Lula, Brasil e o FMI

Brasil · 6/04/2009 - 04h47 - 33 Comentários

Provavelmente não há muito mais o que dizer a respeito do G-20 para o Brasil que o Sergio Leo já não tenha dito:

Para quem pensa que uma imagem vale mil palavras, essa aqui diz alguma coisa. O barbudo ao centro, ao lado da rainha, é o Lula, aquele que sabemos, pelo que lemos no Brasil, que hostiliza Europa e Estados Unidos, perdeu a liderança da América Latina para Hugo Chávez, tomou uma série de decisões ideológicas equivocadas e só colheu derrotas na política exterior.

O cara atrás dele é o presidente dos EUA, um tal Obama, que declarou ser o Lula o líder mais popular do mundo. Deve ser porque a imagem dos EUA no mundo anda péssima, e o Lula, como lemos sempre, odeia os EUA. Obama, aliás sabedor da máxima sobre imagens e mil palavras, fez questão de registrar, em vídeo, AQUI, sua irritação com o nosso conhecido antiamericanismo de Lula, que ele teve ocasião de comprovar ao recebê-lo entre os primeiros chefes de Estado que convidou à Casa Branca.

Mas há um detalhe: FMI. O Brasil de Lula, pela primeira vez, deve emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional. Na CBN, Miriam Leitão já adiantou que o Brasil terá mais poder no FMI – e é exatamente essa uma das principais metas brasileiras para esta reunião do G-20. Ela não é a única que está dizendo isso.

Não custa dizer: devagar com o andor.

Não está de maneira alguma claro que o Brasil terá mais poder no FMI. O país não está sozinho no desejo de reforma. Esta é uma operação conjunta dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – mas, diferentemente do que anda saindo de forma meio confusa aqui e ali, reforma, seja lá de que tipo, só será anunciada no segundo semestre. A proposta do novo FMI será desenvolvida pelo premiê britânico, que a apresentará em Nova York, quando o G-20 se reunir novamente, em setembro.

Não é à toa que países como Brasil e China estão emprestando dinheiro agora. Querem forçar a mudança. O fato de que nada mudou na semana passada também não quer dizer fracasso da política externa brasileira – o processo é lento. Mas há quem não deseje perder poder.

Só o fato de que a crise econômica mundial induziu a uma reunião do G20 e não, como sempre aconteceu, do G8, já dá mostras de que a estrutura de poder do mundo mudou e que o Brasil está melhor do que jamais esteve. Mas essa não é, ainda, uma mudança consolidada.

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