A crise na Guiné-Bissau tal qual vista
pelos olhos de quem é de perto

África · 4/03/2009 - 11h27 - 39 Comentários

Convidei o Amílcar Tavares, blogueiro do Cabo Verde, a nos explicar a crise do país vizinho, Guiné-Bissau. Muito gentilmente, Amílcar enviou este artigo. Há muito mais informação em seu blog.

A situação atual da Guiné-Bissau resume-se a dois inimigos de longa data e os dois homens mais poderosos da Guiné-Bissau. João Bernardo ‘Nino’ Vieira, de etnia papel, e Tagme Na Waie, de etnia balanta (maioritárias nas Forças Armadas guineenses).

Nino foi morto à catanada e tiros na madrugada de 2 de Março de 2009, algumas horas depois do Chefe do Estado-maior, o general Tagme Na Waie ter morrido numa explosão. Alegadamente, soldados leais ao general acusaram Nino pelo assassinato e vingaram-se.

A África Ocidental tornou-se num importante ponto de passagem da cocaína da América Latina para a Europa, um negócio que vale quase dois mil milhões de dólares segundo a ONU, e a fragilidade de um país ingovernado como a Guiné-Bissau é terreno fértil para os traficantes. Os interesses à volta do tráfico podem ter agravado as tensões entre os dois falecidos.

Apesar da calma no país, não se conhece em detalhe os pormenores do enredo, pois as pessoas têm medo de falar abertamente sobre o assunto.

A história da Guiné-Bissau está marcada por vários golpes e contra-golpes de Estado. O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC, que lutou contra o colonialismo português governou os dois países até 1980 quando Nino depôs Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral e fundador do partido.

Na guerra civil de 98/99, a Junta Militar de Ansumane Mané exila Nino por seis anos em Portugal e em 2005, à socapa, volta ao país, recensea-se e candidata-se às eleições presidenciais que veio a ganhar. A 23 de Novembro de 2008 sofreu um atentado.

Na sequência da morte de Nino, o Presidente da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, de acordo com a Constituição da República, é o novo Presidente. A CPLP - Comunidades dos Países de Língua Portuguesa, espera eleições nos próximos seis meses.

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