O futuro do jornalismo.
(Que futuro?)
Vários de vocês me pediram para falar mais sobre a relação de jornais, e do jornalismo, com a internet. Desde agosto, vivo no meio do Vale do Silício, enfurnado com outros 20 jornalistas de toda parte do mundo. Como a maioria dos maridos e mulheres dos outros Knight Fellows, aqui em Stanford, também são jornalistas, formamos um conjunto bem grandinho que acorda, almoça e dorme falando sobre jornalismo e tecnologia. (Marina, minha mulher, ela própria jornalista, não aguenta mais o assunto. Eu sou obsessivo.)
Esta é a visão da velha mídia vista da capital da nova mídia:
Não há otimismo
Aqui nos EUA, metade dos jornais vão morrer nos próximos dez anos. Os grandes, tipo New York Times, sobreviverão. Possivelmente sairão menores do que entraram. A curto e médio prazo, a situação no Brasil é diferente. Os governos FH e Lula trouxeram muita gente para a classe média e o número de alfabetizados aumenta. Há mais leitores de jornal. Mas, a longo prazo, isso só quer dizer uma coisa: os grandes grupos de mídia brasileiros têm mais tempo do que os norte-americanos para enfrentar as mudanças que já estão acontecendo. Em sua maioria, estão postergando tais mudanças por dois motivos. O primeiro é que não sabem exatamente o que têm de fazer. O segundo é porque nós, jornalistas, somos bichos extremamente conservadores. Resistimos a mudanças.
O que está mudando?
Na quarta-feira, passei a tarde na IDEO, a principal empresa de design do Valley. Eles fizeram o primeiro mouse da Apple, os Palms todos, mas não é por produtos que a IDEO é mais conhecida. Seu método de estudo de problemas pelo ponto de vista do design, design thinking, está sendo implementado até na organização de empresas. Uma delas é a Gannett, conglomerado de vários jornais regionais dos EUA. A IDEO fez um estudo para o Detroit Free Press, o jornal em piores condições do grupo. Sua primeira conclusão explica tudo: aqui nos EUA, os leitores com menos de 40 anos não lêem jornais.
Lêem os sites de jornais, é verdade. E é por isso que uma das sugestões da moda é que se os jornais cobrarem alguns centavos por cada artigo online tudo se resolve. Na IDEO, ou em todo o Vale do Silício, há uma certeza: jornais não conseguirão cobrar por conteúdo. Por um motivo simples: notícia de graça existe às pencas na web. O que acontece com quem cobra por conteúdo é que termina sem ser lido. O New York Times cobrava pela leitura de seus colunistas, e o dinheiro lhe rendia uma quantia bastante razoável. Mudou de idéia e sacrificou a fonte de renda porque suas colunas não eram mais tema de debate. Deixar de repercutir é justamente o que um jornal não pode fazer.
O mundo mudou, a imprensa não viu
Nosso modelo de imprensa não é uma tradição de séculos. Ele data, isto sim, de entre os anos 1920 e 40, nos EUA. Alguns princípios são sacrossantos para nós, jornalistas. Um deles é a separação entre Igreja e Estado: quem mexe com publicidade, nas grandes empresas, não dá pitaco na redação. Os anunciantes não podem achar que têm o poder de intervir. Quando esse tipo de interferência ocorre, em geral nos jornais que cheiram mal, nós jornalistas olhamos com desdém. Outro princípio que corre em nosso sangue é o da isenção e objetividade. Somente os fatos. Opinião fica delimitada às colunas e página de editoriais.
O modelo caducou.
Vocês, leitores, não acreditam que sejamos objetivos. Vocês têm certeza de que os donos de jornais têm interesses e que usam seus veículos para encaminhá-los. Acham que nós, jornalistas, temos ideologia que refletimos nas reportagens que escrevemos. Em vários momentos da história, foi assim mesmo. Hoje, a grande imprensa brasileira – só lembro de uma exceção – vive um momento de extremo profissionalismo. Mas não adianta. Credibilidade perdida não se recupera na esquina.
Não é só no Brasil, é em todo o mundo: leitores não acreditam na objetividade jornalística. E uma campanha publicitária não resolverá o problema.
O problema, aliás, só é aumentado com o fato de que a Internet criará mais e mais pequenas empresas jornalísticas – aqui nos EUA já existem algumas. Com equipe muito enxuta, é difícil fazer a separação entre quem vende a publicidade e quem faz o conteúdo.
A questão do modelo de negócios das redações é tão pesada e tão discutida que ela disfarça um problema muito mais profundo. Nos próximos anos, queiramos nós jornalistas ou não, o jornalismo será refundado, recriado, reinventado. Se continuarmos como estamos, na defensiva, fingindo que o problema é apenas um modelo de negócios, o novo jornalismo surgirá independentemente de nós.
Mas mudou em que mesmo?
Richard Gingras, um dos fundadores da Salon.com, executivo do GoogleNews, consultor do New York Times e do (excelente) blog político Talking Points Memo resume assim: pusemos uma rotativa nas mãos de quase todo mundo. Agora, acabou.
A ‘rotativa’ é a Internet. O modelo de negócios da imprensa era baseado na escassez de distribuição. Quem tinha o poder de imprimir informação e botá-la nas bancas de todo a cidade, estado ou país podia ganhar muito dinheiro. Acabou. Às vezes, vejo jornalistas discutindo a falta de qualidade de informação online como se o produto que produzimos todos os dias fosse a melhor coisa do mundo. Não é.
Não é repetindo mil vezes que produzimos algo melhor do que o blog da esquina que vamos convencer alguém disso. Não é repetindo duas mil vezes que alguém tem que pagar pela produção destas notícias que o público, comovido, dará um passo à frente e pagará. A informação que temos é igual à informação que existe em vários outros lugares, de graça.
Imprensa profissional para quê?
Por mais imperfeita que seja, uma imprensa é fundamental para a democracia. É na imprensa, perante os olhos de todos, que os grandes debates nacionais acontecem. A imprensa surgiu para ser a voz do cidadão e o olho do cidadão nos afazeres públicos. É por causa da imprensa que eles, os eleitos, não podem fazer o que querem sem ser vistos.
O exemplo máximo do ápice do atual modelo de imprensa é Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon. Tudo funcionou direito naquele caso: o Washington Post foi responsável, deu à dupla de repórteres todo tempo do mundo para investigar e os sujeitos trabalharam duro. Às vezes, passavam semanas sem encontrar nada de novo. Nos primeiros seis meses de investigação, o que trouxeram a público parecia tão irrelevante que nenhum outro jornal seguiu a história. Mas, no final de um ano e meio, o presidente renunciou por má conduta.
Custa caro isso: para cada Watergate, muitos jornalistas ficam mais de ano explorando assuntos que não dão em nada. (Ficavam: nenhum jornal se dá mais a esse luxo.) Este serviço é fundamental para a democracia. O jornalista profissional, por ser pago para se dedicar a isto, acumula fontes, sabe a quem perguntar, tem acesso a figuras no poder, após anos de experiência sabe o que fazer, não é ingênuo. Blogueiros que trabalham somente à noite poderão fazer o mesmo? Cheguei aos Estados Unidos convicto de que não. Hoje, tenho minhas dúvidas.
Não porque o blogueiro solitário fará o que um repórter faz. Mas porque um grande grupo de blogueiros e seus leitores, dedicados a descobrir informação sobre algum assunto, podem ser capazes de mais do que repórteres.
O Talking Points Memo, afinal, conseguiu a renúncia do ex-procurador geral dos EUA Alberto Gonzáles assim: com a ajuda de seus leitores reunindo vários cacos de informação por todo o país até formar a história completa. Gonzales já estava para renunciar perante o escândalo quando a imprensa profissional começou a prestar atenção. Nem viu de onde veio.
Por anos, falei eu mesmo muito mal da Wikipédia. Mas se algo de muito importante está acontecendo em alguma parte do mundo, a página da Wikipédia sobre aquele assunto é a melhor cobertura que há. Lá, gente de toda parte está reunindo o melhor que sai na imprensa por toda parte. Um trabalho, diga-se, incrivelmente responsável, com o cuidado de citação de fontes para cada novo dado.
Um dos grandes desafios técnicos do jornalismo é, na verdade, como melhor interagir com o público em busca de informação ao mesmo tempo em que organiza a informação coletada. Não é um problema trivial. É um dos problemas mais fundamentais para o futuro da profissão e já há algumas experiências interessantes.
Transparência
Não me entendam mal: para mim, como para um enorme número de jornalistas, este processo gera uma ansiedade profunda. Este não é um momento tranquilo. A indústria que está ameaçada, afinal, é aquela que nos paga salários. E, em alguns casos, é um trabalho pelo qual temos uma devoção quase religiosa. Temos uma cultura profundamente arraigada. Este processo de transformação não afeta apenas o jornalismo, evidentemente: a indústria musical e de cinema estão aí para demonstrá-lo. Mas o jornalismo é mais que um bem cultural, ele é um dos alicerces básicos da democracia.
Neste processo de reinventar o jornalismo, a primeira coisa que temos que fazer é reconquistar a confiança de leitores e espectadores. Concentramos tempo demais em valores secundários e abandonamos o principal: transparência.
Vocês não esperam que sejamos objetivos mesmo que nós nos consideremos objetivos. Vocês partem do princípio de que não somos e cobram, para melhor avaliar a notícia que oferecemos, conhecer um pouco mais sobre nós, sobre nossas tendências, sobre como vemos o mundo. Cobram isto de nós, jornalistas, e de nossos empregadores.
Vocês entendem nossas dificuldades para angariar propaganda. Mas esperam que sejamos transparentes a este respeito.
Jornalista adora culpar o patrão. Mas não é só o patrão que é pouco transparente. Nós, enquanto classe, também somos. Não revelamos nossos processos, não gostamos de pedir desculpas, e temos aversão a interagir com o público. Bem: o público também não anda lá muito satisfeito em sua interação conosco.
Se a imprensa é o quarto poder, é o mais opaco dentre eles. É só que, repetindo que ‘repórter não é notícia’, preferimos fingir que nada temos com a história.
Modelos
Três modelos estão surgindo para sustentar o bom jornalismo. A base é propaganda e continuará sendo. As empresas jornalísticas terão que ser mais enxutas do que jamais foram para lidar com a falta de dinheiro das assinaturas.
O segundo modelo são fundações. Fundações, ONGs financiadoras, estão investindo em seus setores para que o público seja melhor informado sobre assuntos que lhes interessam: saúde, educação, moradia – não importa. É o novo jornalismo militante.
Por fim, não micropagamentos, mas doações.
O público compreende quando sua fonte de informação presta realmente um serviço relevante. É o caso, novamente, do Talking Points Memo. A cada dois anos, após eleições, seu editor-chefe pede doações do público e recebe uma bolada de leitores que são engajados na produção de noticiário do site. A propaganda sustenta os salários em sua pequena redação. Os aumentos de infra-estrutura são bancados por estas doações.
Um amigo meu, Chris Allbritton, cobriu a Guerra do Iraque com doações de seus leitores que queriam uma voz independente. (Chris, diga-se, discorda de mim em quase tudo do que escrevi aqui. Ele considera que leitores devem pagar assinaturas.)
De qualquer forma, doações funcionam de tempos em tempos, para um objetivo específico, em troca de um serviço que os leitores aprenderam a respeitar e apreciar. Não são um modelo recorrente que ajude a bancar o dia-a-dia das operações.
É um mundo muito diferente este que está à nossa frente. E as mudanças estão apenas começando.
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O quarto poder ainda é mais acessível do que o terceiro poder. Ao menos no Brasil, o Judiciário é absolutamente alheio à influência da população…na real quem faz esse papel de pressão é sempre a imprensa.
Caro Pedro,
Post bom de ler.
Eu falaria também de outro problema no Brasil: o peso do Estado na parecela de propaganda. Com a crise apertando o poder estatal ficará ainda mais forte.
Quanto ao governo Lula, eu acho escandaloso como ele privilegia algumas publicações e basicamente se ausenta de outras. Basta folhear uma Carta Capital e uma Veja para notar a diferença. Isso é um perigo e em países mais sério levaria a uma investigação do Ministério Público.
Pedro, sincerimente fica difícil acreditar em objetividade, mesmo sabendo como os jornalistas trabalham sério.
Por exemplo, há alguns meses o Estadão publicou textos sobre leis de imigração na Europa. Em todos eles, o tom era: xenofobia, xenofobia, xenofobia. Tinha claro, a previsível entrevista com um acadêmico francês garantindo a xenofobia da Europa. Mas eu não vi ninguém discutir como os países europeus já abrigam um grande quantidade de imigrantes, como o sistema de bem-estar social europeu tem um limite até quebrar, e como, enfim, toda nação soberana tem direito de controlar o fluxo migratório de alguma forma. Sinceramente, não vi qualquer objetividade ou mesmo ponderação.
Pedro, gostei bastante do texto.
Discordo de você no que diz respeito a doações, enquanto vejo futuro promissor no modelo “freemium”: bom conteúdo grátis, atrai leitores, cria relacionamento com o público e convence alguns deles a pagar mais por informação extra e detalhada.
Uma sugestão pra você alavancar melhor as suas vendas de livros: acredito que o espaço entre o fim do post e o começo dos comentários mereça algo melhor que o Google Adsense. Por que você não tenta colocar a caixa de livros da Amazon nesse espaço, com sugestões de leitura que trabalhem no mesmo sentido do que você acabou de escrever? Alex Castro, do LLL, faz isso bem (interney.net/blogs/lll/) e diz ganhar o bastante pra pagar o aluguel.
Adsense na barra lateral eu também não vejo. E se eu não vejo, eu não clico. Mas se coloca no meio do texto, fica feio. What a pickle.
Enfim, eu acho o Adsense feio mas não sei quanto é que você ganha com isso no fim do mês. Eu sei que eu nunca fiz uma doação pra você, tampouco comprei livro via Weblog. (Shame on me, shame on me!)
Retirando a caixa da Amazon lá de cima, eu sugeriria que você investisse mais na construção da sua marca. “As Últimas” é uma coisa que tem condições de viralizar e ser mais visitado. Não tem nenhum leitor do Weblog que seja designer e esteja disposto a fazer uns banners animados pro PD, estilo portal? Pro designer também é bom: cria portifólio, ganha propaganda grátis num site bastante visitado. Cria uns selinhos também, pros blogueiros linkados: “Eu construo As Últimas”, algo do gênero. Pode ser uma troca interessante.
Palpite final: não achei o teu feed de comentários. Vamos nos falando.
Grande abraço, D.
Eu particularmente, enquanto estudante de jornalismo, concordo em boa parte com tudo o que você disse Pedro.
Inclusive entrei em algumas discussões na faculdade sobre este novo “modelo de jornalismo” que está aparecendo que poderá acabar com a profissão de Jornalista como nós conhecemos hoje.
Isto é muito fácil de ser visualizado nos EUA, que estão muito a frente do Brasil, mas você acredita que o problema da imprensa norte-americana poderá se refletir aqui no Brasil no futuro, mesmo que ainda um pouco distante?
É o destino do Brasil ter tanto a mudança completa da imprensa quanto uma evolução da blogosfera?
Renato, o Lula não é o único mandante com verba publicitária. Lembremos do “Teorema de Reinaldo Azevedo”:
(Primeira Leitura) - (Nossa Caixa) = (Falência)
Será que o quarto poder deixa o ministério público em investigar esse tipo de coisa? Ou será que é mais fácil esperar 4 anos contando com a possibilidade de voltar a ser amigo do rei?
Meu camarada, se o futuro é o “jornalismo militante” melhor mudar de profissão…
Você fala, fala e fala… Sinceramente, modelo de negócios é o caralho. Há uma desconstrução da sociedade industrial em curso, mas ainda assim a crise é do jornalismo… Sure.
A crise é global. A sociedade de consumo secou o mundo, e agora começa a ameaçar aqueles que se alimentaram do consumo.
Primeiro foi a indústria fonográfica, um exemplo claro de produção em série de lixo. Ligue na MTV2 americana e se impressione. Sintonize uma rádio popular brasileira… Pancadão do arrasta pé na bossa da garrafa da tropicália enredo de raiz. Tudo igual. A fórmula do sucesso!
O jornalismo morreu porque seguiu o mesmo caminho da indústria cinematográfica e musical: Produção em série do mesmo. Vejo o caso do Caio Lopes falando que antes de chegar ao fim da matéria ele já sabia qual o conteúdo dela. Eu sinto a mesma coisa quando leio metade daquilo que leio e na boa, ainda bem que não precisamos pagar para ler afinal não tem coisa mais escrota que pagar para ler algo que você já sabe.
Fala-se em formato e modelo de negócios mas no fundo é o conteúdo que está uma merda. Inclusive porque como você mesmo disse, o formato/modelo atual de imprensa é algo um tanto moderno.
No mais me impressiona que você, Knight Fellow, Melhor blog de política em 2008 e melhor blog em português de 2005 tenha a loucura de falar que o principal é a transparência. TRANSPARÊNCIA?!?!?! O principal é o FATO! Transparência importa só na hora de saber para que lado descontar aquilo que acabamos de ler.
Exemplo perfeito disso foi a cobertura da Al Jazeera do conflito em Gaza. Sabemos que a cobertura será totalmente tendenciosa mas o que importa é o fato que está lá debaixo do monte de “opinião”.
Qualquer um que quisesse prestar atenção na cobertura da Al Jazeera escutaria do dia zero que os morteiros pousaram do lado de fora da escola. Eu escutei, Darwinista foi lá e checou. Você? Well… esperou sair do Globe and Mail e no Haaretz. Faz parte, essa sua preguiça não é só sua, É de todos nós.
Perceba que você é super transparente e a Al Jazeera é opaca como poucas; A relação com o governo do Qatar e o tom notadamente anti-ocidente não podem ser simplesmente explicados como um “outro enfoque”. No fim das contas, transparente ou não o Caramujo ainda continua a dizer que você é agente da Sociedade Sionista Mundial.
A Al Jazeera é um sucesso porque sempre está presente no conflito. Existe coisa mais ridícula do que um caderno internacional cuja cobertura se baseia nas “agências internacionais”? Certamente não. Dá-lhe opinião…
O que vemos é o excesso de opinião e quase total ausência dos fatos. Opinião por opinião, o Idelber que nem jornalista é, está lá colocando a dele online e de graça. Tem gente que adora. E verdade seja dita, ele merece crédito já que circense como ele é, foi atrás do que é dele e conversou com alguém na Palestina e procurou apresentar a voz de alguém. Já outros preferiram sugerir que uma parte da população Israelense “dê um dois” até os foguetes pararem de cair.
É natural que os jornalistas estejam tão perdidos quanto a indústria fonográfica. O jornalista se orgulha muito do caso Watergate mas no fundo é uma mega punheta com o pau alheio. Quem faz jornalismo investigativo nos dias de hoje? Você respondeu: Ninguém. Nem mesmo você e com certeza isso não irá parar no seu Twitter. Essa ênfase no formato é bobagem. É como culpar a queda das vendas de CDs por conta do MP3. O MP3 é apenas conseqüência da massificação da música. O blog é apenas conseqüência do empobrecimento do jornalismo.
E se esses assuntos são espinhosos demais, passionais demais. Sem problemas, use o jornalismo de tecnologia como estudo de caso. Existe algo mais fantasioso do que o jornalismo de TI? Viva o press-release… Viva o press-release.
1) Finalmente texto teu!!!! Embora eu tenha minhas divergencias, eh sempre um prazer ler.
2) Faz tempo que eu nao concordo TANTO com o Andre. Mas acho que nesse caso voces dois concordam sem se entenderem. Transparencia, Andre, significa saber para que time o jornal torce. Voce sabe para que time o Al Jazeera torce, entao sabe filtrar o que eles estao dizendo. Eh o que o Pedro prega aqui. Mas eh verdade: falta fato. Falta gente que sabe do que esta falando. Tem jornalista demais citando gente demais sem entender lhufas do que esta sendo noticiado. Tem jornalista demais, com preconceito demais escrevendo sobre assuntos que lhe sao caros demais sem nem sequer uma pontinha de humildade de admitir que o que esta tentando fazer eh confirmar seus proprios preconceitos (Idelber seria um excelente exemplo aqui tambem, embora nao seja jornalista).
3) Especificamente falando do teu blog, Pedro, a proposta do Diogo Slov nao eh ruim. Uma propaganda de livro especifica a respeito do assunto do post. Uma especie de “para saber mais”.
Com uma charge daquela por dia, ou por semana, quantos meses de vida ainda teria o NYT?
Outra coisa,
sou assinante do Globo e as vezes passam-se dias que sequer abro o jornal, por total falta de necessidade. Em geral as noticias já chegam velhas. Estou pensando em cancelar a assinatura.
Gabriel,
Eu entendo o que o Pedro toma como transparência mas não concordo com a opinião dele de que seja o principal.
Principal para mim é o fato. A transparência tem lá a sua importância, apontada pelo Pedro, subscrita por mim e confirmada por ti mas ainda assim é secundária.
Sem muita reflexão, acho que está ficando clara uma situacão que envolve a informação e, talvez, a produção cultural.
Se a informação é um direito, um alicerce da democracia, a verdade é que a imprensa, o jornalismo, nunca o foram.
Pelo contrário, foram sempre monopolistas e organizadores da informação, utilizando casos como o de Watergate para auto propaganda. (Afinal, o que mudou a humanidade com a renúncia de Nixon?)
Informação democrática ou é coletiva, ainda que conflituosa, ou é opinião.
Leitor de jornais desde a adolescência, sempre ficava frustrado pela incapacidade de interferência na comunicação. (E ainda cresci num ambiente dominado pelo jornalismo da Globo)
Informação é uma necessidade, mas quem disse que tem que se transformar em um bem econômico?
Essa fase acabou, a informação será cada vez mais construção coletiva (embora os fantasmas orwellianos destejam sempre presentes) e ganhar dinheiro ao modo capitalista com ela já não será mais possível.
Talvez a extinção do profissional de informação seja um bem para a informação.
“Talvez a extinção do profissional de informação seja um bem para a informação.”
iconoclasta pouco é bobagem, adorei ! :-))
(e nao deixa de ter a ver com a analise de pd)
Existe futuro para o jornalismo mas as coisas vão mudar muito - aiás já estão mudando.
A Conspiração Mundial para a Imbecilização dos Povos está à pleno vapor e obtendo sucesso inegável. A imensa maioria da população é analfabeta funcional inclusive em termos de computadores. Pouco vão além de orkuts e msns da vida.
Vai sobrar jornais que mais parecem seitas escritas ou sejam, folhas de papel impressas com coisas que determinados tipos de pessoas querem ler. Cada jornal terá seus leitores e por mais cretinices que imprimam e estes leitores vão ulular de prazer e sairão com seus exemplares para bater com eles nas cabeças dos outros…
Milhares já fazem isso, inclusive aqui uns e outros aceitam como puras e incontestes verdades bestagens publicadas em determinados blogs só porque foi fulano ou beltrano quem escreveu no mais puro estilo “Pravda” ou jornalecos chavistas…
Jornais não serão jornais mas sim “clubes” ou “gangues” onde os imbecís sem opinião pagarão para que alguém enfie alguma opinião já pronta na cabeça deles. O povo tem preguiça, aliás não tem meios de ter opinião e pagará alguns trocados para obter uma opinião prontinha e pasteurizada desde que seja escrita por algum famoso vigarista passional…
Tenho 48 anos. Eu tinha o Estadão todo o dia em casa desde meus 8 anos. Cheguei a assinar, nos idos de 90, Estadão e Folha. Eu lia Veja desde o primeiro número (ainda que deva colocar que a partir de 2000 manter a assinatura foi mais por inércia que qualquer outra coisa).
Eu leio as revistas da Monica, Cascão, Cebolinha e Magali ( e agora o formato ‘Manga’) desde o número 1.
Cancelei a assinatura este ano do Estadão, parei de assinar Veja em 2008. Achei que teria crise de abstinência. Não tive. O formato não me interessa mais.
Compro revistas em banca quando o conteúdo me atrai. Leio notícias dos jornais via Web. E não consigo ficar mais sem ler blogs sobre política. Alguns. Vejo o fato na web e quero ler o que alguns estão comentando sobre eles. E as vezes não é fácil fazer isso, os comentários geralmente são muito monocórdicos. O que eu acho muito interessante neste blog é a variedade de pontos de vista. Não de “opiniões”, mas pontos de vista variados. Isso faz diferença. E para mim é um dos formatos que deve imperar no jornalismo daqui para frente.
Mas continuo com as revistas do Maurício de Souza, estas se eu parar de comprar e ler tenho crises de abstinência.
Meu ideal do que seria um jornalismo pós-internet é o Le Monde Diplomatique: muito texto, muita análise, para ler em papel, chamando sempre muitos acadêmicos para darem peso à interpretação. Quanto ao que o Faraó diz, parei de assinar a Folha pelos mesmos motivos que o levam a querer parar de assinar o Globo, combinados ao fato de que as “crônicas” do Nelson Ascher e do João Pereira Coutinho me ofendiam pessoalmente - ambas eram versões pseudo-intelectuais dos delírios do Dr. Astrólogo. O problema da imprensa brasileira não é ser reacionária, é ser simplesmente burra.
Quanto ao Mauricio de Souza, nunca gostei. Mas gosto de Tex Willer.
Vejamos:
A Campanha Mundial de Imbecilização dos Povos vai muito bem obrigado e atingindo com sobras seus objetivos. O analfabetismo funcional atinge a maioria da população e qualquer coisa que precise ser lida e contenha mais que 20 palavras é ignorada.
A imprensa escrita vai acabar sim, pelo menos como a conhecemos hoje. Jornais vão tornarem-se “seitas” escritas, “gangues” de papel e terão seus seguidores (leitores) que pagarão uns trocados para lêrem as cretinagens que querem ler. Estas pessoas vão considerar como verdadeiras e honestas qualquer putaria ou galhordagem que este ou aquele pasquim publicar, especialmente se a matéria for assinada por algum vigarista. Estes “leitores” sairão às ruas brandindo estes jornais e ameaçando as outras pessoas, exatamente como alguns fazem aqui com determinados lincks…
O povo - pelo menos a ínfima minoria dele que lê algo alem de horóscopo e futebol - não tem opinião alguma sobre nada. Esta parcela da população é incompetente ou preguiçosa demais para ter opinião e vai preferir pagar para obter esta opinião já prontinha e pasteurizada no mais puro estilo Pravda…
Dá para faturar uns trôcos com uma imprensa assim. Mas o jornalismo sério (sic), independente (rsrsrsrsr) e útil (gargalhadas) vai acabar. Aliás, já está praticamente extinto…
josua vai viajar no findi hein….:))
segunda e terça em POÁ!!!!!!!!
Mas báh tchê que barbaridade!!!
Maravilhas do capitalismo. Passagem aérea CWB POA por 230,00 IDA e VOLTA!!!
“Vocês, leitores, não acreditam que sejamos objetivos. Vocês têm certeza de que os donos de jornais têm interesses e que usam seus veículos para encaminhá-los. Acham que nós, jornalistas, temos ideologia que refletimos nas reportagens que escrevemos. Em vários momentos da história, foi assim mesmo. Hoje, a grande imprensa brasileira – só lembro de uma exceção – vive um momento de extremo profissionalismo. Mas não adianta. Credibilidade perdida não se recupera na esquina.”
Vou desenhar:
http://www.viomundo.com.br/buraco-negro/a-folha-edicao-tucana/
Essa é a nossa imprensa. E foi em 2006!
Este post contém uma boa análise a respeito dos problemas e perspectivas do jornalismo, mas discordo frontalmente sobre a suposta objetividade dos jornalistas.
Jornais fazem parte de meu cotidiano desde os últimos anos de década de 1960. Por razões profissionais e políticas frequentei redações e conheci muitos jornalistas, especialmente entre 1975 e 1990. Várias vezes, em meados dos anos 1980, consegui inserir notas, reportagens e até artigos em publicações importantes. Fui entrevistado algumas vezes, inclusive por jornalistas altamente reputados, sobre temas que resultaram em matérias de rádio, TV, jornais e revistas.
Nunca presenciei, nas minhas expeirências, matéria isenta, objetiva e que não tivesse sofrido clivagem de editores, redatores ou, até mesmo, contraponto disfarçado por recursos oblíquos de diagramação, editoração e da própria diversidade “não intencional” da pauta. São detalhes difíceis de expor neste espaço, porque complexos, difíceis, muito amplos e exigem abordagem semiológica para serem compreendidos.
Não existe objetividade, imparcialidade e isenção em nada do que é escrito, falado e ouvido. A Ciência não é completamente isenta, a começar pela escolha do objeto. A literatura, engajada ou não, é comprometida. Artistas se despem ou se escondem através de suas obras. Professores transmitem visões e interesses, ainda que por ingenuidade ou ignorância. Seriam os jornalistas dotados de superioridade e capazes de, em suas narrativas, afastar minuciosamente as convicções pessoais do estilo, da ênfase e do enfoque?
A televisão, pelo caráter visual que proporciona, desnuda a realidade. Nela, os textos jornalísticos são apresentados com especial tonalidade de voz e deixam evidentes os momentos de indignação dos jornalistas/apresentadores, não raro acompanhados de caricatas expressões faciais, em autênticas “aulas de educação moral e cívica” que, talvez, sejam encaradas como a “missão social” daqueles profissionais. Isso é objetividade ?
Leitores de jornais, telespectadores e usuários da internet não são bobos. Se a grande imprensa “vive um momento de extremo profissionalismo”, como afirma o texto de Pedro Doria, isto significa sofisticação de procedimentos, mas não o abandono dos interesses. A credibilidade foi perdida em razão desses interesses.
Alguém já falou tudo isso muito tempo atrás.
Lembram-se:
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Caro Pedro Dória,
Muito bom o seu Post sobre o futuro do jornalismo. Me deu até a impressäo de que esse será o tema de sua tese de Mestrado (será?).
Alguns aqui questionaram a importancia da transparencia no jornalismo moderno. Questionamento equivocado, uma vez que a transparencia é obviamente um tema chave no jornalismo atual. A transparencia é täo importante quanto o fato noticiado. Como poderemos confiar que o fato realmente aconteceu, tal como noticiado, sem um mínimo de transparencia? Isso é mais importante do que eventuais interpretacöes posteriores acerca do fato sucedido.
Interessante notar que críticas a importancia da transparencia na imprensa partem de quem se arvora no direito de representar o ocidente no oriente medio. Falsos representantes do ocidente esses que, ao massacrar civis inocentes em nome de supostos direitos vindos de Deus, passam por cima de todos os valores ocidentais modernos.
ABS,
Isenção e objetividade absolutas são ilusões.
Perigosas.
O possível é um treinamento pesado e auto-análise profunda para poder se olhar no espelho e dizer que consegue enxergar vários aspectos do objeto com que está trabalhando.
Com insenção e objetividades possíveis.
rabbit #12,
Se o profissional da informação desaparecer, de que maneira a informação será distribuída? Abnegados que usam recursos próprios para coletar e divulgar as notícias?
Alguém tem que pagar essa conta. Portanto, não acredito que o profissional desapareça. Mas certamente o modo como ele divulga a informação que coletou está mudando.
ped, eu acho que a maior dificuldade pra pensar o futuro do jornalismo está no fato de que o modelo nos EUA dificilmente servirá de novo ao Brasil, como serviu nos anos 1950 qndo importamos o lead, o sublead e a idéia de uma indústria. somos diferentes demais em cultura, comportamento, faixa etária de leitores, acesso à internet e às tecnologias de informação em geral, para que a saída da indústria de midia nos EUA nos sirva. mas o post é ótimo assim mesmo.
bj
A vida pessoal de Beethoven era uma total calamidade. Tudo dava errado. Até o mais incrível golpe do destino – um músico que fica surdo.
Mas Beethoven tinha consciência que trazia algo grandioso dentro si, que o mundo precisava tomar conhecimento, embora, pessoalmente, não “lucrasse” muito com isso.
É este tipo de “valor” que o mundo precisa retomar.
Uma geração em que predominaram de “cacarejadores” (não importa quem bota o ovo, quem cacareja melhor é que fica com os louros), parece estar no fim… felizmente.
Uma geração em que predominaram os cacarejadores
Prezado Doria,
foi o depoimento mais sensato que li sobre as mudanças no jornalismo atual. Vejo que vc. está pensando o assunto com profundidade.
Agora, existe um ponto fundamental, que não se confunde com a intervenção do jornalista, que claro, dirá que é objetivo e isento, mas ainda bem que ninguém cairá nessa conversa fiada: existe o problema da qualidade e credibilidade da informação, que é mais importante do que a crítica do jornalista ou como ele usa essa informação.
Como poderemos ter jornalismo que apure um fato, como as evidências do caso Watergate, apenas por diletantismo? Como um jornalista independente poderá repercutir suas matérias sem estrutura de propaganda que um grande jornal possui? O mundo que vivemos é cada vez mais profissional, não tolera diletantes, pois o conhecimento acumulado em cada ramo de saber é imenso. E profissionalismo é uma das coisas que contam para o critério de credibilidade da informação, já que a web divulga qualquer coisa, inclusive pode desinformar, como num exemplo simples da aids. Um sujeito qualquer defendia (defende?) que a aids era balela e que os remédios não adiantavam. Por isso também que só os blogs de jornalistas conseguem sobreviver, em grande parte pela credibilidade profissional, pelo fato de ser alguém da profissão ou ter militado na grande imprensa.
Acredito que os jornais estão numa situação complicada de se resolver. Podem cobrar de seus assinantes on-line, para isso existem programas de acesso, as revistas estrangeiras especializadas são todas pagas, no Brasil é tudo de graça. Mas as revistas estrangeiras não deixaram de existir e faturam até no acesso vendido às universidades do mundo todo. O que acontecerá é uma redução no tamanho dos jornais, com equipes enxutas e verbas idem.
Ninguém poderá viver de crítica de informações. Por exemplo, seu blog pode desaparecer, no que lastimarei, mas o desaparecimento de um órgão da grande imprensa é um impacto muito maior, exatamente pelo papel de trazer o fato primário ao leitor. Em geral, nos comentários daqui sempre nos remetemos aos jornais, pois somos obrigados a dar as fontes para convencer. Mas quem dará credibilidade a uma argumentação fundada no blog de um desconhecido?
Darwinista
não me preocupa a distribuição da informação, isso já está resolvido
a produção da informação supérflua, não sei no que vai dar, talvez fique a acargo de jornalistas
agora, a produção da informação quando necessária, essa com certeza virá do que hoje ainda chamamos de meios alternativos
aliás, já vem
de onde vieram as informações mais relevantes do conflito em gaza: dos jornais ou dos blogs?
de ondem vieram as informações mais relevantes da campanha Obama?
onde nos informamos a respeito dos filmes, das músicas…: com os críticos profissionais ou com as opiniões dos blogs?
os abnegados e voluntários serão centrais na produção da informação e - saudade dos anos 70 - seremos capazes de novos agenciamentos para substituirmos o profissional pago e para reconhecermos e remunerarmos aqueles capazes de sínteses e de análises que possibilitem alguma- só alguma - organização das idéias.
Pedro,
Show de bola este post.
Discordo de você em uma coisa. Quando diz que a imprensa no Brasil é extremamente profissional- com uma única exceção(deve ser a Veja).
Entendendo-se por profissionalismo, não a isenção, mas o equilíbrio no noticiário, a imprensa brasileira deixa muito a desejar.
Tomo como exemplo a Folha de São Paulo. Este jornal, nos anos 80 e 90, tinha como sua grande marca a pluraridade. Este predicado perdeu-se nos últimos anos. É gritante o modo diferenciado como a Folha trata o governo Lula e o governo Serra. E acredite, não sou petista.
E a cobertura do caso Daniel Dantas e o suposto grampo no presidente do STF? Enquanto blogs, como do Luis Nassif, davam uma enxurrada de informações relevantes e análises múltiplas, a Folha se limitou a uma cobertura burocrática, tentando desqualificar o trabalho da PF e da Abin( que podem ter defeitos mas não podem ser desqualificados).
E o Clóvis Rossi?Ninguém aguenta mais esse jornalismo negativista e apocalítico da grande imprensa. O país, bem ou mal, está avançando. Há muita coisa positiva acontecendo pelo país afora.
Resultado, não leio mais jornal. Minhas fontes de informação são os sites de notícias, para ficar por dentro dos fatos. E os blogs pra interpretar esses fatos. Assino também a Carta Capital. Ela não é isenta, mas deixa claro que tem lado. Não defende uma isenção que de fato, não existe.
O futuro do jornalismo é o colaborativo. Jornalista e leitor construindo juntos a notícia, a interpretação. Nesse quesito, a grande imprensa brasileira nem se mexeu ainda.
Rabbit,
nenhum desses fatos lembrados por vc. poderiam ser discutidos sem a grande imprensa, mesmo porque ela é um oligopólio de quatro a seis agências mundiais.
O que a mídia independente faz é acrescentar informações à grande imprensa. Coisa que vc. só saberá que existe pela mesma grande imprensa, que ajuda a repercutir o jornalismo independente.
SSoB escreveu sobre assunto semelhante em http://ohermenauta.wordpress.com/2009/02/20/a-imprensa-seu-futuro-e-o-nosso/
Surfando
todos esses fatos lembrados por mim poderiam ser discutidos sem a grande imprensa
diversos outros fatos podem ser discutidos sem a grande imprensa porque ela é um oligopólio de quatro a seis agências mundiais
nenhuma delas falou da estação de esgoto lá em floripa, mas nós estamos discutindo o assunto
nenhuma delas falou da situação da prefeitura de Ipatinga, mas muitos estamos discutindo o assunto
o que a mídia independente - usando suas palavras - faz é MUUUUUITO mais que acrescentar informações à grande imprensa
valeu!
interessante o artigo. achei perfeita a comparacao feita entre a crise no jornalismo e a crise da musica e do cinema.
em resumo, usando aquela expressao frankfurtiana, é uma crise da industria cultural, da qual o jornalismo sempre fez parte, ainda que alguns jornalistas se considerem membros de uma estirpe mais nobre que os demais comunicadores.
agora uma pergunta, Pedro: a objetividade no jornalismo ainda é algo em que se acredita nos meios academicos sérios nos EUA?
Com exceção da agressividade agora comum do Credun Fas, antigo André Fucs, meu xará, vale muito a pena ler seu contaponto.
Droga, fiquei confuso. Vou ter que ler tudo outra vez.
Rabbit,
claro que a cobertura do jornalismo local existe e há séculos. Só que eu, no Rio, continuo sem saber o que acontece no esgoto de Floripa, a não ser que um jornalzão coloque em evidência, pois a capacidade de repercussão do jornalismo independente é pequena. Discordo de vc. quando diz que o conflito em Gaza ou a campanha de Obama poderia ser coberto só com a mídia independente. O que a mídia independente forçou foi exatamente o questionamento das informações das grandes agências.
Abs.
Surfando
estaria você aceitando a pauta da grande imprensa?
eu continuo sem saber o motivo da entrevista do Jarbas Vasconcelos, sem saber por que o Corinthians contratou o Ronaldo, sem saber se o Clinton comeu ou não a Mônica, se o FHC tem filho fora do casamento, se os estádios estarão prontos para a Copa-2010, todos assuntos destacados na imprensa tradicional.
e mais, eu não sei quantas pessoas esão passando fome na Eritréia, de onde vem o dinheiro do ACM neto, como está a situação no norte do México, asuntos que não encontro nos jornais nem na blogosfera; só que eu sei que se eu quiser, eu vou procurar e algum blog estará falando disso!
Como uma das questões presentes nesse debate é o papel dos jornalões, talvez fosse interessante repercutir aqui o caso “ditabranda” da FSP.
rabbit,
todos esses assuntos que VSa. elenca são furos da grande imprensa. Acho melhor VSa. se informar melhor, pois ninguém tem dúvidas sobre o boquete da Monica no Clinton, que o FHC possui uma filha natural no exterior, embora a justificativa da contratação do Ronaldo seja evidentemente falta de vergonha na cara dos dirigentes do Coríntians, que devem ter recebido porcentagem nessa maracutaia. Afinal, esses endinheirados possuem empresários e vivem como microempresa, chupinskiando as verbas milionárias dos clubes. Como a Nike que paga para seus atletas estarem em evidência. É muito dinheiro investido nas chuteiras dessa gente.
Abs. do tio Surf.
O PD continua mantendo seu blog, independente de ter ido morar nos
Estados Unidos e ter seu tempo diminuido. Esse fato, por si só, indica o
problema do jornalismo atual. O que o PD faz? Basicamente, lê várias
coisas na internet, compila as informações que acha mais qualificadas e
emite também sua opinião, acrescentando informações que ele tem a partir
de outras leituras e da sua bagagem de vida. O jornalismo que o PD faz
pode ser feito em qualquer sala que tenha conexão de internet. O PD
alguma vez falou diretamente com os dirigentes de Israel? Com os da
palestina? Alguma vez ligou para vários integrantes do governo da
Venezuela? Já conversou com Evo Morales? O jornalismo do PD ´é,
basicamente, copia/cola. Isso é ruim? Não sei, depende dos critérios.
Entro no blog do PD porque acho que ele é competente nesse
copiar/colar, e tem conhecimento acumulado que o embasa. Mas cadê a
reportagem? A apuração direta? Falar com pessoas? Não tem! Eis o
problema do jornalismo atual. Reportagem.
Abraço!
Meu guru transcendental, o pai angola, me pediu para ser cordial com todas as pessoas. Como um Cristo on-line.
Então, pessoas de todos os sexos e que rezem para o Bem da humanidade, meu bom dia e abraços cordiais.
OK!
[...] Aqui nos EUA, metade dos jornais vão morrer nos próximos dez anos. Os grandes, tipo New York Times, sobreviverão. Possivelmente sairão menores do que entraram. A curto e médio prazo, a situação no Brasil é diferente. Os governos FH e Lula trouxeram muita gente para a classe média e o número de alfabetizados aumenta. Há mais leitores de jornal. Mas, a longo prazo, isso só quer dizer uma coisa: os grandes grupos de mídia brasileiros têm mais tempo do que os norte-americanos para enfrentar as mudanças que já estão acontecendo. Em sua maioria, estão postergando tais mudanças por dois motivos. O primeiro é que não sabem exatamente o que têm de fazer. O segundo é porque nós, jornalistas, somos bichos extremamente conservadores. Resistimos a mudanças.CONTINUE [...]
E o jornalismo de serviços, os blogs de aluguel, como ficam nessa analise? Jornalista que vive de patrocinio e se declara isento não é uma contradição? Ainda mais se tem dividas com instituições públicas e defende o governo descaradamente. E a TV Brasil, o que é aquilo? Um guarda chuva de chapas brancas?
Juliano,
that’s the point. I have a dog no.
Tenha um bom dia.
Comentar é uma das tarefas, mas não é suficiente. Foi o que chamei atenção no 29.
Vá em paz e Deus o acompanhe.
Ahhhh, o mito da objetividade científica. Acho que o Doria não estudou muito essa assunto em termos de metodologia científica na universidade. A própria escolha da matéria já é uma subjetividade do jornalista. Quando pedem uma reportagem como a do caso Watergate é porque o jornal era oposionista, de inclinação política dos democratas. Doria, vc. precisa estudar isso e deixar de repetir essa ingenuidade.
Abs.
O que me parece é o seguinte: o jornalismo continuará a existir na midia audiovisual, e esta é que dará a pauta básica de notícias - com tudo que isto significa de manipulação e de banalização em torno do que o Bourdieu chamava de “notícia índice de audiência” (a notícia banal, corriqueira, não controversa, que pode ir da cobertura (superficial) de guerras e terremotos ao acompanhamento do último reality show). O problema é que a imprensa escrita deixará de existir na medida em que se tornou redundante, incapaz de ir além da profundidade de pires da televisão, do ecoar dos lugares comuns do consenso burguês mais reacionário…. É claro que isto não resolve nada, mas se pelo menos acabar com uma turma que ganha para botar no papel besteiras de caverna & caserna, lava a alma. Sobrarão os pasquins lixo assumido que se dedicam a cobrir notícias “populares”, mas pelo menos não vamos ter astrólogos e filhinhos de papai arrogando-se respeitabilidade intelectual porque escrevem no jornal…. Como dizia o Paulo Francis, num momento de lucidez: “jingle bells, jingle bells, acabou o papel…”
Prever o futuro do jornal impresso e do jornalismo de qualquer tipo é como prever qualquer outra coisa: puro chute. É mais do que apontado o fato de que nenhum escritor de ficção-científica previu a Internet e o próprio termo cibernética nasceu mais para designar uma forma de robótica do que uma rede mundial de informações. Lógico, ilações podem ser feitas a partir do que está acontecendo, inclusive para que sejam tomadas as devidas precauções pelos interessados, mas daí as previsões se realizarem é pura sorte.
Creio que os jornais pagos na Internet são realmente um modelo superado, pois ninguém vai pagar por algo assim tão imaterial como o acesso a um sítio. Se as pessoas não costumam pagar nem pelos programas que instalam nos seus computadores… Quanto ao jornal em papel, é um hábito que uma vez desenvolvido é difícil deixar. O jornal a gente leva para qualquer lugar, dobra do tamanho que quiser para ler nas mais diversas condições de aperto físico, não depende de bateria, acesso à rede, ângulo de visão. O problema é saber se as pessoas jovens de hoje chegam a desenvolver esse tal hábito, eu desconfio que não. Então, os jornais da Internet que bolem alguma forma de pagar seu trabalho, assim como a publicidade paga os jornais de papel.
Quanto à credibilidade dos jornais, principalmente dos jornalões, acho que eles não precisam se preocupar. Vi gente aqui citando Folha, Estadão, Globo, como jornais importantes na missão da imprensa de vigiar os governos, esquecendo que tais jornais foram não apenas cúmplices mas entusiastas e louvadores da ditadura militar, além de terem sido cúmplices do golpe que a instalou. Os jornais brasileiros que tiveram a dignidade de combater a ditadura desapareceram, asfixiados pela supressão de toda sua propaganda por pressão do governo e da CIA. Foi o caso, só para citar os do Rio, do Correio da Manhã e do Diário de Notícias. O Jornal do Brasil conseguiu sobreviver, a duras penas, mas nem por isso deixou de encolher. Hoje, sua edição impressa é um tablóide de poucas folhas.
Creio que o Jornal do Brasil sobrevive por sua qualidade, e aqui talvez esteja parte da resposta para a preocupação dos jornais. Para desespero da Folha, o JB sempre foi o jornal que inovou na imprensa brasileira, inclusive sendo o primeiro na Internet. A Folha, até bem pouco tempo, exibia no cabeçalho de seu sítio a frase: “O primeiro jornal brasileiro em tempo real na Internet”, uma vez que não podia dizer-se o primeiro, como o JB faz. Patético. O que costumo ler no JB e que faz realmente diferença é sua produção cultural. Seria o caminho tipo Le Monde Diplomatique, citado por um comentarista acima. A Folha, quase sempre, limita-se a traduzir artigos culturais de jornais estrangeiros. Ora, quem sabe alguma coisa de inglês e francês vai direto à fonte original.
O problema dos jornalões é que eles têm de ser, necessariamente, negócios. Há pouco tempo morreu o empresário dono da Folha, que a própria chamava ridiculamente de publisher. Lamentações partiram de todos os lados pela grande perda para o jornalismo brasileiro. Ora, o sujeito nunca foi jornalista, comprou a Folha para ampliar seus negócios. Que perda para o jornalismo, cara pálida? A única coisa importante é que os jornalões de hoje só se mantêm se forem um ramo de um aglomerado comercial. O supra citado JB só não dançou de vez porque também foi adquirido, mais recentemente do que a Folha, por empresário de outro ramo. Como um jornal assim pode ter independência frente ao governo (seja qual for) e aos grandes anunciantes? É simples, não têm.
Será a Internet a grande solução para a imprensa livre? Infelizmente não. Os blogues duram o tempo que os donos das empresas que os hospedam quiserem. A qualquer momento eles podem ser apagados pela simples desculpa de estarem em desacordo com as regras de publicação da empresa. Mas os jornalistas independentes podem criar um sítio próprio, registrando domínio e pagando hospedagem do próprio bolso? Podem, desde que se mantenham relativamente desconhecidos. Se por acaso criarem fama e forem visitados por milhares de leitores, logo a empresa hospedeira vai cobrar cada vez mais pela largura de banda utilizada e como é que o sujeito vai pagar? Surge o mesmo problema de financiar os custos que os jornais enfrentam.
Quanto à confiabilidade dos fatos que os jornalistas publicam, seja nos jornais, seja em seus blogues, depende dos próprios jornalistas. Alegar falta de tempo é apenas uma desculpa. A BBC afirma que seus jornalistas têm de confirmar qualquer notícia em pelo menos duas fontes confiáveis antes de publicá-la na Internet. Se é verdade, é uma política louvável, que o PD abraçaria com entusiasmo. Mas que nem sempre pratica. Alguns tópicos atrás, ele transformou o comentário de um funcionário local da ONU que afirmava ter um projétil israelense explodido do lado de fora da escola palestina em declaração oficial da ONU de que Israel não bombardeara a escola. Isso provocou orgasmos em alguns palpiteiros aqui do arraial, que detonaram as teclas control – c – v do próprio computador a fim de transmitir graficamente o gozo. Mas não passou de jornalismo pra lá de capenga, tanto que nenhum jornal importante do mundo (ou mesmo do Brasil) se importou com a notícia, tão inexpressiva que era. Afinal, má pontaria não é apanágio especial de nenhum exército.
Resumindo o que eu tenho a dizer: nada tenho a dizer. Não vou sugerir como o jornalismo atual deva agir, eu sou leitor, não jornalista. Só espero que se encontre uma solução, pois quero muito manter minha posição, cômoda e privilegiada, de leitor.
“Acham que nós, jornalistas, temos ideologia que refletimos nas reportagens que escrevemos. Em vários momentos da história, foi assim mesmo. Hoje, a grande imprensa brasileira – só lembro de uma exceção – vive um momento de extremo profissionalismo.”
PD, na boa, é IMPOSSÍVEL concordar com isso. Todo texto emite uma opinião. Os seus então, por favor, sempre incluem seu ponto de vista.
Eu continuo achando que não é apenas de uma mudança de suporte que se trata.
Daltro,
Mui bem lembrado da desinformação usada pelo Doria no caso da escola bombardeada em Gaza.
Um bom dia.
O jornalismo diário impresso não tem futuro. Não pode nem deve ter.
Até há algumas décadas, ler notícias e análises era privilégio de poucos. A maior parte da população do planeta não podia ler. Era analfabeta.
De lá pra cá a população mundial aumentou pra caramba. Já a proporção de analfabetos só tem diminuído. Em alguns lugares mais, noutros menos, mas sempre diminuído. E continuará diminuindo, até sumir de vez.
Pra atender esse porrilhão de gente com jornalismo diário impresso, daqui a mais algum tempo seria necessário um planeta inteiro, só pra plantar árvores e produzir celulose e papel.
Não dá!
A solução é a que já está na praça: partir pro meio eletrônico. A notícia impressa deverá ser cada vez mais seletiva.
Algo parecido deve ocorrer com os livros. Já está ocorrendo, aliás. Pra desgosto meu, para quem a leitura é só um dos prazeres que o livro proporciona. Além disso, há o prazer de olhar os livros, pegar os livros, limpar e arrumar os livros e, principalmente, desarrumar o escritório de uma forma esculhambativa que só eu entendo e gosto (como O Responsável), para permanente desalento de minha mulher, que, agora, deu de chamar o meu escritório doméstico de “cafofo que o mofo deu”.
(Responsável, vamos nos unir. Nada temos a perder, senão alguns quilos de poeira e o odor de mofo que a gente disfarça com mil e uma formas de odorizadores. A luta e a resistência devem continuar, até a vitóoria! Os esculhambadores de escritório, organizados, jamais serão domesticados!)
Creio, enfim, que se há futuro digno para o jornalismo diário, será no meio eletrônico. Como isso vai funcionar, não tenho a menor idéia.
[...] Cássio me alertou para o excelente post que o Pedro Dória escreveu hoje sobre o mesmo [...]
O caso recente é importante. Pegue as manchete sobre o conflito Israel/Gaza. Faça um estudo. A tendência é óbvia. As manchetes do UOL era ridículas, como essa do Israel ataca escola da ONU. Enfim, caixa de repercussão do antisionistas.
surfando na jaca doriana, Bob Woodward, um dos repórteres, era filiado ao Partido Republicano e eleitor do Nixon.
O fato de o editor-chefe do Washington Post ter tido uma relação de amizade com John Kennedy foi muito discutido dentro da redação do Post.
Juliano, não costumo conversar com chefes-de-Estado mas isto não quer dizer que eu não tenha fontes primárias. Converso com analistas a toda hora. Alguns deles fazem parte da estrutura de relações internacionais do governo Obama.
well….bastante sensata e lúcida a descrição de Mr. Doria. Ás vezes o problema é parte da solução e arrisco-me a dizer que quanto mais um jornal pensa no “distinto leitor”, mais perto do fracasso esse jornal está…
É preciso ter cuidado com esse “tudo é relativo”, que serve muitas vezes à piores intenções.
Enfim, Nixon deu a ordem para armar o esquema de escuta sobre os democratas ou não?
Collor gastou dinheiro restante do caixa 2 de campanha ou não?
Cuba matou milhares no paredón ou não?
Pinochet matou milhares ou não?
A resposta para essas perguntas é sim e é importante que saibamos disso. Se não pudermos apurar esses fatos. se tudo é simples opinião, então vamos mesmo abrir mão do jornalismo e da história.
Ok, Pedro Doria.
Mas não deixou de ter uma função política de oposição a matéria sobre o Watergate. Vc. sabe disso e insiste nessa procura de isenção política dos jornais. Vc. quer que sejamos ingênuos ou é ingenuidade sua? Volto a dizer que lhe carece uma formação filosófica sobre o assunto, coisa que li muito na graduação. Os jornais possuem uma linha editorial, inegável que ao destacar uma matéria, esse ato não se vincule a uma vontade, a um fim. Como vc. estudou em jornalismo, uma notícia pode ter vários cabeçalhos e formas de fornecê-la. Posso destacar o lado negativo de uma matéria, por exemplo, ressaltando o nível de pobreza no país e a terrível distribuição de renda que temos, pelos dados da ONU, e omitir o que foi feito pelo governo atual, em termos de melhoria. Ou o inverso, enfatizar as conquistas do governo e omitir o descalabro que continua. Ambas formas são ruins, por isso a situação de comentarista que me coloco no seu blog, muitas vezes por indignação e militância ideológica, consciente de que alguém precisa contradizê-lo ou aos comentaristas que julgo equivocados. É minha alma cristã, como as de outros seres de bem de seu blog.
Gostaria muito que vc. pensasse um pouco mais nessa questão do Juliano, ao invés de ficar aborrecido com a gente. Aguardarei.
Uma boa tarde e Deus lhe acompanhe.
Abs, Surf.
Lutemos pela informação correta dos fatos! Se isso morrer, estaremos fragilizados frente a todo tipo de falsificação. Jornalistas, honrem essa funçào social imprescindível para a humanidade.
Olha Pedro, então suas fontes primárias não têm aparecido por aqui
ultimamente. Faz tempo que só leio posts com links para outrosl ugares
da internet, e suas análises baseadas nessas informações. Nunca vi algo
como “em entrevista ao weblog”… E, além do mais, analistas são fontes
primárias? A Lúcia Hippolito é fonte primária em política no Brasil?
Não, analistas não são fontes primárias.
O mito da objetividade é isso mesmo, mito. Ou o cara é tendencioso
mesmo, com vistas a um determinado fim, ou o cara tenta ser tão original
e ir contra o pensamento dominante que muitas vezes vai para o outro
lado. O Pedro Doria aqui é assim. Todo mundo bate em Israel, então ele
quer ser imparcial e não bater tanto assim. O que acontece? Veicula
informações duvidosas sobre a guerra de Israel. Isso é ruim? Não, mas
deve-se dizer de que lado se está, e, principalmente, parar com essa
balela de que hoje não tem mais essa de lado. Tem sim. O mundo
pós-moderno, de fato, tornou algumas fronteiras um pouco movediças,
mastodo mundo tem suas tendências e inclinações, e no jornalismo elas
devem ser explícitas.
Abraço!
interessante o debate sobre o futuro do jornalismo por razoes de ética, transparencia, ideologia, fontes, parcialidade, etc…
acho que o jornalismo sob a forma atual,nao tem futuro porque as pessoas pararam de comprar jornais e revistas, o problema é economico ! no brasil pode ser diferente pelas razoes ditas acima, mas na europa a grande maioria dos grupos de imprensa ja nao sabem como salvar os empregos nem como diversificar a oferta, nem como “segurar” o leitor; ha inumeros exemplos de reduçao de pessoal, reduçao de paginas ou de formato, fechamento de graficas, de criaçao de sites ou… de ofertas de presente ( caros) à novos assinantes …
O que mais me preocupa, enquanto universitário, são estes estudantes de jornalismo, que não querem ver as mudanças, universitários que deveriam estar atentos, parecem acreditar que nada vai mudar e continuam sonhando com mídias que vão deixar de existir.
Ao menos como são hoje.
ps: estudo publicidade e propeganda
@m_rodriguez
Prezada senhorita Confetti,
é evidente que existe um problema econômico, como vc. bem repara. Eu fui assinante de vários jornais e revistas. Todas essas assinaturas eu cancelei, pois compro na banca o que me interessa a partir da internet. Ora, se pago a internet e meu portal me oferece gratuitamente a leitura do jornal, porque compraria na banca? Os grandes jornais estão estudando uma forma de efetivar a assinatura on-line, como o Globo, JB, Folha etc. Quando esse acesso não for mais possível “gratuitamente” via portal, quem se recusará a pagar? A não ser que aconteça o que se deu na indústria de música, em que a pirataria de notícias se espalhe pelos blogs. Ainda assim, o que tem salvado a venda de música é o crescimento de compra de faixas via internet. O que tenho assistido é essa luta constante em controlar o acesso aos bens culturais na Net e um certo fracasso até o momento. Na indústria de música nem as ameaças e penalizações de piratarias foram capazes de inibir essa prática, já que a vigilância é muito difícil e questionável. Mas são bilhões de dólares em jogo. A internet derrotará o capitalismo? Duvido muito.
Um abraço e Deus lhe guarde, Surf.
Juliano, quando falo de Irã, aqui, minha fonte principal em geral é um analista chamado Abbas Milani. Já o citei em alguns posts, jamais com a forma ‘em entrevista ao Weblog’. Milani é analista e consultor informal do governo Obama. Vários ex-alunos dele estão no governo Ahmadinejad. Ele próprio dividiu cela com o Ali Rasfanjani, ex-presidente do Irã. É analista. Mas é fonte primária também.
Quando falo de comércio internacional, muita informação vem do Pascal Lamy, que entrevistei algumas vezes, e é big boss da OMC. Quando ouvi o ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf, publiquei aqui tudo o que ouvi e incluí o áudio da palestra. Aqui e ali estão salpicada, na maneira como vejo Israel, idéias do escritor David Grossman. Um terço do departamento de política de Stanford assessora Obama, alguns na Casa Branca. Muito do que ouço deles não posso atribuir à fonte original, faz parte do jogo.
E uso, sim, muito a imprensa. O que não uso é a forma ’segundo informou a este Weblog’, porque, sei lá… ia me sentir escrevendo para jornal.
surfando na jaca doriana, é claro que Wategate teve função política. É claro que o Washington Post interferiu no jogo político. Se passei a impressão de que achei o contrário, perdoe. O que tentei dizer é que ninguém saiu para derrubar um presidente porque ele era de um partido ou de outro. O problema é que o cara quebrava a lei.
Eu tenho pontos de vista que sempre divido com vocês. Não estou fingindo o contrário. Mas tento trazer à tona os fatos. Não estou dizendo que consigo sempre. Mas tento fazer com que ideologia não me guie. Sei que muitos de vocês não acham que eu consiga. Mas, acredite, a tentativa é sincera.
Bom Pedro Doria,
como vc. vê de fato essa questão da disseminação da apuração dos fatos pela mídia independente? Vc. acha que é possível uma cadeia de informantes? Por exemplo, para sabermos o que acontece em Gaza, procuraríamos os blogs de jornalistas que fossem daquela região, ou que fossem entrevistar um representante da ONU com essas informações. Seria um mundo de pequenos jornalistas espalhados por aí e que outros pequenos jornalistas mal pagos e sem recursos para viajar e apurar os fatos in locus, pudessem reunir essas informações e veicular para meia-dúzia de leitores? COmo vc. imagina isso, meu caro Doria? Ainda não compreeendi, desculpe minha fraqueza mental e espiritual.
Uma boa tarde.
Somos todos sinceros, afora nossa ironia costumeira. Pode acreditar.
Já leram Wikinomics?
Não? Então leiam.
Essa é a minha contribuição.
Abraço.
Não creio que aspectos éticos tenham alguma coisa a ver com o fim do jornalismo impresso.
Os aspectos éticos têm a ver com o ser humano, e este continuará sendo o que é.
No meio eletrônico, o jornalismo continuará às voltas com as mesmas questões de ordem ética que afetam o jornalismo impresso.
No meio eletrônico há, sempre, a possibilidade da interação instantânea com o leitor. Mas isto não é garantia de que a informação e a análise serão mais honestas.
surfando na jaca doriana, eu não tenho dúvidas de que quando mais fontes de informação existirem, melhor será para todos.
O problema não são os vários blogueiros – existem às pencas. A questão é credibilidade e edição. Como saber se um blogueiro paraguaio do qual nunca ouvimos falar diz a verdade ou não? Talvez a maneira de saber que é verdade é quando vários blogueiros paraguaios estão repetindo a mesma informação…
Quando vc compra um jornal, compra pela edição. Você se habituou com a edição dada às notícias por aquele jornal e já desenvolveu seus filtros que te satisfazem. Quem faz a edição da Internet para que vc saiba que filtros deve ter?
Quando não há edição e não há nenhum mecanismo claro para determinar quem tem credibilidade, fica difícil estabelecer quais são os fatos. É por causa disso que todos continuamos a recorrer à grande imprensa. Agora, não quer dizer que isto não possa vir de outra forma… a Wikipedia é editada e, com o passar dos anos, vem ganhando bastante credibilidade até perante (ex-)céticos como eu.
Quanto mais adentrava nesse seu texto, mais percebia que os modelos de NO. e NoMínimo poderiam ser os certos, mas na hora errada.
O que eu acho que vai acontecer é que as grandes empresas de telefonia vão acabar comprando os jornais mais tradicionais para que possam vender, não só o acesso à internet, quanto o próprio conteúdo. Mais ou menos como é o IG.
Escandaloso, no caso citado pelo Renato, é a ‘Veja’, manipuladora e golpista, receber mais publicidade oficial que a ‘Carta Capital’.
Mas discordo do Pedro quando ele fala no profissionalismo da grande imprensa, admitindo apenas uma exceção (deixando implícito que é a ‘Veja’). A manipulação, o tratamento diferenciado que empurra toda a sujeira da tucanalha e dos demos para baixo do tapete e escancara toda e qualquer denúncia, mesmo que infundada, contra o governo Lula - tudo isso permeia os principais veículos brasileiros (Abril, Globo, OESP, Folha da Manhã) e seus principais títulos (’Veja’, ‘Jornal Nacional’, ‘Bom Dia Brasil’, ‘Estadão’, ‘Folha’ etc.). Não é só na grande imprensa, não. Quando trabalhei no ‘O Estado do Paraná’, sofri censura na seção de cartas. Por ordens superiores, foi proibida a publicação das cartas do comerciante paulista Eduardo Guimarães, que diz certas verdades inconvenientes para os interesses defendidos pelos nossos patrões.
Sim Pedro, acredito mesmo que você seja sincero. Se não fosse, talvez
nem se desse ao trabalho de ficar debatendo. O debate aqui, é, portanto,
só um debate, sem contornos de caráter pessoal ou questionamento de
valores que você possa carregar. Mas sua conduta jornalística, afinal de
contas, é interesse de todos e ela sim precisa ser discutida. Você não
acha que muitos leitores poderiam se interessar por uma boa reportagem,
de texto bom, com várias fontes, sob um ângulo diferente? Será que isso
não atrai leitores mesmo?
Abraço!
Ah, só para deixar claro: sua conduta precisa ser discutida no sentido
de debatida, posta em debate, não que ela seja discutível no sentido de
condenável, viu? É só para esclarecer, afinal tem muita gente por aqui
que às vezes faz leitura dinâmica das coisas.
Abraço!
[...] Uma mudança está em curso e boa parte da mídia impressa resiste a mudança. Com a transição de formatos em mente, Pedro Doria escreveu sobre as tranformações que estão ocorrendo no jornalismo: [...]
Pedro,
Primeiro, não acho que é o jornalismo que está em crise. No momento é a mídia em papel, e nos EUA. As TVs, seu jornalismo, ainda enfrentarão seus maiores desafios em breve, com a TV digital. O jornalismo vai bem, obrigado. Dou um exemplo rasteiro, mas creio que significativo: em um último encontro com amigos, um médico, outro advogado, dois bancários, um professor universitário, o assunto crise dos jornais foi pauta e amplamente debatido por todos, com propriedade, para o desprezo dos poucos corporativistas homens de imprensa presentes. Eu acho que se faz jornalismo em blogs, em pequenos sites, e ele é bom. E já há uma nova cultura sobre o jornalismo, ele não é mais propriedade das corporações.
Segundo, o que mais matou o jornalismo americano foi exatamente Watergate, seu exemplo. O que Nixon fez foi travessura de aluno de jardim de infância comparado a Bush, que merecia uns dez impeachments. Leitores perceberam que foram engabelados e passaram a achar que as variadas leituras na tela do computador tinham mais informação. Acabou o mito da imparcialidade. O que ainda restava, os blogs mataram.
Terceiro, há um nó górdio na publicidade para a web. O modelo atual é horroroso como interface, um monte de quadradinhos mal diagramados nas páginas, de péssimo gosto visual, duvidosa eficácia, mas funciona para o dono da rede de churrascarias da cidade. Este anunciante não está nem um pouco interessado na mudança, que fará que seu anúncio seja visto por um brasileiro exilado no Sri Lanka.
Quarto, jornais são extremamente regionais. No Brasil, os três maiores, mesmo com suas pretensões nacionais, são locais. Todo o resto está muito mais interessado em saber do que acontece na esquina, com o prefeito, do que a pauta nacional. A internet ajuda pouco na mudança. Nos EUA não é diferente.
Quinto, a proposta de cobrança por demanda, tal como defendido por Walter Issacson, é piada. Tira os jornais de circulação em pouco tempo. Só leremos os comentários das notícias, nos blogs.
Ari Silveira,
A máscara da FSP caiu definitivamente essa semana com o editorial da “ditabranda”.
Caro Elias, minha solidariedade. “Cafofo que o mofo deu” é reduzir seu escritório à mais nano-ínfima das expressões.
Juliano, não se preocupe, entendo completamente. Estou aqui… vocês devem sempre questionar minha conduta. Faz parte do processo de transparência.
Olá PD,
Sou bióloga, com mestrado e doutorado, e trabalho como examinadora de patentes biotecnológicas e você tocou num ponto que me é muito caro nos últimos tempos, que é a maneira como o jornalista tem abordado a notícia. Confesso que isso vem me fazendo desconfiar cada vez mais do conteúdo que eu estou lendo. Como é percebível pela minha profissão, eu trabalho com coisas que ninguém entende. Nem o meu colega na mesa ao lado entende o que eu faço direito. O que eu vejo, principalmente, mas não somente, nas reportagens sobre ciência, é que falta ao jornalista a humildade de querer entender de verdade a matéria. Eu vejo dois pontos importantes: um é que como eles não entendem, acham que convocar em defensor de cada lado da polêmica é ser completo e imparcial. Isso traz alguns problemas, como saber exatamente quem convocar e saber se há de verdade a necessidade de convocar os dois lados pois muitas vezes cria-se uma polaridade que não se sustenta, sem falar que é preciso entender o assunto para julgar os argumentos apresentados. Eu vejo isso demais na questão dos transgênicos e das células tronco. São moda. Geram uma angústia gritante na população que não consegue entender do que se tratam de verdade essas coisas e a maioria das pessoas que são entrevistadas sobre o assunto não são qualificadas o suficiente para falar dos diversos polos da questão. Um outro lado importante que eu vejo é a quantidade enorme de erros nestas reportagens. Exemplo clássico: mapeamento do genoma humano. O mapeamento do genoma humano já havia sido feito lá nos anos 70. A novidade dos anos anos 90 foi o sequenciamento do genoma humano. Mapeamento e sequenciamento são coisas distintas! O meu orientador na época costumava dizer: por que eles não consultam um aluno de pós qualquer! Por outro lado também, cientista é um povinho arrogante que não se dá muito o trabalho de corrigir o que é escrito e o ciclo continua. Ocorre que a cada vez mais, eu extrapolo essas críticas para os outros assuntos. O racional é de que se com ciência, que eu entendo, é assim, como eu vou confiar nas outras reportagens? Com o trabalho com patentes e o horizonte aumentando, eu ví que esses erros se perpetuam. Ainda vejo em reportagens: registrar a patente e patentear a marca, quando marcas e patentes são coisas completamente distintas. Aí, somos nós, nas palestras, que dizemos: esqueçam o que vocês leram nos jornais, que não é bem assim. Com a biopirataria então… Simplesmente, não existe definição legal do que é bipirataria, nem no Brasil nem no mundo! Quantas vezes você já leu que alguma empresa é biopirata? Nenhuma acurácia na coleta desta informação. Confesso que isso tem me perturbado e eu venho numa desconfiança crescente na imprenssa. Atualmente, eu assino um jornal de papel, mas sei que é questão de tempo. Pouco tempo. Os blogs estão se aprimorando. Em todos os assuntos. E em ciência também. Os blogs estão provando que é possível sim, falar em linguagem simples, sem cometer erros, sobre ciência, para o público em geral. Sinceramente, eu acho que este é o caminho. Talvez até, e eu arrisco, jornalismo vire profissão de pós-graduação. Profissão: economista, pós-graduado em jornalimo ou biológo (ou qualquer outro), pós-graduado em jornalismo.
E quando um jornal decide sair ofendendo os leitores que escrevem para sua seção “Painel do Leitor”? Pois é, a Folha de S. Paulo fez isso com a Maria Victória Benevides e o Fábio Konder Comparato. Opiniões de um e outro lado à parte, nenhum leitor merece uma nota da redação redigida nestes termos:
A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.
Finalmente alguém comenta o caso “ditabranda”…
Caro Doria,
não sei se por influência da cerveja com os amigos ou se li corretamente, acredito então que chegamos ao mesmo problema. Vi que vc. sabe muito bem que qualquer jornal possui filtros (linha editorial). Pois é, como disse inicialmente, um problema sério da credibilidade das informações, além dos outros que comentou a bióloga acima. Cruz Credo, Saravá, Mangalô, Pé-de-Pato, três vezes, economista e pós-graduado em jornalismo, nunquinha. Cada um na sua. O jornalista que consulte o economista ou que o economista escreva para o público em geral. Para falar a verdade, é isso que acho legal no blog, falar de forma informal o que penso. Onde iria ter essa chance? Em geral, não sou obrigado a me fazer entender, ou seja, os outros é que me entendam. Aqui, tenho que me fazer entender, é uma lição que está me servindo no trabalho.
Obrigado e uma boa noite.
Doria,
Se a nova geração de leitores não compra jornais, mas acessa os sites dos jornais, parece óbvio que o leitor percebe valor no que os jornais publicam, embora não queira pagar por esse conteúdo. A pergunta é: por que ele não quer pagar? Porque encontra similar de graça na rede?
Ou porque se contenta com a informação superficial?
Ora, se fosse tão evidente que a mesma informação pode ser obtida de graça em outro lugar, por que ainda acessa o site do jornal? Se o leitor não acredita no que lê na edição impressa por que acredita no que sai no online? Parece que o poder de influência do veículo ainda pesa, não?
Pesa, mas não o bastante para que o leitor pague. Ou ele não considera que a informação do jornal é boa, ou não a considera boa o bastante para valer o preço. Se é verdade que a informação dos jornais é melhor, então o leitor não vê razão em pagar por qualidade? Parece que isso é verdade. O leitor percebe o valor da informação de qualidade do jornal, mas se for para pagar, ele prefere obter menos e de graça.
Mas alguém tem que pagar porque a produção da informação custa dinheiro. Por que os anunciantes não querem pagar? Aqui surge outro problema. As métricas na Internet são mais eficientes e mostram que o retorno é pouco significativo. O anunciante paga por um espaço no papel e considera que todos os que compraram aquela edição viram o anúncio. Não tem como medir isso com exatidão. Se publicar na Internet, ele tem como saber quantos clicaram e quantos efeturam a compra a partir daquele anúncio.
Surgem daí dois desafios: convencer o leitor de que a qualidade da informação merece ser paga, convencer o anunciante de que o espaço na Internet tem valor, mesmo que as métricas sugiram o contrário. Mesmo que as empresas se contentem em lucrar menos, essa equação precisa ser solucionada para manter os jornais vivos.
Ou talvez tudo isso seja um esforço inútil e o jornal não passe de um defunto insepulto, um resquício da do século XX. Talvez a mídia impressa como negócio em grande escala esteja condenada. E nós jornalistas sejamos como ferreiros que para salvar seu ganha-pão tentam convencer o cidadão que a espada é o mais nobre meio de defesa, enquanto todos correm para comprar armas de fogo.
Abraço,
Putz, ficar lendo crise existencial da midia por pessoas da midia ee dose… “much ado about nothing”. O q vai ser o proximo… a questao, diploma de jornalismo? Alias nao precisa e nunca precisou ter a nova midia p/ tal questionamento. Hah… ouvi de um dos ex-chefoes do Washington Post, acho q foi o Leonard Downie Jr. (numa entrevista sobre o novo livro q ele escreveu), a fazer uma outra analogia da separacao da Igreja e do Estado dentro do jornal. Para ele a “Igreja” era a pagina do Editorial do jornal, e o “Estado” era as noticias do jornal. Ele temia q um contaminasse o outro, alias, segundo o propio, ele nunca lia a pagina do editorial do WP.
Doria,
Excelente análise. Acrescentaria apenas, no quesito “modelos”, a experiência do Spot.us, no qual leitores de uma região específica sugerem pautas, jornalistas escolhem as mais interessantes e, depois, correm atrás de doações dos próprios leitores para realizá-las.
Esse modelo encontra consoância na cultura americana, onde há a tradição de doar. Não vejo chance disso prosperar, por exemplo, na Europa ou no Brasil.
O essencial mesmo é entender que o jornalista profissional não possui mais o monopólio sobre a informação. E que apurar/difundir notícias é direito fundamental da pessoa.
Um abraço
Pedro, caro amigo,
De maneira rapida. Os jovens não se informam lendo jornais. E sim pela Internet e TV. ( Fonte, minha filha e sua penca de amigos em idade universitária )
Mais pela Internet, - e aí é que está - em edições online de jornais. O jornal, mesmo virtual, ainda dá credibilidade. Mesmo para os jovens.
Coisa nova irá surgir, sem dúvida. Quando a TV surgiu comercialmente todos achavam que o rádio iria sumir. além de não sumir, se transformou em um instrumento de informação mais poderos ainda. Se bem que ante a TV perde por motivos óbvios. É melhor ver e escutar do que só escutar.
Acho que três palavras chave ditarão o futuro do jornalismo :
1-tecnologia ( não necessita de explicações. )
2- compreensão. ( por parte dos jornalistas e donos da bola do que significa - realmente - sociedade de massas e a democratização - de tudo - e suas consequências, como o direito de escolher ad infinitun, o fim das tiranias culturais, cinismo altamente benéfico frente a notícias, e a grande confusão de tempos que se vão e tempos que surgem. Inclusive o fato de qualquer um possa postar qualquer coisa.
O leitor, esse ser que nunca comeu melado agora pode comer a vontade e se lambuza, mas depois as coisas se acomodam.
3- expertise e credibilidade - em meio a geléia desagregadora que você cita lá em cima dando uma martelada no último prego do caixão do jornalismo, cabe lembrar que o público vai ler/ouvir/ver quem se destacar por seu excelente trabalho, e opiniões firmes, ou seja, credibilidade. Em um tempo aonde todos pintam, todos produzem borrões plenos de vazios, uma aquarela de Turner se destaca e passa a valer muito. Raro. O mundo admira a excelência.
Não apenas os jornalistas questionam-se sobre o futuro da sua profissão. Os bibliotecários tem tido o mesmo questionamento.
Lembrei-me de um artigo clássico chamado “Miopia de Marketing” em que o autor escreve sobre a diferença entre os meios e fins de uma atividade empreendedora.
Profissões que percebem-se pelos meios jornalistas (jornais), bibliotecários (bibliotecas), professor (escola) tem dificuldade em situar-se fora dos seus ambientes tradicionais de trabalho.
Nos últimos anos, estava tentando perceber como sair na minha profissão da cultura do meio, para uma perspectiva finalistica. Então, tenho aceitado que a finalidade da minha atuação profissional (enquanto bibliotecário) é a de “garantir a autonomia intelectual das pessoas”.
Qual seria a finalidade do jornalismo? E da educação? Etc… Ou seja, compreendendo bem o ethos de uma comunidade profissional fica mais fácil que eles estejam preparados para transcender a idéia de ocupação de espaços, para a de prestadores de serviços que importam.
Fato
Gostaria de lembrar aos prezados colegas comentaristas que citam sempre o fato como fator importantíssimo do jornalismo puro e crível, que o dito cujo não existe de maneira clara, a não ser em reducionismos que explicam menos ainda.
Resumindo: não existe maneira de dar a notícia sem que o jornalista filtre a mesma através de suas emoções naturais . Humanos, nem que queiram, podem apagar suas emoções.
E é bom que assim seja. Nelson Rodrigues dizia que ” a imprensa moderna aboliu o ponto de exclamação ” Dentro desse contexto, segundo o delicioso exagero rodriguiniano ” a imprensa moderna ” noticiaria assim a eclosão de uma guerra do fim do mundo: A Terceira Guerra Mundial Começou” Ponto. Sem um ponto de exclamação.
Isso seria um jornalismo abjeto, sem opinião, sem emoção, asseptico, imoral, fulminava Nelson, fremindo nas tamancas.
Outra coisa sobre o fato
Ele é como cada um de nós o vê. Ele não existe per si. E sim através de nossos sentidos.
Ora, dirão alguns, se uma bomba explodiu isso é um fato. Talvez. Para um jornalista ” uma explosão sacudiu Bagdá “. para outro ” um provável atentado terrorista a bomba causou muitas mortes nessa manhã em Bagdá. Alguém vai escrever que ” o massacre continua em Bagdá ” E por aí vai, até o infinito.
Resumindo novamente: nas academias de polícia ensinam os alunos a não confiarem demasiadamente em testemunhos oculares, por exemplo. Enquanto o professor explica esse conceito pessoas invadem a sala, disparam tiros e saem correndo.
Passado o susto o professor pede que cada um escreva o que viu. Resultado? Cada um viu uma coisa. Um viu três homens, um deles de camisa branca, que disparou uma arma leve cinco vezes em direção ao professor. Outro aluno viu dois homens de camisa creme ou beje talvez..mas não sabe quem atirou,,,eram dois.. ou quatro? …quantos tiros? uns..seis?
Olhos castanhos para uns, azuis para outros…
altos para uns, gordos para outros, acho que tinha uma mulher…não, era um garoto de 15 anos…
Enfim, cada um viu um fato de uma maneira. A sua maneira. Imaginem quanto ás emoções de cada um. Aterrador para uns. Um susto, mas nada demais para outros. Um outro ainda está pálido e não consegue falar apesar dos copos d’água que os colegas deram.
O mesmo acontece com jornalistas ao darem uma notícia. Cada um vê de um jeito. SDente de um jeito.
Nós, leitores desse novo tempo, não somos bobos. Sabemos exatamente como pensa quem escreve. Quando não sabemos, corremos a nos informar, ler, tudo e a todos, até formar nossa própria opinião.
A imprensa que se cuide.
Pedro, por favor não se esqueça de mandar um carinhoso abraço para sua colega Federica Bianchi ….
A foto. O fato. A fonte ?
no meu nome
Marco, vc. tem toda a razão e nem sei o motivo disso, mas o pai angola me pediu que eu dissesse isso para vc. E também pediu que resumisse essas suas digressões suntuosa e untuosas.
O que é o fato?Lembrarei de um filósofo brasileiro (ou melhor, um grande professor de Filosofia). No caso de um assassinato nós temos a apuração das evidências. Temos, fazendo de conta, um morto, que pode ser comprovadamente morto, uma identidade, que pode ser comprovada, uma arma do crime, que também pode ser comprovada. Nenhum desses fatos podem ser questionados, eles são o fato, a realidade que subjazzzz à versão do crime. Encontrar as razões do assassino é mais difícil, as versões sobre o assassinato podem ser controversas. No julgamento desse crime, as versões serão colocadas em teste com as evidências existentes, e supostamente convencerá a Justiça a melhor delas, a mais bem amparada nas evidências. Eis o que é fato e versão do fato. Isso também serve para pós-modernos relativistas de todos os espectros do rosa-lilás.
Uma boa noite e uma boa noite de sono, é o que lhe desejo. Fique com Deus.
Ora, era isso que o “grande professor de filosofia” andava ensinando?
Pois em sua aula inaugural deveria ter alertado os alunos que o próprio “assasinato” já é uma interpretação dos fatos supracitados.
Não admira que esteja alhures, escondendo-se de seus credores…
Pedro,
Uma frase em seu texto me permite fazer uma reflexão:
“A imprensa surgiu para ser a voz do cidadão e o olho do cidadão nos afazeres públicos.”
Não é verdade. Ela surgiu para representar os interesses políticos de quem tinha dinheiro para bancar a impressão de sua propaganda. Criou-se o mito de que existiria, ou deveria existir, uma imprensa isenta, por ser técnica, precisa na apuração dos fatos. Aconteceu nos EUA no pós guerra, aqui lá pelos anos 60. Até hoje, necas.
Algo interessante a pensar. Aqui no Rio, então capital federal, existiram em um mesmo momento mais de uma dezena de jornais diários circulando. Cada um era ligado a um interesse de propaganda política, em um diversificado arco ideológico, que ia dos caciques políticos locais, nacionais, até ao partido comunista. O pau comia ente eles. Não era disputa de mercado, palavra que, até então, nenhum jornalista usava diferente daquilo que existia de secos e molhados. A briga era por idéias. Chegava-se, principalmente em época de eleição, a editorial de um ser rebatido em edição extra por o de outro. E vendiam muito, mas nunca foi negócio.
Mudou tudo. Veio rádio, TV, agora internet, e as empresas passaram a ter gestão voltada para o mercado, foco no cliente e blá blá blá… Mas é negócio? Não, ainda. Jornais têm retorno acanhado perto de vários outros. E se transformaram em um cartel, todos têm negócios entre si, determinam preços, e até conteúdo.
Lanço um desafio. Entregue esse mercado à análise de uma consultoria profissional. Peça para estudarem a viabilidade de um novo jornal no mercado do Rio ou São Paulo. Ele seria factual e profundamente analítico, com marca de esquerda, profundamente crítico à mídia tradicional e ainda moderno. Diga que você pesquisou informalmente e descobriu que há um número grande de leitores dos principais jornais que não estão satisfeitos com eles, migrariam fácil para o novo produto. Cite o caso dos órfãos do JB, aqui no Rio. Acrescente que você tem a percepção de que o negócio pode ser montado com um custo abaixo dos concorrentes e principalmente bem menor do que os jornais do passado, que contavam com enormes equipes de gráficos.
Supondo o máximo profissionalismo desta consultoria, e imaginado inteligência de suas planilhas, eles irão demovê-lo da idéia. Embora haja mercado, e alguma economia de recursos, o principal insumo que é o papel custaria cinco vezes mais o que pagam Folha, Globo etc. A venda em banca não pagaria o custo da impressão. O investimento inicial, levando em conta a compra de uma rotativa, seria pago em 10 anos, com valores maiores do que o jornal poderia conseguir em publicidade, já que o cartel concorrente seria cruel, usando de todos os seus recursos contra os seus anunciantes.
É a realidade do negócio. Previsível processo de monopolização de mercado. Monopólio que acredita que dá hoje voz ao cidadão, que é seu olho nos afazeres públicos. Tal qual cada um dos antigos jornais também acreditava, desde que votassem como cidadãos em suas idéias. A única diferença é que hoje não brigam, querem todos juntos que os cidadãos votem nos tucanos.
marco, contra fatos não há fotos.
Darwinista, eu aposto que o editorial da ditabranda foi escrito por Demétrio Magnoli. Assim como a famigerada nota da Redação. Aliás, ela é a coisa mais difícil de entender de tudo isso: como um jornal “de rabo preso com o leitor” sai ofendendo seus leitores? O único que fez isso e se saiu bem foi o Homer Simpson.
Putz, Ratapulgo. falava em assassinato hipotético. Pô, tem relativista que duvida até do sexo da mãe. Barbaridade.
Penso que a crise é do jornalismo impresso. É caro. E é local/regional. Me parece que o jornalismo online é menos caro e pode ter alcançe, no mínimo, nacional. Resumo da ópera: acho a internet o MÁXIMO.
Eram meados do século XV quando um jovem de uma família de camponeses disse no jantar para sua família:
“Quero ser escritor!”
Houve uma reação enorme na família, toda sua história vinha da terra, de plantar e colher, de criar seus animais, vender e trocar nas feiras. Mas o jovem insistir: “Quero ser escritor”.
E assim aconteceu, abandonou o campo, foi estudar e anos mais tarde arrumou um emprego na cidade com os padres na elaboração de bíblias. Eram copiadas, desenhadas e distribuídas.
Entre 1455 Gutenberg publica a primeira bíblia com sua novíssima tecnologia de impressão e tipografia.
Os tempos são parecidos. Prever o futuro é um tanto difícil. Mas há uma grande certeza: vai mudar um bocado.
Milico Ratapulgo, fui ao seu site e notei que um milico pode escutar rock progressivo sem ter que pagar 20 flexões. Quem gosta de Giant Gentle não deve ser má pessoa, mas vai errar na escrita na caixa-prego. Escute Gnidrolog. Claro a melhor banda de rock progressivo foi e é o Pink Floyd. Nem se discute isso comigo. O resto é legalzinho.
Ratapulgo, sabedor de sua milicagem, entendi sua dificuldade de abstração. Um bom dia e que Deus lhe guie.
Pedro coloca a questão central:
as revoluções tecnológicas que reinventarão o jornalismo recolocam as premissas básicas: 1. a busca de uma certa “objetividade” enquanto técnica jornalística (é possível mesmo?), 2. o atrito inerente à relação entre a tal “isenção jornalística” e o negócio em si (afinal, trata-se de um mercado considerável, do ponto de vista financeiro) e 3. até que ponto o financiamento público (mesmo sob a forma de publicidade) não nega a própria essência do jornalismo.
Lucidez que vai além, quando propõe que o primeiro passo seja o de que nós mesmos, jornalistas, nos tornemos mais transparentes em relação ao ofício (e seus processos de produção) e à indústria em que trabalhamos (que no Brasil, ao contrário do que muitos pensam, tem mais virtudes do que vícios).
é um texto precioso. obrigado
Gentle Giant
A mídia impressa não pode acabar.
Como ficariam milhões de totós que usam os jornais para descarregar os seus “rejeitos orgânicos”?
Esta mídia-corporativa já era.
Agência de propaganda dos ricos. Uma máquina de publicidade em defesa da segregação.
No Brasil é o que há de pior: estadão, veja, globo, fsp… um monte de lixo publicado.
Pedro Doria, vamos por partes (como dizia Jack o estripador):
Não há otimismo:
Sim, não há aí e, também não deveria haver aqui.
O Governo mete um no cravo outro na ferradura, você tem noção do tanto que se tem investido em laboratórios nas escolas e centros tipo “lan-house” governamental (e “de grátis”) por aqui?
Isso tira, em longo prazo, leitores dos jornalões e revistas.
O que está mudando?
Nessa você acertou, a Folha (só pra citar um exemplo) se lascou quando, desde o começo meteu a faca, tudo que cai na rede é lido sem pagar (às vezes até com qualidade melhor (comentada) que o original).
O mundo mudou, a imprensa não viu
Aqui, a meu ver há coisa errada.
O jornalismo começou a se lascar quando virou “faculdade”, a “Academia” acabou com aquele jornalista que começava na gráfica ou como entregador, passava a foca e daí pra frente só o instinto jornalístico o guiava.
Os filhinhos de papai hoje saem do colegial e entram numa faculdade, não “cheiram” a notícia, pegam uma pauta de trocentos anos atrás e adaptam pra fazer notícia com fatos ocorridos hoje, não há mudanças, coisas novas só na rede (a maioria em blogs como o seu (e isso não é puxasaquismo, poderia citar só a pasta “blog” que há nos “favoritos” aqui no meu computador e já sairia uma lista de no mínimo 25)).
Mas mudou em que mesmo?
Peraí, o monopólio começou a ser quebrado (pelo menos aqui no Brasil) na década de 80 e pela própria mídia impressa. A fatia que respondia aos pequenos anúncios (e que os jornalões cobravam uma baba) foi surrupiada por publicações como “Primeira Mão”, os assinantes (pelo menos eu aqui) pagam por uma mídia isenta e buscam opiniões/notícias, eu pagava uma assinatura da Folha e me sentia constrangido pelo “quilo” que a publicação virou aos domingos, só propaganda, não pago e não quero isso, cancelei minha assinatura.
Estadão mesma coisa, Veja idem, o formato precisa mudar, propaganda em excesso, encartes e o skambau não são do interesse (creio) da maioria dos assinantes.
Meu pai sempre teve assinatura de dois jornais até a década de 80 (Estadão e A Tribuna, fora o “Diário Oficial” por ser advogado), uma revista nacional e uma francesa (L’EXPRESS, ainda há uma pá de exemplares na biblioteca dele, papel fininho, letras pequenas e muito conteúdo).
Eu pago mas, pelo que eu quero, não o que querem me enfiar goela abaixo.
Quer uma saída? Que os jornais cobrem de quem repassa a mídia para o consumidor final, não como “portais”, esta tentativa besta de cobrar por informação.
A rede é livre, sempre achei que a cobrança deveria ser feita “nas pontas”, caso do Brasil, as operadoras de telefonia, é aí que a coisa pega e ninguém bota a mão no vespeiro.
Imprensa profissional para quê?
Peraí, não existe “imprensa profissional”, existe “imprensa oficial” e “imprensa aparentemente independente-que-se-lasca-sem-patrocinio-oficial”.
Imprensa profissional é, teoricamente, isenta e, tem dó, isento nem texto bíblico.
Transparência
Olha PD, vá pela sugestão do RAY, crie um “logo”, ganhe Copryth em cima e se dê bem, vá pelo instinto capitalista, pare com esse troço de trabalhar de graça (cobre da minha operadora, eu pago de boa) e, seja isento, sempre terá um freguês neste que vos fala.
Modelos
Bom, já permeei várias idéias acima, não queria falar sobre essa parte mas, você escreveu, gastou tempo, eu também escrevi e mando no “submit”, está “pau a pau”, também gastei tempo.
Volto naquela idéia do Ray, mande ver no “logo”, faça uma franquia e ganhe os tubos (se sobrar algum, te passo a conta bancária).
:-)
Só agora “lendo pra cima” achei o comentário da:
Giqqs.
Gostei pacas, vai mais ou menos na minha linha.
:-)
Surf #66:
Cumá qui é?:
“A internet derrotará o capitalismo?”
Bicho, seguinte, liberdade taí, na rede.
Ela é um calo para os totalitários, é instrumento da democracia/social democracia (odeio essa expressão, me faz lembrar do finado FHC, please, me ajude com outro termo nessa).
Pra mim a rede é uma nova forma de aglutinação de interesses, não é assim tão democrática nem totalitária a ponto de ser vinculada a um ou a outro.
É só “a rede”, uma nova forma de convivência.
:-)
Leiam Venício A. de Lima lá no OI… a mídia corporativa do Brasil já era.
“CREDIBILIDADE EM XEQUE”
”
… a grande mídia convenceu-se de que está totalmente deslocada e assumiu que fala apenas para um segmento minoritário da população brasileira, o seu “nicho de mercado”.
”
Sabem qual é este “nicho de mercado”?
Gente mal (in)formada.
Na falta de Folhas, Estados e Vejas, encontrei a solução ideal para os totós:
Imprima as paginas dos blogs a serviço da fauna tucânica enDEMoniada, e ponha as folhas para que os mesmos (os totós) despejem os seus “rejeitos orgânicos”. :o)
A patroa grilou por conta do exemplo da Biblia não ser imparcial.
Pessoal, juro prôceis, não quiz ofender ninguém, de coração.
Não se mexe com isso, desculpem.
:-)
“Outro princípio que corre em nosso sangue é o da isenção e objetividade. Somente os fatos. Opinião fica delimitada às colunas e página de editoriais.”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Ainda bem que pra cada jornalista que tenta nos vender o peixe da isenção e objetividade há dois ou três que fala a verdade:
http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/02/20/alumbramento/
Tenho assinaturas hebdomadárias e trintenárias, mas ainda não assino nada em meio eletrônico.
O Weblog será a primeira? Qual o futuro do Weblog? Uma coisa é certa: Já passou por algumas provas, mas estará maduro suficiente?
Minha melhor assinatura é a Piauí. Qualidade de texto acima da jornalística, beirando a literária. Profundidade de conteúdo… Para o resto existe a internet. Ainda assim tenho assinatura da Época, já tive da Carta Capital. De VEJA nem pensar, embora seja da mesma editora da PIAUÍ. E eles vivem me propondo assinaturas… Mandam exemplares de cortesia… Mas não assino.
Deixei de ler o Elio Gaspari por isso. OGlobo queria vir junto. Agora, quando quero ler o Gaspari, a alternativa é reler um dos volumes de As Ilusões Armadas.
Os comentários anteriores colocaram bem o problema: a razão pela qual ainda existe uma imprensa escrita é porque bem ou mal ela nos oferece uma chancela de qualidade mínima, de respeito a certas práticas de objetividade e de qualidade intelectual - está constituída como um campo, diria o Bourdieu. O problema do jornalismo na Internet seria exatamente este, criar uma porta de entrada pela qual só passassem aqueles que se conformarem com determinadas práticas, com certos padrões de controle da qualidade da informação…
Proftel, eu fiz essa pergunta diante da questão do que está em jogo.
Carlos, boa lembrança do Bourdieu, que escreveu um livrinho sobre sua experiência com a tv, quando se recusou a se integrar no jogo da superficialidade midiática. Passou a ser execrado pelos jornais e tvs. É um depoimento sincero e dá o que pensar.
Olá Pedro,
Muito bacana toda esta discussão. É algo por que me interesso muito, no mínimo por ser parte desta geração que praticamente não usa o papel para se informar. Realmente, não sei se os meios impressos poderão ser sustentáveis se não partirem para um formato mais próximo das semanais, com conteúdo mais detalhado e bem-acabado, deixando à Internet o papel de “notícias quentes”.
Uma única ressalva a seu post, compartilhada por outros comentaristas, é em relação à isenção ou objetividade da imprensa, ou dos jornalistas. Ainda que saiba dos princípios morais e éticos que você ou outros profissionais possam ter, não é possível ser completamente objetivo, simplesmente porque não somos máquinas; temos sentidos e vivências, o que muda tudo.
O curioso é que seu post me remeteu a um capítulo de um livrinho de Umberto Eco, Five Moral Pieces (http://www.amazon.com/Five-Moral-Pieces-Umberto-Eco/dp/0156013258). Nele, discute-se qual deveria ser o novo papel da imprensa escrita face ao novo modelo de jornalismo que então iniciava seu domínio (a televisão), e se passa também pela discussão de que não se pode cultivar a ilusão da objetividade no jornalismo, dado que meras escolhas editoriais (posicionamento da matéria, vocabulário, etc) são fruto da subjetividade; o que não dizer, então, da divulgação mesma de notícias?
Desculpe o comentário um pouco longo… abraço!
Douglas
Creio q o mais provável é a migração das verbas de publicidade do jornal para o on line, no caso dos ‘jornalões’. Além da questão da tecnologia, popularização da ferramenta, etc, há o custo do papel, q vem aumentando paulatinamente ano a ano. O modelo de jornal impresso diário não deve durar por mais tempo.
Outra: jornalistas devem aprender (pros mais novos creio q é mais fácil) que a internet pode ser sim, fonte e não só aquelas acumuladas por anos a fio num caderninho ensebado e que leitores também o são, basta acompanhar o desenvolvimento dos comentários nas notícias on line.
O futuro do jornalismo? Penso que continuará existindo, numa plataforma diferente, e convivendo com outros meios, como os blogs. Pq, apesar de td, a imprensa continua sendo referência para o público, referência essa que os blogs não são (ao menos por ora e acho q nem tão cedo) .
Me lembrei do EPIC 2014
http://www.henry.eti.br/pagina.php?IdPagina=219
http://www.idorosen.com/mirrors/robinsloan.com/epic/
[...] visto grandes discussões a respeito do futuro do jornalismo. Como a mídia tradicional está se adaptando aos novos tempos e à Internet, além de como será o [...]
Dória,
acredito na tua vontade de ser sincero e transparente. Eu vejo como tentas desesperadamente. Entretanto, para um jornalista (ou para qualquer um que sofra o peso da condição humana), sinceridade e transparência esbarrará sempre em certo valores tabus (e tu sabes a que me refiro) que representam a coluna vertebral de cada um, ou na fraqueza de ter de fazer compromissos. Hoje em dia, a única transparência seria a de abrir o jogo. E isso, além de perigoso, nem sempre mostra-se politicamente correto. E lá se vai o valor maior do jornalismo (e do jornalista): A Credibilidade.
Pedro, não li todos os comentários, portanto, aos leitores do blog se estiver sendo repetitiva me perdoem, mas falar em objetividade da profissão do jornalismo é algo completamente sem propriedade. Todos tem uma ideologia e a maneira como escolhem e recortam o que elegem como fato já é um forma de expressá-la.
Na imprensalona brasileira temos os grandes estereótipos do qual Veja é imbatível, mas a Folha anda se esforçando para chegar lá: invenção de fatos, revisionismos, preconceitos a torto e a direito, um portal que não diz nada a ninguém. Eu sinto pelos jornalistas sérios, mas a grande maioria é de um bando de deslumbrados, mal informados que perderam a completa noção da função social do jornalismo, vide o misógino Josias de Souza, o preconceituoso e deslumbrado Duilio sei lá o quê e a última pérola do editorial da Folha “a ditabranda”, creio que vc anda afastado demais do país pra argumentar sobre ‘objetividade’.
abraços
Não acredito no fim do jornal impresso como disse no texto, mas que precisarão reformular boa parte do online, isso sim. Colocar as doações para conseguir manter um bom informativo.
PS: Fiz algo bastante parecido em meu blog alguns dias atrás.
[...] comparável ao currículo de Fabio Konder Comparato. Não adianta o Pedro Dória honestamente matutar de lá pra cá se ele não entender essa premissa básica que deve estar sobre a mesa para o início da conversa: [...]
A melhor informação do post foi que o PD tá mudando a sua visão sobre muitas coisas.
Antes tarde do que nunca…
Em resposta à pergunta lançada no comentário #126: talvez ler a Folha como leio hoje a revista Veja, isto é, ler da forma como fazia o jornalista Hélio Fernandes, que em plena ditadura assinava hebdomanários militares, estilo “Letras em Marcha”, para saber o que pensava a direita e tentar prever os seus movimentos. Mas já aderi ao boicote. Talvez a consulte quando precisar prever os movimentos das tais “elites” camarilhadas.
[...] disso ao ler dois posts do Pedro Doria em seu Weblog, “O futuro do jornalismo (que futuro?)“, e “Objetividade de imprensa?“. Neles, o jornalista tenta jogar luz no que [...]
[...] Pedro Doria versa sobre os desafios do jornalismo. Para ele, o modelo de imprensa, que data dos anos 1920 e 40, caducou. [...]
A lembrança de watergate é útil e deixa questões adicionais:
Dezenas de blogueiros teriam conseguido o mesmo na investigação de watergate?
A investigação de watergate seria possível em um esquema de redações contando as moedas todo mês?
Quem doar dinheiro às fundações/jornais não vai controlar a linha editorial? Grandes doações reunidas em poucos doadores não vão criar uma situação de desequilíbrio e jornais que de maneira nenhuma desagradam a esses doadores? Se os grandes doadores forem empresas, não é uma forma de se imunizarem ou garantir que seus interesses se afirmem como interesses coletivos? Aliás, não é esse mesmo o grande esquema de atrelamento aos interesses das grandes empresas, governos e ideologias que ajudou a corroer a credibilidade da imprensa até o estado atual?
Bom, há o modelo da BBC. Empresas jornalísticas públicas e independentes. Remember o trabalho da BBC na guerra do iraque, em 2003, enquanto a imprensa americana, privada, preferiu uma cobertura sem críticas.
A mídia é, sem dúvida, fundamental à democracia, ainda é o principal agente catalizador da esfera pública de opiniões que dá luz a cidadania. A questão é: o quão democrática é uma mídia que comunica a milhões de pessoas controlada por apenas dois ou três proprietários privados? Outra questão reside no fato de que é um princípio inegável que a propaganda suprime a essência da imparcialidade de qualquer mídia, seja de massa ou colaborativa. Entretanto, é o diáologo, talvez, a principal arma democrática da mídia em busca da neutralidade. A Internet reforçou esta noção, e seja jornalismo tradicional ou “amador”, o futuro está no diálogo.
[...] Rocha, que há tempos decretou a morte do jornalismo, reuniu um time de debatedores para discutir texto bastante recente de Pedro Doria _precisamente sobre o futuro da profissão, ou melhor, de seu [...]
[...] dia desses, Pedro Dória escreveu um post que incomodou Jorge. Este mastigou os dentes um tempinho e cuspiu umas tantas perguntas para alguns dos [...]
[...] um post do Pedro Dória sobre o futuro do jornalismo deixou-me encasquetado. Algumas inquietações acerca do escrito batucaram em minha cabeça, assim [...]
olá, Pedro, achei bem legal seu texto, vou publicar trechos dele em meu blog.
A qualquer momento, entretanto, é só me avisar que eu despublico, ok?
Parabéns pela reflexão, sempre bom pensar onde vão parar os jornalistas com essa coisa toda.
[...] modelos adotados na América me parecem ser bons apenas para os americanos. Fala-se em doações de fundações e ONGs como caminho para substituir a receita publicitária, em queda livre. Essas entidades pagariam (já [...]
[...] o Sergio Leo quanto o Pedro Dória estão discutindo questões semelhantes em seus blogs: a situação de decadência e provável [...]
Condordo quando você diz que a não é legal cobrar, para que os leitores tenham acesso a uma informação.
Mas, de certo modo discordo quando você titula : “O futuro do Jornalismo (Que futuro)”
Acredito que o que está acontecendo são apenas mudanças, e que muitas destas empresas jornalisticas ficam extintas porque não se reciclam e o espaço do mercado fica pequeno pra elas.
Ora, se o mundo está voltado para os blogs, seria então o mais correto fazer um blog e alimentar de informação. Assim ganharia adeptos de certa forma fiel.
Mesmo porque, o jornalismo ganhou uma amplitude e dimensões tão gigantescas, que o que resta aos profissionais da área é simplesmente reciclar os conhecimentos e expor da forma mais transparente possível.
[...] ponto de vista, que rendeu 140 manifestações em seu blog, Doria lembra que os números indicam aumento na circulação de jornais, mas por uma conjuntura [...]
Como disse Cláudio Abramo “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.” É isso o que o jornalismo representa, porque os profissionais da área (formados) pelejam por isso. Nos tornamos a voz de multidões caladas e agora as pessoas estão sim desvalorizando a profissão.
o novo modelo da internet de interação 24 horas e informações de todas as partes do mundo, dão a sensação às pessoas que elas podem agir como profissionais da área, mas não é assim. Todo mundo acha que ser jornalista é pegar um assunto e escrever sobre. Engano! Entender de algo não é ter compromisso com o mesmo. E nós jornalistas temos o compromisso com o que fazemos.
Portanto, o futuro do jornalismo não está nas mãos de outros que não sejam os jornalistas. Muito do que acontece está no posicionamento que temos frente as situações.
Então, que em posição firme saibamos colher as sementes de anos desta profissão!
Aline Kolbe
[...] Segundo o jornalista Pedro Dória no post “O Futuro do jornalismo (Que futuro?)”, “Richard Gingras, um dos fundadores da Salon.com, executivo do GoogleNews, consultor do New Yo… A rotativa é a internet. Mais cedo ou mais tarde, as mudanças serão [...]
[...] Mídia. Reflexões sobre o assunto AQUI (Baudrillard) e opinião-reflexão AQUI (Nassif), ou AQUI (Pedro Dória). Etiquetado como:Baudrillard, Grande Mídia, Nassif, Pedro Dória, Política, Wilton Cardoso [...]
[...] o vinil lutou contra o CD ou o rádio contra a TV, a Folha quer impedir o inevitável: Pois bem, o locutor do vídeo e o Marcos Guterman tem questionamentos interessantes para o jornal. E o hibernante [...]
Um jornal não é mais uma prensa que imprime dinheiro. O Jornal 2.0 deve funcionar em conjunto e com o apoio de grupos de “blogueiros”, empreendedores, cidadãos e comunidades que se reúnem e compartilham notícias em tempo real.
Veja esse link do futuro do jornal: http://inteligenciaonline.wordpress.com/2009/10/14/o-futuro-do-jornal/
Abs