O futuro das relações EUA x Brasil

Brasil · EUA · 18/03/2009 - 14h13 - 48 Comentários

O Idelber tem um bom post a respeito da visita que Lula prestou a Obama, durante o final de semana. Mas não custa destacar uma de suas informações e trazer outros dados para oferecer um pouco mais de contexto sobre as promissoras relações entre Brasil e EUA nos próximos anos. Promissoras, por certo – mas não garantidas.

(Atualização – Vale cada segundo da leitura da coluna do Sergio Leo, no Valor, sobre a visita. dica do Ricardo Cabral)

Lula é o terceiro chefe de Estado recebido por Obama na Casa Branca. O primeiro foi Taro Aso, o premiê japonês, seguido de Gordon Brown – e houve muita reclamação dos britânicos a respeito da informalidade do encontro. A agenda destes encontros não é traçada displicentemente. O novo governo norte-americano quis que o Brasil estivesse entre os primeiros.

Por quê?

Poucos meses atrás, tive uma conversa com Mike McFaul, assessor especial de Obama para Rússia e Eurásia, sobre a política externa tal qual vista da Casa Branca. O nome chave para compreender o Brasil visto pelo governo Obama é Denis McDonough. McDonough é o principal assessor de Obama para relações internacionais e o chefe de McFaul. Sua especialidade é América Latina.

Não é à toa que, durante a campanha eleitoral, o primeiríssimo fact sheet detalhando as políticas do futuro presidente tratou de América Latina. Lá, quatro países estão destacados: México, Cuba, Haiti e Brasil, cada qual por motivos diferentes. Dos quatro, três são problemas a resolver – apenas um é tratado como um parceiro importante com quem negociar. É o Brasil. E o foco da parceria que os EUA esperam é preservação ambiental entrelaçada com tecnologia para energia sustentável. Ao Brasil, este é um negócio que interessa muito.

Bem antes dessa visita, Lula já havia recebido sinais de que a relação com os EUA mudaria no momento da eleição de Obama. No dia seguinte à eleição, Obama ligou para ele. Este ritual das ligações é feito em três estágios. No primeiro dia, os governantes dos países muito importantes recebem ligações. Estão lá os vizinhos de fronteiras Canadá e México, as principais nações da Europa Ocidental, Rússia e China – e, desta vez, Brasil. No segundo dia, uma segunda batelada de chefes recebem ligações. No terceiro, outros tantos. Nem todos vêem o telefonema.

Se McDonough é o principal aliado do Brasil perante Obama, isso não quer dizer que daqui para a frente tudo serão flores. A condução da política externa é complexa. Os assessores especiais, como McDonough e McFaul, têm os ouvidos do presidente dentro da Casa Branca. Mas o poderoso Departamento de Estado, comandado por Hillary Clinton, tem muita independência. Além disto, o Departamento do Tesouro, o do Comércio e mesmo o Pentágono, que controla as Forças Armadas, também encontram espaço para intervir. A política externa dos EUA é o resultado desta disputa interna pelos ouvidos do presidente.

Serão, daqui para a frente, anos interessantes.

Correção – A primeira versão deste post ignorou a visita do premiê japonês à Casa Branca. A versão atual já está devidamente corrigida.

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