O futuro das relações EUA x Brasil
O Idelber tem um bom post a respeito da visita que Lula prestou a Obama, durante o final de semana. Mas não custa destacar uma de suas informações e trazer outros dados para oferecer um pouco mais de contexto sobre as promissoras relações entre Brasil e EUA nos próximos anos. Promissoras, por certo – mas não garantidas.
(Atualização – Vale cada segundo da leitura da coluna do Sergio Leo, no Valor, sobre a visita. dica do Ricardo Cabral)
Lula é o terceiro chefe de Estado recebido por Obama na Casa Branca. O primeiro foi Taro Aso, o premiê japonês, seguido de Gordon Brown – e houve muita reclamação dos britânicos a respeito da informalidade do encontro. A agenda destes encontros não é traçada displicentemente. O novo governo norte-americano quis que o Brasil estivesse entre os primeiros.
Por quê?
Poucos meses atrás, tive uma conversa com Mike McFaul, assessor especial de Obama para Rússia e Eurásia, sobre a política externa tal qual vista da Casa Branca. O nome chave para compreender o Brasil visto pelo governo Obama é Denis McDonough. McDonough é o principal assessor de Obama para relações internacionais e o chefe de McFaul. Sua especialidade é América Latina.
Não é à toa que, durante a campanha eleitoral, o primeiríssimo fact sheet detalhando as políticas do futuro presidente tratou de América Latina. Lá, quatro países estão destacados: México, Cuba, Haiti e Brasil, cada qual por motivos diferentes. Dos quatro, três são problemas a resolver – apenas um é tratado como um parceiro importante com quem negociar. É o Brasil. E o foco da parceria que os EUA esperam é preservação ambiental entrelaçada com tecnologia para energia sustentável. Ao Brasil, este é um negócio que interessa muito.
Bem antes dessa visita, Lula já havia recebido sinais de que a relação com os EUA mudaria no momento da eleição de Obama. No dia seguinte à eleição, Obama ligou para ele. Este ritual das ligações é feito em três estágios. No primeiro dia, os governantes dos países muito importantes recebem ligações. Estão lá os vizinhos de fronteiras Canadá e México, as principais nações da Europa Ocidental, Rússia e China – e, desta vez, Brasil. No segundo dia, uma segunda batelada de chefes recebem ligações. No terceiro, outros tantos. Nem todos vêem o telefonema.
Se McDonough é o principal aliado do Brasil perante Obama, isso não quer dizer que daqui para a frente tudo serão flores. A condução da política externa é complexa. Os assessores especiais, como McDonough e McFaul, têm os ouvidos do presidente dentro da Casa Branca. Mas o poderoso Departamento de Estado, comandado por Hillary Clinton, tem muita independência. Além disto, o Departamento do Tesouro, o do Comércio e mesmo o Pentágono, que controla as Forças Armadas, também encontram espaço para intervir. A política externa dos EUA é o resultado desta disputa interna pelos ouvidos do presidente.
Serão, daqui para a frente, anos interessantes.
Correção – A primeira versão deste post ignorou a visita do premiê japonês à Casa Branca. A versão atual já está devidamente corrigida.
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PD - Sinceramente, acho esse papo que o Brasil pode “exportar tecnologia de energia sustentável” uma maior balela.
Tecnologia para transformar vegetal em etanol os EUA já possuem. O que não possuem é a cana-de-açúcar que é mais “calórica” que o milho ou beterraba.
Biodiesel eles também já sabem muito bem como fazer. E pior, há várias iniciativas individuais que transformam óleo de lanchonetes em combustível.
Lá (aí) se um sujeito quiser montar uma pequena refinaria de oleo usado nas fritadeiras para usar como combustível o faz tranquilamente.
Aqui o sujeito seria provavelmente preso. Seria processado por quebrar o monopólio da Petrobrás… Como assim não pagar os impostos exorbitantes no combustível??
O que Obama quer, e isso já foi explicitado, é o nosso petróleo. O bom e velho petróleo.
P.S.: Fiquei aguardanto o Idelber escrever um post tão bonito assim dada a amizade que Lula tinha com Bush. E tinham mesmo. Se entendiam como ninguém…
Mas aí entra a velha dualidade da esquerda… O encontro de Lula com Obama é histórico. Com Bush é esquecido…
Fazer o que. São tão previsíveis…
EUA já pesquisam e investem sem alarde em energias alternativas, muito mais do que se imagina. Quem se interessar, só perguntar ao professor Ronaldo Mourão. Brasil? um peão que chega no máximo a Torre.
Brasil, pros Eua, representa o perigo de ser uma nova e gigantesca Colômbia, o que estratégicamente é um pesadelo e o aquífero Guarani; em segundo plano vem o campo de Tupi e as possíveis reservas do pré-sal. Aliás, ninguém fala mais nisso, né?
De resto, é samba, sacanagem, violência e futebol for gringo’s eyes.
É o terceiro post que leio sobre o assunto que não nada na onda do achincalhe à visita do Lula ao Obama, e ainda por cima oferece dados interessantes sobre as relações BrasilxEUA. Li antes o do Idelber, que deu demasiado destaque para as visões Direita x Esquerda sobre a visita, e o do Sergio Leo, esse mais aprofundado e contrastando com a imprensa em geral — lembrando que foi publicado no Valor Econômico, só para não cair na discussão sobre blogs e imprensa tradicional.
Pablo Vilarnovo, vc não pescou a história… a questão não é a tecnologia de fazer o motor flex. Ela dá um bom garoto propaganda, claro, mas a Ford e a GM o fazem no Brasil, podem fazê-lo nos EUA.
A questão mais profunda é de produção de etanol a partir da cana. Vai desde engenharia genética da cana até métodos de produção. É tecnologia sofisticada pacas na qual o Brasil vem trabalhando há anos.
Pedro, interessante o post, mas Lula foi o terceiro chefe de Estado a visitar Obama. O japonês foi o segundo. Bjs.
Pedro - Eu entendi… mas acho que a Cana não cresce nos EUA. E o Brasil não tem condição nenhuma de se tornar fornecedor de etanol para os EUA. Não no nível que faça alguma diferença para eles. A voracidade por combustível lá (aí) é muito grande para a nossa capacidade produtiva.
Pablo Vilarnovo, nem estou sugerindo isto… e os EUA não iriam querer um único país como fornecedor de combustível. Cana pode ser plantada em muitos países. Mas quem tem o domínio da tecnologia é o Brasil… no longo prazo, multinacionais de energia brasileiras são um bom negócio, não importa onde a cana esteja sendo plantada.
O artigo do Sergio é bom. Já o do Idelber, enfim, é aquela coisa para quem acha que o Lula é de esquerda - o que é falso - que acha que a imprensa é golpista etc.
Esse post do Idelber, naquele tom, só é possível porque há a uma simpatia geral com o Obama. Primeiro - e mais importante - porque ele não é o Bush; segundo, porque é negro - sim, as pessoas são estúpidas; por fim, porque ele é democrata e, digamos, representa renovação - o post do Doria sobre o primeiro presidente americano pós-geração “baby boom” foi muito feliz.
Porém, para ser honesto, eu não consigo entender no que consiste essa tal “parceria para preservação ambiental aliada ao desenvolvimento de fontes de energia sustentável”, que justificasse tornar o Brasil parceiro estratégico.
O fato de ser a “terceira visita” sem dúvida é novidade. Mas a ainda falta argumento na análise.
Pablo, cana de açúcar cresce muito bem na Flórida e outros estados do Sul. A expansão da área de cana já existente é que não é muito desejável. Há alguma expectativa dos países do caribe (Puerto Rico, Jamaica, Haiti e, sim, Cuba, numa nova relação com os EUA) voltarem à sua condição de centro de produção de cana de açúcar, desta vez para etanol, em vez de açúcar. Eu francamente tenho minhas reservas. Monocultura é monocultura, e eu já vi este filme.
PD - verdade…
Pedro, não seria um pouco de displicência ignorar um equívoco que você cometeu e eu apontei? Não tenho um artigo maravilhoso como o Sérgio Leo(ainda não li, mas estou acreditando), porém não há necessidade de fingir que não leu e não consertar a informação.
Pois é, Pablo, mas não é balela, não.
Existe pesquisa universitária de ponta por aqui - mas, enfim, suponho q vc saiba disso. Perdemos pra eles, mas, com excessão da Alemanha e do Japão, todo mundo perde. Que os EUA sabem extrair etanol, e tal, eles sabem. O q eles querem saber - e diversas universidades aqui estão bem avançadas nesse curso de pesquisa -, é como aumentar a produtividade do solo, como modificar a estrutura genética da cana de modo a aumetar-lhe a capacidade calórica, como diminuir o teor de água estrutural. Coisinhas assim. Os EUA já possuem inclusive tecnologia potencial para fazer motores a reação que funcionariam com alcool - se houvesse alcool suficientemente calórico para alimentar esses motores. Aí entramos nós. E diria tamb q vc tem razão qdo eles fala do interesse deles por “nosso petróleo”. Seria mto bom, suponho, visto q, ao longo dos próximos 50 anos, dificilmente a matriz energética mundial se descolará do petróleo. Vc certamente sabe as dificuldades de produzir um motor elétrico de pequeno porte eficaz - o prob básico é a durabilidade de baterias de alta capacidade - as mais eficazes aguentam 400 ou 500 ciclos de carga, são caras, o refugo é altamente poluente e mto difícil de reciclar. O hidrogênio está sendo pesquisado, inclusive pelo COPPE e pela USP: é barato, produziria uma energia limpa, mas o problema é a instabilidade do combustível. Por enqto, o mais factível são motores de bloco cerâmico, com reaproveitamento de gás de escape, e tal, q poderiam rodar 80, 90 km com um galão (+- 3,8 l ) de gasolina, mas ainda assim seriam poluentes. O futuro, ao q tudo indica, é mesmo a matriz biomassa.
(Transformar oleo de lanchonete em combustível é uma bobagem q até estudante de graduação em química faz. O aproveitamento é da ordem de 25X1,6, ou seja, vc usa 125 litros de resíduo e consegue 1,6 l de óleo combustível. E, de contrapeso, gera um resíduo praticamente indestrutível, resultante da filtragem da parte já queimada do material.)
Merrick,
chegar a torre seria muito bom - se vc joga xadrez, sqbe q ataques de duas torres combinadas equivalem aos ataques de dama. Não sei de onde vc tirou a idéia de que o Brasil “pode se transformar em uma enorme Colômbia”. Gostaria de saber quais são os especialistas q estão projetando essa possibilidade. Tvz os mm que atribuem “organização militar” ao tráfico do Rio(li essa sandice semanas atrás, na IstoÉ…), ou q afirmam q o tráfico está melhor armado q o Exército. O pior é ter gente que dá ouvidos a tais coisas, não acha? Ainda bem q não é seu caso…
Aquífero Guarani? Ahn-han. A próxima aventura militar dos gringos será, então, invadir o pantanal matogrossense. Não seria mais produtivo invadir o Canadá? Afinal, reservas de água doce eles tem tantas quanto nós, até pq as possibilidades do tal aquífero por ora, não são plenamente levantadas.
Também é interessante o fato de q existe um plano mto amplo de renovação da Força Aérea Brasileira, e os EUA estão querendo afastar o Brasil da França e da Rússia. Umas 3 semanas atrás, colocaram à disposição todo o equipamento de última geração q eles usam, caso a FAB se disponha a comprar, numa primeira fase, 36 FA18 da Boeing. O negócio todo chegará a 2,5 bilhões de dólares, o q não é pouca coisa, e isso no começo. Até 2020, pode chegar a 10 bilhões, com a compre de mais 50 aeronaves do mesmo tipo. Continuo achando q o melhor negócio seria comprar aviões russos, mas os russos não cedem tecnologia, e os americanos mostram-se dispostos a ceder alguma coisa em termos de materiais leves e controle fly-by-wire.
Pablo, um detalhe, também diziam que era impossível se plantar soja nas regiões do cerrado, até a Embrapa mostrar que não só era possível como ainda era possível fazer isso dar lucro, e muito.
Tecnologia agropecuária é um ponto em que brasileiros mandam bem.
Bitt, tudo bem que históricamente os americanos tem um longo histórico de sacanear com a FAB, afinal fomos para os mirage pq eles não queriam nos dar Phantoms. Tenho lá minhas dúvidas se eles vão entregar o que prometem.
Só a crise mesmo para fazer os caras pensarem no F-18 para a gente. Bem melhor se
Haja complexo de cachorro.
Desculpe, não era para publicar, era para enviar-lhe vai email.
My bad.
Pediria-lhe apra apagar.
Sei laa, nee… ” E o foco da parceria que os EUA esperam é preservação ambiental entrelaçada com tecnologia para energia sustentável. Ao Brasil, este é um negócio que interessa muito.”. Com o descaso q o gov. brasileiro tem c/ o meio ambiente (primeiro deixando de lado a ministra Marina Silva e depois colocando um lunatico como Carlos Minc) parece q a unica coisa q eles querem ee tecnologia p/ energia reciclavel. Alias eu gostaria de saber o q ee “energia sustentavel”??? o pro-alcool no comeco nao era economicamente sustentavel… soo qdo o barril do petroleo subiu ee q ficou economicamente sustentavel.
Caro ABC, a plantacao de soja ee feita atraves de muitos insumos. Se os insumos continuarem baratos e ainda haver um mercado p/ exportar soja, vai dar certo. Senao vao achar outro lugar p/ fazer isso ou vao simplesmente parar de plantar.
Bom li o post do Sergio Leo, sei laa ne, nao vou discutir se perdi o tempo ou nao, mas acho q nao ee bem assim. O Brasil tem uma posicao estrategica politica e nao economica para os americanos. O Brasil pode ser um contraponto aos atuais governos da Venezuela, Bolivia, Paraguai, e atee da Argentina. Todos tomados por aspirantes a caudilhos. O Lula pode atee querer ser um (o q duvido), mas nao haa condicoes no Brasil p/ ter este tipo de governo. Acredito q democracia ocidental no Brasil ee uma realidade. Outra coisa q o caro Sergio Leo derrapa feio, o Mexico nao ee maior parceiro dos EUA no continente (”Baseada em evidências como a delicada economia do México, maior parceiro americano no continente”). Nem se contar o fato de q o Mexico pertence a America do Norte. O maior parceiro economico dos americanos no continente e o Canada. Alias, eu acho, q o Canada ee o maior parceiro economico dos EUA, ponto. E pelo q eu sei, o Canada ainda faz parte do continente.
O problema e que por aqui tem muito brasileiro.
gj
Clara, nenhuma displiscência… não tive como parar e checar a informação até agora. Não fujo a meus erros – jamais fugi. E não acho que desmonte meu argumento.
O artigo do Sergio Leo é muito bom mesmo.
Pedro, não me recordo de dizer que o seu argumento estava errado, e não só, achei o post interessante - escrevi isso - mas, pô, como você mesmo já escreveu, jornalistas parecem ter grande dificuldade de admitir um lapso, um equívoco. Num blog nem acho isso tão sério - de cometer um lapso, um equívoco - mas ninguém gosta de ser ignorado quando sabe que tem uma informação que está faltando.
O jornalista tem de desconfiar, já o leitor tem de confiar. Ainda bem que tenho motivos de continuar confiando. Porque é bom poder confiar.
‘Porque é bom poder confiar.’
bom nao, eh comodo.
gj
Muito bom artigo, Pedro, e de Sérgio Léo também.
Muito acertadas e realistas as observações de vocês dois. Infelizmente, no Brasil, discussões em política internacional se polarizam entre direita (mentalidade colonizada) e esquerda (ufanismo nacionalista). Infelizmente, ambas são cheias de estereótipos e não vêem realmente como o mundo vê o Brasil.
Eu já morei na Alemanha, alguns meses na França e há alguns anos estou na China. Leio jornais de diversos países e tenho amigos que freqüentaram algumas das melhores universidades dos EUA (Harvard, Brown, Columbia, U Penn). Também converso com várias pessoas de diversos países.
Se há uma coisa que eu consigo realmente perceber é a ascenção do Brasil no palco internacional. Ela não deixa de ter os seus percalços, o Brasil tem obstáculos a enfrentar (quem não tem?). Mas ela é lenta, gradativa e inegável.
Graças a Deus, se tem uma coisa que Lula não é (nem nunca foi) é burro. Ele sabe que pode ter relações amistosas com todo mundo, e tira proveito disso. Todos os países do mundo são amistosos em relação ao Brasil (ou, no mínimo neutros).
Ao mesmo tempo, o mundo já enxerga o Brasil como o país que um dia assumirá a liderança da América Latina. E o Brasil também começa a se insinuar na comunidade dos países de língua portuguesa.
Aos poucos, e sem grandes arroubos, nosso status internacional aumenta de forma estável. E, pelo menos, nossos problemas internos (que não são pequenos) são verdadeiramente internos e raramente tomam proporções internacionais. Não temos uma palestina, uma Taiwan, um Tibet, um waziristão ou uma caxemira. O pior que temos é o menino que mora no número 8 que com quem ninguém tem paciência.
Oi Pedro,
Leio seu blog todos os dias mas só às vezes acho que vale a pena comentar… Hoje é um dia desses, porque daqui de longe me dá até raiva a miopia que alguns analistas tem da situaçao do Brasil no mundo. Parece que sempre é uma questao de saber se o Lula é de direita ou de esquerda, se é índio ou cacique, coisas tontas. Dá pra ver que ele tem visao e sabe onde quer deixar o Brasil, ainda que nao esteja sempre de acordo com sua forma de fazer e com as atitudes em geral, mas isso é outra coisa. O cara é político e fala com quem tem que falar.
Sua análise é muito boa porque mostra todas as forças que entram em conflito lá na Casa Branca, onde o Presidente depende muito mais do Congresso que no Brasil.
Eu acho que ser o maior exportador de graos e carne do mundo é bom, mas nao nos poe entre os melhores, exportar tecnologia sim. Por isso vamos no bom caminho, mas ainda tem muito chao.
[...] no Brasil ainda está discutindo se o Lula ganhou ou perdeu na visita que fez ao Presidente Obama (aqui, aqui e aqui em blogs; no estadao, na folha) , aqui na Espanha o movimento é outro. O Presidente [...]
Zictor,
palmas pra vc!
Isnarqi,
“sustentável” se aplica a um conjunto de condições cruzadas, umas reforçando às outras; qdo alguém fala em “energia sustentável” (ou em qq coisa “sustentável”) está falando em fonte de energia que, por ser produzida com planejamento de longo prazo, tem um horizonte de duração mais longo; não afeta destrutivamente o meio-ambiente no curto e no médio prazo (pq afetar no longo prazo, toda e qq coisa q os humanos façam, afeta), implementa atividades em paralelo e gera recursos q permitam a própria expansão sem desequilibrar outros aspectos do sistema econômico e social. Se não me engano, esse conceito surgiu das pesquisas do gpo de Gunnar Myrdal, nos anos 60, e depois foi apropriado pelo discurso dos partidos verdes, particularmente na Europa Central, em contraponto ao discurso conservacionista, que era o dos europeus ocidentais, principalmente alemães e franceses. Começou meio como uma conversa de contracultura, como forma de denunciar a atividade ecnonômica predatória, praticada pelas economias capitalistas avançadas, virou programa político (tido como “de esquerda”, mas isso é uma bobagem) nos anos 70 e se consolidou com a crise do socialismo real. A plantação de soja (sua informação sobre “os insumos” é apenas parcialmente correta - teve mta pesquisa para determinar quais insumos e como cruzar espécies de forma a ter uma resistente ao clima quente-seco; foi a mm coisa com “café do cerrado”) é um exemplo acabado de atividade predatória, e esse é o maior problema de qualquer monocultura.
ABC,
concordo, é a crise, e um contrato desses não se joga fora. Por mto mns, eles entregaram misseis BVR para o Chile. Melhor seria investir na pesquisa de uma aeronave nacional - alguma coisa como um “passo adiante” em relação ao programa F5BR, que já foi consultado por pelo mns oito países. O problema é q não existem mais F5E em boas condições, e a FAB está comprando tudo, de modo a ter um estoque de peças de reposição, principalmente da fuselagem e das superfícies de controle e servo-sistemas (motor e aviônicos podem ser - e foram - substituídos). O Irã possui uma carrada de F5E de uma versão especial, e estão usando como modelo para construir uma espécie autoctone de caça. Certamente todo mundo vai dizer que é bobagem - eu digo q não, pq um projeto desses gera conhecimento e tecnologia que serão supervaliosos no longo prazo.
Acho que o Idelber usa dois pesos e duas medidas ao sacanear a pronúncia do inglês do Fernando Henrique. Ai de quem tira sarro do péssimo português do Lula…
Um aspecto que não é muito comentado é que os EUA estão seriamente empenhados em diminuir sua dependência energética. Hoje centrada em combustíveis fósseis e largamente consumidos na sua indústria e população. Não parece, portanto, que estariam dispostos a passar a depender de combustíveis verdes produzidos por outros fornecedores que não eles próprios. Os investimentos dos EUA em tecnologia para produção de biocombustíveis parecem estar em crescimento exponencial desde antes da crise financeira. Assim, considero pouco provável que vão passar a depender significativamente de tecnologia brasileira para atingir tal fim. Ao que consta, sua linha de pesquisa e desenvolvimento está já um passo adiante em relação aos processos utilizados no Brasil nessa área.
Não sei se muda muita coisa, mas o Lula foi o PRIMEIRO CHEFE DE ESTADO. O japonês e o inglês são os cabeças de seus governos, sendo os respectivos chefes de Estados o imperador e a rainha.
Lula primeirão, sorry.
Ok, Clara… o que ocorreu foi só isso. Estava de saída, na corrida, e não pude checar a informação antes. Já está devidamente corrigido no texto.
O que eu quis dizer com meu ‘argumento’ foi outra coisa e, desculpe, expliquei sem explicar… achei que o erro não afetava o argumento central do texto, portanto eu não o precisava corrigir imediatamente, podia esperar umas horas.
Caro Bitt, obrigado pela info. Porem, nos anos 60 ninguem pensava em aquecimento global… Alias, se vc discutir energia sustentavel em termos energeticos e atee ecologicos, vao ver q agro-energia ou biodiesel nao sao tao eficientes assim (acho q foi isso q estava na pauta da conversa). Em termos energeticos ee um do menos eficientes (a energia solar e q tem a capacidade energetica maior). Esse negocio de associar o programa pro-alcool ou biodiesel como alternativa ee balela. No maximo q pode-se dizer ee q pode ser complementar ou aliviar o uso de produtos fosseis. Jaa a soja no cerrado ou na Amazonia, sim, houve uma pesquisa p/ produzir sementes mais resistentes, porem, a producao nao depende muito da fertilidade do solo… e quase como uma plantacao hidrophonica, onde o ciclo hidrologico do cerrado/ Amazonas ee o fator determinante.
Errei… Nos anos 60 havia pesquisas cientificas sobre o aumento de co2 na atmosfera. As curvas de Keeling mostrando o aumento de co2 em Mauna Loa e Antartica sao dessa epoca.
os EUA podiam financiar aqui no Brasil um seminário sobre a liberação de documentos confidenciais do governo. Nesse caso, os EUA seriam um ótimo modelo para o nosso Brasil.
Ok, temos tecnologia no que se refere ao cultivo e ao melhoramento genético da cana de açúcar; temos terra a dar com pau, para plantar a kaiana; temos uma série de fatores que nos alçariam a uma potência em termos de energia limpa; mas, já combiaram com o MST e quejandos? Fico imaginando o cenário: hectares e hectares de cana, tanto para consumo interno como para exportação… aí chegam as companheiras da Via Campesina, invadem os laboratórios onde alguma mudas estão em teste- incluindo a possibilidade da cana transgênica - passam a faca em tudo, saem com suas crianças-barricadas para o passar o facão na plantação, repetindo tudo o que é feito com a celulose (a Aracruz que o diga…) Será que a turma que fica acima do Equador tem idéia do que é investir em pesquisa, comprar os insumos, suportar o custo-brasil (pesada carga tributária, precária infra-estrutura de armazenamento, beneficiamento, transporte e comercialização, risco legal,etc,etc), para depois os companheiros chegarem e porem tudo isso no chão? Exagero, delírio meu? Basta que o etanol ganhe notoriedade e se torne uma commodity importante para a companheirada focar suas ações políticas nela…
Pedro Dória,
O post é bom, como sempre. Mas senti falta de muita coisa. Leia o título do post que você criou e perceba a expectativa que ele causa.
É uma crítica construtiva, como sempre, meu caro.
Isnarqi,
acho q a pauta da conversa, e a preocupação dos gringos é com a dependência de combustíveis fósseis, visto que a economia mundial gira em torno desse tipo de combustível; além do mais, a indústria petroquímica tamb é uma fonte intolerável de poluição ambiental. Por outro lado, a alternativa aos plásticos é o papel e o tecido… Escolha entre ferver no caldeirão ou fritar na frigideira… O conceito de “sustentabilidade” se aplica nesse ponto: introduzir a equação planejamento/reprodutibilidade/conservação. Nesse sentido, uma indústria de energia de biomassa tvz não possa ser considerada “sustentável”, visto q a monocultura é problemática. Mas há de se considerar tamb que a produção de combustíveis limpos (é o combustivel q é limpo, não a energia) compensa parcialmente, o uso intensivo da terra. A terra pode ser recuperada com maior facilidade que a atmosfera e as reservas de água.
De fato, as pesquisas feitas desde o Ano Geofísico Internacional (1957) abordam o aquecimento global, mas eram apenas teóricas; nos anos 60 e 70, se passou a falar em “efeito estufa” e na alteração da temperatura da superfície dos mares como um fator aplicado e problema político, visto q envolve a relação entre grupos de países.
Bitt, mísseis BVR eles entregaram para o Chile pq senão iam era perder mercado, afinal os russos não tem esses pudores (para não dizer sacanagem americana mesmo). Confesso que só acredito nessa conversa se liberarem linhas de código-fonte dos F-18 para adaptarmos os armamentos que quisermos.
De qualquer forma acho que já temos um know-how invejável em termos de combustíveis vegetais que os gringos não têm, vejam os efeitos desastrosos que o uso do milho como combustível teve sobre o mercado. Aqui é possível fazer uma usina de açúcar render desde acúçar até energia elétrica.
Caro Bitt,
Convergimos q haa falacia em dizer q a energia “reciclavel” (como prefiro dizer) provinda da agricultura ou do extrativismo vegetal vai suprir toda a demanda. Eu fico a pensar q nao ee muito mais limpa q a combustao de combustiveis fosseis. Primeiro, para o Brasil ter a plantacao de cana acabou c/ a mata Atlantica (soo nisso ai ficamos c/ um carbon footprint bem maior q as maiorias dos paises), e segundo, ainda haa muitas queimadas rolando p/ fazer a colheita (como jaa disse o post anterior do Doria).
Alias, acho q na sua referida equacao falta um termo q nao se conta muito, a eficiencia, ee este termo q vai definir se um programa ee valido ou nao. Por exemplo, os gringos atee querem etanol, mas se o etanol vir do milho ou da soja, vai ser soo p/ dar dinheiro pros fazendeiros estaduninenses. O pro-alcool soo comecou a ser eficiente qdo o barril de petroleo tornou-se caro.
Outra coisa, como se encaixa a energia solar nesta tal equacao? principalmente no quesito “reprodutibilidade”? A energia solar nao tem reprodutibilidade nenhuma, mas ee o q tem mais potencial energetico, alem de ser “limpo”.
Outra coisa caro Bitt, nos anos 70 alguns climatologistas famosos esperavam uma diminuicao de temperatura devido ao inicio de uma nova era do gelo. Ainda tem gente q fala sobre isso, e q isso vai diminuir o tal aquecimento global.
e o rasil ficou menor, arrozeiros expulsos de suas terras onde plantam há décadas, será que vão para o MST?
A tese Odracir, era que a industrialização salvaria o planeta (pelo menos o hemisferio norte) da periodica glaciação.
Engraçado o post do Idelber. Fala tanto que a política externa do Príncipe Sociólogo era colonizada, mas ao mesmo tempo ecoa uma alegria juvenil com o fato de que O Messias brasilero teria sido o primeiro chefe de estado a ser recebido pel’O Messias ianque. Quer prova maior de “colonização” da mente? O pior é que a mesma empatia estava presente quando o presidente era satanizado Bush, só que ninguém louvou isso…
Kbção
A ruína economica dos eua é oportunidade ímpar para que a periferia implemente políticas de emancipação econômica.
A ditadura estadunidense não aguenta sequer com a própria bunda… neste momento não tem capacidade alguma de impedir ações de independência.
O Brasil não precisa aceitar nenhum papel subalterno.
Nesta relação o Brasil precisa ignorar as pressões de suas oligarquias atrasadas pró-eua.
Principalmente a mídia-corrupta: quadrilha veja, the globe, fsp e estadão.
Estes asnos criticaram duramente a opção brasileira de multiplicar parceiros comerciais para além dos eua…
Agora está evidente. A diversificação das relações comerciais foi estratégia correta. Todos podemos ver como estes mídia no Brasil são colonizados e burros…
Isnarq,
de fato, a tal equação é capenga, e os cientistas q lidam com isso aceitariam suas restrições (tb são minhas). E achei mto interessante sua obs sobre a eficiência: ao q me consta, é o prob da energia solar. Não existe ainda tecnologia para recuperá-la plenamente. Certa vez, o COPPE/UFRJ montou uma casa “totalmente limpa”, em que o telhado era totalmente coberto de células captadoras. A coisa funcionava bem, desde q não se tentasse ligar o forno de micro-ondas, o chuveiro elétrico e duas lâmpadas ao mm tempo: as baterias esgotavam dem cerca de dez minutos e, pior - a “casa limpa” tinha baterias sujas pra caramba. :c) Infelizmente, parece q a forma mais limpa de energia ainda é a mais problemática, tecnologicamente falando…
ABC,
vc tem razão. A solução seria desenvolver armamento por aqui, mesmo, aprofundando a relação com Israel e África do Sul. Curiosamente, do pt de vista tecnologico, já somos o maior parceiro de Israel, e a parceria com a AdoS salvou a Kentron_Dannel da falência. E como não vamos enfrentar nenhuma guerra mesmo, é suficiente e rende, a longo prazo.
O combustível do futuro é o Jack Daniel’s.
Sim, caro Bitt, vc tem toda a razao. Porem, nos EUA haa um sistema hibrido, s/ baterias, onde vc coloca os paineis solares junto c/ a rede eletrica. Se tiver um excesso de energia sendo produzida pelos paineis, o excendente volta p/ a rede (fazendo o relogio ir para tras).
Caro Chesterton, havia varias teorias p/ a era glacial, c/ varios feedbacks q nao eram muito bem conhecidos na epoca (o papel do aerosol era uma). Mas o q iniciaria a era glacial era a oscilacao da atividade solar, pois uma menor atividade do Sol iria diminuir a temp. da Terra.