Índia e a maior eleição da história

Ásia Central · 10/03/2009 - 10h12 - 27 Comentários

No dia 16 de abril, começará uma maratona estupenda que é a eleição nacional da Índia. Não há muitas esperanças de que o Partido do Congresso, que governa o país desde 2004, se mantenha no poder. Mas o outro grande partido, os nacionalistas hindus de direita do Bharatiya Janata também não vêm encontrando amplo apoio popular. Talvez de forma contra-intuitiva, seu discurso anti-muçulmano após os atentados de Mumbai não ressoaram.

A Índia é a única democracia do mundo com um bilhão de habitantes, dentre os quais 700 milhões são eleitores. Não é, do ponto de vista prático, simples conduzir uma eleição com este vulto. Por conta, não há um dia de eleição e sim um período eleitoral – os estados votarão entre os dias 16 de abril e 13 de maio em cinco eleições. Os resultados devem ser anunciados em 16 de maio, exatamente um mês após o início da votação.

Sempre foi difícil, num país tão grande, criar partidos nacionais. Nos últimos anos, os diferentes níveis de desenvolvimento de cada estado e as diferentes tensões étnicas e religiosas que cada região enfrenta contribuíram para fragmentar ainda mais a política nacional indiana. E os estados, afinal, têm todos tamanhos de nações. O maior deles, Uttar Pradesh, com mais de 190 milhões de habitantes, dá um Brasil inteiro. A política da Índia, portanto, tende a ser várias eleições regionais que desembocam em Nova Delhi, a capital. Não é à toa que, de Jawaharlal Nehru a Indira Gandhi, oito dos catorze premiês da história indiana vieram de Uttar Pradesh.

A atual ministra-chefe (governadora) de Uttar Pradesh atende por nome sem sobrenome: Mayawati. Ela é uma dalit, a casta dos intocáveis, a mais baixa. Está na política faz três décadas, cai à esquerda, tem apelo para os desfavorecidos do país (que não são poucos), é carismática. Também tem, no passado, denúncias de corrupção. Embora uma vitória em seu estado queira dizer muito, votação alta em outros cantos será importante. Se ela chegar perto, a Índia é parlamentarista. Ou seja, o partido que formar as melhores alianças leva o governo. O Partido do Congresso conseguiu, em 2004, por ter feito uma aliança com os comunistas e outros partidos de extrema-esquerda pequenos porém presentes. Estes, agora, estão conversando com Mayawati.

O Brasil vende minerais – principalmente cobre e ferro – para a Índia. Não é, ainda, uma relação econômica tão estreita quanto aquela com a China. Mas um acordo tripartite assinado em 2006 entre Brasil, Índia e África do Sul prometia abrir, para cada um dos parceiros, mercados em suas determinadas regiões. Potencialmente, é uma relação que pode ser extremamente lucrativa. Na Índia, os mandatos são de cinco anos. O próximo governante é quem investirá (ou não) no desenvolvimento da relação.

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