor, também, segundo o noticiário, com participação de Renan, as pipocas começaram a pular na panela. Eles perderem o equilíbrio de ninguém falar de ninguém e as histórias incríveis começaram a aparecer. Há diretorias demais, regras de menos, uma farra de comissões e verbas para funcionários, empresas terceirizadas com suspeitas pra todos os lados, enfim, há um estado lastimável dos poderes sendo exposto.
Devo ter esquecido de algum caso importante, dada a imensidão desse mar. De lama.
Jaca,
Você fala de coisa que não entende. Vai ler documento. Vai estudar. Homem bom não era nada. Não tinham status nobre, o que os isentaria por exemplo, do pagamento de fintas. E o exercício da vereança não nobilitava (outros cargos, sim). Homem bom foi uma categoria criada para que se pudessem selecionar os passíveis de sorteio para a vereança.
Tem uma analogia com os imbursati, em Florença, mas não vou me estender aqui. Assim como os alberghi genoveses se repetiam, menos formalmente, na estrutura dos clãs comerciais do Porto desde o seeculo XV.
Aleixo Manuel era barbeiro e cirurgião, segundo o testemnho de Joaquim Manuel de Macedo. Ou seja, exercia ofício mecânico, o que lhe desqualificaria o status.
Mar de lama, Pax, é uma expressão que vem da campanha de Carlos Lacerda contra o Getulio, em 1954. A coisa era algo como “existe um mar de lama nos porões do Catete” (o Catete era o palácio presidencial).
Apenas uma lembrança.
Nem sabia, Francisco. Tem gente me chamando de Lacerdista por conta do tal blog. Outros me chamam de comunista, outros de direitista, enfim.
Obrigado pelo toque. Não vou mais usar a expressão.
Quem tem falado muito bem da podridão em Brasília, não custa lembrar, é o Villas-Bôas Corrêa em seu blog.
Vale cara leitura. É um mestre.
Sou udenista de origem. A UDN tem sido muito injustiçada, mas, no Brasil, foi o único partido a representar a classe média urbana, que é, contraditoriamente, conservadora às vezes, progressista noutros momentos.
A UDN surgiu da Esquerda Democrática, um movimento de esquerda não-comunista que vinha de 1943, coisa assim, e deu na UDN e no antigo PSB (mamãe foi militante da esquerda democrática). Digamos que o udenista arquetípico foi Milton Campos; outro exemplo, Adauto Lucio Cardoso, irmão do escritor.
Havia duas grandes alas na UDN, a golpista e a institucionalista. Venceu, como se sabe, a ala golpista - Castelo Branco era udenista, e queria ser sucedido pelo Bilac Pinto; não conseguiu impô-lo, no entanto. A tese golpista, que ouvi do Prudentinho num mea culpa era: fazia-se necessário uma ditadura de seis meses para “limpar a área,” isto é, afastar os corruptos. O Prudente me disse então, a ditadura está durando já dez anos (durou vinte e um; ele morreu em 77 sem ver seu fim).
Do que me consta, Francisco, não durou só 21 anos, fez pior, além de todas as barbaridades como os crimes de morte e tortura.
Entrou na corrupção também. Aqui uma parte do texto que linkei acima, do site Voto Consciente - Breve História da Corrupção no Brasil.
“O período militar, iniciado com o golpe em 1964, teve no caso Capemi e Coroa- Brastel uma amostra do que ocultamente ocorria nas empresas estatais. Durante a década de 80 havia um grupo privado chamado Capemi (Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios), fundado e dirigido por militares, que era responsável pela previdência privada. O grupo era sem fins lucrativos e tinha como missão, gerar recursos para manutenção do Programa de Ação Social, que englobava a previdência e a assistência entre os participantes de seus planos de benefícios e a filantropia no amparo à infância e à velhice desvalida. Este grupo, presidido pelo general Ademar Aragão, resolveu diversificar as operações para ampliar o suporte financeiro da empresa. Uma das inovações foi a participação em um consórcio de empresas na concorrência para o desmatamento da área submersa da usina hidroelétrica de Tucuruí (empresa estatal). Vencida a licitação pública em 1980 deveria-se, ao longo de 3 anos, concluir a obra de retirada e de comercialização da madeira. O contrato não foi cumprido e o dinheiro dos pensionistas da Capemi dizia-se que fora desviado para a caixinha do ministro-chefe do Sistema Nacional de Informações (SNI), órgão responsável pela segurança nacional, general Otávio Medeiros que desejava candidatar-se à presidência do país. A resultante foi a falência do grupo Capemi, que necessitava de 100 milhões de dólares para saldar suas dívidas, e o prejuízo aos pensionistas que mensalmente eram descontados na folha de pagamento para a sua, futura e longínqua, aposentadoria. Além do comprometimento de altos escalões do governo militar o caso revelou: a estreita parceria entre os grupos privados interessados em desfrutar da administração pública, o tráfico de influência, e a ausência de ordenamento jurídico.
Em 1980 o proprietário da Coroa-Brastel, Assis Paim, foi induzido pelos ministros da economia Delfim Netto, da fazenda Ernane Galvêas e pelo presidente do Banco Central, Carlos Langoni, a conceder à Corretora de Valores Laureano um empréstimo de 180 milhões de cruzeiros. Cabe ressaltar que a Coroa-Brastel era um dos maiores conglomerados privados do país, com atuações na área financeira e comercial, e que o proprietário da Corretora de Valores Laureano era amigo pessoal do filho do chefe do SNI Golbery do Couto e Silva.
Interessado em agradar o governo militar, Paim concedeu o empréstimo, mas após um ano o pagamento não havia sido realizado. Estando a dívida acumulada em 300 milhões de cruzeiros e com o envolvimento de ministros e do presidente do Banco Central, a solução encontrada foi a compra, por Paim, da Corretora de Valores Laureano com o apoio do governo. Obviamente a corretora não conseguiu saldar suas dívidas, apesar da ajuda de um banco estatal, e muito menos resguardar o prestígio dos envolvidos.”
—-
Mais que isso, tenho uma percepção que depois da Ditadura a Sociedade Civil se desmobilizou quase que completamente.
E aí, Francisco Antonio, a vaca vai para o brejo mesmo. Ninguém reclama, dá no que dá.
Tenho reparado um ou outro movimento ressurgir. Tomara que ganhe força. Não vejo outra alternativa sem que haja efetiva participação da Sociedade Civil Brasileira, organizada e atuante, cobrando dia sim e outro também.
Pois é. Fala besteira depois diz que eu que não estudo. Olha que essa de homens bons aprendi nos bancos do São Bento. Vou visitar seu cupinzeiro para obter tal sabedoria. Mas prefiro os historiadores de verdade. Esse pai do Doria é a prepotência em pessoa. Só podia ser um udnista convicto. Coitado do sobrinho…
A ditadura durou 21 anos, de 64 a 85. Corrupção, a recente, vem de 1930. Tem um livro que li há um ano, acho que do Luiz Felipe de Alencastro, no qual ele discute essa mudança de cabeça com os revolucionários de 30.
… e eu aprendi vendo papel velho. Nenhum padre ou papa me contou. Nem qualquer paredro metido a letrado do pt…
verbete paredro: 1 conselheiro que sugere o caminho a seguirç mentor 2 dirigente de clube de futebol 3 - (pejorativo) MANDA-CHUVA
dicionário Houaiss.
Ou seja, a briga está boa, e as ofensas “educadas” e educativas.
Uns 17 a 2 para o Francisco Antonio, na minha contagem.
Deve ser que os revolucionários de 30 receberam a visita do Mephisto e resolveram roubar qual um Fausto desembestado. Pai oniprepotente Doria, precise para mim a data do início da corrupção no Brasil. Sei que a média de escravas no século XVII não conseguimos estabelecer, mas dessa vez vc. pode nos aclarar com seus documentos velhos e ensebados.
PAx, tem placar nisso? Já me cansei é de corrigir o Pai Emérito, que sempre acrescenta mais alguma coisa. Sem dúvida, nem tudo que o PAI escreve é lixo.
Antes de 30, éramos um paraíso de retidão e justiça. Vargas, possuído pelo maligno, inventou a corrupção, conforme a bíblia da UDN. E ainda sobrou para o republicano e simpático ao PT, Felipe Alencastro.
Republicano é gíria de meu amigo - pergunta pra ele - Tarso Genro…
O Pá, louvemos um dos corruptos mais antigos e conhecidos da História: Judas. Afinal somos todos da mesma laia, né?
Até que ler essas afirmações bombásticas do Senhor Doria me foi proveitoso. Fui abrir o livro de alguns intelectuais imbecis e que nunca cheiraram poeira. Encontrei algumas coisas interessantes sobre as câmaras coloniais. No idiota do Victor Nunes Leal, clássico de besteira nacional, “Coronelismo, enxada e voto”, li o seguinte: As câmaras municipais eram instrumentos dos potentados rurais, da nobreza da terra. Não havia a divisão de poderes que conhecemos e, portanto, suas atribuições eram vastas (administrativas, judicial, fiscais, policiamento e militares) (p.63-74).
O pouco confiável Stuart Scwartz anotaria que em “Minas Gerais, Pernambuco e outras partes do Brasil, as pessoas de origem mista, e até as pessoas brancas casadas com elas, eram excluídas do governo municipal” (p.115, livro Viagem Incompleta). “A leve suspeita de antecedentes dessa natureza era suficiente para garantir a desqualificação” do cargo de vereador (cita um caso de constestação para o cargo por qualidade de sangue desconhecida na Bahia em 1748).
Devem ser umas bestas… Preciso estudar mais. Mas em boas obras.
em homenagem ao Pai Doria, vou ouvir Satie, que gostava de avacalhar os pedantes de sua época.
As câmaras municipais de Salvador estão publicadas; e lá presentes os mestiços descendentes do Caramuru, além de judaizantes, como os Pinheiros de Carvalho.
Pior: em 1675 morreu o governador Afonso de Castro do Rio de Mendonça, visconde de Barbacena. Assumiu o governo a junta que incluía Alvaro de Azevedo - neto de judaizante - e Antonio Guedes de Brito, mameluco.
Nem em Portugal se excluíam mstiços ou gente de raça errada: dá uma olhada no DC 39, de 933, no qual Zahadon ibn Halaf, al-Umawi, casado com Aragunte Fromariques - um omíada casado com uma cristã - vende terras a Gondemiro ibn Da’uti, provável moçárabe. Testemunham o documento Ramiro II, o infante Bermudo, a condessa Ilduara Pais… Ah, você não sabe quem eram os omíadas? Qual a importância de Ramiro II? Pena…
Vai ler documento, vai tomar porre de cheiro de papel velho, Jaca. O que você precisa é ler fonte primária. Cheirar papel velho até ficar doidão.
E Satie já era há muito. Ouça Das Lied von der Erde, a mais perfeita orquestração de toda a história da música ocidental.
Tem mais, muito mais: em Portugal os Elvas, médicos judeus, mudam de nome, convertem-se, e viram nos Matas, marqueses de Penafiel. Os Ximenes de Aragão, judeus que controlam no século XVI o comércio da pimenta em Portugal, convertem-se e recebem de Pio V, Felice Peretti, um breve que os declara cristãos-velhos e proíbe que se pergunte sobre sua origem.
Mesmo na Itália. Meu priminho Alessandro de’ Medici era um crioulão, filho natural do papa Clemente VII com uma escrava africana (que os havia, a escravos, em Florença naquele tempo); casou com uma filha de Carlos V. E, escândalo dos escândalos, os papas medievais (século XII), Gregório VI e Anacleto II eram - judeus! Netos, bisnetos de um banqueiro judeu estabelecido em Roma, Baruch. Converteu-se, virou Benedetto Cristiano, casou com uma Frangipani, e deu à icar dois papas.
Estou desconfiando que você é ignorante, Jaca. Tá dizendo muita, muita bobagem.
Perdão, Sixto V, Felice Peretti.
Devo ter me contaminado…
Deve ser porque só leio gente ignorante, como os que citei. Mahler é mais moderninho que Satie?
Prefiro lê-los a ficar doidão como vc. com poeira de papel velho e acreditar que cargo de vereador em senado da câmara era para qualquer um. Essa sua foi de chorar de rir. Está reescrevedno a História desse país com pérolas extraórdinárias, Senhor Doria. Pena não ter um historiador competente para me ajudar a dar boas gargalhadas. Corrupção a partir de 30 foi boa também, no nível de 4 a 5 escravos por média nos engenhos de açúcar ou da elite colonial pobre. O Senhor é um fenômeno!
Cite fatos, my dear, não adjetivos. Fatos. Fatos. Exemplos.
Não adjetivos.
E vai ouvir Mahler, porque, sim, é muito mais moderno que Satie. Você não entende nem de história nem de música, pelo visto.
Mahler foi chefe de escola. Seus discípulos imediatos foram Schönberg, Berg e Webern. Você percebe toques mahlerianos, por exemplo, no grande interlúdio orquestral - tonal, ré menor - de Wozzeck, ao final, depois do assassinato de Marie, e no lindíssimo concerto para violino também de Berg, dedicado à memória de Manon Gropius, filha de Alma Mahler e Walter Gropius.
Sofreram influência de Mahler: Shostakowitsch, Benjamin Britten, Lenny Bernstein, Aron Copland…
Quanto a Satie, foi um acidente interessante na história da música.
Não sou historiador. Sou engenheiro químico, e tenho um doutorado em física matemática. Meu orientador foi Leopoldo Nachbin, provavelmente a maior figura da matemática brasileira em sua vida. Hoje trabalho nos fundamentos das ciências, e temos colaborado, Newton da Costa e eu (Newton é o criador das lógicas paraconsistentes) em dezenas de artigos.
O que fizemos junto? Mostramos, entre outras coisas, que a teoria do caos é indecidível, ou seja, que o fenômeno da chamada “incompletude de Gödel” está no centro da matemática, e não é um acidente periférico.
O que sei de história? Há uns vinte anos um amigo me deu uma bronca, e disse que eu devia documentar a história de minha família antes que esta se perdesse. Conhecia muita coisa de memória, mas desde 91, recém-retornado de Stanford, comecei a colecionar as coisas.
Vou listar as fontes documentais brasileiras. Menciono rapidamente a seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, o Arquivo Nacional, a coleção do IHGB, tudo no Rio. Mas essas bases são conhecidas.
— Aqui no Rio está a coleção Wanderley Pinho, que cobre documentos baianos do século XVII ao XIX. O Juca, José Wanderley de Araújo Pinho, morreu nos anos 60 do século findo, e sua viúva passou ao arquivo do Museu Histórico a papelada. Li-a, de 98 a 99, tendo a meu lado Zé Gabriel, José Gabriel Calmon da Costa Pinto, que me ajudava a reconhecer as pessoas citadas (quem estudou história da Bahia sabe quem foi Zé Gabriel, amigo querido que já se foi). Nesta coleção há um documento onde se proclama o Império do Brasil uns dois meses antes da independência oficial (já o publiquei em facsímile).
(Aliás o decreto imperial que determina a data de celebração da independência declara que esta aconteceu em 12 de outubro, e não em 7 de setembro. Sim, vai ter que reescrever muito da história do Brasil.)
— Na Bahia fica a maravilhosa coleção do APEBA, hospedada na Quinta do Tanque, antiga quinta do Pe. Antonio Vieira. Além da burocracia do período, inventários às pencas, desde meados do século XVIII. Tem também a coleção do arquivo histórico da Misericórdia, organizado pela minha querida amiga Neusa Esteves.
— Em Alagoas há a magnífica coleção do IHGAL. Do que conheço, menciono a Coleção Bonifácio da Silveira, um pêle-mêle de papéis desordenados, Você tem que ler tudo, desde fins do século XVII. Meu amigo Fábio Arruda de Lima está fotografando tudo, e eles têm um convênio com uma instituição que está fazendo um levantamento reprográfico completo, digitalizando-lhes todo o acervo.
— Em Pernambuco há o acervo do IAGHP. No centro do Recife, zona da bufunfa (comi ao lado uma vez um sarapatel maravilhoso num pé sujo), tem material inédito que não acaba mais, de todo o nordeste. O Fábio digitalizou lá recentemente vários documentos alagoanos, desde fins do século XVII. Pega coisa de Penedo e sobretudo da região das lagoas, os entornos de Maceió. Ele encontrou também listagens e mapas de engenhos inéditas, desde o tempo dos belgas, dos holandeses, como ainda se diz lá. Dá uma idéia bem precisa da estrutura fundiária da região, durante quase quatro séculos. Tudo intocado por muitos anos. De quebra, de cortesia, me mandou os manuscritos da Nobiliarquia Pernambucana, de Borges da Fonseca (noto que o trabalho do Fábio tem, principalmente, a colaboração de Cássia Albuquerque, uma fantástica pesquisadora alagoana).
— Em SP, a revista do IHGSP está digitalizada até 2005. Tenho tudo online.
— Vale também citar o Projeto Resgate, coordenado pacientemente por Esther Bertoletti. Em boa parte está online, além dos cds com os facsímiles existirem disponíveis em muito canto.
— No exterior menciono só o arquivo da Torre do Tombo (IANTT). Muito do acervo está online, e a consulta é fácil. Também os arquivos da Madeira, desde o século XVI. Em breve, no site da Torre do Tombo, vão ser colocados os processos integrais da inquisição. Já lhes vi os facsímiles: existem a cores, de modo que dá quase para você ver o papel verdadeiro. Para quem gosta de heráldica sugiro que percorra o maravilhoso Livro do Armeiro-Mor, de João du Cros, iluminado em 1509, apogeu da arte heráldica portuguesa. Tudo online, a cores, quase ao vivo.
Vejo isso tudo como amador. Paleografar documento velho pode ser difícil no começo, mas dá pra aprender, com algum esforço.
Uma observação: é besteira essa de que mestiço não podia ser vereador, na colônia. Isso excluiria — não excluiu — os Cavalcantis de Albuquerque e Alburquerques Maranhões, em Pernambuco e Alagoas; os Guedes de Britto, Mellos e Vasconcellos, e, claro, os Ávilas e os Aragões, em Salvador; os descendentes, muitos, de João Ramalho, em SP; os Vaz de Barros e Pedrosos de Barros, judaizantes; a gente dos Erasmos, luteranos…
Temos o caso de judaizantes na governança do Rio (os Mendanhas Sotomaiores, os Pereiras Sudrés, Paredes, Duques), mas isso é bem sabido, pois levou a um pogrom comandado pelos jesuitas em 1710, coisa assim. Stuart Schwartz, ótimo pesquisador, não pode ter dito isso — e se disse, errou, afinal todos erramos vez por outra. Deve ter falado de um caso particular.
Nosso bom amigo o economista do PT, o economista embuçado, mais uma vez enfiou o pé da jaca, derrapou e se estabacou no chão.
Sou mesmo um ignorante, ainda mais partindo do reconhecimento de J. Cage, que foi influenciado por Satie. O senhor é mesmo um fenômeno de conhecimento musical.
Me pergunto o motivo de seu - simpático, devo reconhecer, e quase sempre bem humorado - anonimato.
E lembro de uma historinha que se deu com um conhecido, pessoa aliás de grandes méritos. Num momento de crise fazia terapia num grupo. Apresentou-se: sou João. E nada mais disse. Bombardeado com perguntas, acrescentou, não quero dizer quem sou sou muito conhecido mesmo.
E ficou assim bom tempo, várias sessões, bombardeio de perguntas sobre quem era, silêncio de nosso bom João. Até que um dia resolve: vou dizer quem sou, sou… X!
Silêncio.
Um a um os membros do grupo foram dizendo, perplexos: quem? Quem é ele mesmo? Não conheço, explica.
Ninguém conhecia nosso gentil Mr X.
(Talvez não seja seu caso; certamente mais ilustre que eu vossa mercê o será, e mais notório e conhecido — é fácil sê-lo. Mas, me lembrei da historinha…)
Ora, sou simplesmente um surfista da Cobal.
Excêntrico Pai Doria, os dados e exemplos estão acima. Vejamos, uma média de 4 ou 5 escravos para tocar um engenho de açúcar, voltado para exportação, é uma impossibilidade. Corrupção é algo recorrente em todas sociedades e no tempo, jamais poderia ter começado em 30, apesar de Vargas ter se cercado de seus cabos políticos e ex-tenentes (ver publicações da Anita Prestes). Pelas atribuições amplas e importantes das câmaras coloniais e sendo essa nobreza da terra ínfima, sua composição dificilmente seria popular, além das barreiras de sangue (que poderiam e foram alegadas quando interessasse a essa elite, além do caso citado, o viajante Walsh narra outro no Rio, em que um coronel filho de mulata defende seu direito ao posto de vereador, ao ser contestado, isso no XIX). Claro que essa elite, especialmente com o tempo, se mestiçara, os exemplos são conhecidos e os relatos de autoridades portuguesas sobre a presença de mulatos nos cargos administrativos são também de domínio amplo, vide Boxer, sobre as relações raciais no Brasil colonial. Somente os impedimentos da escravidão para exercício da cidadania já nos desautorizaria a pensar num regime de representação popular. Quanto à música, inegável que Mahler foi uma das influências do romantismo tardio na música contemporânea, especialmente a morte de Tristão e Isolda de Wagner que inspirou a atonalidade. Mas dizer que Satie é velharia pode ser tomado como uma confissão de ignorância a respeito da música contemporânea. Pena que vc. não respeite o trabalho alheio, senão lhe indicaria os ensaios de Edward Said sobre Cage. Mas deve ser outro pobre idiota que lecionava sobre o assunto nos EUA.
Uma Boa Páscoa, Senhor Pedante Doria.
Oô, parlauit dixitque!
Teu nome: Beckmesser, descobri.
Teu argumento de que tocar um engenho com de cinco a dez escravos é imposível me lembra Erich von Dänniken, que dizia ser impossível levantar as pirâmides só no braço escravo, como está em Heródoto.
Claaaaaaro que tem que ter disco voador pra ajudar!
KKKKKK. Beckmesser… O arrogante aqui é o senhor.
É tudo é possível nesse mundo de meu Deus, quem sabe ETs que pudessem cuidar de canaviais e fabricar açúcar numa quantidade rentável para exportação. Claro que pequenos engenhos sempre existiram para uso próprio e de pequena produção.
Pena, Senhor Doria, que tenha que cuidar de meus afazeres. Não nego que tenha sido divertido, Pai Emérito. Poucas vezes conheci pessoa tão arrogante, pedante e com pouco respeito ao trabalho alheio. Um senhor de engenho colonial, amamentado por uma escrava ama-de-leite.
Desistiu? Tava tão divertido, Beckmesser…
Vide Boxer. Vide Vitor Nunes Leal. Vide Anita Leocádia (que foi, aliás, minha professora). Vide Edward Said.
Falta citar o papa, Ratzi. Autoridade extrema e irrecorrível.
Só digo uma coisa: vai olhar documento. Vai olhar documento e formar tua própria opinião, Beckmesser…
Se meu trabalho permitisse, tentaria seu conselho. Pelo visto, nem as aulas da Anita foram de proveito à VSa. Eu lerei documentos velhos, mas o senhor se compromete a ler o que os outros publicam, ainda que não leiam seus papéis velho. Ok?
Essa conversa de vocês deveria ser emoldurada.
Mas, diga, bom Francisco, você tem lá alguma proposta para mitigar a corrupção brasileira?
Surf?
Pax, talvez transparência mesmo. Ajuda. Eliminar tudo é impossível, mas fiscalização de mil olhos, talvez pela internet, ajuda muito. Aliás me parece que tem ajudado, já.
E cabeça de classe média: classe média se indigna. Indignação é a marca, o selo da classe média. Espírito udenista, sim.
Aguardo que Pedro libere um post meu longo sobre as fontes arquivísticas brasileiras, sobre o período colonial. E’ esboço de um guia. Talvez oriente nosso querido, nosso bem humorado, modesto Jaqueiro…
Muito boas as suas indicações. Agora, como o Senhor Emérito não lê ninguém, não reparou que recentemente alguns trabalhos já colocaram em dúvida a data oficial de 7 de setembro, que não tem amparo em nenhum documento e foi construída posteriormente. Fale um pouco mais sobre esse documento, fiquei curioso.
Uma pena mesmo, mas se ficar escrevendo aqui, amanhã terei problemas na empresa.
Pax, uma boa sugestão é acabar com o foro privilegiado para questões de crime comum. Parece que existe já um grupo de juízes favoráveis a essa revisão. Corrupção é como prostituição, não tem solução, mas pode ser reprimida. Um bom domingo, Pai Doria. Seu exemplo mostra como o conhecimento se tornou especializado em todas as áreas. Novos tempos, nova ciência.
Pedro Dória
O texto indicado por Pax (199), “Breve História da Corrupção no Brasil”de Antonio Inácio Andrioli serve para dar razão para Chersterton (22) que disse: “essa discussão carece de definições em primeiro lugar”. Afinal no texto de Antonio Inácio Andrioli a primeira tarefa foi procurar um conceito para corrupção. Infelizmente ele não teve êxito.
Sobre esse problema do conceito uma observação. Para mim, o único conceito válido é o do Código Penal. Só trato da corrupção se houver a sentença com o trânsito em julgado. Bem sei que pode ocorrer corrupção sem que se mova o judiciário para que se tenha o trânsito em julgado de uma sentença condenatória, como sei também que pode ocorrer a sentença condenatória ou absolutória por mera falha da justiça. Prefiro relevar tudo isso e optar pelo formalismo da definição. É o que eu preciso para fazer um mínimo de sentido qualquer discussão quantitativa sobre a corrupção. Fora disso o que se tem é opinião, ou o argumento circular de que falou o Chersterton (21) para o seu outro texto “Silvio Berlusconi e a Itália de hoje” de 10/04/2009. Lá além de se discutir sobre corrupção (Sem que se estabeleça um conceito prévio) se discute sobre a competência do agente público (Para a qual não se tem um critério objetivo de avaliação). Por isso que para os dois textos só há margem para emitir opinião.
Só dou razão a quatro grupos de pessoas que se voltam contra a corrupção: os delegados e os promotores que ganham para isso, os políticos que ganham votos com a crítica que eles fazem e os jornalistas que chamam a atenção do cidadão para obter leitores que com esse viés não mostram que se pode ser muito mais corrupto (sem definição), ou dito de outra forma, se pode causar muito mais dano ao Estado legalmente do que mediante a sonegação. A desoneração da Lei Kandir para produtos primários e semi elaborados supondo a alíquota mínima interestadual só para Minas causa um prejuízo anual na faixa de mais de 800 milhões de reais. Se quem votou a favor receber financiamento regular de campanha da FIESP até sair da política, não há nada irregular para ser incriminado. Votar contra a CPMF representa uma perda anual de mais de 40 bilhões de reais. E tudo feito legalmente. Isso tudo feito pela ação, e ação competente. E a incompetência por ação ou omissão se for isso que explica a elevação da dívida pública no governo de FHC que eu sempre considerei provavelmente o mais probo dos nossos governantes?
Poderia incluir no grupo os funcionários públicos que reclamam que a corrupção deixa menos recursos para pagar o salário deles. E faria mais uma inclusão genérica: os cidadãos. Esses (todos nós) achamos que o Estado está sendo pilhado pelos corruptos. Os dados não corroboram a conclusão do senso comum. Não significa que ela não deva ser combatida, mas considerá-la como um outro crime qualquer que ocorre na sociedade e que deve ser combatido avaliando-se o grau de gravidade que a sociedade vê no crime e a quantidade (que no caso da corrupção é difícil de mensurar em qualquer lugar do mundo) da ocorrência dele para se poder quantificar o efetivo encarregado de combatê-la sabendo de antemão que o extermínio da corruppção requer um regime tirânico.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/04/2009
Agora que queria saber sobre o documento publicado pelo pai Doria, ele desaparece. Vou aguardar vossa emerecência disorrer sobre tal documento fantástico. Depois diz que não gosto de papel velho. Esse sinhozinho Doria…
discorrer
Hoje ficarei só na leitura de suas sapiências dorianas, enquanto preparo minhas planilhas.
Isso tudo em louvor a vossa presença tão irradiante e sublime, menos onipotente.
Fui almoçar com Ignez e Michael, e agora vou cochilar um pouco.
Ihhh, esse fluorescente Doria está muito borocochô.
Almocei na Ignez salada e mignon, com umas gotinhas (não poso muito, é calórico) de azeite trufado com trufas brancas.
Marcos Margulies publicou em Comentário, em 71 ou 72, o decreto determinando que se festejasse a independência em 12 de outubro, dia da aclamação do imperador. (Está na varanda, e não vou lá agora; talvez amanhã. Sou um velho borocochô de 63 anos.)
A proclamação de Joaquim Ignacio de Siqueira Bulcão, de 13 de junho de 1822, foi publicada por mim às págs. 132 e 133 de meu livro Caramuru e Catarina (Senac SP 2000). Termina com as palavras: Brasilienses e bons brasileiros, o nosso amado príncipe nos diz, e sobre esta pedra edificarei o meu império do Brasil. Etc
Interessante, Senhor Doria. Verei se consigo sua publicação. Agora, não entendi muito bem seu comentário, precisaria ler o documento. Edificarei o meu Império??? Pode ser uma remissão ao desejo de fazê-lo, como foi na época do embate com as Cortes, sempre com o cuidado de deixar uma possibilidade para a continuidade do Reino Unido. Senhor Dória borocochô, o senhor me deu um trabalho terrível, muito maior do que o de seu filho. Barbaridade, tchê. Sucesso em seus estudos históricos. Agora, que V.Exma. é um cabeçudo, lá isso é…
Não faço história, faço matemática. E genealogia é só um violon d’Ingres. Mas que me laureou, como falei.
Ok, Pai Doria. então sucesso em vossa matemática genealógica. Um abraço rubro-negro para vossa lauriência.
:)))
- 160 escolas, com capacidade para 176 mil alunos;
- Postos de saúde suficientes para atender 1,2 milhão de pessoas/mês;
- Pagar o salário de 25.600 policiais militares por UM ANO.
Isso é o que daria pra fazer com o dinheiro sonegado pela Daslu segundo a revista veja. Se considerarmos somente R$ 636 milhões das fraudes nas importações.
Se somar outros impostos, segundo a Valor Econômico, pode chegar a R$ 1 bilhão.
Faz uma regra de três, então, Francisco, e vê o quanto a gente perde com uma só criminosa condenada a 94 anos. Ela e seu irmão pegaram essa pena. Os outros da quadrilha nem sei.
O que acha?
Ah, peguei as infos acima no site de um novo programa que está muito bom. E discute, também, corrupção. O Programa se chama Assembléia Geral.
Estava realmente decidida a não mais comentar no blog do PD por uma série de motivos que, espero, não me peçam pra elencar.
Porém, este debate foi realmente ótimo, mostrando conhecimento, domínio do assunto, de ambos os lados da liça.
Só me pareceu que a briga se deu a partir de perspectivas diferentes, embora haja, imagino, formas e mais formas de agregar o conhecimento que foi esbanjado por aqui, sem que haja necessidade de confronto.
Pelo que li, a preocupação central do Francisco Doria é genealógica e isto, modesta professorinha que sou, também me preocupa, porque desejo salvar os diários do meu avô, que acompanhou toda a 2GM, com recortes de jornal, de Fortaleza, um de seus hábitos, misturados com registros de família.
Quando ele morreu e os filhos discutiram sobre o que levar como lembrança, meu pai quis, pelo menos, dois cadernos (havia mais). Mesmo tendo-os encadernado, e também recebido os conselhos do PD sobre como digitalizar, o material continua aqui e sinto dizer, meio que se desfazendo.
É bem pouco comparado à genealogia que move os esforços do Francisco, mas acredito na “micro-história” – a história dos indivíduos comuns e como contribui para a construção da macro, seja lá o que for isso.
De toda forma, obrigada a ambos!
Ave, Alba! Todos sentimos sua falta.
Surf, sempre será um amigo! :-)
Albita, nada de mau humor e coisas carrancudas. Venha sempre que puder. Não muito. Pois veja minha situação. estou remontando planilha por falta de atenção derivada dessa sabatina doriana.
Ah, sim, meu avô era PSD getulista, off-course. Meu pai conta ter chegado da escola na data fatidica de 1954, e encontrado o seu pai, meu avô, “chorando como criança”, segundo relato dele.
Ânfãm, hei de dar um jeito de digitalizar essas coisas, porque acho realmente, que têm valor, mesmo misturando reclames da época (bão, isso tb vale) e outras cositas.
E já que estou me excedendo, há coisas que acho muito engraçadas, vistas hoje, como a Página de Honra para o Getúlio, com foto, todo pimpão, e libelos, escritos pelo meu avô, de acordo com a visão que ele tinha.
Entonces, sobrou uma página de foto do Chiang-Kai-shek, com a inscrição “canalha miserável”, se não estou enganada. Aliás, nesse caso, concordo.
E outra, com foto, mostrando o Chruchill como exemplo de vida que gostaria que os filhos seguissem. Aí…:-((
Surf,
A planilha sofreu mas nós ganhamos, némêss? E diga à Nat que também a adoro, plís.
Sobre voltar aqui, duvido um pouco, sem o menor mau humor, só coisas outras que nem vale a pena comentar.
E como minha rotina começa cedo, beijos aos amigos Proftel, Tia, Nat, Memento, James Bond, Gwyn e os casos omissos, por favor, mil perdões. Cobrem por e-mail, plís. :-((
Pedro Dória,
Lá em 245, onde eu disse sonegação quero dizer corrupção.
Quanto ao exemplo do valor sonegado pela Daslu que corresponderia a 1 bilhão, mas não se disse em que período. É de se imaginar que para o setor de modas a alíquota deve ficar na faixa de pouco mais de 30% Significa que faturaram cerca de 3 bilhões no período. Em 1 ano o prejuízo pela não aprovação da CPMF é de mais de 40 bilhões de reais correspondendo para uma alíquota como a da Daslu um faturamento de cerca de 120 bilhões em um ano. Só se for a Petrobras. E não se esqueça que ainda não se tem o trânsito em julgado.
Enfim prejuízo da Lei Kandir e do fim da CPMF é maior do que toda a corrupção que se tenha feito no Brasil.
O caso das ambulâncias para mim dá a medida exata da falta de medida dos que falam da corrupção. A empresa emvolvida com as ambulancias segundo a Folha de São Paulo faturou de 2000 a 2005 cerca de 70 milhões de reais. Se se imagina que houve a entrega de muitas ambulâncias e o pagamento de trabalhadores, conclui-se que se ocorreu durante todo o período cerca de 10 milhões de corrupção tem-se um valor já próximo do absurdo e que representa menos de um dia de arrecadação da CPMF. E no entanto o escândalo da corrupção é tratado como o que havia de pior em matéria da corrupção.
É um despautério.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/04/2009
Clever Mendes de Oliveira
Pelo que entendi do noticiário, os cálculos são de 5 anos de fraudes na Daslu.
Pax,
Eu insisto que nesse caso quando houver a sentença com trânsito em julgado e para o que não se trata corrupção, mas de sonegação (aqui também o que se lê na imprensa é só despautério), o valor envolvido será pequeno se comparado com os casos simples de elaboração da lei, como o foi o caso da Lei Kandir e da não aprovação da CPMF.
E o caso da ambulância pode ser feito tudo dentro da lei. Com o repasse para os políticos sendo feito também dentro da lei (pode usar uma empresa fornecedora para financiar a campanha do político, tudo dependendo somente de bons advogados para se cumprir a lei). Tudo sendo feito dentro do processo orçamentário normal e com toda a transparência. Uma vez um colega criticou que a herança não era tributada com a alíquota do Imposto de Renda. Eu mostrei para ele que a existência do Imposto sobre a Herança (ITCD) era exatamente para não se aplicar o Imposto de Renda. Tudo sendo feito de acordo com a lei e com toda a transparência e permite ao rico pagar muito menos imposto.
Pedro Dória,
A todo momento me chamam e o comentário quase pronto é enviado sem correção. No último há muitos erros, mas só conserto o da última frase, substituindo escândalo da corrupção por escândalo das ambulâncias.
Aproveito ainda para explorar a questão da segunda razão de Bolívar Lamounier. Se fosse outro, eu diria que ele ouviu o galo cantar, mas não sabe aonde. No caso de Bolívar Lamounier ele sabe, mas não o disse. Quem o disse foi o Paulo Roberto Silva (66) em 09/04/2009 às 12:43 no primeiro parágrafo do comentário dele, transcrito a seguir:
“Acho que o Bolívar aponta na direção correta quando coloca a mobilidade social e o crescimento econômico como causas da corrupção. Na sociedade, o que aconteceu nos últimos anos, como resultado destas duas variantes, foi uma intensa desestruturação social. E o velho Weber já dizia: quando as pessoas se desencaixam de sua estrutura social tradicional, elas perdem sua referência de valores.”
Em resumo está dizendo informação antiga, do final do séc XIX. Se fosse de alguém que descobrira o que não sabia já conhecido era aceitável, mas dito de forma incompleta e de forma disfarçada por alguém como Bolívar Lamounier é demonstrativo do que se tornou a nossa elite intelectualizada. Embora rebarbativo tudo poderia ser dito simplesmente assim. As sociedades com estratificação mais sedimentadas como as européias e, portanto, com menor mobilidade social e, portanto, menor perda de referência de valores e onde o crescimento econômico é menor, pois já está tudo feito e com crescimento populacional menor reduzindo o crescimento econômico, é menor a corrupção. Isso quando se compara com o nível de corrupção que se observa nos Estados Unidos, na America Latina e nos Tigres Asiáticos. Isso é visível quando se toma o zoneamento agropastoril europeu e o se compara com o brasileiro. Aqui no Brasil há a possibilidade de se sair de uma produção de pecuária em Pedra Azul/MG ou de café em Caratinga e desbravar regiões inexploradas como ir plantar soja ou café no oeste do Paraná na década de 50, depois volta-se para o Cento Oeste na produção de soja, depois no Pará fazer o retorno à pecuária. Na Europa cada fazenda já está explorada e tem definida a cultura dela e nada disso é possível.
Como mencionei, um grupo dos que ganham com o assunto da corrupção são os jornalistas e eles preferem utilizar o termo no seu sentido genérico. Não medem as palavras, mas não podem ser acusados de calúnia. E atraem leitores. As vezes geram discussões que podem ser emolduradas como disse o Pax (242), mas a rigor é apenas um velho quadro na parede.
Para fechar, sem ser ao feitio dos jornalistas, tratarei da corrupção nesse sentido genérico. Meu pai (que não é “O pai”) contava uma passagem na história da minha avó em uma campanha política para eleger um filho deputado estadual. Um outro filho que cuidava das finanças comunicou que os gastos com a campanha estavam elevados. Ela argumentou em defesa de mais gastos dizendo que o dinheiro que ela possuia seria dividido entre os nove filhos (tivera 11 filhos sendo meu pai o mais novo, nascido em 1914, um ano antes da morte do meu avó, e sendo 8 homens e 3 mulheres, sendo que um casal faleceria antes dos 10 anos), mas o prestígio que ela iria adquirir com a eleição do filho iria integralmente para cada um deles.
Contei a história para perguntar se a nossa dívida pública do período de FHC não se avolumou para pagar os diplomas “honoris causa” de FHC? E vale também para o Prudente de Morais. Será que ele não corrompeu o biógrafo dele, ou sendo o biógrafo brasileiro não seria o biógrafo corrupto o suficiente para dar ao biografado uma superioridade que bem valesse a pena que o biografo gastava.
Um lembrete. Bolívar Lamounier sempre teve o que eu chamo de a arrogância da sapiência. É própria dos tucanos. Muitas vezes eles não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz pela couraça da sapiência endurecida pela presunção autoritária que são possuidores. No início do governo de FHC dois cientistas alienígenas vieram com a tese canhestra da superioridade do direito consuetudinário sobre o direito positivo para o crescimento econômico. Se Bolívar Lamounier fosse humilde diria a verdade, eu não sou conhecedor do direito nem de economia o suficiente para analisar essa tese. E se tivesse um mínimo de conhecimento da história econômica dos países e de direito comparado, saberia o bastante para referir-se à tese como despropositada. Ele preferiu dizer que os pesquisadores tinham um pouco de razão, mas que com FHC seria diferente.
Até que, com FHC, os pesquisadores tiveram um pouco de razão. Para vender as teles para grandes grupos, fez-se alteração na lei 6404/76 retirando os direitos dos minoritários. Lá na frente para vender parte das empresas para os fundos de pensão estrangeiros que só queriam investir, mas sem o ônus da gerência, a Lei foi alterada novamente, restabelecendo os direitos dos minoritários. Talvez FHC possa atribuir ao Direito Positivo a causa do baixo crescimento durante o período dele. Talvez o Bolívar Lamounier conhecesse Direito e Economia o suficiente para dar a resposta correta à tese dos alienígenas, mas conhecendo melhor o FHC já deixara a tese pronta para aplicação no futuro
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/04/2009
Caro Clever Mendes de Oliveira,
Qual a sua definição de corrupção? Sonegação fica de fora? Veja, não é uma provocação vazia, é um excelente ponto de discussão.
O ponto que me parece concreto para discussão é: Sonegação não é Corrupção?
Só para deixar encaminhada a discussão reforço: Corrupção é só para funcionários públicos?
Minha preocupação é só genealógica, no caso; sobre teoria (ou metateoria) das ciências sociais, já publiquei, sim - p.e., “Computing the Future,” em K. V. Velupillai, _Computability, Complexity and Constructivity in Economic Analysis_, Blackwell, Oxford, 2005. Mas aqui não é essa a discussão.
Tem muito, muito erro em texto de ciências sociais, em geral porque não usam fontes primárias. Fonte secundária é um horror, a gente aprende logo em genealogia - fujam dos nobiliários, só pra começo de papo. Tem que olhar papel velho, e só, e desconfiar das interpretações publicadas. Pode ser uma atitude radical, mas funciona direitinho, e serve a meus objetivos.
Sobre minhas posições políticas: primeiro, acho que esse governo do pt é infinitamente melhor que o dos doutores do psdb, e é um governo no qual me reconheço (e fui do cdes). Minha falecida mulher, mãe do Pedro, foi comunista dos 17 aos 20 e tantos anos. Depois tornou-se anarquista na prática, e debochada em termos ideológicos. Escrevi, de 67 a 68, no Correio da Manhã, e fui um dos que lançaram Marcuse no Brasil, isso em meus verdes vinte, vinte e um anos… Ideologicamente, agora, me afino com o que pensava Margô (só discordávamos sobre Glauber, de quem não gosto). Mas fujo, ou tento fugir, de preconceitos ideológicos: e digo, sim, que a udn foi um grande partido de classe média, talvez o único assim no Brasil. (Meu finado sogro, aliás, foi senador e paredro - uso o termo de novo, Pax… - udenista.)
Meu editor aqui, a Revan, está preparando um livro que coordenei com o Cosenza sobre _Crise na Economia_; deve sair em maio. Minha análise, no prólogo, é baseada em Marx, Das Kapital, vol. III. Acho sempre o que está lá uma análise brilhante e profética.
Pax,
Disse que utilizo o Código Penal. Há algumas particularidade na tipificação do crime que, se a sua formação não for jurídica, precisaria de mais informações para esclarecer e minha memória não é suficiente para lhe repassar agora.
Lembro que o nosso Código Penal fez a tipificação da Corrupção Passiva em um artigo e a corrupção Ativa em outro. Já ai começa o questionamento, por que não colocar os dois juntos?
Resumo tudo transcrevendo os dois artigos.
Corrupção Passiva - Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Alterado pela L-010.763-2003). A observar que a primeira coisa que fez o governo Lula foi aumentar a pena. Pode ter sido uma boa medida, mas pode não ter sido.
Corrupção Ativa - Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Alterado pela L-010.763-2003).
Para mim a corrupção estaria configurada se e somente se houver a sentença condenatória transitada em julgado condenando ou o corrupto ativo ou o corrupto passivo ou evidente os dois juntos. E a sonegação é outra história.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/04/2009
Clever,
Obrigado pelos artigos. Muito bom.
Francisco, pena que o post “mofou” como dizem na blogosfera. Pena mesmo. A aula estava pra lá de boa.
Abraços aos dois. E ao desemigo Surf que contribuiu muito pra atiçar o Francisco.
Bom, ponto final… Pro arquivo morto.
Chico,
Vale lembrar, na questão de fontes primárias, de um jantar em casa de meu tio, ao qual estavam presentes Pedro Clamon, cunhado de meu tio, historiador e cioso de ser um profundo conhecedor da atuação do Brasil na IIGGM e meu modesto pai.
Calmon discorreu horas sobre seu vasto conhecimento sobre as batalhas vencidas pelos brasileiros e o velho Antonio calado, até que pelas tantas resolveu contestar boa parte do que Calmon dizia. Este inflou-se, perguntou a meu pai com que autoridade ele contestava sua pesquisa, notoriamente reconhecida. Meu pai respondeu apenas isto: “Eu estava lá”.
Tia Claudia,
Não é falta de respeito com o seu pai, mas as vezes a nossa memória nos pega peças. Para o texto aqui no blog do Pedro Dória junto ao texto “O adeus a Samuel Huntington” de 30/12/2008 eu enviei um comentário para contar uma história em que a minha memória me pegara uma grande peça.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 14/04/2009
Ok, Clever,
Nem tenho dados para discutir, pois é uma estória sem mais testemunhas, todos se foram. Apenas lembrei que às vezes, os estudos podem se perder quando postos em face a uma realidade irrefutável: a do testemunho. Todos os presentes àquele jantar, estão no outro patamar, ou seja, não mais entre nós. Apenas mencionei o episódio, como verídico (e isso posso jurar) e curioso sobre o que se estuda e o que acontece, na realidade. Dá para pensar.
Dóira, a Revista de História da Biblioteca Nacional teve o penúltimo número dedicado à corrupção. Creio que vale a pena conferir.
[...] ‘A ilusão patrimonialista brasileira.’ Grande frase. O que remete ao professor Bolívar Lamounier: No Brasil, somos todos corruptos. [...]
[...] ‘A ilusão patrimonialista brasileira.’ Grande frase. O que remete ao professor Bolívar Lamounier: No Brasil, somos todos corruptos. [...]
e como vamos acabar com a corrupção. So se voltassemos no tempo e com um canhão afundassemos a caravela dos ratos vindos de Portugal.