Objetividade de imprensa?
Ritmo bom esse lento aí de Brasil no Carnaval =)
Li atento todos os comentários a respeito do post sobre a crise do jornalismo, por enquanto mais norte-americana do que brasileira. O que incomodou a mais gente foram minhas observações a respeito da objetividade da imprensa.
Daqui, estou envolvido nas pesquisas da Escola de Design de Stanford a respeito de como as pessoas se relacionam com o jornalismo. O que ouvimos de um após o outro seguido dum terceiro é que ninguém acredita que a imprensa seja objetiva. Estudantes falam isso. Professores com listas de PhDs o dizem. Donas de casa. Gerentes de loja. Empresários do Vale do Silício. É o mesmo que a IDEO, que citei no último post, ouviu em suas pesquisas em várias cidades grandes dos EUA. E é o que vocês escreveram aqui nos comentários.
Na verdade, é mais bem do que uma mera constatação. Para muitos, qualquer menção a respeito de objetividade jornalística gera animosidade. Os comentários vêm com emoção: ‘os jornais nos enganam’, dizem. Às vezes, a observação vem seguida de um ou dois exemplos específicos. Noutras tantas, ela representa um sentimento difuso.
(Esse assunto me angustia pacas.)
Independentemente de haver objetividade jornalística ou não, o fato é que os leitores e espectadores e ouvintes de noticiários não acreditam nela. E este é um problema crucial para a imprensa. Afinal, ela vive em última instância de credibilidade. É claro que, no momento, a crise econômica foi causada por uma mudança no modelo industrial. A digitalização está chacoalhando muitas indústrias, não apenas a jornalística. Mas neste processo de transferência do papel e da tevê para o TCP/IP, onde a concorrência por atenção será muito mais vasta, o jornalismo profissional precisará contar com sua credibilidade.
Mais importante do que se eu, jornalista, considero a imprensa objetiva ou não, é o fato de que vocês não a consideram. Mas é bom não confundir que a questão é mais profunda: é possível ter credibilidade sem ser isento? Ser objetivo é ser isento? É possível ter ideologia declarada, partido escolhido, e ainda assim apresentar os fatos honestamente? Essas não são questões triviais.
Quando disse que a imprensa brasileira é, hoje, mais profissional e objetiva do que em qualquer outro momento de sua história, é porque realmente esta é minha impressão. Ela certamente não o era nos anos 1940, 50, 60. Em plena censura, nem dava para ser. Há histórias complicadas nos anos 80. Dos anos 90 para cá, há melhoras nítidas no cenário geral. Não quer dizer que um ou outro exemplo não salte aos olhos no sentido contrário. Eu já vi coisas feias acontecendo em redações – mas foi em redações de jornais de médio porte. (Certa vez, fui demitido por sugestão de um governador. Não foi na grande imprensa.) É difícil, hoje, um jornalista de grande redação se corromper como acontecia no passado. Mesmo as colunas sociais – onde havia espaço de sobra para dinheiro circular – foram limpas nos últimos anos.
Esta, certamente, não é a percepção dos leitores. Há certeza de que interesses misteriosos (ou não tão misteriosos) conspiram para dar o enfoque das notícias. Alguns suspeitam que jornais estão envolvidos no projeto político de um partido ou de outro. (Basta ler o que se diz na Internet.)
E minha impressão é de que a grande imprensa não está atenta ao fato de que há uma crise de credibilidade no ar. Vez por outra, um grande jornal ou grande revista publica lá um artigo ou reportagem oficial para falar de si mesmo, revelar algum momento de sua história. Quando um texto destes tem que sair, um dos mais graduados jornalistas da Casa é selecionado, vários olhos relêem o texto, é uma noite de fechamento tenso. É o assunto que domina a redação. Jornais e revistas não gostam de falar de si mesmos. E, quando falam, de tão relidos e cuidadosos, os textos vêm com aquele tom oficialesco como quem diz: é isto que quero falar agora, nada mais tenho a declarar.
Não é à toa que não há uma coluna de mídia na grande imprensa brasileira. Quer dizer – há – adoro, diga-se, a Toda Mídia de Nelson de Sá, na Folha de S. Paulo. Mas Nelson descreve como a imprensa está noticiando, não noticia o que se passa na imprensa. Não há, no Brasil, um colunista como Howard Kurtz, que cobre a imprensa para o Washington Post. O Post cobre sua própria indústria como cobre as outras indústrias ou a política. (E, mesmo aqui nos EUA, há Kurtz é mais ninguém; ele é a exceção, não a regra.)
O resultado é que o público percebe: está ali uma indústria opaca, talvez a única indústria que não sofre de fato o escrutínio da imprensa. É natural que desta percepção nasça desconfiança. Falta transparência, falta mostrar como a salsicha é feita.
Se houvesse transparência, nem todas histórias a sair publicadas seriam bonitas. Mas o público, ainda mais nesta era de Internet, é maduro. Ele sabe que nem tudo no mundo é perfeito. Talvez, para sua surpresa, uma indústria tão defensiva como a da grande imprensa descobrisse que ela é justamente a quem tem mais a ganhar se recebesse a mesma luz que joga sobre o resto do mundo.
Atualização – Só porque o assunto está pairando e é importante deixar algumas coisas claras: ditabranda é o cacete. O que houve no Brasil foi a interrupção da democracia, seguida por um regime autoritário que rasgou a Constituição seguida da declaração de direitos os mais básicos do homem, assumiu a tortura como política de Estado e por fim tornou-se a máquina mais corrupta a jamais governar o país. Ditadura. Uma ditadura incompetente que deixou a economia na lama, uma ditadura brutal que, quando teve a chance, matou. Um regime de raiva. Mas o editorial da Folha, assim como a estranha por deselegante resposta aos professores Fabio Comparato e Maria Benevides, foram publicadas na parte de Opinião do jornal. Não na de noticiário.
Ainda sobre o assunto:
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- Daniel Dantas, a imprensa e
aquilo que realmente importa Está vazando por todo lado, em ritmo de pinga-gotas, detalhes do relatório do delegado Protógenes Queiroz que embasou as prisões...



Correndo o risco de parecer trivial, tentei responder as perguntas sugeridas:
É possível ter credibilidade sem ser isento? NÃO!
Ser objetivo é ser isento? É!
É possível ter ideologia declarada, partido escolhido, e ainda assim apresentar os fatos honestamente? Um NÃO do tamanho do mundo. Essa é apergunta mais importante.
Quem foi filiado a algum partido político, quem é filiado a um partido político ou quem milita em algum grupo de interesse (Igreja, Sindicato, Associação de Classe, etc.) NÃO tem a capacidade de ser jornalisticamente isento ou objetivo.
Quem se encaixa em algum dos casos acima pode no máximo fazer assessoria de imprensa, mas jornalismo NÃO!
É incrivel como as pessoas seguem acreditando que a isençao no jornalismo é uma meta que se pode alcançar algum dia.
É um pouco como o tema da guerra as drogas. Nunca se vai conseguir acabar com o consumo de drogas, simplesmente porque isso é parte da natureza humana desde que o mundo é mundo!
Qualquer pessoa que escreve vai por no papel um pouco de seus conceitos, preconceitos e ideologias. Por mais que se esforce para ser objetivo e seguir o manual da redaçao.
A imparcialidade no jornalismo é um mito. só conseguiriamos atingir isso substituindo os jornalistas por robos.
Faz tempo que isso já deixou de ser levado a serio nos meios academicos. Ja esta mais do que na hora de que os jornalistas e os veiculos de comunicacao parem de alimentar esse mito também.
Eu vivo na Espanha e aqui todo mundo sabe que tipo de discurso vai encotrar se comprar o ABC ou se comprar o Publico. Nao existe nenhuma ilusao de isençao. E nem por isso os jornais perdem credibilidade. Alias ganham, porque nao há essa hipocrisia que existe na imprensa do Brasil.
Nao esqueçam que o slogam publicitario da revista Veja uns anos atras era Veja - Imparcial.
Entao tá.
desculpem, mas continuo achando que é um falso debate culpar a “objetividade”, honestidade, transparencia, competencia, etc…pela crise do jornalismo ! as pessoas pararam de comprar jornais e revistas porque a informaçao pode ser obtida gratuitamente…o futuro da imprensa é digital, com tudo que isso comporta de interatividade do leitor;
o debate sobre a credibilidade do jornalista existe e é oportuno, mas a imprensa atual nao vai sobreviver sob essa forma! as florestas foram devastadas…vamos esquecer o papel….
e concordo com sosa :
“Nao existe nenhuma ilusao de isençao”
Não existe isenção, nem objetividade. Não é a percepção dos leitores que está errada. Mas penso que quase sempre é possível perceber se há esforço de equilíbrio na narrativa - e o dever do jornalismo é cumprir esse esforo com sinceridade. Se alguém acusa erro formal, o jornal corrige, ora. E corrige com destaque e dignidade - e não faz um tremendo esforço para evitar a publicação de um “erramos”. Isso quando simplesmente não corrige e ponto.
Se a imprensa até aqui não quis sobre si os holofotes que lança sobre outras instituições, o recado é claro: boa coisa não pode ser. Se fosse bom o cheiro, seria notícia publicável. Matérias “da casa” sempre foram problema, inclusive nos periódicos regionais e locais.
Alberto Dines, possivelmente um dos maiores “defensores” do jornalismo no Brasil, está a quantos anos cobrando essa discussão? Quantas inimizades comprou? Eu não estou dizendo que concordo com todas as opiniões dele. Penso que ele é ranzinza em determinadas opiniões, teimoso até. Desonesto? Eu não diria. Mas foi atacado muitas vezes por leitores insanos como se fosse um vendido qualquer.
Ainda vivemos circunstâncias onde se atravessam os muros dos fatos para se construir determinada “realidade”. Nesse caso, qualquer discussão desce a ladeira, não tem nem tentativa de dizer que não é Fla x Flu. Porque vira briga de torcida mesmo.
Então, o raciocínio simplista acredita que a única saída é se tornar o Jornal dos Esportes, aquele impresso em papel rosa, que era decaradamente flamenguista, a ponto de vetar o Vasco na manchete. Se o rival era campeão, o título era “Mengão perde o campeonato”.
Bem, os tais holofotes sobre a imprensa são importantes, mas existe outro aspecto que eu considero fundamental: a boa concorrência (e aí vem outro nó, ainda mais em tempos de crise, inclusive crise de financiamento dessa atividade). Com nossos níveis de concentração, isso é muito delicado. Nos EUA, não existe propriedade cruzada. Por aqui, esse assunto, muito relevante, seria um ataque à liberdade de imprensa.
Pedro, duas coisas:
A TV e os jornais têm que ir além de apenas se transferirem pro TCP/IP. (Aliás, adorei a imagem!) Essa interação aqui, que tem em toda caixa de comentários, não existe em mais lugar algum. Só na internet mesmo. Essa personalização — “Vou lá no PD pra ver o que ele tem a dizer hoje.” — é um fenômeno cada vez mais forte.
E quando ao fato da imprensa ser mais objetiva, profissional, isenta ou qualquer coisa, eu sempre me lembro da Veja. Não tem como sustentar qualquer argumentação sobre a melhora da qualidade na imprensa brasileira quando o “maior semanário do mundo” segue alguma agenda aleatória que não é clara para os leitores. Quer defender alguém? Faça-o abertamente. Sosa falou sobre comprar o ABC ou O Público com a expectativa de que certo viés será usado, acho que é por aí mesmo.
Abraço!
uma analise de 2006…ainda atual :
http://www.time.com/time/business/article/0,8599,1566014,00.html
continua :
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1538652,00.html?iid=sphere-inline-sidebar
http://tunedin.blogs.time.com/2009/01/28/theres-the-death-of-print-and-then-theres-the-death-of-print/?iid=sphere-inline-sidebar
Isenção não, mas honestidade é perfeitamente possível.
Apresentar um fato de maneira correta, embora depois diga, bem … eu gostaria que tivesse acontecido de maneira diferente.
Meu ponto de vista sobreo assunto é o seguinte etc. e tal.
Qualquer ser humano, de personalidade bem formada, é capaz de fazer isso.
Concordo com a Confetti.
Temos dois problemas bem distintos em questão: um é a crise de sobrevivência de um modelo de empresa jornalística; o outro é a crise de credibilidade dos jornalistas.
A crise de sobrevivência do modelo de empresa jornalística é mundial, gerada pela internet.
A crise de credibilidade dos jornalistas, pelo menos para quem vive no Brasil, é nacional, gerada principalmente pela descoberta de um grupo de jornalistas constantes da folha de pagamento a um certo grupo econômico.
Creio ter “apresentado” o problema de forma bastante objetiva.
vocês fingem que escrevem; a gente finge que lê. ora bolas. chega de bobagem.
Interessante e um pouco complicado o assunto pois falando em tempos de crise e sobrevivência, um jornal é uma empresa e precisa de anunciantes para lucrar e poder pargar os impostos e salários; dependendo de seu comportamento pode perder os anuncaintes e quem paga as contas? Lembro que há os editoriais onde se reflete a opinião dos donos e ainda, cito a Folha de São Paulo que possui o Ombudsman, que critica o próprio veículo (se não é o único a tê-lo). Certa vez até tentei levantar junto ao pessoal que compra jornal na banca perto de casa se leem o editoria e o ombudsman mas, ainda não consegui e provavelmente, minha opinião, é justamento o pessoal plugado a maioria dos leitores dessas colunas pois, são também leitores de blogs, e gostam de interagir. Mas ainda vou tentar junto a esse público que ainda compra o papel.
“…(Certa vez, fui demitido por sugestão de um governador. Não foi na grande imprensa.) …”
Essa me fez lembrar de um repórter estrangeiro que além de “desejarem” sua demissão, “sugeriram” sua deportação. E foram pedidas por um presidente da república…….
[...] na já cristalizada falta de transparência da indústria da mídia. Vale a pena ler com calma o post de Doria. Mesmo que você não concorde com ele, mesmo que não seja jornalista, ou nem se preocupe com [...]
Nesse particular aí, continuo achando que a “imparcialidade” é impossível. O que há _ o que pode haver _ é um “mercado das idéias”, onde a diversidade de pontos de vista ajuda o leitor a se posicionar melhor. Em outras palavras, a “vontade de objetividade” tem de estar no leitor, já que nunca estará no enunciante. O problema é que não formamos leitores que queiram ser objetivos. Por outro lado, no Brasil não temos um marco regulatório que assegure a diversidade da mídia (os EUA já tiveram, mas ele foi bem “aguado” nos últimos anos). A ascensão da internet e em particular da blogoseira veio aliviar a situação, mas temos que considerar que de fato apenas uma parte da população tem acesso.
“A imparcialidade no jornalismo é um mito. Só conseguiriamos atingir isso substituindo os jornalistas por robos. ”
Nem assim. Afinal, ele terá sido construído e programado por alguém …
Acho que a pergunta mais importante é: um jornal pode ser isento mesmo sendo formado por jornalistas reais que nunca serão totalmente isentos? Acho que sim. Desde que cobre a maior isenção possível e procure manter pessoas com preferencias e visões de mundo distintas. Se a insenção é impossível que sejam pelo menos balanceados.
+ bom dia, ladies and gentlemen…
–X–
“Independentemente de haver objetividade jornalística ou não, o fato é que os leitores e espectadores e ouvintes de noticiários não acreditam nela.”
Você quer dizer, quando é conveniente não acreditar, certo?
Porque a quando a imprensa sentencia alguém, não preciso citar casos, esta pessoa está marcada pra sempre - culpada mesmo ou não. Aqui mesmo já se debateu sobre o que foi lido na imprensa de maneira inflamada e depois viu-se que não era bem assim.
Cada um apenas puxa a sardinha da credibilidade para o seu lado.
Objetividade, veracidade e imparcialidade é o que esta faltando na imprensa brasileira, com raras excesões.
!!@v@nte!!
Não existe isenção em nenhuma atividade humana. Somos comprometidos por visões pessoais, costumes, projetos, necessidade de sobrevivência, aptidões, formações e, paradoxalmente, pelos detalhes que nos individualizam.
O desafio da imprensa e do jornalista é, justamente, buscar a superação e o controle de seus próprios impulsos. Relatos isentos devem ser circunscritos à exata descrição dos fatos, sem ênfases nos detalhes que, no entanto, devem ser expostos.
Notícia não deve ser obra impressionista. Ao leitor não interessa o olhar do repórter ou do redator. Têm sido comuns, infelizmente, afirmações como “clima de medo e pavor na cidade de….”. Existe algum medidor de medo ou jornalistas são dotados de excepcional sensibilidade, capazes de mensurar subjetividades ? Textos dessa linhagem escancaram o baixo nível de quem escreve, de quem edita e subestimam o leitor.
Este post pergunta se “é possível ter credibilidade sem ser isento”. Acredito que sim, desde que claramente expostas as posições e em espaços absolutamente claros. Em jornais e revistas, nunca no espaço do noticiário, sempre em colunas e seções específicas. O editorial, as seções de crítica de arte, os artigos de convidados, as colunas assinadas e espaços similares são, por natureza, os nichos em que posições podem/devem ser expostas, porque permitem fluxo de idéias e pluralidade de posições.
Há alguns dias, neste blog, discutimos a pertinência do humor em assuntos sérios, como a política. Defendi e continuo a defender que os espaços devem ser claramente delimitados sem que, por exemplo, a atitude de um político qualquer seja tratada com desdém no espaço do noticiário, por mais insólita que seja. Os fatos devem ser tratados com objetividade. O humor deve ser restrito ao seu próprio espaço e veículo. Misturar os canais significa produzir humor rasteiro e deturpar a notícia. Da mesma forma, a opinião não deve invadir a notícia, pois o resultado é o pastiche.
Por último, cabe menção ao comentário da Confetti (3), sobre o caráter da crise do jornalismo. Ela está correta, parece, ao mencionar outras razões para essa crise e, acrescento, é um pouco tarde para o jornalismo buscar credibilidade.
Já avisando que não vou dar meu e-mail nem ficar ajudando blogueiro a se pautar (quer saber sobre sustentabilidade vai estudar, oras), contribuo brevemente sobre esse assunto “imparcialidade da imprensa”, sugirindo a blogueiro e comentaristas a leitura de um romance que, acho, deveria ser obrigatório para quem quer que queira atuar como jornalista: As Ilusões Perdidas, Balzac. Foi escrito na época em que o jornalismo - tal qual o conhecemos - estava nascendo.
Não há a menor dúvida que o Pedro Dória é um direitista envergonhado.
Que conversa prá boi dormir. Parece até um padre.
Todo o texto é o maior “café-com-leite” da paróquia.
jornalismo “café-com-leite”.
Tanto faz tanto fez… saca?
A mídia-lixo-corporativa não tem credibilidade nenhuma, cara.
No Brasil, as empresas dos marinho, frias, mesquita e civitas são a máquina de propaganda do regime segregacionista.
Ultra-direita descarada estilo naspers na África do Sul.
A mídia-lixo-corporativa é um partido político em campanha diária para manter privilégios para poucos e sufocar as demandas da maioria.
São empresas fundamentalmente corruptas.
É isso aí… the globe, fsp, veja e estadão:
empresas fundamentalmente… corruptas.
Confesso que não sei como se comporta os jornais e revistas no resto do mundo, então só posso palpitar sobre os do nosso País.
Acredito que há um componente a mais do que simplesmente ser isento, ter credibilidades, etc.
Os jornais e revistas são empresas privadas que buscam o lucro. Apesar da ascensão das classes C e D, estas ainda não estão dispostas a pagar por notícias. Hoje, quem paga por isso são parte da classe B e a classe A. Estas tem um perfil mais de direita. Com a concorrência da Internet, a imprensa não está muito preocupada em servir com credibilidade, muito menos com isenção. A imprensa quer fidelizar esta parcela da população, oferecendo o que elas querem ler. Esta fidelidade significa garantia de receitas. Não há espaço para hesitação ideológica e não há espaço para o contraditório. Esqueçam, por exemplo, o que a Veja e a Folha foram (acho que eles foram bons no passado). Hoje eles fazem pesquisas de perfil do consumidor, identificam sua renda, seus desejos de consumo e oferecem seus produtos.
Sei que isso não é a explicação definitiva dos fatos e sei que parece cruel para os jornalistas, mas a explicação passa por aí.
É como o Big Brother Brasil, novelas e outros programas de televisão, não são, isso tenho certeza, bons programas, mas são o que a maioria das pessoas querem ver, que foram constatados em pesquisas de mercado.
Vocês acham que os donos de jornais e revistas não sabem o que estão fazendo tomando esta linha de ação? É uma estratégia de sobrevivência. Tem limites? Sim, no futuro. Hoje funciona.
[off-topic]
http://www.bankofobama.org/
=)
A objetividade é impossível?
Vejamos o que se tem de mais “profundo” sobre o assunto:
John Locke proclamou que “todo o conhecimento provém da experiência, mediante nossos sentidos – nada existe no espírito que já não tenha existido primeiro nos sentidos.”
George Berkeley observou que por este raciocínio fica demonstrado que “a matéria não existe, sendo apenas uma reunião de percepções, ou seja, sensações classificadas e analisadas pelo espírito.”
David Hume declarou que “conhecemos o espírito do mesmo modo que conhecemos a matéria, pela percepção, embora interna, ou seja, o espírito não é um órgão que tenha idéias, senão apenas o nome que se dá a uma série de idéias.”
Emanuel Kant conclui, “ o espírito não é uma cera passiva onde a experiência e as sensações gravam sua vontade absoluta e caprichosa, ou nome de uma séria de idéias, é algo que modela e coordena as sensações, organizando a caótica multiplicidade de fatos em pensamento ordenado, utilizando os modos de percepção de tempo e espaço, os quais são anteriores a qualquer outra percepção.”
Jamais saberemos a forma da matéria em si, mas a concepção que fazemos dela pode ser transmitida a outras pessoas e, talvez por um incrível “milagre”, há muitos pontos de convergências entre as diversas concepções.
Como dizia Platão, bem antes de todos os pensadores acima mencionados: reconhecemos que certos procedimentos considerados injustos possam trazer grandes vantagens, não que sejam “justiça”, são acontecimentos, não a definição de justo ou injusto. Nunca admitiremos que um bom médico e um médico mercenário tenham o mesmo valor. Que um tirano e um ótimo governante tenham as mesmas qualidades. “Justiça” é algo “objetivo” que reside na mente de cada um. Sempre admitiremos que, um “homem de bem” não usará o poder para adquirir dinheiro ou honrarias. Se assim o faz, deixa de ser “um homem de bem”. Nada nos é tão nefasto do que sermos obrigados a obedecer a alguém que consideramos injusto.
Confetti*: Não estou dizendo que a crise tem a ver com a percepção de falta de objetividade. A crise é um problema da mudança de modelo industrial. Mas… existe um gap entre o que os jornalistas acham e como o público os percebe. Este gap é o ponto-chave que precisa ser resolvido na transição para a web das grandes empresas de jornalismo.
“A imprensa livre pode, com certeza, ser boa ou ruim, mas, certamente, sem liberdade a imprensa nunca será boa.” Albert Camus .
O que funciona é a educação de um povo. Senão, leem somente a página de esporte quando pendurada na banca e olhe lá, isso quando sabem ler pois não tem grana e nem interesse em comprar ou assinar. Se for bom ou ruim quem faz o filtro é o leitor, fim de papo. A maior estratégia para vender hoje são as promoções como livros, CDs vendidas em conjunto no jornal de domingo ou ’selos’ durante a semana. Outro dado interessante é o nº de jornais em circulação. O de maior tiragem no Brasil é a Folha aos domingos com 370.000 exemplares. Num país com 186 milhões e na própria capital com 20 milhões mais ou menos é muito pouco. Por isso viraram catálogos de vendas das Casas Bahia e imóveis, fazer o quê?! Certa vez o Marcelo Tas mostrou o tablóide inglês The Sun e disse que sua tiragem diária, não somente nos finais de semana, era de dois milhões de exemplares.
E essa conversinha de jornal como um monstro influenciando a opinião pública a favor da direita e coisas do tipo já está mofada faz tempo. E para falar algo positivo, não esquecer aquela campanha que o sr. Olivetto participou, onde a Folha a partir de uma imagem distorcida e falando em fatos e intenções positivas forma o rosto de Hitler, naquela campanha contra o Collor, que era direita não é mesmo?!?!?. E hoje em dia Collor é amigo de Sarney e de Lula e participa a algum tempo como aliado desse governo federal com seu cargo de senador eleito pelo povo. E Sarney está se esforçando para arrumar uma boquinha para o Collor em alguma comissão do senado. Isso que chamam de direita está infestada dentro do governo federalmas pelo jeito deve ser culpa dos jornais.
Diogo Slov, a Veja é a exceção, não é a regra. Concordo que existe um viés, ali, um viés que muitas vezes parece confuso.
O problema da imprensa tupiniquim é menos o viés ideológico, a inseção, a imparcialidade, a objetividade e que tais. Como demonstra o affair “ditabranda” da Folha, o problema da imprensa nacional é burrice mesmo. Há alguns anos você tinha a Folha, o Estadão, o JB, o Primeira Leitura e, vá lá, a Carta Capital. Hoje você só tem o Estadão.
E vá lá…
Pedro,
Você já leu o Jack Shafer, na Slate? Eu diria que ele não só é um crítico da mídia como Kurtz, mas que é melhor.
Solon: é talvez verdade. Mas a Slate não é grande imprensa, e eu me referia à grande imprensa. A Slate pertence ao Post, o que termina mostrando que o jornalão continua sendo o único a fazer este tipo de cobertura. E, por fim, o Shafer é crítico. O Kurtz faz mais que isso: ele apura e reporta também. Noticia.
pd#24,claro…
mas ainda acho que a percepçao do gap entre voce e seu leitor é algo mais “academico”, mais “romantico”do que a verdadeira “crise” da imprensa !
o jack shafer da slate,citado acima ( ele é realmente O cara no assunto ! alias os melhores jornalistas atuais estao na slate )so fala praticamente “na transiçao industrial”….
http://www.slate.com/id/2207912/
“Mas a Slate não é grande imprensa,”
how amazing…
Confetti*, a Slate não é grande imprensa. Não é minha culpa.
O gap de credibilidade não é um problema romântico. A imprensa tradicional terá que se converter para o TCP/IP e sobreviver num ambiente de muito mais competição pela atenção dos leitores. Se não resolver seu problema de percepção, vai dançar.
os caras da slate nao tem problemas de credibilidade…la so tem feras…
Confetti*, não acho que eles tenham problemas de credibilidade.
Isenção e imparcialidade talvez sejam encontradas na “Folha Dirigida”.
A discussão sobre aspectos filosóficos da profissão de jornalista se sobrepõe ao lado quantitativo do negócio: a perspectiva de uma redução drástica no número de leitores.
O adolescente ou jovem que se habitua a ler (inclusive noticiário) na internet não vai migrar para a mídia impressa; será sempre um leitor digital.
Muita gente leitora antiga de jornais e revistas está deixando de fazê-lo - ou diminuindo sua assiduidade.
As tiragens dos nossos jornais são pequenas se comparadas com as populações das regiões metropolitanas, imaginem de todo o estado. Quando elas (as tiragens) começarem a diminuir, como barganhar com os anunciantes?
Poucos setores da economia do Brasil têm uma competição feroz como no meio bancário e isso deve influenciar o estabelecimento das verbas publicitárias (que já são questionadas até no intervalo do Jornal Nacional, vejam só).
No dia em que os governos (municipais, estaduais e federal) perceberem que gastam exageradamente em publicidade, aí é que a coisa pega mesmo. Tudo bem, isso é praticamente impossível; governos não querem confusão com publicidade ou empreiteiras.
E concordo: ditabranda é o cacete.
Mesmo não sendo ingênua em relação à parcialidade e falta de objetividade e transparência da imprensa, me incomoda muito as marteladas contínuas contra a imprensa. Tenho inclusive a impressão, que se houvera poder e condições para alguns, fecharia-se vários jornais.
Pedro, não queriam fazer um conselho nacional de imprensa? E por que seria?
Outra coisa: na sua atualização. Sim, ditadura de 1968-1985.
Nós hoje votamos em todos os níveis, temos imprensa livre(aparentemente para desgosto de alguns).
Mas pergunto: os direitos humanos são respeitados? Não se tortura? A polícia não mata sumariamente quando quer e quem quer? E a indignação da esquerda?
Cara, a barbárie continua! Mas não está matando nem torturando por ideologia.
Clara: hoje se tortura, sim, e não é pouco.
Estou entre os que acreditam que ao não punir o crime de tortura, crime contra a humanidade, ao fim da ditadura, abriu-se a porta…
Pedro,
Objetividade, imparcialidade e isenção são conceitos nos quais apenas os mais iludidos ou os mais hipócritas acreditam.
Todos tem lado. Não importa onde, nem quem. Não importa se for um cientista, se for um ateu, se for um juiz de direito, um etnógrafo ou um jornalista (apenas pra falar nas profissões que mais acreditam nesses mitos).
[]’s,
Hélio
Hélio Sassen Paz, posso até aceitar que todos têm um lado. Isso não quer dizer que não exista empatia, a capacidade de compreender o outro lado e dar a ele espaço equivalente.
Pedro, a minha pergunta foi e continua sendo: cadê a indignação?
A sua resposta é uma racionalização, me parece. Abriu-se a porta? Pois fecha-se, caramba!
Não se pode torturar, não se pode matar, não se pode tratar presos como animais e nós temos que nos indignar e pressionar as autoridades competentes.
O que alimenta a descrença no jornalismo é o fato da imprensa ser um negócio, como tantos outros. Um negócio que permitiu a Assis Chateaubrind fundar um império e a certos mascates se virarem por aí promovendo eventos. Essa mistura estranha e mal equilibrada que transforma jornalistas em empresários, especialmente os chapa-brancas, agride a informação. Embora ninguem seja neutro, nem a Biblia, o jornalismo usado para aferir tão somente dinheiro conspurcalha a profissão, refletindo na desconfiança geral.
Desde minha adolescência, até adulto feito e chefe de família, ouvi meu pai dizer: “Meu filho, não basta você ser honesto. Também há que parecer honesto”.
Este é o dilema da imprensa, desde sempre. Credibilidade, isenção, objetividade são valores, eu acredito, até possíveis, o problema é fazer com que sejam percebidos pelos leitores.
Mas que coisa! Volta e meia aparecem estes tópicos querendo que a imprensa seja isso ou aquilo!
Jornais, TVs, Rádios e até blogs são negócios como qualquer outro, Assim como puteiros, botecos, padarias e igrejas existem é para dar lucro!!! E é claro que os que trabalham nestas atividades - jornalistas, quengas, botequineiros, pastores e padres - também estão nessa por grana.
Objetividade? Isso significa CONHECIMENTO pois é indispensável conhecimento para se ter objetividade e prá que objetividade se a notícia de hoje nem é lembrada amanhã? O povo nem lembra mais a manchete de ontem!!!
Estes tempos uns por aí andavam querendo que a imprensa fosse a “Voz da Verdade” ou tipo Polícia, Juiz e Carrasco e jornais e TVS tivessem como empregados apenas pessoas de moral ilibada e profundo saber jurídico, antropológico e sociológico. Esqueceram que jornalistas são humanos e têm contas para pagar no final do mês como qualquer humano normal.
Sem essa PD. A imprensa é um negócio. Jornalistas são trabalhadores deste negócio e assim já sabemos bem como esta história toda funciona.
A credibilidade vem da honestidade. No Brasil, a baixa credibilidade da grande mídia decorre da sua absoluta falta de honestidade. A FSP apóia Serra? O apoio é legítimo, mas que seja declarado. Os grandes jornais americanos fazem isso, e sua credibilidade sem dúvida é maior do que a dos nossos jornalões, que sustentam uma neutralidade que não engana ninguém. Como foi dito acima, todos têm lado. Se compro informação, quero saber de que lado vem. É simples, é meu direito de consumidor de um produto que sofre, sim, a influência de quem comanda a sua produção. Alegar neutralidade quando ela não existe é mentir, é enganar, é ser desonesto. E querem credibilidade?
Eu vejo uma grande semelhança entre jornalistas (no brasil) e juristas (meu próprio mundo).
Eles são obcecados com uma tal de neutralidade na qual só eles mesmos acreditam. Tomam qualquer crítica à profissão como críticas pessoais.
Assim como o judiciário, a mídia brasileira é distante e opaca, o que gera a desconfiança da população.
Concordo com confetti, essa crise de credibilidade acontece mais no Brasil mesmo, especialmente porque a população começou a amadurecer mais com a internet.
A imprensa brasileira, que ainda não tinha resolvido o problema da credibilidade, bateu de frente com a creise do modelo de negócios, que mais cedo ou mais tarde chega forte ao Brasil.
Bom, será resolvido, falta ver qual será o resultado.
Carlos Latuff mostra a “credibilidade” da mídia-lixo-corporativa:
http://ia331417.us.archive.org/2/items/NewYorkPostObamaCartoonCausesOutrage/NewYorkPostObamaChimpCartoonCausesOutrage.gif
Nem o queniano escapa destes bandidos.
Pedro Dória,
não sei se a minha interpretação das mudanças no quarto poder é a mesma da sua.
Concordo que a imprensa pode estar mais profissional hoje em dia do que no passado. Ela está sendo forçada a isso. Também concordo que há uma percepção maior de falta de credibilidade na imprensa.
A minha explicação para a coexistência de maior profissionalismo e crise de credibilidade, no entanto, é diferente.
Existem diferentes tipos de leitores. Cada um com uma capacidade de análise própria. Existem leitores que procuram informação para justificar suas crenças, os que gostam de apropriar a opinião de um jornalista, os que gostam de encontrar falhas em tudo, os que gostam de separar informação factual e opinião…
No período anterior à informação abundante a imprensa podia ignorar os leitores mais atentos. A sua versão dos fatos era a única disponível. Com isto, tinham o monopólio da formação de opinião.
O golpe que a internet deu na grande imprensa foi possibilitar que uma parcela da população, mais instruída, tivesse acesso a mais informações. Este grupo é capaz de separar fatos e manipulações e são formadores de opinião naturais.
O jornalismo preguiçoso e manipulações grosseiras são facilmente desmascarados hoje em dia. Isto forçou a grande imprensa a se profissionalizar, mas esta profissionalização não acompanha a velocidade da crítica.
A minha visão do futuro do jornalismo envolve uma divisão entre veículos para grupos de leitores. O JN e Veja, por exemplo, vão continuar focando nos “Homer Simpson” porque estes são a maioria e aí está a maior fatia do bolo publicitário.
Os grupos específicos encontrarão espaço na TV a cabo e blogs.
Radicais de todas matizes encontrarão justificativas para seu radicalismo.
Moderados terão o seu espaço.
A forma que um grupo da imprensa lida com o outro grupo continuará dependendo de interesses. A Veja usa suas armas para minar a credibilidade dos seus críticos. Os blogs precisam apontar as manipulações da grande mídia para mostrar sua utilidade.
Clara, a indignação está aqui. Ou aqui. Ou aqui.
Tem que fechar a porta, sim. A começar por cima. Coronoel Ustra na cadeia.
Bem… acredito na força da História… por isso, digo que se os jornais não se adaptarem às novas condições impostas pela atualiadade, que sejam mesmo extintos!
Posso ver já jornais eletronizados, onde jornalistas profissionais trabalham nas ruas; registrando e escrevendo os fatos no mesmo local acontecido, tirando fotos e enviando as reportagens prontas… não para a redação… mas sim para o celular de cada leitor… que é assinante e paga a assinatura na conta do celular… rsrs posso ver até aqueles celulares pré-pagos… recebendo as notícias fiado… rsrsr isso para ser verdade, depende só dos “cinzentos abrirem os olhos para o que estou vendo e deixarem deste negócio de linotipo para os jornais regionais, de bairro ou faculdade”.. .
Adoro o jornalismo… mas sei que tudo o que não é necessário é logo descartado. Assim como tenho certeza, que se o jornalismo se fazer necessário, perdurará sempre, sempre se moldando às novidades.
Não é assim que acontece com tudo o que é antigo e ainda existe?: a Igreja, a Família, o Estado… que assim seja para o Jornal.
E… sobre esta parte:
“Não é à toa que não há uma coluna de mídia na grande imprensa brasileira. Quer dizer – há – adoro, diga-se, a Toda Mídia de Nelson de Sá, na Folha de S. Paulo. Mas Nelson descreve como a imprensa está noticiando, não noticia o que se passa na imprensa. Não há, no Brasil, um colunista como Howard Kurtz, que cobre a imprensa para o Washington Post. O Post cobre sua própria indústria como cobre as outras indústrias ou a política. (E, mesmo aqui nos EUA, há Kurtz é mais ninguém; ele é a exceção, não a regra.)”
… Gostaria de citar um programa da Tv Cultura chamado : “Observatório da Imprensa”, que tem um tiozinho bem esperto nas atualiades, e ‘que quase’ não se encaixa neste contexto, mas ‘que também’ trata destes assuntos pelas remelas.
E gostaria de dizer, como jovem de 19 anos que sou… que os jovens não lêem mesmo jornal, pois hoje em dia, ser jovem é ser legal (a malhação contribuiu muito para isso)… ao contrário de antigamente, quando se odiava, ou não se podia ser jovem, e para se auto-afirmar ou para se precoce-formar como adulto líamos um jornal aqui… fumávamos ali… tudo para nos dizer adultos, e preocupados com a realiade externa…
Sobre a descrença, digo que a parcialidade está aí sim, mas não por culpa do jornalismo (que não é podre, mas sim dependente)… vejo que é por conta de toda a situação… onde se tem de apelar somente para o sensacionalismo para que os leitores comprem a notícia pormenorizada, e aumentem os valores pagos pelos publicitários que anuciam no jornal… esse problema é um círculo… e tem sim a descrença dos leitores, mas antes, e logo atrás, vem a falta de renovação… que é necessária, mas está sendo ignorada ‘pelo ortodoxismo cinzento’ dos linotipistas, que ‘está deixando o jornal sem fundos…’ e dependente de uma propaganda faminta… tendo que por ela… ser sensacionalista, e com isso: parcial… por exagerada.
Por último… gostaria de dizer que este blog está oficialmente FUTRICADO!
e que este comentário estará no meu blog de falações também.. rsrsr
um abraço Pedro… não era, mas virei seu fã desde hoje!
estarei sempre aqui, futricando…
Hiago Rodrigues Reis de Queirós
( pd, desculpe a arrogancia de ontem…nada à ver….:-))
quando vc fala de “grande imprensa” da uma impressao desagradavel de “oraculo”, de instituiçao petrificada, de titulos com passado reluzente…
“grande imprensa” nao seria jornalista sério e esclarecido,cuja opiniao foge ao bla bla cacofonico geral, independentemente de onde escreva ? sempre acho “momentos” de grande imprensa no the economist, no asia times, no washin post, na piaui, no slate….sao artigos que dao outra luz à temas
consensuais, idéias “frescas”, que surpreendem com angulos originais…
por ai…
“…Coronoel Ustra na cadeia. …”
Sim.
Mas, e para Battisti e Aquille Lollo, por exemplo?! Asilo e aposentadorias especiais por perseguição política?
Salve PD
Belo texto.
Clifford Geertz, que não era jornalista, mas antropólogo, resumiu bem a questão: não é porque um ambiente hospitalar 100% asséptico seja uma impossibilidade que iremos realizar cirurgias no esgoto.
A objetividade completa não é possível. Mas o que distingue o bom do mau jornalismo é justamente buscá-la de maneira sincera e incansável.
O mal jornalismo é mais fácil de se notar, chama mais atenção do que o bom, pelo menos à primeira vista. O mal jornalismo preocupa-se mais em julgar do que em pesquisar; procura o conforto enganador de clichês generalizantes, ao invés de sair à cata de especificidades e surpresas; está mais interessado em vender uma visão de mundo previamente elaborada do que em apresentar visões de mundo diferentes, conflitantes. Em seus piores momentos, resvala na propaganda rasteira.
(Ou seja, tudo o que a revista Veja vem fazendo há algum tempo… Mas isto é outro papo.)
De resto, achei corajosa a parte do texto que diz que “falta transparência” à imprensa. É aquela velha história: quem vigia aqueles que são responsáveis por vigiar?
Está aí, aliás, um belo tema para pesquisas de cientistas sociais :-)
Abraço,
ACT
Confetti*, ‘magina, no prob.
Grande imprensa é tamanho. Capacidade de distribuição e repercussão. O que sai no WaPo é o assunto de Washington às 8h, desde de manhã cedo. O que sai na CNN, também. A Slate pode ser um dos melhores produtos do jornalismo dos EUA – e acho que é. Mas não repercute, aqui, como o WaPo repercute, ou a Time, ou o NYT… por isso que não é grande imprensa.
Pelo que alguns escreveram aí, acima, a objetividade só existe se o jornalista não tiver opinião formada a respeito de nada.
Se for assim, então objetividade não existe. Ou só existe nos textos escritos por jornalistas excepcionalmente burros e desinformados.
A meu pensar, objetividade tem a ver com honestidade e competência profissional. Se o jornalista é honesto e competente, ele se manifesta com objetividade. Caso contrário… chapéu!
Agora, se o cara é competente, claro que terá opinião formada sobre um monte de coisas.
E, por isso mesmo, muito frequentemente ele parte para um trabalho achando que sabe exatamente a que conclusões vai chegar. Na cabeça dele, a apuração vai apenas comprovar aquilo que ele já sabe. Ou pensa que sabe.
Também não raramente, o processo de trabalho acaba fazendo com que ele reveja posições que mantinha inicialmente. Sendo ele honesto, o texto final vai refletir essa evolução do pensamento.
Enfim, opinião, assim como o conhecimento, é algo que se constrói no dia-a-dia. Se esse processo é interrompido, o indivíduo está morto. Mesmo que não saiba, está.
A existência de uma opinião pré-formada não pode ser obstáculo para a objetividade jornalística, a menos que se convencione ser o jornalismo uma ocupação preferenciamente destinada a imbecis.
Por esse enfoque, creio que não dá pra falar em “imprensa objetiva”. A objetividade não pode ser atributo da instituição, e sim do profissional do jornalismo.
O que a imprensa tem de ter é profissionalismo. Quanto maior o grau de profissionalismo, mais intensamente se manifestarão as qualidades e os defeitos de cada profissional do jornalismo.
Na verdade, o próprio PD já disse isso. Quando ele faz considerações positivas a respeito da imprensa brasileira, ele imediatamente as associa a um maior grau de profissionalismo.
A meu pensar, como leitor, profissionalismo sempre foi algo escasso na imprensa brasileira.
A regra primeira tem sido o órgão da imprensa — grande, média ou pequena — estar a serviço de tal ou qual interesse.
A segunda regra piora tudo: a coisa sempre se dá num contexto de hipocrisia extremada. O órgão da imprensa — grande, média ou pequena — nunca admite estar a serviço do tal interesse.
Como esse tipo de coisa nunca pode ser mantida em segredo por muito tempo (até porque o outro lado também está jogando), as vinculações aos interesses, aos poucos, vão se tornando do conhecimento público.
É quando se dá a perda de credibilidade. Depois do porre, a ressaca.
Há uns 8 anos, li uma excelente entrevista com a jornalista Lilian Witte Fibe, exatamente sobre esse assunto. Ela dizia que a crise da imprensa brasileira é uma crise de credibilidade, provocada pelo mercadejamento da opinião.
Lilian traçava o círculo vicioso: sem credibilidade, o leitor acaba fugindo; se o leitor foge, o anunciante idem; sem anunciante, acaba o jornal.
Por fim, ela dizia que o grande desafio da imprensa brasileira é a conquista da credibilidade. E que isso só se fará com profissionalismo.
Aqui no Pará viu-se, nos últimos anos, o maior império de comunicação já criado neste estado perder credibilidade e leitores, a passos largos, por conta de seu atrelamento a grupos políticos.
Pra manter anunciantes e segurar os preços da publicidade (bem mais altos que os da concorrência), o grupo começou a fraudar a informação jurada que prestava ao IVC. A circulação real era menos que a metade da informada.
O IVC resolveu auditar. Na véspera do início da auditoria, o grupo se desfiliou do instituto.
Escapou da auditoria, mas sua credibilidade despencou ainda mais. As vendas idem. Os anunciantes se mandaram. Os maiores anunciantes exigiram redução dos preços. O grupo se recusou e os maiores anunciantes se mandaram. E lá se foi o ex-império, ladeira abaixo…
Não sei no que isso vai dar, mas poucos apostam na sobrevivência do grupo. Hoje, só está em pé porque a estação de tevê é repetidora da Globo (mas fala-se que estaria em vias de ser comprada pelo Boni, ex-Globo).
De qualquer modo, a trajetória desse grupo parece uma ilustração, ao vivo e em cores, do processo de decadência que a Lilian Witte Fibe descrevera em minúcias, anos antes. Tal como a trajetória de um monte de outras empresas jornalísticas brasileiras, hoje mal das pernas.
Pedro, não te aparece haver um outro “gap”, esse ainda mais espantoso, entre as percepções de jornalistas e as de outros profissionais de ciências humanas em relação ao problema da objetividade? Historiadores e antropólogos, cujos trabalhos têm muito de semelhante com o dos jornalistas, contestaram intensamente ao longo do século XX a idéia de que relatos objetivos sejam possíveis. Não só por causa das limitações materiais de acesso às fontes, mas pelas circunstâncias institucionais, metodológicas e mesmo históricas que inevitavelmente dão forma à maneira como o historiador (ou o etnógrafo) interroga e organiza os dados. O mesmo acontece com jornalistas, não?, com a diferença que entre os “vetores” acima precisamos adicionar os empresariais - que, sim, naturalmente também influenciam os olhares de editores e repórteres. A questão, acho, não é tanto que quase ninguém acredite na objetividade dos jornalistas, mas que os jornalistas ainda acreditem na ideia de objetividade, como se os grandes debates teóricos e metodológicos das ciências humanas modernas nada tivessem a ver com a atividade jornalística. abraço,
Pedro, sim, me lembro da sua posição sobre a punição à gente como o Ustra, esse homem digno de absoluto desprezo.
Mas, escuta, ouve uma anistia, e deve ter sido negociada com a oposição ao regime, inclusive a esquerda.
E só porque o desgraçado do Ustra foi beneficiado por uma lei, significa que josés, joãos e marias, cidadão humildes, possam ser brutalizados pelas nossas polícias todo santo dia??
Não podemos enquadrar a polícia e os responsáveis pelo sistema carcerário porque ustra não foi punido?
Pois, digo que podemos!
E por sinal, eu devia ter lembrado do Viva Rio, que é uma ONG genuinamente brasileira que sempre se preocupou com isso. E também do HRW.
Sei que você é do bem(totalmente, aliás), mas está sendo pouco prático, ainda que pareça totalmente coberto de razão.
Há que pensar que esse país segue, e assim como a imprensa, uma anistia também precisa de credibilidade, para não perpetuar ditadores(toc, toc, toc, é só em tese, pelamordedeus!), que poderào querer ficar no poder até a morte, se uma anistia não for respeitada. Será que fui mais clara?
Pedro,
Se os jornais se transformarem em fundação, como há quem defenda, mesmo assim nada garantirá a objetividade. A edição é um processo de escolha, sempre uma decisão ideológica. Haveria um conselho de jornalistas? Para cada chamada na capa fariam uma votação? Piada.
Não há jornalismo isento. E pior: toda a mídia pertence ao mesmo campo ideológico. As diferenças entre veículos são sutis. Nos EUA a mídia tem as mãos sujas de sangue e petróleo ao apoiar acriticamente o governo Bush. Não foram enganados, foram atores do vergonhoso processo. E pagam agora o preço.
No Brasil, nada diferente. Acabo de ler que a Rede Globo está chutando a TV Diário, do Ceará, do satélite Starone C2. Quer ela apenas sinal local, sem concorrer com seu mercado de 30 milhões de antenas parabólicas. Coisas de cartel.
o dia que o PD repudiar (diariamente)a ditadura dos Castro eu acredito na sinceridade de suas críticas contra ditadires, torturadores, genocidas e o escambau.
49, os Castro na cadeia tambem?
Miguel Conde, se pudesse bater palmas, iria bater.
Nem mesmo cientistas ditos das “ciências duras” falam, hoje em dia, em objetividade com a mesma ênfase que se falava 50, 60 anos atrás. Basta ler um pouco como o universo é representado, na diversas épocas - a “máquina do movimento universal”, no s. XVII, a fisica positivista com sua entropia - q inclusive inspirou tamb o velho Freud com a teoria das pulsões -, a teoria do “universo como fractal ampliado”, nos anos 70-80 e, em 1990, e, nos 90, a idéia de “universo como processamento de informações”, de que fala o Wheeler e levou também a idéia de Gaia. Possivelmente aparecerá, mais cedo ou mais tarde, alguma outra coisa. Ninguém espera hoje em dia, que a mecãnica classica seja vista de forma absoluta.
Mas imagino q a “objetividade” tenha relação com a credibilidade, como disse o Elias mais acima. E seus comentários sobre a imprensa norte-americana vão nessa direção. E só não batem com a imprensa daqui por causa do período da ditadura, em que o sarrafo desceu por igual no lombo de todo mundo. Mas basta lembrar o entusiasmo com que empresários da gde imprensa apoiavam decididamente o Collor (a Veja se “redimiu” do apoio com uma caixinha, escondida no meio de uma edição em cuja capa brilhava a chamada “O marajá das Alagoas”). Não é preciso ir mais longe.
Aparentemente, os jornais convencionais parecem achar que dar guarida à jornalistas “chapa-branca” e intelectuais meia-bomba, todos doidos para ter assento nos restaurantes do grande poder, é suficiente para agitar a bandeira da isenção.
Tamb concordo com a Clara sobre a anistia - infelizmente, a política - como dizia o Tancredo, a “arte do possível” - tem uma lógica que, por vzs foge à nossa compreensão. E no caso das ditaduras latino-americanas, não houve uma situação de guerra que permitisse levar os derrotados diretamente ao banco dos reús, como aconteceu com a Alemanha ou com o Iraque baathista. Essa é a questão. Militares aqui, tanto qto na Argentina, no Chile e, atualmente, na Colombia, estavam imbuídos da ideologia de que travavam uma “guerra” não declarada contra o q aqui chamavam “MCI” (Movimento Comunista Internacinal). A guerra exigia atitudes que eles mesmos diziam “condenáveis pelos padrões dos tempos de paz institucional” (eu estava na Marinha entre 1974 e 1975 - lembro mto bem o que era dito nas preleções da EFORM).
Os militares foram hábeis o suficiente para manterem alguma margem de manobra no campo político, coisa q os outros latino-americanos não fizeram; e de envolver os civis nas suas “OpInt” (operações de inteligência) - basta lembrar o papel que “O Globo” fez ao longo de todo o período.
Bitt, v. anda mais perdido que cusco em tiroteio.
É possível ter ideologia declarada, partido escolhido, e ainda assim apresentar os fatos honestamente?
chest- desde que não seja nenhuma ideologia marxista….
Sim, campanha Coronel Ulstra na Cadeia;
Ea Dilma na Cadeia,
E o Franklin Martins na Cadeia, etc.
Porque a indignação com pretensos assassinos é seletiva ?
E ainda o PD bota pra discutir isenção, objetividade e honestidade…
Eu gostaria que cada um daqui dissesse, em alto e claro tom :
“São válidos os assassinatos colaterias de transeuntes e quetais em nome de um atentado para uma causa política.”
“Posso sair da minha casa, meter uma bala na cabeça de alguém e dizer que foi dano colateral, porque minha causa é a justiça do povo.”
“Dane-se quem morreu pela bala de minha arma, que eu dedendo uma causa (s)anta”
“Mas santa só a minha, ou as que eu julgar corretas, que no caso da dos outros é errado.”
ou
“É(são) assassinato(s) quaisquer morte(s) de não combatente(s).
Fica posto : Todo e qualquer assassino, independente da causa defendida pelo mesmo, será preso e julgado; o Estado, responsável pela guarda dos presos, responde civil e criminalmente por qualquer dano a estes.”
PD, é um livro de história e sobre história, mas (caso você ainda ão o conheça) talvez ilumine um pouco a questão. Chama-se: “That noble dream: The ‘objectivity question’ and the american historical profession”. O autor é Peter Novick, e narra a profissionalização do historiador e o papel da noção de objetividade nesse processo ocorrido ao longo do século XX. O livro é de 1988, e os últimos capítulos foram escritos em um debate quente sobre o tema na profissão. Ainda hoje é referência para estudos sobre a questão.
Esquecendo um pouco as questões legais de lado, eu não me sinto nada confortável em mandar um generalzão para cadeia por conta da tortura, mantendo livres e faceiras figuras que, por motivação política, organizaram atentados ou assaltos que resultaram em morte de pessoas. Ou que eram financiados por regimes ditatoriais no exterior.
essa parte é importante, o Ouro de Moscou e os dolares de Cuba para Brizola…
e a quantidade de jornalistas brasileiros na folha de pagamento da kgb?
quantos jornalistas de periódicos brasileiros estão na folha de pagamento de sindicatos?
digitem Ladislav Bittman no Google.
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