A crise na Guiné-Bissau tal qual vista
pelos olhos de quem é de perto
Convidei o Amílcar Tavares, blogueiro do Cabo Verde, a nos explicar a crise do país vizinho, Guiné-Bissau. Muito gentilmente, Amílcar enviou este artigo. Há muito mais informação em seu blog.
A situação atual da Guiné-Bissau resume-se a dois inimigos de longa data e os dois homens mais poderosos da Guiné-Bissau. João Bernardo ‘Nino’ Vieira, de etnia papel, e Tagme Na Waie, de etnia balanta (maioritárias nas Forças Armadas guineenses).
Nino foi morto à catanada e tiros na madrugada de 2 de Março de 2009, algumas horas depois do Chefe do Estado-maior, o general Tagme Na Waie ter morrido numa explosão. Alegadamente, soldados leais ao general acusaram Nino pelo assassinato e vingaram-se.
A África Ocidental tornou-se num importante ponto de passagem da cocaína da América Latina para a Europa, um negócio que vale quase dois mil milhões de dólares segundo a ONU, e a fragilidade de um país ingovernado como a Guiné-Bissau é terreno fértil para os traficantes. Os interesses à volta do tráfico podem ter agravado as tensões entre os dois falecidos.
Apesar da calma no país, não se conhece em detalhe os pormenores do enredo, pois as pessoas têm medo de falar abertamente sobre o assunto.
A história da Guiné-Bissau está marcada por vários golpes e contra-golpes de Estado. O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC, que lutou contra o colonialismo português governou os dois países até 1980 quando Nino depôs Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral e fundador do partido.
Na guerra civil de 98/99, a Junta Militar de Ansumane Mané exila Nino por seis anos em Portugal e em 2005, à socapa, volta ao país, recensea-se e candidata-se às eleições presidenciais que veio a ganhar. A 23 de Novembro de 2008 sofreu um atentado.
Na sequência da morte de Nino, o Presidente da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, de acordo com a Constituição da República, é o novo Presidente. A CPLP - Comunidades dos Países de Língua Portuguesa, espera eleições nos próximos seis meses.
Ainda sobre o assunto:
- Assassinato na Guiné-Bissau O assassinato, ontem, do presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, vem de uma disputa antiga com o chefe das Forças...
- O mundo visto pelos leitores: Angola Por Caco Angola é um país em obras divididas por empreiteiras brasileiras, nas quais a Odebrecht aparece como a principal...



Muito bacana o post de Cabo Verde, ajuda a contextualizar um tantinho mais a coisa..O Amílcar bem apontou, o tráfico de drogas sul-norte encontrou nos países desgovernados da África ocidental uma boa escala na viagem rumo aos mercados consumidores europeus. E no caso da Guiné-Bissau, como em vários outros aliás, encontrou tereno fértil, ainda na esteira dos processos de independência. Como em outros países africanos os colonizadores portugueses fortaleceram as diferenças entre etnias , privilegiando alguns com, por exemplo, postos na burocracia e dando a outros a predominância nas forças armadas. Vale lembrar Ruanda também,onde os belgas fizeram o mesmo..Findo o processo de independência restou a árdua tarefa de conseguir alguma forma de união nacional, em países empobrecidos e com animosidades históricas a resolver. .
E se esses países quiserem ter um futuro é melhor que abandonem o discurso de “isso é culpa do portugueses” e tratem de resolver essas questões qu já existiam bem antes dos colonizadores. Não bastaria pensar no tanto que sofreream seus antepassados na escravidão, principalmente pela questão racial, da cor e questionar isso quando colocam essa questão das etnias?
Quem vive do passado não merece o futuro.
Em alguns outros países africanos, são as riquezas minerais que fomentam a cobiça e dão emprego a mercenários estrangeiros, veteranos de guerra, no treinamento de exércitos/milícias nacionais em conflitos mascarados ou misturados com guerras étnicas.
Assim como os recursos do subsolo parecem de nada adiantar para esses países, a conveniente localização geográfica aparece agora como outro flagelo.
Muito interessante o relato, principalmente as sutis diferenças na escrita.
Valeu, PD!
E se não houverem eleições em 6 meses, o que fará a CPLP?
Nada.
é claro que, 35 anos depois da independência, não dá mais para ficar culpando os portugueses .
mas você sabe o que havia lá há 565 anos, quando os portugueses lá aportaram pela primeira vez? Você sabe dos reinos que lá haviam, do comércio via Saara com o norte da áfrica, das caravanas que por lá passaram? você sabe como Guiné-Bissau se encaixava no mundo africano e como os portugueses forçaram a mudança de rota (a partir de então, via oceanos) para que passassem a controlar o comércio de ouro e escravos? aliás, você sabe quantos escravos saíram de lá, durante quatrocentos anos - lutas tribais sendo incentivadas para que mais braços pudessem ser capturados?
ou seja, 35 anos já devia ser suficiente, mas neste caso, acho que nem em 100 anos.
#6 Pô. Então essa comunidade de nada serve?
gostei do blog do Amílcar. Um pouco de África todos os dias…
(onde mais se encontram posts sobre Congo, África do Sul, Guiné, Cabo-Verde etc com ponteiros para boas leituras?).
tks
Né isso não, Nhé! É que esses blocos diplomáticos pouco podem além de assessoria, supervisão e condenação de medidas.
Os grandes líderes da luta anti-colonialista africana, da qual Amílcar Cabral era tido como o mais capacitado, subestimaram os conflitos étnicos-tribais, muito provavelmente por injunções táticas (aquele negócio de “o resto a gente vê depois”).
Esse vácuo foi ocupado antes pelos colonialistas, hoje pelos traficantes de pedras preciosas, armas e mais recentemente pelos de drogas.
O blog do Amílcar Tavares é muito bom. Merece uma vaga nos Favoritos e, quando Pedro criar uma seção afim, nas Últimas.
Um outro bom blog sobre a África é o Pé na África.
Guardadas as proporções, Itália, alemanha e Japão saíram arrasados da 2º guerra em bem menos de 35 anos se reerguram. Países como a Coréia do Norte em menos de 35 anos também saíram de situações precárias e hoje em dia exportam tecnologia para o mundo todo.
E se esse país africano possui um passado mais digno então o que falta mesmo é sabedoria aos dirigentes desse país ……
Pedro Dória, fico muito feliz que você gostado do Amilcar Tavares. …
[...] Pedro Dória deu notícia da crise de Guiné-Bissau. Na página encontram-se outras indicações de fontes para acompanhar a [...]
Belíssima sacada, Pedrão.
Sobre Cabo Verde podem consultar o Café Margoso, http://www.cafemargoso.blogspot.com , onde tem muitos outros links para muitos outros blogues cabo-verdianos. Depois que cada um faça a sua seleção. Mas há muito por onde escolher!
Abraço a todos, da cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente, Cabo Verde!
Vejam http://www.cafemargoso.blogspot.com e viagem pelos blogues de Cabo Verde.
Aquele abraço
Valeu Pedro
Até peço desculpas. Infelizmente não tenho muito tempo pra acompanhar blogs.
Pedi informações e não voltei para busca-las.
Consegui falar novamente com meu amigo. Único maluco que aceitou ir trabalhar lá pra montar máquinas maromba (produção de cerâmica vermelha).
Claro, não temos teconolgia para exportar maquinário pra Alemanha, Japão etc.
Mas, nós capitalistas caipiras de Santa Catarina, “continuamos na luta” pra vender nossas traquitanas pra todo o Brasil, outros países da America do Sul, e África.
O que posso relatar segundo o que me contou um simples mecânico é o seguinte:
1) O Itaú está por lá.
2) Palavras dele: “Bixo, isto aqui tá 80 anos atrasado”.
3) Segundo crendice local (claro alimentada pelos próprio), o “Bernadinho” tinha o corpo fechado, bala não entra. Por isso o esquartejamento o corpo tinha que ser “aberto” a facão………. Macabro.
4) Está relativamente calmo, mas tudo pode acontecer, inclusive nada.
Creio que o diabo está fazendo estágio por lá.
Olha só… e veja que muita gente pensa que saber do mundo é ficar só de olho nos títulos podres que o Obama vai comprar… parabéns, Pedro, pela esplanagem de notícias… vejo a parte de notícias internacionais dos jornais e só encontro conversas sobre banco podre aqui… pacotinho de fundos ali… e o mundo inteiro de lado… a exemplo de Guiné-Bissau.
Dirksen = Dircksen……e mais um monte de erro, bekümmert……. é o chopp.
Quem falou que a culpa é dos portugueses?
Comparar Coréia do Sul com alguns países da África é covardia.
Acho que o que Antonio M quis dizer é que ficar se remoendo não vai ajudar ninguém. Infelizmente, é necessário olhar para o futuro, pois dificilmente os europeus topam compensar os africanos pelas misérias que pintaram por lá.
Bom post do Xará. Gostei tb dos comentários e de facto já não dá pra ficar apontando o colonialismo como o culpado, mas na Guiné há um ferida aberta que precisa ser tratada com a máxima urgência. Apesar de detestar a violência, Nino é um dos principais responsáveis pela situação que se vive lá e esperamos que os delinquentes que sobraram não impeçam a Guiné de virar a página.
Saudações
Valeu, Anrafel!
Hmm… Sei que já é tarde, mas outro blog bom sobre a áfrica é o Diário da África*. Dá uma olhadinha nos links deles, que tem muitos outros interessantes.
* Ultimamente, ele está mais anedótico, e reclamando mais de Angola :) mas até assim é bom.
Amilcar Tavares , não é a Bruna Surfistinha, Pedro Dória.
Ele é minha descoberta.
Ninguém tasca.
O rapaz comentou no post lá embaixo sobre a Guiné e ninguém deu atençaõ. Eu, enquanto repórter investigativo, dei uma boa olhada no blog dele, muito interesante por sinal, copiei um comentário sobre o tema e colei. ( alguns colocam links, outros decobrem blogs…)
A partir daí os acontecimentos se precipitaram.
Tavares hoje já é requisitado para dar merecidos autógrafos virtuais.
Que o acima fique registrado nos autos. Fora isso, tudo bem.
Sarkozy recebe uma bala de presente.
” Um homem de 42 anos de idade anos foi preso em sua casa, na cidade de Montpellier, no sul da França. Ele é suspeito de enviar cartas com ameaças de morte e balas dos calibres 9 mm e 38 especial (mais longas) a Sarkozy, ministros e parlamentares da União por um Movimento Popular (UMP), partido do presidente da França. O autor da carta escreveu: “Ministros, deputados, senadores, criadores de leis libertinas e fascistas, vocês são cadáveres em potencial” Rachida Dati, ministra da Justiça, também foi ameaçada: “É sério, você e o húngaro sujo [Sarkozy] vão receber uma bala na testa.”
Ah…se fosse com o Obama…
e com a Hillary…
Ah…se fosse nos EUA ….
A nótícia estaria aqui, no blog, em letras de forma e pelo menos cinco pontos de exclamação.!!!!!
Como foi na Europa,e, pior, na França, e, pior ainda, com Sarkosy e Rachida Dati - silêncio.
Ás vezes parece que ” a janela para o mundo” - o moto desse blog - se abre apenas para algumas paisagens.
marco,
o cara de montpellier ja esta livre, nao tem nada à ver com as ameaças…que nao foram feitas so à sarko e dati, mas tbm à m.alliot marie, c albanel e mesmo à alain juppé, o has been prefeito de bordeaux !
concordo que poderia ter rolado um post, mas mesmo aqui o pessoal nao esta ligando muito…
@26
Valeu Marco!!
Amílcar Tavares, na boa, você merece!
Confetti, cara, de acordo, mas repito: se fosse com o Obama, e com a Hillary, e mais uns dez do governo, ainda mais chamando Obama de ” imundo ” Pedro Dória iria dar destaque ao fato na primeira página com letras duplas.
Nas Últimas ia ter gente propondo um protesto em frente a Folha de São Paulo ( tá na moda… )
Aqui no blog seria coisa de 480 comentários indignados, com direito a continuação de mais uns 200 lá no open…
Em resumo, aqui no blog uma bala prometida para o Sarkô tem zero de importãncia face a uma bala prometida ao Obama.
Ao que parece algumas balas são mais fatais que outras.
Fora isso, tudo bem.
baci.
ahan ,concordo !
atualmente ainda mais marcante devido a presença de pd num dos lugares mais alienantes do mundo : california ! conheço bem, sobretudo o sul, los angeles and co…é incrivel como là bas so rola “local” ! europa ? who europa ?
mas o blog nao é pd sozinho… os residentes podem debater sobre qualquer assunto, inclusive o imundo sarkozy….sem esquecer, que estamos num post sobre guinée bissau. . .
but….who cares ?
bonne journée, également
Pour toi aussi, confetti…( rimou )
o caso da Guine Bissau simboliza negar o desenvolvimento educacional do povo que tanto precisa, os lideres guineses sao obrigados a fazer cedencia para se ouvir ao alto a voz do povo e nao as armas que grassam a sociedade
nao tarda muito aqueles que deveriam ter o dever moral de ajudar as eis colonias a custa das quais se eriqueceram,apareceram como abutres aproveitando da fragilidade e da instabilidade politica , emocional e economica desse pais e desse povo,tentado uma neo-colonização.
oi zictor(bonito nome)
concordo plenamente contigo.de facto comparar correia do sul,italia,alemanha com africa é pura covardia.esses paises podem ate ter passado por situacoes menos boas mas sempre tinham as materias primas das colonias para os ajudar a reerguer.e esses paises de africa onde é ke vao buscar esse auxilio?so lhes resta esperar ke as eis colonos os resolva estendes as maos,mas esses quando o fazem é a pensar no ganho proprio.
e essa “tecnologia exportada”a que o AntonioM se referiu, e muitas vezes utilizada a fumentar a guerra e a discordia desses paises de africa.
Assinem, se assim o entenderem:
Petição para a
Candidatura de Henrique Rosa à presidência da República da Guiné-Bissau:
http://www.peticao.com.pt/henrique-rosa
Podem divulgar esta petição, de que Francisco Fadul é o primeiro subscritor?
PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU
http://www.gopetition.com/online/26953.html
Obrigado.
Rui Martins
MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org
Só se lamenta que num assunto sério saia uma calinada desta natureza e que deveria ter por título «a guerra dos fantasmas»: «Os interesses à volta do tráfico podem ter agravado as tensões entre os dois falecidos.»
Por favor, corrijam isso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Caríssimos. Parabéns pelos comentários. Eu já estive várias vezes em África, en diversos países posso dar o minha achega: Corrupção à parte, a Guiné Bissau é, tal como está, um país inviável. Não vale a pena tentar esconder. O Estado não consegue garantir o cumprimentos da Constituição e não paga os vencimentos dos seus empregados em muitíssimas situações. Vão ser problemas constantes. Isto dá jeito a muita gente, narcotraficantes e países vizinhos que utilizam esta plataforma sem governo para a realização de negócios ilícitos e que poderão ter interesses territoriais etc…a minha solução: Um plano estratégico para 1º Garantir o funcionamento do Estado, através do envio de consultores da CPLP para formação séria de quadros e apoio, reorganizando as estruturas funcionais, a justiça, a segurança, o sistema escolar, distribuição de bens essenciais e saúde. 2ºdesmilitarizar o país, reduzindo o número de homens armados ao mínimo indispensável, desmobilizando essa tropa fandanga que anda por lá, pagar-lhe e mandá-los para casa. Se possível, o Estado pode distribuir terras agrícolas para que essas pessoas se fixem, se tornem produtivas e autossuficientes. 3º controlo de fronteiras (quando possível) e repressão do narcotráfico, através da formação de agentes especialmente dedicados a esses tarefas. 4º criação de um Estado não étnico, reprimindo a discriminação étcnica e fomentando a excelência no desempenho e na participação cívica e social. Sendo um país tão pequeno, não seria complicado de implementar, se houvesse vontade para o fazer. A quantidade de dinheiro de proveniência internacional que é recebida como ajuda, deve ser aplicada de forma produtiva. A cassação e nacionalização de verbas de contas de origem criminosa, poderia contribuir para o orçamento. No entanto há que assumir um facto sem complexos; o Povo guineense não está em condições de se governar sózinho, nem agora nem nos próximos anos. Aceitar com humildade a ajuda internacional a este nível, seria uma forma de dar uma segunda chance a este belo país, que após anos de luta independentista, não soube encontrar o seu rumo. Está pior hoje do que no dia seguinte à sua independência e isto é muito trágico para qualquer país, seja ele qual for. Temos que ser pragmáticos e descomplexados na abordagem destas questões. O politicamente correcto é um pântano de ineficácias.
As eleições democráticas de fachada não vão resolver nada, pois sem pão não pode haver verdadeira democracia. Mais tarde ou mais cedo, volta tudo ao mesmo. Querem apostar?